sexta-feira, 28 de abril de 2017

Galeria dos Mártires - Arnaldo Delcídio Ferreira

ARNALDO DELCÍDIO FERREIRA
Mártir e Líder Sindical
ELDORADO DOS CARAJÁS, PA 
* 02/05/1993

Arnaldo Delcídio Ferreira, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Eldorado dos Carajás, PA, foi assassinado no dia 02 de maio de 1993 quando dormia em sua residência.

Segundo uma testemunha, um homem não identificado saiu do local do crime andando calmamente. Até hoje não foi encontrado.

Este foi o nono assassinato na cidade em menos de um mês. O município tem aproximadamente 6 mil moradores, cinco policiais para cuidar da sua segurança e nenhuma viatura policial. A terrível estatística confirma a cultura da impunidade não só em Eldorado como em todo o Estado.

O Pará é considerado o Estado do país com o maior número de assassinatos no campo, em virtude dos conflitos fundiários.

O líder sindical já havia sido vitima de três atentados. Um deles, em 1985, causou a morte da freira Irmã Adelaide Molinari, que na ocasião estava aguardando o ônibus para retornar ao convento em Curionópolis, e conversava com Arnaldo na hora do atentado em que ela cai mártir. 

O fim do desmatamento, dos conflitos e a implantação da reforma agrária eram suas principais bandeiras de luta.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Luis Alfonso Velásquez Flores

LUIZ ALFONSO VELÁSQUEZ FLORES
Mártir da Revolução
NICARÁGUA * 02/05/1979

Luis Alfonso Velásquez Flores, conhecido entre seus amigos revolucionário por “Grilo”, nascido em 31 de julho de 1969 em Manágua, em uma família humilde. Seus pais eram Daniel e Valentina Velasquez Flores. Seus irmãos eram Elias, David, Ricardo, Wilber e Socorro. Elias e David compartilharam da luta com Luis Alfonso, e sofreram na própria carne os abusos da ditadura de Somoza.

Suas palavras eram a expressão de sua firme convicção e a fidelidade aos princípios sandinistas. Sua figura pequena e delicada estava sempre nos principais dias de combate travado por seu povo para derrubar a ditadura de Somoza.

Em 1977, durante a campanha: "Natal Sem Presos Políticos". Participou de ocupação de igrejas e escolas, serviu de correio, recolheu alimentos e dinheiro para os companheiros que permaneciam em determinados centros, como protesto pelos crimes da ditadura somozista. Este seu engajamento chamou a atenção para se unir a juventude na luta revolucionária.

Luis Alfonso foi líder estudantil proeminente, por um longo tempo esteve vinculado ao Movimento Estudantil Secundário (MES), e participou da organização e fundação do Movimento Estudantil Primário (MEP), do qual foi um destacado líder.

Reservado, tenaz e disciplinado no lar, segundo seus pais, iniciou seu trabalho revolucionário distribuindo panfletos, integrou-se as manifestações e, especialmente, se dedicou a fazer propaganda para a necessidade de uma insurreição popular. Aos oito anos, devido à situação econômica de sua casa, ele deixa a escola, dedicando-se plenamente à libertação de seu povo, e por isso foi procurando pela Guarda Nacional que o perseguiu como se persegue a um combatente adulto.

Participou da insurreição de Monimbó durante 5 dias, e aprendeu a manejar um canhão de fabricação caseira. Encarregado da vigilância ele cobria a retirada de companheiros lançando bombas.

Por sua capacidade de organização e sua palavra de ordem, por seus discursos anti-somozista e anti-imperialista, por sua ação revolucionária é detectado pelo inimigo e perseguido. Em 27 de abril de 1979 estava reunido em um casa com outros revolucionários, ao sair da casa, um criminoso Somozista dispara um tiro atingindo a cabaça de Luis, e depois passou com o carro sobre o seu corpo, para dar ao crime a aparência de um acidente.

Dias depois, em 02 de maio, aos 10 anos de idade, Luis Alfonso morre, e com sua morte os ânimos de seus companheiros se acendem, e eles se levantam, elevando seus gritos de protesto por tão covarde e vil assassinato.

Nas páginas de seus cadernos se encontram o eloquente testemunho de sua conduta e seu pensamento revolucionário, como palavras de ordem com a qual agitou as massas:       

“Ter espírito cristão consciente, hoje em dia, é ter espírito revolucionário”.

“Bem-aventurado o ventre de uma mãe que deu à luz a um filho Sandinista”.

“Companheiros, é tempo de despertar, podemos ver crianças campesinas dormindo em tapetes de madeira e comer tortilhas com sal, e por isso lhes falo que lutemos para que tenhamos uma Pátria Livre”.

“Cada lugar um campo de batalha, cada brinquedo uma arma Sandinista”.

“Estamos como animais, em condições desumanas, nossos pais não têm condições de comprar livros ou cadernos, estudamos no chão, devemos erradicar este sistema”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Conrado de la Cruz e Herlindo Cifuentes

Pe. CONRADO DE LA CRUZ e HERLINDO CIFUENTES
Mártires da solidariedade
GUATEMALA * 01/05/1980

Conrado de la Cruz, nascido na cidade de Baguio, República das Filipinas em 27 de julho de 1946. Ele entrou na Congregação do Coração Imaculado de Maria em 1965 e foi ordenado sacerdote em 28 de dezembro de 1971. Foi para a Guatemala em 13 de dezembro de 1972.

Desde sua chegada ele compartilhou com as pessoas a sua opressão, os seus sofrimentos e esperanças. Trabalhou nas paróquias de San Cristobal, Diocese de Verapaz e do porto San Jose, Escuintla.

Em fevereiro de 1979 foi nomeado pároco de Tiquisate onde se dedicou especialmente aos pobres e humildes.

Pela sua coerência evangélica e compromisso, por pregar a verdade e a justiça foi sequestrado em 01 de maio de 1980 a poucos passos do Palácio Nacional. 

De acordo com testemunhas no local, os sequestradores eram seis homens a paisana, armados, que o levou junto com seu amigo Herlindo Cifuentes, jovem sacristão, em um jipe ​​Toyota, cinza. Eles dois assistiam às manifestações do Dia do Trabalhado. Desde essa data nunca mais foram vistos, enquanto o governo afirmava não ter nenhum sacerdote detido.

"... No início dos anos setenta várias paróquias da diocese de Escuintla, na costa sul, iniciou um trabalho de pastoral social através da chamada Família de Deus, inspirada na pedagogia de Paulo Freire. Este trabalho utilizava o estudo da Bíblia a partir da perspectiva dos pobres, orientando a reflexão sobre o papel dos cristãos na construção de uma sociedade mais justa".

Uma das preocupações da Igreja Católica eram as condições desumanas de trabalho (às vezes trabalho escravo) em fazendas de cana de açúcar e de algodão, e da falta de uma organização de trabalhadores temporários.

Santa Lucia Cotzumalguapa, onde estava a maioria das usinas de açúcar e onde se localizava as maiores fazendas de cana do Litoral Sul. Foi o município com o maior desenvolvimento das Famílias de Deus e mais tarde Comitê de Unidade Camponesa (CUC). 

Em fevereiro de 1980, se convocou uma greve na fazenda de cana de açúcar em Tahuantepeque, no mesmo município de Santa Lucia Cotzumalguapa. Todos os trabalhadores das fazendas de cana de açúcar e alguns algodoeiros da Costa sul aderiram à greve. Mais de 80 mil trabalhadores pararam de trabalhar exigindo um aumento salarial. 

Era neste contexto de organização, de luta pelos direitos, de conscientização dos direitos ao qual o Pe. Conrado foi capaz de comprometer-se com os sofrimentos do povo.

Por estar comprometido com este povo e por ajudá-los a tomarem consciência de que deveriam juntos lutarem por seus direitos, sempre proclamando a justiça e a paz, foi que ele caiu mártir junto com se amigo Herlindo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


Galeria dos Mártires - Ir. Moisés Cisneros Rodríguez

Ir. MOISÉS CISNEROS RODRÍGUEZ
Mártir da violência e da impunidade
GUATEMALA * 29/04/1991

Moisés Cisneros Rodríguez, nascido em Quintana de Raneros, León (Espanha). Como irmão Marista inicia seu apostolado na Escola San Alfonso. 

No Liceo Salvadorenho iniciou um belo projeto na comunidade de Atehúan. Foi fundador da comunidade de Chichicastenango.

Irmão Moisés foi assassinado no dia 29 de abril de 1991 em seu escritório. Era diretor da Escola Marista da Guatemala, na Zona 6.

Em seus 25 anos como apostolo, se dedicou as pobres, as pessoas simples, sempre atento às causas da juventude da América Central, sendo fiel a Evangelho, e isto se confirmou tal qual o texto bíblico: “Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto”. João 12:24

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.



Galeria dos Mártires - Monsenhor Enrique Alvear

MONSENHOR ENRIQUE ALVEAR
Bispo dos Pobres
SANTIAGO DO CHILE  * 29/04/1982

Monsenhor Enrique Alvear, “bispo dos pobres”, auxiliar de Santiago do Chile, perseguido pela ditadura militar de Pinochet, pastor e profeta da Igreja do Chile.

Sua preocupação constante era colocar o Evangelho no coração povo e a partir do Evangelho é que se poderia mudar os fatos da história. 

De um amor preferencial pelos pobres: os trabalhadores, camponeses, aldeões, os desempregados, as vítimas de violações dos direitos humanos. Os acompanhavam, fazendo visitas, orientando e cuidando de tod@s, independentemente da condições sociais.

Em uma de suas homilias, dizia: “Cristo me enviou para evangelizar os pobres”.


No dia 29 de abril de 1982 sendo Vigário Episcopal da Zona Oeste da Arquidiocese de Santiago, fez a sua Páscoa, cercado pela dor e o amor de seu povo amado. Hoje seus restos mortais descansar na Paróquia Beltrán San Luis, San Pablo 8971, Pudahuel Sur, Santiago.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Ir. Cleusa Carolina Rody Coelho

IRMÃ CLEUSA CAROLINA RODY COELHO
Mártir da Causa Indígena
LÁBREA – AM * 28/04/1985

Memória dos 32 anos de seu Martírio.

Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho, nasceu em Cachoeira de Itapemirim, ES, aos 12 de novembro de 1933, entrando na Congregação das Missionárias Agostinianas Recoletas em 1952.

Dedicou Cleusa seus trinta e dois anos de vida como missionária agostiniana recoleta ao serviço dos mais empobrecidos: os hansenianos, os presidiários, os cegos, os menores de rua, os drogados, os indígenas, etc.

E foi na defesa da terra e da paz indígenas que Irmã Cleusa morreu, assassinada, às margens do Rio Paciá, na Prelazia de Lábrea, AM.

Frases de Irmã Cleusa:

“A justiça tem que estar na base de toda convivência humana”..

“Comprometer-se com o índio, desprezado e explorado, é assumir firme a sua caminhada, confiante num futuro certo e que já vai se tornando presente, nas pequenas lutas e vitórias, no reconhecimento dos próprios valores e direitos, na busca da união e auto-determinação”.  

IRMÃ CLEUSA – PARA MIM
Letra e Música: Zé Vicente – sobre palavras de Ir. Cleusa

“Para mim, o importante é sempre o SER.
Para mim, buscar o máximo amor!”//
Palavra de mulher! Palavra de quem tem fé!
Palavra de quem se doou, até o fim
E foi feliz assim.

Ir. Cleusa, bendita sejas!
Em teu martírio o teu sangue ampliou
A causa santa do amor!//

“Para mim, Deus não pede pra julgar,
Mas pra ir junto ao mais pobre e partilhar!”
Veio do índio a lição de convivência e ação!
E vale a pena essa causa abraçar,
A vida inteira entregar!

“Para mim assumir firme o Caminhar
com os pobres pra suas lutas animar!
E o futuro se faz! E a vitória é da paz!
Ser pobre por opção e oração”
Traz força na vocação!

“Para mim, no despojado Deus está.
Risco grande, máximo amor eu quero dar!”
O povo-índio te amou! A Amazônia guardou!
O rio, a mata, as crianças e o céu, vão cantar,
O teu amor celebrar!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Galeria dos Mártires - Bety Cariño e Jyri Jaakkola

BETY CARIÑO - Mexicana
JYRI JAAKKOLA - Filandês
Mártires dos Direitos Humanos
OAXACO, MÉXICO * 27/04/2010

Memória de 7 anos de martírio.

Bety e Jyri integravam uma caravana humanitária e de monitoramento dos direitos humanos nas imediações da comunidade indígena de San Juan Copala, quando foram agredidos moralmente por um grupo paramilitar conhecido como UBISORT; o mesmo grupo que mantinha sitiada a comunidade. Estes defensores dos Direitos Humanos foram assassinados em um ataque armado à sua caravana de solidariedade.

Os assassinatos geraram indignação nacionais e internacional, quatro relatores da Organização das Nações Unidas falou juntos pela primeira vez na história do México, condenando o ataque e pedindo uma investigação eficaz para punir criminalmente os autores e mandantes. A comunidade diplomática Europeia falou também sobre a punição dos responsáveis pelos crimes.

O assassinato deles, evidencia a fragilidade e risco dos defensores e defensoras dos direitos de realizarem seu trabalho no México, bem como a necessidade urgente de adotar medidas adequadas para garantir o pleno exercício da defesa dos direitos fundamentais; e também fez visível a existência e operação de grupos de civis armados que atuam e atacam a população com a permissividade do Estado do México.

O acesso à justiça para as vítimas é um direito humano e a eficaz punição para os responsáveis por esses assassinatos é uma garantia para evitar que eventos semelhantes voltem a acontecer, mas principalmente para evitar que a impunidade seja uma constante em casos de ataques aos defensores dos direitos fundamentais.

Testemunhas do assassinato dos defensores dos direitos humanos estão sendo ameaçadas por familiares dos acusados. Parentes de um dos presos intimidaram duas mulheres que testemunharam perante o tribunal de direito. Disseram para as mulheres "se retratarem de seu testemunho, senão algo de ruim poderia acontecer".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Escamilla García

Pe. RODOLFO ESCAMILLA GARCÍA
Mártir da solidariedade
MÉXICO* 27/04/1977

Memória dos 40 anos de seu martírio

Rodolfo Escamilla García nasceu e foi batizado em Maravatio, Mich, no dia 24 de agosto de 1920.

Foi assassinado a bala enquanto se encontrava no escritório do Centro Social de Promoção Popular, na cidade do México, no dia 27 de abril de 1977.

Como sacerdote, formou um primeiro núcleo de militantes da Juventude Operária Católica (JOC), entre os jovens mineiros da localidade onde atuou pastoralmente. Iniciou a ação social nas comunidades rurais e indígenas dos arredores. Formou a Juventude Agrária Cristã (JAC).

Incansável peregrino da geografia de seu país, que ele percorria em busca dos irmãos oprimidos, silenciados, miseráveis, para fazer com que tomassem consciência de seus direitos.

Pe. Rodolfo fundou escolas de formação operária, cooperativas de consumo, produção e moradia. Promoveu e assessorou sindicatos.

Ele despertou a consciência tanto de seus companheiros sacerdotes, como entre os pobres, aos quais servia. Se tornou o apostolo dos operários.

Devido seu compromisso evangélico com os pobres da terra, despertou admiração entre todos aqueles e aquelas que lutavam pelos direitos fundamentais, pela vida, pela justo salário, pelos direitos humanos, por outro lado, provocou a irá por parte daqueles que exploravam o povo, e iniciaram uma campanha contra o “clero político” e ameaças ao Pe. Rodolfo.

Diante das ameaças ele disse: “Sei que me querem assassinar por lutar em favor dos operários. Não posso traí-los. Estou disposto a morrer onde e na hora em que Deus o queira”.

Viveu seu ministério sacerdotal não só em grande pobreza pessoal, senão em verdadeira austeridade e integridade. Fez de seu compromisso social um serviço ao povo, sobretudo os operários.

Durante o enterro do Pe. Rodolfo, um padre companheiro expressou: “Ele foi assassinado pela sua doação ao povo, ressuscita sempre que o povo dá mais um passo rumo à sua libertação; ressuscita no sacerdote que se compromete, no operário que eleva sua consciência de classe, nos camponeses que se unem para tornar mais fértil a terra pela qual lutaram”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir dos livros:
Sangue Pelo Povo e Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Galeria dos Mártires - Dom Juan Gerardi Conedera

DOM JUAN GERARDI CONEDERA
Mártir da Memória Histórica
GUATEMALA * 26/04/1998

Memória dos 19 anos de seu martírio.

Bispo de La Verapaz, primeiro, depois designado auxiliar de El Quiché, e finalmente auxiliar da Arquidiocese de Guatemala, distinguiu-se sempre por sua proximidade ao povo e suas causas, pela defesa dos povos indígenas e por uma inteligente atenção à problemática cultural e social do país.

Sofreu atentados e exílio e, com todos os seus agentes de pastoral, saiu temporariamente da Diocese de El Quiché, numa atitude de denúncia e protesto pelos ataques e assassinatos coletivos que vinha sofrendo aquela Igreja.

Terminado o conflito bélico da Guatemala, que durou 36 anos, Dom Gerardi participou, em nome da Conferência Episcopal, na Comissão Nacional da Reconciliação. E sobretudo levou a termo a Oficina de Direitos Humanos do Arcebispado (ODHA), que vem se preocupando das vítimas da violência e de qualquer violação dos direitos humanos. Neste contexto criou o projeto REMHI (Recuperação da Memória Histórica). 

O Informe REMHI, num trabalho exaustivo, que permitiu por primeira vez que falassem os familiares e os companheiros das vítimas de um interminável massacre, colheu 6.500 testemunhos acerca de 55.000 vítimas. Segundo este informe, o exército e grupos paramilitares são responsáveis por mais de 79% das vítimas.

Em 24 de abril de 1998, Monsenhor Juan Gerardi, apresentou o informe “Guatemala: Nunca Mais” na Catedral Metropolitana. Neste informe, responsabilizou o exército, as outras forças oficiais, as patrulhas de autodefesa civil e os Esquadrões da Morte por 90% das violações aos direitos humanos durante o conflito armado interno e atribuiu 10% aos rebeldes. 

“Guatemala: Nunca Mais é o Informe do Projeto Interdiocesano “Recuperação da Memória Histórica” (REMHI), que analisa milhares de testemunhos sobre as violações aos direitos humanos ocorridas durante o conflito armado interno. Este trabalho está sustentado na convicção de que, além do seu impacto individual e coletivo, a violência retirou dos guatemaltecos o seu direito a palavra.

Cada história é um caminho de muito sofrimento, mas também de grandes desejos de viver. Muitas pessoas vieram contar o seu caso e dizer “acredite em mim”. Esta demanda implícita está ligada ao reconhecimento da injustiça dos fatos e a reivindicação das vítimas e seus familiares como indivíduos, cuja dignidade foi retirada. Esclarecer e explicar – dentro do possível – o ocorrido, sem localizar o dano nem estigmatizar as vítimas, constituem as bases para um processo de reconstrução social. Somente assim a memória cumpre o seu papel como instrumento para resgatar a identidade coletiva. - Guatemala, 24 de abril de 1998".
  
Monsenhor Juan Gerardi Conedera, levou adiante a criação do Escritório de Direitos Humanos do Arcebispado, que cuida até hoje das vítimas da violência de qualquer violação aos direitos humanos. Neste contexto, se iniciou o Projeto Interdiocesano REMHI, ao qual o Monsenhor Gerardi se dedicava quase por completo, com a esperança de conhecer a verdade por meio de testemunhos para que o passado não se repetisse mais, já que estava convencido de que a paz e a reconciliação se dariam somente conhecendo a verdade.

Dois dias depois de apresentar o informe de REMHI na catedral arquidiocesana, foi brutalmente assassinado, destruído o seu rosto, seus olhos, seus ouvidos, sua boca, seu cérebro, num intento de apagar a quem viu, ouviu e falou a memória histórica de todo um povo mártir. Por isso Dom Juan Gerardi é legitimamente reconhecido como mártir da paz com justiça, mártir da verdade, mártir da memória histórica.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Galeria dos Mártires - Paulo e José Canuto

PAULO e JOSÉ CANUTO
Mártires da Luta pela Terra
RIO MARIA, PA * 22/04/1990

27 anos do Martírio dos Irmãos Canuto.

Paulo, José e Orlando Canuto, foram sequestrado pelo pistoleiro José Ubiratan Matos Ubirajara. Paulo e José foram assassinados dia 22 de abril de 1990 e Orlando foi ferido gravemente, mas conseguiu fugir e sobreviver.

Os irmãos Canuto eram filhos de João Canuto, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, Pará, assassinado a mando de fazendeiros em 18 de dezembro de 1985.

Ubiratan, ex-Policial Militar, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Belém, em 1994, a 50 anos de prisão pelo duplo assassinato dos irmãos sindicalista de Rio Maria, e pela tentativa de homicídio contra Orlando Canuto, ele foi preso em dezembro de 2007, na cidade de São Luís, no Maranhão.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Paulo e José Canuto de Oliveira

Posto de luto, o poeta,
No centro diagonal da praça,
Vizinho do infinito.
Posto de pedra e poeira.
De poema maciço no meio do branco.
Sólido gesto eternizando as fontes da madrugada.

À sua frente o gemido dos homens,
A sua morte lenta, refundindo os corpos.
O medo pelas casas, no olho dos meninos.
As paredes de sangue e inferno.
À sua frente o sepulcro caiado
Sem epitáfio para o perdão.

O poeta canta sozinho, para morrer.
Sua voz frequenta a brisa do silêncio,
Do desespero adornando a palavra.

À sua frente os corpos sem vida.
Nus como sempre foram.
Sem motivos para dormir.
Sós e tristes, são duas cruzes,
Brotando no cimo da escuridão...

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.