sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Galeria dos Mártires - Dorcelina de Oliveira Folador

DORCELINA DE OLIVEIRA FOLADOR
Prefeita e Mártir do Povo
MUNDO NOVO – MS * 30/10/1999

Hoje fazemos memória de 16 anos de seu martírio.

Dorcelina nasceu no Paraná, em 1963 e foi assassinada em Mundo Novo, MS, com apenas 36 anos de idade, na varanda de sua casa, no dia 30 de outubro de 1999.

Dorcelina iniciou sua luta social na pastoral da juventude, nas comunidades eclesiais de base, na pastoral da terra e na pastoral familiar, foi líder do Movimento Sem Terra, militante do PT, e prefeita do povo no mais autêntico sentido da palavra. Símbolo da resistência contra a corrupção, amante da natureza, lutadora pela reforma agrária.  Irradiava coragem e esperança.  Eleita prefeita numa vitória popular que enfrentou as ameaças do latifúndio e do narcotráfico, mereceu mais de 80% de aprovação popular.

Tem sido definida como eficientíssima “deficiente (pela poliomielite), mãe militante da vida e da ética, alegre e intensa, autodidata, artista plástica, educadora, verdadeira, solidária, cristã”. Recebeu o prêmio Marçal de Souza de 1999.

O Evangelho esteve sempre presente em sua vida.  A Bíblia ficava sempre aberta, em sua sala da prefeitura, precisamente no Salmo 27: “Javé é minha luz e salvação; de quem terei medo?”

Dorcelina Folador

Quisera intitular este poema
Com dosséis de flores, bem suficientes, 
Todas nuas e inconformadas pelo vento. 
Quisera a suavidade e as penumbras
Que chegam sempre do leste, em movimento. 
Uma menina no balanço, uma taça
De água limpa colhida ali no monte.
Uns longos dedos cultuando o corpo
Em hipérbole, até nascer semente.
Um culto à sombra que afugenta
O estágio último da lua, arqueada no infinito.

Quisera um orvalho sobre as letras, 
Pronto para escorrer no perfume esmaltado na manhã. 
Um fio alongado sobre o nada, sempre mais, 
Até romper a etérea finitude dos corpos. 
Uma ave suspensa numa vírgula, essa que Deus 
Inventou para um suspiro diminuído 
Antes da palavra final.

Quisera estas coisas pendulares que te cercaram. 
Que te deixaram lágrima. Que te fizeram sombra. 
Que te visitaram no meio da escuridão 
Quando tudo era suspeito, contraído, sóbrio como o medo. 
Que te mostraram o vazio. Que te assanharam os pêlos.
Que não te desviaram o rumo.

Quisera teu vigor. Teus motivos e alegorias. 
Quisera o que ninguém soube. O que não contaste. 
Porque foi isto somente — as insignificâncias, 
Que te fizeram mulher, mais Dorcelina,
Por dentro e por fora, o nome do meu poema!

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT
Poema do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Galeria dos Mártires - Santo Dias da Silva

SANTO DIAS DA SILVA
Militante da Pastoral Operária
SÃO PAULO – SP * 30/10/1979

Hoje fazemos memória dos 36 anos no martírio de Santo Dias. 

Santo Dias da Silva, de origem camponesa, migrante na periferia da grande cidade, operário metalúrgico, sindicalista, membro da Pastoral Operária de São Paulo e ministro da Eucaristia, Santo soube juntar uma crescente consciência de classe na luta operária, com uma fé cristã vivida coerentemente e publicamente. 

A polícia o assassinou à queima roupa enquanto integrava um piquete de greve diante de Fábrica Silvania e impedia que um colega fosse detido. 

Seu corpo, envolto na bandeira do Sindicato dos Metalúrgicos, percorreu as ruas de São Paulo, acompanhado por mais de cem mil pessoas, que agitavam ramos de palmeira e gritavam unânimes: “Companheiro Santo, você está presente!”.

Palavras do Santo:

" Eu, dentro da minha concepção de porquê viver, acho que a gente vive para transformar alguma coisa; quer dizer, ter uma atuação num processo de transformação da vida".

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Galeria dos Mártires - Dom Christophe Munzihirwa

Dom CHRISTOPHE MUNZIHIRWA
Mártir da Esperança e da Justiça
CONGO * 29/10/1996

Christophe Munzihirwa, arcebispo de Bukavu, mártir da justiça. Pastor que soube denunciar com lucidez e valentia a injustiça da guerra e das divisões étnicas que muitos – de dentro e de fora da África promoviam por interesses obscuros. Costumava dizer que “a melhor forma de chorar um morto é trabalhar seu campo”.

Em 29 de outubro de 1996, Christophe Munzihirwa, Arcebispo de Bukavu, Congo, foi morto por um grupo militar de Ruanda. Ele pagou com o próprio sangue seu compromisso corajoso com a paz e a liberdade. Pagou com sua própria vida seu impulso determinado pela verdade e a justiça.

Lembrando monsenhor Christophe Munzihirwa hoje, não é só lembrar a figura de um autêntico testemunho da Igreja de Congo, mártir por defender os pobres, mas também para destacar seu compromisso cristão de ser testemunha da Testemunha Fiel, o Mártir Jesus. Assumindo suas causas e consequências.

Em sua defesa apaixonada dos direitos dos refugiados ruandeses, Mons. Munzihirwa também denunciou a mídia ocidental que influenciaram habilmente pelo poder em Kigali, que sempre mostrou o seu apoio ao novo regime, não percebendo que eles estavam apoiando o genocídio contra os hutus.

Em certa ocasião ele disse: "Em Burundi e Ruanda guerras fratricidas estão em curso, mas em ambientes internacionais parecem estar esperando para ver o que acontece. Gostaríamos de saber se este não é o resultado de algo planejado, escondido ... Quem irá revelar os planos secretos das pessoas bem protegidas que estão determinados a eliminar os pobres? ...". 

Ele também denunciou como cada um foi culpado de atos violentos e cruéis de vingança pessoas. Para eles, era necessário não só o perdão e a misericórdia, mas uma conversão sincera. Um futuro de reconciliação deve, necessariamente, vir dessa maneira.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Valmir Rodrigues de Souza

VALMIR RODRIGUES DE SOUZA
Mártir do Trabalho Infantil
BARREIRAS-BA * 29/10/1991

Valmir Rodrigues de Souza, menino de 8 anos que trabalhava para o fazendeiro "Toinho Chorenga", que o espancou porque uma roda do carro de bois em que trabalhava ficou presa num buraco.
Valmir morreu no Hospital Regional de Barreiras-BA, em consequência das lesões, no dia 29 de outubro de 1991.
É símbolo de todas as crianças vitimas do trabalho infantil e da violência no campo.

Entre nós existe um empenho em não chorar
Sobre o teu nome, Valmir. Porque lágrima,
Já o sabiá espalhou como semente, por todos os lados.

Foste uma criança muda, um testemunho
Caído antes que a noite corroesse o céu com azedumes.
Antes que a dor nascesse como um susto mais profundo
Semelhante ao trovão que te feriu a carne
E que todos escutamos enraivecidos.

Maldito seja o homem e o sistema
Que te levaram ao trabalho imaturo, antes do brinquedo.
Maldito o homem e a covardia
Que te roubaram a fantasia e o frescor da penumbra
E as coisas pequeninas de que necessitavas.
Maldito o latifúndio que te espancou a carne
Com fios farpados de sua ignorância
Espantando os pintassilgos que te cercavam

E que só voltaram para um adeus
Quando tua carne dormiu tranquila
E a elegância da terra venceu a dor
Ordenando à lua que te sarasse as feridas
E devolvesse a ti - e aos teus em prêmio, toda tua juventude...

Texto retirado do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Galeria dos Mártires - Massacre de El Amparo

MASSACRE DE EL AMPARO
14 Pescadores Mártires
VENEZUELA * 29/10/1989

El Amparo é um povoado à beira do rio Arauca, no estado de Apure. Esses pescadores viviam do trabalho diário da pesca e foram atacados com armas de guerra, numa emboscada montada por policiais e militares. 

Os executores do massacre pertenciam ao comando especial ‘José Antonio Páes’, corpo de elite do exército venezuelano. 

Ficaram as viúvas e os cinquenta órfãos dos pescadores assassinados. 

Os nomes desses mártires, defensores da pesca popular, são: Júlio Pastor Caballos, Mariano Torrealba e seu filho José Gregório, Luís Alberto Berrios, José Ramón Puerta, Carlos Antonio Bregua, Justo Mercado, Pedro Indalecio Mosqueda, José Indalecio Guerrero, Arín Maldonado, Marino Vivas, Rigoberto Araújo, Carlos Antonio Eregua e Moisés Blanco.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

Galeria dos Mártires - Manuel Chin Sooj e Companheiros

MANUEL CHIN SOOJ e COMPANHEIROS
Catequistas e Mártires
GUATEMALA * 29/10/1987

Manuel Chin Sooj e companheiros, camponeses e catequistas mártires na Guatemala.

Foram sequestrados no dia 29 de outubro de 1987, porém, somente Manuel é encontrado morto. Sua família reconheceu seu corpo, com sinais de horríveis torturas, no Hospital do departamento de Mazatenango, Suchitepéquez. Os outros dois catequistas não foram encontrados. Todos os três eram membros de um movimento, organizado pelo padre Andrés Girón, que lutavam pela terra para os milhares de camponeses.

Um ano depois, os bispos surpreendem a Guatemala, América Latina e do Terceiro Mundo com uma carta pastoral: "O GRITO DA TERRA". 

A mensagem profética: de denúncia da situação em que "sobrevive a maioria dos guatemaltecos em áreas rurais ... o camponês e o indígena vestido em trapos, doente, sujo e desprezado nos parece a coisa mais natural ... Não nós espanta ver crianças que vão cedo, ao lado dos homens, com seu facão ou enxada para cumprir um dia de trabalho duro e mal pago ... ", dizem os bispos.

E é o anúncio esperançoso de uma boa notícia: "Observamos com alegria que os camponeses diariamente tornam-se mais conscientes dos seus direitos e de sua própria dignidade. É um avanço irreversível, e, apesar da repressão contínua e brutal em que sofrem, existe um clamor legítimo e ações em defesa das terras ... ", continua a carta de 22 de fevereiro de 1988.

Manuel e seus companheiros anônimos, os portadores da Palavra de Deus, servidores de seus irmãos e irmãs, ressuscitados entre eles, farão com que a terra seja própria e frutífera para todos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Maurício Maraglio

Pe. MAURÍCIO MARAGLIO
Mártir da Luta Pela Terra
SÃO MATEUS-MA * 28/10/1986

Padre Maurício Maraglio, missionário italiano, chegou ao Brasil em 1983 para colaborar com o Pe. Carlos Bergamaschi nos serviços pastorais na Paróquia de São Mateus, Diocese de Coroatá.

Pe. Carlos era responsável pela CPT, Comissão Pastoral da Terra, criada por volta dos anos 1975, logo depois da chegada do Pe. Mauricio, ele começa a assumir os trabalhos da CPT.

Os conflitos por terra na região eram constantes, e no ano de 85 somente na região de São Mateus foram assassinados 22 camponeses.

No dia 10 de maio de 86 um pistoleiro matou o Pe. Josimo Tavares enquanto ele entrava na casa da CPT, na cidade de Imperatriz do Maranhão.

No dia 28 de outubro de 1986, mataram o Pe. Maurício, em circunstancias nunca esclarecidas. A imprensa dos latifundiários Sarnysista, descreveu Maurício como "Um agitador", possivelmente pelo fato dele esta sempre ao lado dos pobres, lutando pelos seus direitos, orientando a buscarem seus direitos.

Certamente o martírio do Pe. Maurício esta intrinsecamente ligado a sua luta pela terra e defesa dos direitos do povo a partir do Evangelho de Jesus.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

domingo, 25 de outubro de 2015

Galeria dos Mártires - Herbert Anaya

HERBERT ANAYA
Mártir dos Direitos Humanos
EL SALVADOR * 26/10/1987


Herbert Anaya, ativista cristão, advogado de 33 anos e pai de cinco filhos. Coordenador da Comissão de Direitos Humanos de El Salvador, CDHES, assassinado na frente de seus filhos, na saída de sua casa em San Salvador.

Desde muito jovem sempre foi um lutador pelos direitos humanos. Em 1980 assume a assistência jurídica às vítimas de repressão. No cumprimento da sua missão visita as zonas de guerra para averiguar os danos causados ​​pelos bombardeios e, o assassinato em massa, que cotidianamente sofria seus povos.

Em maio de 1986, ele foi preso pela Polícia do Tesouro, no centro da cidade. Durante 15 dias permaneceu desaparecido, e, durante este tempo foi submetido a tortura física e psicológica horrível. Os métodos mais sofisticados utilizados por seus torturadores não conseguem quebrar a sua coragem e firmeza de suas convicções. Quando lhe pediram para "cooperar" para obterem "informação" que lhes permite acusá-lo de cumplicidade com os guerrilheiros, Herbert responde a eles. "Há um aspecto moral que não me permite fazer e eu fico com as consequências. O máximo que podem  fazer é me matar, porém, o que matará será o meu corpo, porque minha alma vai continuar a trabalhar pela a justiça".

Passar pelo carcere de Mariona, compartilhado com outros presos políticos. De lá continua a dirigir CDHES. Após 10 meses foi libertado, porém, diariamente os arredores de sua casa era monitorado e as ameaças eram constante. Mas seu desempenho público continua. 

Na Universidade Central condena as consequências da situação em que se encontrava, em um programa de televisão, faz o mesmo com relação ao uso de armas ilegais no conflito. 

Sua sentença de morte estava assinado. Os esquadrões da morte faz o resto. No dia 26 de outubro de 1987, dois homens civis, com armas de 9 milímetros e silenciador, tentam calar a voz que ainda segue clamando por justiça.

O Assassinato de Herbert é o culminar de todas as acusações e ameaças feitas pelo COPREFA (Comitê de Imprensa das Forças Armadas, e vários porta-vozes do governo).

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Vladimir Herzog

VLADIMIR HERZOG
Jornalista, Mártir da Verdade
SÃO PAULO – SP * 25/10/1975

“Vlado” era um homem alegre e cheio de iniciativa, casado, pai de família, jornalista e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo e diretor de telejornalismo na TV Cultura. Muito querido por seus alunos e seus colegas de trabalho. 

Em outubro de 1975 a ditadura militar empreendeu uma série de prisões de jornalistas de esquerda e Vladimir foi preso no DOI-Codi (centro de repressão do II Exército em São Paulo) e selvagemente torturado até morrer. 

Sua morte e a do operário Manoel Fiel Filho (janeiro de 1976), também ocorrida pela tortura no DOI-Codi, provocaram uma crise interna entre os altos chefes do Exército. E o assassinato de Vladimir, que inutilmente a repressão tentou apresentar como suicídio, convocou a primeira grande manifestação de massa contra a ditadura desde a AI-5. 

Milhares de pessoas se deslocaram até a Catedral da Sé, patrulhada por centenas de policiais para um Culto Ecumênica presidido pelo Cardeal D. Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel (Vladimir era de família judia). A celebração se transformou num grito coletivo de denúncia e de afirmação da esperança.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

Galeria dos Mártires - Pe. Antonio Llido Mengual

Pe. ANTONIO LLIDO MENGUAL
Desaparecido pela ditadura de Pinochet
CHILE * 25/10/1974

Antonio nasceu em 29 de abril de 1936 em Xavia, Valência. Depois de uma vida tempestuosa, pobre, mas feliz, decidiu entrar para o seminário em Valência. Após ser ordenado, serviu por um tempo como capelão das forças armadas espanhola.

Decidiu assim seguir em missão, em julho de 1969 chegou ao Chile, na chuva de inverno, vivenciando assim na própria pele como os pobres viviam.

Seu destino era Quillota, na Diocese de Valparaíso, foi trabalhar com o Bispo Don Emilio Tagle. Rapidamente com uma bicicleta caindo aos pedaços começa a conhecer o povo, tornou-se conhecido entre os mais pobres, e também causa irritação aos ricos.

Antonio estava vivendo uma vida plena, cheia de sonhos e ideais, os acontecimentos pareciam fortalecer aquilo que era proposto pelo Concílio Vaticano II.

Se junta ao grupo "80", um grupo de padres chilenos e estrangeiros posteriormente incorporado no grupo "cristãos para o socialismo" que apoiaria a candidatura de Salvador Allende, que queria alcançar objetivos sociais da Unidade Popular. Eram tempos de grande pobreza no Chile.

Seu caminho para a eternidade começou com o conflito que teve com os setores mais tradicionais da Igreja de Valparaiso, e em particular, com o seu bispo Emilio Tagle, que o suspendeu das suas funções eclesiásticas como vigário da paróquia de Quillota.

Uma vez que a suspensão foi apenas nessa paróquia, rezava missas em outras capelas, que eram mais escondido e nas casas dos necessitados. 

O grupo de Juventude formado pelo Pe. Antonio, em seguida, se vincula ao MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), foi assumindo a sua luta sem violência, mas com o compromisso social enraizada no que era conhecido como Teologia da Libertação.

O golpe militar de 11 setembro de 1973 foi sentido em Quillota, e Padre Antonio Llido era um daqueles que foram alvo por parte dos militares, estava imerso na clandestinidade, queria ficar no Chile, para defender os que não podia defender-se, os seus amigos, companheiros. Outros padres tentaram convencê-lo de que teria asilo, mas não conseguiu, seu destino estava traçado, estava a um passo para encontrar a sua cruz.

Depois de passar algum tempo escondido pela região de Valparaíso, foi detido no DINA localizado no José Domingo Cañas com a República de Israel (Santiago). Celebrou a missa para os outros prisioneiros. Foi cruelmente torturado e depois levado em péssimo estado para a prisão Quatro Alamos, localidade incomunicável de Três Alamos, que também estava no comando da DINA.

Companheiros de prisão, logo libertados são unânimes em afirmar que seu estado era grave: pancadas, descargas elétricas, insultos, etc. Apesar de tudo conservou com grande fortaleza e excelente estado de ânimo, sua característica solidária e seu compromisso com a pessoa humana, sua preocupação com os outros, onde mesmo estando em tal situação, repartia o resto de pão ou cascas de frutas com os outros prisioneiro.

Toda a sua vida foi dedicada ao povo pobre.

Carta de Antonio Llido durante sua clandestinidade

“De nuevo me veo en una situación muy especial. Yo no puedo, no quiero marcharme, cuando tantos amigos camaradas que luchan, que mueren (algunos muy cercanos a mi, han sido brutalmente asesinados) para construir una sociedad más justa. Eso es todo, y parece que es demasiado para estos señores que, como de costumbre responden con metralletas cuando exigen pan”

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Galeria dos Mártires - Mariano Ferreyra

MARIANO FERREYRA
Mártir da Solidariedade
ARGENTINA * 20/10/2010

Mariano Ferreyra, 23 anos, jovem militante da solidariedade aos trabalhadores.

Participou de uma manifestação de corte de funcionários da cooperativa União Railway.

Um bando armado, sob as ordens da União Ferroviária tinha ido ao tribunal. Eles tinham a cumplicidade dos policiais da delegacia do 30º Batlhão da Policia Federal.

Quando os manifestantes se retiraram, a gangue pulou sobre eles e Mariano foi baleado no peito que levou à sua morte.

No ataque foram também feridos mais três manifestantes: Elsa Rodriguez, Nelson Aguirre e Ariel Pintos.

Sua morte foi lamentada por todo o país, bem como o nome e o rosto de Mariano Ferreyra segue estampada em bandeiras, pichações, páginas da internet e marchas.

Militou no Partido Trabalhista desde que eu tinha 14 anos. Tornou-se um símbolo da luta dos trabalhadores e dos direitos humanos através de mobilizações de massa.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Oliverio Castañeda de León

OLIVERIO CASTAÑEDA DE LEÓN
Mártir da Liberdade
GUATEMALA * 20/10/1978

Oliverio Castañeda de León, líder da Associação de Estudantes Universitários (AEU), da Universidade de San Carlos da Guatemala.

Foi brutalmente assassinado no centro da Cidade da Guatemala, na frente de pelo menos 15 mil testemunhas. 

Pelo menos 30 homens fortemente armados participaram do crime. Oliverio tem ao longo dos anos se tornado um símbolo da luta pela liberdade. 

Em sua homenagem a Associação de Estudantes Universitário agora leva seu nome.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Raimundo Hermann

Pe. RAIMUNDO HERMANN
Mártir dos Camponeses
BOLÍVIA * 20/10/1975

Raimundo Hermann, sacerdote norte-americano de 45 anos, pároco de Marochata, em Cochabamba. Mártir da justiça entre os indígenas, com quem trabalhou desde 1962.

Foi encontrado morto em sua paróquia, enquanto trabalhava na construção de uma cooperativa de comercialização de batata, com que se desmantelaria uma rede de poderosos intermediários aliados às autoridades locais.

O bispo de Cochabamba emitiu uma declaração destacando a dedicação pastoral de Raimundo, condenando seu assassinato e exigindo a imediata investigação do fato.

O autor da morte do sacerdote foi preso, mas conseguiu escapar da cadeia e não foi mais encontrado. 

Raimundo era sumamente querido entre os camponeses indígenas e sua fotografia com frase: "Padre Rainmundo Hermann. Assassinado. Queremos que se faça justiça", se encontra na entrada de todas as Igrejas de Cochabamba.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.
 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Galeria dos Mártires - Nestor Paz Zamora

NESTOR PAZ ZAMORA
Mártir das lutas de libertação de seu povo
BOLÍVIA * 08/10/1970

Nestor Paz Zamora, filho de um general boliviano. Nestor fez estudos teológicos, vinculou-se desde cedo ás Fraternidades de Charles de Foucauld e era estudante de medicina quando se incorporou á guerrilha de Teoponte, onde morreu de fome. 

Toda sua vivência de cristão místico e militante está admiravelmente contida nas páginas do Diário que dedicou à sua esposa, Cecy. Um verdadeiro testamento de espiritualidade libertadora. Irradiava o sentido transcendente que ele encontrou em sua luta pela “terra nova”, onde o amor fosse à lei fundamental.

Em 12 de agosto escreveu: “Sou um fermento que vai trabalhando muito por igual. Esta é pelo menos a sensação que tenho. Uma grande paz e tranquilidade me invadem. Estou ‘vitalmente’ passando da ideia da ‘morte’ como diminuição para a ideia da ‘morte’ como plenitude e passo a uma nova dimensão. Não a procuro, mas se vier a esperarei com a serenidade e a tranquilidade que merece tal momento, e mesmo lhe pedirei que avise a eles que passei ao Pai, que o ‘Vem, Senhor Jesus’, tornou-se realidade em mim”.

De seu diário de guerrilha:

Sábado, 12 de setembro
Meu querido Senhor:
Estou escrevendo depois de muito tempo. Hoje de fato me sinto necessitado de ti e de tua presença, talvez seja a proximidade da morte ou o fracasso relativo da luta. Sabes que tenho procurado por todos os meios ser fiel a ti.

Consequente com meu ser em plenitude. Por isso aqui estou. Entendo o amor como uma urgência em solucionar o problema do outro onde tu estás. Deixei o que tive e vim. Hoje talvez seja a minha Quinta-feira e esta noite a minha Sexta-feira.

Em tuas mãos entrego-me inteiramente; o que me dói é talvez deixar o que mais quero neste mundo, a Cecy e minha família, e talvez não poder sentir concretamente o triunfo do povo, sua Libertação.

Somos um grupo cheio de plenitude humana, “cristão”, e isso, creio, é bastante para impulsionar a História. Isto me conforta. Amo-te e te entrego o que sou e o que somos, sem medida porque és meu Pai. Morte alguma será inútil se sua vida estiver plena de sentido e isso, penso, é valido aqui entre nós. Tchau, Senhor, talvez até o teu céu, essa terra nova por que tanto ansiamos.

Sexta-feira, 2 de outubro
Minha querida rainha:
Faz muitos dias que não escrevo porque me faltava ânimo. Ontem recordei muito tudo o que é NOSSO. Estamos passando momentos extremamente difíceis e duros. Meu corpo está desmoronado, mas meu espirito permanece intacto. Quero entrega-lo a ti em primeiro lugar e aos outros. Amar-te com a plenitude de minhas forças, com tudo que posso, pois tu encarnas minha vida, minha luta e minhas aspirações. Dia 9 dificilmente poderemos estar juntos, talvez dia 29 ou pelo Natal.

Mas tenho confiança que assim será. Somos um grupinho pequeno. Tenho a sorte de estar ao lado de companheiros que também são amigos ou parentes e isso me dá mais tranquilidade. É difícil a esta altura não desesperar e é a confiança no Senhor Jesus que me dá ânimo para seguir até o fim. Perdemos a batalha, ao menos esta, irremediavelmente. Devemos recobrar ânimo e ver com critério claro e realista o que faremos no futuro. Vamos ver o que será.

Oxalá não seja para além da morte nosso encontro, embora este seria superabundante de felicidades. Creio nesta verdade e também me consola porque é real. Espero estar em breve junto de ti. Conversar longamente, olhar-nos nos olhos, trazer ao mundo um Pazuelopis ou uma Pazuelopita, que nos alegre os dias e tocar para frente. Tenho medo que te aconteça alguma coisa, espero, porém, que estarás bem. Enfim, me despeço.

Como sempre o papel é um limite sério, não sirvo para escrever, apenas posso expressar-me. Penso nos velhos. Em meus irmãos e irmãs. Logo os abraçaremos. Quero, e isso é o principal, comer, comer, comer nos primeiros dias, pois já faz um mês que não comemos, a não ser comidinhas esporádicas do que encontramos. Eu te amo muito. Que isso fique bem claro. És o que mais amo e o que amo em plenitude... 
Nestor Paz Zamora

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Manuel Antonio Reyes

Pe. MANUEL ANTONIO REYES
Mártir da dedicação ao pobres
EL SALVADOR * 07/10/1980

Manuel Antonio Reyes, sacerdote salvadorenho, pároco de Santa Marta, na Colônia 10 de Setembro, de San Salvador. 

Depois de ameaças e acusações, sua casa foi invadida e ele foi sequestrado por indivíduos que se identificaram como "representantes da autoridade". Levaram-no para "investigação"

No dia seguinte o Ministro da Defesa prometeu a Monsenhor Rivera averiguar junto à Polícia Nacional o desaparecimento do sacerdote. Mas, no mesmo dia foi encontrado seu corpo em uma aldeia no interior, com um tiro na boca e outro no peito.

Manuel tinha 35 anos, nasceu em San Rafael Oriente e sua relação e compromisso com as comunidades cristãs de seu bairro operário foi suficiente para causar a sua sentença de morte.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed. Vozes.

Galeria dos Mártires - José Osmán Rodríguez

JOSÉ OSMÁN RODRÍGUEZ
Mártir da Solidariedade e da Fé
HONDURAS * 07/10/1978

José Osmán Rodríguez, camponês de 26 anos. Ministro da Palavra em Santa Rosa de Copán, Honduras.

Foi assassinado na presença de sua esposa.

José Osmán tinha uma fé profunda e sua clara visão da realidade o fazia lutar incansavelmente por seus irmãos e irmãs marginalizados.

Eleito coordenador de ministros em toda zona de Santa Bárbara, participava de cursilhos, percorria as comunidades cristãs levando a mensagem libertadora do Evangelho, que despertava a consciência dos camponeses e promovia seu nível de vida.

E José Osmán se tornou com isto um empecilho para os latifundiários, que o ameaçaram de morte várias vezes e utilizaram um camponês para assassiná-lo.

Uma noite, quando regressava de uma reunião com camponeses e às vésperas de diversas viagens, dispararam contra ele em frente de sua casa. Caiu ferido diante de sua esposa com quem se casara fazia pouco tempo.

José Osmán é considerado um herói para seus irmãos e irmãs camponeses e um Mártir Cristão.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed. Vozes.

Galeria dos Mártires - Mártires de Lonquén

MÁRTIRES DE LONQUÉN
CHILE * 07/10/973

Memória de 42 anos dos Mártires de Lonquén

Os camponeses da Ilha de Maipo, sul do país, não entenderam por que naquela noite o caminhão do proprietário da fazenda que eles trabalhavam por anos, chegou carregado de policiais. 

Eles bateram na porta do rancho da família Astudillo e levaram o pai e dois filhos; em seguida, eles vão até o rancho da família Hernandez e prendem três rapazes; e por último a família Maureira, onde detém o pai e quatro de seus doze filhos. Todos eles são golpeados gratuitamente.

Testemunhas relatam que os onze presos foram amarrados e deitada de bruços no caminhão, e depois os policiais entraram no caminhão pisando sobre eles. Chegando ao quartel da Ilha de Maipo, os camponeses foram brutalmente torturados, assassinados e seus corpos enterrados no forno de cal de Lonquén. 

Os inquéritos judiciais em 1978 permitiu exumar os restos mortais de 15 pessoas, mas eles foram imediatamente transferidos para uma vala comum no cemitério de Ilha de Maipo, sem informar seus parentes. 

Não é a primeira vez na América Latina que os fazendeiros ou os proprietários de fábricas e os militares decidem sobre a vida e a morte dos pobres que em algum momento pudessem exigir justiça. 

Desta vez foram: Enrique Astudillo, 52 anos, e seus filhos Omar de 20 anos e Ramon de 27 anos; Carlos Hernandez de 39 anos e seus irmãos Nelson de 32 anos e Oscar de 30 amos; Sergio Maureira de 46 anos e seus quatro filhos: José de 26 anos, Rodolfo de 22 anos, Segundo de 24 anos e Sergio de 27 anos.

Os mártires Lonquén, como centenas de camponeses massacrados pelo poder e a ganancia, seguem vivos nos corações de seus irmãos e irmãs.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/