terça-feira, 31 de maio de 2016

Galeria dos Mártires - Mercídio de Souza

MERCÍDIO DE SOUZA
Mártir da Terra
ITACAJÁ-GO * 01/06/1987

Mercídio de Souza, posseiro, assassinado na Fazenda Brejão pelo pistoleiro Bahiano, a mando de fazendeiros da região, no município de Itacajá-GO, no dia 1 de junho de 1987


Vieram cheios de sobrenomes.
As mãos seladas no aço dos fuzis
E no arame, esgotando o tempo da tolerância,
Tenso e rebelado nas rasuras da tarde.

Chegaram, estranhos, avançando
Em alvoroço para dentro de junho
Para as aclamações do sol
No foro íntimo das mulheres
Que fiavam o amanhã no vento.

Teceram as redes da violência
E extinguiram as estrelas, derrubadas.
Extinguiram a beleza e os costumes de ressuscitar.
Prenderam o dia nas gavetas, a chaves.
Criaram roupas de sacrifício,
Como se houvessem pedidos.
Desataram o som agudo da morte
Sobre os corpos, os ferros e os terrenos.
E inventaram o abismo e os desígnios de silêncio.
Separaram casas, derrubaram roças, à maneira da Ordem.
Do corpo, o teu, fizeram destroços,
Uma vasilha rasa para morrer...

Texto do Livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira, Ed. Loyola.

Galeria dos Mártires - Pe. Sergio Restrepo Jaramillo

SERGIO RESTREPO JARAMILLO
Mártir da Libertação
COLÔMBIA * 01/06/1989

Pe. Sergio Restrepo Jaramillo, jesuíta de 49 anos, mártir da promoção humana e libertação dos camponeses de Tierralta, Colômbia. 

Assassinado na frente da paróquia de Tierralta, Córdoba, enquanto conversava com os seus colegas padres e vários leigos.

Sergio nasceu em Medellín e entrou na Companhia de Jesus aos 18 anos. Foi ordenado sacerdote em 1970, depois de trabalhar por vários anos em sua cidade natal, em 1980 ele foi nomeado pároco em Tierralta. 

Nos últimos anos, a região era um campo de ação das guerrilhas. Os traficantes de drogas compraram grandes extensões de terra e militares e mafiosos não viam com bons olhos o trabalho dos sacerdotes nas aldeias. Porém sua opção pelos pobres é clara e a sua evangelização profética incluía a crítica da organização social injusta da Colômbia. 

A paróquia de Tierralta oferece uma nova imagem da Igreja, e Sergio é a liderança. Com uma grande capacidade de comunicação, é amigo de todos. De enorme sensibilidade artística, é guardião da cultura sinú, cujas expressões foram coletadas em um museu. Enamorado da natureza, cria um parque no meio da cidade. "Todo mundo ajudou, preto e branco, policiais e costureiras, bons e malucos", disse uma senhora. 

Dois assassinos atirar-lhe no rosto e o mataram. Seu corpo cai estendido no chão. Sergio trazia uma carta escrita: "Aqui se constrói espaços para a paz". Ele foi levado para Medellin, onde bispos, sacerdotes, familiares e amigos se reúnem para despedir-se deste servidor dos pobres.

Alguns versos escrito por Sergio em seu último retiro: "Fue un navegante / varado en tierra firme. / Buscó siempre el amor / en las rutas incógnitas / de la inefable rosa de los vientos. / Creyó en la vida. / Hizo de la amistad su lema. / Su existencia fue un sueño. / Y a su muerte / devolvió a Dios su alma / y reintegró a la tierra / lo que ella le había dado: / un efímero nombre. / Y un puñado de huesos".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura da página do Serviço Koinonia.

domingo, 29 de maio de 2016

Galeria dos Mártires - Raimundo Ferreira Lima, "Gringo"

RAIMUNDO FERREIRA LIMA, “GRINGO”
Mártir da Reforma Agrária
CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA – PA * 29/05/1980

Raimundo, familiarmente apelidado de “Gringo”, 43 anos e pai de seis filhos, juntou a simpatia com a combatividade, uma fé cada vez mais consciente e consequente com a luta tenaz e organizada.

Agente de pastoral da diocese de Conceição do Araguaia e líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Foi sequestrado, com implicação da polícia e a mando do latifúndio, foi levado de madrugada aos arredores de Araguaína, torturado e morto à bala. Seu corpo apresentava sinais de golpes na cabeça e um braço fraturado.

A história de “Gringo” nada mais é que a própria história de seu povo, cujos direitos defendeu, como cristão e como sindicalista autêntico. Muitas vezes ameaçado de morte, jamais cedeu diante dessas ameaças. Verdadeiro líder, “sua combatividade e sua coragem eram nossa força, que crescerá com seu martírio”, afirma um de seus companheiros sindicalistas.

Mais de 3.000 pessoas assistiram aos funerais de “Gringo”, presididos pelo bispo, e celebrados na praça da catedral de Araguaia. Famílias inteiras chegaram de barco, navegando pelo rio, trezentos quilômetros, e outras caminharam, durante três dias, para acompanharem seus restos mortais, e rezar por aquele que havia sido sua autêntica voz.

Seu testemunho ficou como uma luz, sobretudo na região do Araguaia.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

A nuvem feita no azul
Estancou-se no ninho das horas
Sangrando junto ao vazio.
Choraram as mães, prontas como sombra,
Ditando ao outono, no teu nome,
A designação plural dos cajueiros.
Choraram os meninos ao longo do fogo
Parecidos no ocaso e no destino – que ignoram
Cuidando do esquecimento.
Choraram os lavradores no meio do escuro
Fundindo nas trevas o grito derradeiro
Que habita toda garganta sufocada.

Onde a manhã amadurece as mãos para a paz
Plantaram tuas raízes.
A umidade pôs orvalho nas argilas
E a água extenuou o som, fio a fio,
Florescendo a ternura volumosa pelos campos.

Aí, Raimundo, estás disperso como semente,
Como palavra para um poema que nasce
Como extensões de jardins na paisagem.
Aí, Raimundo, teu nome é sempre uma festa,
Uma notícia exalada de perfume,
Um motivo a mais para esperar a aurora...

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Massacre Coletivo de Panzós

MASSACRE COLETIVO DE PANZÓS
Mártires Indígenas Quichés
GUATEMALA * 29/05/1978

A partir de 1976, diante da reorganização do Movimento Popular na Guatemala (América Central), o exército partiu para a ocupação militar sistemática de diferentes áreas do país. A repressão, que começara sendo seletiva, contra os lideres ou animadores, se generalizou, com caráter de verdadeiro genocídio, em sequestro, assassinatos, bombardeios, queimadas de roças e aldeias. E no dia 29 de maio de 1978 culminou com o MASSACRE COLETIVO DE PANZÓS.

Panzós é um povoado de índios Kekchi, fundamentalmente, no vale do rio Polochic, departamento ou estado de Alta Verapaz, a uns 200 quilômetros ao norte da capital guatemalteca.

Mais de 600 camponeses indígenas se reuniram, naquele 29 de maio, na praça de Panzós, respondendo a um chamado  do prefeito local e para reivindicarem as terras que lhes pertenciam, de tempos imemoriais, subitamente passadas às mãos dos latifundiário e militantes, por meio de todo tipo de manobras e violências.

Os indígenas, que foram à praça “com a paz no coração”, tentaram falar, mas não foram ouvidos e a resposta foi brutal: latifúndios, soldados e policiais abriram fogo indiscriminadamente contra a multidão indefesa, que encontrou a morte na praça, nas ruas, no campo e até no rio, onde alguns se jogaram, fugindo do ataque.

Duas caminhonetes de cadáveres – mais de 119, crianças e mulheres também – foram sepultados numa vala comum.

PANZÓS foi o primeiro massacre coletivo de toda uma série de massacres, que vêm dizimando o povo mártir da Guatemala. Pela crueldade e da injustiça de um exército e de uns governos a serviço dos grandes do país e da política dos Estados Unidos. Hoje a Guatemala tem um Governo democrata-cristão, porém “em matéria de direitos humanos não somente não se deram os progressos almejados, mas a situação se agravou”, segundo o informe do Comitê Pró-Justiça e Paz da Guatemala, apresentado, no mês de março de 1988, à comissão de Direitos Humanos da ONU.

“Panzós continua hoje”

No décimo aniversário de Panzós foi proclamado DIA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE COM A GUATEMALA. Para que o povo da Guatemala viva na liberdade, na justiça e na paz. Para que a terra da Guatemala seja do povo guatemalteco. Para que os indígenas guatemaltecos possam viver, livres e unidos, sendo eles, em sua terra, a antiga terra do povo Maia.

Texto elaborado pelo bispo Pedro Casaldáliga para o Jornal Alvorada em 1988.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Galeria dos Mártires - Adelino Ramos "Dinho"

ADELINO RAMOS
Mártir da Terra Livre
PORTO VELHO-RO * 27/05/2011


Memória dos 5 anos de Martírio.

Adelino Ramos, 56 anos, dirigente camponês, agricultor, que participou da invasão da fazenda Santa Elina, palco do massacre de Corumbiara (RO), em agosto de 1995, foi assassinado na manhã de 27 de maio de 2011, no distrito de Vista Alegre do Abunã, em Porto Velho (RO), enquanto vendia verduras produzidas no acampamento onde vivia. Adelino estava acompanhado da esposa e duas filhas quando foi abordado e atingido com cinco tiros.

O homem atirou cinco vezes e continuou andando e se escondeu na mata quando a mulher de Adelino, identificada como Eliana, começou a gritar. Ela está sob proteção policial porque viu o assassino.

Em junho de 2010, durante reunião em Manaus (AM), Dinho chegou a denunciar ao ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, sobre as ameaças de morte que sofria.

Era perseguido por latifundiários como um dos líderes do MCC. Ele morava no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, em Lábrea, no Amazonas, e denunciava a ação de madeireiros.

Segundo a CPT, Dinho e um grupo de trabalhadores reivindicavam uma área na região para a criação de um assentamento. No início do mês de maio, o Ibama iniciou uma operação no local, onde apreendeu madeira e cabeças de gado que estavam em áreas de preservação. A CPT na região acredita que esse foi o motivo da morte do camponês.

O assassinato de Adelino Ramos é o terceiro na Amazônia Legal em menos de uma semana. Na terça-feira 24 de maio, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foram mortos a tiros numa estrada vicinal em Nova Ipixuna, sudeste do Pará.

A CPT denuncia que madeireiros estão ameaçando  de morte a agricultora Nilcilene Miguel de Lima, de Lábrea, presidente da Associação “Deus Proverá”, no sul do Amazonas. Assentada na região há sete anos, Nilcilene desenvolve atividades de cultivo familiar ligadas à conservação do meio ambiente, da floresta e ao ativismo social.

A rica e exuberante região de Lábrea, na divisa dos estados do Acre, Rondônia e Amazonas, tem sido palco de muitos conflitos nas últimas décadas por causa da luta pela posse terra, principalmente para pecuária e exploração madeireira.

Os então ministros Gilberto Carvalho  (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Maria do Rosário Nunes (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) divulgaram uma nota sobre o assassinato do líder camponês Adelino Ramos. Eles manifestaram “total repúdio e indignação”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Antônio Henrique Pereira da Silva Neto

PE. ANTONIO HENRIQUE PEREIRA DA SILVA NETO
Mártir da Juventude
RECIFE – PE * 26/05/1969

Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, nascido no Recife em 28 de outubro de 1940, primeiro dos doze filhos de José Henrique Pereira da Silva Neto e Isaíras Pereira da Silva, ordenou-se sacerdote na Matriz Nossa Senhora do Rosário da Torre, por Dom Helder Câmara, aos 25 anos de idade.

Sociólogo e professor, trabalhou nos colégios Marista, Nóbrega e Vera Cruz, na Escola Técnica do Derby e na Faculdade de Ciências Sociais, além de ensinar no Juvenato Dom Vital e na Cúria Metropolitana do Recife.

Na vida religiosa se dedicava aos jovens. Tratava de assuntos que interessavam à juventude, como o conflito de gerações e as drogas, procurando despertar uma visão mais humana e consciente da sociedade. Como coordenador da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Olinda e do Recife participou de encontros juvenis em âmbito diocesano, regional, nacional e internacional.

No seu trabalho com jovens também mantinha contato com estudantes cassados e destacava-se por ser um grande opositor aos métodos de repressão utilizados pelo Regime Militar, o que lhe rendeu várias ameaças vindas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Como não se rendia, padre Henrique pagou com sua vida.

Na noite de 26 de maio de 1969, depois de participar de uma reunião com grupo de jovens católicos, no bairro de Parnamirim, foi sequestrado e levado em uma camionete. Seu corpo foi encontrado na manhã do dia seguinte, num matagal na Cidade Universitária, com marcas de espancamento, queimaduras, cortes profundos por todo o corpo e ferimentos produzidos por arma de fogo.

O assassinato causou grande revolta e comoção. O enterro reuniu milhares de pessoas em um cortejo que saiu da Igreja do Espinheiro para o Cemitério da Várzea. A caminhada foi interrompida duas vezes pela polícia devido as faixas de protesto que os estudantes levavam. Uma delas, conduzidas por Umberto Câmara Neto, líder estudantil, dizia: "A Ditadura Militar matou o Padre Henrique". Retiradas as faixas, a multidão fez todo o percurso cantando o hino "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo Irmão".

O assassinato do Pe. Henrique foi parte de uma série premeditada de ameaças e avisos. O Palácio de Manguinhos (sede dos movimentos pastorais da Arquidiocese) foi pichado várias vezes. A residencia do arcebispo, uma sacristia, também foi alvo de tiros e pichações. Vieram depois ameaças telefônicas, com aviso de que as próximas vitimas já haviam sido escolhias.

Alguns dias depois do assassinato, foi criada uma Comissão Judiciária de Inquérito, que seguiu várias linhas de investigação, crime passional, por drogas, político. A mãe do Padre Henrique, Dona Isaíras, passou 20 anos lutando para a finalização desse inquérito, acusando agentes da Secretaria de Segurança Pública.

Mesmo com a luta por justiça o inquérito foi arquivado e mantido como segredo de Justiça. Ninguém foi condenado, apesar das testemunhas e das provas apresentadas.
 
O assassinato do Padre Henrique foi um dos grandes pilares para a deteriorização da relação entre Igreja e militares, já desgastada pelas constantes críticas de Dom Helder ao regime militar. A morte de um membro eclesiástico tão próximo a Dom Helder sugere a possibilidade de uma ação retaliadora para "calar" as denuncias do arcebispo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Galeria dos Mártires - José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva

JOSÉ CLÁUDIO RIBEIRO DA SILVA e MARIA DO ESPÍRITO SANTO DA SILVA
Mártires e Heróis da Floresta
NOVA IPIXUNA-PA * 24/05/2011

Memória dos 5 anos do Martírio.

O casal de lideres extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foi executado na manhã de 24 de Maio de 2011 na cidade de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará, cidade a 390 quilômetros de Belém.

A suspeita de Organizações Não Governamentais (ONG’s) e da família é que eles tenham sidos executados por madeireiros da região. Silva era considerado sucessor de Chico Mendes, em referência ao líder dos seringueiros do Acre que foi morto em 1988 por sua defesa da Amazônia.

O casal saiu do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, localizado a cerca de 50 quilômetros da sede do município de Nova Ipixuna, quando foi cercado em uma ponte por pistoleiros. Ali, eles foram executados a tiros.

José Claudio da Silva vinha recebendo ameaças de madeireiros da região desde 2008. Segundo informações do CNS, desconhecidos costumavam rondar a residência do casal disparando vários tiros para tentar intimidá-los. José Cláudio da Silva era um dos principais defensores da preservação das floresta amazônica após a morte de Chico Mendes e constantemente fazia denúncias sobre o avanço ilegal na área de de preservação onde trabalhava por madeireiros para extração de espécies como castanheira, angelim e jatobá.

Em 2010, durante evento que discutia a preservação da floresta amazônica, José Cláudio da Silva classificou como “assassinato” a derrubada de árvores da região e disse que “vivia com a bala na cabeça” por causa das constantes denúncias contra madeireiros. “Vivo da floresta, protejo ela de todo jeito. Por isso, eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque eu vou pra cima, eu denuncio os madeireiros, eu denuncio os carvoeiros e por isso eles acham que eu não posso existir”, disse.

Ele ainda declarou. “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo. Eu estou aqui conversando com vocês, daqui um mês vocês podem saber a notícia que eu desapareci. Me perguntam: tem medo? Tenho, sou ser humano, mas o meu medo não me cala. Enquanto eu tiver força pra andar eu estarei denunciando aquele que prejudica a floresta”, afirmou.

"Queremos um mundo em que o ser humano aprecie a natureza, viva cercado por ela e admire a castanheira, viva, na floresta, não como uma bela tábua em sua casa"

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=78ViguhyTwQ
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rsj9WqxdmSA

segunda-feira, 23 de maio de 2016

CARAVANAS PARA A ROMARIA DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA 2016

Abaixo segue os contados das pessoas que estão organizando as caravanas para a Romaria. Quem estiver interessado, é só entrar em contato com os responsáveis das diversas regiões do país e já entrar em sintonia e comunhão com todos e todas que querem celebrar a memória profética dos nossos Mártires.
Mais informações é só entrar em contato via correio eletrônico.

Romaria dos Mártires dia 16 e 17 de julho de 2016
Ribeirão Cascalheira MT - Prelazia de São Felix do Araguaia .
http://irmandadedosmartires.blogspot.com.br - romariadosmartires2016@gmail.com

Hospedagem solidária: nas casas das famílias hospedeiras, escolas – trazer roupa de cama, redes, colchões, objetos de uso pessoal.

Para aqueles/as que queiram hospedar-se em hotéis, fazer sua reserva nestes números: Ana Hotel – 66 34891534; Aroeira – 66 34892046; Jerivá – 66 34891177; Nossa Senhora de Fátima – 66 34891534/1543; Refatti – 66 34891043;

SÃO PAULO:
Saída de São Paulo dia 14/07/2016 as 23:00 h Centro Pastoral São Jose - Metro Belém.
Chegada em São Paulo dia 18/07/2016 as 21:00
Valor da passagem R$ 500,00
Contatos Edevaldo (11) 99644-0954 - 25975356
Email: edapmarques@hotmail.com

Micro ônibus para a Romaria dos Mártires. - Ainda tem 10 vagas.
Saída de Goiânia, aeroporto Santa Genoveva
Dia 15/07/2016 às 19h
Após a Romaria, no domingo dia 17, o grupo seguirá para São Félix do Araguaia, retornando para Goiânia dia 20.
Organizado por: ISABEL PERES DOS SANTOS
Fone: 11 4323-0443 / 99637-0443
Isabel.peres@uol.com.br

São José dos Campos, SP
Responsáveis: pela irmandade Paulinho e Daniele – Cel 12.997654551: Cebs Silvia 12 981420622
E-mail: oliveirapj@ig.com.br

Mogi das Cruzes – 15 pessoas
Responsável: Jéssica
Email: jessica@sintesecontabilidade
Whats (011) 97239-3855 (VIVO)

BELO HORIZONTE-MG
Responsável: Edgar Mansur
Tel. 31. 988396304
Email: pjbetim@gmail.com

BELO HORIZONTE-MG
Responsável: Durval, Inez
Email: inezgrigolo@gmail.com

IPATINGA-MG - (3 ônibus)
Responsável: Marleny Gonçalves Bonifácio
Tel. 31.38242540 Cel. 31.984284537

MONTES CLARO-MG
Responsável: Sônia Gomes de Oliveira
Email: negasonia@gmail.com

APUCARANA-PR - Tem vagas ainda
Tatiane Camargo - Coordenadora Diocesana
Pastoral da Juventude - Diocese de Apucarana
tatianecristi@hotmail.com
Celular (43) 9954-0296

CARINHANHA-BA
Alberto Farias
betofariascnn@yahoo.com.br

BELÉM:
Saída de Belém dia 13/07/2016
Valor da passagem R$ 600,00
Contatos Arleth (91) 98142-4611 - 3351-5800
Email: arleth.adv@gmail.com

MARABÁ-PA
Diocese de Marabá
Dauristela Oliveira (CEBs) (94) 981340204/991237103
Marcos Reis (CIMI) (94) 991857405

CAMPO GRANDE:
Responsável: Jairce da Guia Medeiros Ramos
Email: jairceguia@hotmail.com
Watsap 06799197347

CUIABÁ – Paróquia do Rosário e Jesuítas
Responsábel: Aloir – tel 65 99330164
Email: aloirpacini@gmail.com

PORTO VELHO-Rondônia:
Responsável: Carlos Victor
Email: coordenacaopastoralpvh@hotmail.com

BRASÍLIA:
Responsável: Danilo e Jardel
Valor da passagem e contribuição com a Romaria: R$ 220,00
Saída: 15/07/2016
Email: danilogdflp@gmail.com / ejas.jardel@gmail.com
Outras informações:
https://docs.google.com/forms/d/13_B2b4Lvfi0BaseuALNb--pW-Ev-rm9xU-Yc3EXnRYw/viewform?c=0&w=1

DISTRITO FEDERAL:
Responsável: Sued
Watsap: 61 8188-6641

GOIÁS:
Pe. Wellington Pain - Diocese de Goiás
62 8592 7117
wellingtonpain@hotmail.com

GOIÂNIA:
Ir. Joana Dalva Alves Mendes
Fone: 62 8436-1977
email: lsjoana@gmail.com

GOIÂNIA:
Romaria dos Mártires da Caminhada
II Encontro das Gerações PJoteiras
Curso de Verão de Goiânia - Goiás

Romeiras e Romeiros da Caminhada,
Você está convidada e convidado a participar com o Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude – CAJUEIRO e o Curso de Verão - Goiânia/GO da Romaria dos Mártires da Caminhada que acontecerá entre os dias 16 e 17 de julho de 2016. Momento para fortalecer nossa espiritualidade no compromisso de construção do Reino. A romaria já é uma tradição que acontece desde 1986, no Povoado de Ribeirão Bonito, distrito de Cascalheira, "Cruz do Padre João", Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Território que desde os anos 1970 atuou o bispo profeta e poeta Dom Pedro Casaldáliga.
 “Terra da esperança povo em mutirão”
Como garantir sua vaga?
Faça sua inscrição no formulário - através do link abaixo:
https://docs.google.com/forms/d/16nb2UcF2MUcfUjf2JiHJSQ6yiouOVT5gCaHKPrZ2dgI/viewform?c=0&w=1
A comunicação sobre a romaria, pedimos que encaminhem para o email: centrojuventude@cajueiro.org.br
Formas de pagamento:
À vista R$ 200,00 ou em 04 parcelas de R$ 50,00 -  Primeira parcela a ser paga no dia 20 de fevereiro/2016 e última parcela dia 20 de junho/2016.
O pagamento deverá ser feito através de depósito nominal e enviar o comprovante de depósito o e cópia dos documentos de RG e CPF para o email: centrojuventude@cajueiro.org.br ou centrocajueiro@gmail.com
Maiores informações - (62) 3225 - 8095 falar com Marisa do CEBI e Curso de Verão.
Hospedagem e alimentação:
As hospedagens acontecem conforme a organização das caravanas em escolas e creches municipais. Obs.: hotel ou pousada deve ser contatado ou reservado pessoalmente pelo/a interessado/a.
A alimentação está garantida pela organização da Romaria (dois almoços, uma janta e um café da manhã).
O que levar?
Traga suas bandeiras e cartazes de luta;
Rede com as cordas para amarrar ou sacos de dormir. Não será possível levar colchonetes no ônibus;
Roupa de cama e banho e material de higiene pessoal;
Agasalho - a noite faz frio e às vezes chove;
Sacola ou mochila com protetor solar, garrafa para água, boné, sobrinha...
Medicamentos de uso pessoal;
HORÁRIOS DE SAÍDA:
Goiânia - dia 15 de julho - 20h - Local - (a definir)
Ribeirão Cascalheira - dia 17 de julho - 16h, chegando em Goiânia, 4horas da manhã.


Galeria dos Mártires - Elisabeth Käsemann

ELISABETH KÄSEMANN
Mártir pela Causa dos Pobres
ARGENTINA * 23/05/1977

Elisabeth Käsemann, socióloga, nascida em 11 de maio de 1947, em Gelsenkirchen, Alemanhã. Seu pai Ernst Käsemann, um dos teólogos luterano mais importantes do país, era um membro da resistência anti-nazista e sua Sra. Margrit Wizermann. 


Completou seus estudos primários e secundários em Göttingen e Tübingen durante os anos de 1954-1966. Como tinha uma forte sensibilidade social e política, Elisabeth organizou em seu colégio em Tübingen uma "discussão política do clube". Mais tarde, estudou sociologia na Universidade Livre de Berlim, onde alemães e intelectuais socialistas latino-americanos estavam ligados. Participou em seminários junto com Rudi Dutschke, e outros líderes socialistas, bem como em manifestações anti-fascistas e contra a Guerra do Vietnã. E também se juntou ao círculo de solidariedade para com o Instituto do Terceiro Mundo de Sociologia Otto-Suhr na Universidade Livre de Berlim. Elisabeth também falava fluentemente Inglês, Francês, Espanhol e Português.

No final de 1968 Elisabeth viajou para a América Latina, e acabou fixando-se em Buenos Aires, Argentina, onde apoiou os trabalhadores do movimento de bairro e os trabalhadores que revindicavam por justiça social. Durante os anos 70, ajudou as pessoas ameaçadas de morte a fugirem da Argentina, fornecendo documentos falsificados e os enviando para fora do país. Esta atividade foi suficiente para que em 1977 o governo militar argentino a considera-se um membro do movimento subversivo.

No dia 08 março de 1977 se reuniu em Buenos Aires com sua amiga Diana Houston (cidadã britânica) e contou a ela que estava sob vigilância e sendo perseguida por pessoas desconhecidas. No dia seguinte, Elisabeth foi presa por pessoas não identificadas que a levou ao quartel militar "Campo Palermo", um conhecido centro de tortura em Buenos Aires. Posteriormente foi levada para o campo de concentração conhecido como "Vesúvio" no La Tablada, em Buenos Aires. Eli foi constantemente torturada. Poucos dias depois a amiga de Elisabeth, Diana Houston também foi presa pela polícia militar, que a questionaram sobre as atividades de Elisabeth Käsemann. A intervenção rápida do governo britânico permitiu a liberação de Diana. Houston.

Elisabeth foi vista durante algumas semanas em "Vesúvio" por algumas pessoas, incluindo prisioneiros e também por Ana Elena Alfaro Di Salvo, que sobreviveu à ditadura. Elisabeth não recebeu ajuda médica, apesar de estar com a saúde debilitada por causa das torturas. Esteve em "Vesúvio" até a noite de 23 de maio de 1977, quando, juntamente com outros 15 prisioneiros foi separada do grupo e todos foram levados para um local desconhecido para serem assassinado.

No dia 26 de maio de 1977 o general Carlos Guillermo Suárez Mason, chefe da primeira área do Exército em Buenos Aires, informou publicamente que "em um confronto entre guerrilheiros e as forças de segurança, foram mortos 16 rebeldes". General Suarez Mason publicou a lista dos "guerrilheiros mortos", 12 homens e 4 mulheres, incluindo Elisabeth Käsemann. Em 4 de junho, um médico de confiança da embaixada alemã em Buenos Aires descobriu que o corpo de Elisabeth Käsermann foi baleado nas costas. As balas destruiu o coração, de acordo com médico.


A embaixada alemã em Buenos Aires escondeu por dois dias informações oficiais sobre a morte de Elisabeth Käsemann, de modo a não perturbar o jogo de futebol entre Argentina e Alemanha, da seleção da Copa do Mundo.

Os corpos das vítimas de "Monte Grande" permaneceram escondidas durante duas semanas após o assassinato. Somente em 06 junho de 1977, o governo militar reconheceu oficialmente a morte de Elisabeth Käsemann. Poucos dias antes, o inspetor oficial Carlos Eulogio Castro, havia realizado um "reconhecimento médico-legal" do cadáver de Elisabeth Käsemann, assinou sob pressão militar um relatório falso. Posteriormente, em uma investigação administrativa, Castro afirmou que por se encontrar sob pressão militar falsificou o relatório médico, e justificou que as condições para a perícia eram precárias porque faltava luz suficiente, não tinha instrumentos médico adequado e nem aparelho de raio-X para apurar as causas da morte de Elisabeth Käsemann.

No dia de seu enterro em Lustnau perto Tübingen, seu pai afirmou: "Elisabeth deu sua vida pela liberdade e justiça em um país que ela mais amava. Unidos firmemente a seus sonhos, sofremos a nossa dor com a ajuda de Cristo e não esqueceremos da bondade e alegria que ela nos deu em vida". 

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sábado, 21 de maio de 2016

Galeria dos Mártires - Irmã Irene Mc'Cormack, rsj e Companheiros

IRMÃ IRENE MC'CORMACK e Companheiros
Mártires pela causa da Paz
PERU * 21/05/1991

Memória dos 25 anos do Martírio

Irene Mc'Cormack afirmava ser uma menina vibrante, determinada e divertida. Foi educada pelas Irmãs de São José, em um colégio interno, em Santa Maria College, em Attadale Austrália Ocidental, onde ela disse ter desenvolvido seus dois grandes amores: servir a Deus e educar os jovens. Com a idade de 15, decidiu que queria ser freira. Ela se juntou às Irmãs de São José do Sagrado Coração em 1956 e passou alguns anos ensinando em áreas rurais da Austrália Ocidental

Após 30 anos de ensino em escolas australianas irmã Irene tomou a decisão de que queria servir os mais pobres e marginalizados, e seguiu em missão para o Peru em 1987 para uma obra missionária. O primeiro trabalho de Irene foi em El Pacifico, um subúrbio de baixa renda, em San Juan de Miraflores, Lima e Santa de Perola no Distrito de San Martín de Porres. Em 26 de junho de 1989, Irene continuou seu serviço missionário em Huasahuasi, na Cordilheira dos Andes a cerca de 200 km de Lima, junto com sua companheira, a irmã Dorothy Stevenson, assumindo a supervisão e distribuição de bens de emergência da Caritas Peru.

Irene organizou bibliotecas para as crianças pobres, que não tinham chance de obter livros para auxiliar na sua lição de casa. Ela também treinou ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, e incentivava que fizessem visitas aos paroquianos em bairros periféricos.

Em 17 de dezembro de 1989, os sacerdotes de Huasahuasi foram avisados ​​de que eles estavam correndo perigo, sendo ameaçados pelo grupo guerrilheiro de Sendero Luminoso, e que eles e as duas irmãs deixassem a aldeia, que fossem para Lima. Irene, no entanto, sentiu que a igreja não podia abandonar os moradores naquele momento e voltou para a região em 14 de janeiro de 1990. Durante esse tempo, sem sacerdote residente, as irmãs Irene e Dorothy Stevenson continuaram servindo ao povo, na vida espiritual, com os serviços litúrgicos e catequéticos bem como na educação e alimentação.

Na noite de 21 de maio de 1991, um grupo de guerrilheiros de Sendero Luminoso entraram na aldeia, ameaçaram os moradores e saquearam casas, aterrorizando o povo. Quatro homens foram retirados de suas casas e levados para a praça central da cidade. Eram eles: o professor da Faculdade de Agricultura da Comunidade, Ruban Palacios Blancas, 54; o ex-vice-prefeito, Alfredo Morales Torres, de 56 anos; um membro do comitê da cidade vigilante, Pedro Pando Llanos e o delegado para a comissão Agustin Bento Morales, 50.

Os guerrilheiros também foram para o convento onde a irmã Irene estava sozinho, pois a irmã Dorothy estava em Lima para um tratamento médico. Eles ameaçaram explodir a porta do convento se ela não saísse, estando fora do convento ela foi levada para juntos dos quatro homens na praça central.

Durante uma hora as cinco vítimas foram interrogadas, julgadas e condenadas à morte. A população local intercedeu por suas vidas, dizendo que estas eram boas pessoas, não malfeitores. Mas o Sendero Luminoso respondeu que não tinha vindo para um "diálogo", mas sim para "realizar uma sentença".

Os crimes cometidos pela irmã Irene e companheiros, eram por ela estar alimentando os pobres e educando as crianças locais. Foi acusada de distribuir "comida americana" (oferecida pela Caritas) e espalhando "ideias americanas" por fornecer livros escolares.

O povo insistia em dizer que irmã Irene era australiana, não americana, porém a guerrilha não quis acreditar. 

Durante a noite, um grupo de jovens da aldeia se reuniram em torno Irene na escuridão e conseguiu levá-la de volta para a multidão. Mas os guerrilheiros logo percebeu sua ausência e voltou-a para o banco na praça central. Os cinco presos foram obrigados a se deitarem de bruços sobre o chão da praça. Irmã Irene foi a primeira a ser executada, com um tiro na parte de trás da cabeça por uma menina-soldado, cerca de seis metros da porta da igreja, em seguida os quatro homens.

Uma vez que os corpos não puderam ser removidos da praça até que as autoridades dessem permissão, os paroquianos mantiveram-se em vigília à luz de velas e rezando. Em seguida, um grupo de mulheres a deitou fora na sacristia e fez por ela o que suas famílias fizeram para os homens mortos com ela. Em 23 de Maio de 1991, uma missa fúnebre foi realizada e Irene foi enterrada no cemitério Huasahuasi, em um nicho doado por um paroquiano.

Após 25 anos desde a sua morte, irmã Irene Mc'Cormack tem sido homenageada em muitas obras em favor da vida. A cada ano as irmãs de São José fazem memória do seu martírio, realizando uma semana de direitos humanos.

A superiora de sua congregação, irmã Anne Derwin, em vista a aldeia onde as freiras continuam seu trabalho missionário a exemplo da irmã Irene, disse que o esforço para que a santidade de Irmã Irene seja reconhecida, seria encaminhada pelo Bispo de Tarma, no Peru.

Disse o Bispo que as pessoas precisam de novos modelos de santidades e que o povo já declarou a santidade de irmã Irene. “Eles a chamam de santa Irene. Tem foto dela nos muros da cidade. E até hoje, as pessoas colocam flores em seu túmulo todos os dias”.

O irmão de Irene, John Mc'Cormack, está ciente do longo processo para a canonização de sua irmã e disse que ele ficaria orgulhoso se sua irmã torna-se uma santa.

“Seria muito significativa para a família. Mas, em certo sentido, nós já a consideramos santa, assim como o povo também a considera, mas esperamos que ela seja reconhecida oficialmente pela Igreja e tenha um lugar reservado em seus altares”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.