terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Galeria dos Mártires - Franz de Castro Holzwarth

FRANZ DE CASTRO HOLZWARTH
Advogado,  Mártir da Pastoral Carcerária
JACAREÍ – SP * 14/02/1981
               
Advogado e teólogo, iniciou seu trabalho junto aos presos da APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – em 1973, na cidade de São José dos Campos, SP. 

Nas galerias e celas do presídio, ficava em média dezesseis horas, convivendo com os presos. “A minha vida eu daria, afirmava, em garantia e em alívio a muitos sofrimentos”. 

Durante uma rebelião, ofereceu-se como refém, para que um policial militante fosse liberado e, quando o carro onde Franz se encontrava saiu, a polícia iniciou o tiroteio perfurando com mais de trinta e oito projéteis o corpo do“apóstolo do amor”.

Em 6 de março de 2009, a Diocese de São José dos Campos realizou a abertura do Processo da Causa de Canonização de Franz de Castro Holzwarth e instalou o Tribunal Diocesano do Processo da Causa e a Comissão Histórica. 

O Tribunal Diocesano realizou diversas sessões para investigar a fama de martírio e a vida do candidato à mártir. Mais de 30 pessoas foram ouvidas, o que resultou em centenas de páginas de documentos que foram encaminhados para a Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano, no dia 22 de dezembro de 2010.

Oração

Senhor, nosso Deus, que inspirastes o vosso servo Franz de Castro Holzwarth a uma total dedicação de amor aos encarcerados, ao ponto de derramar o próprio sangue em favor da causa dos mesmos, nós vos pedimos que, se for de vossa vontade, Franz de Castro seja um dia glorificado pela vossa Igreja e, por sua intercessão, possamos receber a graça de que tanto precisamos e que vos pedimos com fé… (pedir a graça). Fortalecei-nos, ó Senhor, na vivência do amor ao próximo e abençoai a todos que se dedicam à Pastoral Carcerária. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na Internet e da Galeria dos Mártires da Caminhada, Prelazia de São Félix do Araguaia.

Galeria dos Mártires - Santiago Miller

SANTIAGO MILLER
Mártir da Educação Libertadora
GUATEMALA * 13/02/1982

Irmão Santiago Miller nasceu em uma família de agricultores perto de Stevens Point, EUA, em 21 de Setembro de 1944. Em setembro 1959 entrou para o noviciado júnior de Missouri. Depois de três anos, ele foi admitido como postulante no Noviciado em agosto de 1962.

Em agosto de 1969, depois de emitir os votos perpétuos, foi enviado para a escola da missão dos Irmãos em Bluefields, na Nicarágua. Ensinou lá até que ele mudou-se para Puerto Cabezas, na Nicarágua, em 1974, onde foi diretor. Sob sua liderança, a escola cresceu de 300 para 800 alunos. 

Ele também aceitou a tarefa de dirigir e supervisionar a construção de dez novas escolas rurais. Superiores religiosos de seu congregação o tiraram Nicarágua em julho de 1979, no momento da revolução sandinista. 

Foi enviado para os Estados Unidos e ensinou em Cretin em outubro de 1979.

Ele foi enviado para um novo campo missionário na Guatemala, em Janeiro de 1981. Deu aula no ensino médio em Huehuetenango e também trabalhou no Centro Índico, onde estudavam as meninas maias indígenas em áreas rurais e na agricultura.

Um dos seus professores o retrata com entusiasmo: "personalidade atraente, aberto e sociável, simpático, nada falso, cativava as pessoas pela sua simplicidade, era muito inteligente e também muito simples". Outra observação foi feita por pessoas da comunidade depois dos seus votos perpétuo disseram sobre sua generosidade, a influência positiva e o forte desejo de trabalhar nas missões. Se lembra dele como "inteligente, mas não intelectual, jovial, de fácil relacionamento, e com profunda fé e amor por sua vocação religiosa".

Seus próprios escritos e declarações mostra-nos o seu caráter e personalidade. 

Em uma de suas últimas cartas antes de sua morte mostra que ele estava ciente da situação na Guatemala e as possíveis consequências que adviriam para ele. Assim, em janeiro de 1982, escreveu:

"Pessoalmente, estou cansado da violência, mas estou me sentindo profundamente comprometido com o sofrimento pobres na América Central ... Cristo é perseguido por causa da nossa opção pelos pobres. Ciente dos muitos perigos e dificuldades, continuar a trabalhar com a fé, a esperança e confiança na providência de Deus." E disse mais tarde: "Eu sou um Irmão das Escolas Cristãs por quase vinte anos, e meu compromisso com a vocação cresce mais e mais com o meu trabalho na América Central. Peço a graça e o poder de Deus para fielmente servir os pobres e oprimidos da Guatemala. Deixo minha vida em Sua Providência e colocar nele a minha confiança".

Morreu um mês depois de escrever essas palavras. 
Na tarde de 13 de Fevereiro de 1982, enquanto consertava o muro da escola, recebeu vários tiros disparados por quatro homens com os rostos cobertos que invadiram a escola onde trabalhava. Ele morreu na hora, com apenas 37 anos.

Em Roma, a Congregação para Causas dos Santos está a rever a causa do Irmão Santiago Miller. Até o presente momento, a ele foi dado o título de "Servo de Deus".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Galeria dos Mártires - Pe. Francisco Soares

Pe. FRANCISCO SOARES
Mártir da Justiça entre os pobres
ARGENTINA * 13/02/1976

Francisco Soares, 54 anos, conhecido com "Pancho", Sacerdote do Movimento dos Sacerdotes do Terceiro Mundo, mártir da justiça entre os pobres de El Tigre, Argentina. 

Pe. Francisco Soares nasceu em 1921, em São Paulo, Brasil, e três anos mais tarde mudou-se para Buenos Aires, recebeu sua educação primária em Santos Lugares. Ele viveu no Chile, França e Espanha. Em 1945, ele foi ordenado sacerdote, em 63 foi nacionalizado Argentina. Era Religioso Assuncionista e passou para a Diocese de San Isidro (Bueno Aires) e neste mesmo ano se instala definitivamente em Carupa.

Trabalhava manualmente e vivia em uma casa humilde com um irmão, deficiente mental.

Muitos se lembram dele por uma bela e profunda homilia sobre o "grão de trigo que morre e dá fruto" em 11 de maio de 1975, ao completar um ano do martírio de Carlos Mugica. 

Sua maneira clara e forte de pregação foi acentuada nas orações fúnebres pelos mortos do Estaleiro Astarsa. Ele era frequentemente ameaçado e sabia que o seu fim estava chegando. Na noite de 13 fevereiro 1976, o chamaram na porta e um grupo armado de ultra-direita o assassinaram impiedosamente. Também atiraram em seu irmão deficiente mental que veio a falecer alguns dias depois. 

Pouco antes de sua morte, ele tinha participado do funeral de um Dirigente Sindicais do Estaleiro Astarsa, que havia sido sequestrado e morto por exigir melhores condições  para os trabalhadores. 

Era um homem humilde que ganhou o respeito e carinho das pessoas, pois ele trabalhou para os necessitados como um um deles. 

Pe. "Pancho" gerou empreendimentos produtivos, montou uma oficina e criou uma cooperativa. Era muito comprometido com as lutas e as causas do povo.

Por ocasião da celebração de 25 anos de seu martírio foi lido o poema abaixo, escrito por Olga Luccioni em 1998.

13 DE FEBRERO, DE ALLÍ A LA ETERNIDAD

"Pancho Soares, sacerdote, mártir, cirineo..
quisiste llevar en tus frágiles hombros, la cruz
de tus hermanos, pobres y sufrientes,
heridos por la injusticia de una sociedad cobarde.

El Señor te llamó, y acudiste y aceptaste
dejar los cómodos salones y las amplias aulas;
tus puras manos cambiaron la tersura de los libros
y se llagaron en el trabajo duro y solidario.

Carupá te vio recorrer sus calles polvorientas
Y tus pasos imprimieron en el barro
las  huellas evangélicas de quien
sembraba eternidades en esa historia diaria.

Apóstol de la paz, guerrero  ante la lucha
contra el oprobio de hermanos oprimidos,
permaneciendo al lado de quienes no tenían
"otro pan que sus lagrimas" ... y con ellos llorabas.

Pero aún tenía que llegar el tiempo feroz
de las muertes sin sentido,  para quienes
sólo reclamaban sus derechos de hijos de Dios
y el sustento de sus hijos,  y allí estabas de pie.

Y no tuviste miedo, proclamando los Bienaventuranzas,
Que los insensatos soberbios tomaron como proclamas subversivas;
Pobres necios, valientes sólo con armas en las manos,
Temblaron de pavor ante tu humildad y tus verdades.

Entonces buscaron las sombras, cómplices de los tenebrosos,
Y te hallaron en tu humilde casilla, orando al Señor
con un Cristo en la cruz sobre tu pecho enfermo,
Y creyeron acallarte con la vileza de las balas.

Fiel hasta las últimas consecuencias,
Pancho,   hijo del hombre, cirineo y mártir, consagrado;
Tu sangre inocente fertilizó la tierra que abrazaste;
Estás en nuestras almas, alentándonos a continuar tu ejemplo.

Grano de trigo triturado,  cáliz amargo, pan sagrado,
entrega feliz en cada Eucaristía, a imitación de Cristo,
testimonio valioso de aquel aceptado sacrificio,
cantando desde el cielo..."no hay mayor amor que dar la vida".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Irmã Dorothy Stang

IRMÃ DOROTHY MAE STANG
Mártir da Ecologia
ANAPU – PA * 12/02/2005

Irmã Dorothy Mae Stang, religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.

Ingressou na vida religiosa 1948, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Illinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona).

Em 1966 iniciou seu ministério pastoral e social aqui no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão. Irmã Dorothy estava presente na Amazônia de a década de 70 junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica.

Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região. Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. Participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade à vida e a luta dos trabalhadores do campo. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica. 

A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

Em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: "Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar".

Foi assassinada com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará.

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou: "eis a minha arma!", e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

O corpo da Missionária está enterrado em Anapu, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heroicas da fé cristã.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Irmã Dorothy

Dos longínquos campos do Senhor,
De lá ela chegou
Pra mãe terra fértil,
Que é das mulheres
Que é dos homens
Que é de todos.
Aqui ela aportou.
Pregou, falou, aconselhou.
Andou terra adentro.
Fez nascer a árvore,
Que cobrou a floresta,
Germinou os frutos
De uma Amazônia de Paz.
Falou de Paz antes de tombar.
Quem assistiu irmã Dorathy tombar?
As árvores tão caladas?
Os frutos tão assustados?
Os rios tão parados?
Os peixes encurralados?
As terras vermelhas?
Tão vermelhas...
Tão vermelhas!
Do teu sangue.
Mas, tua voz não se calará!
Jamais, Jamais, Jamais!
Tua voz se multiplicará
Nos que já se foram,
Que hoje estão contigo.
Nós que ficamos
Fortalecidos estamos,
A rimar amor com dor.
Amor pela terra, amor pelo direito a ter direito.
Na dor pela perda, na dor pela luta,
Que enluta tão bruta!
Dorothy vive, viverá em cada uma/um de nós!
Em cada um que gritar:
Terra é de quem precisa!
Vida é a terra!
Terra é a vida!
Salve irmã Dorothy!

Poema escrito por Fátima Matos - Fórum de Mulheres - 16/02/2005



Galeria dos Mártires - Sergio Méndes Arceo

SERGIO MÉNDES ARCEO
Patriarca da Solidariedade
MÉXICO * 06/02/1992

Sergio Méndes Arceo, foi bispo de Cuernavaca, Estado de Morelos, no México, durante 30 anos, de 1952 à 1982. Peça central na gênese da teologia, eclesiologia e política de libertação. Seus métodos reformistas foram copiados após o Concílio Vaticano II.

Nasceu em Tlalpan, Morelos 1907, faleceu em 1992 no México, aos 84 anos, de repente, como ele queria.

Ordenado sacerdote em 1934, ele estudou na Universidade Gregoriana de Roma. Trabalhou intensamente em favor dos mexicanos marginalizados. Profeta da América Latina. Pai dos pobres do continente. Precursor de todas as mudanças na Igreja do século XX. Presidente e, em seguida, membro do Tribunal do Povo. Buscador incansável da paz e da justiça nas estradas do mundo.

Sergio Méndes Arceo tornou-se o arquiteto da renovação da Igreja mexicana. Em 1972, ele participou do Congresso dos cristãos pelo socialismo. No Centro de Informação e Documentação Católica promoveu a divulgação de textos sobre ideologias socialistas, mudança social, fenômeno religioso e sua influência no desenvolvimento social da América Latina. Os efeitos dessas atividades fizeram com que o Vaticano proibisse os cursos CIDOC aos religiosos.

Foi o grande incentivador da teologia da libertação e do chamado progressismo católico. Polemico por seus ideais sociais de apoio aos grupos marginalizados e sua simpatia pelas correntes de renovação dentro da Igreja Católica, denunciou a intervenção americana no Vietnã, América Central e Cuba. Ele condenou os regimes militares na América Latina e promoveu o projeto “Vá POR Cuba”, que visava combater o embargo norte-americano sobre a ilha.

Em 1972, ele participou do Primeiro Encontro de Cristãos pelo Socialismo, em Santiago do Chile: “Minha presença aqui é a minha decisão, plenamente consciente... Creio que não temos atrevido a denominar cristãos, de forma explícita e diretamente, ao capitalismo... porém, temos sido cúmplices, tanto na definição do sistema como em sua defesa”. Visita aos bispos cubanos como um serviço pastoral e eles realmente o considerar um irmão, crítico, porém sincero. Fidel Castro, lhe manda habitualmente sua caixa de charutos.

Ernesto Cardenal e Sergio Méndes Arceo
No dia 12 de fevereiro de 1978 ele leu na missa em Cuernavaca uma declaração escrita em Cuba, por Ernesto Cardenal, sacerdote nicaraguense, Carlos Corím, cristão do Partido Comunista espanhol e Dom Sérgio: “A Igreja não pode ignorar o acontecimento crucial no qual está imerso e comove todo o povo cubano: a construção revolucionária. Seu destino é inseparável do destino das pessoas que vivem sob a constante ameaça do imperialismo”, afirma. Dom Sergio na Nicarágua, diz: “Eu não venho para uma passeio... Venho como um revolucionário, como um amigo, que eu não sou um juiz, sou companheiro”.


Como Presidente do Tribunal do Povo, escreveu aos bispos dos Estados Unidos da América, após a invasão de Granada: “Seu governo se utiliza o método de invasões, que não somente é violação de vários direitos, mas principalmente tiram impiedosamente realizações, alegrias e sonhos de muitas pessoas”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Francisco Domingos Ramos

FRANCISCO DOMINGOS RAMOS
Mártir da Terra Livre
PANCAS-ES * 05/02/1988

Francisco Domingos Ramos, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pancas, 33 anos, casado, pai de dois filhos, assassinado no dia 05 de fevereiro de 1988.

Ele foi vítima de uma emboscada a cerca de quatro quilômetros da sede do município. 

Francisco foi atingido por três disparos, sendo dois nas costas e um na nuca.

Seu corpo foi encontrado às 23 horas, em um matagal à margem da estrada.

Em função de suas atividades sindicais que envolvia a luta pela posse da terra, Francisco antes do seu assassinato sofreu várias ameaças de morte.

Fonte: CEBI-ES, Círculo Bíblico do 9º Encontro Estadual de Ceb's.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Galeria dos Mártires - Expedito Ribeiro Souza

EXPEDITO RIBEIRO DE SOUZA
Mártir da Terra Livre
RIO MARIA-PA * 02/02/1991

Memória dos 27 anos de seu Martírio.

Expedito foi Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria-PA, assassinado pelo pistoleiro José Serafim Sales, a mando do fazendeiro Jerônimo Alves de Amorim, julgado e condenado a 19 anos e 6 meses de prisão, no dia 06/06/2000. Rio Maria, Sul do Pará.

Clandestino, enterrei teu corpo
Na cova minúscula – e livre – do meu poema
Onde a cruz silenciou
Teu nome aceso no vermelho, latejando,
Fazendo nascer a manhã sobre as pedras.

Cada dia te celebro, puríssimo
E o teu negro-moreno da terra;
Te celebro no verão dos relâmpagos
Agarrados em cima do infinito;
Te celebro no som secreto das vertentes
Que as fecundações da madeira conduzem
Às araguais águas dos teus sorrisos.

Dedicaram-te a umidade dos tribunais
Para que outras enxadas voltassem à terra
Para que outros infernos sucumbissem na noite.
Fizeram chorar os teus filhos
Para que outros meninos entendessem
O roteiro infecundo das angustias
– e seus autógrafos.

Teu nome, a cada vez, uma pomba de sangue
Como um grito pendurado no olho dos poderes.
Teu nome um desespero, uma teimosia,
Um ofício incontinente de esperança.
Teu nome guardará os umbrais na noite da crueldade.
Será frequência de danças cuja repetição
Nos garantirá sempre a ultima luz espessa
Da tarde que deita no oeste.

Expedito, eras como um pássaro.
Sonoro como os passos do povo
Educando as estradas para os dias de rebelião.

Poema do livro, Raízes: memorial dos mártires da terra -  Jelson Oliveira, Ed. Loyola, 2001

Galeria dos Mártires - Pe. José Tedeschi

Pe. JOSE TEDESCHI
Mártir dos Imigrantes Argentinos
ARGENTINA * 02/02/1976

Memória dos 42 anos de seu Martírio.

Pe. José Tedeschi, sacerdote operário. Morava em Villa Itati, Bernal, “villa misseria” dos arredores de Buenos Aires.

Sequestrado no dia 02 fevereiro de 1976 por um grupo de civis armados, seu corpo apareceu, dias depois, com incontáveis ferimentos de balas, olhos arrancados das órbitas e outros sinais de torturas brutais.

“Pepe” trabalhava numa oficina de carpintaria e sua casa era um barraco de papelão e lata que servia de abrigo, capela e local de encontros para seus irmãos “villeros”, de cuja vida compartilhava.

Promotor de uma cooperativa de consumo e de todas as obras sociais em benefício do bairro, dedicava-se, com especial empenho, a solucionar os problemas de documentação dos imigrantes vindos dos países vizinhos: paraguaios e bolivianos.

Ao serem informados de seu desaparecimento, seus amigos sacerdotes da diocese de Acellanda, à qual pertencia, denunciaram o fato, temendo pela sua vida.

Achado o corpo, concelebraram uma missa na igreja principal de Bernal, com participação de todos os habitantes da Villa Itati, que choraram, desconcertados, diante do cadáver de seu amigo.

“Pepe” pertencia ao Movimento de Sacerdotes  do Terceiro Mundo.

* Villa Miseria: população marginalizada de moradias muito precárias, de madeira e lata. Seus habitantes se chamam villeros.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo.