sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Gerardo Poblete Fernández

Pe. GERARDO POBLETE FERNÁNDEZ
Mártir da Paz e da Justiça
CHILE * 21/10/1973

Sacerdote salesiano chileno de 31 anos. Assassinado por espancamento em Iquique. Vítima de violação dos direitos humanos por parte de agentes do governo. Detido porque estava “espionando” um regimento do exército, quando na realidade o sacerdote e um seminarista olhavam um campo de esporte, com um binóculo.

Seu superior foi imediatamente à cadeia e encontrou Gerardo, que jazia no chão de uma cela, quase inconsciente, com uma ferida na cabeça. Atendeu-o espiritualmente e tratou de procurar um médico. Mas tudo inútil, Gerardo morreu logo depois.

Após os funerais o exército emitiu um documento em que o acusou de espionagem e de ter armas ilegais, declarando que sua morte foi causada pela ferida sofrida ao cair do veículo em que era transportado com as mãos atadas.

Um de seus carrascos confessaria mais tarde: “Espancávamos o pobre sacerdote que dizia: ‘Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem’”.

Na realidade, as verdadeiras acusações contra Gerardo eram de “marxista” e de “envenenador da mente dos jovens”.

Os que o conheceram de perto, ao contrário, afirmam que era um apaixonado pela justiça, parecendo às vezes até “irreverente”. Doutrinalmente seguro, estudioso, professor dedicado, amigo, um sacerdote autentico.

Texto do livro: Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Mariano Ferreyra

MARIANO FERREYRA
Mártir da Solidariedade
ARGENTINA * 20/10/2010

Mariano Ferreyra, 23 anos, jovem militante da solidariedade aos trabalhadores.

Participou de uma manifestação de corte de funcionários da cooperativa União Railway.

Um bando armado, sob as ordens da União Ferroviária tinha ido ao tribunal. Eles tinham a cumplicidade dos policiais da delegacia do 30º Batlhão da Policia Federal.

Quando os manifestantes se retiraram, a gangue pulou sobre eles e Mariano foi baleado no peito que levou à sua morte.

No ataque foram também feridos mais três manifestantes: Elsa Rodriguez, Nelson Aguirre e Ariel Pintos.

Sua morte foi lamentada por todo o país, bem como o nome e o rosto de Mariano Ferreyra segue estampada em bandeiras, pichações, páginas da internet e marchas.

Militou no Partido Trabalhista desde os 14 anos. Tornou-se um símbolo da luta dos trabalhadores e dos direitos humanos através de mobilizações de massa.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Oliverio Castañeda de León

OLIVERIO CASTAÑEDA DE LEÓN
Mártir da Liberdade
GUATEMALA * 20/10/1978

Oliverio Castañeda de León, líder da Associação de Estudantes Universitários (AEU), da Universidade de San Carlos da Guatemala.

Foi brutalmente assassinado no centro da Cidade da Guatemala, na frente de pelo menos 15 mil testemunhas. 

Uns 30 homens fortemente armados participaram do crime. Oliverio tem ao longo dos anos se tornado um símbolo da luta pela liberdade. 

Em sua homenagem a Associação de Estudantes Universitário agora leva seu nome.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Galeria dos Mártires - Fulgêncio Manoel da Silva

FULGÊNCIO MANOEL DA SILVA
Um líder inesquecível!
SANTA MARIA DA BOA VISTA - PE * 16/10/1997

Memória dos 20 anos de seu martírio.

Fulgêncio Manoel da Silva, 61 anos, era um homem do povo, da luta e de Deus. Dedicou 27 anos de sua vida ao movimento sindical na região de Itaparica, Submédio São Francisco e construiu um legado inestimável de amizades e de conquistas sociais junto com trabalhadores/as e suas organizações sindicais.

A principal delas foi o Reassentamento de Itaparica, através do “Acordo de 86”, como ficou conhecido, garantindo aos trabalhadores/as o direito à permanência na terra com casas, lotes irrigados, área coletiva para agricultura de sequeiro, indenizações, linhas de crédito, assistência técnica e o acompanhamento direto das entidades representativas no processo de relocação das famílias. Sonhava e acredita com um reassentamento livre, forte, produtivo, com viabilidade econômica e social e pregava a autogestão dos projetos. Combativo, não se cansou de dizer não às privatizações do governo, ao desrespeito com trabalhadores/as, à ganância dos latifundiários e à violência.

Sua luta em defesa dos direitos dos atingidos pela barragem de Itaparica e pela cidadania dos trabalhadores/as rurais foi lembrada com a premiação “Medalha Chico Mendes de Resistência 2000”, criada em 1989 e que é entregue todos os anos a 10 personalidades ou instituições latino-americanas que se destacam na luta pelos direitos humanos.

Durante toda a sua trajetória como líder sindical, sempre agiu com simplicidade, humildade e dignidade, buscando conquistar através do diálogo os direitos do povo. Quando este cessava (o diálogo), a pressão e ocupação eram as únicas saídas encontradas; mas, sem perder a ternura. Esse jeito de lidar com as pessoas e as questões sociais era próprio de Fulgêncio que cultivava cada vez mais admiração e respeito de quem o conhecia. Sentimentos, estes, explícitos no texto de Creusa Lopes (2007): “Conheci “seu Fulgêncio” em 1991 quando vim trabalhar no Sindical, desde o inicio senti por ele uma grande admiração e respeito. A agrovila 43 passou a ser “meu quartel general”, ficava semanas inteiras na casa de dona Zefinha (sua irmã) e seu José Lima; juntos trabalhávamos nas agrovilas incentivando os/as reassentados/as a lutarem por suas terras e seus direitos. E com ele fui aprendendo muitas coisas e vendo meu respeito e admiração aumentar”.

É a este companheiro de todas as horas, homem sonhador, líder exemplar que doou a sua vida em favor de muitos, participando diretamente dos Sindicatos de Floresta (1970-1988) e Santa Maria da Boa Vista (1988), Coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragem - MAB (1990-1993), integrante da direção do Polo Sindical (1998), dentre outras atuações importantes, que o Polo Sindical dos/as Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco – PE/BA, quer homenagear a cada 16/10, em que se faz memória do seu brutal assassinato; querendo, sobretudo, externar o sentimento de gratidão por tudo aquilo que Fulgêncio construiu junto com os trabalhadores/as da nossa região, deixando um legado material, social, educacional e cultural imensurável.

Esse legado eternizou-se em seus versos, prosas e poesias por meio do Cordel, dos quais se aproveitava também para denunciar e conscientizar os trabalhadores. Dentre suas principais obras estão: “A cesta do governo Collor”; “Idéias para acabar com a seca”; “O acampamento na Hidroelétrica de Itaparica” e “Autogestão”.

“A todos reassentados
Preste bem atenção
A tudo que eu vou falar
Nessa minha narração
No meus versos vou falar
Pra juntos nos preparar
Pra futura autogestão.

Pra quem não sabe o que é isso
Eu quero aqui explicar
Auto quer dizer dono
 Com direito de mandar
E nessa outra questão
Que se chama de gestão
Quer dizer administrar”.
 (Trecho do verso de Fulgêncio “Autogestão”)

Os versos do passado nos remetem a uma profunda reflexão no presente da capacidade, sensibilidade e sabedoria deste líder em fazer a leitura da vida e dos acontecimentos a partir da caminha e da luta dos trabalhadores/as, das suas aspirações por políticas públicas que contemplem os menos favorecidos e pelo envolvimento da sociedade como um todo nos momentos decisivos para o rumo do País. A autogestão dos projetos de reassentamentos defendida, propalada e alertada por Fulgêncio ontem é realidade hoje, e nos chama a atenção para o posicionamento vigilante e combativo na defesa dos trabalhadores/as, mesmo diante de um governo popular. Para isso, é preciso a manutenção do foco, o surgimento de novos líderes, do resgate das bandeiras de luta através da reorganização dos movimentos, pois, a caminhada ainda é longa, os percalços ainda existem e no jogo de interesses os trabalhadores só ganharão se estiverem unidos e organizados.

Fulgêncio sempre foi referenciado e homenageado em várias obras populares pelos poetas do povo como ele, de companheiros de luta, grupos, movimentos sociais e amigos, como no poema: Fulgêncio, toda hora, todo dia! de Tenório da Silva.

Fulgêncio só deixou exemplo
a ser seguido
sua vida foi um poema
de rimas e versos bonitos
só cantou a liberdade
deve está mais Castro Alves
fazendo versos pra Cristo

Vamos todos fazer
o que Fulgêncio queria
conscientes e unidos
viver a cidadania
mostrar que sua luta
não foi em vão
e que Ele vive em nosso coração
toda hora, todo dia!

“Sempre lembramos com pesar do companheiro que nos deixou, mas também devemos aproveitar para avaliarmos melhor as nossas ações e os nossos compromissos com reassentamento de Itaparica à luz dos ensinamentos, da dedicação e dos sonhos de Fulgêncio que também são nossos. A ele a nossa gratidão e a certeza de que a semente que ele plantou continua germinando em nossos corações, em nossas almas e em nossas lutas por justiça, igualdade, fraternidade, viabilidade econômica nos projetos, pois, o sonho não acabou!”, enfatizou Nunis, atual Coordenador do Polo Sindical-PE/BA.

Assim como a amiga Lopes, queremos pedir ao Inesquecível Líder Fulgêncio Manoel da Silva que de onde estiver estenda o seu inseparável chapéu para cobrir e marcar com o sinal da esperança, da justiça e da paz todos os reassentados de Itaparica que continuam a lutar, sem cessar, acreditando em melhores dias.

Por Josiel Araújo Santos - Comunicador Popular/Polo Sindical-PE/BA
Fontes: Creusa Lopes, Texto: A Gente se Acostuma, mas não devia. 10/10/2007. 
Arquivos: Boletim Informativo do Polo Sindical dos Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco-PE/BA.

Galeria dos Mártires - Yaminer Suruí

YAMINER SURUÍ
Mártir da Terra
ARIPUANÃ-MT * 16/10/1988

Yaminer Suruí, cacique de 70 anos, assassinado com 20 tiros, teve seu corpo queimado e reduzido a 20 centímetros, demostrando a que ponto chega a crueldade humana. 

Suruí,cacique
A terra, teu destino, te guarda
depois do fogo, como pedra luzente, itabará.
Pequeno como um vapor
Cercas a tua taba num cardume de sombra.
Baixada sob os mucuris.

Rio pedregoso te solta na planície
Polindo a pedra do Bariri.

Teu vocal calou as intempéries
Abrindo os voadouros dos canários.

Fez bom tempo. Hora de levantar!

Raizes: memória dos mártires da terra, Jelson Oliveira, Ed. Loyola

Galeria dos Mártires - Pe. João Bosco Penido Burnier

PE. JOÃO BOSCO PENIDO BURNIER
Jesuíta Missionário, Mártir
RIBEIRÃO CASCALHEIRA – MT * 11-12/10/1976

Era a tarde do dia 11 de outubro de 1976. Duas mulheres sertanejas, Margarida e Santana, estavam sendo torturadas na cadeia-delegacia de Ribeirão Bonito, Mato Grosso, lugar e hora de latifúndio prepotente, de peonagem semi-escrava e de brutalidade policial.

A comunidade celebrava a novena da padroeira, Nossa Senhora Aparecida. E nesse dia haviam chegado ao povoado o Bispo Pedro e o Padre João Bosco Penido Burnier, mineiro de Juiz de Fora, jesuíta, missionário entre os índios Bakairi. Os dois foram interceder pelas mulheres torturadas. Quatro policiais os esperavam no terreiro da delegacia e apenas foi passível um diálogo de minutos. Um soldado desfechou no rosto do Padre João Bosco um soco, uma coronhada e o tiro fatal.

Em sua agonia, Padre João Bosco ofereceu a vida pelo CIMI e pelo Brasil, invocou ardentemente o nome de Jesus e recebeu a unção. Foi morrer, gloriosamente mártir, no dia seguinte, festa da Mãe Aparecida, em Goiânia, coroando assim uma vida santa. Suas últimas palavras foram as do próprio mestre: “Ofereço minha vida pelo CIMI..., pelo povo do Brasil... Acabamos nossa tarefa!”

Frases do Pe. João Bosco:

- “Temos que nos inculturar (no povo indígena) para poder transmitir o Evangelho e descobrir na vida dos índios os valores evangélicos; não nos desvencilhamos do nosso contexto cultural...”.

- “O essencial da vida cristã é que haja vida. Não é um “resultado”, também não é uma “semente” – é a vida daquele povo concreto informado pelo Espírito do Evangelho...”.

- “Levamos sobre nós um pecado histórico que só com o testemunho da vida poderemos superar”.

- “Não é a partir de um povo destruído que se vai a estabelecer uma missão”.

- “A encarnação já é evangelização”.

- “...Contra esses abusos da autoridade e da falsa justiça, temos que opor nossos protestos e a nossa ação pública; mesmo com o risco de ficar-nos expostos a represálias e à incompreensão das “autoridades”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Galeria dos Mártires - Marta Juana González de Baronetto

MARTA JUANA GONZALEZ DE BARONETTO e Companheiros
Mártires do Serviço
ARGENTINA * 11/10/1976

Marta Juana González de Baronetto, nasceu em 05 de maio de 1950 em Guasapampa, Departamento de Minas, província de Córdoba. 

Professora e Catequista, muito comprometida com o povo.

Ela tinha dois filhos e estava grávida de quatro meses. Foi sequestrada e presa em agosto de 1975, levada ao D2 onde ficou vários dias e, em seguida, mudou-se da prisão de San Martin. O filho Lucas Ariel nasceu na UP1 em julho de 1976.

No dia 11 outubro de 1976, aos 26 anos foi morta com os companheiros Oscar Jorge Garcia, Pablo Balustra, Florencio Esteban Diaz, Miguel Ceballos e Oscar Hubert.

A vida de Marta é toda marcada pelo compromisso cristão, que a leva a um compromisso político, numa época em que se vislumbra o triunfo de um movimento que defende a justiça social e participação popular. Ela era dinâmica, alegre e ativa. 

Atuou como professora na escola de seu bairro, "São José Operário". Também trabalhou em tarefas de alfabetização impulsionada pela paróquia onde ela era catequista. 

Tanto na escola como na paróquia participa de todas as atividades que significasse a conscientização e organização dos vizinhos, por melhores condições de vida. Via a educação como uma tarefa participativa e libertadora das crianças, seus pais, da paróquia e do bairro. Além disso, a paróquia está onde ela atuava estava preocupada com a alfabetização de adultos desde o final dos anos 60. Marta também participou do sindicato dos professores, para que a escola fosse reconhecida oficialmente e seus professores recebessem seu justo salário.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Galeria dos Mártires - Che Guevara

CHE GUEVARA

MEMÓRIA DOS 50 ANOS DE SEU MARTÍRIO













Galeria dos Mártires - Paco Cutumay

PACO CUTUMAY
Mártir, Poeta e Músico Trovador
EL SALVADOR * 08/10/1996

MEMÓRIA DOS 20 ANOS DE SEU MÁRTIRIO

¡Paco Cutumay, poeta, músico trovador revolucionario que se eleva como su piscucha en cada octubre! (Por su hermana Mariposa)
Vida que salta y corre como liebre espantada y al acecho
Vidas en esqueleto viviente respirando como si hoy es su último aliento
Vida que bajo el sol inclemente tiemblan de frío...frío...
Noble vida ejecutada por matones de oficio
aquél 8 de octubre del año 96 en San Miguel, retumba la memoria.
El trovador vivió y murió buscando la ilusión
de liberar a su pueblo del dominio explotador
y en esa entrega sufrió la peor de la traición
mataron su cuerpo y Paco resurgió en cada
octubre de piscuchas que se elevan hasta el cielo,
infinito cielo, vuela y vuela la piscucha.

Su vida sigue rumbeando en cada recuerdo nuestro
su muerte viviendo en las calles del bullicio
y del silencio, su ejemplo alcanzó la altura del abismo infinito
su vida baila y canta, lucha y resiste
baila y canta al son de la muerte que con él se ríe.
Duele tu muerte y más duele que de allí para acá
la asquerosa impunidad sigue campante,
nuevos ricos, nuevos pobres,
nuevas luchas y los mismos ideales; Paz con justicia social,
vuela la piscucha hasta el infinito con el recado
dale saludos Paco a las heroínas, a los héroes.

Mariposa.



MARAVILLOSA CANCIÓN DEDICADA AL PAJARITO ROJO!!!...CANTA EL GRUPO MUSICAL DE LA ESCUELA PACO CUTUMAY!!!.-

VEAN A NUESTRA HUMILDE Y NOBLE POBLACIÓN DE MORAZÁN ACOMPANIANDO A SU HÉROE PAQUITO Y DEMÁS CAÍDOS!!!. MUCHAS GRACIAS MUCHACHOS!!!.



Galeria dos Mártires - Nestor Paz Zamora

NESTOR PAZ ZAMORA
Mártir das Lutas de Libertação de seu Povo
BOLÍVIA * 08/10/1970

Nestor Paz Zamora, filho de um general boliviano. Fez estudos teológicos, vinculou-se desde cedo ás Fraternidades de Charles de Foucauld e era estudante de medicina quando se incorporou á guerrilha de Teoponte, onde morreu de fome. 

Toda sua vivência de cristão místico e militante está admiravelmente contida nas páginas do Diário que dedicou à sua esposa, Cecy. Um verdadeiro testamento de espiritualidade libertadora. Irradiava o sentido transcendente que ele encontrou em sua luta pela “terra nova”, onde o amor fosse à lei fundamental.

Em 12 de agosto escreveu: “Sou um fermento que vai trabalhando muito por igual. Esta é pelo menos a sensação que tenho. Uma grande paz e tranquilidade me invadem. Estou ‘vitalmente’ passando da ideia da ‘morte’ como diminuição para a ideia da ‘morte’ como plenitude e passo a uma nova dimensão. Não a procuro, mas se vier a esperarei com a serenidade e a tranquilidade que merece tal momento, e mesmo lhe pedirei que avise a eles que passei ao Pai, que o ‘Vem, Senhor Jesus’, tornou-se realidade em mim”.

De seu diário de guerrilha:

Sábado, 12 de setembro
Meu querido Senhor:
Estou escrevendo depois de muito tempo. Hoje de fato me sinto necessitado de ti e de tua presença, talvez seja a proximidade da morte ou o fracasso relativo da luta. Sabes que tenho procurado por todos os meios ser fiel a ti.

Consequente com meu ser em plenitude. Por isso aqui estou. Entendo o amor como uma urgência em solucionar o problema do outro onde tu estás. Deixei o que tive e vim. Hoje talvez seja a minha Quinta-feira e esta noite a minha Sexta-feira.

Em tuas mãos entrego-me inteiramente; o que me dói é talvez deixar o que mais quero neste mundo, a Cecy e minha família, e talvez não poder sentir concretamente o triunfo do povo, sua Libertação.

Somos um grupo cheio de plenitude humana, “cristão”, e isso, creio, é bastante para impulsionar a História. Isto me conforta. Amo-te e te entrego o que sou e o que somos, sem medida porque és meu Pai. Morte alguma será inútil se sua vida estiver plena de sentido e isso, penso, é valido aqui entre nós. Tchau, Senhor, talvez até o teu céu, essa terra nova por que tanto ansiamos.

Sexta-feira, 2 de outubro
Minha querida rainha:
Faz muitos dias que não escrevo porque me faltava ânimo. Ontem recordei muito tudo o que é NOSSO. Estamos passando momentos extremamente difíceis e duros. Meu corpo está desmoronado, mas meu espirito permanece intacto. Quero entrega-lo a ti em primeiro lugar e aos outros. Amar-te com a plenitude de minhas forças, com tudo que posso, pois tu encarnas minha vida, minha luta e minhas aspirações. Dia 9 dificilmente poderemos estar juntos, talvez dia 29 ou pelo Natal.

Mas tenho confiança que assim será. Somos um grupinho pequeno. Tenho a sorte de estar ao lado de companheiros que também são amigos ou parentes e isso me dá mais tranquilidade. É difícil a esta altura não desesperar e é a confiança no Senhor Jesus que me dá ânimo para seguir até o fim. Perdemos a batalha, ao menos esta, irremediavelmente. Devemos recobrar ânimo e ver com critério claro e realista o que faremos no futuro. Vamos ver o que será.

Oxalá não seja para além da morte nosso encontro, embora este seria superabundante de felicidades. Creio nesta verdade e também me consola porque é real. Espero estar em breve junto de ti. Conversar longamente, olhar-nos nos olhos, trazer ao mundo um Pazuelopis ou uma Pazuelopita, que nos alegre os dias e tocar para frente. Tenho medo que te aconteça alguma coisa, espero, porém, que estarás bem. Enfim, me despeço.

Como sempre o papel é um limite sério, não sirvo para escrever, apenas posso expressar-me. Penso nos velhos. Em meus irmãos e irmãs. Logo os abraçaremos. Quero, e isso é o principal, comer, comer, comer nos primeiros dias, pois já faz um mês que não comemos, a não ser comidinhas esporádicas do que encontramos. Eu te amo muito. Que isso fique bem claro. És o que mais amo e o que amo em plenitude... 
Nestor Paz Zamora

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Manuel Antonio Reyes

Pe. MANUEL ANTONIO REYES
Mártir da Dedicação aos Pobres
EL SALVADOR * 07/10/1980

Manuel Antonio Reyes, sacerdote salvadorenho, pároco de Santa Marta, na Colônia 10 de Setembro, de San Salvador.

Depois de ameaças e acusações, sua casa foi invadida e ele foi sequestrado por indivíduos que se identificaram como "representantes da autoridade". Levaram-no para "investigação".

No dia seguinte o Ministro da Defesa prometeu a Monsenhor Rivera averiguar junto à Polícia Nacional o desaparecimento do sacerdote. Mas, no mesmo dia foi encontrado seu corpo em uma aldeia no interior, com um tiro na boca e outro no peito.

Manuel tinha 35 anos, nasceu em San Rafael Oriente e sua relação e compromisso com as comunidades cristãs de seu bairro operário foi motivo suficiente para causar a sua sentença de morte.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed. Vozes.

Galeria dos Mártires - José Osmán Rodríguez

JOSÉ OSMÁN RODRÍGUEZ
Mártir da Solidariedade e da Fé
HONDURAS * 07/10/1978

José Osmán Rodríguez, camponês de 26 anos. Ministro da Palavra em Santa Rosa de Copán, Honduras.

Foi assassinado na presença de sua esposa.

José Osmán tinha uma fé profunda e sua clara visão da realidade o fazia lutar incansavelmente por seus irmãos e irmãs marginalizados.

Eleito coordenador de ministros em toda zona de Santa Bárbara, participava de cursilhos, percorria as comunidades cristãs levando a mensagem libertadora do Evangelho, que despertava a consciência dos camponeses e promovia seu nível de vida.

E José Osmán se tornou com isto um empecilho para os latifundiários, que o ameaçaram de morte várias vezes e utilizaram um camponês para assassiná-lo.

Uma noite, quando regressava de uma reunião com camponeses e às vésperas de diversas viagens, dispararam contra ele em frente de sua casa. Caiu ferido diante de sua esposa com quem se casara fazia pouco tempo.

José Osmán é considerado um herói para seus irmãos e irmãs camponeses e um Mártir Cristão.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed. Vozes.

Galeria dos Mártires - Mártires de Lonquén

MÁRTIRES DE LONQUÉN
CHILE * 07/10/1973

Memória de 44 anos dos Mártires de Lonquén

Os camponeses da Ilha de Maipo, sul do país, não entenderam por que naquela noite o caminhão do proprietário da fazenda que eles trabalhavam por anos, chegou carregado de policiais.

Eles bateram na porta do rancho da família Astudillo e levaram o pai e dois filhos; em seguida, eles vão até o rancho da família Hernandez e prendem três rapazes; e por último a família Maureira, onde detém o pai e quatro de seus doze filhos. Todos eles são golpeados gratuitamente.

Testemunhas relatam que os onze presos foram amarrados e deitada de bruços no caminhão, e depois os policiais entraram no caminhão pisando sobre eles. Chegando ao quartel da Ilha de Maipo, os camponeses foram brutalmente torturados, assassinados e seus corpos enterrados no forno de cal de Lonquén.

Os inquéritos judiciais em 1978 permitiu exumar os restos mortais de 15 pessoas, mas eles foram imediatamente transferidos para uma vala comum no cemitério de Ilha de Maipo, sem informar seus parentes.

Não é a primeira vez na América Latina que os fazendeiros ou os proprietários de fábricas e os militares decidem sobre a vida e a morte dos pobres que em algum momento pudessem exigir justiça.

Desta vez foram: Enrique Astudillo, 52 anos, e seus filhos Omar de 20 anos e Ramon de 27 anos; Carlos Hernandez de 39 anos e seus irmãos Nelson de 32 anos e Oscar de 30 amos; Sergio Maureira de 46 anos e seus quatro filhos: José de 26 anos, Rodolfo de 22 anos, Segundo de 24 anos e Sergio de 27 anos.

Os mártires Lonquén, como centenas de camponeses massacrados pelo poder e a ganancia, seguem vivos nos corações de seus irmãos e irmãs.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/