sexta-feira, 31 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Arlen Siu

ARLEN SIU
Mártir da revolução nicaraguense
NICARÁGUA * 01/08/1975

Memória dos 40 anos do seu martírio.

Arlen Siu, estudante universitária nicaraguense de 18 anos e militante do Movimento Cristão, incorporou-se à Frente Santinista, sendo assassinada pela Guarda Nacional nas imediações de El Sauce, com dois companheiros universitários: Mário Estrada de 21 anos e Jorge Matos de 19 anos.

Como cristã e revolucionária, Arlen participou ativamente das lutas de seu povo, que a conhecia com seu inseparável violão que tocava para acompanhar as canções que compunha.

Alegre, sincera, fraterna e meiga, Arlen era muito querida de todos os que a conheceram, especialmente os mais pobres.

Sendo uma das primeiras mulheres que se incorporaram à Frente Sandinista, quando a repressão da ditadura ameaçava e perseguia os camponeses, Arlen foi um símbolo da mulher que luta pela libertação de seu povo.

María Rural (Arlen Siu)

Por los senderos del campo
Llevas cargando tu pena
Tú pena de amor y de llanto
En tu vientre de arcilla y tierra

Tu tinajita redonda
Que llenas año con año
De la semilla que siembra
El campesino en su pobreza

Hoy quiero cantarte María rural
¡Oh! Madre del campo
Madre sin igual
Hoy quiero cantar
Tus vástagos pobres
Tu  despojos triste
Dolor maternal

Desnutrición y pobreza
Es lo que a vos te rodea
Choza de paja en silencio
Solo el rumor de la selva

Tus manos son de cedro
Tus ojos crepúsculos tristes
Tus lágrimas son barro
Que derramas en las sierras

Por esa razón en esta ocasión
Hoy  quiero cantar
A tu corazón
Hoy quiero decirte lo que siento
Por tanta pobreza y desolación

Por la praderas y ríos
Va la madre campesina
Sintiendo frío el invierno
Y terrible su destino

Por los senderos del campo
Llevas cargando tu pena
Tú pena de amor y de llanto
En tu vientre de arcilla y tierra

Hoy quiero cantarte María rural
¡Oh! Madre del campo
Madre sin igual
Hoy quiero cantar
Tus vástagos pobres
Tu despojos triste
Dolor maternal

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Frank País García

FRANK PAÍS GARCÍA
Líder da Insurreição Cubana
CUBA * 30/07/1958

Frank País García nasceu no dia 07 de Dezembro de 1934 em Santiago de Cuba. Seu pai era Francisco País Pesqueiro, um pastor protestante casado com Rosário García Calvin, ambos de Marín, Pontevedra Galicia (Espanha), que emigrou para Cuba. Francisco País como o primeiro convertido e batizado na Igreja Evangélica de Marin foi um dos fundadores da Primeira Igreja Batista de Santiago de Cuba.

Frank foi um dirigente estudantil reformista, inteligente e disciplinado, artista e organizador, presidente da "Associação de Alunos"professor gratuito na Escola para Operários, participou ativamente, com escritos e em manifestações públicas, na luta clandestina contra a ditadura.

Um líder revolucionário cubano que lutou contra a ditadura de Fulgencio Batista. Foi um dos fundadores da “Ação Nacional Revolucionária” que se chamou mais tarde “Movimento Revolucionário 26 de Julho”.

Seu irmão mais novo Josué País que seguia seus passos, foi assassinado no dia 30 de junho, um mês antes de seu martírio. Ao saber da morte de Josué, Frank Pais escreveu um poema que refletia a imensa dor pela perda de seu irmão de sangue e ideais: 

"como eu sofro não ter sido
eu a cair ao seu lado
meu irmão. 
Irmão! Meu irmão!
Por que você me deixe só
surdo ruminando minhas tristezas,
chorando tua eterna ausência. 

Estava entre os heróis seu destino
viveu com a honra de sua consciência
foi seu caminho de martírio
rebelde trilhou o caminho estreito".

Frank País foi assassinado pela polícia nas ruas de Santiago de Cuba em 30 de julho de 1957, exatamente um mês após o assassinato de seu irmão, quando ele tinha 22 anos. Por conta de seu martírio desencadeou uma onda de protestos em todo o país e constituiu um acontecimento decisivo para impulsionar a Revolução Cubana. 

Cem mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre desse rapaz de 22 anos, que sonhava com a “Construção da Pátria Nova”.

Frank é considerado em Cuba um mártir da revolução.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Stanley Francis Rother

Pe. STANLEY FRANCIS ROTHER
Mártir defensor dos pobres
GUATEMALA * 28/07/1981

Stanley Rother, missionário americano na Guatemala, sacerdote de 46 anos. Nasceu em Oklahoma, USA, trabalhou por 13 anos com os indígenas Cakchiquel na Guatemala. Durante todo esse tempo ele só queria cuidar do seu rebanho, na paz e harmonia. Outros sacerdotes americanos da área o consideravam o mais conservador de seu grupo. Era pacífico, dedicava seu tempo a ajudar o povo, a melhorar a agricultura e a saúde das pessoas.

Vários paroquianos seus, inocentes camponeses, foram assassinados pelo Exército. Pe. Stanley escreve uma carta denunciando essas atrocidades. Seu escrito circulou nos Estados Unidos (publicado em vários jornais e revistas), provavelmente foi esse o motivo que o levaria a ser assassinado.

Sua atitude tranquila, pacifica se transformava quando o povo estava sofrendo injustiça. Em certa ocasião, o Exército convocou uma reunião com o povo, no parque central. O tenente do Exército e comandante do destacamento de 300 soldados em Atitlan, convidou o Pe. Stanley para ocupar as cadeiras da Presidência da Assembléia Popular, ao que ele se recusou e ficou entre o povo.

O comandante, tomando o microfone, repetiu insistentemente que a presença do Exército naquele lugar obedecia a uma missão de paz e tranquilidade; que não era necessário que a população buscasse as igrejas para dormir, nem que durante o dia se trancassem em suas casas, pois o Exército não reprimia, o Exército defendia o povo... Então o Pe. Stanley pediu a palavra e do microfone falou: "Paz e tranquilidade nos anuncia o senhor tenente para Atitlan. Muito bem! Quero manifestar ao senhor tenente e a toda a opinião pública da Guatemala que o viver em paz e buscar a harmonia social são virtudes próprias de Santiago Atitlan, assim como são as roupas típicas que identificam a população deste lugar. Já há treze anos vivo neste paraíso de paz e fraternidade. Posso testemunhar que jamais um problema importante perturbou este remanso de paz... até que o Exército se fez presente. Esta paz e tranquilidade que nos oferece, talvez nela houvêssemos acreditado, faz um mês, este povo perdeu 28 de seus filhos humildes e trabalhadores; as famílias procuram igrejas para dormir, não querem sair de suas casas por temor à repressão; começou a circular uma lista de morte... diante de tais fatos, é difícil crer na paz que nos oferecem..."

Ameaçado de morte, Pe. Stanley deixou por três meses sua paróquia e voltou aos Estados Unidos. Algum tempo depois tomou a decisão importante de voltar. Seu desejo de estar em Santiago Atitlán era mais forte que as mesmas ameaças. Ao lado dele, as pessoas também se fortaleceu em meio a muito sofrimento com gesto heroico, estava ao lado de quem ele amava, como um apóstolo de Jesus Cristo. Aos seus familiares que não podia compreender sua radical decisão, ele disse: "Se tenho que morrer, quero morrer lá. Quero estar lá com meu povo". 

A um amigo, disse uma frase que teve sentido de profecia: "Vou celebrar a semana Santa em Atitlan...".

No dia 28 de Julho de 1981, Pe. Stanley foi assassinado. A única testemunha conta: "Eu dormia no quarto do segundo andar, onde antes vivia o Pe. Stanley. Cerca de uma hora da madrugada chegaram três homens altos e fortes que perguntaram pelo Pe. Stanley. Ameaçaram-me e tive que indicar-lhes o quarto onde dormia. Ele já havia ouvido a conversa, porque quando os homens chegaram a sua porta, ele já estava vestido. Quiseram levá-lo, mas ele não se entregou. Logo atiraram nele... Avisei as religiosas, que viviam na casa mais próxima".

Regou com seu sangue a terra abençoada de tzutuhiles maya, simples camponeses e pobres.

A versão publicada nos meios de comunicação de opinião pública de Santiago Atitlan, era que quiseram roubar a igreja e o sacerdote tinha sido morto pelos ladrões...

Pe. Stanley disse que jamais se deixaria sequestrar, em sua longa carta de denuncia havia descrito como se fazia a tortura na Guatemala...

E ainda dizia: "Minha vida é para o meu povo. Eu não tenho medo." 
"O povo precisa de mim e eu quero estar aqui. E as pessoas me amam." 

Ninguém que assistiu à missa fúnebre vai esquecer a despedida que o povo de Santiago Atitlán deram o seu pastor como um sinal de amor, reverência e gratidão. Homens vestidos com suas melhores roupas, o levaram em procissão. Na capela-mor da igreja paroquial em dois vasos de barro e uma caixa de metal foram enterrados o seu sangue e coração. 

Com razão Pe. David Monahan na apresentação de suas cartas ele escreve: "As cartas do Padre Stanley Rother nos dá a conhecer um humilde seguidor de Jesus Cristo, que alcançou grandeza espiritual em meio a terrível opressão. Como o pastor de Santiago Atitlán tornou-se, no sentido mais amplo, o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas". 

Em 21 de Julho de 2010, a Arquidiocese de Oklahoma City, realizou uma cerimônia de encerramento da fase diocesana da canonização de Padre Stanley Rother.

Em uma solene celebração eucarística, o arcebispo, Dom Eusébio J. Beltran, ordenou o fechamento de todos os documentos que testemunha os acontecimentos de 28 de julho de 1981 na cidade de Santiago Atitlán, Guatemala, para embarque imediato da Congregação para as Causas dos Santos no Vaticano.

"Pe. Rother foi um bom e feliz padre. Ele era muito leal ao Evangelho e seu serviço aos pobres", disse Arcebispo, e anunciou que tem a esperança de que amanhã este servo de Deus pode ser declarado santo e mártir.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Ezequiel Ramin

Pe. EZEQUIEL RAMMIN
Mártir da Terra
CACOAL-RO * 24/07/1980

Memória dos 35 anos de seu martírio

Ezequiel Ramin, jovem missionário comboniano, veio da Itália para Rondônia, na diocese de Ji-Paraná, onde se entregou generosamente ao serviço e à defesa dos indígenas e dos sem terra. 

Vibrava pelas causas da justiça e libertação. 

Ameaçado, não desistiu em sua pastoral vinculada ao CIMI e a CPT. Morreu na estrada, crivado de balas pelo latifúndio. E em sua homenagem, foi composto nosso popular canto “Pai Nosso dos Mártires”.

 Abaixo algumas frases dita por Ezequiel Ramin:

- Amo todos vocês e amo a justiça... Não aprovamos a injustiça, embora recebemos violência. O padre que vos está falando recebeu ameaças de morte. Queridos irmãos, se minha vida lhes pertence, também minha morte lhes pertencerá.

- Existem, hoje, marginalizados e esquecidos, nas penitenciarias, nos hospitais, asilos, reformatórios, barracos, nas calçadas e debaixo dos viadutos das grandes cidades. São os excluídos da vida. Como se pode ficar indiferente diante de tamanha dor do ser humano? Se Cristo quer servir de mim, não posso recusar.

- Muitas vezes, sinto um nó na garganta e uma grande vontade de chorar, ao ver tantos quilômetros de cerca.

- A morte é uma vitória com aparência de derrota.

- Sinto-me em sintonia com o mundo latino-americano, com suas angustias e com suas grandes esperanças.

- Trabalhar com os pobres é criar primaveras depois do inverno.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Jorge Oscar Adur

Pe. JORGE OSCAR ADUR
Cristão pela Libertação
ARGENTINA * 22/07/1980

Memória de 35 anos.

Jorge Oscar Adur, sacerdote assuncionista argentino, de 48 anos. Exilado em Paris, viajou para a Argentina, onde foi sequestrado quando se dirigia ao Brasil, por motivo da viagem do Papa. 

Em sua juventude, Jorge foi presidente da JEC (Juventude Estudantil Católica), em sua terra natal. Aos vinte anos ingressou na Congregação dos Padres Assuncionistas, onde foi ordenado sacerdote.

Como tal, desenvolveu um intenso trabalho pastoral tanto na "villa miseria" de Belgramo como em vários colégios de Buenos Aires. Posteriormente foi nomeado superior do Escolsticado Assuncionista Latino-Americano em Santiago do Chile, regional de sua Congregação na Argentina, assessor nacional de Ação Missionária Argentina, fundador da Equipe de Pastoral Vocacional da Conferência dos Religiosos da Argentina, assessor de vários grupos de Ação Católica.

Com o golpe militar de 1976, sua casa foi invadida e, como não o encontraram, foram sequestrados os religiosos Raúl Rodríguez e Carlos Antonio Di Pietro.

Em consequência desses fatos os superiores de Jorge o transferiram para a Europa, onde ele denunciou a violação dos direitos humanos em sua pátria e decidiu continuar a luta vinculado aos Montoneros.

Em sua mensagem de Natal de 1978, assim se expressou: "Como homens e mulheres da Igreja estamos diante de uma situação de exceção, ninguém pode ficar indiferente, não hesitamos então um segundo, em aderir a uma luta que já nos parece longa, mas que devemos concluir com a vitória".

O padre Adur pertence hoje à extensa lista de desaparecidos da Argentina, juntamente com seus companheiros religiosos Raúl e Carlos, por sua clara opção pelos marginalizados.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Wilson de Souza Pinheiro

WILSON DE SOUZA PINHEIRO
Sindicalista, Líder dos Seringueiros
BRASILÉIA – AC * 21/07/1980

Memória dos 35 anos de seu martírio.

Wilson de Souza Pinheiro, pai de 8 filhos, defensor dos direitos dos lavradores pobres. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Wilson assume decididamente a defesa de seus companheiros, os seringueiros pobres, até ser assassinado, por este motivo, na própria sede do Sindicato dos Trabalhadores de Brasileia.

Wilson tinha 47 anos quando foi assassinado no dia 21 de julho de 1980 pelos pistoleiros José A. Prado e Manoel P. dos Santos, a mando de Nilo Sérgio Oliveira e outro fazendeiro não identificado.

O clima era sumamente tenso naquelas regiões acreanas, quando inclusive os fazendeiros seringalistas chegavam a convidar “a matar padres e freiras” e anunciavam que haveria “muitas viúvas no Acre”. O bispo Dom Moacyr Grechi, organismos sindicais e eclesiais, lideranças políticas e a Anistia Internacional defenderam historicamente a causa dos seringueiros, que mais tarde seria adubada pelo sangue de Chico Mendes.

Abaixo um poema do livro: Raízes, Memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

WILSON DE SOUZA PINHEIRO

Uma boca maldita do Acre dizia assim:

"Calemos os sinos e todas as fúrias
na resistência funeral dos aromas.
Calemos a fonte, o caimento da noite,
a doce matéria das rosas.
Calemos as rosas e todo amarelo.
Calemos a cor batendo nos olhos,
os círculos, as temperaturas, os espelhos.
Calemos os espelhos ensimesmados, repetindo-se.
Repetindo-nos.

Calemos os meninos e todo relâmpago.
As conveniências, as distâncias, as memórias: calemos!
A pureza dos ventos, a virgindade: calemos!
As digitais do sol na poesia, a lua para o cisne,
A umidade das sementes: calemos.
Calemos as maças, com sangue.

E os orvalhos no lírio, a facadas.
Calemos as pombas com cólera.
E o defunto -- a boca que não fala --
Calemos com formigas.
Calemos o dia. Calemos o som.
E para que ninguém se lembre
Calemos a memória e o homem que anuncia."

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Bartolomeu de las Casas

BARTOLOMEU DE LAS CASAS
Profeta, Defensor da causa dos Índios e Negros
MADRI * 17/07/1566

Bartolomeu de Las Casas nasceu em Sevilha, na Espanha, no ano de 1474. Seu pai era um mercador da esquadra de Colombo, na segunda viagem ao novo continente. Estudou na Universidade de Salamanca, onde se graduou em direito. 

Depois viajou para Roma, onde terminou os estudos e ordenou-se sacerdote em 1507. A rainha Isabel, chamada "a católica", da Espanha, considerava a evangelização dos índios a justificativa mais importante para a expansão colonial. Insistia para que os sacerdotes e frades estivessem entre os primeiros a fixarem-se na América. Em 1510, Bartolomeu de Las Casas retornou à ilha Espanhola, agora como missionário, para combater o tratamento cruel e desumano dado as índios pelos colonizadores.

Para defender os índios no novo continente, Bartolomeu viajou várias vezes à Espanha, apelando aos oficiais do governo e a todos que o quisessem ouvir. Desde que ingressou na vida religiosa dominicana, ele se dedicou à causa indígena em defesa da vida, da liberdade e da dignidade. Dedicou vários anos à meditação e ao estudo, depois dos quais começou a escrever e a viajar incansavelmente. Lutou, também, para que tivessem direitos políticos, de povos livres e capazes de realizar uma nova sociedade, mas próxima do Evangelho. 

Para Frei Bartolomeu, o índio é o pobre de que fala a Bíblia, não apenas assassinado, mas espoliado e explorado até o suicídio. Portanto, o culto a Deus e a exploração do pobre são incompatíveis. O ponto central de sua teologia está precisamente na identificação de Cristo com o índio martirizado, com o pobre real.

A prioridade, para Bartolomeu, era a evangelização. Com tal propósito, viajou pela América Central fazendo um trabalho pioneiro, registrando tudo em seus diários. Foi perseguido pelos colonizadores espanhóis de São Domingos, Peru, Nicarágua, Guatemala e do México. Neste último país, foi nomeado bispo aos setenta anos de idade, em 1544. Mas ficou apenas três anos em Chiapas, sempre perseguido pelos espanhóis.

Em 1547, partiu da América para não mais voltar. Regressou à Espanha, continuando lá a defesa dos índios, à permanente denúncia da exploração de que foi vítima por parte dos conquistadores, quando corrigiu e publicou seus escritos, todos se contrapondo à política colonial. Porém suas idéias foram contestadas na América e também na Espanha. Tanto que, em 1552, suas obras foram censuradas e proibidas para leitura.

Morreu aos noventa e dois anos de idade no Convento Dominicano de Atocha, no dia 17 de julho de 1566, em Madri, Espanha. Muito querido do povo mexicano, seu nome, hoje, é lembrado como um dos maiores humanistas e missionários da história do cristianismo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Ivo Abani

IVO ABANI
Mártir da Terra Livre
PALMA SOLA-SC * 16/07/1989

Ivo Abani, trabalhador sem terra, assassinado no dia 16 de julho de 1989, durante violenta desocupação da Fazenda Caldatto, município de Palma Sola-SC, onde outras 40 pessoas foram feridas e 11 presas.

Ficou assim, antes de morrer, silencioso.
E pensou um poema de olhos fechados:

"Canário aderindo ao sol
Faz que esmorece
O músculo do dia.

Detrás do traje oleoso
A sombra cuida do esquecimento.

Eu pego para mim um relâmpago
Desnudo, para envelhecer.

Quero dormir no meio da tempestade".

Poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo

Pe. RODOLFO LUNKENBEIN e SIMÃO BORORO
Mártires da Terra Indígena
MERURI – MT * 15/07/1976

Missionário salesiano entre os índios Bororo, na aldeia de Meruri, Pe. Rodolfo pôs nessa missão toda sua “jovialidade e amizade, sua serenidade e exatidão na prática religiosa e nos estudos; seu espírito de trabalho e sacrifício”. Sabia muito bem do risco que corria: “Também hoje o missionário, afirmou, deve estar disposto a sacrificar sua vida”. “Não há nada mais bonito do que morrer pela causa de Deus. Este seria meu sonho”. 

Mártir glorioso da nova pastoral indigenista do CIMI, ele deu a vida pelas terras bororo e o índio bororo Simão, no mesmo martírio, deu a vida pelo missionário Rodolfo.

Prece da Esperança no Compromisso

Deus, nosso Pai, celebramos, com a morte gloriosa do Cristo, a morte gloriosa de Rodolfo e de Simão, o sangue de Teresa, de Lourenço de Zezinho e de Gabriel; a angústia e a solidariedade de Ochoa, dos bororós, dos missionários ... perfeitos no amor, segundo a Palavra de Cristo: o índio deu a vida pelo missionário; o missionário deu a vida pelo índio. Para todos nós, índios e missionários, este sangue de Meruri é um compromisso e uma esperança. O índio terá terra! O índio será livre! A Igreja será índia! 
(Pedro Casaldáliga, apud José Marins et alii, op. cit., p. 151.)

https://www.youtube.com/watch?v=VqpL3TwLjj0

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Héctor Jurado

HÉCTOR JURADO
Mártir do Povo Uruguaio
URUGUAI * 15/07/1972

Héctor Jurado, pastor metodista uruguaio. 

Detido pela polícia, morreu em consequência das torturas no Hospital Militar, poucos dias depois de sua prisão.

Embora não tenham sido fornecidos os resultados da autópsia, sabe-se que o corpo de Héctor apresentava sinais de maus tratos, além de uma ferida provocada por bala e outra provocada por corte.

O comunicado oficial disse que ele havia se suicidado com arma branca no momento da detenção.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura dos livros: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Fernando Hoyos e "Chepito"

Pe. FERNANDO HOYOS e "CHEPITO IXIL"
Mártires entre os Povos Indígenas
GUATEMALA * 13/07/1982

Sacerdote jesuíta espanhol, Fernando foi missionário na Guatemala. Membro da Direção Nacional do Exército Guerrilheiro dos Pobres. Morreu combatendo na cordilheira dos Cuchumatanes, às margens do rio San Juan.

Simples, fraterno, sincero, pobre como os pobres da Guatemala, Fernando era um sacerdote sempre disposto a ensinar, a iluminar com a reflexão teológica oportuna, a ouvir, a servir aos indígenas do altiplano, aos camponeses da costa sul, aos professores, catequistas, universitários na tarefa comum de ir gerando uma Guatemala nova. 

Para isso trabalhou incansavelmente; deu cursos; caminhou horas a fio pela montanha, fiel lema que o levara ao sacerdócio: "Lançar a sorte com os pobres desta terra". Até que um dia compreendeu que a voz dos pobres clamando justiça era abafada com a mentira, cadeia, tortura e massacre. 

E com eles decidiu seguir o único caminho possível: a luta armada. "O exemplo de Fernando não desaparecerá jamais daqueles que como nós compartilhamos nos últimos anos da mesma luta. Suas idéias, ensinamentos, capacidade de trabalho, seus sentimentos profundamente humanos, sua entrega à libertação de nosso querido povo, todos os ensinamentos que forjou em seu lar, na Companhia de Jesus e no exército guerrilheiro dos pobres, não se apagarão do povo da Guatemala", escreveu um companheiro guerrilheiro aos pais de Fernando, ao lhes anunciar sua morte.

Junto de Fernando caiu igualmente ferido de morte o guerrilheiro menino "Chepito Ixil" de treze anos. "Sabemos que vamos cair em combate, que vamos morrer, mas sabemos por que estamos lutando", dizia "Chepito".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura dos livros: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Galeria dos Mártires - Dom Carlos Horário Ponce de León


DOM CARLOS HORÁRIO PONCE DE LEÓN
Mártir da Justiça
ARGENTINA * 11/07/1977

Carlos Horacio Ponce de León, nasceu em Navarro, 17 de Março de 1914,  foi bispo da diocese de San Nicolas de los Arroyos (província de Buenos Aires).

Foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro de 1938, depois de ter completado seus estudos no Seminário Arquidiocesano de Buenos Aires. Em 09 de Junho de 1962, foi nomeado bispo auxiliar de Salta (província de Salta) e em 15 de Agosto de 1962, recebeu a consagração episcopal na Basílica de Santa Rosa

Em 28 de abril de 1966, foi nomeado bispo titular de San Nicolas los Arroyos pelo Papa Paulo VI e esteve a frente da diocese por 11 anos.

Durante os onze anos em que governou a diocese de San Nicolas, realizou e impulsionou toda a obra do apostolado de ação social em uma atitude permanente de serviço à comunidade, em cumprimento de seu lema episcopal expressa no escudo que sintetiza toda a sua vida. "Eu não vim para ser servido, mas para servir". Pelo seu compromisso pastoral e social é que ele foi capaz de colocar sua vida em risco para ajudar que o povo argentino tivesse seus direitos respeitados. 

De acordo com organizações de direitos humanos, Ponce de León foi considerado um "bispo vermelho" na área norte de Buenos Aires, onde ele tinha entrado em confronto com militares de San Nicolás que até o apelidaram de "monsenhor ambulância", porque ele costumava recolher os feridos em confrontos e atendia os familiares dos desaparecidos. 

Carlos Ponce de León teve uma importante atuação episcopal durante a ditadura do autodenominado Processo de Reorganização Nacional que tinha estourado em 1976, e secretamente, a sangue e fogo causou extrema violência no estado. Ele foi um dos poucos membros da hierarquia da Igreja Católica Argentina a criticar os abusos e crimes contra os direitos humanos, tais como o assassinato do bispo Enrique Angelelli por uma "força-tarefa militar", em 1976.

A partir de 24 de Março de 1976 recebeu os familiares dos desaparecidos. Recebia a cada uma das famílias que lhes pediam que intercedesse para saber o paradeiro de seus filhos. Quando os sacerdotes o questionava porque ele foi interceder pelos familiares e questionar a repressão, tortura e desaparecimento de pessoas, ele respondeu: "Por que devo ir, eu não estou fazendo nada de errado". Ponce tinha organizado documentos sobre a repressão executada em sua diocese.

Há testemunhas que dizem que Ponce de León recebia constantes ameaças de morte na qual diziam que ele "não passaria de julho", que o haviam perseguido e insultado na rua e tinha informações importantes sobre o assassinato de sacerdotes Palotinos, que ocorreu um ano antes. Ele estava sendo monitorado continuamente pelos militares.

Depois do assassinato do bispo Enrique Angelelli, ele disse: "Agora é comigo",  que deveria assumir as mesmas causas e os mesmos riscos; denunciar o desrespeito aos direitos humanos que o povo de sua diocese estava sofrendo, e por seu compromisso de anuncio do Evangelho e denuncia de tantas atrocidades praticada por parte dos militares é que a perseguição se tornou mais intensa. 

Em 11 de Julho de 1977, o bispo Carlos Ponce de León foi morto nas proximidades do cidade de Ramallo. Os carrascos "disfarçados" como motoristas inocentes utilizaram a mesma metodologia usada para o assassinato de Monsenhor Angelelli em Rioja. 

Ponce de León estava indo de San Nicolas para a cidade de Buenos Aires pela Estrada Nacional n.º 9 em um carro Renault 4S, entre outras questões a resolver pelo caminho, ele visita um seminarista internado em Buenos Aires. A 11 km de San Nicolas, no km 212 um Ford F100 que estava viajando na direção oposta fez uma manobra para evitar a colisão com um ônibus estacionado. Por causa da chuva, a caminhonete virou e atravessou a pista contraria onde vinha o carro do bispo, causando a colisão. Ponce de León morreu de hemorragia cerebral, sem fraturar nenhum dos ossos.

Tal como no caso de Monsenhor Angelelli, o acidente de trânsito que causou a morte de Ponce foi simulado. 

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


Galeria dos Mártires - Pe. Faustino Villanueva

Pe. FAUSTINO VILLANUEVA
Mártir do Povo Indígena de El Quiché
GUATEMALA * 10/07/1980

Pe. Faustino Villanueva, missionário espanhol do Sagrado Coração, de 50 anos. Durante vinte anos trabalhou no serviço pastoral na Guatemala, especificamente entre os indígenas de El Quiché; sendo pároco de Joyabaj. 

Foi assassinado no dia 10 de Julho de 1980 por dois homens armados que o procuraram após a missa.

Crivado de balas no seu próprio escritório paroquial. Não foi permitido aos fiéis recolher o cadáver que foi entregue em Chichicastenango. Faustino morreu por sua entrega aos indígenas, que são de fato os marginalizados da sociedade guatemalteca. Assassinado por ser dessa Igreja que defende os pobres e marginalizados.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.