terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Irmã Teresita Ramírez


Ir. TERESITA RAMÍREZ
Mártir do Evangelho
COLÔMBIA * 28/02/1989

Teresita Ramirez, 41 anos, religiosa da Companhia de Maria, foi assassinada com 8 tiros na frente de seus alunos do Liceo em Cristales, próximo de Antioquia.

De origem camponesa, decide ser religiosa aos 17 anos. Sua formação intelectual e religiosa culmina em Medellín. Fiel à sua origem pobre camponesa opta sempre a trabalhar com marginalizados. Em Barranquilla permanece por 9 anos em El Bosque, um bairro onde ela motivou as Comunidades Eclesiais de Base e onde recebeu o apelido de “Irmã Chévere”. Sinônimo de carinho, confiança, dedicação, alegria, simplicidade, que em Teresita brotam por sua profunda fé e confiança no sentido libertador do Evangelho.

Em 1987 mudou-se para o Cristales, onde tinha sido pároco o Pe. Jaime Restrepo, que foi morto em 1988, perto de lá. O martírio do Pe. Restrepo se entrecruza com o de Teresita.

Jaime deixa o campo semeado, que frutificou em uma profunda consciência e organização dos camponeses. As religiosas que se faziam presente em Cristales desde 1975, apoiaram e continuaram o trabalho de Restrepo; nas casas, no Liceu, nas ruas onde diariamente os camponeses iam e voltavam do trabalho.

A jornada de Teresita começava às cinco horas da manhã e termina às onze da noite.

Em maio de 1988 se realizou uma Marcha Campesina. Suas reivindicações são de justiça elementar: água, luz, educação, escolha do pároco. Os sacerdotes e religiosos da área decidiram aderir a Marcha. Teresita e outros religiosos e religiosas colaborem em tudo. Quando chegam a Puerto Berrio, a Marcha foi reprimida pelo exército. Um oficial identifica Teresita por nome e atividade em Cristales. Outros tirar fotos. Em varias ruas estão os militares.

Em 28 de fevereiro de 1989, a Companhia de Maria celebrava 90 anos de sua presença em Medellín. Para a ocasião se havia preparado uma celebração da família religiosa. As irmãs de Cristales foram para Medellín para compartilhar deste momento de ação de graças.

Na manhã de 28, chegou em Cristales uma Toyota, último modelo, de placas LC8031, com cinco homens a bordo, vestidos de civil, que aparentavam estar bêbados e perguntaram pelo pároco e pela religiosa responsável pelo batismo. Como não os encontraram, foram ao Liceo onde perguntaram pela Reitora, como não se encontrava também, perguntaram pelas as irmãs. Depois perguntaram por Teresita.

Ela teve um diálogo de alguns minutos com seus assassinos, que lhe pediu para anotar algo. Ela foi buscar um papel, e neste momento eles se puseram ao lado da porta. Quando ela regressou, eles dispararam um tiro à queima roupa. Era às 11h20 da manhã, quando Teresita cai agonizando. Foi levada para o Hospital de San Roque, porém, não resistiu.

Brutalmente maltratam Teresita.

Uma inscrição aparece nas paredes da cidade: “Cristales estará de luto”. Esta frase se cumpriu na vida/martírio de Teresita.

Antes de concelebrar a Eucaristia de despedida, os sacerdotes beijam seu caixão, como se beijam no altar as relíquias dos mártires.


A alegria e o compromisso dela faz com que o povo continuasse a resistir e lutar.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada, 
a partir de pesquisa na Internet.

Galeria dos Mártires - Guillermo Cespedes Siabato

GUILLERMO CESPEDES SIABATO
Mártir da Justiça e da Esperança
COLÔMBIA * 28/02/1985

Guillermo Cespedes Siabato nasceu em Toche (Tolima), em 28 de janeiro de 1954. Desde criança viveu em sua própria carne as carências de todos os pobres e, desde muito cedo descobriu a força do chamado de Jesus de Nazaré. Por sua vez, a sua resposta foi se fazendo efetiva em seu compromisso com os irmãos, nos grupos cristãos em Cali.

Militante por vários anos do Grupo Cristãos pelo Socialismo, descobriu nesta comunidade de irmão a exigência de construir uma sociedade igualitária e fraternal, e foi o que ele desenvolveu em seu trabalho nos bairros pobres de Cali e em alguns sindicatos, onde realizava tarefas educativas de consciencização e organização.

Sua profunda vivência do Evangelho foi como um testemunho em sua defesa mesmo quando ele foi preso em maio de 1979; "Eu sou um cristão fundamentalmente do amor, do amor que alimenta nossa fé e nossa esperança, do primeiro mandamento e o principal, do amor ao povo, do amor pela humanidade, do amor sem interesse nem paternalismo, deste amor que se transforma em compromisso, que se transforma em luta pela causa dos oprimidos (...). Estou convencido de que ser cristão é amar de forma intensa, é amar com esperança, é amar com todo o coração, com toda a sua força, e converter este amor em entrega, em ir até as últimas consequência pelo ser humano, pelo povo".

Guillermo foi preso no dia 10 de maio de 1979, quando saia de uma assembléia do sindicato dos trabalhadores do município, onde trabalhava a mais de três anos. Ele foi levado para o Batalhão Pichincha, onde foi torturado física e psicologicamente por 10 dias, ficando em um estado de muita fragilidade. 25 dias mais tarde, quando foi anunciada uma visita da Cruz Vermelha Internacional, foi encaminhado para a cadeia local para dar a impressão de estava tudo bem, que o processo que se seguiu era legal, que ele e outros presos estavam sendo tratados dignamente.

Esteve preso por quatro anos no carcere de La Picota, em Bogotá, tempo este que lhe permitiu reafirmar seu compromisso cristão e seu amor para com os mais pobres de seu povo.

Durante a "Trégua" ou "Processo de Paz", acordado pelo presidente Betancur, e enquanto Guillermo trabalhava como professor na aldeia de Rionegro (município Corinto, Cauca), foi morto com outros jovens, por um comando do Exército Nacional. 

Em 28 de fevereiro, 1985, no período da tarde, enquanto jogava uma partida de futebol com crianças do bairro na escola, foi cercado por soldados, que, em seguida, atirou e matou cinco jovens, incluindo Guillermo. Os autores tentaram colocar nas vítimas uniformes militar, mas a mãe de um deles impediu.

No período de sua prisão em Cali (maio de 1979), ele escrevia poemas, e nos deixou um bonito e impressionante poema, onde quis colocar a sua experiência vivencial da tortura: "Quiseram matar a esperança".

Foi assassinado, mas vive para sempre presente nas lutas do povo.

Quisieron matarnos la Esperanza

Quisieron matarnos la esperanza
robarnos la necesidad de luchar
y junto a los indefensos cuerpos
torturar y eliminar nuestros cimientos de libertad.

Los brazos inmóviles;
ciegos por las vendas:
insomnes.

Los pies aprisionados
la cabeza sumergida
bebimos el agua del pantano
sentimos el bloqueo del ahogado.

(A cambio de sentido éramos presa de alucinaciones y delirios)
Los estómagos fueron saciados
a golpe de manos empuñadas
a golpe de botas militares
a relamidos de res.

(El olor, la boñiga que pisamos, el mugido de rumiantes,
nos decían que habitábamos un establo)
Sonidos metálicos
apretar de gatillos al oído
círculos de hierro, bocas de cañón
en la nuca, el cuello, el abdomen
el temor de los pasos, el terror de las voces.

Afuera la lluvia y los truenos
testigos cómplices de la deshumanización.
Los lamentos, los ayes, los gritos,
el dolor de los huesos, los músculos, el alma,
 el golpeteo en el pecho, espalda, coyunturas, nalgas y el cerebro.
Corto circuitos causados por la tempestad
choques aplicados en bocas y ojos
vaginas y testículos.

Voces ahogadas de mujeres y hombres
voces de sadismo de agentes especiales de profesión: tortura.
Colgadas y plantones
interrogatorios eternos
las amenazas, la eterna oscuridad.
Así no paran la lucha
crece;
el frente avanza, ya llega
en Nicaragua,
La roja bandera, la de los pobres de América Latina
ondeará en esta sacrificada tierra;
la bandera de justicia
la de los campos floridos
la del pan para todos.

Nuestro continente (ahora oprimido)
será la patria soñada
de Galán y Bolívar
de Camilo y el Che.
La tortura es una piedra
en el largo camino hacia la nueva Humanidad.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada, 
a partir de pesquisa na Internet.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Sebastião Bezerra da Silva

SEBASTIÃO BEZERRA DA SILVA
Mártir da Tortura
CRISTALÂNDIA-TO * 27/02/2011

Sebastião Bezerra da Silva, Secretário Executivo do Movimento Nacional de Direitos Humanos – Regional Centro Oeste e do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia/TO, foi brutalmente assassinado em 27 de fevereiro de 2011.

Sebastião Bezerra, militava na luta pelos direito humanos e justiça social. Tinha 40 anos de idade e recém formado em Direito, morava na cidade de Paraíso–TO onde deixou a esposa e duas filhas.

Estava envolvido na apuração da responsabilidade sobre o linchamento de um preso numa delegacia do interior. Nos últimos dias de sua vida vinha recebendo ligações estranhas, o que ele pensava que era apenas uma tentativa de intimidação devido ao processo que ele moveu contra policiais militares que tinham torturado uma pessoa.

Vinha denunciando práticas de tortura e assassinatos por parte da Policia Militar do Estado.

Foi encontrado enterrado em uma estrada entre Gurupi e Dueré, região sul do estado do Tocantins. 

Pela forma que morreu, tem todas as características de ter sido tortura seguida de morte, portanto, vingança.

Segundo informações, a causa da morte foi, asfixia por estrangulamento e amassamento do crânio. O corpo estava enterrado, ficando apenas com um dos dedos do pé de fora. Estavam quebrados o dedo do polegar esquerdo e uma das pernas. 

O caso de Sebastião se assemelha a outros casos, como o de Chico Mendes, Irmã Dorothy, Pe. Josimo, que por lutarem pelos direitos elementares; terra, educação, vida, e por se comprometerem pelas causas do povo foram assassinados na tentativa de silenciarem estas vozes proféticas e incomodas.

Que a luta destes tantos mártires, companheir@s de sonhos e esperanças sejam atualizado no dia-a-dia de todos os homens e mulheres que forjam um Outro Mundo Possível e Necessário.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Jesús Maria Valle Jaramillo

JESÚS ​​MARÍA VALLE JARAMILLO
Mártir dos Direitos Humanos
COLÔMBIA * 27/02/1988

Jesús María Valle Jaramillo, de origem camponesa e sangue índio, nascido em uma aldeia no município de Ituango, foi um respeitado líder estudantil na Universidade de Antioquia na década de 70, feito para muitos inexplicável, porque ele se confessava de filiação conservadora e do movimento estudantil, porém prevaleceu a ideologia da esquerda. Disse ele em certa ocasião: "É que eu sou conservador nas idéias, mas comunista nos fatos".

Advogado graduado, foi eleito membro da Assembleia de Antioquia pelo Partido Conservador, mas faltando alguns meses para exercer a seu mandato, em atitude única ou pelo menos excepcional no país, renunciou o mandato e ao seu partido, denunciou publicamente a corrupção e o clientelismo vigente.

Ao longo dos anos, ele passou a ser o Professor Exemplar nas quatro faculdades de direito mais importante nesta cidade; Líder Comunitário (Promotor e Presidente da Liga dos membros da Empresa Pública de Medellin); Dirigente Gremial (Presidente do Colégio Antioquiano de Advogados e do Colégio de Advogados Criminalistas de Antioquia); Apóstolo dos Direitos Humanos e prestigiado Advogado de Defesa Criminal, que fez de seu exercício profissional a expressão comprometida e consistente de um projeto de vida, de uma opção pelos pobres, pelos injustamente detidos, pelos torturados, desaparecidos, perseguidos, desprezados, que ele os chamava de "desterrados" e, por fim, pelas vítimas da injustiça social.

Foi membro da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos de Antioquia, desde a sua criação, em 1978; após o assassinato de vários dos seus membros e presidentes, ele permaneceu, enquanto os outros se afastaram.

Na noite de 27 de fevereiro de 1998, homens armados do tenebroso grupo La Terraza, o assassinaram em seu escritório, tombando morto um ferrenho defensor dos Direitos humanos de Antioquia que deu a sua vida para defender os camponeses pobres de sua terra natal, Ituango, e denunciando a barbárie cometida contra seu povo pelas forças criminosas de Carlos Castaño Gil em conluio com autoridades civis e militares.

Após o assassinato de Jesús Maria Valle, o advogado Luis Fernando Vélez Vélez, tornou-se presidente e porta-voz da comissão, porém, foi assassinado 17 de dezembro de 1987, em Medellín (Antioquia).

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na Internet.

Galeria dos Mártires - Massacre de Caracazo

MASSACRE DE CARACAZO
Mártires pelos Direitos
VENEZUELA * 27/02/1989

“El Caracazo”, uma revolta que aconteceu nos municípios de Caracas e Guarenas, no Estado de Miranda, durante o segundo mandato do Ex-presidente Carlos Andes Pérez. 

A população se revoltou contra o pacote de medidas econômicas arquitetadas pelo governo Pérez e solicitadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), que elevou ao aumento dos preços dos alimentos e combustíveis.

Grupos de pessoas começaram uma série de protestos contra o aumento das taxas de transporte urbano e a falta de reconhecimento de passagem preferencial para estudantes por parte do Estado.

Tal inquietação se espalhou para outras partes do país, e consistiu, principalmente na queima de veículos de transporte urbano, saques e destruição de lojas.

Naquele dia, um setor da Polícia Metropolitana estava em greve, de modo que o controle da situação foi confiada às forças militares do  país. As tropas que foram destinadas a controlar a situação eram de jovens inexperientes de 17 e 18 anos, equipados com armamentos de grosso calibre.

A repressão militar e policial contra os protestos deixou centenas de mortos.

Os restos mortais de 71 venezuelanos assassinados foram sepultados no cemitério de Caracas. O restante dos cadáveres estão em uma vala comum por falta de identificação.

Mais de 2000 pessoas feridas e uma grande destruição.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Mártires de Xeatzán

MÁRTIRES DE XEATZÁN
Camponeses Crucificados
GUATEMALA * 21/02/1985

A paixão do povo da Guatemala é uma história de séculos. Mas desta vez, a crueldade do Kaibils (corpo de elite, preparado especialmente para contra-insurgência) vai tão longe a ponto de repetir a crucificação de Jesus.

Oito camponeses indígenas da aldeia Xeatzán, no município de Patzún, são mortos de uma maneira cruel e nova, cujo horror não é conhecido até então. Eles são verdadeiramente crucificados.

Atravessando seus corpos com ferros e estacas, são pregados nas paredes da escola da aldeia. Não usaram balas ou facões. E o tiro de misericórdia que geralmente terminam o prolongado horror da tortura, desta vez, é substituído por um ferro cravado na parte da frente, que será embutido na parede. 

Ali agonizam. Ali morrem. Ali cai o sangue mártir escorrendo lentamente pelas paredes da escola que eles mesmos construíram para seus filhos. Não é necessário nem para os pobres da Guatemala e do mundo, imaginar a paixão e crucificação de Jesus. Ali estão seus seguidores. Um Calvário real, perfeito, reeditado na aldeia Xeatzán.

O que dizem os professores para as crianças que frequentam a escola? Podem falar sobre a paz? Podem dizer o que é a vida? Podem descobrir algum dia o que se rompeu dentro deles quando viram seus pais crucificados? 

Só a partir de uma grande fé na Ressurreição do primeiro crucificado é que eles puderam gritar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem", e pode ajudar-los a seguir vivendo e esperando a ressurreição para todo o seu povo.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na Internet - http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Malcolm X

MALCOLM X
Ativista dos Direitos Humanos
NEW YORK, EUA, * 21/02/1965

Malcolm X, um nacionalista Afro-americano e líder religioso, é assassinado por rivais muçulmanos negros.

Nascido em Omaha, Nebraska, em 1925, Malcolm era o filho de James Earl Little, um pastor batista que defendia os ideais nacionalistas negros de Marcus Garvey. Ameaças da Ku Klux Klan forçou a família a se mudar para Lansing, Michigan, onde seu pai continuou a pregar seus sermões polêmicos, apesar das ameaças contínuas. 

Em 1931, o pai de Malcolm foi brutalmente assassinado pela supremacia branca Legião Negra, e as autoridades de Michigan se recusou a processar os responsáveis. Em 1937, Malcolm foi levado de sua família por assistentes sociais de bem-estar. Aos 15 anos ele abandona a escola e se mudou para Boston, onde se tornou cada vez mais envolvido em atividades criminosas.

Em 1946, com a idade de 21, Malcolm foi enviado à prisão. Foi lá que ele encontrou os ensinamentos de Elijah Muhammad, o líder da Nação do Islã, cujos membros são conhecidos popularmente como muçulmanos negros. A Nação do Islã defendia o nacionalismo negro e separatismo racial. Os ensinamentos de Maomé teve um forte efeito sobre Malcolm, que entrou em um intenso programa de auto-educação e tomou o sobrenome "X" para simbolizar sua identidade Africana roubada.

Depois de seis anos, Malcolm foi libertado da prisão e se tornou um ministro fiel e eficaz da Nação do Islã em Harlem, Nova York. Em contraste com líderes dos direitos civis, como Martin Luther King Jr., Malcolm X defendia a auto-defesa e a libertação dos afro-americanos "por qualquer meio necessário". Um grande orador, Malcolm era admirado pela comunidade Afro-americano em Nova York e em todo o país.

No início dos anos 1960, começou a desenvolver uma filosofia mais franca do que a de Elijah Muhammad, a quem ele se sentia não suficientemente apoiado pelo movimento dos direitos civis. Poucos meses depois, Malcolm deixou formalmente a organização e fez uma peregrinação muçulmana a Meca, onde foi profundamente afetado pela falta de discórdia racial entre os muçulmanos ortodoxos. Ele voltou para a América como El-Hajj Malik El Shabazz- e em junho 1964 fundou a Organização dos Afro-American Unity, que defendia a identidade de todas as raças, e o respeito a pessoa humana independente da cor.

Nesta nova etapa da vida de Malcolm, muitos outros seguidores se juntou a ele, e sua filosofia mais moderado tornou-se cada vez mais influente no movimento dos direitos civis, especialmente entre os líderes do Comitê dos Estudantes.

Em 21 de fevereiro de 1965, uma semana após a sua casa ser atacada com bombas incendiárias, Malcolm X foi assassinado com mais de 15 tiros por três homens armados.

Aos 39 anos foi declarado morto no Hospital Columbia Presbyterian, em Nova York.

Mil e quinhentas pessoas compareceram ao funeral de Malcolm em Harlen em 27 de Fevereiro de 1965, no Templo da Igreja Fé de Deus em Cristo (Agora Memorial dos Filhos de Deus em Cristo).

Após a cerimônia, amigos pegaram as pás e enterraram Malcolm no Cemitério Ferncliff em Hartsdale, Nova York.

Os assassinos de Malcolm, Talmadge Hayer, Norman Butler e Thomas Johnson, foram condenados por assassinato em primeiro grau. Os três eram membros da Nação do Islã.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Augusto C. Sandino

AUGUSTO C. SANDINO
Lider Nicaraguense
NICARAGUÁ * 21/02/1934

Augusto C. Sandino; nasceu em Niquinohomo, Nicarágua, 1893. Líder da guerrilha nicaraguense que lutou tenazmente contra a ocupação e intervenção dos EUA para forçar os Estados Unidos a retirar suas tropas da Nicarágua. Depois de seu assassinato pelo então chefe da Guarda Nacional, Anastasio Somoza, Sandino tornou-se a referencia ideológica da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e a revolução promovida por este movimento que, anos mais tarde, iria acabar com a ditadura Somoza.

De origens muito humildes, ele trabalhou como mineiro na Nicarágua, Honduras e México. Em 1926, regressou ao seu país, ocupado desde 1916 por soldados norte-americanos que defendem os interesses das empresas de frutas norte-americanas. Optou por defender a independência nacional, afetado pelo acordo Bryan-Chamorro e com a assinatura do tratado de Stimpson-Moncada. Então ele reuniu um grupo de guerrilheiros e pegaram em armas.

Durante seis anos ele e tantos outros guerrilheiros lutaram contra as tropas de diferentes governos apoiados pelos Estados Unidos no final dos quais ele tinha conseguido unir em torno de cerca de três mil homens e mulheres, e ganhou a admiração popular. Organizado sob a sua liderança, os guerrilheiros rebeldes refugiaram-se nas florestas de Nueva Segovia, onde se tornou praticamente invencível.

Tendo falhado em derrota, o presidente americano Herbert C. Hoover ordenou a retirada das tropas da Nicarágua, que, juntamente com a eleição de Franklin D. Roosevelt como presidente dos Estados Unidos, voltou-se para Sandino para negociar com o governo da Nicarágua a deposição das armas e retornar à vida civil (1933).

No entanto, seu prestígio político ainda era uma ameaça para os líderes do país, portanto, depois de aceitar um convite para participar do palácio presidencial, foi emboscado e morto por Anastasio Somoza, chefe da Guarda Nacional e sobrinho do ex-presidente José María Moncada.

Porém, a morte do líder não significa o desaparecimento de seu movimento, e seu nome foi alterado para incorporar a luta de libertação na Nicarágua. O alinhamento político Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), criado em 1962, foi estabelecida como uma continuação das ideias de Sandino e focado suas atenções para a derrubada do Somoza através da luta armada, um objetivo que ele alcançado em 1979.

Frases dita por Sandino:

“Recebi a sua comunicação ontem e eu entendi. Não me renderei e aqui os espero. Eu quero pátria livre ou morte. Eu não tenho medo: conto com o ardor do patriotismo daqueles que me acompanham. Pátria e Liberdade”.

“Nosso exército, pela magnitude da sua luta, constitui uma autoridade moral continental, e no âmbito de simpatia para com o nosso exército no mundo, produziu a completa expulsão dos piratas americanos na Nicarágua”.

“Vamos ir para o sol da liberdade ou a morte; e se morremos, a nossa causa seguirá viva. Outros nos seguirão”.

"A minha maior honra é que surgi de dentro dos oprimidos, que são o coração e a alma da raça."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Domingo Laín

Pe. DOMINGO LAÍN SANZ
Mártir das lutas de libertação
COLÔMBIA * 20/02/1974

Padre Domingo Laín Sanz, nascido em Aragão, no nordeste da Espanha, fez de sua vida uma dedicação aos irmãos, vivendo com uma visão intensa do presente. "Eu tirei conclusão de que para viver em paz consigo mesmo não há nada melhor do que dar-se aos outros, viver cada momento como único, sem a angústia de um futuro que só Deus sabe". Aos poucos, a ideia de estar a serviço da igreja e da comunidade começaram a se diferenciar do que aprendeu no seminário, com base em rituais e não questões terrenas. Ir para as missões nos países do Terceiro Mundo, era a ilusão de muitos seminaristas. No seminário de Zaragoza onde estudou havia dois grupo de seminaristas: Grupo Africano e do Grupo da América, Domingo juntou-se ao primeiro. Deveria ser ordenado padre em 1963, mas seu desejo de ir em missão para África, teve de adiar a ordenação para dois anos depois. 

Recém concluído seus 25 anos, foi ordenado sacerdote em 28 de março de 1965. Em sua cidade natal, celebrou sua primeira missa no dia 17 de abril daquele ano, uma vez que, em maio, tomou posse como pároco aragonês Taussig, onde passou mais de um ano, trabalhando especialmente com jovens Taussig. Em certa ocasião disse estas palavras: "Estou ansioso para poder ir em missão para a América ... Você pode imaginar que haverá muito trabalho e a situação possa ser difícil. Irei com toda a generosidade: o importante é sabermos ser sempre fiel a Deus e aos homens que vamos servir. Amar e entendê-los como são, estar com eles na fome, na injustiça ... Servir os outros é uma das mais elevadas formas de amor" 

Em 26 de agosto 1965, Camilo Torres disse aos cristãos: "a revolução não só é permitido, mas obrigatório para os cristãos", estas palavras teve uma grande influência no mundo e fez com que Domingo se colocasse a disposição de seguir em missão e fosse para a Colômbia, para seguir os passos de Jesus e os compromissos de Camilo. 

Após a morte de Camilo Torres, em 15 de fevereiro de 1966, Domingo apressou sua partida de Taussig, viajou para Madrid para preparar a sua viagem para a Colômbia, onde ele finalmente chegou no final do ano 67. Fez um trabalho pastoral em um dos bairros pobres do sul de Bogotá em Meissen, e também conseguiu emprego para trabalhar em uma fábrica de tijolos. 

A partir desta experiência, disse mais tarde: "Eu experimentei em primeira mão a situação de exploração e miséria da maioria da população". Esta experiência permitiu-lhe conhecer e compreender a dura realidade dos trabalhadores colombianos. E por sua opção pelos pobres e sua identificação com eles, reforçou a sua convicção sobre o papel destes para alcançar uma nova sociedade e da necessidade de pessoas revolucionárias. "Não te deixes vencer, Cristo está conosco. Ele é um de nós. E a história é a história da salvação. Permanecer na história é o que nos faz ser Profetas"

A ousadia de sua obra profética não leva muito tempo para criar problema com a Cúria de Bogotá, que o obrigou a deixar a comunidade. Ele então se mudou para Cartagena, onde viveu em uma paróquia rancho muito pobre. Com a decisão do prefeito de Cartagena de expropriação sem compensação justa das terras de seus vizinhos, Domingo Laín liderou uma manifestação de protesto e, portanto, foi forçado a voltar para Bogotá.

Junto com outros sacerdotes revolucionários, em meados de 68, fundou o grupo de Golconda. Participou em diversas reuniões relacionadas com os sindicatos e dirigentes sindicais de todo o país. Domingo era uma pessoa alegre, que o ajudou a criar empatia com outros lutadores. Foi preso por vários dias e acabou expulso da Colômbia em 19 de abril de 1969, pela divisão de imigração do DAS e forçado a viajar para a Espanha, sem documentos de identidade, dinheiro e sem seus pertences. 

Na Espanha ele teve um diálogo com o bispo, Dom Pedro Pedreiros, a quem explicou a decisão de aderir à guerrilha colombiana. O bispo cedeu aos seus argumentos e deu-lhe a sua bênção.

Em Outono de 1969 Domingo voltou secretamente para a Colômbia, com seus companheiros Manuel Pérez e José Antonio Jiménez, para se juntar à guerrilha do Exército de Libertação Nacional. Desde a sua chegada ao ELN, Domingo atuou como assessor. 

Na ocasião do quarto aniversário da morte de Camilo, Domingo em uma proclamação pública explicou a sua expulsão da Colômbia, devido à sua luta contra o regime político colombiano, e sobre sua decisão de aderir ao ELN, considerando-se o direito da luta armada na defesa do povo e elogiou o socialismo como a única solução possível para os problemas do continente. 

Em 1974, dia 20 de Fevereiro morreu em combate contra as forças do governo na Quebrada de La Llana por seu compromisso com a luta pela libertação do povo.

Um mês depois de sua morte, o grupo de Sacerdotes na América Latina (SAL), Bogotá, falou: "Três anos que passou como um trabalhador e quatro passamos nas montanhas colombianas, seguiu denunciando a injustiça com a sua vida. O único motivo maior deste homem era o amor ao povo. 'Não há maior amor do que dar a vida por seus irmãos'. O caminho escolhido por Padre Domingo Laín foi o cristianismo, e em nome da honestidade é que ele viveu,. Não é um bandido que mataram, mas um cristão, um padre e um político".

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na Internet e do livro: Sangue Pelo Povo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Franz de Castro Holzwarth

FRANZ DE CASTRO HOLZWARTH
Advogado,  Mártir da Pastoral Carcerária
JACAREÍ – SP * 14/02/1981
               
Advogado e teólogo, iniciou seu trabalho junto aos presos da APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – em 1973, na cidade de São José dos Campos, SP. 

Nas galerias e celas do presídio, ficava em média dezesseis horas, convivendo com os presos. “A minha vida eu daria, afirmava, em garantia e em alívio a muitos sofrimentos”. 

Durante uma rebelião, ofereceu-se como refém, para que um policial militante fosse liberado e, quando o carro onde Franz se encontrava saiu, a polícia iniciou o tiroteio perfurando com mais de trinta e oito projéteis o corpo do“apóstolo do amor”.

Em 6 de março de 2009, a Diocese de São José dos Campos realizou a abertura do Processo da Causa de Canonização de Franz de Castro Holzwarth e instalou o Tribunal Diocesano do Processo da Causa e a Comissão Histórica. 

O Tribunal Diocesano realizou diversas sessões para investigar a fama de martírio e a vida do candidato à mártir. Mais de 30 pessoas foram ouvidas, o que resultou em centenas de páginas de documentos que foram encaminhados para a Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano, no dia 22 de dezembro de 2010.

Oração

Senhor, nosso Deus, que inspirastes o vosso servo Franz de Castro Holzwarth a uma total dedicação de amor aos encarcerados, ao ponto de derramar o próprio sangue em favor da causa dos mesmos, nós vos pedimos que, se for de vossa vontade, Franz de Castro seja um dia glorificado pela vossa Igreja e, por sua intercessão, possamos receber a graça de que tanto precisamos e que vos pedimos com fé… (pedir a graça). Fortalecei-nos, ó Senhor, na vivência do amor ao próximo e abençoai a todos que se dedicam à Pastoral Carcerária. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na Internet e da Galeria dos Mártires da Caminhada, Prelazia de São Félix do Araguaia.