quinta-feira, 30 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Hermógenes Lópes Coarchita

Pe. HERMÓGENES LÓPES COARCHITA
Mártir do Povo
GUATEMALA * 30/06/1978

Hermógenes Lópes Coarchita, sacerdote guatemalteco, pároco em São José Pinula e fundador da Ação Católica Rural. Tinha 50 anos e há doze anos pároco local. Assassinado quando regressava de uma visita a um doente. Por conta das diversas ameaças de morte, viajava sempre sozinho para não sacrificar a outros. 

Estava sozinho quando três homens com pistola 45 e armas de grosso calibre o matou à queima-roupa. Seu corpo metralhado caiu sobre a Bíblia, dentro da pick-up em que viajava. Os moradores descobriram seu corpo perfurado de balas na estrada. Tomados de dor e indignação levaram o corpo ensanguentado e o colocaram sobre o altar, no qual tantas vezes ele compartilhou com o povo, o pão e a palavra.

As causas de sua morte são muito clara: Hermógenes denunciou a forma brutal de recrutar jovens para o serviço militar dizendo: "Respeitem a dignidade dos jovens camponeses e não os maltratem nem os levem forçados para preencher os números dos quartéis"; opôs-se ao projeto da grande empresa AGUAS S.A. que deixaria sem água os camponeses, e a eles disse: "Não é lícito que vocês levem a água dos camponeses para vendê-la na capital"; protestou pelo alto custo do leite; denunciou a "campanha de vacinação", que não era senão uma campanha de esterilização das mulheres, e disse às autoridade do país: "A esterilização em massa é um desrespeito à dignidade e aos direitos das pessoas".

Todas as suas denúncias nada tinham de arrogância. Falava em nome do Evangelho, com profunda humildade, sem interesse próprio, falava como amigo dos pobres.

Apesar das constantes ameaças de morte, Hermógenes afirmou: "Se minha missão é dar a vida, assim farei. Mas nunca deixarei de lutar pelas causas que defendo". Em meio ao clima de violência vivido na Guatemala, dissera apenas cinco dias antes de morrer: "Se for necessário o sangue de um de nós para que haja paz, estou disposto a derramar o meu".

Em seu funeral estiveram presente 4.00 camponeses vindos de até 350km de distância. Muitos camponeses ficaram fora, sob a chuva durante as duas horas que durou a celebração presidida por diversos bispos e 50 sacerdotes. "O Padre Hermógenes foi um profeta. Morreu como morrem os profetas: assassinado... Ele clamou como João Batista: Não te é lícito... E por isso o mataram", disse um companheiro sacerdote. E um camponês afirmou: "Sentimos no coração o desaparecimento de nosso pastor... Ele estava conosco para solucionar os problemas do povo".

O Padre Mário Matamoros, reitor do seminário da Guatemala, visitou o Pe. Hermógenes no domingo antes de seu assassinato. Nessa oportunidade haviam conversado muito. Padre Mario dá este testemunho: "Hermógenes era um sacerdote simples e calmo. Quando denunciava algo é porque ele acreditava que o Evangelho não deixava outra alternativa. Disse-me que estava preparado para o que desse e viesse".

Pe. Hermógenes dedicou seus vinte e cinco anos de sacerdócio em defesa dos mais pobres.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura dos livros: Sangue Pelo Povo e Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Arturo Mackinnon

Pe. ARTURO MACKINNON
Mártir da Justiça
REPUBLICA DOMINICANA * 22/06/1965

Pe. Arturo Mackinnon pertencia à Sociedade Missionária dos Padres da Missão Estrangeira Scarboro, Canadá. Seu trabalho sacerdotal na República Dominicana começou em 06 de outubro de 1960, em Azua (1960-1961) em San José de Ocoa (1962-1964) e janeiro 1965 foi enviado para o Município de Monte Plata, onde ele foi violentamente assassinado aos 33 anos em 22 de junho de 1965, depois de protestar contra a detenção arbitrária de 37 pessoas.

Dispararam contra ele uma rajada de metralhadora à queima-roupa e em seguida vários tiros de pistola.

O exercito deu uma versão de que o sacerdote morrera junto a dois membros do exército. Vizinhos do lugar, que viram os movimentos e escutaram os disparos, bem como o superior religioso de Arturo, puderam reconstruir a execução sumária no meio do caminho, deste sacerdote muito querido, de espírito generoso e enorme senso de justiça.

Pe. Arturo era grande amigo da juventude e dos pobres. Tinha profundo anseio de justiça social e de respeito à pessoa humana. Mais de uma vez protestou energicamente, tanto em particular, como em público, contra as injustificadas arbitrariedades de certos militares contra o povo indefeso. Era um homem corajoso que sabia tomar posições em favor do povo. Foi acusado de ‘comunista’ e de ‘defensor de rebeldes’.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Leo Commissari

Pe. LEO COMMISSARI
Mártir das Lideranças de São Bernardo do Campo-SP
S. BERNARDO DO CAMPO-SP * 21/06/1998

Padre Leo Commissari nasceu em Bubano - Itália, em 19 de abril de 1942. Descendente de família religiosa viveu a infância numa situação de pobreza devido a Guerra e o Pós-Guerra. Ordenou-se sacerdote em 1976. Tendo como exemplo o irmão missionário na China Filippo Commissari, chegou ao Brasil em 1970 em Itapetinga - Bahia, onde viveu 7 anos. Voltando à Itália quis envolver o Bispo num projeto de missão diocesana para padres, irmãs e leigos. O sonho se realizou em 1980 quando os Bispos de Ímola e Santo André decidiram um intercâmbio de padres e irmãs "Projeto Igrejas Irmãs". Desde o começo o grupo então formado de 3 padres e 5 irmãs de diferentes congregações da Diocese de Ìmola, escolheram trabalhar na periferia de São Bernardo do Campo.

Enfrentou a resistência da ditadura militar para entrar no País, por causa da forte presença da igreja católica em movimentos grevista no ABCD. Em São Bernardo, se alojou na favela do Oleoduto, na Vila São Pedro, para sentir na pele o sofrimento do povo. Foi ali onde iniciou um trabalho junto à comunidade carente, lutando a vida toda para resgatar os pobres do esquecimento em que a sociedade os deixa.

Construiu uma creche comunitária, orientou ocupações de terra e idealizou um centro de formação profissional que, depois de sua morte, foi a ele dedicado, passando a se chamar Centro de Formação Profissional Padre Leo Commissari.

Era fim de quermesse, 21 de junho de 1998, quando o padre Leo Commissari pegou seu carro e partiu em direção a rua do Oleoduto, em São Bernardo. Na direção contrária da estreita via, um outro veículo o obrigou a parar. Dele saíram um homem e uma mulher armados.

Padre Leo teve tempo de reconhecer o rosto que se aproximava de seu carro e perguntar “Por que irá me matar, Joãozinho?”. O primeiro dos três disparos contra o missionário acabaria com sua trajetória de luta social na periferia de São Bernardo que já durava dez anos.

A descrição da cena do crime foi dada por seu parceiro, também missionário italiano, padre Sante Collina, 69 anos. Quatro anos depois da morte do amigo, padre Sante foi à penitenciária em que o assassino cumpria a pena de 21 anos e repetiu a pergunta“Joãzinho, por que matou padre Léo?”. A resposta foi um silêncio amargo e de cabeça baixa.

“Sabíamos que incomodávamos muita gente grande com nosso trabalho. Éramos muito queridos até por pessoas que tinham envolvimento com tráfico”, contou padre Sante. O missionário lembra que o assassino era vizinho da creche comunitária, onde tinha um ponto de venda drogas.“Atrapalhávamos o negócio dele. Padre Leo não chegou nem a reagir.”

A morte do missionário foi um grande choque para a população que acompanhava seu trabalho, e para a alta cúpula de bispos católicos da Itália.

Abaixo algumas frase do Pe. Leo Commissari:

“O amor a Cristo nos irmão é um amor capaz de ir até as últimas consequências, é um amor capaz de ir até a morte.”

“… estou convencido de que o Senhor nos chama, ainda antes do nascimento e, aos poucos, Ele nos manifesta e nos diz aquilo que quer de nós. Quando nos damos conta de que Ele nos chama a uma consagração plena definitiva, isto constitui apenas o começo de um caminho que devemos perceber dentro da normalidade da vida, vivida na Igreja”.

“… a essência da vida religiosa não está no fato de viver aqui ou em outro lugar, em casa ou no convento, fazer umas coisas ou outras, mas viver tudo por causa de Cristo, como resposta ao Seu amor por nós. E realmente faz-se necessário que haja pessoas que pensem e vivam desta maneira”.
           
“Encontrar Cristo e dedicar a vida a Ele é maravilhoso e extremamente fecundo e fonte de uma alegria que o mundo não conhece; e isto é necessário, no mundo há um desejo enorme disto! Faz-se necessário que o nosso amor a Cristo seja autêntico, no seguimento fiel e disponível a Ele, a fim de que Sua Presença seja visível a todos, como salvação e libertação”.

“A questão do amor e a questão da vocação estão estreitamente ligadas, e esta ligação é misteriosa. Esta ligação é o amor de Deus e o amor de Deus pelo homem. Este amor certamente iluminará o significado da sua vocação, dentro do tempo. É preciso ter paciência, basta esperar um pouco. Alguém ou alguma coisa o iluminará”.     
        
“Todavia sempre permanecerá o mistério e a decisão será sempre sua. Porém, com o tempo, chegará a você esta luz, que o fará compreender o suficiente e escolher com consciência e serenidade… O importante é não perder tempo, viver amando”.

“… sinto-me como uma pessoa que busca uma definição de si mesmo, uma verdadeira expressão, ou talvez mais verdadeira do que vocação fundamental que me atraiu, desde quando era adolescente”.  
   
“Jesus não disse que se deve estudar um código de leis ou de sabedoria, não pediu um aprofundamento da cultura teológica das pessoas, mas orientou para a fé. Um ato muito simples, “Eu confio em você, leve-me para onde quiser”.              

“A nós é pedido que sejamos fiéis até o fim, ao Evangelho, para que estejamos, ao mesmo tempo, ligados a Deus e ao seu povo. Estamos contentes. Não nos faltam a saúde e a alegria. Moramos na favela, mas a nossa barraca é limpa e até confortável na sua essencial pobreza. O trabalho é muito, mas não nos deixamos dominar pelas coisas a fazer. Sempre nos reunimos de manhã cedo para rezar e meditar a palavra de Deus”.

https://www.youtube.com/watch?v=F8vsg4EaH10

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Sergio Ortiz

SERGIO ORTIZ
Mártir da perseguição à Igreja na Guatemala
GUATEMALA * 21/06/1984

Sergio Ortiz, seminarista, foi sequestrado nos arredores da Universidade Nacional de San Carlos na Cidade da Guatemala. Foi encontrado morto dois dias depois. Seu corpo tinha sinais de torturas e um tiro de misericórdia.

O assassinato de Sergio é considerado como uma repressão oficial feita contra a Igreja Católica, por causa da atitude de denúncia que esta assume diante da situação econômica, social e política da Guatemala. 

“Há grupos poderosos interessados ​​em que os pobres não se despertem e nem que exijam seus direitos ... O fato de que algum padre se coloca a promover o camponês, a despertá-lo, a dizer de sua condição humana e sua dignidade, pode ser mal interpretado por aqueles que não querem que os guatemaltecos despertem para os seus  direitos, e que exijam seus direitos como pessoa. A pregação da Igreja não é uma mensagem abstrata para seres abstratos, mas sim uma mensagem eficaz para seres muito concreto, que têm problemas com que a marginalização, desemprego e violência”, disse o Arcebispo de Guatemala, Prospero Penados del Barrio, em 14 de julho de 1984.

Sergio representa esta Igreja particular, que desperta o irmão oprimidos e que diz com firmeza sobre os direitos que lhe é de direito.

É mais um mártir da justiça na Guatemala.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet no servicios koinonia.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Rafael Palacios

Pe. RAFAEL PALACIOS
Mártir das CEB’s
EL SALVADOR * 20/06/1979

Rafael Palacios nasceu em San Luis Taipa, em 16 de outubro de 1938, sendo ordenado sacerdote diocesano no dia 26 de maio de 1963.

Após o assassinato do Pe. Octavio Ortiz e quatros leigos em 20 de janeiro de 1979, Pe. Rafael foi substituí-lo na Paróquia San Francisco Mexicanos, de San Salvador. Nesta comunidade esteve totalmente dedicado ao trabalho dos setores operários, especialmente dos bairros de Santa Tecla e de Santa Luiza. Seu principal serviço pastoral era a formação de comunidades eclesiais de base. Nisso reside também à causa de sua morte.

No dia 20 de junho de 1979, se dirigia a uma reunião das Comunidades Eclesiais de Base, (CEB’s), na Igreja El Calvario, foi assassinado em plena rua, crivado de balas pela ultra-direita, aos 41 anos.

Assim relatou um amigo seu: “Desde que o conheci, o escutei dizer que um sacerdote não tem razão de ser, senão no seio de uma comunidade. Que o essencial da mensagem de Jesus foi convidar a humanidade dividida a lutar contra o que mantém as pessoas dispersas e desorientadas, isto é, o pecado. Jesus nos propõe seu plano e nos convida a segui-lo, não de qualquer modo, ...”.

“Todo o ideal do Pe. Rafael, sua vocação sacerdotal, sua inteligência, suas forças, colocou-as a serviço dos demais. Podíamos vê-lo sempre pelas ruas dos lugares onde havia trabalhado, tratando de convidar a todos para formar uma CEB’s. Este foi seu ideal e o conseguiu. Dizia que nessa comunhão íamos descobrindo o Reino. Sofreu muitas incompreensões e foi considerado uma pessoas perigosa, pelo simples fato de oferecer formação ao povo”.

Dom Romero, na homilia assim se referiu ao Pe. Rafael: “Posso dizer com as comunidades de base que tão bem o conhecera que ele estava longe de provocar qualquer violência, ou de semear ódio... Ele pregava o amor, era um homem de profunda meditação, que sempre acreditou mais na força do amor do que na violência, cujo ideal era o de criar comunidades de base inspiradas no amor de Jesus Cristo... Seria triste em um país onde o assassinato é cometido tão horrivelmente contra o povo, não encontrássemos também sacerdotes entre as vítimas. Eles são testemunhas de uma Igreja encarnada nos problemas de seu povo”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Romaria dos Mártires - Hoteis Para Reservas

Para @s Romeir@s e queiram se hospedar em Hotel, segue alguns contato abaixo para que reserve e  acerte direto com os mesmos.

Hotel Jerijá - 66 99658-8267
Hotel Recanto do Sol - 66 99624-6081
Hotel Rodoviária - 66 99999-7771 / 3489-1241


Galeria dos Mártires - Felipa Pucha e Pedro Cuji

FELIPA PUCHA e PEDRO CUJI
Mártires do Direito à Terra
EQUADOR * 17/06/1983

Felipa Pucha e Pedro Cuji, camponeses indígenas, mártires do direito à terra em Culluctuz, Equador. Felipa mãe de seis filhos e Pedro pai de dois filhos. Eles pertenciam à comunidade de Culluctuz, paróquia de Cicalpa, na província de Chimborazo. Assassinados por reivindicarem o direito à terra.

Salvador Santos, fazendeiro em terras indígenas e os fazem quase escravos, forçando ao trabalho duro para sustentar sua família, com um salário de miséria. Insatisfeito com o desempenho dos indígenas, ele manda punir os trabalhadores com barras de ferro.

Salvador Santos decide suspender por sete meses os camponeses em sua propriedade, enquanto chama outros trabalhadores, prometendo terra. “Nossos idosos têm permanecido em silêncio diante de tanta injustiça, porém, nós vamos nos organizar para denunciar”, diz José Chiliquinga, de 22 anos. Desde então, José começou a sofrer ameaças de morte, porque eu abri meus olhos e despertou as pessoas. Ele e o povo tem o apoio de sua comunidade e do padre de sua comunidade, bem como de um advogado para defendê-los.

Devido o problema das demissões, foi articulado uma reunião para o dia 16 entre os camponeses indígenas e o advogado, os representantes do Instituto Equatoriano de Reforma Agrária e Colonização, IERAC, e Salvador Santos.

Naquela noite, José passa perto da casa de Santos um de seus capangas puxa seu cabelo e joga-o no chão.

Santos estava ausente e foi avisado que os moradores tenham atacado a fazenda. Apareceu no dia seguinte, com dois filhos e três policiais armados com rifles. “Pelo menos têm que matar um. Por isso lhes pago!” ordena Santos. Os policiais, bêbados, disparam uma bala que atinge a cabeça de José e atravessa a Felipa Pucha, morrendo instantaneamente. Os camponeses tentam agarrar o assassino que foge perseguido por Pedro Cuji, mas o policial vira e o mata com um tiro. Segue correndo em direção ao rio, cai entre as pedras, as mulheres o amarram e o fizeram confessar.

Não se sabe quanto custou ao sargento para executar o “serviço” para Santos. Os camponeses derrubaram duas árvores para fechar a estrada e avisar outras comunidades. Quarenta policiais chegarem ao local. Mas o advogado consegue evitar um massacre. “Sangue inocente será a semente da libertação”, dizem os camponeses.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página http://servicioskoinonia.org/martirologio/ 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Massacre de Soweto

MASSACRE DE SOWETO
Mártires do Direito e da Liberdade
ÁFRICA DO SUL * 16/06/1976

Hoje fazemos memória dos 40 anos do terrível massacre de setecentas crianças assassinadas em Soweto, na África do Sul, por se negarem a aprender o “afrikaans”, a língua dos brancos que comandavam o país.

Hoje é feriado na África do Sul.

O 16 de junho é uma das datas mais importantes do país. É o Dia da Juventude. A data é uma homenagem aos mortos do massacre de Soweto, que aconteceu em 1976.

Cerca de 15 mil jovens estudantes da região, que fica na periferia de Johanesburgo, saíram às ruas em plena época do apartheid para protestar contra o sistema de educação. Na época, os negros pagavam para estudar em escolas superlotadas, enquanto os brancos tinham ensino de melhor qualidade de graça. O balanço do ano anterior mostrava que o percentual de investimento do governo sul-africano no ensino de um aluno branco era 15 vezes superior ao de um aluno negro. Essa situação gerou revolta.

Mas o estopim para o levante dos alunos foi a determinação de que seriam obrigatórias aulas de afrikaans nas escolas dos negros. O idioma, que tem origem no holandês, era usado pela minoria branca e, por isso, considerado um símbolo da repressão pelos negros.

Liderados pelo jovem Tsietsi Mashinini, os estudantes protestaram com faixas e cartazes. A polícia sul-africana reprimiu a manifestação com violência. O primeiro tiro matou o estudante Hector Pieterson, de 13 anos. A foto do garoto sendo carregado por um colega ficou famosa no mundo inteiro.

Mas isso só foi possível porque o fotógrafo Sam Mzima foi astuto. Logo que percebeu que havia feito uma boa imagem, guardou o rolo do filme na meia. Quando a polícia o abordou para verificar a câmera, o filme não estava mais na máquina. Depois que a foto foi publicada, Mzima passou a ser perseguido, e teve que sair de Johanesburgo. A moça da foto foi a única que sobreviveu. É Antoinette Sithole, irmã de Hector. Ela não conhecia Mbuyisa Makhubo, o homem que carregava seu irmão e do qual nunca mais se teve notícias.

Depois do tiro contra Hector, os jovens responderam com as únicas armas de que dispunham contra as forças armadas “as pedras espalhadas pelo chão”. Cerca de 700 manifestantes morreram. O líder dos estudantes, Tsietsi Mashinini, foi exilado do país.

A crescente pressão internacional e o fortalecimento da luta pelo fim do apartheid que se seguiu acabaram culminando com a libertação de Nelson Mandela, em 1990, e as primeiras eleições multi-raciais, quatro anos depois. Hoje o bairro de Soweto é uma das atrações turísticas mais populares da África do Sul, com vários hotéis, um suntuoso estádio de futebol onde foram realizadas partidas da copa e shopping.

Foi em 1991 que, em homenagem aos mortos do massacre, a Organização de Unidade Africana (OUA) instituiu a data de 16 de junho como o Dia da Juventude. Hector Pieterson ganhou um tributo especial: um memorial na praça que leva o seu nome em Soweto. Sua irmã, Antoinette, é uma das responsáveis pelo museu.

Em 2006 tive a oportunidade de conhecer este museu e ver de perto objetos destes mártires da liberdade. Sapatos, materiais escolares, pedras, símbolos desta resistência. E sentir o tanto que é forte e presente a memória desta luta.

Nesta minha visita foi possível enxergar também a enorme contradição em que vive os ricos e os pobres, de um lado do bairro uma enorme favela e do outro lado casa suntuosas. Poderíamos até dizer que convivem pacificamente, mas as realidades são brutais, são mundos opostos que vivem os pobres e os ricos.

DEUS DA NOSSA TERRA, ÁFRICA – L: D. Pedro Casaldáliga / versão completamente livre de “Nkosi Sikelelei’iÁfrica”

1-     Deus da nossa terra, África,
        Pai da pátria negra,
        vem nos libertar!
        Ouve um Povo inteiro a clamar.
        Presos, somos dia!
        Mortos, seremos vida! (bis)

2-     Desce, Senhor:
        faz de nosso pranto uma festa!
        Rompe, Senhor:
        Sol da nossa terra ao sol!
        Sangue de irmãos
        banhando o nosso chão,
        lava o coração
        e vence a opressão. (bis)

3-     Meninos de Soweto, diamantes dessa dor,
        gritos de combate colhido em flor.
        Meninos de Soweto, diamantes dessa dor,
        oferenda mártir da libertação.

4-     Não segregados!
        Nunca domados! (bis)

5-     Unidos numa voz
        seremos nós África!

6-     Filhos libertos somos cantos floridos. (bis)
        Unidos numa voz
             seremos nós África!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Aurora Vivar Vásquez

AURORA VIVAR VÁSQUEZ
Mártir das Lutas Operárias
PERU * 16/06/1976


Aurora Vivar Vásquez, operária, militante cristã e secretária geral do Sindicato Único de Tiendas Monterrey. Morreu "misteriosamente" nos momentos mais combativos de sua vida sindical.

Participava de uma comunidade paroquial de um populoso bairro de Lima, participou ativamente na evangelização desde muito jovem.

Quem a conheceu de perto se recorda dela como uma militante combativa, classista e solidária. Sua luta não estava desligada do trabalho com os setores mais difíceis de integrar ativamente à revolução.

Sua experiência de luta se tornou ainda mais sensível por todos os que sofrem e sua fé estava arraigada no mais profundo do projeto histórico dos pobres.

Aurora tinha 42 anos quando morreu.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura do livro: Sangue Pelo Povo.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Gisley Azevedo

Pe. GISLEY AZEVEDO
Mártir da Juventude
BRAZLÂNDIA-DF 15/06/2009

Gilsey Azevedo, religioso estigmatino, nasceu em Morinhos, Goiás aos 17 de novembro de 1977.

Esteve na equipe do Instituto de Pastoral da Juventude Leste 2 (Belo Horizonte-MG)  e na assessoria do Setor juventude da CNBB nos anos de 2006 a 2009. Colaborou no processo de elaboração do Documento 85 da CNBB “Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas”. 

Como Assessor da Pastoral da Juventude, esteve presente na caminhada das Pastorais da Juventude do Brasil, nas atividade nacionais e regionais, assim como em encontros e atividades de Congregações e movimentos que trabalham com juventude.

Sempre a serviço do povo e de maneira particular comprometido com a juventude, onde assessorou muitos encontros e se fez presença certa na caminhada das Juventudes do Brasil, seja na CNBB como também em atividades de sua congregação.

Justamente no momento em que organizava a Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens, com o lema: “Juventude em Marcha Contra a Violência”, foi ele vítima desta violência, tombando mártir aos 31 anos.

É exemplo de amigo, assessor de juventude e religioso sacerdote comprometido com a causa do Reino de Deus.

Celebrando os 7 anos de seu martírio, propomos que estejamos em sintonia, emanando energias numa grande ciranda de memória e defesa das Juventudes.

Durante este dia e toda esta semana tiremos um momento para em silêncio, cantar, dançar, acender uma vela, entoar uma prece.

"Vamos juntos e juntas girar o mundo".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Mártires da "Operação Albânia"

MÁRTIRES DA OPERAÇÃO ALBÂNIA
Mártires da Justiça
CHILE * 15/06/1987

Operação Albânia, 12 jovens assassinados em Santiago pelo serviço de segurança.

Os nomes destes mártires segue na memória e luta do povo chileno:
Esther Cabrera, Elizabeth Escobar, Angelica Quiroz, Ignacio Recaredo, Ricardo Acosta, Julio Guerra, Juan Waldemar, Wilson Henriquez Manuel Valencia, Ricardo Silva, Ricardo Rivera, José Joaquín Valenzuela Levy.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Frei Cosme Spessoto

Frei COSME SPESSOTO
Mártir da Caridade
EL SALVADOR * 14/06/1980

Frei Cosme Spessoto, italiano, sacerdote franciscano de 57 anos. “O vinhateiro de San Juan Nonualco”, como era chamado por sua obstinação em tratar de cultivar a vinha do Senhor e de conseguir esse intento.

Pároco durante 27 anos e vigário episcopal da diocese de San Vicente, foi assassinado por quatro indivíduos bem armados que entraram na igreja e dispararam enquanto rezava.


Mártir da caridade, desenvolveu durante sua vida uma incansável atividade missionária. Sua intenção foi ser “instrumento de paz” entre seus paroquianos, para terminar com a violência.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Pe. Mauricio Silva

Pe. MAURICIO SILVA
Mártir dos Pobres
ARGENTINA * 14/06/1977

Mauricio Silva, Membro da Fraternidade de Irmãozinhos do Evangelho e gari das ruas de Buenos Aires. Sequestrado quando se apresentava para trabalhar como todos os dias.

Depois, a casa da comunidade foi invadida pelo exército à procura de “provas subversivas” e sua ficha de empregado municipal, retirada.

Mauricio nasceu em Montevidéu e foi ordenado sacerdote salesiano em 1951. A partir daí trabalhou como missionário na Patagônia argentina. De volta a Montevidéu desempenhou intensa atividade pastoral.

Aos 45 anos sentiu-se fortemente atraído pela espiritualidade de Foucauld e ingressou na Fraternidade de Buenos Aires. Depois do noviciado trabalhou entre os “cirujas”* nas lixeiras de Rosário. Volta a Buenos Aires para prestar testemunho entre os varredores de ruas. Quando um de seus antigos amigos o descobre, Maurício saúda, sorri e continua silencioso, atrás de sua vassoura, tornando realidade o que escrevera em um de seus poemas: “Quando amar é um sulco humilde e obscuro que reclama o grão para ser fecundo e morrer na solidão, eu sei que tu estás, Senhor”.

Onde está agora Mauricio carregando o seu Senhor? “Esta pessoa não existe na Argentina”, respondem as autoridades invariavelmente, apesar dos pedidos internacionais e até do próprio Papa Paulo VI.

* Cirujas: pessoas miseráveis que procuram entre o lixo alimentos, roupas e objetos diversos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

domingo, 12 de junho de 2016

Galeria dos Mártires - Novo Massacre de Sumpul

NOVO MASSACRE DE SUMPUL
Mártires da Resistência
EL SALVADOR * 12/06/1982

Novo massacre de Sumpul, mais de 300 agricultores, a maioria mulheres, crianças e idosos, foram assassinados ao tentar chegar à fronteira de Honduras. Depois dos combates com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, FMLN, tropas especializadas de El Salvador e Honduras, com assessores norte-americanos, ataque durante 15 dias a população civil de Cabañas e Chalatenango.

Em 29 de maio, mais de 700 camponeses indefesos de Los Amates e Santa Anita começou um desesperado êxodo em massa, em direção à fronteira. Eles tentam se esconder nas colinas e vales, comendo ervas e raízes. Soldados os perseguiam, metralhando, matando de qualquer maneira aqueles que conseguem alcançar a fronteira. Chegaram no Rio Sumpul, exaustos, alguns feridos, aterrorizados, os agricultores tentaram atravessa-lo. As crianças e os idosos não puderam resistir à força da água e se afogar. Como em 1980, o Rio Sumpul novamente é manchado de sangue inocente.

Hondurenho que atinjam ao outro lado são resgatados por observadores internacionais, que enfrentam duramente aos oficiais e soldados. Eles conseguem levá-los para o campo de refugiados em Mesa Grande. 163 agricultores se encontravam exaustos, dilacerados pela dor. Como um casal que, depois de perder um filho, corre para se refugiar em uma casa; quando se aproximam da casa, ouvem gritos de mulheres e crianças que estão sendo queimados vivos dento dela. Ou a mãe que chega a Mesa Grande totalmente muda, pois perdeu seis filhos pequenos. Todos testemunharam cenas sangrentas, horríveis. Alguns morrem logo ao chegar ao outro lado do rio. Só tiveram tempo de pedir que resgatassem aos companheiros espalhados nas montanhas. Eles viveram e deram a vida por lutar pela paz.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página http://servicioskoinonia.org/martirologio/