quinta-feira, 30 de março de 2017

Galeria dos Mártires - João Pedro Teixeira

JOÃO PEDRO TEIXEIRA
Mártir da Luta pela Terra
JOÃO PESSOA * 02/04/1962

O paraibano João Pedro Teixeira, fundador da primeira liga camponesa na Paraíba, é considerado um mártir da luta pela terra no Nordeste do país.

A primeira das ligas surgiu no Engenho Galiléia, em Pernambuco, fundada em 1954 sob a denominação de Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco. A experiência espalhou-se por outros estados nordestinos. Na Paraíba, a mais conhecida e combativa das Ligas Camponesas existentes até então foi a de Sapé, fundada por João Pedro Teixeira, como Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Sapé e contava com mais de sete mil sócios. As Ligas Camponesas foram criadas inicialmente como associações e tinham objetivos definidos: prestar assistência social e defender direitos de arrendatários, assalariados e pequenos proprietários rurais.

Eram voltadas para iniciativas de ajuda mútua. Passaram a atuar no início da década de 60 como ferramentas de organização do movimento agrário. Isso porque a sindicalização no campo era praticamente inexistente. A ousadia despertou a ira dos latifundiários da época, a ponto de em 1962 terem sido acusados de mandar matar João Pedro Teixeira. Ele foi casado com Elisabeth Teixeira, com quem teve 11 filhos. 

Elizabeth Teixeira (hoje com 92 anos) ainda se emociona quando recorda o dia 2 de abril de 1962, data em que três policiais — vestidos de vaqueiros — assassinaram seu marido, o líder camponês João Pedro Teixeira, o homem marcado para morrer"Quando vi o corpo de João Pedro sem vida, lembrei que ele sempre me dizia que iriam tirar sua vida, mas que a luta deveria continuar. Elizabeth, ele dizia, a luta deve continuar até enquanto existir um operário ou um camponês explorado. Quando eu morrer você continua a minha luta? Então, mesmo com ele já morto, eu peguei na sua mão e disse: João Pedro, vou dar continuidade à nossa luta para o que der e vier."

Apesar das ameaças e perseguições do latifúndio, Elizabeth continuou no trabalho de organização dos camponeses. Ela, junto a outros companheiros, frustraram os planos dos latifundiários, que matando João Pedro acreditavam estar enterrando a luta camponesa na região. Registros revelam que dois anos depois do assassinato de seu dirigente, a Liga Camponesa de Sapé contava com o dobro de associados: 24 mil camponeses.

O golpe militar de 1964 proibiu o funcionamento das Ligas Camponesas e interveio nos sindicatos dos trabalhadores rurais. Depois disso, os camponeses foram torturados e mortos. Os soldados acusados de assassinar João Pedro Teixeira foram libertados. 

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


Galeria dos Mártires - Ernesto Pill Parra

ERNESTO PILL PARRA
Mártir da Paz e da Justiça
COLÔMBIA * 01/04/1982


Ernesto Pill Parra, 22 anos de idade, camponês, vivia em Bellavista, no município de San José del Fragua, Caquetá. Era o mais velho de quatro filhos e trabalhava para ajudar sua mãe e seus irmãos. Participava das CBE's, Comunidade Eclesiais de Base, um leitor regular do Evangelho, sobre o qual construiu os alicerces espirituais de sua vida, que se traduziu em opções concretas em favor de seu povo, para enfrentar a realidade injusta e violento da qual viviam.

Em janeiro de 1981, se instalou as unidades militares pertencentes ao Exército Operacional Nº 12 em Caquetá, que com uma "campanha de ordem pública" cometeram muitos crimes e torturas.

Ernesto foi detido em dezembro deste mesmo ano pelos militares na base de San José del Fragua, e sofreu horríveis torturas por 5 dias. Como ele era inocente, depois destes dias de tortura, foi liberado, mas com a obrigação de uma vez por semana se apresentar na base militar. 

Passado algum tempo das apresentações na base militar, lhe foi proposto 3 alternativas: Tornar-se um parceiro do Exército, em um grupo de "contraguerrilha"; juntar-se aos guerrilheiros para ser "morto em combate"; ou esperar a morte. Eram estas as mesmas medidas que os militares tomavam com outros camponeses da região.

A luz do Evangelho e de maneira simples e transparente, tipico de um camponês cristão, ele enfrentou esta encruzilhada, rejeitou a pressão de colaborar com o exército, não queria ser cúmplice da injustiça. Não queria fazer parte de falsas alegações para prejudicar os camponeses, muito menos que fossem assassinados ou desaparecidos injustamente. Nem mesmo aceitou a sugestão de amigos em fugir da região para poupar sua vida. Decisivamente preferiu permanecer junto de sua mãe e irmãos, pois, eles precisavam de sua ajuda para sobreviverem.

No dia 01 de abril de 1982, Ernesto deveria se apresentar na base militar, porém, um mau pressentimento o assombrava, sentia aproximar-se a sentença de morte, devido sua recusa em atender a intimação feita pelos militares para que colaborasse com eles. Antes de sair de casa, disse à sua mãe: "Mãe, dá-me uma bênção, porque eu acho que eles vão me matar". 

Neste mesmo dia Ernesto desapareceu. O esquadrão da "contraguerrilha" o esperava na curva do caminho, onde ele foi capturado, submetido a cruel tortura e o mataram. Seu corpo foi encontrado cinco dias depois por alguns amigos, já em estado de decomposição e apresentava sinais evidentes de tortura. Ele foi enterrado às pressas na mesma noite por um grupo de amigos que tomaram o cuidado de não serem vistos pelos militares, para não terem o mesmo destino que Ernesto. 

Ernesto viveu heroicamente sua decisão de "não fazer mal a ninguém". Decisão inspirada e fortalecida por sua vivencia do Evangelho e levado até às suas últimas consequências. Compromisso evangélico este que lhe custou a vida. 

A coerência vivida por Ernesto é um belo testemunho martirial. Testemunho este que nos faz lembrar de tantos mártires anônimos, espalhados em sua sofrida Colômbia, que durante todos esses anos de "guerra suja" defenderam com valores cristãos as Causas da Justiça, da Liberdade e da Paz.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Aquellas Muertes, de Javier Girardo e pequisa na internet.

Galeria dos Mártires - Roseli Celeste Nunes da Silva

ROSELI CELESTE NUNES DA SILVA
Mártir da Terra Livre
SARANDI, RS * 31/03/1987

Roseli Celeste Nunes da Silva, a Rose, participou da ocupação da Fazenda Annoni, em 1985, junto com o marido José Corrêa da Silva e os filhos. Na época, ela estava grávida de seu terceiro filho, Marcos Tiarajú, nome dado em homenagem ao líder indígena do Rio Grande do Sul, que séculos antes já dizia que aquela terra tinha dono. Tiarajú, a primeira criança que nasceu no acampamento da fazenda, em 28 de outubro de 1985.

Em 31 de março de 1987, Roseli Nunes e outros três trabalhadores Sem Terra foram mortos em uma manifestação na BR 386, em Sarandi, no Rio Grande do Sul. Ela e outros 5.000 mil agricultores protestavam por melhores condições para os agricultores e uma política agrária voltada para os camponeses. Não existia, naquela época, política de crédito para a pequena agricultura.

Foram atropelados por um caminhão que passou por cima da barreira humana que estava formada na estrada ferindo 14 agricultores e matando os três: Iari Grosseli, de 23 anos; Vitalino Antonio Mori, de 32 anos, e Roseli Nunes, com 33 anos e mãe de três filhos.

Já adulto, o filho Marcos Tiarajú foi estudar medicina em Cuba, na ELAM (Escola Latinoamericana de Medicina) onde se formou em 2012.

Voltando ao Brasil, foi trabalhar com as comunidades carentes do município de Nova Santa Rita, no interior do Rio Grande do Sul. A decisão de exercer a medicina vinculada aos movimentos sociais está ligada as suas origens, a sua história e aos compromisso de cuidar da sua gente, valores que sua mãe cultivou aliado aos ensinamentos humanitários que recebeu na ELAM.

Marco Tiarajú aparece nos braços de Rose, no filme: "Terra para Rose" e "Sonho de Rose" de Tetê Moraes.

Frase de Rose

"Eu vou continuar aqui, até o fim, espero que quando meu filho esteja grande, tudo isso não seja em vão, que ele tenha um futuro melhor".

ROSELI CELESTE NUNES - Jelson Oliveira, poema do livro: Raízes, Memória dos Mártires da Terra.

Teu nome era perto das rosas
E fez-se um jardim à beira do caminho,
Derivado dos azeites nos arrabaldes da sombra.

Teu nome é um pátio imenso para os meninos.
Um pouso demorado e morno
Para as estrelas acesas e maduras.

Teu nome está cheio de sementes
No ângulo solene das lavouras
Onde se promulga a vida ao longo dos açudes.

Teu nome é um princípio de chuva
E a pedra publicada no relâmpago
E ele mesmo, alastrado no vazio.

Teu nome é teu país. Nuvem toda de silêncio.
Verde feito de esperança, capacitando o vento
Para os dias de primareva...

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.



quarta-feira, 29 de março de 2017

Galeria dos Mártires - Rafael e Eduardo Vergara Toledo

RAFAEL e EDUARDO VERGARA TOLEDO
Mártires da Resistência contra a Ditadura
CHILE * 29/03/1985

Eduardo, 20 anos, e Rafael, 19 anos, militantes cristãos, foram assassinados em Villa Franca, cidade de Santiago. 

A versão oficial é de “criminosos mortos em confronto”. Testemunhas afirmam ter visto os irmãos correrem desesperadamente, seguidos pela polícia. “Quando os irmãos foram alcançados, os policiais atiraram sem piedade”, relatou. Quando as balas acertaram o coração de Eduardo, Rafael voltou para socorre-lo, porém, outra rajada de bala o deteve. Ainda vivos, os policiais os chutam brutalmente. Manuel e Luisa, seus pais dizem: “Nós queríamos transmitir valores, comportamentos de preocupação para com os oprimidos. Desde meninos os levávamos para as jornadas e manifestações. As motivações dos nossos filhos eram religiosas. Eles sabiam que viver o evangelho significava mudanças profundas no ser humano e na sociedade”.

Manuel foi presidente nacional da Juventude Operária Católica e com Luisa, membros da Comunidade Cristo Libertador e integrantes de organismos de direitos humanos. 

Manuel ainda conta: “Em 1982, começamos a sofrer repressão direta. Eduardo foi preso, espancado pela polícia e expulso da universidade. Rafael foi preso durante uma marcha, ferido no funeral de um residente de La Victoria e expulso da escola. Pablo, o mais velho, e Ana, a mais jovem, são presos e espancados. Em 1984, a nossa casa é invadida duas vezes. Nos roubam e quebram tudo. A cada ato de repressão, respondíamos com uma denúncia. Porque queremos justiça para nosso povo! Após o assassinato de seus irmãos, Pablo e Ana deixam o país. Suas cartas expressam ternura, dor e compromisso cristão. Até que Pablo entra clandestinamente no Chile e morreu em Temuco, pela explosão de uma bomba, depois de entrar para o Movimento de Esquerda Revolucionária”.

A Eucaristia em torno de Pablo é presidida por bispos e padres: “Estamos rezando para que Pablo nos dê coragem e força, para renovarmos a fé, a esperança e o amor fraternal, solidário...”, disse o Vigário de Zona Sul de Santiago, Felipe  Barriga.

Rafael e Eduardo morreram em 1985 e Pablo em 1988. O sangue dos irmãos Vergara Toledo unido a de centenas de mártires irá florescer, trazendo paz e justiça no solo chileno.

 Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

sexta-feira, 24 de março de 2017

Galeria dos Mártires - São Oscar Romero da América

SÃO OSCAR ROMERO
Profeta e Mártir da Justiça
EL SALVADOR * 24/03/1980

37 anos do martírio de São Romero da América

Oscar Arnulfo Romero Galdámez, São Romero da América, arcebispo de El Salvador.

Nasceu no dia 15 de agosto de 1917, na cidade de Barrios, departamento de San Miguel, em El Salvador. Estudou  no Seminário Claretiano e com os Jesuítas até 1937, seguindo depois para a Universidade Gregoriana em roma, onde ficou até 1943.

Ao retornar a seu país, trabalhou na Diocese de San Miguel, sendo pároco na cidade de Anmamorós, secretário episcopal, reitor da Catedral de San Salvador.

Em 03 de maio de 1970, foi nomeado Bispo auxiliar de Dom Luis Cháves y Gonzáles, então arcebispo de San Salvador e em 23 de fevereiro de 1977, foi nomeado Bispo Titular da arquidiocese de San Salvador.

A perseguição à Igreja transformou em mártires seus melhores sacerdotes e leigos, e com o martírio do jesuíta Pe. Rutilio Grande e os dois catequista no dia 12 de março de 1977, Romero tomou a decisiva posição em favor do povo salvadorenho, "sendo a voz dos sem voz".

Começou a receber em sua casa, grupos de camponeses, mães de família, mulheres simples, jovens, que relatava a perseguição e violência que estavam sofrendo, bem como lhe falar sobre parentes e amigos que foram mortos pelo regime militar.

Amigo, irmão e pai dos mais pobres e marginalizados, sabia como ninguém, acolher suas dores e esperanças.

O povo ouvia todos os domingos suas homilias, anunciando a Boa Nova do Evangelho e também denunciando todo o pecado pessoal e social.

Devido o seu compromisso com o povo salvadorenho e as denuncias que fazia das torturas e martírios que o povo vinha sofrendo, as autoridades militares começaram a perseguir os seus colaboradores mais próximo. Romero recolheu o sangue, as inquietudes, a dor e as esperanças de seu sofrido povo. E como bom pastor soube dar a vida por suas ovelhas.

Em plena Eucaristia, na capela do Hospital Divina Providência, no dia 24 de março de 1980, uma bala lhe atravessou o coração, caindo ele próprio mártir assim como tantos outros salvadorenhos.

Na sua última homilia no dia 23 ele exortava as forças da repressão: "Nenhum soldado é obrigado a obedecer a uma ordem que seja contra a lei de Deus: NÃO MATARÁS... Suplico-lhes. Rogo-lhes. Ordeno-lhes em nome de Deus: CESSEM A REPRESSÃO!".

Romero já havia profetizado: "Se me matarem, ressuscitarei na luta do meu povo"

Já reconhecido como um santo mártir pelo povo, foi beatificado na capital salvadorenha, no dia 23 de maio de 2015. 

Na ocasião da beatificação Dom Vicenzo Paglia ao desembarcar El Salvador, declara: “Romero deveria ser beatificado sob o pontificado do primeiro Papa latino americano. Hoje consigo entender em profundidade o porquê de tantos atrasos: Deus esperava pelo Papa Francisco. Deus escreveu esta página com as linhas tortas dos opositores”.

Uma grande multidão se fizeram presente na beatificação, vindas dos vários lugares do
mundo para este momento tão significativo da Igreja Larino Americana, e juntos serem testemunhas do compromisso com as Causas e Lutas das quais o sangue de Oscar Romero e tantos mártires derramados neste chão martirial não fossem em vão, pois nestas terras banhadas de sangue e sonhos sementes de esperanças nasceram e nascerão.

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Galeria dos Mártires - Antônio Tiningo

ANTÔNIO TININGO
Mártir da Terra Livre
JATAÚBA-PE * 23/03/2012

Dois tiros numa emboscada.

“O líder do MST Antônio Tiningo foi assassinado com dois tiros no município de Jataúba (223 km de Recife). A Polícia Civil disse que ele foi morto em uma emboscada, numa estrada que liga dois assentamentos. Ainda de acordo com a polícia, dois homens alvejaram o sem-terra. O MST afirmou que um empresário conhecido como Brecha Maia é o mandante do crime”.

Tiningo era um dos coordenadores do acampamento da fazenda Ramada, ocupada há mais de três anos. No final de 2011, apesar de ocupada pelos sem terra, a fazenda foi comprada pelo empresário do ramo de confecção e especulação imobiliária Brecha Maia. “Logo que comprou a área, o fazendeiro – que possui outras fazendas na região – expulsou ilegalmente as famílias, sem nenhuma ordem judicial ou presença policial”, relata uma nota oficial do MST.
  
Violência e impunidade do latifúndio.

As famílias reocuparam a área em fevereiro de 2012, desde então, o fazendeiro ameaça retirá-las à força, “intimidando pessoalmente algumas lideranças da região, dentre elas, Antônio Tiningo. Uma semana antes do assassinato de Tiningo, Brecha Maia havia declarado que faria o despejo das famílias por bem ou por mal, e que não passaria de sexta-feira, dia em que Tiningo foi assassinado”.

A nota do MST destaca que “o assassinato de Antônio Tiningo é mais uma consequência da omissão do Estado em relação à violência e impunidade do latifúndio na região do agreste de Pernambuco. Por ser uma região em que os poderes públicos locais possuem uma relação estreita com os proprietários de terra, o MST está exigindo que seja indicado um delegado especial para apurar o caso”.




Galeria dos Mártires - María del Carmen Maggi

MARÍA DEL CARMEN MAGGI
Mártir da Educação Libertadora
ARGENTINA * 23/03/1976

María del Carmen Maggi, decana da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Mar del Plata.

Testemunha do sequestro de estudantes e professores de sua faculdade sofreu a mesma experiência. Foi sequestrada de sua casa, na madrugada de 09 de maio de 1975 por um grupo armado de doze pessoas, um dia antes do golpe.

Sua família recebeu uma coroa de flores no dia seguinte.

O clero da diocese e o próprio bispo, Monsenhor Pironio, fizeram declarações, solicitando aos sequestradores que a devolvessem com vida. “Peço-lhes que reflitam sobre o que isto significa como violação dos direitos elementares e sagrados da pessoa humana. Por este mesmo motivo, peço-lhes que a devolva, o quanto antes ao seu lar. Mas minha voz se estende além dos limites deste acontecimento e quer compartilhar da dor de outras pessoas, familiares e instituições, que estão sofrendo também profundamente as consequências de um sequestro, de uma ameaça, de um atentado”.

Apesar de todos os protestos, María del Carmen apareceu assassinada dez meses depois, perto do lagoa Mar Chiquita, na província de Buenos Aires no dia 23 de março de 1976.

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura do Livro:
Martírio, Memória perigosa na América Latina hoje, e da página: http://martiresargentinos.blogspot.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2017

Galeria dos Mártires - Massacre de Guiúa

MASSACRE DE GUIÚA
Catequistas Mártires
MOÇAMBIQUE * 22/03/1992

Memória dos 25 anos do MAssacre de Guiúa

Já nos últimos meses da guerra em Moçambique, África, confiante de que a paz poria fim à guerra, a Diocese de Inhambane, no sul do país, decidira reabrir o Centro Catequético do Guiúa, localizado a 500 km da capital, Maputo, para a formação de famílias de catequistas.

Foram escolhidos em diferentes paróquias duas dezenas de famílias que se disporiam a passar um período de três anos em formação neste centro catequético.

Após se instalarem, as famílias estavam vivendo um ambiente de alegria e expectativa que se iniciava no conjunto de 32 casas destinadas a abriga-las. Arrumadas as bagagens e organizada a acomodação, o dia foi findando entre preparos vários e os ajustes à nova moradia. As crianças e todos os adultos se aquietaram vencidos pelo cansaço e pelo sono, e ansiosos por serem apresentados no dia seguinte à comunidade cristã do Guiúa após a celebração eucarística na Igreja matriz Santa Isabel.

A noite de 22 de março de 1992 se fazia calma e, quando tudo estava já silenciosa e só a luz da lua pairava sobre as casa, um som se ouvia nos caminhos ao redor das casas. Pareciam passos de muita gente, em ritmo apressado.

Na calada da noite um grupo de homens armados invade o centro catequético. Os catequistas acordam com fortes pancadas nas portas e logo os que não abriram, as viram arrombadas com violência. Os obrigaram a sair para a rua sob a ameaça de armas.

Suas casas foram saqueadas e os malfeitores os obrigaram a levar os pertences que lhes haviam roubado.

Sob mira de espingardas, foram obrigados a seguir uma penosa marcha, sob o peso da carga e do medo, num calvário cujo fim desconheciam.

Devido o grande número de raptados, a caminhada se tornou lenta demais, o que causou nervosismo dos assaltantes, que queriam o quanto antes chegar à base dos guerrilheiros da RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique), sem serem surpreendidos no caminho.

Depois de 3 km de marcha, num lugar ermo, fizeram a escolha implacável, matar homens, mulheres e crianças, onde seria difícil chamar a atenção. Alguns catequistas ajoelham e rezam, outros afirmam que vieram em paz, estudar para anunciar o Evangelho, semear a paz naquele país de famílias destruídas, dilaceradas pela guerra civil. Porém de nada valeu o apelo dos catequistas por paz.

Foram brutalmente assassinados 23 pessoas, homens, mulheres e crianças. Dos raptados, poucos conseguiram fugir ou sobreviver.

O sangue dos mortos ensopou para sempre o chão de areia do Guiúa, e ergueu bem alto, um silencioso testemunho de fé.

Entre os sobreviventes, um conseguiu escapar e ao chegar à missão do Guiúa, avisou os padres e as irmãs o horror vivido por ele e seus companheiros catequistas. De imediato, os religiosos foram com o sobrevivente até o local do massacre, o horror refletiu-se no rosto deles ao presenciar os corpos amontoados e o pesado cheiro de sangue e de morte.

Os corpos mutilados foram levados para a sede da Missão, que ficou para sempre marcada por esta ferida profunda. Depois foram suputados no Centro Catequético, no alto de uma colina onde ainda hoje jazem e a sua memória é profundamente reverenciada.

Desde o então massacre, o cemitério onde estão sepultados, se tornou um local sagrado, onde acontecem romarias de centenas de cristãos, e na data do massacre se realiza uma solene celebração litúrgica, lembrando estes mártires da fé.
  
O bispo Dom Adriano Langa, ofm, evocando a data de 22/03, proclamou um decreto que cria um Santuário Diocesano dedicando a Nossa Senhora Rainha dos Mártires, com sede no Guiúa. No dia 22 de março de 2012, foi então lido o decreto episcopal, diante de toda a comunidade e celebrada a eucaristia em memória dos catequistas mártires.

Os nomes dos Mártires Catequistas

1.       Ivone Faustino, 9 anos – Inhambane
2.       Cecilia Jamisse, 38 anos – Inhambane
3.       Faustino Cuamba, 45 anos – Inhambane
4.       Albino Thepo, 40 anos – Zavala
5.       Catarina Sambula, 25 anos – Mapinhane
6.       Isabel Foloco, 45 anos – Morrumbene
7.       Benedito Penicela, 50 anos – Morrumbene
8.       Joaquim Marrumula, 55 anos – Jangamo
9.       Verónica Sumbula, 32 anos – Mavamba
10.     Madalena Beme, 50 anos – Guiúa
11.     Deolinda Fernando, 50 anos – Mocodoene
12.     Gina Fernando, 11 anos – Mocodoene
13.     Maria Titose, 32 anos – Guiúa
14.     Rita Leonardo, 8 anos – Guiúa
15.     Arlindo Leonardo, 1 ano – Guiúa
16.     Leonardo Joel, 47 anos – Guiúa
17.     Arnaldo Adolfo, 12 anos – Massinga
18.     Zito Adolfo, 10 anos – Massinga
19.     Luísa Mafo, 40 anos – Massinga
20.     Juvêncio Carlos, 6 meses – Funhalouro
21.     Fatima Valente, 24 anos – Funhalouro
22.     Carlos Mucuanane, 35 anos – Funhalouro
23.     Sussana Carlos, 10 anos – Funhalouro

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura do artigo:
Uma página de martírio, de Diamantino Guapo Antunes, Revista Missões, Julho 2012 e consulta na internet.

Galeria dos Mártires - Rafael Hermández

RAFAEL HERMÁNDEZ
Mártir da luta pela terra
MÉXICO * 22/03/1988

Rafael Hernández, líder camponês, mártir da luta pela terra entre seus irmãos no México.

Trabalhador camponês de 46 anos, pai de dois filhos, cristão militante da comunidade de Guadalupe, Amatán, Chiapas.

Sua pobreza o impediu de ir à escola. Não era dono de um pedaço de terra ou uma moita de café. Mas um lutador ativo do Comitê de Defesa dos Camponeses.

Morto por pistoleiros pagos pelo Fazendeiro. Os camponeses lutam para derrubar o Comitê à Ernesto Ocaña, ex-presidente municipal, confiante fazendeiro Erwin Tessman, cacique, déspota para os agricultores. Rafael marcha a frente de seus irmãos para pedir impeachment e auditoria para Ocaña.

O objetivo é alcançado, porém é a sentença de morte para Rafael. Não lhe perdoam sua liderança e seu compromisso com a causa dos camponeses. O ameaçam de morte.

Naquela tarde de 22 de março de 1988, caminha sozinho pela aldeia, onde se escondem mercenários Tessman para assassiná-lo. Para preencher as formalidades, acusaram ​​de assassinato a Benito Hernandez, da comunidade de Guadalupe, torturado para que confessasse culpado. Perseguiam os catequistas Juan e Luis Castellanos, acusando-os de suspeitos. 

A Comunidade Amatán reflete, esperançada, ante ao acontecido: “A morte de Rafael Hernández se parece muito com a de Jesus, porque Jesus vinha anunciando e denunciando, por isso os poderoso o perseguiram até a morte. Rafael dedicado seu tempo a ver o bem do nosso povo, e pelo povo derramou seu sangue. Hoje sua memória e seu compromisso nos anima a continuar unidos e organizados, defendendo o que é nosso por direito.

 Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir da página: 
http://servicioskoinonia.org/martirologio/