terça-feira, 30 de junho de 2015

Pe. Túlio Maruzzo e Luiz Obdulio Arroyo Navarro

Pe. TÚLIO MARUZZO e LUIZ OBDULIO ARROYO NAVARRO
Mártires pela Causa do Evangelho
GUATEMALA * 01/07/1981

Túlio Maruzzo, sacerdote franciscano, missionário italiano de Vicenza, com poucos anos de ordenado foi em missão para a Guatemala e trabalhou mais de 20 anos a serviço do povo pobre da diocese de Izabal, onde era pároco de Quirigua e Los Amates.

Sem radicalismo, sem alarde, mas de forma pacifica, humilde e serviçal, soube realizar na sua vida e sobretudo na sua morte a figura do bom Pastor.

Amigo de todos, percorria a pé ou a cavalo, a região sul de Izabal, para cumprir sua missão de coordenador das comunidades eclesiais de base.

Procurou encarnar-se da realidade da Guatemala e manter-se atualizado no processo teológico pastoral da América Latina.

No dia 1º de julho de 1981, foi assassinado juntamente com o catequista Luiz Navarro que sempre o acompanhava.

Os bispo da Guatemala disseram dias antes do assassinato do Pe. Túlio: "Como ao próprio Cristo, também à Igreja o cumprimento de sua missão acarreta conflitos, críticas injustificadas, calúnias e perseguição. Já são numerosos os sacerdotes, religiosos e catequista que pagaram com sua vida a fidelidade a Cristo e ao povo".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura dos livros: Sangue Pelo Povo e Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Hermógenes Lópes Coarchita

Pe. HERMÓGENES LÓPES COARCHITA
Mártir do Povo
GUATEMALA * 30/06/1978

Hermógenes Lópes Coarchita, sacerdote guatemalteco, pároco em São José Pinula e fundador doa Ação Católica Rural. Tinha 50 anos e há doze anos pároco local. Assassinado quando regressava de uma visita a um doente. Por conta das diversas ameaças de morte, viajava sempre sozinho para não sacrificar a outros. Estava sozinho quando três homens com pistola 45 e armas de grosso calibre o matou à queima-roupa. Seu corpo metralhado caiu sobre a Bíblia, dentro da pick-up em que viajava. Os moradores descobriram seu corpo perfurado de balas na estrada, tomados de dor e indignação levaram o corpo ensanguentado e o colocaram sobre o altar, no qual tantas vezes ele compartilhou com o povo, o pão e a palavra.

As causas de sua morte são muito clara: Hermógenes denunciou a forma brutal de recrutar jovens para o serviço militar dizendo: "Respeitem a dignidade dos jovens camponeses e não os maltratem nem os levem forçados para preencher os números dos quartéis"; opôs-se ao projeto da grande empresa AGUAS S.A. que deixaria sem água os camponeses, e a eles disse: "Não é lícito que vocês levem a água dos camponeses para vendê-la na capital"; protestou pelo alto custo do leite; denunciou a "campanha de vacinação", que não era senão uma campanha de esterilização das mulheres, e disse às autoridade do país: "A esterilização em massa é um desrespeito à dignidade e aos direitos das pessoas".

Todas as suas denúncias nada tinham de arrogância. Falava em nome do Evangelho, com profunda humildade, sem interesse próprio, falava como amigo dos pobres.

Apesar das constantes ameaças de morte, Hermógenes afirmou: "Se minha missão é dar a vida, assim farei. Mas nunca deixarei de lutar pelas causas que defendo". Em meio ao clima de violência vivido na Guatemala, dissera apenas cinco dias antes de morrer: "Se for necessário o sangue de um de nós para que haja paz, estou disposto a derramar o meu".

Em seu funeral estiveram presente 4.00 camponeses vindos de até 350km de distância. Muitos camponeses ficaram fora, sob a chuva durante as duas horas que durou a celebração presidida por diversos bispos e 50 sacerdotes. "O Padre Hermógenes foi um profeta. Morreu como morrem os profetas: assassinado... Ele clamou como João Batista: Não te é lícito... E por isso o mataram", disse um companheiro sacerdote. E um camponês afirmou: "Sentimos no coração o desaparecimento de nosso pastor... Ele estava conosco para solucionar os problemas do povo".

O Padre Mário Matamoros, reitor do seminário da Guatemala, visitou o Pe. Hermógenes no domingo antes de seu assassinato. Nessa oportunidade haviam conversado muito. Padre Mario dá este testemunho: "Hermógenes era um sacerdote simples e calmo. Quando denunciava algo é porque ele acreditava que o Evangelho não deixava outra alternativa. Disse-me que estava preparado para o que desse e viesse".

Pe. Hermógenes dedicou seus vinte e cinco anos de sacerdócio em defesa dos mais pobres.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura dos livros: Sangue Pelo Povo e Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Os Mártires de Olancho

OS MÁRTIRES DE OLANCHO
Mártires da Solidariedade
HONDURAS * 25/06/1975

40 anos da memória martirial de Ivan Betancur, Michel Jerome Cypher, “Casimiro”, e Companheiros.

Ivan era colombiano, de 35 anos, e Michael “Casimiro”, franciscano norte-americano de 34 anos, ambos sacerdotes da Prelazia de Olancho, em Honduras. No dia 25 de junho de 1975 foram assassinados com outros sete camponeses e pessoas vinculadas à promoção do campesinato.

O massacre, preparado em todos os seus detalhes, foi executado por um fazendeiro e membros do exército que, pela manhã desse mesmo dia, haviam suspendido a “Marcha da Fome” e reprimido brutalmente seus responsáveis.

O testemunho de Ivan e de “Casimiro” e o trabalho de conscientização que se realizava através do Instituto “18 de Fevereiro” e da União Nacional dos Camponeses, era insuportável para os latifundiários que pretendiam manter terras e privilégios à custa da fome e da miséria dos camponeses.

As vítimas foram levadas à fazenda “Los Horcones” e aí assassinadas uma por uma, com disparos na cabeça e seus corpos enterrados a 29 metros de profundidade.

Os que conheceram a Ivan recordam-no como pessoa incansável e alegre em seu trabalho pastoral, homem de muita fé e oração, capaz de dar a vida em sua luta pela justiça. Michael “Casimiro” era um verdadeiro testemunho de pobreza e de entrega total à causa do povo, por quem ele morreu.

Seus companheiros mártires são: Juan Benito Montoya, camponês; Ruth Garcia, estudante; Lincoln Coleman, secretário da União Nacional dos Camponeses; Maria Elena Bolívar, cunhada de Ivan; Roque Ramón Andrade, das Escolas Radiofónicas; Oscar Ovidio Ortiz, camponês; Bernardo Rivera, assessor técnico.


Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura do livro: Sangue Pelo Povo.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Arturo Mackinnon

Pe. ARTURO MACKINNON
Mártir da Justiça
REPUBLICA DOMINICANA * 22/06/1965

Pe. Arturo Mackinnon pertencia à Sociedade Missionária dos Padres da Missão Estrangeira Scarboro, Canadá. Seu trabalho sacerdotal na República Dominicana começou em 06 de outubro de 1960, em Azua (1960-1961) em San José de Ocoa (1962-1964) e janeiro 1965 foi enviado para o Município de Monte Plata, onde ele foi violentamente assassinado aos 33 anos em 22 de junho de 1965, depois de protestar contra a detenção arbitrária de 37 pessoas.

Dispararam contra ele uma rajada de metralhadora à queima-roupa e em seguida vários tiros de pistola.

O exercito deu uma versão de que o sacerdote morrera junto a dois membros do exército. Vizinhos do lugar, que viram os movimentos e escutaram os disparos, bem como o superior religioso de Arturo, puderam reconstruir a execução sumária no meio do caminho, de um sacerdote muito querido, de espírito generoso e justiceiro.

Pe. Arturo era grande amigo da juventude e dos pobres. Tinha profundo anseio de justiça social e de respeito à pessoa humana. Mais de uma vez protestou energicamente, tanto em particular, como em público, contra as injustificadas arbitrariedades de certos militares contra o povo indefeso. Era um homem corajoso que sabia tomar posições em favor do povo. Foi acusado de ‘comunista’ e de ‘defensor de rebeldes’.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Leo Commissari

Pe. LEO COMMISSARI
Mártir das Lideranças de São Bernardo do Campo-SP
S. BERNARDO DO CAMPO-SP * 21/06/1998

Padre Leo Commissari nasceu em Bubano - Itália, em 19 de abril de 1942. Descendente de família religiosa viveu a infância numa situação de pobreza devido a Guerra e o Pós-Guerra. Ordenou-se sacerdote em 1976. Tendo como exemplo o irmão missionário na China Filippo Commissari. Chegou ao Brasil em 1970 em Itapetinga - Bahia, onde viveu 7 anos. Voltando à Itália quis envolver o Bispo num projeto de missão diocesana que envolvesse padres, irmãs e leigos. O sonho se realizou em 1980 quando os Bispos de Ímola e Santo André decidiram um intercâmbio de padres e irmãs "Projeto Igrejas Irmãs". Desde o começo o grupo então formado de 3 padres e 5 irmãs de diferentes congregações da Diocese de Ìmola, escolheram trabalhar na periferia de São Bernardo do Campo.

Enfrentou a resistência da ditadura militar para entrar no País, por causa da forte presença da igreja católica em movimentos grevista no ABCD. Em São Bernardo, se alojou na favela do Oleoduto, na Vila São Pedro, para sentir na pele o sofrimento do povo. Foi ali onde iniciou um trabalho junto à comunidade carente, lutando a vida toda para resgatar os pobres do esquecimento em que a sociedade os deixa.

Construiu uma creche comunitária, orientou ocupações de terra e idealizou um centro de formação profissional que, depois de sua morte, foi a ele dedicado, passando a se chamar Centro de Formação Profissional Padre Leo Commissari.

Era fim de quermesse, 21 de junho de 1998, quando o padre Leo Commissari pegou seu carro e partiu em direção a rua do Oleoduto, em São Bernardo. Na direção contrária da estreita via, um outro veículo o obrigou a parar. Dele saíram um homem e uma mulher armados.

Padre Leo teve tempo de reconhecer o rosto que se aproximava de seu carro e perguntar “Por que irá me matar, Joãozinho?”. O primeiro dos três disparos contra o missionário acabaria com sua trajetória de luta social na periferia de São Bernardo que já durava dez anos.

A descrição da cena do crime foi dada por seu parceiro, também missionário italiano, padre Sante Collina, 69 anos. Quatro anos depois da morte do amigo, padre Sante foi à penitenciária em que o assassino cumpria a pena de 21 anos e repetiu a pergunta “Joãzinho, por que matou padre Léo?”. A resposta foi um silêncio amargo e de cabeça baixa.

“Sabíamos que incomodávamos muita gente grande com nosso trabalho. Éramos muito queridos até por pessoas que tinham envolvimento com tráfico”, contou padre Sante. O missionário lembra que o assassino era vizinho da creche comunitária, onde tinha um ponto de venda drogas.“Atrapalhávamos o negócio dele. Padre Leo não chegou nem a reagir.”

A morte do missionário foi um grande choque para a população que acompanhava seu trabalho, e para a alta cúpula de bispos católicos da Itália.

Abaixo algumas frase do Pe. Leo Commissari:

“O amor a Cristo nos irmão é um amor capaz de ir até as últimas consequências, é um amor capaz de ir até a morte.”

“… estou convencido de que o Senhor nos chama, ainda antes do nascimento e, aos poucos, Ele nos manifesta e nos diz aquilo que quer de nós. Quando nos damos conta de que Ele nos chama a uma consagração plena definitiva, isto constitui apenas o começo de um caminho que devemos perceber dentro da normalidade da vida, vivida na Igreja”.

“… a essência da vida religiosa não está no fato de viver aqui ou em outro lugar, em casa ou no convento, fazer umas coisas ou outras, mas viver tudo por causa de Cristo, como resposta ao Seu amor por nós. E realmente faz-se necessário que haja pessoas que pensem e vivam desta maneira”.
           
“Encontrar Cristo e dedicar a vida a Ele é maravilhoso e extremamente fecundo e fonte de uma alegria que o mundo não conhece; e isto é necessário, no mundo há um desejo enorme disto! Faz-se necessário que o nosso amor a Cristo seja autêntico, no seguimento fiel e disponível a Ele, a fim de que Sua Presença seja visível a todos, como salvação e libertação”.

“A questão do amor e a questão da vocação estão estreitamente ligadas, e esta ligação é misteriosa. Esta ligação é o amor de Deus e o amor de Deus pelo homem. Este amor certamente iluminará o significado da sua vocação, dentro do tempo. É preciso ter paciência, basta esperar um pouco. Alguém ou alguma coisa o iluminará”.     
        
“Todavia sempre permanecerá o mistério e a decisão será sempre sua. Porém, com o tempo, chegará a você esta luz, que o fará compreender o suficiente e escolher com consciência e serenidade… O importante é não perder tempo, viver amando”.

“… sinto-me como uma pessoa que busca uma definição de si mesmo, uma verdadeira expressão, ou talvez mais verdadeira do que vocação fundamental que me atraiu, desde quando era adolescente”.  
   
“Jesus não disse que se deve estudar um código de leis ou de sabedoria, não pediu um aprofundamento da cultura teológica das pessoas, mas orientou para a fé. Um ato muito simples, “Eu confio em você, leve-me para onde quiser”.              

“A nós é pedido que sejamos fiéis até o fim, ao Evangelho, para que estejamos, ao mesmo tempo, ligados a Deus e ao seu povo. Estamos contentes. Não nos faltam a saúde e a alegria. Moramos na favela, mas a nossa barraca é limpa e até confortável na sua essencial pobreza. O trabalho é muito, mas não nos deixamos dominar pelas coisas a fazer. Sempre nos reunimos de manhã cedo para rezar e meditar a palavra de Deus”.

https://www.youtube.com/watch?v=F8vsg4EaH10

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Sergio Ortiz

SERGIO ORTIZ
Mártir da perseguição à Igreja na Guatemala
GUATEMALA * 21/06/1984

Sergio Ortiz, seminarista, foi sequestrado nos arredores da Universidade Nacional de San Carlos na Cidade da Guatemala. Foi encontrado morto dois dias depois. Seu corpo tinha sinais de torturas e um tiro de misericórdia.

O assassinato de Sergio é considerado como uma repressão oficial feita contra a Igreja Católica, por causa da atitude de denúncia que esta assume diante da situação econômica, social e política da Guatemala. 

“Há grupos poderosos interessados ​​em que os pobres não se despertem e nem que exijam seus direitos ... O fato de que algum padre se coloca a promover o camponês, a despertá-lo, a dizer de sua condição humana e sua dignidade, pode ser mal interpretado por aqueles que não querem que os guatemaltecos despertem para os seus  direitos, e que exijam seus direitos como pessoa. A pregação da Igreja não é uma mensagem abstrata para seres abstratos, mas sim uma mensagem eficaz para seres muito concreto, que têm problemas com que a marginalização, desemprego e violência”, disse o Arcebispo de Guatemala, Prospero Penados del Barrio, em 14 de julho de 1984.

Sergio representa esta Igreja particular, que desperta o irmão oprimidos e que diz com firmeza sobre os direitos que lhe é de direito.

É mais um mártir da justiça na Guatemala.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet no servicios koinonia.

Galeria dos Mártires - Pe. Rafael Palacios

Pe. RAFAEL PALACIOS
Mártir das CEB’s
EL SALVADOR * 20/06/1979

Rafael Palacios nasceu em San Luis Taipa, em 16 de outubro de 1938, sendo ordenado sacerdote diocesano no dia 26 de maio de 1963.

Após o assassinato do Pe. Octavio Ortiz e quatros leigos em 20 de janeiro de 1979, Pe. Rafael foi substituí-lo na Paróquia San Francisco Mexicanos, de San Salvador. Nesta comunidade esteve totalmente dedicado ao trabalho dos setores operários, especialmente dos bairros de Santa Tecla e de Santa Luiza. Seu principal serviço pastoral era a formação de comunidades eclesiais de base. Nisso reside também à causa de sua morte.

No dia 20 de junho de 1979, se dirigia a uma reunião das Comunidades Eclesiais de Base, (CEB’s), na igreja El Calvario, foi assassinado em plena rua, crivado de balas pela ultra-direita, aos 41 anos.

Assim relatou um amigo seu: “Desde que o conheci, escutei dizer que um sacerdote não tem razão de ser, senão no seio de uma comunidade. Que o essencial da mensagem de Jesus foi convidar a humanidade dividida a lutar contra o que mantém as pessoas dispersas e desorientadas, isto é, o pecado. Jesus nos propõe seu plano e nos convida a segui-lo, não de qualquer modo, ...”.

“Todo o ideal do Pe. Rafael, sua vocação sacerdotal, sua inteligência, suas forças, colocou-as a serviço dos demais. Podíamos vê-lo sempre pelas ruas dos lugares onde havia trabalhado, tratando de convidar a todos para formar uma CEB’s. Este foi seu ideal e o conseguiu. Dizia que nessa comunhão íamos descobrindo o Reino. Sofreu muitas incompreensões e foi considerado uma pessoas perigosa, pelo simples fato de oferecer formação ao povo”.

Dom Romero, na homilia assim se referiu ao Pe. Rafael: “Posso dizer com as comunidades de base que tão bem o conheceram que ele estava longe de provocar qualquer violência, ou de semear ódio... Ele pregava o amor, era um homem de profunda meditação, que sempre acreditou mais na força do amor do que na violência, cujo ideal era o de criar comunidades de base inspiradas no amor de Jesus Cristo... Seria triste em um país onde o assassinato é cometido tão horrivelmente contra o povo, não encontrássemos também sacerdotes entre as vítimas. Eles são testemunhas de uma Igreja encarnada nos problemas de seu povo”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Aurora Vivar Vásquez

AURORA VIVAR VÁSQUEZ
Mártir das lutas operárias
PERU * 16/06/1976

Aurora Vivar Vásquez, operária, militante cristã e secretária geral do Sindicato Único de Tiendas Monterrey. Morreu "misteriosamente" nos momentos mais combativos de sua vida sindical.

Participava de uma comunidade paroquial de um populoso bairro de Lima, participou ativamente na evangelização desde muito jovem.

Quem aconheceu de perto se recorda dela como uma militante combativa, classista e solidária. Sua luta não estava desligada do trabalho com os setores mais difíceis de integrar ativamente à revolução.

Sua experiência de luta se tornou ainda mais sensível por todos os que sofrem e sua fé estava arraigada no mais profundo do projeto histórico dos pobres.

Aurora tinha 42 anos quando morreu.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura do livro: Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Massacre de Soweto

MASSACRE DE SOWETO
Mártires do Direito e da liberdade
ÁFRICA DO SUL * 16/06/1976

Hoje fazemos memória dos 39 anos do terrível massacre de setecentas crianças assassinadas em Soweto, na África do Sul, por se negarem a aprender o “afrikaans”, a língua dos brancos que comandavam o país.

Hoje é feriado na África do Sul.

O 16 de junho é uma das datas mais importantes do país. É o Dia da Juventude. A data é uma homenagem aos mortos do massacre de Soweto, que aconteceu em 1976.

Cerca de 15 mil jovens estudantes da região, que fica na periferia de Johanesburgo, saíram às ruas em plena época do apartheid para protestar contra o sistema de educação. Na época, os negros pagavam para estudar em escolas superlotadas, enquanto os brancos tinham ensino de melhor qualidade de graça. O balanço do ano anterior mostrava que o percentual de investimento do governo sul-africano no ensino de um aluno branco era 15 vezes superior ao de um aluno negro. Essa situação gerou revolta.

Mas o estopim para o levante dos alunos foi a determinação de que seriam obrigatórias aulas de afrikaans nas escolas dos negros. O idioma, que tem origem no holandês, era usado pela minoria branca e, por isso, considerado um símbolo da repressão pelos negros.

Liderados pelo jovem Tsietsi Mashinini, os estudantes protestaram com faixas e cartazes. A polícia sul-africana reprimiu a manifestação com violência. O primeiro tiro matou o estudante Hector Pieterson, de 13 anos. A foto do garoto sendo carregado por um colega ficou famosa no mundo inteiro.

Mas isso só foi possível porque o fotógrafo Sam Mzima foi astuto. Logo que percebeu que havia feito uma boa imagem, guardou o rolo do filme na meia. Quando a polícia o abordou para verificar a câmera, o filme não estava mais na máquina. Depois que a foto foi publicada, Mzima passou a ser perseguido, e teve que sair de Johanesburgo. A moça da foto foi a única que sobreviveu. É Antoinette Sithole, irmã de Hector. Ela não conhecia Mbuyisa Makhubo, o homem que carregava seu irmão e do qual nunca mais se teve notícias.

Depois do tiro contra Hector, os jovens responderam com as únicas armas de que dispunham contra as forças armadas “as pedras espalhadas pelo chão”. Cerca de 700 manifestantes morreram. O líder dos estudantes, Tsietsi Mashinini, foi exilado do país.

A crescente pressão internacional e o fortalecimento da luta pelo fim do apartheid que se seguiu acabaram culminando com a libertação de Mandela, em 1990, e as primeiras eleições multi-raciais, quatro anos depois. Hoje o bairro de Soweto é uma das atrações turísticas mais populares da África do Sul, com vários hotéis, um suntuoso estádio de futebol onde foram realizadas partidas da copa e shopping.

Foi em 1991 que, em homenagem aos mortos do massacre, a Organização de Unidade Africana (OUA) instituiu a data de 16 de junho como o Dia da Juventude. Hector Pieterson ganhou um tributo especial: um memorial na praça que leva o seu nome em Soweto. Sua irmã, Antoinette, é uma das responsáveis pelo museu.

Em 2006 tive a oportunidade de conhecer este museu e ver de perto objetos destes mártires da liberdade. Sapatos, materiais escolares, pedras, símbolos desta resistência. E sentir o tanto que é forte e presente a memória desta luta.

Nesta minha visita foi possível enxergar também a enorme contradição em que vive os ricos e os pobres, de um lado do bairro uma enorme favela e do outro lado casa suntuosas. Poderíamos até dizer que convivem pacificamente, mas as realidades são brutais, são mundos opostos os vivem pobres e ricos.

DEUS DA NOSSA TERRA, ÁFRICA – L: D. Pedro Casaldáliga / versão completamente livre de “Nkosi Sikelelei’iÁfrica”

1-     Deus da nossa terra, África,
        Pai da pátria negra,
        vem nos libertar!
        Ouve um Povo inteiro a clamar.
        Presos, somos dia!
        Mortos, seremos vida! (bis)

2-     Desce, Senhor:
        faz de nosso pranto uma festa!
        Rompe, Senhor:
        Sol da nossa terra ao sol!
        Sangue de irmãos
        banhando o nosso chão,
        lava o coração
        e vence a opressão. (bis)

3-     Meninos de Soweto, diamantes dessa dor,
        gritos de combate colhido em flor.
        Meninos de Soweto, diamantes dessa dor,
        oferenda mártir da libertação.

4-     Não segregados!
        Nunca domados! (bis)

5-     Unidos numa voz
        seremos nós África!

6-     Filhos libertos somos cantos floridos. (bis)
        Unidos numa voz
             seremos nós África!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Gisley Azevedo

Pe. GISLEY AZEVEDO
Mártir da Juventude
BRAZLÂNDIA-DF 15/06/2009

Gilsey, religioso estigmatino, nasceu em Morinhos, Goiás aos 17 de novembro de 1977.

Esteve na equipe do Instituto de Pastoral da Juventude Leste 2 (Belo Horizonte-MG)  e na assessoria do Setor juventude da CNBB nos anos de 2006 a 2009. Colaborou no processo de elaboração do Documento 85 da CNBB “Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas”. 

Assessor da Pastoral da Juventude, esteve presente na caminhada das Pastorais da Juventude do Brasil, nas atividade nacionais e regionais, assim como em encontros e atividades de Congregações e movimentos que trabalham com juventude.

Sempre a serviço do povo e de maneira particular comprometido com a juventude, onde assessorou muitos encontros e se fez presença certa na caminhada das Juventudes do Brasil, seja na CNBB como também em atividades de sua congregação.

Justamente no momento em que organizava a Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens, com o lema: “Juventude em Marcha Contra a Violência”, foi ele vítima desta violência, tombando mártir aos 31 anos.

É exemplo de amigo, assessor de juventude e religioso sacerdote comprometido com a causa do Reino de Deus.

Celebrando os 6 anos de seu martírio, propomos que estejamos em sintonia, emanando energias numa grande ciranda de memória e defesa das Juventudes.

Durante este dia e toda esta semana tiremos um momento para em silêncio, cantar, dançar, acender uma vela, entoar uma prece.

"Vamos juntos e juntas girar o mundo".

Abaixo um link do Ofício em memória ao nosso querido irmão e companheiro de lutas e senhos, Pe. Gisley.

file:///C:/Users/Tony/Downloads/ODJGisleyPJ2015.pdf

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Mártires da "Operação Albânia"

MÁRTIRES DA OPERAÇÃO ALBÂNIA
Mártires da Justiça
CHILE * 15/06/1987

Operação Albânia, 12 jovens assassinados em Santiago pelo serviço de segurança.


Os nomes desdes mártires segue na memória e luta do povo chileno:
Esther Cabrera, Elizabeth Escobar, Angelica Quiroz, Ignacio Recaredo, Ricardo Acosta, Julio Guerra, Juan Waldemar, Wilson Henriquez Manuel Valencia, Ricardo Silva, Ricardo Rivera, José Joaquín Valenzuela Levy.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Joaquim das Neves Norte

JOAQUIM DAS NEVES NORTE
Mártir da Terra
NAVIRAÍ-MS *12/06/1981

Joaquim das Neves Norte, advogado, 40 anos, pai de 4 filhos, assessor do Sindicato Rurais de Naviraí-MS, colaborador da CPT-MS, assassinado a mando do fazendeiro Adolfo Sanches Neto, no dia 12 de junho de 1981.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Cumpro o apanágio das ausências
E o teu nome, das neves do norte
Chega impossível, improvável, inflamado.

Algo como um relatório inteiro de mortes,
Um esbulho, uma condenação, uma ilegalidade.

Não por existir, te condenam, mas por não desapareceres,
Por não conseguirem derrotar
Os sangues que ao teu sangue se juntam.
Pelas águas mal-dormidas que fazes correr
Rente aos leitos encurvados das noites do medo
Pelas palavras dos que acreditam nos sonhas
Que crescem no meio das sementes.
Esses que agora se juntam para dizer:

"Se vê, se sente, Joaquim está presente!"

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Norman Pérez Bello

NORMAN PÉREZ BELLO
Militante, mártir da fé e da opção pelos pobres
BOGOTÁ * 10/06/1992

Norman Pérez Bello nasceu em 29 de junho de 1967 em Sogamoso, Boyaca. Ele fez seus primeiros estudos em estabelecimentos públicos. Se graduou no Instituto Integrado Joaquín González Camargo, de Sogamoso, em 1986. Desde ainda jovem demostrava uma forte inclinação para a ação social e política. Primeiro, ele fez parte da Associação Estudantil Sogamoseña (ASES).

Logo se integrou ao movimento juvenil Kigüe-Yacta (Terra de irmãos) cuja sede foi invadida e Norman e outros colegas foram presos. Depois de 15 dias eles foram libertados. Em Junho de 1988 entrou para a Universidade Nacional para estudar psicologia, enquanto trabalhava para se sustentar. Ao final de 89 se vincula ao trabalho pastoral da paróquia de San Bernardino em Bosa, no Bairro José Antonio Galán, e neste compromisso pastoral continuou até o fim de sua vida.

Desde janeiro de 1990, passou a viver em Bosa, junto com outros companheiros, dedicado a estudar Ciências Sociais na Universidade Distrital e a animar diferentes grupos de pastoral. Em 05 de junho de 1992 ele participou da Assembleia Regional das Comunidades Eclesiais de Base, CEB’s. Lá, foi eleito para fazer parte da delegação de Bogotá que participaria da Assembleia Nacional a ser realizada no final do mês em Cali.

No dia 10 do mesmo mês, em torno das 4 da tarde, quatro balas assassinas ceifaram sua vida nas ruas de Bogotá. No dia seguinte a notícia de seu martírio foi noticiada. O povo de Bosa maciçamente participou de uma missa em sua memória realizada na igreja paroquial às 21:00. Não foi possível trazer seus restos mortais para Bosa, porque seus parentes havia naquela noite levados seu corpo martirizado para Sogamoso. Porém, isto não foi um obstáculo para seus numerosos amigos prestarem homenagem a este lutador da justiça, eles fretaram um ônibus e foram para acompanhá-lo com canções e orações em seu lugar de descanso final. Assim puderam demostrar o enorme carinho que tinham por Norman. Seus parentes ficaram espantados ao ver que “o curto caminho trilhado por Norman era tão profundo, deixando um rastro de amor, fraternidade e compromisso com a sociedade”. (Carta dos familiares aos amigos de Bosa).

A frase que mais se ouvia durante o velório e o funeral era: “Norman não está morto. Ele continua a acompanhar-nos e nós vamos continuar seu trabalho”.

Foi criado o Comitê de Direitos Humanos Norman Pérez Bello em 1996, para que sua memória continue viva e nos faça seguir assumindo suas causas, sem medo de denunciar tantas torturas de milhares de militantes pela vida. "Queremos que se reconheçam a verdade, para que nunca se repita a história de dor, de desaparecimento e tortura. Seguimos com a memória e a esperança".

Abaixo trecho de carta escrito por Norman a seus amigos:

(...) “Como vocês sabem fiz parte do movimento estudantil, a fim de sensibilizar os jovens para a nossa opção pela vida, e alimentar a nossa opção pelos pobres e com os pobres. Com a minha mochila pendurada entre as idas e vindas para organizar em Sogamoso e Bosa um trabalho popular entre as mulheres, crianças, jovens e com alguns sacerdotes que como nós, compreendem o significado de viver a fé na luta com os pobres, este compromisso que posteriormente fez com que nós nos engajássemos nas comunidades eclesiais de base, onde queríamos experimentar o projeto revolucionário de Jesus.

Hoje como ontem, estamos sendo estigmatizados por vivenciarmos a mística do compromisso de Jesus; amar a justiça e trabalhar com os pobres, como vocês sabem, esses compromissos foram às causas pela qual fiquei preso por 15 dias, mas essa experiência reafirmou o meu compromisso, a escolha do trabalho popular, até o meu último dia em que eu viver e trabalhar no bairro onde vocês estão reunidos hoje; então, eu tenho certeza que não é por acaso que nós compartilhamos os mesmos sonhos e ideais, e, até mesmo se tirarem minha vida precocemente, vocês hoje seguiram com os mesmos sonhos e ideais. Eu convoco a vocês para continuarem com a mesma esperança e força.

... E se alguém quiser se lembrar de mim, que não chore, que feche o punho, leve-me pelas mãos e junta-se com o meu povo em uma única canção". NPB.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet e leitura do livro: Aquellas Muertes, de Javier Giraldo Moreno S.J.
             
Amigos fazem memória do seu  martírio

Os pais de Norman
Norman com a mãe

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Toribia Flores de Cutipa

TORIBA FLORES DE CUTIPA
Mártir Camponesa
PERU * 09/06/1981

Toriba Flores de Cutipa, líder camponesa, vítima da repressão da Guarda Civil do Peru.