segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Santos Inocentes

SANTOS INOCENTES

28 de Dezembro


O dia de hoje se recorda das Crianças Inocentes que o cruel Herodes mandou matar.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V.

Conforme destaca o Evangelho de São Mateus, Herodes chamou os Sumos Sacerdotes para lhes perguntar em que lugar exato ia nascer o rei do Israel, que os profetas haviam anunciado. Eles lhe responderam: "Tem que ser em Belém, porque assim o anunciou o profeta Miquéias dizendo: "E você, Belém, não é a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que será o pastor de meu povo de Israel" (Miq. 5, 1).

Então Herodes se propôs averiguar exatamente onde estava o menino, para depois mandar a seus soldados a que o matassem. E fingindo disse aos Reis Magos: - "Vão e averiguem a respeito desse menino, quando o encontrarem retornam e me informam isso, para ir eu também a adorá-lo". Os magos se foram a Belém guiados pela estrela que lhes apareceu outra vez, ao sair de Jerusalém, e cheios de alegria encontraram ao Divino Menino Jesus junto à Virgem Maria e São José; adoraram-no e lhe ofereceram seus presentes de ouro, incenso e mirra. Em sonhos receberam o aviso divino de que não voltassem para Jerusalém e retornaram a seus países por outros caminhos, e o pérfido Herodes ficou sem saber onde estava o recém-nascido. Isto o enfureceu até o extremo, por isso rodeou com seu exército a pequena cidade de Belém, e deu a ordem de matar a todos os garotinhos menores de dois anos, na cidade e arredores.

O próprio evangelista São Mateus afirmará que nesse dia se cumpriu o que tinha avisado o profeta Jeremias: "Uma gritaria se ouça em Ramá (perto de Belém), é Raquel (a esposa de Israel) que chora a seus filhos, e não quer consolar, porque já não existem" (Jer. 31, 15).

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Gabriel Maire

Pe. GABRIEL MAIRE
Mártir pelas causas do povo
VITÓRIA – ES * 23/12/1989

Gabriel Maire, sacerdote francês, já em sua pátria foi um batalhador como secretário geral do Movimento Popular do Cidadão do Mundo, contra o racismo, em favor dos países pobres, pelo desarmamento e a paz mundial. 

No Brasil engajou-se ativamente na Pastoral Operária, na CEB’s, na Pastoral da Juventude. Incentivou sempre a participação dos cristãos e cristãs na política, no sindicato e no movimento popular. 

“Precisa é lutar no dia a dia, de casa em casa: a vitória depende de nós”, dizia o “Gaby”. E já numa atitude de doação total confessou, sabendo-se ameaçado: “Prefiro morrer pela vida a viver pela morte”. 

E foi assassinado pelos poderosos, num falso assalto.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Massacre de Acteal

MASSACRE DE ACTEAL
CHENALHÓ -  CHIAPAS,
MÉXICO *  22/12/1997

No dia 22 de dezembro de 1997, grupos do partido oficialista mexicano PRI massacraram 45 indígenas Tzoziles, deslocados de Las Abejas e refugiados na comunidade de Acteal. 

Quando começaram os disparos encontravam-se eles na igreja fazendo oração. A Cruz Vermelha Mexicana identificou 45 cadáveres, dos quais 9 homens, 21 mulheres, 14 crianças e um bebê.

O grupo de Las Abejas faz praticamente as mesmas reivindicações dos Zapatistas, mesmo que não pela via armada.

O Massacre de Acteal, então, situa-se no contexto da tomada de consciência e de presença pública dos povos indígenas do México e particularmente de Chiapas.  Mais um ponto alto da Caminhada indígena, de sangue e de libertação, de toda a nossa Ameríndia.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.




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Galeria dos Mártires - Chico Mendes

CHICO MENDES
Mártir da Floresta
XAPURI - AC * 22/12/1988

“A história de Chico Mendes já é parte da história da Floresta Amazônica e seus povos. Ele tornou-se um marco de mobilização em favor da justiça social e da preservação da natureza. Como a porunga que ilumina as estradas de seringa na mata, Chico apontou novos caminhos para os movimentos populares”.

Os seringueiros chegaram na Amazônia no final do século passado como mão de obra para produção da borracha. A partir dos anos 70, com a entrada de fazendeiros no Acre, os patrões antigos abandonaram os seringais após vende-los às empresas do sul, e surgiram nessas áreas os “Seringueiros libertos” que continuaram em suas florestas, vendendo agora livremente e organizadamente seu produto. Esses seringueiros foram a base dos sindicatos de Xapuri e de Brasiléia, e posteriormente do Conselho Nacional dos Seringueiros. 

Francisco Alves Mendes Filho, ou Chico Mendes, tinha completado 44 anos no dia 15 de dezembro de 1988, uma semana antes de ser assassinado, na porta de sua casa. Casado com Ilzamar, deixou dois filhos: Sandino de 2 anos e Elenira de 4 anos. 

Acreano, nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, se tornou seringueiro ainda criança, acompanhando seu pai. Lutador e líder seringueiro foi toda a sua vida, no sindicato, na política, pelos meios de comunicação social. Em outubro de 1985 lidera o primeiro encontro nacional dos seringueiros quando foi criado o Conselho Nacional dos mesmos. E Chico passa a ser uma referência nacional e internacional, de admiração por parte de todos os militantes da justiça social e da ecologia, e de ódio por parte de todos os destruidores da vida do povo e da floresta. Entre muitos prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, recebeu o prêmio “Global 500”, oferecido pela própria ONU.


Recolhemos aqui palavras de Chico Mendes:
“Eu não posso fugir. Me sentiria um covarde se fizesse isso. Meu sangue é o mesmo destas pessoas que sofrem aqui.

Os seringueiros precisam ficar unidos, de forma que a morte de uma pessoa não mate a força viva de sua luta. Depois da morte, nós somos inúteis. As pessoas vivas realizam coisas, os cadáveres, não.

Somos contra a devastação causada pelo mau planejamento que tem tomado conta da Amazônia sem a participação das pessoas que vivem lá. A pecuária, economicamente, nada trouxe à região. Ela só serve para concentrar a terra na mão de poucos. Minha esperança é que os governos dos povos que dão dinheiro ao BID ouçam as reclamações dos seringueiros. Senão, a floresta certamente será destruída”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Claudio "Poncho" Lepratti

CLAUDIO "Pocho" LEPRATTI
Mártir da liberdade
ARGENTINA * 19/12/2001

Claudio Lepratti nasceu em 27 de fevereiro de 1966 em Concepción del Uruguay, Entre Ríos. Filho de Orlando Lepratti e Dalis Bel, era o mais velhos dos seis irmãos. Sua família vive em Colônia Ceibos que fica a poucos quilômetros de Concepción del Uruguay.

Fez os estudos primários na Escola No. 30 "Alejandro Aguado" e do ensino médio no "Santa Teresita" Concepcion del Uruguay, colégio pertencente à ordem salesiana.

Entre 1983 e 1985, ele estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidad Nacional del Litoral como aluno livre. Durante esses mesmos anos Claudio serviu como Cooperador Salesiano.

Em 1986 ele ingressou como seminarista no Instituto Salesiano "Ceferino Namuncurá" da cidade de Funes (Santa Fé) e escolhe a carreira religiosa de "irmão coadjutor".

Cinco anos mais tarde, ele deixou o seminário e se estalou definitivamente na cidade de Rosario. Sua primeira casa fica no bairro Empalme Graneros, e um ano depois se muda para Barrio Ludueña onde ele começa a participar ativamente nas organizações de base que a mais de trinta anos era promovido pelo Padre Edgardo Montaldo. Essa estrutura religiosa, social e ético encontrada por Pocho Lepratti, era o que ele buscava para trazer as realidades terrestres sua opção pelos pobres.

Pocho entre muitas outras atividades, participou e promoveu a formação de uma dúzia de grupos de crianças e jovens nos municípios de Rosario.

Entre os grupos que criou e coordenou no bairro Ludueña inclui Coordenador da Juventude do Sagrado Coração, La Vagancia (este foi o primeiro grupo formado), Los Gatos, Cabelos Duro, Grupo São Caietano, entre outros.

Ele também participou de mecanismos de coordenação com outros grupos, tais como a revista The Tin Angel, Movimentos Los Chicos del Pueblo e todas as comunidades eclesiais de base, entre as quais a partir do Pé e Poryajhú ("pobre" em Guarani).

No mesmo bairro Ludueña Claudio promoveu a realização de cursos de formação e oficinas. Um incentivador para a criação de galinhas através da sua participação nos pomares ProHuerta.

Ele contribuiu para a multiplicação de oficinas nos bairros dentro do qual foram formados grupos de mulheres e jovens em diversas áreas, tarefas de prevenção de saúde, produção de sabão, fabricação de fornos e desenvolvimento de cozinhas comunitárias, etc.

Ele concebeu pelo povo dos jornais noticias do bairro Ludueña e pequena nota, que foram feitas pelas próprias crianças, através da participação em uma oficina de comunicação popular.

Ele participou de projetos de HIV / AIDS, em particularmente em HIV / AIDS e Projeto de Trabalho e ações coordenadas por mais de um ano com o apoio de PROMUSIDA da Prefeitura de Rosário, um projeto de articular os esforços de organizações como a CTC, AMMAR, ATE, CTA, CEDIS, EISEA, SERPAJ, PMSIDA e mais tarde a Biblioteca Popular "O anjo da bicicleta".

Ele entrou para a pastoral da juventude, e em seus esforços para treinar e compartilhar as experiências de organização e luta popular, participou de uma centena de eventos nacionais e internacionais, tais como seminários de Educação Teológica, que comumente era realizado a cada ano, as reuniões e conferências culturais, etc. Ele também participou de encontros e convenções culturais do Partido Socialista Popular.
 
Em 2001, ele viajou para o Brasil onde participou do CURSO DE VERÃO organizado pelo CESEP, onde se encontrou com algumas das experiências mais importantes da organização e luta popular na América Latina, por exemplo, experiencias desenvolvidas pelas comunidades eclesiais de base no Brasil, o Movimento Sem Terra, os zapatistas de Chiapas, no sul do México, o Centro Memorial  Martin L King e centenas de ativistas de base de outros países.
 
Claudio fez ativamente campanha para a organização da luta em solidariedade com os trabalhadores em conflito por meio de manifestações, a instalação de tendas de protesto, greves, etc.

Ele trabalhou na escola do bairro Ludueña conhecida como "a escola de Padre Edgardo Montaldo", onde o Padre Edgardo juntamente com os primeiros jovens e moradores de bairros trabalhou por mais de trinta anos para construir um bairro mais digno para todos.

Ele também trabalhou na Central Cocina Rosario a partir do final de 1992 até Dezembro de 1996, quando, após um duro conflito envolvendo trabalhadores não docentes das cantinas escolares - entre os que Poncho julgava um papel central na organização - o conflito terminou quando foi conseguido que o Governo Provincial levaria um grupo de trabalhadores, incluindo Pocho foi, e desde então foi que trabalhadores não docente pode continuar trabalhando na Escola 756 do bairro Las Flores, até o dia em que ele foi assassinado.

Em 19 de dezembro de 2001, em meio à crise iria acabar com a queda do presidente Fernando De la Rua, vários polícia que chegaram da cidade de Arroyo Seco, a 30 km ao sul de Rosario começou a disparar na parte de trás da escola. Lepratti subiu para ao telhado para defender os menores que estavam comendo no lado de dentro do colégio. Ele gritava: "seu filhos da puta, não atirem, pois tem crianças comendo!"

O policial Esteban Velasquez disparou sua espingarda Itaka com balas de chumbo acertando uma bala no pescoço de Poncho. Posteriomente Esteban foi condenado a 14 anos de prisão pelo juiz Ernesto Genesio, por homicídio qualificado pelo uso de armas. Além disso, tanto Velasquez como a província de Santa Fé foram condenados a recompensar financeiramente os familiares da vítima por danos. A Direção de Assuntos Internos da polícia provincial tinha reconhecido em um relatório que "o assassinato de ativista social Lepratti ocorreu fora da zona de saque e nos fundos da escola "e que" não se justifica ter efetuado os disparos, mesmo que de caráter intimidatório.

Hoje, existem mais de cinqüenta canções dedicadas ao seu trabalho de formiga e centenas de expressões escritas e artísticas para honrar a sua memória. Ele também tem um monumento em sua homenagem na cidade de Concepción del Uruguay.

El ángel de la bicicleta - Música: Luis Gurevich / Letra: León Gieco

Cambiamos ojos por cielo Sus palabras tan dulces, tan claras Cambiamos por truenos Sacamos cuerpo, pusimos alas Y ahora vemos una bicicleta alada, que viaja Por las esquinas del barrio, por calles Por las paredes de baño y cárceles Bajen las armas!!

Cambiamos fe por lágrimas Con qué libro se educó esta bestia Con saña y sin alma Dejamos ir a un ángel Y nos queda esta mierda Que nos mata sin importarle de donde venimos Que hacemos, qué pensamos Si somos obreros, curas o médicos Bajen las armas!!

Cambiamos buenas por malas Y al ángel de la bicicleta lo hicimos de lata Felicidad por llanto Ni la vida ni la muerte se rinden Con cunas y cruces Voy a cubrir tu lucha más que con flores Voy a cuidar tu bondad más que con plegarias Bajen las armas!

Cambiamos ojos por cielo Sus palabras tan dulces, tan claras Cambiamos por truenos Sacamos cuerpo, pusimos alas Y ahora vemos una bicicleta alada, que viaja Por las esquinas del barrio, por calles Por las paredes de baño, y cárceles Bajen las armas!!

Galeria dos Mártires - Irmão Manuel Campo Ruiz

Ir. MANUEL CAMPO RUIZ
Religioso e mártir
RIO DE JANEIRO * 18/12/1992

Irmão Manolo, como era chamado por todos, religioso marianista, nascido em 1923 na Espanha, chegou ao Brasil em janeiro de 1975. 

Trabalhou em Tupã em diversas obras sociais ligadas à Igreja São Judas Tadeu.

Logo após a visita a um detento espanhol em um dos presídios do Rio de Janeiro, foi assassinado na prisão por guardas prisionais e policiais militares, para roubá-lo, vítima da violência e corrupção da polícia do Rio de Janeiro. 

Seu corpo foi jogado em um rio e jamais foi encontrado.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - João Canuto

JOÃO CANUTO DE OLIVEIRA
Líder Sindical Rural
RIO MARIA-PA * 18/12/1985

Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula.

O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de João Canuto, três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram sequestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de João Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.

Texto copiado da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Eloy Ferreira da Silva

ELOY FERREIRA DA SILVA
Líder Sindical Rural
SÃO FRANCISCO – MG * 16/12/1984

Pai de dez filhos, homem de fé, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Eloy era tão destemido como coerente:“Trabalhador rural não é covarde”, dizia, “nossa arma é união, organização e a verdade”. Diante das ameaças, testemunha um companheiro seu, abria as Sagradas Escrituras e ganhava forças para continuar. “O Evangelho é nosso guia”, afirmava o próprio Eloy e confessou, generosamente disposto ao martírio: “Se morrer defendendo meus irmãos, é uma honra para mim”.

Como dirigente sindical, viveu intensamente o apoio à luta de organização e resistência dos posseiros de seu município e da região. Eleito Delegado Sindical do Distrito de Serra das Araras, em 1978, ele liderou a resistência dos posseiros contra todos os invasores. Presidente do Sindicato de São Francisco desde 1981 ele era uma das lideranças mais combativas no Norte de Minas, conhecido em todo o Estado.

As ameaças não foram esparsas. Foram constantes por parte dos grileiros e até do Juiz de Direito da cidade que várias vezes ameaçou psicologicamente.

Denunciava as pressões, despejos e queima de casas a todas as entidades que podiam dar algum apoio. Combatia toda violência que caia sobre os trabalhadores: "Nossa arma é união, organização e a verdade".

Este assassinato atingiu não só o Eloy, mas também a organização do povo. Atingiu um líder que doou sua vida para que os pobres deixem de ser objetos dos poderosos.

Eloy era um homem de fé profunda. A todo o momento ligava sua luta à libertação dos Hebreus no êxodo. "Deus está do nosso lado" era a fé que animava sua luta.

Morreu aos 54 anos, deixando a esposa e 10 filhos, também ameaçados pelos mesmos grileiros.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Eloy Ferreira da Silva - Poema do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira

Ali, onde o sol cultuou a semente
E a suavidade atingiu o ápice da solidão
Deixamos o teu corpo para o silêncio.

Tua boca, refúgio noturno dos colibris,
Ainda murmurava uma triste melodia,
- essa cantiga uníssona dos ressuscitados.
Tuas mãos colhiam os sinais do azul
Como um eremita que beija as franjas da eternidade.

Antiquíssimo como a sombra, teu sorriso
Atravessava o horizonte passageiro,
Diligente, amoroso, no vôo raso dos bem-te-vis.
Ali, Eloy, deixamos um amigo para dormir.
Ali, eloy, voltamos para colher
As vistosas flores da madrugada...

Galeria dos Mártires - Daniel Bombara

DANIEL BOMBARA
Mártir dos universitários comprometidos com os pobres.
ARGENTINA * 15/12/1975



Daniel Bombara era um militante da Juventude Peronista surgido da Juventude Universitária Católica (JUC) da Bahía Blanca, província de Buenos Aires. Muito engajado nos movimentos apostólicos da diocese, seu compromisso nas lutas de libertação dos marginalizados foi motivo bastante para que as forças repressivas da região decidissem sua morte.

Ele foi preso no final de dezembro de 1975, duas semanas após Montoneros emboscaram uma van do exército para roubar armas. O chefe da Unidade Regional 5, Major Ricardo Bartola registra na ata que a prisão foi "sem resistência", que "o processo foi feito pelo brigadeiro-general Jorge Olivera Rovere sob o controle operacional das Forças Armadas"

Daniel Bombara foi torturado até a morte e é o primeiro desaparecido da Bahia Blanca. Para não devolver seu corpo com sinais de tortura, Suárez Mason montou uma bruta operação psicológica, que um mês após o juiz Maduro arquivou sem investigação e sem hesitação. 

Primeiro informou que, na noite de 01 de janeiro, algemado e escoltado por três policiais, Bombara tinha conseguido abrir a porta do carro da polícia e se jogado para a calçada. "Tão rápido evento não foi possível obter testemunhas, apesar que no local circulava vários veículos em diferentes direções", escreveu o funcionário José Alberto Rodríguez, enviado de La Plata pela Direção de Investigação a polícia de Buenos Aires. 

A fraude não terminou aí. Na manhã do dia 03 de janeiro de 1976 foi simulado o roubo do cadáver, que um grupo de desconhecidos teria interceptado a ambulância da Unidade Regional 5 que o levava da prisão para o necrotério Villa Floresta Hospital Municipal. 

Para encobrir o crime eles se mudaram o corpo a 700 quilômetros, o queimado, e inventou um fábula que difundiram jornal La Nueva Provincia que a Justiça investiga sua "campanha de desinformação comprovada e propaganda negra", de acordo com o tribunal que condenou o primeiro grupo de bahienses repressores. Em 2011, a Equipe Argentina de Antropologia Forense identificou os restos de Bombara em uma cova sem identificação em um cemitério em Merlo.

"Eu vivi durante 12.953 dias em um estado de incerteza", resumiu sua filha Paula. "Foram desaparecendo com meu amor e meu mundo de afetos", disse. 

Por decisão de Paula e Andrea Fasani, a esposa de Daniel, suas cinzas foram enterrados na igreja da Santa Cruz. 

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Prudencio Mendoza, “Tencho”

PRUDENCIO MENDOZA “Tencho”
Mártir da Fé
GUATEMALA * 12/12/1983

Prudencio Mendoza, “Tencho”, seminarista de Aguacatán, mártir da fé, em Huehuetenango,

Foi ferido por uma bala na cabeça disparado por uma patrulha de defesa civil, morre depois de quatro horas de agonia no hospital em Huehuetenango.

“Tencho” como era carinhosamente chamado, era Bacharel em Ciências e Letras, quando decide seguir os passos de Jesus, sendo ordenado sacerdote. Entra no Seminário Maior da Assunção da Guatemala e cursava o segundo ano de teologia, quando a ditadura sangrenta de seu país o fez um mártir da Igreja.

Entusiasta e generoso no serviço aos seus irmãos, “Tencho” é conhecido por sua alegria contagiante em todas as atividades organizadas entre seu povo.

No dia 12 de dezembro de 1983, estava no quintal da casa de seus pais quando foi mortalmente ferido, aos 28 anos.

Maria de Guadalupe, Padroeira da América Latina, cuja festa é celebrada hoje, recebeu “Tencho” na casa do Pai, assim como conta à tradição que ela recebeu o índio Juan Diego. E “Tencho” ressuscitado, lhe presenteou com as rosas ensanguentadas seu povo martirizado, porém, pleno de esperança na Libertação Definitiva.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Massacre de El Mozote

MASSACRE DE EL MOZOTE
Mártires e Santos Inocentes
EL SALVADOR * 12/12/1981

Massacre de El Mozote, centenas de camponeses salvadorenhos brutalmente mortos. Rufina é uma camponesa que vê metralhar e depois decapitado seu marido e todos os homens da cidade. Testemunhando as fileiras de mulheres apertando firmemente seus filhos contra elas, enquanto se aguarda a morte. Que ouve o clamor dos filhos enquanto eles são apunhalados e enforcados. Entre eles estão crianças de nove, seis e três anos e até criança de oito meses, em que os soldados arrancam de seus braços.

Este massacre aconteceu no dia 12 de dezembro de 1981 em El Mozote, Departamento de Morazán, quando o batalhão Atlacatl entra na aldeia com ordens de matar todo mundo. Quando ao acontecido, Rufina se põe ao chão e reza: “Eu pedi a Deus para me libertar se tivesse que me libertar, e se não, para me perdoar”. E enquanto rezava o Pai Nosso foi se escondendo atrás de alguns galhos. Imóvel. Paralisada. Prendendo a respiração. Sufocando as lágrimas. De lá, ouvindo os gritos penetrantes de mulheres. Depois os gritos das crianças. Reconhece a voz de seus filhos, chamando. Quando pára os gritos e soluços, sobe a grande fogueira. Primeiro na igreja, onde mataram os homens. Depois na casa de Israel Marquez, onde eles haviam colocado as mulheres. “Não deixe nada sem queimar” ouviu Rufina. As chamas voam sobre ela, e os soldados. Os bezerros e cães fogem aterrorizados. E foge também Rufina. Assim, ela pode enterrar o rosto e as lágrimas para não descobri-la. Depois corre sem parar.

Chega a Jocote Amarelo e ali permanece durante todo o dia. Caminha de noite, sem encontrar gente e nem abrigo. “Devido à dor dos meus filhos, a dor de tudo o que tinha acontecido, não me dava fome, não me dava sede, não sentia nada. Ali fiquei sete dias, quando pude encontrar pessoas e sair do exílio, e regressar a este tempo de 1990”, diz Rufina. 

Graças a seu testemunho se pode reconstruir o massacre de 1.200 camponeses, na sua maioria idosos, mulheres e crianças.

El Mozote é "terra arrasada", e tornou-se terra dos mártires e santos inocentes salvadorenhos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/







quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - José Serapio Palacios

JOSÉ SERAPIO PALACIOS
Mártir da Causa Operária
ARGENTINA * 11/12/1975

José Serapio Palacios, "Pepe", Presidente da Juventude Operária Cristã, JOC, membro do Secretariado Latino-americano do Movimento Operário de Ação Católica, MOAC, casado e pai de três filhos, trabalhador metalúrgico, até o momento de ser sequestrado aos 52 anos, em Ciudad Jardín, na Grande Buenos Aires. Apaixonado, criativo, alegre, "Pepe" aprendeu o seu ofício na Escola dos Salesianos de Córdoba e entra na fábrica de aviões da aeronáutica.

Dois encontros marcam sua vida: primeiro com o padre Enrique Angelelli - depois bispo e mártir – e o segundo com a JOC. 

Sua liderança e convicções o torna gerente de fábrica. Uma greve por melhores salários e condições de trabalho lhe causa a primeira demissão. Decide viver na Grande Buenos Aires, em uma região de operários. Um companheiro seu disse: "Pepe sente que ali poderia cumprir o lema de sua vida. Buscai o Reino de Deus e sua justiça e o resto se consegue". Como operário qualificado encontrar trabalho em grandes fábricas, porém, de todas é dispensado, quando recebem os relatórios de sua atuação como operário consciente de seus direitos e militante sindical.

Marcado por sua combatividade sindical lhe custa conseguir trabalho estável. Ele fica sendo uma pessoa visada para as grandes fábricas, por estar preocupado com a justiça e o direito de seus irmãos. A partir de então só consegue trabalho em pequenas oficinas.

Militante de base e fundador da Ação Sindical Argentina, (ASA) e do Comitê Intersindical Cristão. Devido sua militância nos sindicatos, tinha que viajar frequentemente, em 1975 participou em três conferências internacionais.

Na manhã de 11 de dezembro beija as crianças que estão dormindo e sua esposa Amalia e sai para o trabalho. Mas ele nunca mais retornou.

O Papa, os bispos, os trabalhadores do mundo perguntam por “Pepe” ao governo argentino. Não tem resposta. Sabemos apenas que vive nos corações dos trabalhadores.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Pe. Gaspar García Laviana

Pe. GASPAR GARCÍA LAVIANA
Mártir das lutas pela libertação do povo
NICARÁGUA * 11/12/1978


Gaspar García Laviana, sacerdote espanhol de Oviedo. Missionário na Nicarágua desde 1970 e membro da Frente Sandinista de Libertação. Morreu em combate com a Guarda Nacional.

Durante seu trabalho pastoral em San Juan del Sur e Tola denunciou constantemente a exploração em que vivia seu povo de adoção. 

Foi expulso várias vezes do país. A última vez, em julho de 1978, e a sua residência na Espanha serviu para amadurecer sua decisão de se incorporar na Frente Sandinista como combatente.

Ingressou clandestinamente na Nicarágua, escreveu uma carta a seus paroquianos e outra aos religiosos e sacerdotes, explicando as causas de sua opção. Desde então é o "Comandante Martín". Apreciadíssimo no acampamento por sua alegria e por ser o primeiro no combate e o último na retirada. 

Sacerdote até o fim, seus superiores (Missionários do Sagrado Coração) nunca o cobrou para que escolhesse entre seu sacerdote e a luta armada pela libertação de seu povo. 

"Em minha vida encontrei duas comunidades bem diferentes, ambas porém apaixonantes: a religiosa, onde sinto que me querem bem e me respeitam; e a sandinista, onde tenho grandes amigos do peito, onde repartimos tudo, onde diariamente colocamos a vida em jogo.

Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Joilson de Jesus

JOLSON DE JESUS
Mártir dos Meninos e Meninas de Rua
SÃO PAULO – SP * 09/12/1983

Joilson de Jesus, menino da rua, companheiro sofredor de milhares de menores, meninos e meninas, Joílson foi brutalmente assassinado por um procurador da justiça, no dia 9 de dezembro de 1983, quando foi surpreendido pegando uma correntinha de uma mulher que assistia à exibição de Capoeira, na Praça da Sé, em São Paulo. Joílson correu até o largo São Francisco, onde foi agarrado pelo desumano procurador e pisoteado até à morte.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT.

Joílson de Jesus nasceu pobre. Quer fazer o favor de ler de novo? Joílson de Jesus nasceu pobre. É possível isto? Alguém já nascer pobre? É! Isto quer dizer que Joílson nasceu marcado feito gado para o resto da vida: POBRE. Isto quer dizer que, apesar de não ter cometido nenhum crime, Joílson nasceu condenado. Sem direito a sursis. Isto que dizer que, em vez de leite, beberia água de esgoto; no lugar de escola, frequentaria as academias da FEBEM. Em lugar de cobertor, dormiria coberto pelo estigma da cor. Joílson era um negrinho. Pobre e negrinho. Quer dizer que, quando o Natal chegasse, Joílson teria que fechar os olhos e ouvidos à orgia de anúncios de maravilhosos brinquedos, gostosos panetones, luxuosas roupas e fantásticos jogos eletrônicos. E as mulheres deliciosas, cheirosas e belas que também se anunciavam? Quer dizer que Joílson, no Natal, teria que virar também um eunuco. Pobre, negrinho e eunuco. Aos 15 anos, Joílson sabia que teria a mesma sina do seu bisavô, do seu avô, do seu pai, do seu neto e do seu bisneto: trabalharia dezoito horas por dia para nada. E resolveu a exemplo do que via nos altos escalões, arrancar correntes de ouro do pescoço dos outros. Agora, deve ter pensado, terei videogames, panetones, contas na Suíça. Abrirei uma financeira e, quem sabe, serei até um presidenciável. Joílson se esqueceu que seu crachá era de pobre, negrinho e eunuco. Foi agarrado por um procurador do Estado e pisoteado pelo esquadrão de locutores de rádio até soltar pela boca um líquido verde. Não, não vomitou, porque nada tinha no estômago. O verde era da bílis. E, pela madrugada AM, ouviram-se os urros de triunfo dos Tarzans do rádio: -- Ao ter sua espinha partida, o canalha, o safado, o pivete, o trombadinha, o bandido urinou nas calças! Joílson morreu como nasceu: pobre. Mas seus filhos e netos e bisnetos escaparam de sua sina, simplesmente porque não vão nascer. Mas o esquadrão da notícia, em texto plantado num jornal colarinho-branco, continua soltando sua bílis. Quer agora linchar a Igreja por terem seus bispos rezado por Joílson. E a Talita? E o bebê assassinado por um desses Joílsons? Parecem querer dizer: olho por olho. 1 x 1! Ah! Então é jogo? Luta de classes? Se é guerra, é guerra. Porque morrem mil crianças de subnutrição por dia no Brasil. E em 84 morrerão 3 milhões de Joílsons só no Nordeste. Assim procuradores de Estado e esquadrões do rádio e do papel anotem o placar correto: 3 milhões x 1! E vão-se os pescoços, ficam os cordões de ouro.

Texto de Henfil, escrito na década de 80, encontrado no livro "diretas já"

https://www.youtube.com/watch?v=F1IhRZ1vnUQ

Galeria dos Mártires - Manuel de Jesús Guerra Arita

MANUEL DE JESÚS GUERRA ARITA
Mártir da Terra e da Justiça
HONDURAS * 08/12/1991

Manuel de Jesús Guerra Arita, ativista camponesa. Vice-Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Campo, CNTC. Morto na estrada, quando retornava à San Pedro Sula, uma noite de domingo. Na ocasião estava coordenando atividades de sua organização em solidariedade com a greve do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Nacional de Energia Elétrica.

Polícia recolheu seu corpo e levou para o necrotério para o enterro e corre para dar a parte oficial. Há relatos de que a morte do líder é devido a um "acidente de carro". Porém, os companheiros de Manuel de Jesús, as organizações populares e dos direitos humanos tem a certeza de estar diante de outro assassinato e pedem uma autópsia para determinar a verdadeira causa de sua morte.

O resultado é totalmente contrário ao relatório da polícia: Manuel de Jesus morre por consequência de uma bala, disparada a "curta distância". Os diretores da CNTC encontram vestígios de um segundo veículo no asfalto da estrada, que o vinha perseguindo e forçado a voltar, que o fez cair em um barranco. Ali os assassinos pode efetuar de perto o disparo, numa altura em que Manuel de Jesus poderia estar inconsciente devido ao choque causado pelo capotamento.

O "assassinato de Manuel de Jesús ocorre em circunstâncias de repressão política ordenada pelo governo", declaram os seus pares. Os camponeses que foram dar a sua vida como outro Jesus, sabem que o seu testemunho os incentivam a lutarem pela justiça.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/