quinta-feira, 26 de maio de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Antônio Henrique Pereira da Silva Neto

PE. ANTONIO HENRIQUE PEREIRA DA SILVA NETO
Mártir da Juventude
RECIFE – PE * 26/05/1969

Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, nascido no Recife em 28 de outubro de 1940, primeiro dos doze filhos de José Henrique Pereira da Silva Neto e Isaíras Pereira da Silva, ordenou-se sacerdote na Matriz Nossa Senhora do Rosário da Torre, por Dom Helder Câmara, aos 25 anos de idade.

Sociólogo e professor, trabalhou nos colégios Marista, Nóbrega e Vera Cruz, na Escola Técnica do Derby e na Faculdade de Ciências Sociais, além de ensinar no Juvenato Dom Vital e na Cúria Metropolitana do Recife.

Na vida religiosa se dedicava aos jovens. Tratava de assuntos que interessavam à juventude, como o conflito de gerações e as drogas, procurando despertar uma visão mais humana e consciente da sociedade. Como coordenador da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Olinda e do Recife participou de encontros juvenis em âmbito diocesano, regional, nacional e internacional.

No seu trabalho com jovens também mantinha contato com estudantes cassados e destacava-se por ser um grande opositor aos métodos de repressão utilizados pelo Regime Militar, o que lhe rendeu várias ameaças vindas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Como não se rendia, padre Henrique pagou com sua vida.

Na noite de 26 de maio de 1969, depois de participar de uma reunião com grupo de jovens católicos, no bairro de Parnamirim, foi sequestrado e levado em uma camionete. Seu corpo foi encontrado na manhã do dia seguinte, num matagal na Cidade Universitária, com marcas de espancamento, queimaduras, cortes profundos por todo o corpo e ferimentos produzidos por arma de fogo.

O assassinato causou grande revolta e comoção. O enterro reuniu milhares de pessoas em um cortejo que saiu da Igreja do Espinheiro para o Cemitério da Várzea. A caminhada foi interrompida duas vezes pela polícia devido as faixas de protesto que os estudantes levavam. Uma delas, conduzidas por Umberto Câmara Neto, líder estudantil, dizia: "A Ditadura Militar matou o Padre Henrique". Retiradas as faixas, a multidão fez todo o percurso cantando o hino "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo Irmão".

O assassinato do Pe. Henrique foi parte de uma série premeditada de ameaças e avisos. O Palácio de Manguinhos (sede dos movimentos pastorais da Arquidiocese) foi pichado várias vezes. A residencia do arcebispo, uma sacristia, também foi alvo de tiros e pichações. Vieram depois ameaças telefônicas, com aviso de que as próximas vitimas já haviam sido escolhias.

Alguns dias depois do assassinato, foi criada uma Comissão Judiciária de Inquérito, que seguiu várias linhas de investigação, crime passional, por drogas, político. A mãe do Padre Henrique, Dona Isaíras, passou 20 anos lutando para a finalização desse inquérito, acusando agentes da Secretaria de Segurança Pública.

Mesmo com a luta por justiça o inquérito foi arquivado e mantido como segredo de Justiça. Ninguém foi condenado, apesar das testemunhas e das provas apresentadas.
 
O assassinato do Padre Henrique foi um dos grandes pilares para a deteriorização da relação entre Igreja e militares, já desgastada pelas constantes críticas de Dom Helder ao regime militar. A morte de um membro eclesiástico tão próximo a Dom Helder sugere a possibilidade de uma ação retaliadora para "calar" as denuncias do arcebispo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


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