quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - José Dutra da Costa, Dezinho

O sindicalista Dezinho foi morto em 2000, em Rondon
do Pará. (Foto: Cristino Martins / O Liberal)
JOSÉ DUTRA DA COSTA, Dezinho
Mártir da Terra Livre e Partilhada
RONDON DO PARÁ * 21/11/2000

MEMÓRIA DOS 17 ANOS DE SEU MARTÍRIO

José Dutra da Costa, o Dezinho, era líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e foi assassinado em 21 de novembro de 2000, na cidade de Rondon do Pará, sudeste do Estado.

O crime teria sido motivado pela disputa de terras na região, já que o sindicalista apoiava a ocupação de fazendas improdutivas e terras supostamente griladas e fazia denúncias contra trabalhos escravos que aconteciam em fazendas da região. “Era ele quem regularizava as terras, que orientava os trabalhadores, então os fazendeiros viam nele uma ameaça”, disse o promotor de Justiça Franklin Prado.

De acordo com o Ministério Público, os fazendeiros Lourival de Souza Costa e Décio Barroso Nunes, o Delsão, foram os mandantes da morte do líder sindical, enquanto Domício Souza Neto, conhecido como Raul, teria providenciado a arma usada no crime.






A vítima foi morta pelo pistoleiro Wellington de Jesus, condenado a 29 anos em regime fechado em 2006, mas que após ser beneficiado por uma saída temporária, não retornou à prisão.

Em 2013, o fazendeiro Lourival Costa e o capataz Raul, foram absolvidos das acusações de envolvimento no assassinato de Dezinho. A decisão ocorreu no 2º Tribunal do Júri da Capital, em Belém. O júri considerou que não havia provas concretas da participação dos réus no assassinato.





O promotor de Justiça Franklin Prado atribuiu à morosidade do processo e a falhas de investigação o resultado do julgamento.










O caso gerou revolta em entidades que defendem os direitos humanos e a reforma agrária em terras consideradas improdutivas e supostamente griladas. O advogado e também assistente de acusação do caso afirma que existem provas materiais e testemunhais que podem ajudar na condenação, mas reconhece que condenar um mandante de crime, especialmente no Pará, não é uma tarefa fácil.

A esposa de Dezinho, Maria Joel Dias da Costa, que assumiu a direção do sindicato após a morte do marido também passou a ser ameaçada e já sofreu dois atentados de morte, hoje conta com proteção policial em tempo integral. Ela é uma das testemunhas oculares do crime.























O caso repercutiu internacionalmente através da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a qual o governo brasileiro assinou um acordo com a entidade assumindo sua responsabilidade pela morte do sindicalista e se comprometendo a implantar diversas políticas públicas relacionadas à luta pela reforma agrária.




O fazendeiro Décio José Barroso Nunes foi condenado a 12 anos de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa em 2000, o Dezinho. O juiz Raimundo Flexa anunciou No dia 29 de abril de 2014 a decisão do júri, que considerou o fazendeiro culpado. A defesa de Décio decidiu recorrer da sentença, e o réu aguarda em liberdade até o julgamento de todas as instâncias.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Zumbi dos Palmares

ZUMBI DOS PALMARES
Patriarca da Causa Negra
PALMARES - AL * 20/11/1695

Filho de escravos e educado por um padre, conseguiu fugir do cativeiro dos canaviais e se juntar, no Quilombo dos Palmares, em Alagoas, ao grupo de rebeldes, negros e até indígenas e brancos, que iam formando, frente ao regime da escravidão e da segregação, uma comunidade livre e fraterna.

Zumbi, pela sua capacidade de estratégia, tornou-se líder do Quilombo mais famoso e extenso, Palmares, que durou 95 anos resistindo às investidas do exército e dos coronéis do açúcar.

Traído e preso, sua cabeça foi exposta na praça do Carmo, no Recife. 


É justamente considerado patriarca do povo negro no Brasil e na Afroamérica.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Mártires da Teologia da Libertação, Mártires da UCA

MÁRTIRES DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
MÁRTIRES DA UCA
UCA – EL SALVADOR * 16/11/1989

Os seis jesuítas, Pe. Joaquín López y López, 71 anos, Salvadorenho, fundador da UCA, e os Padres espanhóis, Pe. Ignacio Ellacuría, 59 anos, reitor da universidade, Pe. Segundo Montes, 56 anos, diretor do Instituto de Direitos Humanos da UCA, Pe. Juan Ramón Moreno, 56 anos, diretor da Biblioteca de Teologia, Pe. Amando López, 53 anos, professor de teologia,  Pe. Ignacio Martín-Baró, 47 anos, vice-reitor acadêmico, Elba Ramos, 42 anos, cozinheira e sua filha, Celina Ramos, 16 anos, foram assassinados a sangue frio no campus da Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), em El Salvador.

Paramilitares do Exército Salvadorenho invadiram a residência dos jesuítas com o objetivo único de matar aqueles que incomodavam a ditadura. Foram mortos porque defendiam os empobrecidos e apostavam no diálogo entre as duas partes da guerra civil – Governo, de um lado, e Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional (FMLN), de outro.

Os padres Jesuítas da UCA sempre defenderam a justiça e as causa dos pobres. Eles lutaram pela Paz em El Salvador. Seus escritos e sermões eram visto como subversivo ante aos olhos do exército. Por assumirem as causas dos pobres sofreram a mesma sorte que eles, foram martirizados.

“Estavam ao lado dos pobres, aqueles que vivem e morrem submissos à opressão da fome, da injustiça, do desprezo e da repressão de torturas, desaparecimentos, assassinatos; muitas vezes com grande crueldade”.

“Descansem em paz Ignacio Ellacuría, Segundo Montes, Ignacio Matín-Baró, Amando López, Juan Ramón Moreno, Joaquín López y López, companheiros de Jesus. Descansem em paz Julia Elba e Celina, filhas muito queridas de Deus. Que sua paz transmita aos vivos a esperança, e que sua lembrança não nos deixe descansar em paz”. Jon Sobrino.


 A Igreja na América Latina é a inspiração para a Igreja universal e para o mundo, não vamos cansar de dar testemunho, para ter a certeza de que "algo novo está nascendo", hoje, diferentes tipos de opressão são uma realidade diária que precisa pessoas dispostas a dar a vida para acabar com toda opressão, a injustiça tem tomado uma outra cor, a pobreza outras faces e todas estas questões estão gritando soluções urgentemente. Cremos ser uma obrigação, assumir as causas e os gritos desesperados de tantos homens e mulheres que clamam por justiça, assim como fizeram os mártires de El Salvador.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sábado, 11 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Gervásio Santana Dourado

GERVÁSIO SANTANA DOURADO
Professor e Militante
APARECIDA DE GOIÂNIA – GO * 11/11/1983
               
Gervásio Santana Dourado, jovem professor de 22 anos foi sequestrado em um ponto de ônibus em Aparecida de Goiânia, torturado e morto, por causa de seu compromisso social; porque não calava diante dos desmandos dos que detêm o poder. 

Lutou até a morte “pelo salário justo e em dia, pela garantia no trabalho e pelo respeito ao trabalhador e trabalhadora do ensino”.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Agenor Martins de Carvalho

AGENOR MARTINS DE CARVALHO
Mártir da Justiça
PORTO VELHO, RO * 09/11/1980

Agenor Martins de Carvalho, advogado dos trabalhadores Rurais, assassinado em sua casa em Porto Velho, Rondônia, atingido por dois tiros de revólver diante de sua esposa e filhos, na madrugada do dia 9 de novembro de 1980.

Lá, nas distâncias de novembro
Elevado nas paisagens fugidias
A agonia de um homem
Estendia a chuva sobre as árvores.
Deus visitava as palavras turvas
Espalhando a sombra sobre o cansaço.
Deus pendia das alturas do crucifixo,
Alta noite, diante dos presentes.
Tudo era exposto e ambulante.
Tudo era provisório, mas do que as estrelas.

O homem frequentava seus salões.
O homem alternava o silencio com verdades:
Os pêndulos parados, os juízes, as leis.
O vago mercado da palavra.
A narrativa, as provas,
as pericias bem montadas sobre o crime.
As heranças e as fugas. As mentiras.
As discórdias afeitas para o nada.
O testemunho, o sangue amargando as vozes.
Datas, pessoas, cifras, cofres: teu conteúdo.

O mundo porém, para ti, era leve demais
Como a sombra do carvalho.
Foste encontrar a claridade dos rios

E advogar pelo povo junto aos altares divinos...

Texto do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Galeria dos Mártires - Justo Mejia

JUSTO MEJIA
Mártir da Fé
EL SALVADOR * 09/11/1977

Memória dos 40 anos de seu martírio.

Justo Mejia, sindicalista camponês e catequista, mártir da fé em El Salvador. 

Morto pela tortura da Polícia aos 37 anos, deixando órfão 7 filhos. Fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, UTC. Coordenador das Comunidades cristãs.  Era um homem de enorme ternura, criativo, claro, determinado, um líder natural dos camponeses de Las Vueltas, Chalatenango.

Catequista e celebrante da Palavra desde 1971, quando a Igreja salvadorenha recomeça a renovar-se. Justo Meija impulsiona e motiva as Comunidades Cristãs. Sendo coordenador destas comunidades, tinha reuniões diárias na cidade com a equipe de coordenação. Fazia tudo isto sem deixar de trabalhar no pedaço de terra que havia alugado para tirar o sustento de sua família. Gumersinda, sua esposa, era catequista e responsável pelo coral. E assim desta maneira seguia seus compromissos com a comunidade até 1973, quando compreender que “tudo isso era necessário, mas que, os meninos mais jovens continuam a morrer de fome e diarreia” e o que ele vinha fazendo deveria ser modificado para mudar a situação destes jovens e dos amigos que muitas das vezes depois da exaustiva semana de trabalho se embriagavam, causando danos a si e aos familiares. Em conjunto com a equipe de coordenação da comunidade decidem encontrar novos meios para ajudar o seu povo e entrando em contato com organizações camponesas, criam em sua região o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e assim o fez, assumindo esta nova função, onde visitava os camponeses, orientando e organizando o movimento dos trabalhadores rurais.

Sua vida é uma síntese de fé e compromisso social. Mas sua tarefa não era bem vista aos olhos da Guarda e dos latifundiários, que conhecem a qualidade de sua liderança. Justo começa a viver na clandestinidade e com outro nome, a Guarda o detecta e o pára. É cruelmente torturado diante de seus companheiros e, agonizando, passeiam com ele pelos vilarejos como aviso e intimidação aos camponeses.

Morre antes de chegar a deixá-lo pendurado em uma árvore. Foi enterrado no mato, enquanto as notícias voam como o vento. De todos os cantos vêm companheiros para resgatá-lo e levá-lo para sua cidade natal. Foram 25 quilômetros de trilha e montanhas. Foram 3.000 camponeses que caminharam com o corpo Justo, onde abençoavam as  terras que um dia vai ser de todos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Augusto Ramírez Monasterio

Frei AUGUSTO RAMÍREZ MONASTERIO
Mártir da Defesa dos Pobres
GUATEMALA * 07/11/1983

Augusto Ramírez Monasterio, sacerdote franciscano, vigário da paróquia de São Francisco em Antígua, Guatemala, a 45 km a oeste da capital, havia sido vítima nos últimos meses de constantes ameaças por parte de elementos das Forças Armadas.

Em julho ele fora detido por uma patrulha militar, permanecendo oito horas amarrado, aparentemente por ter dado proteção a um guerrilheiro.

Seu corpo, crivado de balas, no dia 07 de novembro de 1983, a estilo das execuções realizadas pelos corpos de segurança, foi encontrado nos arredores da capital. Apresentava também golpes sofridos em consequência de que, segundo tudo indica, seu corpo foi arrastado por um veículo em marcha.

O governo culpou "elementos subversivos" pelo crime, enquanto a Cúria, o Núncio, a ordem franciscana disseram, em comunicado oficial, que "este inqualificável assassinato de um sacerdote exemplar se soma à série de atendados contra a Igreja Católica, denunciados reiteradamente".

Texto retirado do livro: Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

Galeria dos Mártires - Florinda Soriano Muñoz "Mamá Tingó"

FLORINDA SORIANO MUÑOZ “MAMÁ TINGÓ”
Camponesa Negra Militante
REPÚBLICA DOMINICANA * 01/11/1974

É a singular e muito querida “MamáTingó”. Negra, camponesa analfabeta, mãe de nove filhos e dirigente da Federação de Ligas Agrárias Cristãs. Profundamente religiosa, Tingó peregrina todos os anos ao “Santo Cerro”, cantando salves a Nossa Senhora. 

Líder muito estimada na Federação, esteio da coragem de seus companheiros e companheiras, MamáTingó nega-se a entregar as terras de Hato Viejo, Yamasa, cobiçadas pelo latifúndio: “Para tirar-me as terras, primeiro terão que tirar a vida!”

Diante de seu cadáver venerado, o povo exclama, renovando o compromisso: “Caiu a mamãe de todos... O sangue de Tingó será fecundo; será a melhor semente que ela semeou em Hato Viejo.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT.