segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Galeria dos Mártires - Prudencio Mendoza, “Tencho”

PRUDENCIO MENDOZA “Tencho”
Mártir da Fé
GUATEMALA * 12/12/1983

Prudencio Mendoza, “Tencho”, seminarista de Aguacatán, mártir da fé, em Huehuetenango, Guatemala.

Foi ferido por uma bala na cabeça disparado por uma patrulha de defesa civil, morre depois de quatro horas de agonia no hospital em Huehuetenango. 

“Tencho” como era carinhosamente chamado, era Bacharel em Ciências e Letras, quando decide seguir os passos de Jesus. Entra no Seminário Maior da Assunção da Guatemala e cursava o segundo ano de teologia, quando a ditadura sangrenta de seu país o fez um mártir da Igreja. 

Entusiasta e generoso no serviço aos seus irmãos, “Tencho” é conhecido por sua alegria contagiante em todas as atividades organizadas entre seu povo. 

No dia 12 de dezembro de 1983, estava no quintal da casa de seus pais quando foi mortalmente ferido, aos 28 anos. 

Maria de Guadalupe, Padroeira da América Latina, cuja festa é celebrada hoje, recebeu “Tencho” na casa do Pai, assim como conta à tradição que ela recebeu o índio Juan Diego. E “Tencho” ressuscitado, lhe presenteou com as rosas ensanguentadas seu povo martirizado, porém, pleno de esperança na Libertação Definitiva.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Massacre de El Mozote

MASSACRE DE EL MOZOTE
Mártires e Santos Inocentes
EL SALVADOR * 12/12/1981 

Massacre de El Mozote, centenas de camponeses salvadorenhos brutalmente mortos. Rufina é uma camponesa que vê metralhar e depois decapitado seu marido e todos os homens da cidade. Testemunhando as fileiras de mulheres apertando firmemente seus filhos contra elas, enquanto se aguarda a morte. Que ouve o clamor dos filhos enquanto eles são apunhalados e enforcados. Entre eles estão crianças de nove, seis e três anos e até criança de oito meses, em que os soldados arrancam de seus braços.

Este massacre aconteceu no dia 12 de dezembro de 1981 em El Mozote, Departamento de Morazán, quando o batalhão Atlacatl entra na aldeia com ordens de matar todo mundo. Quando ao acontecido, Rufina se põe ao chão e reza: “Eu pedi a Deus para me libertar se tivesse que me libertar, e se não, para me perdoar”. E enquanto rezava o Pai Nosso foi se escondendo atrás de alguns galhos. Imóvel. Paralisada. Prendendo a respiração. Sufocando as lágrimas. De lá, ouvindo os gritos penetrantes de mulheres. Depois os gritos das crianças. Reconhece a voz de seus filhos, chamando. Quando pára os gritos e soluços, sobe a grande fogueira. Primeiro na igreja, onde mataram os homens. Depois na casa de Israel Marquez, onde eles haviam colocado as mulheres. “Não deixe nada sem queimar” ouviu Rufina. As chamas voam sobre ela, e os soldados. Os bezerros e cães fogem aterrorizados. E foge também Rufina que corre sem parar.

Chega a Jocote Amarelo e ali permanece durante todo o dia. Caminha de noite, sem encontrar gente e nem abrigo. “Devido à dor dos meus filhos, a dor de tudo o que tinha acontecido, não me dava fome, não me dava sede, não sentia nada. Ali fiquei sete dias, quando pude encontrar pessoas e sair do exílio, e regressar a este tempo de 1990”, diz Rufina. 

Graças a seu testemunho se pode reconstruir o massacre de 1.200 camponeses, na sua maioria idosos, mulheres e crianças.

El Mozote é "terra arrasada", e tornou-se terra dos mártires e santos inocentes salvadorenhos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/






Galeria dos Mártires - José Serapio Palacios

JOSÉ SERAPIO PALACIOS
Mártir da Causa Operária
ARGENTINA * 11/12/1975

José Serapio Palacios, "Pepe", Presidente da Juventude Operária Cristã, JOC, membro do Secretariado Latino-americano do Movimento Operário de Ação Católica, MOAC, casado e pai de três filhos, trabalhador metalúrgico, até o momento de ser sequestrado aos 52 anos, em Ciudad Jardín, na Grande Buenos Aires. 

Apaixonado, criativo, alegre, "Pepe" aprendeu o seu ofício na Escola dos Salesianos de Córdoba e entra na fábrica de aviões da aeronáutica.

Dois encontros marcam sua vida: primeiro com o padre Enrique Angelelli - depois bispo e mártir – e o segundo com a JOC. 

Sua liderança e convicções o torna gerente de fábrica. Uma greve por melhores salários e condições de trabalho lhe causa a primeira demissão. Decide viver na Grande Buenos Aires, em uma região de operários. Um companheiro seu disse: "Pepe sente que ali poderia cumprir o lema de sua vida. Buscai o Reino de Deus e sua justiça e o resto se consegue". Como operário qualificado encontrar trabalho em grandes fábricas, porém, de todas é dispensado, quando recebem os relatórios de sua atuação como operário consciente de seus direitos e militante sindical.

Marcado por sua combatividade sindical, custa conseguir trabalho estável. Ele fica sendo uma pessoa visada para as grandes fábricas, por estar preocupado com a justiça e o direito de seus irmãos. A partir de então só consegue trabalho em pequenas oficinas. 

Militante de base e fundador da Ação Sindical Argentina, (ASA) e do Comitê Intersindical Cristão. Devido sua militância nos sindicatos, tinha que viajar frequentemente, e em 1975 participou em três conferências internacionais.

Na manhã de 11 de dezembro, beija as crianças que estão dormindo e sua esposa Amalia e sai para o trabalho. Desde de então nunca mais retornou, segue desaparecido. 

O Papa, os bispos, os trabalhadores do mundo perguntam por “Pepe” ao governo argentino. Não tem resposta. Sabemos apenas que vive nos corações dos trabalhadores.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Pe. Gaspar García Laviana

Pe. GASPAR GARCÍA LAVIANA
Mártir das Lutas Pela Libertação do Povo
NICARÁGUA * 11/12/1978


Gaspar García Laviana, sacerdote espanhol de Oviedo. Missionário na Nicarágua desde 1970 e membro da Frente Sandinista de Libertação. Morreu em combate com a Guarda Nacional.

Durante seu trabalho pastoral em San Juan del Sur e Tola denunciou constantemente a exploração em que vivia seu povo de adoção. 

Foi expulso várias vezes do país. A última vez, em julho de 1978, e a sua residência na Espanha serviu para amadurecer sua decisão de se incorporar na Frente Sandinista como combatente.

Ingressou clandestinamente na Nicarágua, escreveu uma carta a seus paroquianos e outra aos religiosos e sacerdotes, explicando as causas de sua opção. Desde então é o "Comandante Martín". Apreciadíssimo no acampamento por sua alegria e por ser o primeiro no combate e o último na retirada. 

Sacerdote até o fim, seus superiores (Missionários do Sagrado Coração) nunca o cobrou para que escolhesse entre seu sacerdote e a luta armada pela libertação de seu povo. 

"Em minha vida encontrei duas comunidades bem diferentes, ambas porém apaixonantes: a religiosa, onde sinto que me querem bem e me respeitam; e a sandinista, onde tenho grandes amigos do peito, onde repartimos tudo, onde diariamente colocamos a vida em jogo.

Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

Galeria dos Mártires - Manuel de Jesús Guerra Arita

MANUEL DE JESÚS GUERRA ARITA
Mártir da Terra e da Justiça
HONDURAS * 08/12/1991

Manuel de Jesús Guerra Arita, ativista camponesa. Vice-Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Campo, CNTC. Morto na estrada, quando retornava à San Pedro Sula, numa noite de domingo. Na ocasião estava coordenando atividades de sua organização em solidariedade com a greve do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Nacional de Energia Elétrica. 

A polícia recolheu seu corpo e levou para o necrotério para o enterro e corre para dar a noticia oficial. Há relatos de que a morte do líder é devido a um "acidente de carro". Porém, os companheiros de Manuel de Jesús, as organizações populares e dos direitos humanos tem a certeza de estar diante de outro assassinato e pedem uma autópsia para determinar a verdadeira causa de sua morte.

O resultado é totalmente contrário ao relatório da polícia: Manuel de Jesús morre por consequência de uma bala, disparada a "curta distância". Os diretores da CNTC encontram vestígios de um segundo veículo no asfalto da estrada, que o vinha perseguindo e forçado a voltar, que o fez cair em um barranco. Ali os assassinos pode efetuar de perto o disparo, numa altura em que Manuel de Jesús poderia estar inconsciente devido ao choque causado pelo capotamento.

"assassinato de Manuel de Jesús ocorre em circunstâncias de repressão política ordenada pelo governo", declaram os seus pares. Os camponeses que foram dar a sua vida como outro Jesus, sabem que o seu testemunho os incentivam a lutarem pela justiça.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Ir. Alicia Domont e Ir. Leonie Duquet

Ir. ALICIA DOMONT e Ir. LEONIE DUQUET
Mártires da Solidariedade com os Desaparecidos
ARGENTINA * 08/12/1977


Ir. Alicia Domont
Alicia Domont, religiosa Francesa das Missões Estrangeiras, trabalhou na Argentina desde 1967. Sequestrada com outra religiosa da mesma congregação, Leonie Duquet e 12 familiares de desaparecidos, depois de uma reunião na paróquia de Santa Cruz, em Buenos Aires.

Alicia foi a primeira freira a morar em um bairro pobre de Buenos Aires, para trabalhar e viver lá com e como os pobres. Sua vida foi dedicada ao serviço dos pobres, primeiro no campo e, em seguida, nas favelas de Buenos Aires. 

Ela acompanhou as mães dos desaparecidos em manifestações e marchas de protesto. De maneira especial, ela se importava com as famílias dos desaparecidos e presos políticos. Em uma ocasião ela foi detida por 24 horas por policiais, sem qualquer razão. 

Ir. Leonie Duquet
No dia 8 de dezembro de 1977, ao sair da Igreja de Santa Cruz em Buenos Aires, foi levada pela polícia junto com a religiosa, sua companheira e, desde então, não existe qualquer informação oficial sobre ela ou sobre Ir. Leonie Duquet. 

Porém, se sabe que ela foi torturada e morreu durante a tortura. Seu corpo está desaparecido. Leonie foi preso e morto no dia 10 de Dezembro.

Em sua última carta Ir. Alicia escreveu: "Sinto-me verdadeiramente em comum com tantas famílias que sofrem o mesmo drama. Tratamos de encontrar a resposta do Senhor à luz do Evangelho... Nossa oração deve estender-se a todos e expressar-se de formas diversas: uma greve de fome, uma concentração, uma carta aberta aos bispos, etc. Estou convencida de que esta situação de paixão está profundamente unida à de Cristo e que ela precede à da Ressurreição".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Alba Garófalo e Eduardo Daniel Placci

ALBA GARÓFALO e EDUARDO DANIEL PLACCI
Mártir da Causa dos Pobres
Buenos Aires * 08/12/1976
 
Alba Noemi Garofalo Cattenazzi Placci, nasceu em Remédios de Escalada, Buenos Aires, em 22 de janeiro de 1954. Militante metodista. 

Eduardo Daniel Placci, seu esposo nasceu a 21 de maio de 1955, em Venado Tuerto, Santa Fé. Em 1976 nasceu seu primeiro filho, Nicolas. 

Ela em sua juventude militou no JUP. Ele militou no JTP e foi delegado da agremiação SMATA. 

Ambos lutaram no JP e, em seguida na organização Montoneros. 

Foram sequestrados em 08 de dezembro de 1976 em sua casa em San Martin, subúrbios da zona norte de Buenos Aires.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Galeria dos Mártires - Nelson Mandela

NELSON MANDELA
Símbolo da Liberdade e do Direito
Johannesburgo, África do Sul​ * 06/12/2013

Nelson Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Seu nome verdadeiro é Rolihlahla Madiba Mandela. Principal representante do movimento antiapartheid, considerado pelo povo um guerreiro na luta pela liberdade. Era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort, cidade com escolas que recebiam a maior parte da realeza Thembu, e ali se interessou pelo boxe e por corridas. Após se matricular, começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante de direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade – documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros militantes. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para o Marrocos e Etiópia para treinamento paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela negou).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois se casou com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª, a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS.

A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de artistas e celebridades engajadas nessa luta.

Nelson Mandela faleceu em 2013 aos 95 anos em sua casa na África do Sul.