sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Alberto Hurtado

Pe. ALBERTO HURTADO
Apóstolo dos Pobres
CHILE * 18/08/1952

No dia 18 de agosto, lembramos a morte de um dos jesuítas mais notáveis ​​do século XX, o padre Alberto Hurtado. Foi beatificado por João Paulo II e canonizado pelo Papa Bento XVI.
A nota foi publicada por Jesuit Restoration 1814, 18-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.
Nascido no Chile, na virada do século XX, em 1901, Hurtado estudou direito e trabalhou em um jornal católico conservador, até entrar para os jesuítas em 1923. Depois de uma longa formação e trabalho como professor, aos 40 anos, ele tornou-se capelão universitário no Chile. Esse apostolado teve um grande impacto em sua vida, sob sua orientação, as capelanias cresceram rapidamente - de 1500 alunos em 50 centros em 1941 para 12 mil alunos em 500 centros em 1944. Esse trabalho levou-o naturalmente a fundar uma organização, conhecida como "Servicio de Cristo Rey" [Serviço de Cristo Rei], para a qual convidava um grupo menor de jovens comprometidos a fazer parte. Seus membros se comprometiam a dedicar um ano de suas vidas para viver os ideais da Ação Católica.
Em 1944, ele teve um encontro decisivo com um mendigo doente e faminto que lhe pediu ajuda. Ele escreveu: "Cada uma dessas pessoas é Cristo. O que temos feito por esses jovens que andam pelas ruas na chuva, dormem as noites de inverno nas portas das igrejas e acordam congelados?". Estimulado a agir, ele criou uma série de abrigos, chamados de "Hogar de Cristo" [Lar de Cristo], que acolhem crianças que precisam de comida e abrigo. Seu carisma atraiu muitos colaboradores e benfeitores; o movimento foi um enorme sucesso. Os abrigos multiplicaram-se em todo o país. Estima-se que, entre 1945 e 1951, mais de 850 mil crianças receberam alguma ajuda do movimento. O "Hogar de Cristo" que ele fundou ainda existe, e através de sua luta pela justiça social, tornou-se um dos maiores grupos de caridade no Chile.
Pe. Hurtado continua a ser muito popular no Chile, sua página de fãs no Facebook tem mais de 50 mil seguidores!
Em uma carta escrita para marcar sua canonização, Pe. Kolvenbach, então superior geral dos jesuítas disse:
"Aqueles que o conheciam, bem como aqueles que fizeram um estudo aprofundado de sua vida, não hesitaram em dizer que ele era verdadeiramente "apaixonado por Cristo". Isso constituiu, sem dúvida, o centro de sua vida como estudante, como jesuíta e como sacerdote. É desse amor de Cristo que nasce o modo característico de seu comportamento e o seu modo de lidar com as pessoas. O que predomina, portanto, é a sua capacidade de amar: um dom dado a ele por Deus, que ele soube desenvolver, assim, estabelecendo, à luz do Evangelho, uma intensa e crescente amizade pessoal com o Senhor. Sua familiaridade crescente com o Senhor que, na mente de Santo InácioHurtado adquirira pela contemplação dos mistérios da vida de Jesus Cristo, está na raiz das suas características atitudes. Precisamente porque ele estava realmente apaixonado por Cristo, fixou seu olhar no Senhor Jesus e no Seu modo de vida, enquanto ele ainda estava na terra. Ele passou longas horas contemplando a maneira como Jesus agiu em várias situações em que se encontrava. Com os olhos do coração, Padre Hurtado admirava especialmente a maneira pela qual Jesus dava atenção às pessoas, como ele fazia seu o sofrimento dos que estavam com dor".

https://youtu.be/WROBDh20xlg
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/534508-18-de-agosto-de-1952-morte-do-pe-alberto-hurtado-sj

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Josias Paulino de Castro e sua esposa, Ireni da Silva Castro

JOSIAS PAULINO DE CASTRO e IRENI DA SILVA CASTRO
Mártires da Terra Livre
COLNIZA-MT * 16/08/2014

Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, líderes rurais, foram assassinados em Colniza, MT, no dia 16 de Agosto de 2014.

Josias era Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.

A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal foi até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva. 

Josias já havia afirmado por várias vezes a existência de "pistoleiros" na região e que nunca foram tomadas providências. E segue dizendo: "Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.

Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.

O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Irmão Roger de Taizé

Ir. ROGER SCHUTZ
Mártir do Ecumenismo
FRANÇA * 16/08/2005

Memória de 12 anos de seu Martírio.

Roger Schutz, religioso Fundador da Comunidade Ecumênica de Taizé nasceu em 12 de maio de 1915 em Jura (Suíça). Filho de um pastor protestante. Muito pequeno, foi morar com sua avó, de confissão evangélica e atormentado pela Primeira Guerra Mundial. 

Recém ordenado pastor, fez uma viagem de moto para a França de 1940 pensando em como ajudar as vítimas da guerra. Uma noite, ele chegou a uma aldeia em Borgoña ao lado da linha que divide a França de Vichy, ocupada por Hitler.  A aldeia se chamava Taizé.

Ali fundou uma comunidade aberta aos membros de todas as Igrejas Cristãs. Ele nunca fez distinção entre os jovens de diferentes religiões. Luteranos, calvinistas, evangélicos, ortodoxos ou católicos se reuniam com ele.

Roger foi morar com sua irmã em uma casa abandonada até que a guerra foi chegando aos judeus, refugiados políticos e desertores nazistas. Todos eram bem-vindos naquela casa em ruínas e sem água corrente, independente do seu credo ou nacionalidade.

Ele costumava ir a um bosque para orar para os refugiados judeus e agnósticos. Nos anos 50, Roger começou a enviar irmãos da comunidade para viver em áreas particularmente afetadas pela pobreza e violência, a fim de estar ao lado das pessoas que sofrem e ser testemunhas da paz. 

Taizé acolhe todos os anos milhares de pessoas de todas as religiões que procuram uma experiência mística e uma espiritualidade sem fronteiras. Quando perguntado sobre as origens de Taizé, Roger sempre se lembrava de sua avó, uma mulher protestante que nos dias mais sombrios da Primeira Guerra Mundial, ia todas as noites rezar em uma Igreja Católica como um símbolo da unidade em uma Europa dividida pela guerra. 

Conhecido como Irmão Roger de Taizé, morreu aos 90 anos em 16 de Agosto de 2005, esfaqueado durante a celebração do ofício onde se encontravam mais de 2.500 jovens de vários lugares e países. A mulher que matou, um romeno chamado Luminita, tentou em vão conseguir uma entrevista com ele por meses, deu três facadas no pescoço e o religioso morreu poucos minutos depois.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Mártires Indígenas Ianomâmis

MÁRTIRES INDÍGENAS IANOMÂMIS
RORAIMA - RR * 16/08/1993

Os Ianomâmis são índios que habitam o Brasil e a Venezuela. No Brasil somam 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima estão situadas 197 aldeias que somam 9.506 pessoas e a norte do Amazonas estão situadas 58 aldeias que somam 6.510 pessoas

A palavra ianomâmi significa ser humano, enquanto que napë é a designação geral para o estrangeiro, o não ianomâmi.

Uma intensa onda de invasão das terras ianomâmis por garimpeiros ocorreu de 1987 a 1992. O sangue deste povo manchou para sempre o sagrado território destes índios, atingido por um verdadeiro massacre, no qual se consumiu a vida de pelo menos 1500 integrantes desta nação. Em agosto de 1993 houve um ato de desagravo na Catedral da Sé, a qual ficou repleta de membros da sociedade civil e de representantes indígenas, reunidos em um apelo incisivo contra essas mortes; mais que isso, contra esta situação de falta de assistência e abandono das aldeias indígenas no geral por parte dos Governos.


 Texto copiado de: http://www.ihu.unisinos.br/martires-latino-americanos/512422-18-de-agosto

Galeria dos Mártires - Victorio "Coco" Erbetta

VICTORIO "COCO" ERBETTA
Mártir das lutas do Povo Argentino
ARGENTINA * 16/08/1976

Victorio José Ramon Erbetta Portillo, conhecido como "Coco" Erbetta nascido em 10 de agosto de 1949, em Goya, província de Corrientes, Argentina e viveu desde muito pequeno no Paraná, Entre Rios. 

"Coco" era um estudante na Universidade Católica Argentina (UCA). Participou na Ação Católica, foi catequista e membro do Movimento da Juventude Católica. Foi também jogador de futebol pela Universidade Juventude Peronista (JUP).

No ano de 1976 se inicia a ditadura mais sangrenta cívico-militar da história Argentina, "Coco" Erbetta cursava o 5º ano de Engenharia da Universidade e era Presidente do Centro de Estudante. 

Devido ao seu profundo compromisso em torno da luta por uma sociedade mais justa e igualitária, ele foi sequestrado por policiais civis à paisana em 16 de agosto do mesmo ano na universidade e levado para o Centro Clandestino de Detenção "Esquadrão de Comunicações", Regimento de Comunicações Paraná, Argentina.

Na época, os militares emitiram um relatório falso, onde seu caso era desconhecido e alegou um suposta fuga. Atualmente foi preso o ex-oficial da Polícia Federal e ex-funcionários de inteligência civil Cosme Ignacio Demonte, um elemento-chave na implementação de terrorismo de estado em Entre Rios pelo o sequestro de "Coco" Erbetta.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura na página dos Mártires Argentino.

Galeria dos Mártires - José Francisco dos Santos

JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS
Mártir da Causa da Terra
CORRENTES-PE * 15/08/1980

José Francisco dos Santos, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Correntes, Pernambuco, foi assassinado no dia 15 de agosto de 1980, por defender os direitos dos trabalhadores de ter suas terras para plantar e morar. 

São 37 anos de seu Martírio.

Abaixo um poema do livro: Raízes, Memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS

Havia uma revoada de abelhas
Esmorecendo a germinação do tempo
E um poema feito ao rouxinol
Antes que o dia esculpisse o mundo.

Havia um fóssil solto de abandono
Carregando a tristeza para longe.
Formigas inertes tomavam a feição da noite
Nos interditos locais da carne.

Havia uma palavra baldia num caixote
Um sossego azul beirando as borboletas.
Havia uma água perfumosa
Transbordando para o outono.

Havia o teu nome e a santidade
Que a terra assinala em muitas faces.
E havia também a maldade peneirando
As digitais nos fuzis. E houve o tiro.
E houve a morte por um instante.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Margarida Maria Alves

MARGARIDA MARIA ALVES
Mártir da Luta pela Terra
ALAGOA GRANDE – PB * 12/08/1983

Margarida Maria Alves nasceu em Alagoa Grande em 05 de agosto de 1933. Mulher forte, camponesa de cerne, de fé profunda, líder no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, PB.

Margarida entrou de cheio no compromisso social na defesa das terras e da dignidade do povo, mesmo frente a todas as ameaças e consciente do alto risco. “Até na hora que se acordava, na cama, relata seu marido Severino, era conversando sobre sindicato, os direitos dos trabalhadores, dos pobres”. “Da luta não fujo”, repetia ela.

- “Não sei quando irão me matar, não sei onde, sei que vão me matar, mas enquanto eu estiver viva, eu lutarei pelos direitos dos trabalhadores”.         

- “Os poderosos estão nos perseguindo. Nós não tememos, e vamos à luta até o fim. Porque é melhor morrer na luta, do que morrer de fome. Fiquem certos, os trabalhadores, de que não fugimos da luta. É mais fácil vocês saberem que nós tombamos, do que saberem que corremos. Os poderosos estão dizendo que estamos invadindo as suas propriedades; invadindo estão eles, invadindo os nossos direitos, invadindo o salário justo. Eles estão negando água e pão, estão fazendo opressão à diretoria e aos trabalhadores. A prepotência nos massacra demais: mas uma certeza eu tenho: que isso não faz a gente esmorecer. Nós não queremos o que é de ninguém: nós queremos o que é nosso. Precisamos nos unir cada vez mais. Sabemos que somente com nossa união e a nossa organização a gente vai conseguir os nossos direitos”.

- “Companheiros, eu quero pedir a vocês, quando voltarem para casa, que se lembrem e rezem por aqueles que estão lutando, enfrentando ameaças, por aqueles que estão lutando, enfrentando o revolver. Nós não podemos calar diante desta multidão”.

Foi assassinada por um matador de aluguel com uma escopeta calibre 12, no dia 12 de agosto de 1983, aos 50 anos; o tiro atingiu o rosto, deformando sua face. No momento do disparo ela estava em frente a sua casa, na presença do marido e dos filhos. O crime foi considerado politico e comoveu não só a opinião pública local e estadual, mas a nacional e internacional, com ampla repercussão em organismos políticos de defesa dos direitos humanos.

Seu testemunho tem feito florescer muitas “margaridas” de consciência e de coragem, sobretudo entre as mulheres lavradoras.

Sua memória e suas Causas continuam vivas nas lutas das mulheres de todo o Brasil.

Companheiras, mulheres de todo Brasil, trabalhadoras do campo, da floresta, das águas, mulheres trabalhadoras das cidades, SEGUEM EM MARCHA!

Se trata da MARCHA DAS MARGARIDAS, que acontece em vários lugares do país.

Mulheres dos diversos cantos deste Brasil; indígenas, quilombolas, extrativistas se põem a caminho por um desenvolvimento sustentável e democrático. Se põem a caminho para a capital federal para dialogar com o governo sobre suas reivindicações.

“Seguimos lutando para fazer o Brasil avançar no combate à pobreza, no enfrentamento à violência contra as mulheres, na defesa da soberania alimentar e nutricional e na construção de uma sociedade sem preconceitos de gênero, de cor, de raça e de etnia, sem homofobia e sem intolerância religiosa. Seguimos denunciando, reivindicando, propondo e negociando ações e politicas públicas que contribuam na construção de um Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.

“É MELHOR MORRER NA LUTA QUE MORRER DE FOME”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Jesus Alberto Páez Vargas

JESUS ALBERTO PÁEZ VARGAS
Sequestrado e desaparecido
PERU * 10/08/1977

Jesus Alberto Páez, nasceu em 05 de dezembro de 1947 em El Agustino - Lima, Peru, filho de Jesus e Edulia Vargas Páez; desde tenra idade se viu obrigado a trabalhar como entregador de jornal, e várias outras atividades que lhe permitia ganhar algum dinheiro para ajudar a sustentar a casa e os estudos.

Aluno de destaque, terminou os estudos técnico secundário, interessando-se em mecânica. Ele também se destacou como um líder estudantil e num quadro de avisos da seção, sempre continha escritos de sua inspiração.

Completou o ensino secundário e logo começou a trabalhar como operário na fábrica têxtil Bellota, em seguida, trabalha na construção civil; em 1970, na Fábrica Têxtil Nuevo Mundo, trabalhando como mecânico de manutenção, entrou no sindicato e se destacou como um ativista, também na PJ Gambeta Baja e no Comitê de Coordenação e Unificação Sindical  Clasista, CCUSC.

Jesus Alberto, homem humilde, filho do povo e exemplar militante comunista, foi sequestrado e desaparecido há 40 anos, nos tempos da ditadura militar, em 10 de agosto de 1977, vinte dias após a contundente greve nacional 19 de julho.

Casada com Eulalia Escalante, com quem teve quatro filhos: Jose Enrique, Irma Cecilia, Graciela Lupe e Jesus Alberto, nascido no ano do seu sequestro e desaparecimento.

Jacinto Irala disse: "Jesus Alberto Páez (Mauritius) se destacou em atividades públicas e estava sempre focado nos principais problemas a ser resolvido, quando se dirigia as bases. Ele era um camarada que irradiava autoridade e respeito. Por suas responsabilidades de trabalho pessoais, profissionais, política ele não perdeu tempo, era digno de respeito a forma como organizava sua agenda, ganhando um espaço cada vez maior, sem recorrer a questões secundárias".

As lutas dos comunistas é sempre marcada pela entrega e sacrifício consciente, lutas que buscam incansavelmente o bem-estar, igualdade e amor pela humanidade. Nesta trajetória, teremos militantes comunistas que à custa de sua própria felicidade e comodidade pessoal e familiar se entregaram totalmente pelas causas que acreditaram, compromisso este que custou a própria vida. Deles podemos e devemos dizer que são Mártires do Povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Frei Tito de Alencar Lima

FREI TITO DE ALENCAR LIMA
Mártir da Tortura
FRANÇA * 10/08/1974

Tito de Alencar Lima, religioso dominicano, perseguido e preso por seu compromisso com o povo oprimido, viveu as mais bárbaras torturas, físicas e psicológicas, sobretudo na Operação Bandeirantes – centro de torturas do exército, em São Paulo.

É um dos casos mais dramáticos da perseguição à Igreja e ao povo nesses anos das ditaduras militares de Nossa América. Tito interiorizou toda as acusações, as solidões todas, tentou evitar de todo jeito comprometer seus companheiros, carregou como uma sombra de pecado a imagem do delegado torturador Fleury, no exílio do Chile e da França e, finalmente, num gesto de expiação extrema se enforcou numa árvore, aos 28 anos, na capina francesa.

Mártir da tortura é considerado mundialmente, vítima dos poderes de repressão. Num poema histórico, que escreveu na França, reproduz com sua agonia a agonia de Jesus: “Pediste a teu Pai tua paz, o sentido de tua paixão e de teu amor. / Meu Pai, meu país: por que me abandonaste?”.

“É preferível morrer do que perder a vida”.

“... Quiseram deixar-me dependurado toda a noite no pau-de-arara. Mas o capitão Albernaz objetou: “Não é preciso, vamos ficar com ele aqui mais dias. Se não falar será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis. Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia...
        Na cela, eu não conseguia dormir. A dor crescia a cada momento. Sentia a cabeça dez vezes maior que o corpo. Angustiava-me a possibilidade de os outros religiosos sofrerem o mesmo. Era preciso pôr um fim àquilo. Sentia que não iria aguentar mais o sofrimento prolongado. Só havia uma solução: matar-me. Na cela cheia de lixo encontrei uma lata vazia. Comecei a amolar sua ponta no cimento...
        Tomei a gilete, enfiei-a com força na dobra interna do cotovelo, no braço esquerdo. O corte fundo atingiu a artéria. O jato de sangue manchou o chão da cela. Aproximei-me da privada, apertei o braço para que o sangue jorrasse mais depressa.
        Revestidos de paramentos litúrgicos, os policiais me fizeram abrir a boca “para receber a hóstia sagrada”. Introduziram um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito.
        No sábado, teve início a tortura psicológica. “A situação agora vai piorar para você, que é um padre suicida e terrorista”, diziam eles. “A Igreja vai expulsá-lo”. Não deixavam que eu repousasse. Falavam o tempo todo, jogavam, contavam-me estranhas histórias. Percebi logo que, a fim de fugirem à responsabilidade de meu ato e o justificarem, queriam que eu enlouquecesse”.


Quando Secar o Rio de Minha Infância (No exílio, na França, sempre subsistindo à sequelas da tortura, Frei Tito escreveu esta poesia)

        Quando secar o rio de minha infância
        secará toda dor.
        Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
        Minha alma perderá sua força.
        Buscarei, então, pastagens distantes
        - lá onde o ódio não tem teto para repousar.
        Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
        Todas as tardes me deitarei na relva
        e nos dias silenciosos farei minha oração.
        Meu eterno canto de amor:
        expressão pura de minha mais profunda angústia.
        Nos dias primaveris, colherei flores
        para meu jardim da saudade.
        Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.

Terra de Santa Cruz - Adélia Prado
Poetisa e escritora. O poema em homenagem a Frei Tito está no livro Terra de Santa Cruz, de 1986, publicado pela Editora Guanabara.

Nas minhas bodas de ouro, esganada como os netos,
vou comer os doces.
Não terei a serenidade dos retratos
de mulheres que pouco falaram ou comeram.
Porque o frade se matou
no pequeno bosque fora de seu convento.
De outras vezes já disse: não haverá consolo. E houve:
música, poema, passeatas.
O amor tem ritmos que não são de tristeza:
forma de ondas, ímpeto, água corrente.
E agora? Que digo ao homem, ao trem, ao menino que me espera,
à jabuticabeira em flores, temporã?
Contemplar o impossível enlouquece.
Sou uma tênia no epigastro de Deus:
E agora? E agora? E agora?
Onde estavam o guardião, o ecônomo, o porteiro,
a fraternidade onde estava quando saíste,
o desgraçado moço da minha pátria,
ao encontro desta árvore?
Meu inimigo sou eu. Os torturadores todos enlouquecem ao fim,
comem excrementos, odeiam seus próprios gestos obscenos,
os regimes iníquos apodrecem.
Quando andavas em círculos, a alma dividida,
o que fazia, santa e pecadora, a nossa Mãe Igreja?
Promovia tômbolas, é certo, benzia edifícios novos,
mas também te gerava, quem ousará negar, a ti
e a outros santos que deixam as bíblias marcadas:
"Na verdade carregamos em nós mesmos nossa sentença de morte".
"Amai vossos inimigos".
O que disse: "Quem crer viverá para sempre", este também
balouçou do madeiro como fruto de escárnio.
Nada, nada que é humano é grandioso.
Me interrompe da porta a mocinha boçal. Quer mudas de trepadeira.
Meus cabelos levantam. Como um torturador eu piso e arranco
a muda, os olhos, as entranhas da intrusa
e não sendo melhor que Jó choro meus desatinos.
Sempre há quem pergunte a Judas qual a melhor árvore:
os loucos lúcidos, os santos loucos,
aqueles a quem mais foi dado, os quase sublimes.
Minha maior grandeza é perguntar: haverá consolo?
Num dedal cabem minha fé, minha vida e
meu medo maior que é viajar de ônibus.
A tentação me tenta e eu fico quase alegre.
É bom pedir socorro ao Senhor Deus dos Exércitos,
ao nosso Deus que é uma galinha grande.
Nos põe debaixo da asa e nos esquenta.
Antes, nos deixa desvalidos na chuva,
pra que aprendamos a ter confiança n'Ele
e não em nós.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Massacre de Corumbiara

MASSACRE DE CORUMBIARA
Mártires da luta pela Terra

CORUMBIARA, RO * 09/08/1995

Na madrugada do dia 09 de Agosto o acampamento da Santa Elina foi cercado por todos os lados e começou o que foi o massacre de Corumbiara, onde foram assassinados 10 trabalhadores sem-terra..

Os posseiros foram pegos de surpresa, pois era noite escura e eles estavam desmobilizados.

Os posseiros foram acordados com bombas de gás lacrimogênio que a todos sufocavam, tiroteio por longas horas com armas muito pesadas, mulheres foram usadas como escudo humano pelos policiais e por jagunços. 

Segundo relatos um grande número de jagunços, alguns vestidos como policiais entraram infiltrados no meio das tropas e muitos homens estavam encapuzados. O acampamento foi totalmente destruído e depois incendiado. Não sobrou nada do que os camponeses haviam levado para começar o que seria uma vida nova. Tudo se transformou em pesadelo.

O que aconteceu naquela noite e naquela manhã, não foi testemunhado pela imprensa, mas as marcas estão presentes naqueles corpos e naquelas almas que sofreram torturas indescritíveis e os que sobreviveram puderam contar o que aconteceu ali, embora suas vozes tenham sido sufocadas, desqualificadas, ou simplesmente ignoradas durante as apurações processuais e durante o júri.

Os homens que não morreram ou não conseguiram fugir pela mata foram presos e obrigados a se deitarem no chão com o rosto na lama e policiais e jagunços pisavam sobre eles e os espancavam com chutes em todas as partes do corpo e davam pauladas em qualquer um que ousasse levantar a cabeça. 

Depois foram amarrados com cordas e arrastados até o QG da PM, no campo de futebol do PA Adriana, como mostra a foto abaixo. 



Os homens ficaram por longas horas, sem água, sem comida, apanhando e sofrendo todo tipo de humilhações. 

As mulheres e as crianças também ficaram presas em cima de caminhões por longas horas sob um sol escaldante, passando fome e sede. Os posseiros foram presos, mortos e torturados e o acampamento foi completamente destruído.


Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Pe Miguel Tomaszek e Pe. Zbigniew Strzalkowski

Pe. MIGUEL TOMASZEK e Pe. ZBIGNIEW STRZALKOWSKI
Mártires da Paz e da Justiça
PERU * 09/08/1991 

Miguel Tomaszek nasceu em 23 de setembro de 1960, em Lekawica (Polónia). Depois da escola primária em sua cidade natal, cursou o ensino médio no Seminário Menor dos Franciscanos Conventuais. Ele fez a sua profissão religiosa em 01 de setembro de 1981 em Legnica. Iniciou seus estudos de Filosofia e Teologia de Cracóvia. Foi ordenado sacerdote em 23 de maio de 1987 exerce a sua primeira missão sacerdotal Pierigle, o convento franciscano de Cracóvia.
  
Zbigniew Strzalkowski nasceu em 03 de julho de 1958 em Tarnow. Fez seu curso primário e seus estudos técnicos em Tarnow. Ele ingressou na ordem franciscana Conventual em 1979 e estudou filosofia e teologia em 1980, foi um dos iniciadores do movimento ambientalista no seminário de Cracóvia. Foi ordenado sacerdote em 07 de junho de 1986 sua primeira missão pastoral estava no seminário Menor Legnica .

Em missão vão paraa o Peru para abrir a primeira comunidade franciscana, foram trabalhar em Moro e Pariacoto. Os dois missionários, juntamente com o Padre Yarek foram os fundadores do Convento Pariacoto a 30 de agosto de 1989, com a missão pastoral em quatro comunidades rurais na Cordilheira Negra: Pariacoto, Yaután, Cochabamba e grandes Pampas.
  
MARTÍRIO

Na sexta-feira 9 de Agosto de 1991, na casa religiosa Pariacoto padre Zbigniew estava sozinho com os três candidatos. O superior estava fora, e Padre Miguel estava voltando com a caminhonete de missão, acompanhado de um grupo de catequistas de Huaraz, onde participaram de uma atividade formativa.
Um grupo de homens armados, com os rostos cobertos, invadiram a Casa Paroquial.  Padre Michael recebeu dois tiros no pescoço e padre Zbigniew, um tiro perto da orelha e um na parte central da coluna vertebral. Junto com os corpos encontraram duas notas em pedaço de papelão escrito nervosamente pelos assassinos: "bem morrer, que falam de paz e lambendo o imperialismo."

ENTERRO

O povo participou do enterro como uma demostração do valor que os padres tinham para eles. Muito sofrido o povo, expressou bravamente e abertamente o protesto contra a morta cruel e brutal dos padres. Várias amostras desses sentimentos acompanhou os mártires nos eventos seguindo, o heroico  sacrifício e entrega deles em favor do povo.
Nos muitos cartazes que acompanhavam a procissão fúnebre, se viu um que dizia: "Os padres não morreram".

Os jovens sacerdotes Michal Tomaszek e Zbigniew Strzalkowski, 31 e 33, poderiam estar em Czestochowa em agosto de 1991 para o Dia Mundial da Juventude. E de fato eles estavam, pois foram pessoalmente nomeados por João Paulo II no dia 13 de: "Há novos mártires no Peru"proclamou o Papa.

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

Depois de quatro anos do martírio, em 05 de junho de 1995, o bispo local (Chimbote), Dom Luis Armando Bambarén Gastelumendi, SJ, e com o apoio da Conferência Episcopal Peruana, da Congregação vaticana para as Causas dos Santos autorizou a abertura do processo de beatificação de mártires da fé.

Esteve em Cracóvia, a fim de encontrar provas e documentação sobre a infância, formação e os primeiros anos desses servos de Deus poloneses. atualmente está dirigindo o diocesano ao fim, diz a assessoria de comunicação da Ordem dos Frades Menores Conventuais.

ORAÇÃO PELA BEATIFICAÇÃO

Señor:
Tú que ungiste con el don del Sacerdocio
a tus hijos
Miguel, Zbigniew y Sandro,
los enviaste como mensajeros
de la Buena Nueva
y los coronaste con la palma del Martirio
glorifícalos también
con la corona  de los Santos.

Por su sangre derramada por ti:
danos fidelidad en la fe,
guarda nuestras vidas
y concédenos el don de la paz.

A las víctimas inocentes de la violencia
recíbelas en tu Reino
y concédeles el premio eterno.
Amén.

PAPA FRANCISCO APROVOU A BEATIFICAÇÃO

Papa Francisco aprova beatificação de três padres mortos no Peru Zbigniew Strzalkowski, Michel Tomaszek e Alessandro Dordi.

A Congregação para as Causas dos Santos emitiu hoje decretos de beatificação Padre Miguel Tomaszek e Pai Zbigniew Strzalkowski.

Papa Francisco aprovou no dia 03 de fevereiro de 2015 o decreto de beatificação do padre italiano Alessandro Dordi e polaco Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek, morto em 1991, no Peru pela bando maoísta Sendero Luminoso.

A Santa Sé disse em uma nota que Bergoglio autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgação de decretos de beatificação depois recebeu hoje em audiência o prefeito dele, Angelo Amato.

Os três novos mártires foram beatificados no dia 5 de dezembro de 2015, no Estádio Centenário de Chimbote.

Em agosto de 1991, um grupo de "senderistas" matou a tiro os dois sacerdotes poloneses mortos Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek, na cidade de Pariacoto.

Duas semanas mais tarde, esta organização criminosa matou Alessandro Dordi, a tiro quando ele estava voltando para casa depois de celebrar a missa na cidade de Santa.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.