terça-feira, 22 de novembro de 2016

Galeria dos Mártires - José Dutra da Costa, Dezinho

O sindicalista Dezinho foi morto em 2000, em Rondon
do Pará. (Foto: Cristino Martins / O Liberal)
JOSÉ DUTRA DA COSTA, Dezinho
Mártir da Terra Livre e Partilhada
RONDON DO PARÁ * 22/11/2000

MEMÓRIA DOS 16 ANOS DE SEU MARTÍRIO

José Dutra da Costa, o Dezinho, era líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e foi assassinado em 21 de novembro de 2000, na cidade de Rondon do Pará, sudeste do Estado.

O crime teria sido motivado pela disputa de terras na região, já que o sindicalista apoiava a ocupação de fazendas improdutivas e terras supostamente griladas e fazia denúncias contra trabalhos escravos que aconteciam em fazendas da região. “Era ele quem regularizava as terras, que orientava os trabalhadores, então os fazendeiros viam nele uma ameaça”, disse o promotor de Justiça Franklin Prado.

De acordo com o Ministério Público, os fazendeiros Lourival de Souza Costa e Décio Barroso Nunes, o Delsão, foram os mandantes da morte do líder sindical, enquanto Domício Souza Neto, conhecido como Raul, teria providenciado a arma usada no crime.

A vítima foi morta pelo pistoleiro Wellington de Jesus, condenado a 29 anos em regime fechado em 2006, mas que após ser beneficiado por uma saída temporária, não retornou à prisão.

Em 2013, o fazendeiro Lourival Costa e o capataz Raul, foram absolvidos das acusações de envolvimento no assassinato de Dezinho. A decisão ocorreu no 2º Tribunal do Júri da Capital, em Belém. O júri considerou que não havia provas concretas da participação dos réus no assassinato.





O promotor de Justiça Franklin Prado atribuiu à morosidade do processo e a falhas de investigação o resultado do julgamento.










O caso gerou revolta em entidades que defendem os direitos humanos e a reforma agrária em terras consideradas improdutivas e supostamente griladas. O advogado e também assistente de acusação do caso afirma que existem provas materiais e testemunhais que podem ajudar na condenação, mas reconhece que condenar um mandante de crime, especialmente no Pará, não é uma tarefa fácil.

A esposa de Dezinho, Maria Joel Dias da Costa, que assumiu a direção do sindicato após a morte do marido também passou a ser ameaçada e já sofreu dois atentados de morte, hoje conta com proteção policial em tempo integral. Ela é uma das testemunhas oculares do crime.























O caso repercutiu internacionalmente através da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a qual o governo brasileiro assinou um acordo com a entidade assumindo sua responsabilidade pela morte do sindicalista e se comprometendo a implantar diversas políticas públicas relacionadas à luta pela reforma agrária.




O fazendeiro Décio José Barroso Nunes foi condenado a 12 anos de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa em 2000, o Dezinho. O juiz Raimundo Flexa anunciou No dia 29 de abril de 2014 a decisão do júri, que considerou o fazendeiro culpado. A defesa de Décio decidiu recorrer da sentença, e o réu aguarda em liberdade até o julgamento de todas as instâncias.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

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