quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Monsenhor Leonidas Proaño, Profeta dos Povos Indígenas do Equador

Leonidas Proaño, pilar da Igreja dos pobres do Equador

Ele nos ensinou a organizar a partilha e a equidade a partir de uma visão política participativa, a não ficar na caridade que paralisa, mas a dar a mão para que os agoniados se levantem e caminhem com suas próprias pernas.
A reportagem é de Soledad Monroy e publicada por Religión Digital, 31-08-2013. A tradução é de André Langer.
“Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?” (Lc 24,5). Hoje, 31 de agosto, aos 25 anos da páscoa de dom Leonidas Proaño, recordamos sua partida e celebramos sua presença. Aqueles que conheceram dom Proaño recordam-no como mestre que sabia ouvir e animar, um pastor próximo que estava convencido de que “são os pobres que nos evangelizam”.
Organizou as comunidades e a Igreja de Riobamba a partir da satisfação das necessidades dos mais pobres. Quem eram estes organizadores? Os próprios pobres. Para atingir este objetivo transformou a casa de Santa Cruz em um centro de formação de alcance internacional e intercontinental, onde se formaram milhares de cristãos simples. Os indígenas do Chimborazo se formavam em seu próprio idioma. Tudo isto se concretizava, para ele, em um plano de pastoral diocesano, cuja meta era o Reino.
Proaño buscava uma Igreja viva e uma nova sociedade. Ao escrever sua autobiografia, esboçou seu projeto de vida e de fé, como bispo: “Creio no homem e na comunidade”. Soube devolver a voz aos silenciados da história durante os 500 anos da conquista. Permitiu que os indígenas retomassem sua voz e começassem a ser uma Igreja indígena. Conseguiu também que se organizassem a partir de sua própria cosmovisão para superar a injustiça e a dominação: ajudou-os a recobrar sua dignidade, com uma consciência nova, com seu projeto ancestral de sociedade. Passava o seu tempo a recebê-los e os acompanhava em suas grandes lutas por todo o país. Dois anos antes da sua morte, depois de ter visto nascer a organização dos indígenas da serra na Ecuarunari, presenciou a união dos indígenas da serra, do oriente e da costa na CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador).
Outra característica de dom Proaño foi sua solidariedade nacional e internacional. Visitava os grupos e as comunidades que o chamavam para conversar com ele, para avaliar o trabalho pastoral, entender a conjuntura nacional e projetar-se como a Igreja dos pobres.
Não apenas recordamos seu testemunho; de modo especial, celebramos sua presença. Proaño nos deixou contagiados para viver o Evangelho à maneira de Jesus, construir a Igreja dos Pobres a partir da realidade latino-americana, dar – como cristãos – a nossa contribuição na sociedade. Seus critérios continuam nos orientando para nos comprometermos a ser a Igreja dos Pobres que ele sonhou, a construir o Equador que ele vislumbrou a partir da sabedoria indígena.
Proaño queria uma Igreja diferente: procuramos tornar este compromisso uma realidade a partir dos necessitados de hoje. Ele mesmo, em sua diocese, construiu uma Igreja renovada. Por ele somos evangelizadores desde a nossa solidariedade com as causas dos pobres: anunciamos uma Igreja mais humana, mais centrada em Jesus e na realidade, com sinais que falam às atuais gerações. Continuamos sendo, assim como ele, testemunhas proféticas do Reino de Deus, denunciando tudo o que nos destrói e anunciando, com palavras e ações, um Reino não apenas espiritual, mas também transformador da Igreja e da sociedade.
Ele nos ensinou a organizar a partilha e a equidade a partir de uma visão política participativa, a não ficar na caridade que paralisa, mas a dar a mão para que os agoniados se levantem e caminhem com suas próprias pernas. Dom Proaño não nos deixa quietos: ele nos anima a sermos uma luz, para que a nossa fé não fique nos altares e nas igrejas, mas que brilhe nas ruas, nos bairros, nas casas, nas fábricas... Ele nos pede para que conservemos a ternura feita de rebeldia e de esperança, à imagem de Maria, a mãe de Jesus, que vemos como nossa companheira de fé, de dor e de luta.
Proaño não é celebrado nas grandes catedrais – é questionador demais das estruturas eclesiais e políticas conservadoras –, mas em milhares de pobres capelas do campo e dos subúrbios, por todos os continentes. Seu poema Solidariedade tornou-se o hino das Comunidades Eclesiais de Base.
“Manter os ouvidos sempre atentos
ao grito de dor dos demais
e escutar seu chamado de socorro,
é solidariedade, solidariedade, solidariedade.
Sentir como algo próprio o sofrimento
do irmão daqui e de lá;
tornar própria a angústia dos pobres,
é solidariedade, solidariedade, solidariedade.
Entregar, por amor, até a vida
é a prova maior da amizade;
é viver e morrer com Jesus Cristo:
a solidariedade, solidariedade, solidariedade.
Chegar a ser a voz dos humildes,
descobrir a injustiça e a maldade;
denunciar o injusto e o malvado,
é solidariedade, solidariedade, solidariedade.
Deixar-se transportar por uma mensagem
carregada de esperança, amor e paz
até apertar a mão do irmão:
é solidariedade, solidariedade, solidariedade.”
https://youtu.be/bI17gKUKXxU

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/523255-leonidas-proano-pilar-da-igreja-dos-pobres-do-equador

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Galeria dos Mártires - Chacina de Vigário Geral

CHACINA DE VIGÁRIO GERAL
Mártires Inocentes 
RIO DE JANEIRO * 30/08/1993  

A Chacina de Vigário Geral foi um massacre ocorrido na favela de Vigário Geral, localizada na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. 

Na madrugada do dia 29 de agosto de 1993, a favela foi invadida por um grupo de extermínio formado por de mais de cinquenta homens encapuzados e armados, que arrombaram casas e executaram vinte e um moradores, sendo 13 homens, 6 mulheres e 2 adolescentes. Nenhuma das vítimas possuía envolvimento com o tráfico de drogas. A chacina de Vigário Geral foi uma das maiores já ocorrer no Estado do Rio de Janeiro. 

Foram assassinados; o estudante Fábio Pinheiro Lau, 17 anos, o metalúrgico Hélio de Souza Santos, 38 anos, Joacir Medeiros, 69 anos, o enfermeiro Guaracy Rodrigues, 33 anos, o serralheiro José dos Santos,47 anos, Paulo Roberto Ferreira, 44 anos, motorista, o ferroviário Adalberto de Souza, 40 anos, o metalúrgico Cláudio Feliciano, 28 anos, Paulo César Soares, 35 anos, o gráfico Cléber Alves, 23 anos, Clodoaldo Pereira, 21 anos, Amarildo Baiense, 31 anos, o mecânico Edmilson Costa, 23 anos, o vigia Gilberto Cardoso dos Santos, 61 anos, o casal Luciano e Lucinéia, 24 e 23 anos. Em seguida executaram Dona Jane, 58 anos, sua nora, Rúbia, 18 anos, o marido e a filha Lúcia, 33 anos. Lá, morreram também, Luciene, prestes a completar 16 anos e Lucinete, 27 anos. As crianças, com idades entre 9 e 5 anos, conseguiram fugir, pulando a janela para a rua de uma altura de dois metros. Uma delas saltou com uma criança de seis meses no colo.

Segundo relatos, a chacina teve sua origem com a morte de quatro Policiais Militares no dia 28 de agosto de 1993 na Praça Catolé do Rocha, no bairro de Vigário Geral. No dia anterior, policiais que haviam matado o irmão de Flávio Pires da Silva, 23, conhecido como "Flávio Negão" — chefe do tráfico na favela — foram até o principal ponto de venda de drogas da comunidade para pegar o dinheiro da propina paga para aliviar a repressão. Chegando à Praça Catolé da Rocha, a viatura foi surpreendida por um cerco de Flávio Negão e seus comparsas, que executaram os quatro PMs que estavam nela. Como vingança, no dia seguinte aconteceu a chacina.

Foi a maior chacina registrada na história da polícia fluminense. Dos 52 PMs denunciados pelo Ministério Público, apenas sete foram condenados, e dentre eles somente Paulo Roberto Alvarenga e José Fernandes Neto foram levados a júri popular. Em 27 de abril de 1997, Alvarenga foi condenado a 449 anos e oito meses, mas teve a sua pena reduzida para 57 anos pelo Supremo Tribunal Federal. Como a pena foi superior a 20 anos, ele protestou por novo júri. Em 20 de setembro de 2000, José Fernandes Neto foi condenado a 45 anos e, como Alvarenga, recorreu da sentença. A Chacina do Vigário Geral alcançou repercussão internacional. 

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sábado, 27 de agosto de 2016

DOM HÉLDER CÂMARA e DOM LUCIANO MENDES DE ALMEIDA.

MEMÓRIA PROFÉTICA
DOIS GRANDES HOMENS, QUE FIZERAM DE SUAS VIDAS UM SERVIÇO AO POVO.
DOM HÉLDER CÂMARA e DOM LUCIANO MENDES DE ALMEIDA.

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 Dom Hélder faleceu no dia 27 de Agosto de 1999, era e é conhecido como “Irmão dos Pobres”, “Profeta da Paz e da Esperança”.

Era a simplicidade encanada, viveu com o povo e como o povo.
Dom Helder foi um dos propositores do documento assinado por cerca de 40 padres conciliares, nas catacumbas de Domitila, em Roma, durante o Concílio Vaticano II.

Conhecido por ter lutado em prol de melhores condições de vida para os mais pobres e também por ter denunciado as torturas da ditadura.

Na Missa dos Quilombos, composta por Pedro Casaldáliga, Pedro Tierra e Milton Nascimento e celebrada no dia 20 de novembro de 1981 em Recife (PE), para um público de 8 mil pessoas, Dom Hélder fez esta profética poesia/oração:

MARIAMA

Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens!
Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.
Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.
Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavra, não fique em aplauso.
Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.
Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão. É Evangelho de Cristo, Mariama.
Claro que seremos intolerados.
Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grande problemas humanos.
Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.
Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é Paz.
Basta de injustiça!
Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.
Basta de alguns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano.
Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.
Mariama, Senhora Nossa, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e o pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico.
Nada de escravo de hoje ser senhor de escravo de amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhor e sem escravos. Um mundo de irmãos.
De irmãos não só de nome e de mentira. De irmãos de verdade, Mariama.

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Dom Luciano Mendes de Almeida faleceu dia 27 de Agosto de 2006, figura destacada do episcopado brasileiro na caminhada da Igreja Latino-americana, sobretudo em Puebla.

D. Luciano era conhecido como um defensor dos direitos humanos e por causa da sua ternura para com os pobres. Era um homem que dormia pouco. No silêncio da madrugada e na ação misteriosa do Espírito de Deus buscou servir humildemente aos prediletos de Jesus, os pobres. 

Durante toda a sua atividade de pastor zeloso, costumava recolher as crianças abandonadas nas praças e calçadas das ruas, principalmente pela madrugada. Seu amor aos pobres o fez servidor e amigo dos pobres e defensor zeloso de suas causas. Sua vida de oração e o testemunho de amor a Deus e ao próximo ajudaram muitas pessoas a se aproximarem de Deus. Este serviço aos pobres abandonados, entre tantos outros, o transformou num pastor simples e humilde.

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ESTES DOIS BISPOS PODEM SERVIR DE EXEMPLOS PARA OS BISPOS E PADRES DE HOJE.
ELES VIVERAM A POBREZA EVANGÉLICA E O COMPROMISSO COM AS CAUSAS DA VIDA.
PELO RECONHECIMENTO DE SEUS TESTEMUNHOS E FÉ, FORAM INICIANDO OS PROCESSOS DE BEATIFICAÇÃO DESTES PROFETAS DO POVO.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Galeria dos Mártires - Felipe de Jesús Chacón

FELIPE DE JESÚS CHACÓN
Mártir da Fé
EL SALVADOR * 26/08/1977

Felipe de Jesús Chacón, lavrador, catequista, mártir de El Salvador.

Foi assassinado no dia 26 de Agosto de 1977 pelos soldados de segurança, seu cadáver apareceu esfolado e mutilado,"como o apóstolo Bartolomeu", diria Monsenhor Oscar Romero toda vez que recordava a terrível morte de Felipe de Jesús.

Seu pároco o reconhecia publicamente como "um grande cristão".

Felipe de Jesús foi catequista e membro dos cursilhos de cristandade de Chalatenango. Seu filho João chegou a ser secretário geral do Bloco Popular revolucionário e, como tal, o máximo dirigente da Frente Democrática Revolucionária, tendo sido sequestrado e assassinado com os demais dirigentes da F.D.R. em novembro de 1980.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo e de pesquisas na internet

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Alessandro Dordi Negroni

Pe. ALESSANDRO DORDI NEGRONI
Mártir da Promoção Humana
PERU * 25/08/1991

Alessandro Dordi Negroni, conhecido como Padre Sandro Dordi, era o segundo de treze filhos. Nasceu em San Marino Gromo-Bergamo (Itália), 23 de janeiro de 1931. Estudou no Seminário Diocesano de Cluson, onde foi ordenado sacerdote quando tinha apenas 23 anos de idade. Em 1980, aceitou o convite do arcebispo Luis Bambarén, então Bispo de Chimbote, para assumir a paróquia Senhor Crucificado de Serra, Peru.

Padre Sandro Dordi sempre sonhou em ir para a África como missionário, mas as circunstâncias o levaram a visitar a América Latina, onde ele acabou ficando apaixonado pelo Peru, e sempre soube que, após o atentado contra os padres franciscanos em Pariacoto, ele poderia ser o próximo.

"Foi um homem bom, sincero e corajoso, um verdadeiro missionário. Ele foi quem nos chamou para servir aqui, uma terra em que ele manteve-se completamente apaixonado, se sentindo sempre mais um peruano" conta Virginia Piu, irmã da Congregação das Irmãs de Jesus Bom Pastor, com uma voz soluçante e olhando melancolicamente uma foto antiga do Padre Sandro.

O Arcebispo Luis Bambarén sabendo das ameaças que o Pe. Sandro estava sofrendo, pediu para ele viajar para Lima, até mesmo para a Itália por sua segurança, porém ele nunca demonstrou medo. Um dia ele disse: "Eu não posso deixar o meu povo ...". contou irmã Piu, interrompendo a oração com um silêncio que lhe permitiu romper em lágrimas, somente se atreveu a olhar para a foto do Pe. Sandro.

Durante os 11 anos em que viveu em Santa, sempre quis viver como um a mais entre o povo. Foi um homem que defendeu a igualdade de gênero e que, em uma época tão machista sempre enfatizou a importância do papel da mulher na sociedade e, especialmente, dentro do casamento. Marco Sing então governador do distrito de Santa conheceu Pe. Sandro Dordi quando ele foi procura-ló para criar o Centro de Promoção da Mulher. "Ele me perguntou o que era mais importante para mim, e eu respondi, minha família". A partir deste dia fui trabalhar com ele na catequese familiar. Marco Sing, conta que Pe. Dordi mudou desde que se viu ameaçado. "Sim, eles tinham um motivo para ameaçar o padre Dordi, o motivo foi ele ter impulsionado a unidade familiar que era o seu melhor combate aos ideais terroristas". Marco inicialmente iria acompanhar Padre Dordi na missa em Vinzos, mas teve que participar de um evento da catequese familiar na encosta norte. Hoje, sem alcançar a compreensão olha pela janela, ele lembra que teve que ajudar a remover o corpo do padre.

Antes das seis da tarde daquele 25 de Agosto de 1991, a caminhonete 4x4 cabine dupla cor amarela, que em muitos povoados o tinha acompanhado para as celebrações e encontros, teve que parar sua rota de Vinzos à Santa, porque um grupo de homens mascarados cercaram o veículo, os dois jovens companheiros de viagem na parte de trás do carro tiveram que abaixar a cabeça com as ameaça que diziam: "saiam, saiam, não é com você". Enquanto o motorista foi levado de volta para o caminhão, de onde se ouviram o som de três tiros disparados contra o padre.

Padre Sandro Dordi foi assassinado por ser um defensor da promoção humana no Peru.

PAPA FRANCISCO APROVOU A BEATIFICAÇÃO

Papa Francisco aprova beatificação de três padres mortos no Peru, Alessandro Dordi, Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek. No dia 03 de fevereiro de 2015 o decreto de beatificação do padre italiano Alessandro Dordi e dos padres polacos Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek, morto em 1991, no Peru pela bando maoísta Sendero Luminoso.

A Santa Sé disse em uma nota que Bergoglio autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgação de decretos de beatificação depois recebeu hoje em audiência o prefeito dele, Angelo Amato.

Em agosto de 1991, um grupo de "senderistas" matou a tiro os dois sacerdotes poloneses mortos Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek, na cidade de Pariacoto.

Duas semanas mais tarde, esta organização criminosa matou Alessandro Dordi, a tiro quando ele estava voltando para casa depois de celebrar a missa na cidade de Santa.

A beatificação dos três padres mártires missionários aconteceu em 5 de Dezembro de 2015 na Diocese de Chimbote.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.





Galeria dos Mártires - Pe. Alessandro Dordi Negroni

Pe. ALESSANDRO DORDI NEGRONI
Mártir da Promoção Humana
PERU * 25/08/1991

Alessandro Dordi Negroni, conhecido como Padre Sandro Dordi, era o segundo de treze filhos. Nasceu em San Marino Gromo-Bergamo (Itália), 23 de janeiro de 1931. Estudou no Seminário Diocesano de Cluson, onde foi ordenado sacerdote quando tinha apenas 23 anos de idade. Em 1980, aceitou o convite do arcebispo Luis Bambarén, então Bispo de Chimbote, para assumir a paróquia Senhor Crucificado de Serra, Peru.

Padre Sandro Dordi sempre sonhou em ir para a África como missionário, mas as circunstâncias o levaram a visitar a América Latina, onde ele acabou ficando apaixonado pelo Peru, e sempre soube que, após o atentado contra os padres franciscanos em Pariacoto, ele poderia ser o próximo.

"Foi um homem bom, sincero e corajoso, um verdadeiro missionário. Ele foi quem nos chamou para servir aqui, uma terra em que ele manteve-se completamente apaixonado, se sentindo sempre mais um peruano" conta Virginia Piu, irmã da Congregação das Irmãs de Jesus Bom Pastor, com uma voz soluçante e olhando melancolicamente uma foto antiga do Padre Sandro.

O Arcebispo Luis Bambarén sabendo das ameaças que o Pe. Sandro estava sofrendo, pediu para ele viajar para Lima, até mesmo para a Itália por sua segurança, porém ele nunca demonstrou medo. Um dia ele disse: "Eu não posso deixar o meu povo ...". contou irmã Piu, interrompendo a oração com um silêncio que lhe permitiu romper em lágrimas, somente se atreveu a olhar para a foto do Pe. Sandro.

Durante os 11 anos em que viveu em Santa, sempre quis viver como um a mais entre o povo. Foi um homem que defendeu a igualdade de gênero e que, em uma época tão machista sempre enfatizou a importância do papel da mulher na sociedade e, especialmente, dentro do casamento. Marco Sing então governador do distrito de Santa conheceu Pe. Sandro Dordi quando ele foi procura-ló para criar o Centro de Promoção da Mulher. "Ele me perguntou o que era mais importante para mim, e eu respondi, minha família". A partir deste dia fui trabalhar com ele na catequese familiar. Marco Sing, conta que Pe. Dordi mudou desde que se viu ameaçado. "Sim, eles tinham um motivo para ameaçar o padre Dordi, o motivo foi ele ter impulsionado a unidade familiar que era o seu melhor combate aos ideais terroristas". Marco inicialmente iria acompanhar Padre Dordi na missa em Vinzos, mas teve que participar de um evento da catequese familiar na encosta norte. Hoje, sem alcançar a compreensão olha pela janela, ele lembra que teve que ajudar a remover o corpo do padre.

Antes das seis da tarde daquele 25 de Agosto de 1991, a caminhonete 4x4 cabine dupla cor amarela, que em muitos povoados o tinha acompanhado para as celebrações e encontros, teve que parar sua rota de Vinzos à Santa, porque um grupo de homens mascarados cercaram o veículo, os dois jovens companheiros de viagem na parte de trás do carro tiveram que abaixar a cabeça com as ameaça que diziam: "saiam, saiam, não é com você". Enquanto o motorista foi levado de volta para o caminhão, de onde se ouviram o som de três tiros disparados contra o padre.

Padre Sandro Dordi foi assassinado por ser um defensor da promoção humana no Peru.

PAPA FRANCISCO APROVOU A BEATIFICAÇÃO

Papa Francisco aprova beatificação de três padres mortos no Peru, Alessandro Dordi, Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek. No dia 03 de fevereiro de 2015 o decreto de beatificação do padre italiano Alessandro Dordi e dos padres polacos Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek, morto em 1991, no Peru pela bando maoísta Sendero Luminoso.

A Santa Sé disse em uma nota que Bergoglio autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgação de decretos de beatificação depois recebeu hoje em audiência o prefeito dele, Angelo Amato.

Em agosto de 1991, um grupo de "senderistas" matou a tiro os dois sacerdotes poloneses mortos Zbigniew Strzalkowski e Michel Tomaszek, na cidade de Pariacoto.

Duas semanas mais tarde, esta organização criminosa matou Alessandro Dordi, a tiro quando ele estava voltando para casa depois de celebrar a missa na cidade de Santa.

A beatificação dos três padres mártires missionários aconteceu em 5 de Dezembro de 2015 na Diocese de Chimbote.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.





quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Galeria dos Mártires - Ir. Alfredo Fiorini

Ir. ALFREDO FIORINI
Mártir da Solidariedade
MOÇAMBIQUE * 24/08/1992

Em vez de prosseguir uma carreira profissional de sucesso na Marinha, o jovem italiano Alfredo Fiorini optou por ser missionário e médico. Morreu em Moçambique, vítima de uma emboscada, há precisamente vinte e quatro anos.
  
Desde muito pequeno ouvia em casa a sua mãe rezar pelas vocações, até que um dia o pequeno Alfredo perguntou à mãe: «Como é que Deus chama? Como é a sua voz?»Era o princípio de uma aventura na descoberta da sua vocação. Aos 18 anos, participou num campo de férias para jovens, em Florença, Itália. Com outros jovens percorria as ruas da cidade a recolher papel e ferro velho para depois vender, sendo os lucros da venda destinados a financiar a construção de casas no Bangladesh.

Depois da escola secundária, ingressou na Faculdade de Medicina, com o sonho de vir a ser médico em algum país africano. Estudioso e responsável, terminou o curso de Medicina com notas altas. Passou pela Marinha para cumprir o serviço militar, onde conheceu um grupo de voluntários missionários vocacionados para trabalhar em países do Terceiro Mundo. Esta experiência foi providencial na tomada de decisão sobre o futuro da sua vida. Assim, recusou uma proposta de prosseguir a carreira militar e decidiu entrar no Instituto dos Missionários Combonianos com o intuito de se tornar missionário. O médico Fiorini foi aceito no seminário em outubro de 1982, em Florença, Itália.

Médico e Irmão

Inicialmente pensou ser sacerdote, mas depois de ter conhecido o continente africano durante experiências de missão em Uganda e Quênia, Alfredo percebeu que o Senhor o chamava a ser Irmão, ou seja, a anunciar o Evangelho de Jesus exercendo a sua profissão de médico.

Após uma breve passagem por Lisboa para aprender português, chegou a Moçambique em 1991. O Irmão Alfredo foi trabalhar em um hospital público, semidestruído pela guerra civil que assolava no país. Dedicou-se à reconstrução do hospital mais do que a fazer cirurgias ou atender doentes. Apesar do trabalho imenso que tinha pela frente sentia-se feliz: «Nos próximos meses terei muito trabalho, mas estou feliz. Não poderei exercer de imediato a minha profissão de médico, porque o hospital para onde estou destinado foi destruído há três anos pelos guerrilheiros, mas não importa. Significa que antes de ser cirurgião serei pedreiro e carpinteiro...». 

A única coisa que o preocupava era fazer depressa, porque havia uma extrema necessidade de alguém que cuidasse da saúde dos pobres, abandonados após 17 anos de guerra civil.

Fim de uma vida

No dia 24 de agosto de 1992, enquanto regressava de uns dias de descanso, Alfredo Fiorini foi atingido por uma rajada de balas. Aos 38 anos, caía o médico e missionário em terras moçambicanas destroçadas pelo ódio da guerra que também vitimou o Irmão. Passados vinte e quatro anos da sua morte, permanece o seu exemplo de entrega e audácia para os mais jovens.  

Texto elaborado por, Pe. António Carlos, Missionário Comboniano.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Alberto Hurtado

Pe. ALBERTO HURTADO
Apóstolo dos Pobres
CHILE * 18/08/1952

Pe. Alberto Hurtado, sacerdote jesuíta,.

No dia 18 de agosto, lembramos a morte de um dos jesuítas mais notáveis ​​do século XX, o padre Alberto Hurtado. Foi beatificado por João Paulo II e canonizado pelo Papa Bento XVI.
A nota foi publicada por Jesuit Restoration 1814, 18-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.
Nascido no Chile, na virada do século XX, em 1901, Hurtado estudou direito e trabalhou em um jornal católico conservador, até entrar para os jesuítas em 1923. Depois de uma longa formação e trabalho como professor, aos 40 anos, ele tornou-se capelão universitário no Chile. Esse apostolado teve um grande impacto em sua vida, sob sua orientação, as capelanias cresceram rapidamente - de 1500 alunos em 50 centros em 1941 para 12 mil alunos em 500 centros em 1944. Esse trabalho levou-o naturalmente a fundar uma organização, conhecida como "Servicio de Cristo Rey" [Serviço de Cristo Rei], para a qual convidava um grupo menor de jovens comprometidos a fazer parte. Seus membros se comprometiam a dedicar um ano de suas vidas para viver os ideais da Ação Católica.
Em 1944, ele teve um encontro decisivo com um mendigo doente e faminto que lhe pediu ajuda. Ele escreveu: "Cada uma dessas pessoas é Cristo. O que temos feito por esses jovens que andam pelas ruas na chuva, dormem as noites de inverno nas portas das igrejas e acordam congelados?". Estimulado a agir, ele criou uma série de abrigos, chamados de "Hogar de Cristo" [Lar de Cristo], que acolhem crianças que precisam de comida e abrigo. Seu carisma atraiu muitos colaboradores e benfeitores; o movimento foi um enorme sucesso. Os abrigos multiplicaram-se em todo o país. Estima-se que, entre 1945 e 1951, mais de 850 mil crianças receberam alguma ajuda do movimento. O "Hogar de Cristo" que ele fundou ainda existe, e através de sua luta pela justiça social, tornou-se um dos maiores grupos de caridade no Chile.
Pe. Hurtado continua a ser muito popular no Chile, sua página de fãs no Facebook tem mais de 50 mil seguidores!
Em uma carta escrita para marcar sua canonização, Pe. Kolvenbach, então superior geral dos jesuítas disse:
"Aqueles que o conheciam, bem como aqueles que fizeram um estudo aprofundado de sua vida, não hesitaram em dizer que ele era verdadeiramente "apaixonado por Cristo". Isso constituiu, sem dúvida, o centro de sua vida como estudante, como jesuíta e como sacerdote. É desse amor de Cristo que nasce o modo característico de seu comportamento e o seu modo de lidar com as pessoas. O que predomina, portanto, é a sua capacidade de amar: um dom dado a ele por Deus, que ele soube desenvolver, assim, estabelecendo, à luz do Evangelho, uma intensa e crescente amizade pessoal com o Senhor. Sua familiaridade crescente com o Senhor que, na mente de Santo InácioHurtado adquirira pela contemplação dos mistérios da vida de Jesus Cristo, está na raiz das suas características atitudes. Precisamente porque ele estava realmente apaixonado por Cristo, fixou seu olhar no Senhor Jesus e no Seu modo de vida, enquanto ele ainda estava na terra. Ele passou longas horas contemplando a maneira como Jesus agiu em várias situações em que se encontrava. Com os olhos do coração, Padre Hurtado admirava especialmente a maneira pela qual Jesus dava atenção às pessoas, como ele fazia seu o sofrimento dos que estavam com dor".

https://youtu.be/WROBDh20xlg
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/534508-18-de-agosto-de-1952-morte-do-pe-alberto-hurtado-sj

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Galeria dos Mártires - Josias Paulino de Castro e sua esposa, Ireni da Silva Castro

JOSIAS PAULINO DE CASTRO e IRENI DA SILVA CASTRO
Mártires da Terra Livre
COLNIZA-MT * 16/08/2014

Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, líderes rurais, foram assassinados em Colniza, MT, no dia 16 de Agosto de 2014.

Josias era Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.

A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal foi até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva. 

Josias já havia afirmado por várias vezes a existência de "pistoleiros" na região e que nunca foram tomadas providências. E segue dizendo: "Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.

Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.

O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Irmão Roger de Taizé

Ir. ROGER SCHUTZ
Mártir do Ecumenismo
FRANÇA * 16/08/2005

Memória de 11 anos de seu Martírio.

Roger Schutz, religioso Fundador da Comunidade Ecumênica de Taizé nasceu em 12 de maio de 1915 em Jura (Suíça). Filho de um pastor protestante. Muito pequeno, foi morar com sua avó, de confissão evangélica e atormentado pela Primeira Guerra Mundial. 

Recém ordenado pastor, fez uma viagem de moto para a França de 1940 pensando em como ajudar as vítimas da guerra. Uma noite, ele chegou a uma aldeia em Borgoña ao lado da linha que divide a França de Vichy, ocupada por Hitler.  A aldeia se chamava Taizé.

Ali fundou uma comunidade aberta aos membros de todas as Igrejas Cristãs. Ele nunca fez distinção entre os jovens de diferentes religiões. Luteranos, calvinistas, evangélicos, ortodoxos ou católicos se reuniam com ele.

Roger foi morar com sua irmã em uma casa abandonada até que a guerra foi chegando aos judeus, refugiados políticos e desertores nazistas. Todos eram bem-vindos naquela casa em ruínas e sem água corrente, independente do seu credo ou nacionalidade.

Ele costumava ir a um bosque para orar para os refugiados judeus e agnósticos. Nos anos 50, Roger começou a enviar irmãos da comunidade para viver em áreas particularmente afetadas pela pobreza e violência, a fim de estar ao lado das pessoas que sofrem e ser testemunhas da paz. 

Taizé acolhe todos os anos milhares de pessoas de todas as religiões que procuram uma experiência mística e uma espiritualidade sem fronteiras. Quando perguntado sobre as origens de Taizé, Roger sempre se lembrava de sua avó, uma mulher protestante que nos dias mais sombrios da Primeira Guerra Mundial, ia todas as noites rezar em uma Igreja Católica como um símbolo da unidade em uma Europa dividida pela guerra. 

Conhecido como Irmão Roger de Taizé, morreu aos 90 anos em 16 de Agosto de 2005, esfaqueado durante a celebração do ofício onde se encontravam mais de 2.500 jovens de vários lugares e países. A mulher que matou, um romeno chamado Luminita, tentou em vão conseguir uma entrevista com ele por meses, deu três facadas no pescoço e o religioso morreu poucos minutos depois.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.