sábado, 28 de abril de 2018

Galeria dos Mártires - Ir. Cleusa Carolina Rody Coelho

IRMÃ CLEUSA CAROLINA RODY COELHO
Mártir da Causa Indígena
LÁBREA – AM * 28/04/1985

Memória dos 33 anos de seu Martírio.

Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho, nasceu em Cachoeira de Itapemirim, ES, aos 12 de novembro de 1933, entrando na Congregação das Missionárias Agostinianas Recoletas em 1952.

Dedicou Cleusa seus trinta e dois anos de vida como missionária agostiniana recoleta ao serviço dos mais empobrecidos: os hansenianos, os presidiários, os cegos, os menores de rua, os drogados, os indígenas, etc.

E foi na defesa da terra e da paz indígenas que Irmã Cleusa morreu, assassinada, às margens do Rio Paciá, na Prelazia de Lábrea, AM.

Frases de Irmã Cleusa:

“A justiça tem que estar na base de toda convivência humana”..

“Comprometer-se com o índio, desprezado e explorado, é assumir firme a sua caminhada, confiante num futuro certo e que já vai se tornando presente, nas pequenas lutas e vitórias, no reconhecimento dos próprios valores e direitos, na busca da união e auto-determinação”.  

IRMÃ CLEUSA – PARA MIM
Letra e Música: Zé Vicente – sobre palavras de Ir. Cleusa

“Para mim, o importante é sempre o SER.
Para mim, buscar o máximo amor!”//
Palavra de mulher! Palavra de quem tem fé!
Palavra de quem se doou, até o fim
E foi feliz assim.

Ir. Cleusa, bendita sejas!
Em teu martírio o teu sangue ampliou
A causa santa do amor!//

“Para mim, Deus não pede pra julgar,
Mas pra ir junto ao mais pobre e partilhar!”
Veio do índio a lição de convivência e ação!
E vale a pena essa causa abraçar,
A vida inteira entregar!

“Para mim assumir firme o Caminhar
com os pobres pra suas lutas animar!
E o futuro se faz! E a vitória é da paz!
Ser pobre por opção e oração”
Traz força na vocação!

“Para mim, no despojado Deus está.
Risco grande, máximo amor eu quero dar!”
O povo-índio te amou! A Amazônia guardou!
O rio, a mata, as crianças e o céu, vão cantar,
O teu amor celebrar!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Galeria dos Mártires - Bety Cariño e Jyri Jaakkola

BETY CARIÑO - Mexicana
JYRI JAAKKOLA - Filandês
Mártires dos Direitos Humanos
OAXACO, MÉXICO * 27/04/2010

Memória de 8 anos de martírio.

Bety e Jyri integravam uma caravana humanitária e de monitoramento dos direitos humanos nas imediações da comunidade indígena de San Juan Copala, quando foram agredidos moralmente por um grupo paramilitar conhecido como UBISORT; o mesmo grupo que mantinha sitiada a comunidade. Estes defensores dos Direitos Humanos foram assassinados em um ataque armado à sua caravana de solidariedade.

Os assassinatos geraram indignação nacionais e internacional, quatro relatores da Organização das Nações Unidas falou juntos pela primeira vez na história do México, condenando o ataque e pedindo uma investigação eficaz para punir criminalmente os autores e mandantes. A comunidade diplomática Europeia falou também sobre a punição dos responsáveis pelos crimes.

O assassinato deles, evidencia a fragilidade e risco dos defensores e defensoras dos direitos de realizarem seu trabalho no México, bem como a necessidade urgente de adotar medidas adequadas para garantir o pleno exercício da defesa dos direitos fundamentais; e também fez visível a existência e operação de grupos de civis armados que atuam e atacam a população com a permissividade do Estado do México.

O acesso à justiça para as vítimas é um direito humano e a eficaz punição para os responsáveis por esses assassinatos é uma garantia para evitar que eventos semelhantes voltem a acontecer, mas principalmente para evitar que a impunidade seja uma constante em casos de ataques aos defensores dos direitos fundamentais.

Testemunhas do assassinato dos defensores dos direitos humanos estão sendo ameaçadas por familiares dos acusados. Parentes de um dos presos intimidaram duas mulheres que testemunharam perante o tribunal de direito. Disseram para as mulheres que "se retratarem de seu testemunho, senão algo de ruim poderia acontecer".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Escamilla García

Pe. RODOLFO ESCAMILLA GARCÍA
Mártir da solidariedade
MÉXICO* 27/04/1977

Memória dos 41 anos de seu martírio

Rodolfo Escamilla García nasceu e foi batizado em Maravatio, Mich, no dia 24 de agosto de 1920.

Foi assassinado a bala enquanto se encontrava no escritório do Centro Social de Promoção Popular, na cidade do México, no dia 27 de abril de 1977.

Como sacerdote, formou um primeiro núcleo de militantes da Juventude Operária Católica (JOC), entre os jovens mineiros da localidade onde atuou pastoralmente. Iniciou a ação social nas comunidades rurais e indígenas dos arredores. Formou a Juventude Agrária Cristã (JAC).

Incansável peregrino da geografia de seu país, que ele percorria em busca dos irmãos oprimidos, silenciados, miseráveis, para fazer com que tomassem consciência de seus direitos.

Pe. Rodolfo fundou escolas de formação operária, cooperativas de consumo, produção e moradia. Promoveu e assessorou sindicatos.

Ele despertou a consciência tanto de seus companheiros sacerdotes, como entre os pobres, aos quais servia. Se tornou o apostolo dos operários.

Devido seu compromisso evangélico com os pobres da terra, despertou admiração entre todos aqueles e aquelas que lutavam pelos direitos fundamentais, pela vida, pela justo salário, pelos direitos humanos, por outro lado, provocou a irá por parte daqueles que exploravam o povo, e iniciaram uma campanha contra o “clero político” e ameaças ao Pe. Rodolfo.

Diante das ameaças ele disse: “Sei que me querem assassinar por lutar em favor dos operários. Não posso traí-los. Estou disposto a morrer onde e na hora em que Deus o queira”.

Viveu seu ministério sacerdotal não só em grande pobreza pessoal, senão em verdadeira austeridade e integridade. Fez de seu compromisso social um serviço ao povo, sobretudo os operários.

Durante o enterro do Pe. Rodolfo, um padre companheiro expressou: “Ele foi assassinado pela sua doação ao povo, ressuscita sempre que o povo dá mais um passo rumo à sua libertação; ressuscita no sacerdote que se compromete, no operário que eleva sua consciência de classe, nos camponeses que se unem para tornar mais fértil a terra pela qual lutaram”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir dos livros:
Sangue Pelo Povo e Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Galeria dos Mártires - Dom Juan Gerardi Conedera

DOM JUAN GERARDI CONEDERA
Mártir da Memória Histórica
GUATEMALA * 26/04/1998

Memória dos 20 anos de seu martírio.

Bispo de La Verapaz, primeiro, depois designado auxiliar de El Quiché, e finalmente auxiliar da Arquidiocese de Guatemala, distinguiu-se sempre por sua proximidade ao povo e suas causas, pela defesa dos povos indígenas e por uma inteligente atenção à problemática cultural e social do país.

Sofreu atentados e exílio e, com todos os seus agentes de pastoral, saiu temporariamente da Diocese de El Quiché, numa atitude de denúncia e protesto pelos ataques e assassinatos coletivos que vinha sofrendo aquela Igreja.

Terminado o conflito bélico da Guatemala, que durou 36 anos, Dom Gerardi participou, em nome da Conferência Episcopal, na Comissão Nacional da Reconciliação. E sobretudo levou a termo a Oficina de Direitos Humanos do Arcebispado (ODHA), que vem se preocupando das vítimas da violência e de qualquer violação dos direitos humanos. Neste contexto criou o projeto REMHI (Recuperação da Memória Histórica). 

O Informe REMHI, num trabalho exaustivo, que permitiu por primeira vez que falassem os familiares e os companheiros das vítimas de um interminável massacre, colheu 6.500 testemunhos acerca de 55.000 vítimas. Segundo este informe, o exército e grupos paramilitares são responsáveis por mais de 79% das vítimas.

Em 24 de abril de 1998, Monsenhor Juan Gerardi, apresentou o informe “Guatemala: Nunca Mais” na Catedral Metropolitana. Neste informe, responsabilizou o exército, as outras forças oficiais, as patrulhas de autodefesa civil e os Esquadrões da Morte por 90% das violações aos direitos humanos durante o conflito armado interno e atribuiu 10% aos rebeldes. 

“Guatemala: Nunca Mais é o Informe do Projeto Interdiocesano “Recuperação da Memória Histórica” (REMHI), que analisa milhares de testemunhos sobre as violações aos direitos humanos ocorridas durante o conflito armado interno. Este trabalho está sustentado na convicção de que, além do seu impacto individual e coletivo, a violência retirou dos guatemaltecos o seu direito a palavra.

Cada história é um caminho de muito sofrimento, mas também de grandes desejos de viver. Muitas pessoas vieram contar o seu caso e dizer “acredite em mim”. Esta demanda implícita está ligada ao reconhecimento da injustiça dos fatos e a reivindicação das vítimas e seus familiares como indivíduos, cuja dignidade foi retirada. Esclarecer e explicar – dentro do possível – o ocorrido, sem localizar o dano nem estigmatizar as vítimas, constituem as bases para um processo de reconstrução social. Somente assim a memória cumpre o seu papel como instrumento para resgatar a identidade coletiva. - Guatemala, 24 de abril de 1998".
  
Monsenhor Juan Gerardi Conedera, levou adiante a criação do Escritório de Direitos Humanos do Arcebispado, que cuida até hoje das vítimas da violência de qualquer violação aos direitos humanos. Neste contexto, se iniciou o Projeto Interdiocesano REMHI, ao qual o Monsenhor Gerardi se dedicava quase por completo, com a esperança de conhecer a verdade por meio de testemunhos para que o passado não se repetisse mais, já que estava convencido de que a paz e a reconciliação se dariam somente conhecendo a verdade.

Dois dias depois de apresentar o informe de REMHI na catedral arquidiocesana, foi brutalmente assassinado, destruído o seu rosto, seus olhos, seus ouvidos, sua boca, seu cérebro, num intento de apagar a quem viu, ouviu e falou a memória histórica de todo um povo mártir. Por isso Dom Juan Gerardi é legitimamente reconhecido como mártir da paz com justiça, mártir da verdade, mártir da memória histórica.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Galeria dos Mártires - Paulo e José Canuto

PAULO e JOSÉ CANUTO
Mártires da Luta pela Terra
RIO MARIA, PA * 22/04/1990

27 anos do Martírio dos Irmãos Canuto.

Paulo, José e Orlando Canuto, foram sequestrado pelo pistoleiro José Ubiratan Matos Ubirajara. Paulo e José foram assassinados dia 22 de abril de 1990 e Orlando foi ferido gravemente, mas conseguiu fugir e sobreviver.

Os irmãos Canuto eram filhos de João Canuto, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, Pará, assassinado a mando de fazendeiros em 18 de dezembro de 1985.

Ubiratan, ex-Policial Militar, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Belém, em 1994, a 50 anos de prisão pelo duplo assassinato dos irmãos sindicalista de Rio Maria, e pela tentativa de homicídio contra Orlando Canuto, ele foi preso em dezembro de 2007, na cidade de São Luís, no Maranhão.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Paulo e José Canuto de Oliveira

Posto de luto, o poeta,
No centro diagonal da praça,
Vizinho do infinito.
Posto de pedra e poeira.
De poema maciço no meio do branco.
Sólido gesto eternizando as fontes da madrugada.

À sua frente o gemido dos homens,
A sua morte lenta, refundindo os corpos.
O medo pelas casas, no olho dos meninos.
As paredes de sangue e inferno.
À sua frente o sepulcro caiado
Sem epitáfio para o perdão.

O poeta canta sozinho, para morrer.
Sua voz frequenta a brisa do silêncio,
Do desespero adornando a palavra.

À sua frente os corpos sem vida.
Nus como sempre foram.
Sem motivos para dormir.
Sós e tristes, são duas cruzes,
Brotando no cimo da escuridão...

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Galeria dos Mártires - Galdino Jesus dos Santos

GALDINO JESUS DOS SANTOS
Mártir da Discriminação
BRASÍLIA - DF * 20/04/1997

21 anos de seu Martírio

Galdino Jesus dos Santos, índio Pataxó, do Sul da Bahia, 44 anos, tinha ido à Brasília mais uma vez para exigir a devolução das terras pataxó, griladas por fazendeiros.  Cansado pelas manifestações e outras atividades do Dia do Índio, na madrugada do dia 20, Galdino estava dormindo num ponto de ônibus. Passando por ali 5 rapazes em atitude de farra resolveram queima-lo derramando combustível em seu corpo e ateando fogo.

Líder Pataxó e símbolo da resistência do seu povo que há cinco séculos vêm sofrendo em primeira linha as investidas da dominação invasora, Galdino tornou-se também vítima-símbolo da discriminação e do sadismo de uma “civilização” desumana.

Quatro anos depois do crime, Max Rogério Alves, Eron Chaves de Oliveira, Tomás Oliveira de Almeida e Antônio Novély Cardoso de Vilanova foram condenados pelo júri popular a 14 anos de prisão, em regime integralmente fechado, pelo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou defesa à vítima). Já o adolescente, G.N.A.J. foi condenado a um ano de medidas socioeducativas.

No local onde ocorreu o crime foram colocadas 2 esculturas relativas ao assassinato de Galdino: uma retrata uma pessoa em chamas e a outra representa uma pomba, símbolo da paz. O local passou a ser chamado “Praça do Compromisso”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet e da Galeria dos Mártires.



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Galeria dos Mártires - Massacre de Eldorado dos Carajás

MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS
Mártires da Terra
ELDORADO DOS CARAJÁS, PA * 17/04/1996 

22 anos do Massacre  de Eldorado dos Carajás, PA, Brasil. A Polícia Militar do Estado mata 21 pessoas que defendiam seu direito à terra.

Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária

Dia Internacional da Luta Camponesa

No sonho de fazer valer seus direito e garantir um futuro melhor, um grupo de manifestantes do Movimento dos Sem-Terra paralisaram a rodovia BR-155, no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. 

Cerca de 1.500 trabalhadores acampavam pela região. Eles realizaram uma marcha exigindo a desapropriação de diversas terras locais, em especial, a da Fazenda Macaxeira. Resolveram bloquear uma das estradas estaduais que ligam a capital ao sul do Estado. O bloqueio da estrada não agradou ao governador Almir Gabriel, do PSDB, o qual ordenou que a polícia fosse até o local para desobstruir a estrada. Foi aí que o secretário da Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, autorizara a Polícia Militar a fazer uso da força necessária para acabar com a obstrução da rodovia, que cumpre papel fundamental na ligação de Belém ao sul do estado e, portanto, ao resto do Brasil.

De início, os policiais, comandados pelo coronel Mário Pantoja de Oliveira, usaram bombas de gás lacrimogêneo para afastar os sem-terra dali. Estes resistiram e, providos de foices, facões e enxadas, permaneceram no local. Os policiais, então, passaram a atirar contra os sem-terra. Dezenove foram mortos no momento, outros dois, anos depois em consequência dos ferimentos, e sessenta e sete foram gravemente feridos, constituindo o Massacre de Eldorado dos Carajás.

Pouco tempo depois do ocorrido, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, proclamou o dia 17 de abril como Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária. A Via Campesina o nomearia como Dia Mundial da Luta Campesina. Desde o massacre, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, passou a realizar a Jornada de Lutas todo mês de abril - que veio a ser chamado pela imprensa de “Abril Vermelho” - para protestar em favor da reforma agrária e contra a impunidade dos 155 policiais envolvidos.

Nomes dos mártires da terra de Eldorado dos Carajás:

- Altamiro Ricardo da Silva - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Antônio Costa Dias - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Raimundo Lopes Pereira - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Leonardo Batista de Almeida - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Graciano Olímpio de Souza - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- José Ribamar Alves de Souza - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Oziel Alves Pereira - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Manoel Gomes de Souza - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Lourival da Costa Santana - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Antônio Alves da Cruz - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Abílio Alves Rabelo - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- João Carneiro da Silva - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Antônio ("irmão) - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- José Alves da Silva - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Robson Vitor Sobrinho - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Amâncio dos Santos Silva - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Valdemir Ferreira da Silva - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Joaquim Pereira Veras - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- João Rodrigues de Araújo - Eldorado de Carajás - PA 17/04/96
- Raimundo Guimarães - Eldorado de Carajás - PA 04/01/97
- Aiton César Reis - Eldorado de Carajás - PA 04/01/97

Vídeo em memória dos 20 anos do massacre.
https://www.facebook.com/MovimentoSemTerra/videos/1096229170449796/

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada





Galeria dos Mártires - Aldemar Rodríguez e Companherios

ALDEMAR RODÍGUEZ e Companheiros
Mártires da Solidariedade entre os Jovens
CÁLI, COLÔMBIA * 15/04/1992


Aldemar Rodríguez, catequista, e companheiros militantes, mártires da solidariedade entre os jovens de Cáli, Colômbia.

Nasceu em 24 de janeiro de 1972 em Pitalito (Huila). Apesar de ter apenas 20 anos quando foi assassinado, ele viveu intensamente o compromisso cada vez mais radical de lutar e praticar a justiça. Sua curta vida foi profundamente marcada pela religiosidade. A busca de Deus aparece como o eixo que define todas a sua caminhada. Porém um Deus que o interpela e que o faz renunciar toda opção egoísta de uma segurança pessoal, e o conduz prioritariamente a fazer um compromisso com os pobres e a buscar uma mudança radical na sociedade.

Em 1º de janeiro de 1990, Ademar tinha escrito este comentário: "Identificar-se com Jesus e com o projeto de vida, significa arriscar a vida pelo Reino".

Em 29 de maio de  1990, Aldemar escrever uma carta a um amigo que diz:
"Devemos estar sempre prontos a dar a vida pelo outros, e me alegro por isso. Porque, quem luta pela vida, pelo amor, pela justiça do mendigo, da criança, estará sempre na mira do projétil assassino (...)
Esperamos a morte que em geral chega das mãos de um sistema corrupto (...).
Ultimamente eu tenho pensado muito sobre o trabalho, sobre a minha responsabilidade. E eu fico com medo, você ouviu. Muitas ocasiões sinto medo, medo de não ser capaz de responder como deve ser e de não saber conduzir as diferentes situações que se vão apresentar. E eu tenho medo de morrer sem ter feito nada ainda, sem poder deixar uma escola, um jardim onde abrigará a todos para esta grande festa do banquete que falta por servir. 
De qualquer forma eu quero ir me preparando para quando chegar o momento inesperado. O momento em que dormirei o sono profundo, mas convencido de que Jesus trabalhou para construir também um pátria melhor. Embora seja doloroso falar sobre isso, mas é melhor estar ciente; por isso é bom seguir voando nesta escuridão até poder encontrar o sol. Deve-se sempre dizer: Bem-vinda (mesmo que doa), como você diz a alguém quando chega em sua casa com alegria e com tristeza se vai.
A vida nunca será desamparada, enquanto nós pudermos gritar o suficiente! Não mais! Basta! 
E nos levantarmos, gritando, fazendo ...
Bem, até que o sol saia clareando nossos olhos,
Te vejo em breve".

Era a semana da Páscoa. Desde domingo de Páscoa os habitantes da aldeia de La Dolores (jurisdição de Palmira, Valle) tinham visto um cadáver flutuando nas águas do rio Cauca, mas não se atreveu a remover. Como tal achados eram frequentes, a experiência disse-lhes que "isso causaria problemas"

Na quarta-feira os trabalhadores qualificados de uma funerária em Buga, depois de calcular as velocidades do fluxo do rio, resgatou o corpo perto do Riofrio. Sua cabeça, apesar de ter sido pressionado entre camadas de plástico, estava quase desfeita, porém podia observar grossas tiras de fita em torno de sua boca. Vários cortes e perfurações no corpo, e um cordão em volta do pescoço, as mãos e pés amarrados com arame, as terríveis torturas a que fora submetido. O médico legista determinou "morte por asfixia".

Oito dias antes, Aldemar estava correndo cedo, como de costume. Ele saiu com pressa para uma reunião. Nunca mais foi visto. No dia seguinte da tal reunião, em vários setores da Cali havia alarme e angústia, pois, várias pessoas estavam desaparecidas. Na quinta a noite foram encontrados quatro corpos, trazidos de El Hormiguero, município localizado no sudoeste Cali, na estrada para Jamundí. Eram quatro homens jovens que haviam desaparecido na quarta-feira enquanto participava de uma reunião no Parque da Saúde, área do Rio Pance na região sudoeste de Cali. Tudo dava a entender que Aldemar também havia estado nessa reunião.

Nos dias seguintes, várias organizações de Cali denunciaram o desaparecimento e morte que sofreram alguns de seus líderes. Na verdade, os jovens desaparecidos na área de Pance eram seis, e cada um militava em organizações de massas: Movimento Cívico do Distrito Aguablanca; Movimento Estudantil; Movimento Negro; Movimento de Mulheres; grupos das comunidades cristão de base, CEBs, e da campanha de 500 anos. Porém, tudo dá a entender também, que alguma militância ou simpatia política os uniam, militância ou simpatia eles guardavam "na reserva" dadas as suas características: eram aparentemente militantes ou colaboradores próximos da Renovação Socialista, um grupo que tinha se desmembrado do Exército de Libertação Nacional, em busca de um exercício político completo, e já tinha começado negociações com o governo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.