sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Galeria dos Mártires - Celso Daniel

CELSO AUGUSTO DANIEL
Prefeito do Povo
SANTO ANDRÉ-SP * 20/01/2002

Celso Daniel, nascido em 16 de abril de 1951, na cidade de Santo André, estava divorciado e tinha no basquetebol um de seus hobbies. Nas horas vagas, era jogador da equipe de veteranos da Pirelli.

Prefeito de Santo André por oito anos, foi reeleito com 70,13% em 1999. Celso havia cumprido mandato na prefeitura de 1989 a 1992, de 1997 a 2000 e de janeiro de 2001 até a fatídica noite em que foi sequestrado na cidade de São Paulo.

Sua competência administrativa e política era evidente em sua carreira acadêmica: mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e doutorando em Ciências Políticas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Celso Daniel era professor de Economia na PUC e no departamento de Ciências Sociais da FGV. O prefeito se formou engenheiro civil pela Escola de Engenharia Mauá, em 1973.

Um dos fundadores do PT em Santo André, Celso Daniel lançou-se na política em 1982, concorrendo à Prefeitura da cidade, quando foi derrotado por Newton Brandão. Foi o próprio Newton Brandão que Celso derrotou em 1989, conseguindo sua primeira eleição para o Executivo andreense com 173 mil votos.

Em 1994 foi à Câmara dos Deputados, eleito com 97 mil votos. Durante seu mandato, atuou na Comissão de Reforma Tributária e Fiscal da Câmara. Mas ele deixou o Legislativo dois anos depois, para voltar à Prefeitura de Santo André, aclamado por 205 mil eleitores.

Celso Daniel representou Santo André e o Brasil em junho de 2001 na Conferência Mundial Istambul+5, promovido pelo Programa Habitat das Nações Unidas. O prefeito do ABC foi o único a expor uma experiência brasileira no congresso e um dos quatro escolhidos entre experiências da América Latina. Ele também era diretor-geral da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e fundador do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, composto pelos sete prefeitos da região. Celso Daniel presidiu o Consórcio nos anos de 1991, 1992 e 1997.

Recebeu, como prefeito de Santo André, as seguintes premiações: "Projeto Criança" da Fundação Abrinq pelo trabalho Andrezinho Cidadão em 1999 (finalista); pela Fundação Getúlio Vargas/Fundação Ford os prêmios: Gestão Pública e Cidadania, em 1999 pelo Programa de Modernização Administrativa e em 2000 pelo Programa Integrado de Inclusão Social (destaque) e pelo trabalho de Coleta Seletiva (finalista).

O corpo do prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi encontrado no dia 20 de janeiro de 2002 na Estrada das Cachoeiras, no Bairro do Carmo, em Juquitiba, na grande São Paulo. Celso Daniel foi assassinado com oito tiros — três na cabeça e cinco nas costas. Segundo a perícia, o prefeito foi morto por volta das 22h de sábado (19).

O prefeito foi sequestrado na sexta-feira (18), por volta das 23h, quando saía, na companhia de um amigo, de uma churrascaria na alameda Santos, na Zona Sul de São Paulo. Celso estava no banco do passageiro quando a Pajero blindada do empresário Sérgio Gomes da Silva foi abordada por uma Blazer preta e um Tempra branco, próximo à rodovia Anchieta. O carro foi fechado por várias vezes, inclusive batendo na lateral, e foi alvo de tiros, que atingiram o pneu traseiro do lado direito e três vidros do carro.

Celso Augusto Daniel foi assassinado aos 50 anos, tendo sua trajetória política e pessoal encerrada no auge, quando poderia vir a compor o governo do presidente Lula. Celso era coordenador da elaboração do programa de governo de Lula.

http://amigoscelsodaniel.blogspot.com.br/2007/09/biografia.html

Galeria dos Mártires - Frei Carlos Ramiro Morales Lopes

Frei CARLOS RAMIRO MORALES LOPEZ - O.P
Mártir entre os Lavradores da Guatemala
GUATEMALA * 20/01/1982

Carlos Ramiro Morales Lopes, primeiro sacerdote dominicano guatemalteco desde a expulsão da Ordem no século XIX.

Em toda sua vida – desde o tempo de universitário até seu martírio, aos 35 anos – Carlos teve uma única obsessão: a libertação integral de seu povo.

Fez o noviciado e cursou filosofia no México, e teologia, na Costa Rica. 

Na Costa Rica e no Panamá, trabalhou entre os indígenas e camponeses.

Em 1977 foi ordenado sacerdote, em meio ao seu povo de Salama, em Baja Varapaz. “Minha tribo que se achava na Guatemala veio toda... Um de meus irmãos até chorou e eu fiquei muito emocionado”, escreveu sobre aquele dia.

Na Guatemala este sempre integrado na pastoral de sua diocese. Organizou o primeiro seminário dominicano entre os camponeses indígenas, que alternavam trabalho e estudo. Assim, Carlos foi plasmando os dois ideais de sua vida religiosa: o serviço aos camponeses e a inserção de sua Ordem na realidade centro-americana, na linha de Las Casas.

Mas a repressão foi crescendo, especialmente contra os indígenas. “Trabalhar religiosamente na Guatemala hoje em dia é muito perigoso... com todo esse temor de um golpe certeiro e mortal que sempre se deve ter em conta”, escreveu Carlos.

Ameaçado de morte, repetidamente, aconselharam-no a mudar-se para a capital, já que considerava uma covardia afastar-se do país. 

Foi assassinado no dia 20 de Janeiro de 1982 com vários tiros disparados de um carro, numa rua da Guatemala.

superior de sua Ordem na América Central, disse estas palavras sobre Carlos: “Sua sensibilidade cristão diante da injustiça que sofriam os mais deserdados de seu povo, levou-o a trabalhar por ele, num autentico compromisso evangélico, desde antes de sua ordenação sacerdotal até o próprio dia em que os assassinos decidiram ceifar aquela vida cheia de esperança e de desejo de um mundo fraternal para seu povo guatemalteco”

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Pe. Octavio Ortiz Luna e catequistas

Padre Octavio Ortiz Luna, e catequistas Angel Morales, David Caballero, Jorge Gómez, Roberto Orellana
Mártires de “El Despertar”
EL SALVADOR * 20/01/1979

Padre Octavio Ortiz foi morto em 20 de Janeiro de 1979, na casa de formação em San Antonio Abad, juntamente com os jovens Angel Morales, David Caballero, Jorge A. Gomez e Roberto A. Orellana, onde orientava um retiro espiritual.

Este assassinato foi denunciado por Monsenhor Romero em Homilia lembrado que "Este martírio nos fala da Ressurreição". Na celebração havia bispos, padres e comunidades cristãs.

Pe. Octavio dedicava especialmente sua missão no trabalho com a juventude. E costumava dar-lhes momentos especiais de formação cristã em casas de retiro. Neste retiro havia um grupo de 35 jovens que refletiam sobre a Iniciação Cristã para jovens.

Na madrugada do dia 20, o exército e um grupo de paramilitares invadiram as instalações onde acontecia o retiro e com um tanque dispararam tiros para todos os lados. Pe. Octavio saiu para ver o que estava acontecendo e foi baleado, depois de caído o tanque ainda passou sobre a sua cabeça, o deixando desfigurado. Os jovens se revoltaram e quatro deles também foram assassinados e os outros levados para interrogação. Segundo versão oficial, houve um confronto armando. Montaram uma falsa reportagem para a TV, colocando armas de fogo nas mãos de Octavio e dos jovens.

No dia seguinte, um domingo, Monsenhor Romero denunciou o assassinato de Octavio durante a homilia na Catedral de San Salvador. Ele retransmitiu relatos de testemunhas oculares do assassinato que tinha ocorrido um dia antes, falou sobre a formação de Octavio e seu trabalho pastoral, e convocou toda a Igreja para seguir o exemplo de Octavio, de conversão ao verdadeiro Deus.

Pe. Octavio foi o primeiro sacerdote ordenado por D. Oscar Romero.

Abaixo estão os trechos do testemunho e da homilia de Dom Oscar Romero, em 21 de Janeiro de 1979:

“Quero compartilhar com vocês o primeiro testemunho que recebemos... “hoje, às 6:00 da manhã, quando eu estava dormindo” ... Dormindo, tenha em mente todos esses detalhes. Este foi um encontro de jovens que se reuniram para a formação cristã. Estes não eram os homens que estavam armados para se defender, eles estavam dormindo. ... “eu estava dormindo na casa de retiro, um centro de formação chamado El Despertar pela Comunidade Cristã que é propriedade do arcebispado de San Salvador e localizado em San Antonio Abad”. ... eu convido aqueles que não estão familiarizados com esta casa para ir lá para que vejam que esta casa não é uma espécie de quartel ou um lugar que tem a intenção de treinar guerrilheiros, mas sim um espaço onde por muitos anos tem se dedicado à formação de grupos cristãos e incutir nestes grupos os valores cristãos e, naturalmente, estes valores são perigosos neste momento da nossa história”. 

A testemunha ocular continua a falar: ... “de forma violenta muitos membros uniformizados da Guarda Nacional e da Polícia Nacional entrou no prédio e disparou suas armas. Ao mesmo tempo, um grande veículo verde, um daqueles veículos que se chama tanque militar, bem como um jipe militar entrou violentamente no centro de retiro cristão e estacionou no pátio central”.

"Neste Centro, juntamente com o Padre Octavio Ortiz Luna, os jovens com idades entre treze e vinte e um anos, estavam reunidos para refletir sobre a Iniciação Cristã. Este lugar é dedicado exclusivamente à formação cristã. Nenhum outro tipo de reunião tem ocorrido ali - nenhuma reunião de pessoas que conspiram contra o Estado, não houve reuniões que ensinam doutrina anarquista para ser usado contra a ordem pública".

“Durante este Cursilho que começou na sexta-feira, dia 19 de janeiro às 7:00 horas, hinários e instrumentos musicais, como guitarras, foram utilizados. Nenhum dos participantes na referida reunião cristã possuíam armas. Antes de ser detido por membros uniformizados da Polícia Nacional era possível ver no chão e em frente aos escritórios o corpo do sacerdote, Octavio Ortiz, que estava deitado em uma poça de sangue que escorria de sua cabeça”.

"A polícia me levou juntos com outro líder da equipa de formação cristã em um veículo de patrulha para a sede central da Guarda Nacional, onde fomos interrogados e onde eu disse todas as coisas que estão estabelecidas neste documento”.

"Durante o interrogatório me perguntaram sobre o Arcebispo e se era verdade que ele veio para semear subversão no Centro”.

"Padre Ortiz nasceu em 23 de março de 1944, na aldeia de Cacaopera no Departamento de Morazán. Ele preservava sua campesina simplicidade e entendia que a grandeza de uma pessoa humana não tem nada a ver com as aparências, mas tem tudo a ver com a busca da verdade. Seus pais, Alejandro Ortiz e Exaltación Luna, eram orgulhosos de seu estilo de vida campesina. Para eles e para os pais dos outros quatro jovens, mais uma vez estendo minhas condolências. Padre Ortiz veio estudar em El Seminário San José de la Montaña e eu tive o prazer de ser o bispo que o ordenou - este foi o início do meu ministério episcopal. Octavio Ortiz exerceu seu ministério sacerdotal na comunidade de Zacimil, uma comunidade que ele sempre amou. No momento do seu assassinato ele estava totalmente envolvido no ministério".

"Se alguém me perguntar como ele passou seu último dia, eu poderia descrevê-lo perfeitamente. De manhã, ele estava trabalhando com aqueles que haviam organizado a semana de reflexão sobre o tema da identidade sacerdotal e estava a escrever uma síntese de uma belíssima mensagem que tinha sido produzido durante a semana. Na parte da tarde, ele estava em uma reunião do pró-seminário que eu presidia. Octavio coordenou esta reunião, pois ele tinha um dom especial de organizar esses encontros, de tal forma que eles eram sempre produtivos. De lá ele foi para San Antonio Abad, onde ele celebrou a missa e, em seguida, à noite, começou a compartilhar suas reflexões com um grupo de jovens. Deu ao grupo duas perguntas para refletirem durante a noite em El Despertar. Mas o despertar foi horrível e trágico – foi o despertar para a morte que hoje nos dá essa mensagem poderosa”.

“Como é bom ser capaz de apresentar-se como um sacerdote pobre, aquele que renunciou a tudo com a simplicidade de um camponês, isto é uma glória. Que lindo ter disponibilizado tudo o que pode ser encontrado no evangelho sobre os pobres e necessitados - a grande mensagem que Deus se comunica, a fim de salvar o mundo: o uso dos bens da terra. Isso é o que significa arrepender-se e isso é o que São Paulo nos ensinou na leitura de hoje”.

“A razão para essa conversão é que ninguém é capaz de servir a dois senhores. Há somente um Deus e Ele quer ser o verdadeiro Deus. Ele nos pede para dar as costas a tudo que é pecaminoso, não adorar o deus do dinheiro que nos faz virar as costas ao Deus do cristianismo. Há muitas pessoas que prefere o deus dinheiro e não o verdadeiro Deus e, portanto, eles criticam a Igreja e mataram o Padre Octavio que apresentava o verdadeiro Deus”.

“Por isso, meus irmãos e irmãs, Jesus diz: "O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc 1:15). O evangelho em seguida, narra o chamado dos primeiros quatro membros eclesiásticos da hierarquia: Pedro e seu irmão André, Tiago e seu irmão, João. Estes homens deixaram tudo quando o Senhor os convidou para entrar neste estado de conversão. Eles não simplesmente deixar de lado o pecado, mas também cumpriu a vontade de Deus”.

“Eu quero dizer a vocês, meus queridos irmãos sacerdotes, (e obrigado também por estar atento às minhas palavras), que centenas de vocês que estão aqui, investido de estolas e reunidos em torno do altar, vocês são os sucessores de Pedro, André, Tiago e João. Deus pede a mesma coisa de nós como fez com os primeiros apóstolos e também com o Pe. Octavio, pois na verdade Octavio deu a todos nós o exemplo com seu sangue, sua casula de dor e seu rosto desfigurado”.

Seu assassinato foi caracterizado por Romero como parte de uma perseguição sistemática a Igreja Católica e de opressão contra os esforços para acabar com a ditadura militar e garantia de direitos humanos para as massas pobres.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Amílcar Cabral

AMÍLCAR CABRAL
Libertador do Povo Caboverdiano
CABO VERDE * 20/01/1973

Amílcar Cabral nasceu na Guiné Bissau (Bafatá) em 1924, e mudou-se para Cabo Verde ainda muito jovem. Estudou no Mindelo, S. Vicente. Viajou para Portugal nos anos 40 para fazer um curso, regressou para Bissau e com outros companheiros fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde - PAIGC. 

Cabral viria a ser brutalmente assassinado em Conacri por dois membros do seu partido em 20 de Janeiro de 1973.

Cabral já dizia: “Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios”.

Cabral amava Cabo Verde e África. Orgulhava-se em ser “Homem Africano” e dizia: “Alguns esquecendo ou ignorando como os Caboverdianos foram formados, pensam que Cabo Verde não é África por causa dos seus muitos mestiços. Não sabem que, por exemplo, na África do Sul, existem mais mestiço do que Cabo Verde, Angola, e Moçambique juntos… mesmo que Cabo Verde possuísse uma maioria da população branca não deixaria de ser Africanos.”

Amílcar Cabral é sem dúvida a figura maior na luta pela liberdade do povo caboverdiano.

20 de Janeiro de 1973, um dia histórico para Cabo Verde, um dia para recordar a luta de Cabral, pela liberdade do País.

No dia do aniversário da morte de Cabral, é também comemorado a memória de todos aqueles que lutaram, e deram as suas vidas pela independência de Cabo Verde.

Dois anos depois a sua morte, Cabo Verde viria a ser independente, graças a luta e o esforço de Cabral.

“Eu jurei a mim mesmo que tenho que dar toda minha vida, toda minha energia, toda minha coragem, toda a capacidade que posso ter como homem, até o dia em que morrer, a serviço do meu Povo na Guiné e Cabo Verde. Dar minha contribuição da medida do possível ao serviço da causa da humanidade para a vida do povo se tornar melhor no mundo. Este é o meu trabalho”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.




quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Galeria dos Mártires - Sergio Bertén e Companheiros

SERGIO BERTÉN e Companheiros
Mártires da Solidariedade
GUATEMALA * 18/01/1982

Sergio Bertén, religioso Belga, e companheiros, mártires da solidariedade com os camponeses da Guatemala.

Seminarista da Congregação do Coração Imaculado de Maria, 29 anos. Após obter seu diploma em Serviço Social, decide se tornar um missionário na Guatemala, onde chegou em 1975. 

Foi sequestrado e desaparecido com outros camponeses no dia 18 de janeiro de 1982.

Sergio trabalhou na Costa Sul, animando as comunidades de Puerto San Jose, Santa Lucia Cotzumalguapa e Tiquisate.

Sua opção pelos pobres é clara desde a sua chegada. Em meio à realidade de miséria e de injustiça em que viviam os camponeses, descobriu mais claramente em cada um deles o rosto do Cristo sofredor. A Palavra de Deus na Bíblia se faz transparente, iluminadora, e dela é que ele encontra força para a cada dia mais radicalmente seguir os passos de Jesus.

Compartilha sua vida com os pobres, dialoga e cresce com eles em conscientização. Percebe que é necessário uma organização e ações específicas para promover uma mudança mais profunda. 

Ele adia seus estudos teológicos para acompanhar seu povo adotivo. Está ciente do perigo de morte que corre por causa de seu compromisso, sobretudo em um momento em que só ser cristão já era sinônimo de subversão.

Ele compartilhou a sorte dos pobres até as ultimas consequências. Para proteger e salvar seu companheiro de congregação religiosa e os camponeses mais comprometidos, Sergio decide viver clandestinamente. Esconde-se e continuar trabalhando. Até que foi sequestrado com outros jovens em uma Rua na Cidade da Guatemala.

Sergio, um jovem rapaz, estrangeiro, torna-se pobre, camponês, Guatemalteco, mártir da justiça e da solidariedade.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Germán Cortés

GERMÁN CORTÉS
Mártir da Causa da Justiça
CHILE * 18/01/1978

Memória dos 40 anos de seu martírio.

Germán Cortés, ativista cristão e político, mártir da causa da justiça no Chile.

Leigo de 29 anos e pai de uma filha. Estudante de Teologia na Universidade Católica de Santiago. Até 1972 ele foi seminarista dos Padres da Sagrada Família.

Em 11 setembro de 1973, o dia do golpe do general Pinochet, sendo um membro do Comitê Político do Movimento de Esquerda Revolucionária -MIR- entra na clandestinidade.

No dia 16 de janeiro, 1978, foi preso pela Direção de Inteligência Nacional – DINA - e levado para o centro de detenção de Villa Grimaldi. Dois dias depois foi assassinado pelos mesmos agentes que  o levaram.

Germán, quando ainda estudante de teologia, era um dos defensores mais entusiasmados do que estava acontecendo como Teologia da Libertação. Profundamente comprometido com sua fé e seu povo, sente que deve enfrentar a ditadura na luta direta.

De inteligência excepcional, simples, acolhedor, fraterno, Germán é um herói para seu país e um mártir cristão, cuja entrega ao povo foi a vivência que ele fazia do Evangelho a cada dia.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Galeria dos Mártires - Pe. Jaime León Restrepo López

Pe. JAIME LEÓN RESTREPO LÓPEZ
Mártir da Causa dos Pobres
COLÔMBIA * 17/01/1988

Memória dos 30 anos de seu martírio.

Jaime León Restrepo López nasceu em Unión, Antioquia, Colômbia em 7 de setembro de 1943. Após terminar do ensino médio no Liceo Salazar e Herreda de Medellín, ingressou no Seminário Arquidiocesano. Ai demostra uma grande visão social acentuada do Evangelho.

No ano de 1969 recebeu a ordem diaconal e foi enviado a exercer seu ministério em La Susana, município de Maceo, Antioquia.

Ordenado em 1971, ele foi nomeado pároco em Cristales. Ali fundou o Liceu, a Casa da Juventude Camponesa que atende todas as aldeias da paróquia. E o que era uma aldeia abandonada se transforma em uma comunidade de fé e solidariedade.

Depois de oito anos, ele foi transferido para La Loma, onde é ameaçado de morte. Em 1980, seu bispo o envia a Roma para estudar filosofia. Após seu retorno, foi nomeado professor na Universidade Pontifícia, e a exercer trabalho pastoral em um bairro de Medellín. Depois de obter permissão para conduzir um experimento em El Jardim: seis meses trabalhando como agricultor, rezando e estudando. Uma vivência profunda, que o confirma em sua vocação de ser pobre entre os pobres. Jaime não volta para a faculdade, onde deixou um legado imensurável por seu rigor científico, o seu testemunho pessoal e fé nos valores do Reino.

Destinado a San José de Nus, Jaime expõe ao bispo o perigo que corre sua vida ali. “Vai, e se a coisa fica realmente ruim, você me chama”, diz o bispo. Mas dar-lhe tempo. Seu martírio ai foi consumado.

Os seus amigos lembram de James: “Foi um profeta encarnado na vida de seu povo pobre ... Um profeta educador que ensinava e aprendia com os camponeses, com a juventude ... Foi um testemunho de Jesus, dos que vão mudando a história pela sua dedicação, sua generosidade, seu companheirismo ...”.

Enlutados pelo martírio de Jaime, o povo de San José de Nus, de Maceo, de Cristales vão para as ruas, não dormem a noite toda. Querem celebrar a Eucaristia em cada uma das suas igrejas, diante do corpo de Jaime. Depois o acompanha até Medellín. Ali o cardeal junto com todo o povo fazem uma procissão-romaria.

Em Jaime se cumpriu o que tinha dito tantas vezes: “Se queremos viver para sempre, devemos entregar nossas vidas para sempre”.

Abaixo alguns escritos encontrados em seu diário:

Sobre mudar as estruturas:
“Pretender mudar o mundo pode significar que se queira mudar as estruturas; estruturas políticas e sociais, para obtermos um processo humanístico”.
“Qual será a estrutura que se deva buscar para que haja ‘um mundo de paz’? São utopias que, todavia se chegue a formar a grande humanidade”.
“Comprometer-me na busca e realizações de possibilidade humanas, com tanto que tenha validez histórica. De fato, renunciar ao Eu. Tratar de viver como testemunha da Fé na vida eterna em Jesus, para mim é o fundamental”. (Setembro de 1987).

Sobre a fé:
“A fé é o espaço de consagração da Esperança dos homens, da história, do que fazem os cristãos, que devem ser testemunhas por seu compromisso, promotores do bem”.
“A fé é uma opção livre, não de necessidades; não há prova lógica, nem cientificamente contundente que poderão comprovar que é necessária seguir uma fé, em campo algum. Porém, essa fé é opção não intelectual, mas livre”.
“A fé se resulta em uma vida testemunhal, em dar sentido à existência humana”.
“A fé se entende aqui como atitude, como intento, como compromisso de vida, para que possa ser verdadeira”.
“Se compreender a fé, mas como atividade, como tarefa, como práxis, (as doutrinas são próprias para os tempos acadêmicos)”.
“O Evangelho não é doutrina, nem lógica. Se centra em Jesus, em sua história, (não em sua inteligência, ou seu sistema), em sua presença... e que presença!”.
“... a fé como compromisso, porém, aberta ao mundo e a história’”.

Sobre o Testemunho: 
“Alguém disse que a novidade está no espaço da história; portanto, é necessário viver com sentido de liberdade, ou seja, lançando-se no espaço da novidade; isto seria fidelidade ou responsabilidade história”.
“Por outro lado, também se diz que a grandeza está no que é simples, não no que é notório, nas pequenas coisas; neste sentido, se trata de viver o básico como fundamental, ser testemunha”.

Sobre Profetismo: 
“Eu creio que sempre quis ser Profeta; e me interessa muito ser, porém, entendo que Profeta tem relação com o Todo; se trata de crer no mundo, na vida, nos homens e mulheres; buscar manter a possibilidade de ser para o mundo presença de uma essência transformadora; de viver dimensões de aventura, ali onde a ‘proposição’ não diz nada aos homens, mas o Testemunho sim é linguagem inevitável”.
“O assunto do profetismo tem relação com todo o projeto positivo de ser testemunha; de encontrar sentido em uma vida de serviço e doação aos irmãos e irmãs”.
“O profeta faz aparecer a dimensão do infinito e de esperança em meio as estruturas desumana”.

Sobre o sacerdócio: 
O sacerdócio me da muita força e convicção de que minha vocação é tratar de ser instrumento através do qual se pode consagrar a esperança, porque creio que a gente, neste momento histórico, sirva para despertar a consciência sobre o sentido da fé e de uma vivencia cristã, que seja uma presença testemunhal do próprio Jesus; presença desinteressada, que compreende o valor da pessoa”.
  
Sobre o Compromisso Político: 

"Não é ficar a margem da luta partidarista ou revolucionária por medo ou por impotência. É colocar-se mais além dessas lutas, como um serviço histórico; é conscientizar-se frente a toda pretensão absolutista (é como se fôssemos inimigos de todos). É a maneira de ser fiel ao povo”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/ e pesquisa na internet.

Galeria dos Mártires - Ana María Castillo

ANA MARÍA CASTILLO
Mártir da Justiça
EL SALVADOR * 17/01/1981

Ana María Castillo Rivas "Eugenia", 31 anos, casada e mãe de uma filha, militante cristão, guerrilheira, mártir da justiça em El Salvador.

Militante da Juventude Estudante Católica (JEC) e Ação Católica Universitária Salvadorenha (ACUS), membro da direção das Forças Popular de Libertação (FPL), assassinada em uma emboscada do exército.

Desde sua adolescência vivia um cristianismo de profunda sensibilidade social. Estudante de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Salvador, militou em organizações de jovens que a ajudou a esclarecer suas ideias, sentindo a necessidade de estar ligada mais aos pobres. Em 1974, colabora diretamente com os camponeses em Aguilares e Suchitoto. Sua clara visão política, sua capacidade organizativa e seu caráter fraternal contribuem para a consolidação da Federação dos Trabalhadores do Campo (FTC). Com os camponeses participa de greves e manifestações e com eles sofre repressão de todas as suas formas.

Em 1975, vendo esgotadas todas as soluções pacíficas para que os pobres tenham justiça, ela se juntou à luta armada na FPL, integradas ao FMLN – Frete Farabundo Martí de Libertação Nacional. Em l976 ela se casou com Javier, também um militante cristão e revolucionário, e em l979 tem uma filha, que enchem de carinho.

Ana Maria, "Eugenia" quanto passa a clandestinidade, cai em combate desigual ao cumprir uma missão difícil. Sua dedicação aos pobres, sua solidariedade e ternura marcam seus companheiros e arrancam belíssimos poemas de seu esposo.

"Eugenia" continua viva nos corações de seu povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/.

Galeria dos Mártires - Irmã Silvia Maribel Arriola

Irmã SILVIA MARIBEL ARRIOLA
Enfermeira e Mártir
EL SALVADOR * 17/01/1981

Silvia, “a mulher do sorriso”, religiosa salvadorenha de 30 anos, era pequena, de aparência frágil, mas forte quando se tratava de encontrar uma solução ainda que arriscada, em situações-limite, ao decidir acompanhar, como enfermeira, o Exército Popular da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, na Frente Ocidental “Feliciano Ama”, ao doar a própria vida pela libertação de seu povo.

No dia 17 de Janeiro de 1981 foi assassinada por soldados do exército juntamente com outros companheiros, no acampamento em que se encontravam.

A comunidade religiosa a que ela pertencia, surgiu das Comunidades Eclesiais de Base de San Salvador, tendo sido aprovada canonicamente por Monsenhor Romero com o nome de “Religiosas para o Povo”.

Silvia foi durante muitos anos secretária de Monsenhor Romero, e foi diante dele e do povo que ela fez seus votos religiosos. Amiga de todos, animadora de comunidade, enfermeira de acampamento de guerrilheiros, cumpriu até o fim sua promessa de fidelidade ao povo, dando testemunho da Boa-Nova aos pobres.

Morreu com o povo e ressuscitará com ele.

No dia de seus votos religiosos fez as seguintes promessas:

PROMESSA DE FIDELIDADE

Senhor,
diante de uma sociedade que vive os ideais
do poder, do ter e do prazer,
quero ser sinal do que significa realmente AMAR;
de que Cristo é o único Senhor da história,
e que está presente no meio de nós
e é capaz de gerar um amor mais forte
que os instintos e a morte,
mas forte que todos os poderes econômicos.

Quero levar uma vida de procura e seguimento
de Cristo pobre, casto e obediente à vontade do Pai,
a fim de viver só para Ele e sua obra salvífica.

Prometo ser fiel ao Senhor:
na saúde e na enfermidade,
na juventude e na velhice,
na tranquilidade e na perseguição,
nas alegrias e nas tristezas,
na sua encarnação junto aos mais pobres,
sendo pobre e, com eles, solidária
em sua luta pela libertação.
Participando, entre os homens, da sua missão evangelizadora,
concentrando toda minha capacidade afetiva
n’Ele e em todos os irmãos.
Vivendo numa contínua procura da vontade do Pai
pela sua Palavra, em sua Igreja,
e dos sinais dos tempos entre os pobres.

Texto do livro “Sangue Pelo Povo, martirológico Latino-Americano”, Ed. Vozes. 1984)

Galeria dos Mártires - Manuel Fiel Filho

MANUEL FIEL FILHO
Morto sob tortura
SÃO PAULO * 17/01/1976

Manuel Fiel Filho é assassinado sob tortura por agentes do DOI-CODI três meses após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

O operário havia sido preso no dia anterior, acusado de ter recebido exemplares de um jornal de orientação comunista.

Foi nomeado para o Inquérito Policial-Militar o coronel Murilo Alexander, responsável por dissimular mortes sob tortura e autor de diversos atentados terroristas em 1968.

Concluiu-se, contra todas as evidências, que o operário cometeu suicídio, enforcando-se com suas meias. A farsa, porém, era tão evidente que o ditador Ernesto Geisel foi levado a demitir o comandante do II Exército, abrindo uma crise interna no regime.

A esposa nunca teve dúvidas do assassinato, desde a noite de 17 de janeiro, quando um desconhecido foi à sua casa, jogou um saco de lixo azul em sua direção e falou secamente “O Manuel suicidou-se, aqui estão suas roupas”.

Tereza respondeu aos gritos: “Vocês o mataram! Vocês o mataram!” Os médicos legistas responsáveis pelo laudo de auto-enforcamento, foram José Antonio de Mello e José Henrique da Fonseca. Seu corpo apresentava claros sinais de tortura e só foi entregue aos familiares mediante compromisso de realizar rapidamente seu enterro.