segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Galeria dos Mártires - Prudencio Mendoza, “Tencho”

PRUDENCIO MENDOZA “Tencho”
Mártir da Fé
GUATEMALA * 12/12/1983

Prudencio Mendoza, “Tencho”, seminarista de Aguacatán, mártir da fé, em Huehuetenango, Guatemala.

Foi ferido por uma bala na cabeça disparado por uma patrulha de defesa civil, morre depois de quatro horas de agonia no hospital em Huehuetenango. 

“Tencho” como era carinhosamente chamado, era Bacharel em Ciências e Letras, quando decide seguir os passos de Jesus. Entra no Seminário Maior da Assunção da Guatemala e cursava o segundo ano de teologia, quando a ditadura sangrenta de seu país o fez um mártir da Igreja. 

Entusiasta e generoso no serviço aos seus irmãos, “Tencho” é conhecido por sua alegria contagiante em todas as atividades organizadas entre seu povo. 

No dia 12 de dezembro de 1983, estava no quintal da casa de seus pais quando foi mortalmente ferido, aos 28 anos. 

Maria de Guadalupe, Padroeira da América Latina, cuja festa é celebrada hoje, recebeu “Tencho” na casa do Pai, assim como conta à tradição que ela recebeu o índio Juan Diego. E “Tencho” ressuscitado, lhe presenteou com as rosas ensanguentadas seu povo martirizado, porém, pleno de esperança na Libertação Definitiva.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Massacre de El Mozote

MASSACRE DE EL MOZOTE
Mártires e Santos Inocentes
EL SALVADOR * 12/12/1981 

Massacre de El Mozote, centenas de camponeses salvadorenhos brutalmente mortos. Rufina é uma camponesa que vê metralhar e depois decapitado seu marido e todos os homens da cidade. Testemunhando as fileiras de mulheres apertando firmemente seus filhos contra elas, enquanto se aguarda a morte. Que ouve o clamor dos filhos enquanto eles são apunhalados e enforcados. Entre eles estão crianças de nove, seis e três anos e até criança de oito meses, em que os soldados arrancam de seus braços.

Este massacre aconteceu no dia 12 de dezembro de 1981 em El Mozote, Departamento de Morazán, quando o batalhão Atlacatl entra na aldeia com ordens de matar todo mundo. Quando ao acontecido, Rufina se põe ao chão e reza: “Eu pedi a Deus para me libertar se tivesse que me libertar, e se não, para me perdoar”. E enquanto rezava o Pai Nosso foi se escondendo atrás de alguns galhos. Imóvel. Paralisada. Prendendo a respiração. Sufocando as lágrimas. De lá, ouvindo os gritos penetrantes de mulheres. Depois os gritos das crianças. Reconhece a voz de seus filhos, chamando. Quando pára os gritos e soluços, sobe a grande fogueira. Primeiro na igreja, onde mataram os homens. Depois na casa de Israel Marquez, onde eles haviam colocado as mulheres. “Não deixe nada sem queimar” ouviu Rufina. As chamas voam sobre ela, e os soldados. Os bezerros e cães fogem aterrorizados. E foge também Rufina que corre sem parar.

Chega a Jocote Amarelo e ali permanece durante todo o dia. Caminha de noite, sem encontrar gente e nem abrigo. “Devido à dor dos meus filhos, a dor de tudo o que tinha acontecido, não me dava fome, não me dava sede, não sentia nada. Ali fiquei sete dias, quando pude encontrar pessoas e sair do exílio, e regressar a este tempo de 1990”, diz Rufina. 

Graças a seu testemunho se pode reconstruir o massacre de 1.200 camponeses, na sua maioria idosos, mulheres e crianças.

El Mozote é "terra arrasada", e tornou-se terra dos mártires e santos inocentes salvadorenhos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/






Galeria dos Mártires - José Serapio Palacios

JOSÉ SERAPIO PALACIOS
Mártir da Causa Operária
ARGENTINA * 11/12/1975

José Serapio Palacios, "Pepe", Presidente da Juventude Operária Cristã, JOC, membro do Secretariado Latino-americano do Movimento Operário de Ação Católica, MOAC, casado e pai de três filhos, trabalhador metalúrgico, até o momento de ser sequestrado aos 52 anos, em Ciudad Jardín, na Grande Buenos Aires. 

Apaixonado, criativo, alegre, "Pepe" aprendeu o seu ofício na Escola dos Salesianos de Córdoba e entra na fábrica de aviões da aeronáutica.

Dois encontros marcam sua vida: primeiro com o padre Enrique Angelelli - depois bispo e mártir – e o segundo com a JOC. 

Sua liderança e convicções o torna gerente de fábrica. Uma greve por melhores salários e condições de trabalho lhe causa a primeira demissão. Decide viver na Grande Buenos Aires, em uma região de operários. Um companheiro seu disse: "Pepe sente que ali poderia cumprir o lema de sua vida. Buscai o Reino de Deus e sua justiça e o resto se consegue". Como operário qualificado encontrar trabalho em grandes fábricas, porém, de todas é dispensado, quando recebem os relatórios de sua atuação como operário consciente de seus direitos e militante sindical.

Marcado por sua combatividade sindical, custa conseguir trabalho estável. Ele fica sendo uma pessoa visada para as grandes fábricas, por estar preocupado com a justiça e o direito de seus irmãos. A partir de então só consegue trabalho em pequenas oficinas. 

Militante de base e fundador da Ação Sindical Argentina, (ASA) e do Comitê Intersindical Cristão. Devido sua militância nos sindicatos, tinha que viajar frequentemente, e em 1975 participou em três conferências internacionais.

Na manhã de 11 de dezembro, beija as crianças que estão dormindo e sua esposa Amalia e sai para o trabalho. Desde de então nunca mais retornou, segue desaparecido. 

O Papa, os bispos, os trabalhadores do mundo perguntam por “Pepe” ao governo argentino. Não tem resposta. Sabemos apenas que vive nos corações dos trabalhadores.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Pe. Gaspar García Laviana

Pe. GASPAR GARCÍA LAVIANA
Mártir das Lutas Pela Libertação do Povo
NICARÁGUA * 11/12/1978


Gaspar García Laviana, sacerdote espanhol de Oviedo. Missionário na Nicarágua desde 1970 e membro da Frente Sandinista de Libertação. Morreu em combate com a Guarda Nacional.

Durante seu trabalho pastoral em San Juan del Sur e Tola denunciou constantemente a exploração em que vivia seu povo de adoção. 

Foi expulso várias vezes do país. A última vez, em julho de 1978, e a sua residência na Espanha serviu para amadurecer sua decisão de se incorporar na Frente Sandinista como combatente.

Ingressou clandestinamente na Nicarágua, escreveu uma carta a seus paroquianos e outra aos religiosos e sacerdotes, explicando as causas de sua opção. Desde então é o "Comandante Martín". Apreciadíssimo no acampamento por sua alegria e por ser o primeiro no combate e o último na retirada. 

Sacerdote até o fim, seus superiores (Missionários do Sagrado Coração) nunca o cobrou para que escolhesse entre seu sacerdote e a luta armada pela libertação de seu povo. 

"Em minha vida encontrei duas comunidades bem diferentes, ambas porém apaixonantes: a religiosa, onde sinto que me querem bem e me respeitam; e a sandinista, onde tenho grandes amigos do peito, onde repartimos tudo, onde diariamente colocamos a vida em jogo.

Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

Galeria dos Mártires - Manuel de Jesús Guerra Arita

MANUEL DE JESÚS GUERRA ARITA
Mártir da Terra e da Justiça
HONDURAS * 08/12/1991

Manuel de Jesús Guerra Arita, ativista camponesa. Vice-Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Campo, CNTC. Morto na estrada, quando retornava à San Pedro Sula, numa noite de domingo. Na ocasião estava coordenando atividades de sua organização em solidariedade com a greve do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Nacional de Energia Elétrica. 

A polícia recolheu seu corpo e levou para o necrotério para o enterro e corre para dar a noticia oficial. Há relatos de que a morte do líder é devido a um "acidente de carro". Porém, os companheiros de Manuel de Jesús, as organizações populares e dos direitos humanos tem a certeza de estar diante de outro assassinato e pedem uma autópsia para determinar a verdadeira causa de sua morte.

O resultado é totalmente contrário ao relatório da polícia: Manuel de Jesús morre por consequência de uma bala, disparada a "curta distância". Os diretores da CNTC encontram vestígios de um segundo veículo no asfalto da estrada, que o vinha perseguindo e forçado a voltar, que o fez cair em um barranco. Ali os assassinos pode efetuar de perto o disparo, numa altura em que Manuel de Jesús poderia estar inconsciente devido ao choque causado pelo capotamento.

"assassinato de Manuel de Jesús ocorre em circunstâncias de repressão política ordenada pelo governo", declaram os seus pares. Os camponeses que foram dar a sua vida como outro Jesus, sabem que o seu testemunho os incentivam a lutarem pela justiça.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Ir. Alicia Domont e Ir. Leonie Duquet

Ir. ALICIA DOMONT e Ir. LEONIE DUQUET
Mártires da Solidariedade com os Desaparecidos
ARGENTINA * 08/12/1977


Ir. Alicia Domont
Alicia Domont, religiosa Francesa das Missões Estrangeiras, trabalhou na Argentina desde 1967. Sequestrada com outra religiosa da mesma congregação, Leonie Duquet e 12 familiares de desaparecidos, depois de uma reunião na paróquia de Santa Cruz, em Buenos Aires.

Alicia foi a primeira freira a morar em um bairro pobre de Buenos Aires, para trabalhar e viver lá com e como os pobres. Sua vida foi dedicada ao serviço dos pobres, primeiro no campo e, em seguida, nas favelas de Buenos Aires. 

Ela acompanhou as mães dos desaparecidos em manifestações e marchas de protesto. De maneira especial, ela se importava com as famílias dos desaparecidos e presos políticos. Em uma ocasião ela foi detida por 24 horas por policiais, sem qualquer razão. 

Ir. Leonie Duquet
No dia 8 de dezembro de 1977, ao sair da Igreja de Santa Cruz em Buenos Aires, foi levada pela polícia junto com a religiosa, sua companheira e, desde então, não existe qualquer informação oficial sobre ela ou sobre Ir. Leonie Duquet. 

Porém, se sabe que ela foi torturada e morreu durante a tortura. Seu corpo está desaparecido. Leonie foi preso e morto no dia 10 de Dezembro.

Em sua última carta Ir. Alicia escreveu: "Sinto-me verdadeiramente em comum com tantas famílias que sofrem o mesmo drama. Tratamos de encontrar a resposta do Senhor à luz do Evangelho... Nossa oração deve estender-se a todos e expressar-se de formas diversas: uma greve de fome, uma concentração, uma carta aberta aos bispos, etc. Estou convencida de que esta situação de paixão está profundamente unida à de Cristo e que ela precede à da Ressurreição".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Alba Garófalo e Eduardo Daniel Placci

ALBA GARÓFALO e EDUARDO DANIEL PLACCI
Mártir da Causa dos Pobres
Buenos Aires * 08/12/1976
 
Alba Noemi Garofalo Cattenazzi Placci, nasceu em Remédios de Escalada, Buenos Aires, em 22 de janeiro de 1954. Militante metodista. 

Eduardo Daniel Placci, seu esposo nasceu a 21 de maio de 1955, em Venado Tuerto, Santa Fé. Em 1976 nasceu seu primeiro filho, Nicolas. 

Ela em sua juventude militou no JUP. Ele militou no JTP e foi delegado da agremiação SMATA. 

Ambos lutaram no JP e, em seguida na organização Montoneros. 

Foram sequestrados em 08 de dezembro de 1976 em sua casa em San Martin, subúrbios da zona norte de Buenos Aires.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Galeria dos Mártires - Nelson Mandela

NELSON MANDELA
Símbolo da Liberdade e do Direito
Johannesburgo, África do Sul​ * 06/12/2013

Nelson Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Seu nome verdadeiro é Rolihlahla Madiba Mandela. Principal representante do movimento antiapartheid, considerado pelo povo um guerreiro na luta pela liberdade. Era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort, cidade com escolas que recebiam a maior parte da realeza Thembu, e ali se interessou pelo boxe e por corridas. Após se matricular, começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante de direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade – documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros militantes. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para o Marrocos e Etiópia para treinamento paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela negou).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois se casou com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª, a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS.

A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de artistas e celebridades engajadas nessa luta.

Nelson Mandela faleceu em 2013 aos 95 anos em sua casa na África do Sul.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Charles de Foucauld

CHARLES EUGÈNE DE FOUCAULD
Místico e Mártir
ARGÉLIA * 01/12/1916

Charles Eugène de Foucauld nasceu em 15 de setembro de 1858 em Estrasburgo, França. De família nobre, aristocrática, fica órfão de pai e mãe em 1864 e seus cuidados fica a cargo dos avós. Aos 16 anos escolheu a carreira militar, frequenta a Escola Militar de Saint-Cyr e foi combatente na África do Norte. 

Com a morte de seus avós, herdou uma pequena fortuna, que rapidamente se foi, devido a vida de libertinagem, regada de bebidas e prazeres.

No ano de 1883 deixa o Exército e viaja para Marrocos, na África, país fechado aos ocidentais. Para viver ali por dois anos teve que se disfarçar de judeu russo, corrento todos os perigos. Esta sua viagem de exploração rendeu uma obra etnológica muito apreciada: "Reconnaissance au Maroc", (Gratidão ao Marrocos). E chega a receber uma medalha da Sociedade Francesa de Geografia em reconhecimento ao trabalho de investigação no Norte de África. 

Seu contato com a cultura Islã produziu nele uma profunda reflexão e comoção e sobre isto ele escreve: "A visão dessa fé, dessas almas vivendo continuamente na presença de Deus, fez-me antever algo maior e mais verdadeiro que as ocupações mundanas". A religiosidade muçulmana poderia indicar caminhos ao qual ele estava a procura.

Em 1886, em Paris, encontrou a prima Maria de Bondy e o Padre Huvelin, que o acompanharam na conversão ao cristianismo: "Desde o momento em que acreditei que havia um Deus, entendi que não poderia fazer outra coisa que viver somente para Ele"

Charles decide viver apenas para servir a Deus, e no ano de 1890 ingressou como noviço no Mosteiro Trapista de Nossa Senhora das Neves. Nesta Ordem estabelece-se na França, e depois na Síria. Numa radicalidade evangélica ele expressa: "Eu quero gritar o Evangelho com toda minha vida".

Abandonou o Mosteiro e foi à Terra Santa. Lá, sentiu-se mais próximo de Jesus e adotou a vida de pobreza total. Foi aceito no Mosteiro das Irmãs Clarissas de Nazaré, trabalhando nos serviços gerais.

No ano de 1901 foi ordenado sacerdote, volta ao deserto do Saara, na Argélia, primeiro em Beni Abbès e, depois, em Tamanrasset, entre os tuareg.

O Irmão Charles procura mergulhar na vida dos pobres, pobre entre os pobres, e, para isso, escolhe morar entre os tuareg, se faz um deles, estudando sua cultura e falando sua língua, deixando aberta a porta a todos os que queiram entrar. Assim, torna-se amigo deles, em particular do seu chefe, Moussa; eles o chamam marabuto (homem de oração, homem de Deus), identificando-o com uma das figuras típicas da sua tradição religiosa. 

Em certo sentido podemos dizer que ele foi um precursor da inculturação, não por elaboração intelectual, mas por intuição evangélica. Assim como podemos também dizer que ele foi o precursor do Macroecumenismo, isto muito antes do Concílio Vaticano II. Dizia ele: "Estou aqui não para converter os tuarengues, mas para tentar compreendê-los. Acredito que o bom Deus acolherá no céu aqueles que forem bons e honestos. Os tuarengues são muçulmanos, mas Deus receberá a todos, se merecermos". Em uma outra afirmação sua explica em profundidade o espírito que o guia: "Os não-cristãos podem ser inimigos de um cristão, um cristão é sempre tenro amigo de todo ser humano".

Ele tinha o desejo de criar uma nova ordem religiosa, que fosse capaz de viver o radicalismo evangélico, a vida simples, o acolhimento aos irmãos e irmãos independente de sua confissão religiosa ou não, o compromisso com os excluídos. Porém, isso acontece somente muitos anos depois de sua morte.

Charles de Foucauld foi brutalmente assassinado no dia  de dezembro de 1916 com um tiro na cabeça por um bando de guerrilheiros inimigos dos franceses. 

Por volta de 1933 foi redescoberto por René Voillaune, assim nasce a Fraternidade dos Pequenos Irmãos de Jesus, ou apenas Pequenos Irmãos de Jesus; Irmãs do Sagrado Coração de Jesus de Charles de Foucauld; Irmãzinhas de Jesus de Charles de Foucauld e os Irmãos do Evangelho. 

Há também a Fraternidade Leiga, que integra aqueles que não fazem votos religiosos, mas que vivem a espiritualidade deste "Irmão Universal", sobretudo no compromisso de servir os mais pobres da sociedade.

A Santa Sé considerou venerável Charles de Foucauld, em 2001, e no dia 13 de novembro de 2005 o Papa Bento XVI o beatificou.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Miguel Angel Soler

MIGUEL ANGEL SOLER
Médico e Militante Político
PARAGUAY * 30/11/1975

Miguel Ángel Soler, médico e um político que militou no Partido Comunista do Paraguai. Foi assassinado no tempo da ditadura de Alfredo Stroessner no ano 1975.

Nasceu em Assunção no ano de 1923, foi um político paraguaio que militou primeiramente no Febrerismo, movimento político socialista e, em seguida, na década de 50, passando para o Partido Comunista paraguaio. Segundo algumas fontes, ele tinha vivido fora do país quando Alfredo Stroessner assumiu o poder em 1954. Ele vivia em Montevidéu, e depois passou a residir em Moscou, então capital da União Soviética. 

Em 30 de novembro de 1975, foi preso no bairro Herrera, em Assunção, em uma casa na rua 14 julho. O comando policial, composto pelo conhecido comissário da polícia política do ditador Stroessner, Camilo Almada Sapriza, entrou na casa quando Soler realizava uma reunião secreta com o Secretário-Geral da Juventude Comunista paraguaio, Derlis Villagra, e Rubén González Acosta, outro membro do partido. Os dois últimos conseguiram escapar. No entanto, Soler foi preso, e naquela mesma noite foi enviado para o terceiro Comissário.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Luis Adolfo Jaramillo e Companheiros

LUIS ADOLFO JARAMILLO e COMPANHEIROS
Mártires Operários
CHILE * 29/11/1976

Luis Adolfo Jaramillo, militante cristão chileno de 41 anos radicado na Argentina, pai de 6 filhos e companheiros argentinos operários, ficaram desaparecidos durante 14 anos.

A partir do golpe militar em 24 de março de 1976, a repressão entra na fabrica com o objetivo de eliminar dirigentes e operários consciente.

Héctor Pérez e Francisco Carrizo, jovens operários que protestaram pelo desaparecimento de Luis tiveram a mesma sorte.

Segundo testemunha foram torturados com choques elétricos e golpes, ficando sem água durante dias.


Seus restos mortais foram encontrados numa vala comum com 250 cadáveres apresentando impactos de balas.
Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Pablo Gazzarri

Pe.  PABLO GAZZARRI
Mártir e Servidor do Povo
ARGENTINA * 29/11/1976

Pe.  Pablo Gazzarri, argentino, integrante da Comunidade dos Irmãozinhos do Evangelho, à qual se incorporou depois de exercer seu ministério sacerdotal na arquidiocese de Buenos Aires.

Foi sequestrado ao descer do carro de sua família, em frente a sua casa paterna, em pleno centro da cidade. Seu desaparecimento foi imediatamente comunicado ao Núncio apostólico, bem como ao arcebispo de Buenos Aires e parece que as autoridades militares reconhecem em principio sua detenção.

Foi levado para a prisão da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA)

Após o golpe militar de 1976, a perseguição aos padres comprometidos foi aberta. Dezenas deles foram mortos (os Padres Palotinos de San Patricio, Pe. Carlos Mugica, Monsenhor Enrique Angelelli) e muitos outros desapareceram. 

Pablo estava muito consciente de que a qualquer momento ele poderia ser morto ou desaparecido, tendo em conta os mesmos compromissos assumidos por ele, tal qual Mugica, Angelelli, entre outros.

Ele se definia como "sacerdote montonero", e, tentou com Jorge Adur implantar o Movimento de Cristãos para a Libertação – semelhante aos Cristãos pelo Socialismo na Argentina. 

No mesmo dia em que deixou de pertencer ao clero diocesano de Buenos Aires e integrou à comunidade dos Irmãozinhos de Evangelho foi sequestrado. Isso intentou a uma forte suspeita de um "acordo" entre as Forças Armadas e o Cardeal de Buenos Aires, Aramburu, de que não tocassem em nenhum dos "seus" sacerdotes (os outros casos alertaram ainda mais a suspeita). 

A declaração de "arrependido" Captãon Scilingo, afirmou que ele foi detido na Escola de Mecânica Naval, e foi levado no "vôo da morte". (As pessoas eram drogadas e lançadas vivas no Rio de la Plata).

Seus companheiros de sacerdócio recordam seu espírito de serviço, sua alegria e sua opção pelos meios populares, aos quais sempre esteve ligado.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.