quinta-feira, 30 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Conrado de la Cruz e Herlindo Cifuentes

Pe. CONRADO DE LA CRUZ e HERLINDO CIFUENTES
Mártires da solidariedade
GUATEMALA * 01/05/1980

Conrado de la Cruz, nascido na cidade de Baguio, República das Filipinas em 27 de julho de 1946. Ele entrou na Congregação do Coração Imaculado de Maria em 1965 e foi ordenado sacerdote em 28 de dezembro de 1971. Foi para a Guatemala em 13 de dezembro de 1972.

Desde sua chegada ele compartilhou com as pessoas a sua opressão, os seus sofrimentos e esperanças. Ele trabalhou nas paróquias de San Cristobal, Diocese de Verapaz e do porto San Jose, Escuintla.

Em fevereiro de 1979 foi nomeado pároco de Tiquisate onde se dedicou especialmente aos pobres e humildes.

Pela sua coerência evangélica e compromisso, por pregar a verdade e a justiça foi sequestrado em 01 de maio de 1980 a poucos passos do Palácio Nacional. 

De acordo com testemunhas no local, os sequestradores eram seis homens a paisana, armados, que o levou junto com seu amigo Herlindo Cifuentes, jovem sacristão, em um jipe ​​Toyota, cinza. Eles dois assistiam às manifestações do Dia do Trabalhado. Desde essa data nunca mais foram vistos, enquanto o governo afirmava não ter nenhum sacerdote detido.

"... No início dos anos setenta várias paróquias da diocese de Escuintla, na costa sul, iniciou um trabalho de pastoral social através da chamada Família de Deus, inspirada na pedagogia de Paulo Freire. Este trabalho utilizava o estudo da Bíblia a partir da perspectiva dos pobres, orientando a reflexão sobre o papel dos cristãos na construção de uma sociedade mais justa".

Uma das preocupações da Igreja Católica eram as condições desumanas de trabalho (às vezes trabalho escravo) em fazendas decana de açúcar e de algodão, e da falta de uma organização de trabalhadores temporários.

Santa Lucia Cotzumalguapa, onde estava a maioria das usinas de açúcar e onde se localizava as maiores fazendas de cana do Litoral Sul. Foi o município com o maior desenvolvimento das Famílias de Deus e mais tarde Comitê de Unidade Camponesa (CUC). 

Em fevereiro de 1980, se convocou uma greve na fazenda de cana de açúcar em Tahuantepeque, no mesmo município de Santa Lucia Cotzumalguapa. Todos os trabalhadores das fazendas de cana de açúcar e alguns algodoeiros da Costa sul aderiram à greve. Mais de 80 mil trabalhadores pararam de trabalhar exigindo um aumento salarial. 

Era neste contexto de organização, de luta pelos direitos, de conscientização dos direitos ao qual o Pe. Conrado foi capaz de prometer-se com os sofrimentos do povo.

Por estar comprometido com este povo e por ajuda-los a tomarem consciência de que deveriam juntos lutarem por seus direitos, sempre proclamando a justiça e a paz, foi que ele caiu mártir junto com se amigo Herlindo.
Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

1° de Maio - DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES

Dia Internacional dos Trabalhadores

No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios. 

A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu uma grande greve geral dos trabalhadores. Saíram todos às ruas.

No dia 3 houve um confronto entres dos trabalhadores e policiais. Mas “as forças da ordem” lhes responderam a bala. E ali caíram mortos 6 trabalhadores e outros 50 ficaram feridos.

“Ontem – dizem os operários – as mulheres e os filhos dos pobres choravam por seus maridos e pais fuzilados enquanto num palácio os ricos enchiam seus copos de vinhos caros e bebiam à saúde dos bandidos da ordem...! Secai vossas lágrimas, vós que sofreis! Tende coragem, escravos! Erguei-vos!”.

E no dia seguinte havia muito mais gente nas ruas, e grevistas de todas as origens, uma grande multidão. Chicago inteiro estremeceu ante o poder dos pobres que se uniam em comunhão aos operários assassinados por defenderem seus direitos e dignidade.

A resistência destes trabalhadores deu resultado, conseguiram que as horas de trabalho fossem reduzidas e a força e exemplo destes trabalhadores estendeu-se até aos últimos rincões da terra, estimulando cada operário que reivindicasse seus direitos ao trabalho digno.


A partir desta luta, hoje em muitos países se celebra este dia, como memória e compromisso com os trabalhadores assassinados e como dia de luta e resistência.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.
                                                                 

      
 



    






quarta-feira, 29 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Ir. Moisés Cisneros Rodríguez


Ir. MOISÉS CISNEROS RODRÍGUEZ
Mártir da violência e da impunidade
GUATEMALA * 29/04/1991

Moisés Cisneros Rodríguez, nascido em Quintana de Raneros, León (Espanha). Como irmão Marista inicia seu apostolado na Escola San Alfonso. No Liceo Salvadorenho iniciou um belo projeto na comunidade de Atehúan. Foi fundador da comunidade de Chichicastenango.

Irmão Moisés foi assassinado no dia 29 de abril de 1991 em seu escritório. Era diretor da Escola Marista da Guatemala, na Zona 6.

Em seus 25 anos como apostolo, se dedicou as pobres, as pessoas simples, sempre atento às causas da juventude da América Central, sendo fiel a Evangelho, e isto se confirmou tal qual o texto bíblico: “Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto”. João 12:24

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Quadro feito por Goyo Domínguz Gonzáles

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Ir. Cleusa Carolina Rody Coelho

IRMÃ CLEUSA CAROLINA RODY COELHO
Mártir da Causa Indígena
LÁBREA – AM * 28/04/1985

30 anos de seu Martírio.

Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho, nasceu em Cachoeira de Itapemirim, ES, aos 12 de novembro de 1933, entrando na Congregação das Missionárias Agostinianas Recoletas em 1952.

Dedicou Cleusa seus trinta e dois anos de vida como missionária agostiniana recoleta ao serviço dos mais empobrecidos: os hansenianos, os presidiários, os cegos, os menores de rua, os drogados, os indígenas, etc.

E foi na defesa da terra e da paz indígenas que Irmã Cleusa morreu, assassinada, às margens do Rio Paciá, na Prelazia de Lábrea, AM.

Frases de Irmã Cleusa:

“A justiça tem que estar na base de toda convivência humana”..

“Comprometer-se com o índio, desprezado e explorado, é assumir firme a sua caminhada, confiante num futuro certo e que já vai se tornando presente, nas pequenas lutas e vitórias, no reconhecimento dos próprios valores e direitos, na busca da união e auto-determinação”.  

IRMÃ CLEUSA – PARA MIM
Letra e Música: Zé Vicente – sobre palavras de Ir. Cleusa

“Para mim, o importante é sempre o SER.
Para mim, buscar o máximo amor!”//
Palavra de mulher! Palavra de quem tem fé!
Palavra de quem se doou, até o fim
E foi feliz assim.

Ir. Cleusa, bendita sejas!
Em teu martírio o teu sangue ampliou
A causa santa do amor!//

“Para mim, Deus não pede pra julgar,
Mas pra ir junto ao mais pobre e partilhar!”
Veio do índio a lição de convivência e ação!
E vale a pena essa causa abraçar,
A vida inteira entregar!

“Para mim assumir firme o Caminhar
com os pobres pra suas lutas animar!
E o futuro se faz! E a vitória é da paz!
Ser pobre por opção e oração”
Traz força na vocação!

“Para mim, no despojado Deus está.
Risco grande, máximo amor eu quero dar!”
O povo-índio te amou! A Amazônia guardou!
O rio, a mata, as crianças e o céu, vão cantar,
O teu amor celebrar!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


domingo, 26 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Bety Cariño e Jyri Jaakkola

BETY CARIÑO - Mexicana
JYRI JAAKKOLA - Filandês
Mártires dos Direitos Humanos
OAXACO, MÉXICO * 27/04/2010

Memória de 5 anos de martírio.

Bety e Jyri integravam uma caravana humanitária e de monitoramento dos direitos humanos nas imediações da comunidade indígena de San Juan Copala, quando foram agredidos moralmente por um grupo paramilitar conhecido como UBISORT; o mesmo grupo que mantinha sitiada a comunidade. Estes defensores dos Direitos Humanos foram assassinados em um ataque armado à sua caravana de solidariedade.

Os assassinatos geraram indignação nacionais e internacional, quatro relatores da Organização das Nações Unidas falou juntos pela primeira vez na história do México, condenando o ataque e pedindo uma investigação eficaz para punir criminalmente os autores e mandantes. A comunidade diplomática Europeia falou também sobre a punição dos responsáveis pelos crimes.

O assassinato deles, evidencia a fragilidade e risco dos defensores e defensoras dos direitos de realizarem seu trabalho no México, bem como a necessidade urgente de adotar medidas adequadas para garantir o pleno exercício da defesa dos direitos fundamentais; e também fez visível a existência e operação de grupos de civis armados que atuam e atacam a população com a permissividade do Estado do México.

O acesso à justiça para as vítimas é um direito humano e eficaz punição para os responsáveis por esses assassinatos é uma garantia para evitar eventos semelhantes voltem a acontecer, mas principalmente para evitar que a impunidade seja uma constante em casos de ataques aos defensores dos direitos fundamentais.

Testemunhas do assassinato dos defensores dos direitos humanos estão sendo ameaçadas por familiares dos acusados. Parentes de um dos presos intimidaram duas mulheres que testemunharam perante o tribunal de direito. Disseram para as mulheres "se retratarem de seu testemunho, senão algo de ruim poderia acontecer".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Escamilla García

Pe. RODOLFO ESCAMILLA GARCÍA
Mártir da solidariedade
MÉXICO* 27/04/1977

Rodolfo Escamilla García nasceu e foi batizado em Maravatio, Mich, no dia 24 de agosto de 1920.

Foi assassinado a bala enquanto se encontrava nos escritórios do Centro Social de Promoção Popular, na cidade do México, no dia 27 de abril de 1977.

Como sacerdote, formou um primeiro núcleo de militantes da Juventude Operária Católica (JOC), entre os jovens mineiros da localidade onde atuou pastoralmente. Iniciou a ação social nas comunidades rurais e indígenas dos arredores. Formou a Juventude Agrária Cristã (JAC).

Incansável peregrino da geografia de seu país, que ele percorria em busca dos irmãos oprimidos, silenciados, miseráveis, para fazer com que tomassem consciência de seus direitos.

Pe. Rodolfo fundou escolas de formação operária, cooperativas de consumo, produção e moradia. Promoveu e assessorou sindicatos.

Ele despertou a consciência tanto de seus companheiros sacerdotes, como entre os pobres, aos quais servia. Se tornou o apostolo dos operários.

Devido seu compromisso evangélico com os pobres da terra, despertou admiração entre todos aqueles e aquelas que lutavam pelos direitos fundamentais, pela vida, pela justo salário, pelos direitos humanos, por outro lado, surgiram a irá por parte daqueles que exploravam o povo, e iniciaram uma campanha contra o “clero político” e ameaças ao Pe. Rodolfo.

Diante das ameaças ele disse: “Sei que me querem assassinar por lutar em favor dos operários. Não posso traí-los. Estou disposto a morrer onde e na hora em que Deus o queira”.

Viveu seu ministério sacerdotal não só em grande pobreza pessoal, senão em verdadeira austeridade e integridade. Fez de seu compromisso social um serviço ao povo, sobretudo os operários.

Durante o enterro do Pe. Rodolfo, um padre companheiro expressou: “Ele foi assassinado pela sua doação ao povo, ressuscita sempre que o povo dá mais um passo rumo à sua libertação; ressuscita no sacerdote que se compromete, no operário que eleva sua consciência de classe, nos camponeses que se unem para tornar mais fértil a terra pela qual lutaram”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir dos livros:
Sangue Pelo Povo e Martírio, memória perigosa na América Latina hoje.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Dom Juan Gerardi Conedera

DOM JUAN GERARDI CONEDERA
Mártir da Memória Histórica
GUATEMALA * 26/04/1998

Bispo de La Verapaz, primeiro, depois designado auxiliar de El Quiché, e finalmente auxiliar da Arquidiocese de Guatemala, distinguiu-se sempre por sua proximidade ao povo e suas causas, pela defesa dos povos indígenas e por uma inteligente atenção à problemática cultural e social do país.

Sofreu atentados e exílio e, com todos os seus agentes de pastoral, saiu temporariamente da Diocese de El Quiché, numa atitude de denúncia e protesto pelos ataques e assassinatos coletivos que vinha sofrendo aquela Igreja.

Terminado o conflito bélico da Guatemala, que durou 36 anos, Dom Gerardi participou, em nome da Conferência Episcopal, na Comissão Nacional da Reconciliação. E sobretudo levou a termo a Oficina de Direitos Humanos do Arcebispado (ODHA), que vem se preocupando das vítimas da violência e de qualquer violação dos direitos humanos.  Neste contexto criou o projeto REMHI (Recuperação da Memória Histórica). 

O Informe REMHI, num trabalho exaustivo, que permitiu por primeira vez que falassem os familiares e os companheiros das vítimas de um interminável massacre, colheu 6.500  testemunhos acerca de 55.000 vítimas. Segundo este informe, o exército e grupos paramilitares são responsáveis por mais de 79% das vítimas.

Em 24 de abril de 1998, Monsenhor Juan Gerardi, apresentou o informe “Guatemala: Nunca Mais” na Catedral Metropolitana. Neste informe, responsabilizou o exército, as outras forças oficiais, as patrulhas de autodefesa civil e os Esquadrões da Morte por 90% das violações aos direitos humanos durante o conflito armado interno e atribuiu 10% aos rebeldes. 

“Guatemala: Nunca Mais é o Informe do Projeto Interdiocesano “Recuperação da Memória Histórica” (REMHI), que analisa milhares de testemunhos sobre as violações aos direitos humanos ocorridas durante o conflito armado interno. Este trabalho está sustentado na convicção de que, além do seu impacto individual e coletivo, a violência retirou dos guatemaltecos o seu direito a palavra.

Cada história é um caminho de muito sofrimento, mas também de grandes desejos de viver. Muitas pessoas vieram contar o seu caso e dizer “acredite em mim”. Esta demanda implícita está ligada ao reconhecimento da injustiça dos fatos e a reivindicação das vítimas e seus familiares como indivíduos, cuja dignidade foi retirada. Esclarecer e explicar – dentro do possível – o ocorrido, sem localizar o dano nem estigmatizar as vítimas, constituem as bases para um processo de reconstrução social. Somente assim a memória cumpre o seu papel como instrumento para resgatar a identidade coletiva. - Guatemala, 24 de abril de 1998".
  
Monsenhor Juan Gerardi Conedera, levou adiante a criação do Escritório de Direitos Humanos do Arcebispado, que cuida até hoje das vítimas da violência de qualquer violação aos direitos humanos. Neste contexto, se iniciou o Projeto Interdiocesano REMHI, ao qual o Monsenhor Gerardi se dedicava quase por completo, com a esperança de conhecer a verdade por meio de testemunhos para que o passado não se repetisse mais, já que estava convencido de que a paz e a reconciliação se dariam somente conhecendo a verdade.

Dois dias depois de apresentar o informe de REMHI, na catedral arquidiocesana, foi brutalmente assassinado, destruído o seu rosto, seus olhos, seus ouvidos, sua boca, seu cérebro, num intento de apagar a quem viu, ouviu e falou a memória histórica de todo um povo mártir.  Por isso Dom Juan Gerardi é legitimamente reconhecido como mártir da paz com justiça, mártir da verdade, mártir da memória histórica.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

Galeria dos Mártires - Pe. Joaquim Vallmajó

JOAQUIM VALLMAJÓ
Missionário e Mártir
RUANDA * 26/04/1994

Joaquim Vallmajó, nasceu em Navata, Espanha, filho de agricultores, o quarto filhos de seis irmãos. Pertencia a Ordem dos Missionários da Africa (Padres Brancos). Ordenou-se sacerdote em 1965 e logo partiu em missão para Ruanda, África.

Em 26 de abril de 1994, o padre Quim, como era conhecido, foi assassinado na cidade de Byumba, no norte de Ruanda, após servir por quase trinta anos este país Africano dos Grandes Lagos. Considerado um missionário e lutador incansável pela vida e a dignidade dos refugiados no país Africano.

No início dos anos noventa, deu início a organização guerrilheira Frente Patriótica Ruandesa (RPF), uma das facções em guerra em um conflito armado e violento que teve terríveis consequências para a população civil deste pequeno país.

Neste país devastado pela guerra, de pessoas humildes e despossuídas, é que levou o padre Quim a se posicionar em favor do povo e trabalhar para melhorar a vida de milhares de agricultores ameaçados por dificuldades econômicas e da guerra. 

Ele era uma voz crítica e discordante, e denunciou os abusos de poder e violações dos direitos humanos que foram cometidos em um confronto longo e complexo que foi além das supostas diferenças étnicas entre os principais habitantes do Ruanda, o Hutus e Tutsis. Esta atitude ética, em conformidade com as suas convicções religiosas, o fez uma pessoa marcada pelos seu compromisso com o povo.

Depois de um sangrento Abril de 1994, em que centenas de milhares de pessoas foram mortas e muitas outras tiveram de se refugiar em zonas fronteiriças de países vizinhos, especialmente no antigo Zaire, onde massacres e perseguições continuaram no contexto do exílio e deslocamento forçado. 

Entre 1988 e 1994, manteve uma estreita relação com o grupo Anistia Internacional Alt Empordà, o envio de relatórios e alegações de graves violações dos direitos humanos cometidas em Ruanda e, por extensão, a região dos Grandes Lagos africano, isso lhe custou a vida.

Padre Quim foi um desses construtores de paz que está totalmente integrado no coração do povo ruandês, ele apoiou o povo até o fim, até o sacrifício supremo. 

Algumas frases do padre Quim:

"A aplicação de certos princípios dos "direitos do homem rico e poderoso" são a causa do aumento de refugiados em todo o mundo". Maio de 1989.
  
"Eu não tenho medo! Eu digo a você; ser cercado por crianças famintas, doentes e pobres sobre palafitas faz você sem medo". 23 de junho de 1992.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Paulo e José Canuto

PAULO e JOSÉ CANUTO
Mártires da Luta pela Terra
RIO MARIA, PA * 22/04/1990

25 anos do Martírio dos Irmãos Canuto.

Paulo, José e Orlando Canuto, foram sequestrado pelo pistoleiro José Ubiratan Matos Ubirajara. Paulo e José foram assassinados dia 22 de abril de 1990 e Orlando foi ferido gravemente, mas conseguiu fugir e sobreviver.
Os irmãos Canuto eram filhos de João Canuto, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, assassinado a mando de fazendeiros em 18 de dezembro de 1985.

Ubiratan, ex-Policial Militar, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Belém, em 1994, a 50 anos de prisão pelo duplo assassinato dos irmãos sindicalista de Rio Maria, e pela tentativa de homicídio contra Orlando Canuto, ele foi preso em dezembro de 2007, na cidade de São Luís, no Maranhão.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Paulo e José Canuto de Oliveira

Posto de luto, o poeta,
No centro diagonal da praça,
Vizinho do infinito.
Posto de pedra e poeira.
De poema maciço no meio do branco.
Sólido gesto eternizando as fontes da madrugada.

À sua frente o gemido dos homens,
A sua morte lenta, refundindo os corpos.
O medo pelas casas, no olho dos meninos.
As paredes de sangue e inferno.
À sua frente o sepulcro caiado
Sem epitáfio para o perdão.

O poeta canta sozinho, para morrer.
Sua voz frequenta a brisa do silêncio,
Do desespero adornando a palavra.

À sua frente os corpos sem vida.
Nus como sempre foram.
Sem motivos para dormir.
Sós e tristes, são duas cruzes,
Brotando no cimo da escuridão...
Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Eduardo Mendonza

JOSÉ EDUARDO UMAÑA MENDONZA
Mártir dos Direitos Populares
COLÔMBIA * 18/04/1998

José Eduardo Umaña Mendonza nasceu em 22 de novembro de 1946, filho do advogado e sociólogo Eduardo Umaña Luna e Graciela Mendoza.

Eduardo Mendoza, advogado, intelectual, professor, humanista e defensor dos Direitos dos Povos da Colômbia. Foi assassinado no dia 18 de abril de 1998.

Neste dia dois homens e uma mulher membros da banda de la Terraza, se fazendo passar por jornalistas entrou em seu escritório depois de trancar sua secretária em um quarto. Os assassinos queriam leva-lo, como Eduardo resistiu, e eles o mataram.

Em junho de 1987, Eduardo Umaña Mendoza realizou intensa atividade de sensibilização e denuncia na Europa sobre a situação de violação sistemática dos direitos humanos na Colômbia. Suas análises foram ouvidas em vários recintos; foram muitos seus públicos, e diversos os frutos desse trabalho.

Uma de suas conquistas mais importantes foi o de defender as vítimas do genocídio da União Patriótica e do Partido Comunista Colombiano, por grupos pertencentes ao paramilitarísmo na Colômbia de extrema direita.

Dedicou grande parte de sua vida na defesa das famílias das vítimas de genocídio contra a União Patriótica (UP) e do Partido Comunista Colombiano; Fazia parte de um grupo dedicado a realizar o estudo jurídico do assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, que ocorreu em 9 de abril de 1948. Episódio narrado em mais de 20.000 folhas. Disse Eduardo Umaña: "O mais grave no caso Gaitán não é legal, mas político. Não é história, mas a memória histórica do país”. “E eu que pensei que nenhum crime devia ficar impune”. "A Colômbia é um país onde tudo passa e nada acontece", ele costumava dizer aos seus amigos. 

Frases de Eduardo Umaña Mensonza:

"O problema não é falar dos benefícios da paz. (...) Falar de paz sem uma verdadeira democracia e justiça social é uma falácia. Como consequência lógica, qualquer abordagem que não assume o problema real é nada além de uma grande mentira. É necessário, pelo menos, mencionar a humanização da guerra, para que a paz de mentiras entra em colapso, para superar essa situação cúmplice de sobrevivência e poder falar com dignidade, com a voz e as mãos de todos, da humanização da vida".

“Os direitos dos povos, os direitos humanos são uma luta de solidariedades que se encontram”.

"Meu pai me dedicou uma frase muitos anos atrás, quando eu era muito jovem, quando me deu o Quixote, que mais ou menos dizia: "seja sempre Quixote, nunca seja Sancho Pança", então não é uma espécie de misticismo, de valorização de princípios, de sonhar sonhos e utopias, sabendo que nunca haverá realidades, deixando sementes luta para as próximas gerações, sabendo que em cada momento que passa se acaba a vida, e que a cada momento que você está vivendo, é um ganho contra a morte".
Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

Galeria dos Mártires - Pe. Tíbério Fernández e Companheiros


Pe. TIBÉRIO FERNÁNDEZ e COMPANHEIROS
Mártires da Promoção Humana
TRUJILLO, COLÔMBIA *17/04/1990

Padre Tibério Fernández, dois amigos e a sobrinha Ana Isabel Giraldo, foram sequestrados, torturados e assassinados quando voltavam para Trujillo, dirigindo seu jipe.

No dia 15 de abril de 1990, o Sr. Abundio Espinosa foi morto em Tuluá, Valle del Cauca, cidade vizinha de Trujillo. No dia seguinte Pe. Tibério foi até Tuluá juntos com amigos e a sobrinha para celebrar as exéquias e acompanhar a família do amigo neste momento de dor.

Na homilia, o Padre Tibério pronunciou a frase que hoje, 25 anos depois, ainda é presente entre trujillenses: "Se o meu sangue contribuir para que cesse a violência em Trujillo, com gosto o derramarei".

Em 17 de abril de 1990, foram sequestrados por paramilitares, liderado pelo apelidado "El Alacrán", que os interceptaram e os levaram para a fazenda Villa Paola.

De acordo com o relatório de Trujillo, uma tragédia que continua, publicado pelo Centro de Memória Histórica em 2008, na fazenda Villa Paola, o padre e seus companheiros foram torturados: "Neste episódio se registra violência sexual tanto contra o sacerdote (castração) como contra sua sobrinha Ana Isabel Giraldo, a quem torturaram, estupraram e cortaram os seios diante dos olhos impotentes de seu tio. O corpo esquartejado do Padre foi resgatado das águas do rio Cauca na Inspeção da Polícia em Hobo no município de Roldanillo. Seus restos foram identificados por causa de uma platina que ele tinha em uma de suas pernas. Os corpos de seus companheiros nunca foram recuperados".

A tortura e assassinato de Padre Tibério tornou-se o símbolo do massacre de Trujillo. Ele foi vítima reconhecida por toda a comunidade, cujo martírio impactou, não só os corações e os sentimentos religiosos do povo, mas também fomentou a esperança comunitária, na condução das causas e lutas que o Padre Tibério foi assumindo durante sua vida e que agora cabia a todos levarem em frete estas mesmas causas, estas mesmas lutas pela vida, pela justiça e pela paz.

Durante os cinco anos em que esteve à frente da paróquia de Trujillo, se dedicou na criação de 45 empresas comunitárias, grupos de idosos, associações de bairros e microempresas familiares: padarias, confecções de roupas, produção de frutas e legumes, etc.

"Padre Tibério administrou cerca de 20 milhões para este município. Era uma pessoa socializante, generosa, também muito espiritual, conjugava a parte antropológica e espiritual; envolvia homens e mulheres em todos os processos, formando-os intelectualmente", diz o relatório.

Em seu funeral, cerca de sessenta padres e dois bispos de todo o país compareceram para celebrar junto com o povo de sua paróquia as exéquias, após a celebração sancionaram canonicamente a excomunhão dos assassinos.

A crueldade excessiva de seu assassinato ultrapassou todos os símbolos culturais de violência, que até então tinha sido perpetuado contra a espiritualidade das comunidades camponesas colombianas.

A memória do Padre Tibério e de milhares de colombianos continua viva nas lutas do povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Massacre de Eldorado dos Carajás

MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS
Mártires da Terra
ELDORADO DOS CARAJÁS, PA * 17/04/1996 

19 anos do Massacre  de Eldorado dos Carajás, PA, Brasil. A Polícia Militar do Estado mata 21 pessoas que defendiam seu direito à terra.

Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária

Dia Internacional da Luta Camponesa

No sonho de fazer valer seus direito e garantir um futuro melhor, um grupo de manifestantes do Movimento dos Sem-Terras paralisaram a rodovia BR-155, no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. 

Cerca de 1.500 trabalhadores acampavam pela região. Eles realizaram uma marcha exigindo a desapropriação de diversas terras locais, em especial, a da Fazenda Macaxeira. Resolveram bloquear uma das estradas estaduais que ligam a capital ao sul do Estado. O bloqueio da estrada não agradou ao governador Almir Gabriel, do PSDB, o qual ordenou que a polícia fosse até o local para desobstruir a estrada. Foi aí que o secretário da Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, autorizara a Polícia Militar a fazer uso da força necessária para acabar com a obstrução da rodovia, que cumpre papel fundamental na ligação de Belém ao sul do estado e, portanto, ao resto do Brasil.

De início, os policiais, comandados pelo coronel Mário Pantoja de Oliveira, usaram bombas de gás lacrimogêneo para afastar os sem-terra dali. Estes resistiram e, providos de foices, facões e enxadas, permaneceram no local. Os policiais, então, passaram a atirar contra os sem-terra. Dezenove foram mortos no momento, outros dois, anos depois, e sessenta e sete foram gravemente feridos, constituindo o Massacre de Eldorado dos Carajás.

Pouco tempo depois do ocorrido, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, proclamou o dia 17 de abril como Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária. A Via Campesina o nomearia como Dia Mundial da Luta Campesina. Desde o massacre, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, passou a realizar a Jornada de Lutas todo mês de abril - que veio a ser chamado pela imprensa de “Abril Vermelho” - para protestar em favor da reforma agrária e contra a impunidade dos 155 policiais envolvidos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada





































        
monumento erguido em Memória das Vítimas do massacre