terça-feira, 29 de novembro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Pablo Gazzarri

Pe.  PABLO GAZZARRI
Mártir e Servidor do Povo
ARGENTINA * 29/11/1976

Pe.  Pablo Gazzarri, argentino, integrante da Comunidade dos Irmãozinhos do Evangelho, à qual se incorporou depois de exercer seu ministério sacerdotal na arquidiocese de Buenos Aires.

Foi sequestrado ao descer do carro de sua família, em frente a sua casa paterna, em pleno centro da cidade. Seu desaparecimento foi imediatamente comunicado ao Núncio apostólico, bem como ao arcebispo de Buenos Aires e parece que as autoridades militares reconhecem em principio sua detenção.

Foi levado para a prisão da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA)

Após o golpe militar de 1976, a perseguição aos padres comprometidos foi aberta. Dezenas deles foram mortos (os Padres Palotinos de San Patricio, Pe. Carlos Mugica, Monsenhor Enrique Angelelli) e muitos outros desapareceram. 

Pablo estava muito consciente de que a qualquer momento ele poderia ser morto ou desaparecido, tendo em conta os mesmos compromissos assumidos por ele, tal qual Mugica, Angelelli, entre outros.

Ele se definia como "sacerdote montonero", e, tentou com Jorge Adur implantar o Movimento de Cristãos para a Libertação – semelhante aos Cristãos pelo Socialismo na Argentina. 

No mesmo dia em que deixou de pertencer ao clero diocesano de Buenos Aires e integrou à comunidade dos Irmãozinhos de Evangelho foi sequestrado. Isso intentou a uma forte suspeita de um "acordo" entre as Forças Armadas e o Cardeal de Buenos Aires, Aramburu, de que não tocassem em nenhum dos "seus" sacerdotes (os outros casos alertaram ainda mais a suspeita). 

A declaração de "arrependido" Captãon Scilingo, afirmou que ele foi detido na Escola de Mecânica Naval, e foi levado no "vôo da morte". (As pessoas eram drogadas e lançadas vivas no Rio de la Plata).

Seus companheiros de sacerdócio recordam seu espírito de serviço, sua alegria e sua opção pelos meios populares, aos quais sempre esteve ligado.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Marcial Serrano

Pe. MARCIAL SERRANO
Mártir dos Lavradores
EL SALVADOR * 28/11/1980

Marcial Serrano, sacerdote de 30 anos, pároco de Olocuita, diocese de San Vicente. Foi sequestrado após ter celebrado a missa no cantão Chatipa, paróquia de S. Tomas, quando voltava para casa.

Testemunhas relatam que o viram caminhar em companhia de membros da Guarda Nacional. Logo foi assassinado, segundo confessam seus capturadores, e seu cadáver foi lançado no lago Ilopanpo, com pedras amarradas aos pés.

O veiculo do Pe. Marcial foi encontrado num posto da Guarda Nacional. Seu corpo não apareceu.

Marcial era responsável pela cooperativa sacerdotal de El Salvador e todo seu trabalho pastoral se desenvolveu entre os camponeses.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed. Vozes.

Galeria dos Mártires - Pe. Ernesto Barrera "Neto"

Pe. ERNESTO BARRERA “NETO”
Mártir da CEBs Salvadorenha
EL SALVADOR * 28/11/1978

Ernesto Barrera, carinhosamente conhecido como “Neto”, sacerdote de 30 anos. Foi barbaramente torturado antes de ser assassinado.

Operário da JOC primeiro, e depois sacerdote, desde 1974, totalmente dedicado à pastoral operaria. Pároco de San Sebastián, em Cuidad Delgado, trabalhou para criar consciência de classe entre os operários, dentro do projeto do Reino de Deus.

Mons. Romero se encarregou de estabelecer o diálogo com os sindicatos a partir da posição da Igreja. 

“Neto tem consciência de que trabalha numa pastoral difícil e discutível e sente necessidade de avaliar seu trabalho com seus irmãos sacerdotes e com suas comunidades... É duro com os cristãos medíocres, mas aberto com os outros...Tem grande capacidade de contagiar alegria e vive pobremente. Tudo isso o faz crescer em espiritualidade, converte-se num verdadeiro místico dentro da pastoral operária”, disseram seus companheiros sacerdotes.

Os agentes de repressão o vigiavam e ameaçavam. Segundo informação oficial sobre sua morte, houve confronto entre o exército e a guerrilha.

Porém, Mons. Romero afirma: “Se tem evidências de que o Pe. Ernesto Barrera “Neto” não morreu em um confronto armado, como disse a polícia, mas ele foi torturado e depois mortalmente baleado à queima-roupa. Acuso a polícia de seu assassinato”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada. 

Galeria dos Mártires - Liliana Esther Aimetta

LILIANA ESTHER AIMETTA
Mártir da Causa dos Pobres
ARGENTINA * 28/11/1976

Liliana Esther Aimetta nasceu em 18 de junho de 1954, e, Buenos Aires, Argentina.

Militante da Igreja Metodista. Em Montoneros, era membro do Secretariado da Organização Columna Capital.

Tinha com apelidos, "Marcela" ou "Mecha".

Trabalhou como professora na escola "Nuestra Señora del Rosario". 

No dia 28 de novembro de 1976 foi detida por membros das Forças Armadas e levada de sua casa na Rua Baigorri, 3444, Villa Park para a prisão da Escola de Mecânica da Marinha, (ESMA)

Ela tinha  22 anos no momento de seu desaparecimento.

Considerada mártir das causas dos pobres.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Nicolás Rodriguez

Pe. NICOLÁS RODRIGUEZ
Mártir da Justiça 
EL SALVADOR * 28/11/1970

Nicolás Rodriguez. Sacerdote assassinado em San Antonio de los Ranchos, Chalatenango, El Salvador. 

Dom Oscar Romero, então auxiliar da arquidiocese de San Salvador, vai recolher seu corpo por ordem do arcebispo Luis Chavez. 

Um assassinato que pouco se disse na época. O povo, no entanto é quem sabe sobre a entrega e a generosidade de Nicolas, de suas denúncias contra todas as injustiças. Estas são as causas da sua morte, por defender a vida. 

Quando a verdadeira paz chegar em El Salvador, haverá tempo para entender melhor o caminho pastoral e profética Padre Nicolás Rodriguez, primeiro sacerdote assassinado em El Salvador. 

Assim como tantos cristãos que sabiam que poderia morrer a qualquer momento. Com o sangue derramado de Nicolás a Igreja em El Salvador começou seu calvário junto com o povo crucificado, que vai ressuscitando em sua luta pela paz e pela justiça.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Enrique Álvarez Córdoba e Companheiros

ENRIQUE ÁLVAREZ CÓRDOBA, MANUEL FRANCO, JUAN CHACÓN, HUMBERTO MENDONZA, ENRIQUE ESCOBAR BARRADA e DOROTEO HERNÁNDEZ
Mártires da Justiça e da Solidariedade
EL SALVADOR * 27/11/1980

Dirigentes da Frente Democrática Revolucionária de El Salvador. 

Capturados numa operação do exército, na qual participaram mais de 200 efetivos fortemente armados, quando se dispunham a dar uma entrevista à imprensa no Escritórios da Assistência Jurídica, o Colégio Externato São José, da Companhia de Jesus.

Seus cadáveres apareceram durante os dias 27 e 28 com sinais de estrangulamento, mutilações e perfurações de balas no crânio.

Foram assassinados porque defendiam os interesses do povo, diariamente massacrados pela fome, tortura e balas, e porque eram o símbolo de um anseio de libertação.

Seus corpos foram velados na catedral e enterrados em sua cripta. 

Em 2009, o presidente Mauricio Funes, o primeiro presidente eleito como candidato de um partido de esquerda em El Salvador, nomeado Centro Nacional de Tecnologia Agrícola (CENTA), uma agência governamental de assistência técnica aos agricultores, com o nome de "Enrique Álvarez Córdoba" em homenagem à memória desse líder político. 

Nesse mesmo ano, o acadêmico John Lamperti publicou uma biografia de Álvarez Córdova intitulado "A vida de um salvadorenho revolucionário e cavalheiro".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet e livros.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Mártires Camponeses de Chapi e Lucmahuaycco

MÁRTIRESDE CHAPI e LUCMAHUAYCCO
PERU * 26/11/1984

Chapi era um grupo de comunidades, onde mais de três mil camponeses cultivam e colhiam coca e café e criavam animais de carga. Fica na província de La Mar, departamento de Ayacucho. Porém a estrada levava apenas a Vilcabamba. De lá tinham um longo trecho a pé, às vezes à 5.000 metros de altura, e depois descer para a selva, nas margens do Apurimac.

Entre junho e julho, Chapi desapareceu devido ao pesado bombardeio de helicópteros contra a população civis. A justificativa do bombardeios eram porque perseguiam suspeitos da guerrilha. Eles atiravam impiedosamente. Dia e noite. 

"Eles eram pastores e semeadores e passavam várias vezes pelo mesmo lugar", diz Alejandro Delgado, que conseguiu sobreviver. Os camponeses de Mejorada e Almachayoc, fugindo, foram para os juncos. Ali são cercados pelos fogo dos bombardeios. "Eu não sei quantos foram queimados, mas você ainda pode ver restos carbonizados" segue contando Alejandro. 

Muito próximo ao que era Chapi estava Lucmahuaycco, no distrito de Chungui, também em Ayacucho. Seus habitantes correm a pior sorte. Os assassinos são seus próprios irmãos, membros dos Comitês de Defesa Civil, camponeses paramilitares, criado em 1982 supostamente para defendê-los da guerrilha.

Em 15 de novembro, duzentos e oitenta paramilitares sob o comando dos oficiais Salas e Bendezú, além de vinte membros da Guarda Civil Quillabamba, vão para Lucmahuaycco. A operação é a de "capturar subversivos". Com isso justificam a tortura de camponeses de pequenas cidades da estrada "para obter informações"

Na madrugada de 26 chegam em Lucmahuaycco. Seus habitantes são capturados e mortos pelas balas da guarda e facas e machados dos paramilitares. Aqueles que pretendem fugir são igualmente perseguidos e mortos. Os detidos são executados no mesmo instante. Após o massacre de trinta e duas pessoas, começaram a saquear o seu gado, as suas ferramentas, e todo o dinheiro que encontram. 

Para os capturados com vida: mulheres grávidas, idosos desnutridos e mães com muitos filhos, o calvário não acabou. Amarrados uns aos outros, os levam a Quillabamba. O caminho é longo e cansativo. Crianças desmaiar. Os guardas querem se livrar desse fardo e forçam suas mães a deixá-los na estrada. Em Quillabamba chegam apenas trinta e foram detidos na sede. 

Liberados pela solidariedade de organizações populares e de direitos humanos, eles tiveram medo de voltar para Lucmahuaycco, onde caíram seus mártires como uma semente que florescerá algum dia em liberdade e justiça.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Marçal de Souza Tupã'i

MARÇAL DE SOUZA TUPÃ’I
Guarani, Líder Indígena
ANTÔNIO JOÃO – MS * 25/11/1983

Indígena guarani, Marçal, declara sua filha Edna, “sonhava em unir todas as nações indígenas”. “Não podemos viver amedrontados, escrevia ele aos irmãos indígenas da Argentina...: Unam-se e façam-se fortes”

Inutilmente o latifúndio tentou comprá-lo. Recebeu muitas ameaças; mas repetia, esse Pequeno Grande Homem dos povos indígenas do Sul: “Eu não vou deixar meu ideal”. 

No histórico encontro com João Paulo II, naquela sacada de Manaus, profetizou intrépido, sua morte, como aliás a anunciava frequentemente entre os seus: “sei que um dia vou tombar em meio à luta no meu caminho, mas sei que minha morte vai servir de exemplo para muitos”. 

Foi barbaramente assassinado no dia 25 de novembro de 1983 em sua casa, na Aldeia de Campestres, na defesa das terras dos índios Kayuá-Piraqué. 

Fala de Marçal em frente do palácio episcopal de Manaus-AM em Julho de 1980.

"Eu sou representante da grande tribo guarani, quando, nos primórdios, com o descobrimento desta pátria, nós éramos uma grande nação.

E hoje, como representante desta nação, que vive à margem da chamada "civilização", Santo Padre, não poderíamos nos calar pela sua visita a este país. Como representante, porque não dizer, de todas as nações indígenas que habitam este país, que está ficando tão pequeno para nós e tão grande para aqueles que nos tomaram esta pátria.

Somos uma nação subjugada pelos potentes (poderosos), uma nação espoliada, uma nação que está morrendo aos pouco sem encontrar caminho, porque aqueles que nos tomaram este chão não tem dado condições para a nossa sobrevivência.

Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são diminuídos, (e) não temos mais condições de sobrevivência. 

Queremos dizer a Vossa Santidade a nossa miséria, a nossa tristeza pela morte dos nossos líderes assassinados friamente por aqueles que tomam o nosso chão, aquilo que para nós representa a nossa própria vida e a nossa sobrevivência neste grande Brasil, chamado um país cristão.

A nossa voz é embargada por aqueles que se dizem dirigentes deste grande país.

Santo Padre, nós depositamos uma grande esperança na sua visita ao nosso país. Leve o nosso clamor, a nossa voz para outros territórios que não são nossos, mas que o povo (nos escute), uma população mais humana lute por nós, porque o nosso povo, a nossa nação indígena está desaparecendo do Brasil.

Este é o país que nos foi tomado. Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto, não, Santo Padre, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas. Esta é a verdadeira história. Nunca foi contada essa verdadeira história do nosso povo.

Eu deixo aqui o meu apelo de 200 mil indígenas que habitam e lutam pela sua sobrevivência neste país tão grande e tão pequeno para nós..."

https://youtu.be/QKMjXlnM8Xw

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Irmãs Mirabal

PATRIA, MINERVA e ANTONIO MARIA TERESA MIRABAL
Mártires da Resistência
REPÚBLICA DOMINICANA * 25/11/1960

As Irmãs Mirabal e o Dia Internacional para a Erradicação da Violência e Exploração da Mulher.
  
As Irmãs Mirabal, filhas de Mercedes Camilo Reyes e Enrique Mirabal, comerciante e proprietário de terras, foram covardemente assassinadas pela ditadura de Rafael Leónidas Trujillo de Molina, o Generalíssimo Presidente que governou com extrema violência a República Dominicana de 1930 a 1961.

Patria Mercedes Mirabal, Bélgica Adela Mirabal, Minerva Argentina Miraba e Antonia María Teresa Mirabal, conhecidas como Irmãs Mirabal, ou ainda, Las Mariposas, nasceram em Ojo de Agua, na província de Salcedo, no norte do país. De uma família importante daquela região, seu pai havia sido prefeito da cidade de Ojo de Agua, no início da ditadura Trujillo.

Minerva foi a primeira irmã a se envolver com o movimento contra Trujillo, sendo influenciada por seu tio e um amigo de colégio, cuja família tinha sido presa e executada por membros do exército de Trujillo.

Depois de terminar o colegial, ela foi para a faculdade de direito e trabalhou com Pericles Franco Ornes, o fundador do Partido Socialista Popular e um adversário de Trujillo. Isso a levou a ser presa e torturada em várias ocasiões.

Minerva foi presa pela primeira vez em 1949, depois que recusou os avanços sexuais de Trujillo e, junto com sua mãe, foi colocado sob prisão domiciliar na capital e torturada pelo regime. Seu pai ficou preso na Fortaleza Ozama, até que sua família usou suas conexões para libertá-los. Eles foram presos novamente dois anos depois, e este regime de terror finalmente causou a deterioração da saúde de seu pai, causando sua morte em 1953.
Minerva foi acompanhada em sua luta contra o governo de Trujillo pelas irmãs Maria Teresa e Patria. Influenciada pelos movimentos de libertação na América Latina, elas criaram com seus maridos o Movimento 14 de Junho. Teve esse nome após o dia em que os dominicanos exilados tentaram derrubar o governo de Trujillo e foram derrotados pelo exército.

Dentro deste movimento, as irmãs foram chamados de "Las Mariposas" (as borboletas), a partir do nome clandestino de Minerva.

O movimento enfrentou a repressão e a maioria de seus membros foi preso pelo regime de Trujillo, incluindo as irmãs Mirabal e seus maridos, no final da década de 1950. Isso gerou crescente sentimento antigoverno que obrigou Trujillo a libertar as mulheres da prisão de La Cuarenta em fevereiro de 1960.

Seus maridos foram mantidos presos  e as irmãs foram levadas de volta para La Cuarenta em 18 de março e condenadas a 3 anos de prisão. No entanto, as irmãs estavam em liberdade condicional em 18 de agosto de 1960, como resultado da condenação de ações de Trujillo, pela Organização dos Estados Americanos.

Logo depois, em 25 de novembro de 1960, as irmãs foram assassinadas na volta de uma visita a seus maridos na prisão. Vítimas de uma emboscada, foram levadas para um canavial e apunhaladas e estranguladas até a morte, junto com o motorista que conduzia o veículo em que estavam. Trujillo acreditou que havia eliminado um grande problema, mas a morte das irmãs Mirabal causou uma grande comoção no país e levou o povo dominicano a se somar na luta pelos ideais democráticos das Mariposas. O assassinato das irmãs levou a protestos em massa e contribuiu para a queda do regime de Trujill em 1961.

Em 1995, a escritora dominicana Julia Álvarez publicou o livro No Tempo das Borboletas, baseada na vida de Las Mariposas, e que em 2001 se tornou um filme.

A sua história é também recordada no livro A Festa do Bode, do peruano Mario Vargas Llosa.

No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das irmãs Patria Mercedes Mirabal (27 de fevereiro de 1924 — 25 de novembro de 1960), Minerva Argentina Mirabal (12 de março de 1926 — 25 de novembro de 1960) e Antonia María Teresa Mirabal (15 de outubro de 1936 — 25 de novembro de 1960) foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher.

A Fundación Hermanas Mirabal, fundada em 12 de novembro de 1992 com o objetivo de imortalizar Las Mariposas, cria a Casa Museo Hermanas Mirabal em 8 de dezembro de 1994. O Museo Hermanas Mirabal, mantido e gerido pela irmã sobrevivente, Dede, está localizado na cidade de Conuco, Província da República Dominicana Salcedo. Esta é a casa onde as irmãs Mirabal viveram seus últimos 10 meses, e mantém intacta a decoração e pertences das irmãs antes de seu assassinato.

Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da não Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.

A província onde as irmãs nasceram, Ojo de Agua, foi rebatizada de Hermanas Mirabal em homenagem a essas três mulheres, que dedicaram grande parte de suas vidas, desde muito jovens, a lutar pela liberdade política de seu país.

Texto escrito por Mara L. Baraúna

Abaixo o filme: No tempo das borboletas.
https://youtu.be/V_oKGPEpVEA

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Ernesto Abregó e Familiares

Pe. ERNESTO ABREGÓ, JAIME BOLANOS, LUIZ ABREGÓ, GUILLERMO SALVADOR ABREGÓ, CARLOS ABREGÓ, TERESA GALVES LIEVANO, ANA MARIA LIEVANO
Desaparecidos
EL SALVADOR * 23/11/1980

O Pe. Ernesto saiu da cidade de Guatemala para El Salvador no dia 23 de novembro de 1980, em um veículo particular, acompanhado por seu irmão Guillermo Salvador Abregó, a Sra.Teresa Galvez, e sua filha, Ana Maria Lievano.

Percorreram a estrada da fronteira denominada Las Chinanas. Não chegaram ao seu destino.

O sr. Luis Abregó, que vivia na Guatemala, irmão do padre, ao saber que não tinham chegado ao seu destino, saiu em companhia do Dr. Jaime Bolaños, para El Salvador.

No dia 29 de novembro, ambos não regressaram e nada se sabe deles, até que localizaram seus dois cadáveres em Juajyua, a 70Km da capital.

Ourtro irmão, recebeu uma chamada telefônica, dizendo-lhe que fosse ao bar do Hotel Camino Real de Guatemala, onde lhe proporcionariam dados sobre seus irmãos. O sr. Carlos Abregó, assim fez e jamais voltou à sua casa.

Texto retirado do livro: Martírio, Memória Perigosa na América Latina Hoje., Ed. Paulus.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Galeria dos Mártires - José Dutra da Costa, Dezinho

O sindicalista Dezinho foi morto em 2000, em Rondon
do Pará. (Foto: Cristino Martins / O Liberal)
JOSÉ DUTRA DA COSTA, Dezinho
Mártir da Terra Livre e Partilhada
RONDON DO PARÁ * 22/11/2000

MEMÓRIA DOS 16 ANOS DE SEU MARTÍRIO

José Dutra da Costa, o Dezinho, era líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e foi assassinado em 21 de novembro de 2000, na cidade de Rondon do Pará, sudeste do Estado.

O crime teria sido motivado pela disputa de terras na região, já que o sindicalista apoiava a ocupação de fazendas improdutivas e terras supostamente griladas e fazia denúncias contra trabalhos escravos que aconteciam em fazendas da região. “Era ele quem regularizava as terras, que orientava os trabalhadores, então os fazendeiros viam nele uma ameaça”, disse o promotor de Justiça Franklin Prado.

De acordo com o Ministério Público, os fazendeiros Lourival de Souza Costa e Décio Barroso Nunes, o Delsão, foram os mandantes da morte do líder sindical, enquanto Domício Souza Neto, conhecido como Raul, teria providenciado a arma usada no crime.

A vítima foi morta pelo pistoleiro Wellington de Jesus, condenado a 29 anos em regime fechado em 2006, mas que após ser beneficiado por uma saída temporária, não retornou à prisão.

Em 2013, o fazendeiro Lourival Costa e o capataz Raul, foram absolvidos das acusações de envolvimento no assassinato de Dezinho. A decisão ocorreu no 2º Tribunal do Júri da Capital, em Belém. O júri considerou que não havia provas concretas da participação dos réus no assassinato.





O promotor de Justiça Franklin Prado atribuiu à morosidade do processo e a falhas de investigação o resultado do julgamento.










O caso gerou revolta em entidades que defendem os direitos humanos e a reforma agrária em terras consideradas improdutivas e supostamente griladas. O advogado e também assistente de acusação do caso afirma que existem provas materiais e testemunhais que podem ajudar na condenação, mas reconhece que condenar um mandante de crime, especialmente no Pará, não é uma tarefa fácil.

A esposa de Dezinho, Maria Joel Dias da Costa, que assumiu a direção do sindicato após a morte do marido também passou a ser ameaçada e já sofreu dois atentados de morte, hoje conta com proteção policial em tempo integral. Ela é uma das testemunhas oculares do crime.























O caso repercutiu internacionalmente através da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a qual o governo brasileiro assinou um acordo com a entidade assumindo sua responsabilidade pela morte do sindicalista e se comprometendo a implantar diversas políticas públicas relacionadas à luta pela reforma agrária.




O fazendeiro Décio José Barroso Nunes foi condenado a 12 anos de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa em 2000, o Dezinho. O juiz Raimundo Flexa anunciou No dia 29 de abril de 2014 a decisão do júri, que considerou o fazendeiro culpado. A defesa de Décio decidiu recorrer da sentença, e o réu aguarda em liberdade até o julgamento de todas as instâncias.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Galeria dos Mártires - Luis Che

LUIS CHE
Mártir da Fé
GUATEMALA * 17/11/1985

Luis Che, indígena Kekchi, catequista em Rio Pita, Izabel. Celebrante da Palavra, Mártir da fé na Guatemala.

Durante a celebração da Palavra em uma capela, Luis leu uma Carta Pastoral antes das eleições do dia 25 de novembro do mesmo ano.

Os bispos dizem: “As mentiras e as fraudes nos tem arrastado para uma situação próxima da escravidão e desespero. Muitas vezes se tem repetido que, talvez, nunca na história de nossa pátria, se tem encontrado o povo guatemalteco tão indefeso, tão dependente e mergulhado em tão grande desesperança. E que também nunca se havia usado com tanto descaro a mentira e a fraude. Porque nós somos testemunhas de quem é ‘o caminho, a verdade e a vida’ (...) a realização da próxima eleição geral nos oferece uma boa oportunidade para escrever esta Carta Pastoral para contribuir eficazmente (...) especialmente com coragem e decisão de reiniciar uma nova era na vida democrática (...). Persistem em nosso país a dura violência, o desrespeito aos direitos humanos e a violação das leis fundamentais. É de fato que um cidadão comum, deprimido, com medo ou ameaçado, não está na plena capacidade de exercer livremente e conscientemente o seu direito de eleger e ser eleito”, afirmam os bispos.

Luis, um corajoso profeta do seu povo, e porta-voz de sua Igreja. Por isso foi sequestrado a poucos metros do destacamento militar, onde foi levado por dois homens com roupas civis. O bispo de Izabal, Luis Maria Estrada, denuncia o fato.

Luis é o novo mártir na luta contra a mentira e opressão na Guatemala.


Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/