sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Dorcelina de Oliveira Folador

DORCELINA DE OLIVEIRA FOLADOR
Prefeita e Mártir do Povo
MUNDO NOVO-MS * 30/10/1999

Hoje fazemos memória de 17 anos de seu martírio.

Dorcelina nasceu no Paraná, em 1963 e foi assassinada em Mundo Novo, MS, com apenas 36 anos de idade, na varanda de sua casa, no dia 30 de outubro de 1999.

Dorcelina iniciou sua luta social na pastoral da juventude, nas comunidades eclesiais de base, na pastoral da terra e na pastoral familiar, foi líder do Movimento Sem Terra, militante do PT, e prefeita do povo no mais autêntico sentido da palavra. Símbolo da resistência contra a corrupção, amante da natureza, lutadora pela reforma agrária. 

Irradiava coragem e esperança. Eleita prefeita numa vitória popular que enfrentou as ameaças do latifúndio e do narcotráfico, mereceu mais de 80% de aprovação popular.

Tem sido definida como eficientíssima “deficiente (pela poliomielite), mãe militante da vida e da ética, alegre e intensa, autodidata, artista plástica, educadora, verdadeira, solidária, cristã”. Recebeu o prêmio Marçal de Souza de 1999.

O Evangelho esteve sempre presente em sua vida.  A Bíblia ficava sempre aberta, em sua sala da prefeitura, precisamente no Salmo 27: “Javé é minha luz e salvação; de quem terei medo?”

Dorcelina Folador

Quisera intitular este poema
Com dosséis de flores, bem suficientes, 
Todas nuas e inconformadas pelo vento. 
Quisera a suavidade e as penumbras
Que chegam sempre do leste, em movimento. 
Uma menina no balanço, uma taça
De água limpa colhida ali no monte.
Uns longos dedos cultuando o corpo
Em hipérbole, até nascer semente.
Um culto à sombra que afugenta
O estágio último da lua, arqueada no infinito.

Quisera um orvalho sobre as letras, 
Pronto para escorrer no perfume esmaltado na manhã. 
Um fio alongado sobre o nada, sempre mais, 
Até romper a etérea finitude dos corpos. 
Uma ave suspensa numa vírgula, essa que Deus 
Inventou para um suspiro diminuído 
Antes da palavra final.

Quisera estas coisas pendulares que te cercaram. 
Que te deixaram lágrima. Que te fizeram sombra. 
Que te visitaram no meio da escuridão 
Quando tudo era suspeito, contraído, sóbrio como o medo. 
Que te mostraram o vazio. Que te assanharam os pêlos.
Que não te desviaram o rumo.

Quisera teu vigor. Teus motivos e alegorias. 
Quisera o que ninguém soube. O que não contaste. 
Porque foi isto somente — as insignificâncias, 
Que te fizeram mulher, mais Dorcelina,
Por dentro e por fora, o nome do meu poema!

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT
Poema do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Galeria dos Mártires - Santo Dias da Silva

SANTO DIAS DA SILVA
Militante da Pastoral Operária
SÃO PAULO-SP * 30/10/1979

Hoje fazemos memória dos 36 anos no martírio de Santo Dias. 

Santo Dias da Silva, de origem camponesa, migrante na periferia da grande cidade, operário metalúrgico, sindicalista, membro da Pastoral Operária de São Paulo e ministro da Eucaristia, Santo soube juntar uma crescente consciência de classe na luta operária, com uma fé cristã vivida coerentemente e publicamente. 

A polícia o assassinou à queima roupa enquanto integrava um piquete de greve diante de Fábrica Silvania e impedia que um colega fosse detido. 

Seu corpo, envolto na bandeira do Sindicato dos Metalúrgicos, percorreu as ruas de São Paulo, acompanhado por mais de cem mil pessoas, que agitavam ramos de palmeira e gritavam unânimes: “Companheiro Santo, você está presente!”.

Palavras do Santo:

" Eu, dentro da minha concepção de porquê viver, acho que a gente vive para transformar alguma coisa; quer dizer, ter uma atuação num processo de transformação da vida".

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

Galeria dos Mártires - Dom Christophe Munzihirwa

Dom CHRISTOPHE MUNZIHIRWA
Mártir da Esperança e da Justiça
CONGO * 29/10/1996

Christophe Munzihirwa, arcebispo de Bukavu, mártir da justiça. Pastor que soube denunciar com lucidez e valentia a injustiça da guerra e das divisões étnicas que muitos – de dentro e de fora da África promoviam por interesses obscuros. Costumava dizer que “a melhor forma de chorar um morto é trabalhar seu campo”.

Em 29 de outubro de 1996, Christophe Munzihirwa, foi morto por um grupo militar de Ruanda. Ele pagou com o próprio sangue seu compromisso corajoso com a paz e a liberdade. Pagou com sua própria vida seu impulso determinado pela verdade e a justiça.

Lembrando monsenhor Christophe Munzihirwa hoje, não é só lembrar a figura de um autêntico testemunho da Igreja de Congo, mártir por defender os pobres, mas também para destacar seu compromisso cristão de ser testemunha da Testemunha Fiel, o Mártir Jesus. Assumindo suas causas e consequências.

Em sua defesa apaixonada dos direitos dos refugiados ruandeses, Mons. Munzihirwa também denunciou a mídia ocidental que influenciaram habilmente pelo poder em Kigali, que sempre mostrou o seu apoio ao novo regime, não percebendo que eles estavam apoiando o genocídio contra os hutus.

Em certa ocasião ele disse: "Em Burundi e Ruanda guerras fratricidas estão em curso, mas em ambientes internacionais parecem estar esperando para ver o que acontece. Gostaríamos de saber se este não é o resultado de algo planejado, escondido ... Quem irá revelar os planos secretos das pessoas bem protegidas que estão determinados a eliminar os pobres? ...". 

Ele também denunciou como cada um foi culpado de atos violentos e cruéis de vingança pessoas. Para eles, era necessário não só o perdão e a misericórdia, mas uma conversão sincera. Um futuro de reconciliação deve, necessariamente, vir dessa maneira.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Valmir Rodrigues de Souza

VALMIR RODRIGUES DE SOUZA
Mártir do Trabalho Infantil
BARREIRAS-BA * 29/10/1991

Valmir Rodrigues de Souza, menino de 8 anos que trabalhava para o fazendeiro "Toinho Chorenga", que o espancou porque uma roda do carro de bois em que trabalhava ficou presa num buraco.

Valmir morreu no Hospital Regional de Barreiras-BA, em consequência das lesões, no dia 29 de outubro de 1991.

É símbolo de todas as crianças vitimas do trabalho infantil e da violência no campo.

Entre nós existe um empenho em não chorar
Sobre o teu nome, Valmir. Porque lágrima,
Já o sabiá espalhou como semente, por todos os lados.

Foste uma criança muda, um testemunho
Caído antes que a noite corroesse o céu com azedumes.
Antes que a dor nascesse como um susto mais profundo
Semelhante ao trovão que te feriu a carne
E que todos escutamos enraivecidos.

Maldito seja o homem e o sistema
Que te levaram ao trabalho imaturo, antes do brinquedo.
Maldito o homem e a covardia
Que te roubaram a fantasia e o frescor da penumbra
E as coisas pequeninas de que necessitavas.
Maldito o latifúndio que te espancou a carne
Com fios farpados de sua ignorância
Espantando os pintassilgos que te cercavam

E que só voltaram para um adeus
Quando tua carne dormiu tranquila
E a elegância da terra venceu a dor
Ordenando à lua que te sarasse as feridas
E devolvesse a ti - e aos teus em prêmio, toda tua juventude...

Texto retirado do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Galeria dos Mártires - Massacre de El Amparo

MASSACRE DE EL AMPARO
14 Pescadores Mártires
VENEZUELA * 29/10/1989

El Amparo é um povoado à beira do rio Arauca, no estado de Apure, na Venezuela. 

Os 14 pescadores, José Indalecio Guerrero, Rigo José Araújo, Júlio Pastor Caballos, Carlos Antonio Eregua, Arín Maldonado Ovadias, Moisés Antonio Blanco, Luís Alfredo Berríos, Emetrio Mariano Vivas, Rafael Magín Moreno, Pedro Indalecio Mosqueda, José Mariano Torrealba, José Ramón Puerta Garcioa, José Gregório Torrealba e Justo Arcenio Mercado, defensores da pesca popular, e que viviam do trabalho diário da pesca foram atacados com armas de guerra, numa emboscada montada por policiais e militares.

Os executores do massacre pertenceiam ao comando especial 'José antonio Páes', corpo de elite do exército venezuelano.

Ficaram as viúvas e os cinquenta órfãos dos pescadores assassinados. 

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

Galeria dos Mártires - Manuel Chin Sooj e Companheiros

MANUEL CHIN SOOJ e COMPANHEIROS
Catequistas e Mártires
GUATEMALA * 29/10/1987

Manuel Chin Sooj e companheiros, camponeses e catequistas mártires na Guatemala.

Foram sequestrados no dia 29 de outubro de 1987, porém, somente Manuel é encontrado morto. Sua família reconheceu seu corpo, com sinais de horríveis torturas, no Hospital do departamento de Mazatenango, Suchitepéquez. Os outros dois catequistas não foram encontrados. Todos os três eram membros de um movimento organizado pelo padre Andrés Girón, que lutavam pela terra para os milhares de camponeses.

Um ano depois, os bispos surpreendem a Guatemala, América Latina e do Terceiro Mundo com uma carta pastoral: "O GRITO DA TERRA". 

A mensagem profética de denúncia da situação em que "sobrevive a maioria dos guatemaltecos em áreas rurais ... o camponês e o indígena vestido em trapos, doente, sujo e desprezado nos parece a coisa mais natural ... Não nós espanta ver crianças que vão cedo, ao lado dos homens, com seu facão ou enxada para cumprir um dia de trabalho duro e mal pago ... ", dizem os bispos. 

E o anúncio esperançoso de uma boa notícia: "Observamos com alegria que os camponeses, diariamente tornam-se mais conscientes dos seus direitos e de sua própria dignidade. É um avanço irreversível, e, apesar da repressão contínua e brutal em que sofrem, existe um clamor legítimo e ações em defesa das terras ... ", continua a carta de 22 de fevereiro de 1988.

Manuel e seus companheiros anônimos, os portadores da Palavra de Deus, servidores de seus irmãos e irmãs, ressuscitados entre eles, farão com que a terra seja própria e frutífera para todos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Pe. Maurício Maraglio

Pe. MAURÍCIO MARAGLIO
Mártir da Luta Pela Terra
SÃO MATEUS-MA * 28/10/1986

Padre Maurício Maraglio, missionário italiano, chegou ao Brasil em 1983 para colaborar com o Pe. Carlos Bergamaschi nos serviços pastorais na Paróquia de São Mateus, Diocese de Coroatá.

Pe. Carlos era responsável pela CPT, Comissão Pastoral da Terra, criada por volta dos anos 1975, logo depois da chegada do Pe. Mauricio, ele começa a assumir os trabalhos da CPT.

Os conflitos por terra na região eram constantes, e no ano de 85 somente na região de São Mateus foram assassinados 22 camponeses.

No dia 10 de maio de 86 um pistoleiro matou o Pe. Josimo Tavares enquanto ele entrava na casa da CPT, na cidade de Imperatriz do Maranhão.

No dia 28 de outubro de 1986, mataram o Pe. Maurício, em circunstancias nunca esclarecidas. A imprensa dos latifundiários Sarnysista, descreveu Maurício como "Um agitador", possivelmente pelo fato dele estar sempre ao lado dos pobres, lutando pelos seus direitos, orientando a buscarem seus direitos.

Certamente o martírio do Pe. Maurício esta intrinsecamente ligado a sua luta pela terra e defesa dos direitos do povo a partir do Evangelho de Jesus.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Herbert Anaya

HERBERT ANAYA
Mártir dos Direitos Humanos
EL SALVADOR * 26/10/1987



Herbert Anaya, ativista cristão, advogado de 33 anos e pai de cinco filhos. Coordenador da Comissão de Direitos Humanos de El Salvador, CDHES, assassinado na frente de seus filhos, na saída de sua casa em San Salvador.

Desde muito jovem sempre foi um lutador pelos direitos humanos. Em 1980 assume a assistência jurídica às vítimas de repressão. No cumprimento da sua missão visita as zonas de guerra para averiguar os danos causados ​​pelos bombardeios e, o assassinato em massa, que cotidianamente sofria seus povos.

Em maio de 1986, ele foi preso pela Polícia do Tesouro, no centro da cidade. Durante 15 dias permaneceu desaparecido, e, durante este tempo foi submetido a tortura física e psicológica horrível. Os métodos mais sofisticados utilizados por seus torturadores não conseguem quebrar a sua coragem e firmeza de suas convicções. Quando lhe pediram para "cooperar" para obterem "informação" que lhes permite acusá-lo de cumplicidade com os guerrilheiros, Herbert responde a eles. "Há um aspecto moral que não me permite fazer e eu fico com as consequências. O máximo que podem fazer é me matar, porém, o que matará será o meu corpo, porque minha alma vai continuar a trabalhar pela a justiça".

Passou pelo carcere de Mariona, compartilhado com outros presos políticos. De lá continua a dirigir CDHES. Após 10 meses foi libertado, porém, diariamente os arredores de sua casa era monitorado e as ameaças eram constante. Mas seu desempenho público continua. 

Na Universidade Central condena as consequências da situação em que se encontrava, em um programa de televisão, faz o mesmo com relação ao uso de armas ilegais no conflito. 

Sua sentença de morte estava assinado. Os esquadrões da morte faz o resto. No dia 26 de outubro de 1987, dois homens civis, com armas de 9 milímetros e silenciador, tentam calar a voz que ainda segue clamando por justiça.

O Assassinato de Herbert é o culminar de todas as acusações e ameaças feitas pelo COPREFA (Comitê de Imprensa das Forças Armadas, e vários porta-vozes do governo).

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Alejandro Rey

ALEJANDRO REY
Mártir da Fé
COLÔMBIA* 25/10/1988

Alejandro Rey, camponês, agente pastoral, mártir da fé. Militante cristão de Santander.

Alejandro foi o fundador e líder das Comunidades cristãs de San Vicente de Chucurí. 

Sua fé e seu entusiasmo levou-o a promover a coordenação das Comunidades Cristãs Campesino da Colômbia, C.C.C. Trabalho feito por meio de visitar e encorajamento de seus irmãos, especialmente em áreas pobres.

Ele foi assassinado em 25 de Outubro de 1988.


Alejandro, assim como milhares de camponeses cristãos e justos, são os novos mártires da causa dos pobres na América Latina.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página Servicio Koinonia.

Galeria dos Mártires - Vladimir Herzog

VLADIMIR HERZOG
Jornalista, Mártir da Verdade
SÃO PAULO–SP * 25/10/1975

“Vlado” era um homem alegre e cheio de iniciativa, casado, pai de família, jornalista e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo e diretor de telejornalismo na TV Cultura. Muito querido por seus alunos e seus colegas de trabalho. 

Em outubro de 1975 a ditadura militar empreendeu uma série de prisões de jornalistas de esquerda e Vladimir foi preso no DOI-Codi (centro de repressão do II Exército em São Paulo) e selvagemente torturado até morrer. 

Sua morte e a do operário Manoel Fiel Filho (janeiro de 1976), também ocorrida pela tortura no DOI-Codi, provocaram uma crise interna entre os altos chefes do Exército. E o assassinato de Vladimir, que inutilmente a repressão tentou apresentar como suicídio, convocou a primeira grande manifestação de massa contra a ditadura desde a AI-5. 

Milhares de pessoas se deslocaram até a Catedral da Sé, patrulhada por centenas de policiais para um Culto Ecumênica presidido pelo Cardeal D. Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel (Vladimir era de família judia). A celebração se transformou num grito coletivo de denúncia e de afirmação da esperança.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

Galeria dos Mártires - Pe. Antonio Llido Mengual

Pe. ANTONIO LLIDO MENGUAL
Desaparecido pela ditadura de Pinochet
CHILE * 25/10/1974


Antonio nasceu em 29 de abril de 1936 em Xavia, Valência, Espanha. Depois de uma vida tempestuosa, pobre, mas feliz, decidiu entrar para o seminário em Valência. Após ser ordenado, serviu por um tempo como capelão das forças armadas espanhola.

Decidiu assim seguir em missão, em julho de 1969 chegou ao Chile, na chuva de inverno, vivenciando assim na própria pele como os pobres viviam.

Seu destino era Quillota, na Diocese de Valparaíso, foi trabalhar com o Bispo Don Emilio Tagle. Rapidamente com uma bicicleta caindo aos pedaços começa a conhecer o povo, tornando-se conhecido entre os mais pobres, e também causando irritação aos ricos.

Antonio estava vivendo uma vida plena, cheia de sonhos e ideais, os acontecimentos pareciam fortalecer aquilo que era proposto pelo Concílio Vaticano II.

Se junta ao grupo "80", um grupo de padres chilenos e estrangeiros posteriormente incorporado no grupo "cristãos para o socialismo" que apoiaria a candidatura de Salvador Allende, que queria alcançar objetivos sociais da Unidade Popular. Eram tempos de grande pobreza no Chile.

Seu caminho para a eternidade começou com o conflito que teve com os setores mais tradicionais da Igreja de Valparaiso, e em particular, com o seu bispo Emilio Tagle, que o suspendeu das suas funções eclesiásticas como vigário da paróquia de Quillota.

Uma vez que a suspensão foi apenas nessa paróquia, rezava missas em outras capelas, que eram mais escondido e nas casas dos necessitados. 

O grupo de Juventude formado pelo Pe. Antonio, em seguida, se vincula ao MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), foi assumindo a sua luta sem violência, mas com o compromisso social enraizada no que era conhecido como Teologia da Libertação.

O golpe militar de 11 setembro de 1973 foi sentido em Quillota, e Padre Antonio Llido era um daqueles que foram alvo por parte dos militares, estava imerso na clandestinidade, queria ficar no Chile, para defender os que não podia defender-se, os seus amigos, companheiros. Outros padres tentaram convencê-lo de que teria asilo, mas não conseguiu, seu destino estava traçado, estava a um passo para encontrar a sua cruz.

Depois de passar algum tempo escondido pela região de Valparaíso, foi detido no DINA localizado no José Domingo Cañas com a República de Israel (Santiago). Celebrou a missa para os outros prisioneiros. Foi cruelmente torturado e depois levado em péssimo estado para a prisão Quatro Alamos, localidade incomunicável de Três Alamos, que também estava no comando da DINA.

Companheiros de prisão, logo libertados são unânimes em afirmar que seu estado era grave: pancadas, descargas elétricas, insultos, etc. Apesar de tudo conservou com grande fortaleza e excelente estado de ânimo, sua característica solidária e seu compromisso com a pessoa humana, sua preocupação com os outros, onde mesmo estando em tal situação, repartia o resto de pão ou cascas de frutas com os outros prisioneiro.

Toda a sua vida foi dedicada ao povo pobre.

Carta de Antonio Llido durante sua clandestinidade

“De nuevo me veo en una situación muy especial. Yo no puedo, no quiero marcharme, cuando tantos amigos camaradas que luchan, que mueren (algunos muy cercanos a mi, han sido brutalmente asesinados) para construir una sociedad más justa. Eso es todo, y parece que es demasiado para estos señores que, como de costumbre responden con metralletas cuando exigen pan”

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Victor Gálvez

VICTOR GÁLVEZ
Promotor dos Direitos Humanos e Mártir
GUATEMALA * 24/10/2009

Victor Gálvez, catequista, promotor dos Direitos Humanos, assassinado por sua resistência às mineradoras multinacionais e de eletricidade. Era um homem humilde, catequista em sua comunidade, co-fundador da pastoral da juventude em Malacatán com seus irmãos Emilio e Noelia, incansáveis apoiadores das atividades da juventude católica.

Ele também foi líder da frente de resistência em defesa dos recursos naturais. Como muitos de seu país, lutou pela nacionalização da eletricidade no departamento de San Marcos, lutou pela criação de uma empresa municipal sólido e pela expulsão da União FENOSA desta pátria amada para acabar com uma era de abuso e encargos excessivos contra um povo que sofria com a fome e a justiça.

Victor era uma pessoa amiga, dinâmica e muito consciente de sua realidade e a de seu povo. O seu "pecado" foi utilizar seu tempo e esforço para causas legítimas de seu povo. Sua firme convicção católica o levou a viver a radicalidade do Evangelho em que ele acreditava firmemente, ele tinha em seu coração a vida de Jesus, em seu peito uma cruz e em sua mente o convite que Jesus lhe fazia: "O compromisso, em favor da equidade social, da paz, da soberania e da dignidade de seu povo", legado este que Victor deixou para os guatemaltecos continuarem na busca justa pela dignidade humana.

Embora os assassinos e criminosos, pessoas de colarinho branco e forças obscuras que realizaram este assassinato covarde pensam que silenciou Victor e o povo, na verdade fizeram renascer mais forte o desejo por justiça do povo guatemalteco. 

O martírio de Victor contribuiu para reafirmar a convicção de que lutar pelas as causas  do povo espoliado e massacrado é sim Causas do Reino, Causas de Jesus.

Victor, seu sangue derramado, se torna para nós semente de libertação!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Gerardo Poblete Fernández

Pe. GERARDO POBLETE FERNÁNDEZ
Mártir da Paz e da Justiça
CHILE * 21/10/1973

Sacerdote salesiano chileno de 31 anos. Assassinado por espancamento em Iquique. Vítima de violação dos direitos humanos por parte de agentes do governo. Detido porque estava “espionando” um regimento do exército, quando na realidade o sacerdote e um seminarista olhavam um campo de esporte, com um binóculo.

Seu superior foi imediatamente à cadeia e encontrou Gerardo, que jazia no chão de uma cela, quase inconsciente, com uma ferida na cabeça. Atendeu-o espiritualmente e tratou de procurar um médico. Mas tudo inútil, Gerardo morreu logo depois.

Após os funerais o exército emitiu um documento em que o acusou de espionagem e de ter armas ilegais, declarando que sua morte foi causada pela ferida sofrida ao cair do veículo em que era transportado com as mãos atadas.

Um de seus carrascos confessaria mais tarde: “Espancávamos o pobre sacerdote que dizia: ‘Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem’”.

Na realidade, as verdadeiras acusações contra Gerardo eram de “marxista” e de “envenenador da mente dos jovens”.

Os que o conheceram de perto, ao contrário, afirmam que era um apaixonado pela justiça, parecendo às vezes até “irreverente”. Doutrinalmente seguro, estudioso, professor dedicado, amigo, um sacerdote autentico.

Texto do livro: Sangue Pelo Povo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Mariano Ferreyra

MARIANO FERREYRA
Mártir da Solidariedade
ARGENTINA * 20/10/2010

Mariano Ferreyra, 23 anos, jovem militante da solidariedade aos trabalhadores.

Participou de uma manifestação de corte de funcionários da cooperativa União Railway.

Um bando armado, sob as ordens da União Ferroviária tinha ido ao tribunal. Eles tinham a cumplicidade dos policiais da delegacia do 30º Batlhão da Policia Federal.

Quando os manifestantes se retiraram, a gangue pulou sobre eles e Mariano foi baleado no peito que levou à sua morte.

No ataque foram também feridos mais três manifestantes: Elsa Rodriguez, Nelson Aguirre e Ariel Pintos.

Sua morte foi lamentada por todo o país, bem como o nome e o rosto de Mariano Ferreyra segue estampada em bandeiras, pichações, páginas da internet e marchas.

Militou no Partido Trabalhista desde os 14 anos. Tornou-se um símbolo da luta dos trabalhadores e dos direitos humanos através de mobilizações de massa.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Oliverio Castañeda de León

OLIVERIO CASTAÑEDA DE LEÓN
Mártir da Liberdade
GUATEMALA * 20/10/1978

Oliverio Castañeda de León, líder da Associação de Estudantes Universitários (AEU), da Universidade de San Carlos da Guatemala.

Foi brutalmente assassinado no centro da Cidade da Guatemala, na frente de pelo menos 15 mil testemunhas. 

Uns 30 homens fortemente armados participaram do crime. Oliverio tem ao longo dos anos se tornado um símbolo da luta pela liberdade. 

Em sua homenagem a Associação de Estudantes Universitário agora leva seu nome.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.