terça-feira, 31 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Ernesto Pill Parra

ERNESTO PILL PARRA
Mártir da Paz e da Justiça
COLÔMBIA * 01/04/1982

Ernesto Pill Parra, 22 anos de idade, camponês, vivia em Bellavista, no município de San José del Fragua, Caquetá. Era o mais velho de quatro filhos e trabalhava para ajudar sua mãe e seus irmãos. Participava das CBE's, Comunidade Eclesiais de Base, um leitor regular do Evangelho, sobre o qual construiu os alicerces espirituais de sua vida, que se traduziu em opções concretas em favor de seu povo, para enfrentar a realidade injusta e violento da qual viviam.

Em janeiro de 1981, se instalou as unidades militares pertencentes ao Exército Operacional Nº 12 em Caquetá, que com uma "campanha de ordem pública" cometeram muitos crimes e torturas.

Ernesto foi detido em dezembro desde mesmo ano pelos militares na base de San José del Fragua, e sofreu horríveis torturas por 5 dias. Como ele era inocente, depois destes dias de tortura, foi liberado, mas com a obrigação de uma vez por semana se apresentar na base militar. 

Passado algum tempo das apresentações na base militar, lhe foi proposto 3 alternativas: Tornar-se um parceiro do Exército, em um grupo de "contraguerrilha"; juntar-se aos guerrilheiros para ser "morto em combate"; ou esperar a morte. Eram estas as mesmas medidas que os militares tomavam com outros camponeses da região.

A luz do Evangelho e de maneira simples e transparente, tipico de um camponês cristão, ele enfrentou esta encruzilhada, rejeitou a pressão de colaborar com o exército, não queria ser cúmplice da injustiça. Não queria fazer parte de falsas alegações para prejudicar os camponeses, muito menos que fossem assassinados ou desaparecidos injustamente. Nem mesmo aceitou a sugestão de amigos em fugir da região para poupar sua vida. Decisivamente preferiu permanecer junto de sua mãe e irmãos, pois, eles precisavam de sua ajuda para sobreviverem.

No dia 01 de abril de 1982, Ernesto deveria se apresentar na base militar, porém, um mau pressentimento o assombrava, sentia aproximar-se a sentença de morte, devido sua recusa em atender a intimação feita pelos militares para que colaborasse com eles. Antes de sair de casa, disse à sua mãe: "Mãe, dá-me uma bênção, porque eu acho que eles vão me matar". 

Neste mesmo dia Ernesto desapareceu. O esquadrão da "contraguerrilha" o esperava na curva do caminho, onde ele foi capturado, submetido a cruel tortura e o mataram. Seu corpo foi encontrado cinco dias depois por alguns amigos, já em estado de decomposição e apresentava sinais evidentes de tortura. Ele foi enterrado às pressas na mesma noite por um grupo de amigos que tomaram o cuidado de não serem vistos pelos militares, para não terem o mesmo destino que Ernesto. 

Ernesto viveu heroicamente sua decisão de "não fazer mal a ninguém". Decisão inspirado e fortalecida por sua vivencia do Evangelho e levado até às suas últimas consequências. Compromisso evangélico este que lhe custou a vida. A coerência vivida por Ernesto é um belo testemunho martirial. 

Testemunho este que nos faz lembrar de tantos mártires anônimos, espalhados em sua sofrida Colômbia, que durante todos esses anos de "guerra suja" defenderam com valores cristãos as Causas da Justiça, da Liberdade e da Paz.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir do livro:
Aquellas Muertes, de Javier Girardo e pequisa na internet.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Roseli Celeste Nunes da Silva

ROSELI CELESTE NUNES DA SILVA
Mártir da Terra Livre
SARANDI, RS * 31/03/1987

Roseli Celeste Nunes da Silva, a Rose, participou da ocupação da Fazenda Annoni, em 1985, junto com o marido José Corrêa da Silva e os filhos. Na época, ela estava grávida de seu terceiro filho, Marcos Tiarajú, nome dado em homenagem ao líder indígena do Rio Grande do Sul, que séculos antes já dizia que aquela terra tinha dono. Tiarajú, a primeira criança que nasceu no acampamento da fazenda, em 28 de outubro de 1985.

Em 31 de março de 1987, Roseli Nunes e outros três trabalhadores Sem Terra foram mortos em uma manifestação na BR 386, em Sarandi, no Rio Grande do Sul. Ela e outros 5.000 mil agricultores protestavam por melhores condições para os agricultores e uma política agrária voltada para os camponeses. Não existia, naquela época, política de crédito para a pequena agricultura.

Foram atropelados por um caminhão que passou por cima da barreira humana que estava formada na estrada ferindo 14 agricultores e matando os três: Iari Grosseli, de 23 anos; Vitalino Antonio Mori, de 32 anos, e Roseli Nunes, com 33 anos e mãe de três filhos.

O filho Marcos Tiarajú foi estudar medicina em Cuba, na ELAM (Escola Latinoamericana de Medicina) onde se formou em 2012.

Voltando ao Brasil, foi trabalhar com as comunidades carentes do município de Nova Santa Rita, no interior do Rio Grande do Sul. A decisão de exercer a medicina vinculada aos movimentos sociais está ligado as suas origens, a sua história e aos compromisso de cuidar da sua gente, valores que sua mãe cultivou e aliados ao reforços humanitários que recebeu na ELAM.

Marco Tiarajú aparece nos braços de Rose, no filme: "Terra para Rose" e "Sonho de Rose" de Tetê Moraes.

Frase de Rose

"Eu vou continuar aqui, até o fim. espero que quando meu filho esteja grande, tudo isso não seja em vão, que ele tenha um futuro melhor".



Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

quinta-feira, 26 de março de 2015

CELEBRAÇÕES DOS 35 ANOS DO MARTÍRIO DE SÃO ROMERO DA AMÉRICA


28/03/2015 - Celebração em Memória do Martírio de Dom Oscar Romero - Casa de Oração do Povo da Rua - Rua Djalma Dutra, 3 - São Paulo  Concentração Metro Luz, Saída da Rua São Caetano - 16 Horas

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28/03/2015 - Celebração de 35 anos do martírio de Dom Oscar Romero -

Presidente Prudente-SP - às 19h na Goiabeira - Pq do Povo ao lado do Fundo Social e Casa dos Médicos.

terça-feira, 24 de março de 2015

São Romero da América, Pastor e Mártir Nosso!

IRMANDADE DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA LATINO-AMERICANA
 

São Romero da América, São Romero do mundo. Foi crescendo e superando incompreensões e ameaças dentro e fora da Igreja. E se constituiu numa testemunha integral como exemplo de compromisso com todas as causas da vida, da Justiça, da paz e da Libertação.

Ele sintetizou em sua pessoa realidades contraditórias, foi um místico e um lutador, viveu a pastoral engajada e a oração comprometida.

Acompanhou, dia a dia, as lutas de um povo massacrado, não fugiu do risco e no auge dos desafios respondeu oferecendo a vida. Anunciando, denunciando e confortando, foi um profeta plenamente profeta.

Cresceu aos olhos do mundo e se tornou o Santo dos pobres, acolhedor, ecumênico. Praticou a pastoral do acompanhamento que ele tanto apreciava.

É São Romero da América, São Romero do mundo. Em mais um aniversário, ele nos convoca a assumir as causas pelas quais ele deu a vida. E a morte se fez martírio na hora e no lugar concreto na pastoral da libertação, no serviço fiel e constante ao Reino.

Sermos entusiastas de São Romero significa sermos imitadores com ele no seguimento de Jesus.
Pedro Casaldáliga.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Dom Oscar Romero

DOM OSCAR ROMERO
Profeta e Mártir da Justiça
EL SALVADOR * 24/03/1980

35 anos do martírio de São Romero da América

Oscar Arnulfo Romero Galdámez, São Romero da América, arcebispo de El Salvador.

Nasceu no dia 15 de agosto de 1917, na cidade de Barrios, departamento de San Miguel, em El Salvador. Estudou  no Seminário Claretiano e com os Jesuítas até 1937, seguindo depois para a Universidade Gregoriana em roma, onde ficou até 1943.

Ao retornar a seu país, trabalhou na Diocese de San Miguel, sendo pároco na cidade de Anmamorós, secretário episcopal, reitor da Catedral de San Salvador.

em 03 de maio de 1970, foi nomeado Bispo auxiliar de Dom Luis Cháves y Gonzáles, então arcebispo de San Salvador e em 23 de fevereiro de 1977, foi nomeado Bispo Titular da arquidiocese de San Salvador.

A perseguição à Igreja transformou em mártires seus melhores sacerdotes e leigos, e com o martírio do Pe. Rutilio Grande, jesuíta e os dois catequista no dia 12 de março de 1977, Romero tomou a decisiva posição em favor do povo salvadorenho, "sendo a voz dos sem voz".

Começou a receber em sua casa, grupos de camponeses, mães de família, mulheres simples, jovens, que relatava a perseguição e violência que estavam sofrendo, bem como lhe falar sobre parentes e amigos que foram mortos pelo regime militar.

Amigo, irmão e pai dos mais pobres e marginalizados, sabia como ninguém, acolher suas dores e esperanças.

O povo ouvia todos os domingos suas homilias, anunciando a Boa Nova do Evangelho e também denunciando todo o pecado pessoal e social.

Devido o seu compromisso com o povo salvadorenho e as denuncias que fazia das torturas e martírios que o povo vinha sofrendo, as autoridades militares começaram a perseguir os seus colaboradores mais próximo. Romero recolheu o sangue, as inquietudes, a dor e as esperanças de seu sofrido povo. E como bom pastor soube dar a vida por suas ovelhas.

Em plena Eucaristia, na capela do Hospital Divina Providência, no dia 24 de março de 1980, uma bala lhe atravessou o coração, caindo ele próprio mártir assim como tantos outros salvadorenhos.

Na sua última homilia no dia 23 ele exortava as forças da repressão: "Nenhum soldado é obrigado a obedecer a uma ordem que seja contra a lei de Deus: NÃO MATARÁS... Suplico-lhes. Rogo-lhes. Ordeno-lhes em nome de Deus: CESSEM A REPRESSÃO!".

Romero já havia profetizado: "Se me matarem, ressuscitarei na luta do meu povo"

Já reconhecido com um santo mártir pelo povo, foi oficialmente anunciado no dia 11 de março de 2015, na capital salvadorenha, que a  beatificação de Dom Óscar Arnulfo Romero será no próximo mês, 23 de maio. A confirmação foi feita por Dom Vicenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família e postulador da causa de beatificação. 

Dom Paglia ao desembarcar El Salvador, declara: “Romero deveria ser beatificado sob o pontificado do primeiro Papa latino americano. Hoje consigo entender em profundidade o porquê de tantos atrasos: Deus esperava pelo Papa Francisco. Deus escreveu esta página com as linhas tortas dos opositores”.
Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

domingo, 22 de março de 2015

Galeria dos Mártires - María del Carmen Maggi

MARÍA DEL CARMEN MAGGI
Mártir da Educação Libertadora
ARGENTINA * 23/03/1976

María del Carmen Maggi, decana da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Mar del Plata.

Testemunha do sequestro de estudantes e professores de sua faculdade sofreu a mesma experiência. Foi sequestrada de sua casa, na madrugada de 09 de maio de 1975 por um grupo armado de doze pessoas, um dia antes do golpe.

Sua família recebeu uma coroa de flores no dia seguinte.

O clero da diocese e o próprio bispo, Monsenhor Pironio, fizeram declarações, solicitando aos sequestradores que a devolvessem com vida. “Peço-lhes que reflitam sobre o que isto significa como violação dos direitos elementares e sagrados da pessoa humana. Por este mesmo motivo, peço-lhes que a devolva, o quanto antes, ao seu lar. Mas minha voz se estende além dos limites deste acontecimento e quer compartilhar da dor de outras pessoas, familiares e instituições, que estão sofrendo também profundamente as consequências de um sequestro, de uma ameaça, de um atentado”.

Apesar de todos os protestos, María del Carmen apareceu assassinada dez meses depois, perto do lagoa Mar Chiquita, na província de Buenos Aires no dia 23 de março de 1976.

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura do Livro:
Martírio, Memória perigosa na América Latina hoje, e da página: http://martiresargentinos.blogspot.com.br



sábado, 21 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Massacre de Guiúa

MASSACRE DE GUIÚA
Catequistas Mártires
MOÇAMBIQUE * 22/03/1992

Já nos últimos meses da guerra em Moçambique, África, confiante de que a paz poria fim à guerra, a Diocese de Inhambane, no sul do país, decidira reabrir o Centro Catequético do Guiúa, localizado a 500 km da capital, Maputo, para a formação de famílias de catequistas.

Foram escolhidos em diferentes paróquias duas dezenas de famílias que se disporiam a passar um período de três anos em formação neste centro catequético.

Após se instalarem, as famílias estavam vivendo um ambiente de alegria e expectativa que se iniciava no conjunto de 32 casas destinadas a abriga-las. Arrumadas as bagagens e organizada a acomodação, o dia foi findando entre preparos vários e os ajustes à nova moradia. As crianças e todos os adultos se aquietaram vencidos pelo cansaço e pelo sono, e ansiosos por serem apresentados no dia seguinte à comunidade cristã do Guiúa após a celebração eucarística na Igreja matriz Santa Isabel.

A noite de 22 de março de 1992 se fazia calma e, quando tudo estava já silenciosa e só a luz da lua pairava sobre as casa, um som se ouvia nos caminhos ao redor das casas. Pareciam passos de muita gente, em ritmo apressado.

Na calada da noite um grupo de homens armados invade o centro catequético. Os catequistas acordam com fortes pancadas nas portas e logo os que não abriram, as viram arrombadas com violência. Os obrigaram a sair para a rua sob a ameaça de armas.

Suas casas foram saqueadas e os malfeitores os obrigaram a levar os pertences que lhes haviam roubado.

Sob mira de espingardas, foram obrigados a seguir uma penosa marcha, sob o peso da carga e do medo, num calvário cujo fim desconheciam.

Devido o grande número de raptados, a caminhada se tornou lenta demais, o que causou nervosismo dos assaltantes, que queriam o quanto antes à base dos guerrilheiros da RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique), sem serem surpreendidos no caminho.

Depois de 3 km de marcha, num lugar ermo, fizeram a escolha implacável, matar homens, mulheres e crianças, onde seria difícil chamar a atenção. Alguns catequistas ajoelham e rezam, outros afirmam que vieram em paz, estudar para anunciar o Evangelho, semear a paz naquele país de famílias destruídas, dilaceradas pela guerra civil. Porém de nada valeu o apelo dos catequistas por paz.

Foram brutalmente foram assassinados 23 pessoas, homens, mulheres e crianças. Dos raptados, poucos conseguiram fugir ou sobreviver.

O sangue dos mortos ensopou para sempre o chão de areia do Guiúa, e ergueu bem alto, um silencioso testemunho de fé.

Entre os sobreviventes, um conseguiu escapar e ao chegar à missão do Guiúa, avisou os padres e as irmãs o horror vivido por ele e seus companheiros catequistas. De imediato, os religiosos foram com o sobrevivente até o local do massacre, o horror refletiu-se no rosto deles ao presenciar os corpos amontoados e o pesado cheiro de sangue e de morte.
Os corpos mutilados foram levados para a sede da Missão, que ficou para sempre marcada por esta ferida profunda. Depois foram suputados no Centro Catequético, no alto de uma colina onde ainda hoje jazem e a sua memória é profundamente reverenciada.

Desde o então massacre, o cemitério onde estão sepultados, se tornou um local sagrado, onde acontecem romarias de centenas de cristãos, e na data do massacre se realiza uma solene celebração litúrgica, lembrando estes mártires da fé.
  
O bispo Dom Adriano Langa, ofm, evocando a data de 22/03, proclamou a um decreto que cria um Santuário Diocesano dedicando a Nossa Senhora Rainha dos Mártires, com sede no Guiúa. No dia 22 de março de 2012, foi então lido o decreto episcopal, diante de toda a comunidade e celebrada a eucaristia em memória dos catequistas mártires.

Os nomes dos Mártires Catequistas

1.       Ivone Faustino, 9 anos – Inhambane
2.       Cecilia Jamisse, 38 anos – Inhambane
3.       Faustino Cuamba, 45 anos – Inhambane
4.       Albino Thepo, 40 anos – Zavala
5.       Catarina Sambula, 25 anos – Mapinhane
6.       Isabel Foloco, 45 anos – Morrumbene
7.       Benedito Penicela, 50 anos – Morrumbene
8.       Joaquim Marrumula, 55 anos – Jangamo
9.       Verónica Sumbula, 32 anos – Mavamba
10.     Madalena Beme, 50 anos – Guiúa
11.     Deolinda Fernando, 50 anos – Mocodoene
12.     Gina Fernando, 11 anos – Mocodoene
13.     Maria Titose, 32 anos – Guiúa
14.     Rita Leonardo, 8 anos – Guiúa
15.     Arlindo Leonardo, 1 ano – Guiúa
16.     Leonardo Joel, 47 anos – Guiúa
17.     Arnaldo Adolfo, 12 anos – Massinga
18.     Zito Adolfo, 10 anos – Massinga
19.     Luísa Mafo, 40 anos – Massinga
20.     Juvêncio Carlos, 6 meses – Funhalouro
21.     Fatima Valente, 24 anos – Funhalouro
22.     Carlos Mucuanane, 35 anos – Funhalouro
23.     Sussana Carlos, 10 anos – Funhalouro

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura do artigo:
Uma página de martírio, de Diamantino Guapo Antunes, Revista Missões, Julho 2012 e consulta na internet.

Galeria dos Mártires - Rafael Hermández

RAFAEL HERMÁNDEZ
Mártir da luta pela terra
MÉXICO * 22/03/1988

Rafael Hernández, líder camponês, mártir da luta pela terra entre seus irmãos no México.

Trabalhador camponês de 46 anos, pai de dois filhos, cristão militante da comunidade de Guadalupe, Amatán, Chiapas.

Sua pobreza o impediu de ir à escola. Não era dono de um pedaço de terra ou uma moita de café. Mas um lutador ativo do Comitê de Defesa dos Camponeses.

Morto por pistoleiros pagos pelo Fazendeiro. Os agricultores lutam para derrubar o Comitê a Ernesto Ocaña, ex-presidente municipal, confiante fazendeiro Erwin Tessman, cacique, déspota para os agricultores. Rafael marcha a frente de seus irmãos para pedir impeachment e auditar para Ocaña.

O objetivo é alcançado, porém é a sentença de morte para Rafael. Não lhe perdoam sua liderança e seu compromisso com a causa dos camponeses. O ameaçam de morte.

Naquela tarde, caminha sozinho pela aldeia, onde se escondem mercenários Tessman para assassiná-lo. Para preencher as formalidades, acusaram ​​de assassinato a Benito Hernandez, da comunidade de Guadalupe, torturado para confessasse culpado. Perseguiam os catequistas Juan e Luis Castellanos, acusando-os de suspeitos. 

A Comunidade Amatán reflete, esperançada, ante o fato: “A morte de Rafael Hernández se parece muito a de Jesus, porque Jesus vinha anunciando e denunciando, por isso o perseguiram até a morte os poderoso”. Rafael dedicado seu tempo a ver o bem do nosso povo, de por ele derramou seu sangue.

 Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir da página: 
http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Luis Espinal

Pe. LUIS ESPINAL “LUCHO”
Mártir das lutas do povo
BOLÍVIA * 22/03/1980

Luis Espinal, “Lucho”, sacerdote jesuíta e jornalista, espanhol, missionário, 48 anos, mártir na luta do povo boliviano.

Nasceu em Manresa, Barselona, Espanha, no dia 4 de fevereiro de 1932. Ordenou-se sacerdote em 1962. Em 68 foi para Bolívia, onde trabalhou como professor na Universidade Maior de Santo André.

Fundou e dirigiu o semanário “AQUI”. Crítico de cinema, jornalista e especialista em televisão, ganhou na Espanha o premio EUROVISÃO, pela originalidade e qualidade de seus trabalhos.

Identificou-se com o povo boliviano, especialmente com aqueles cujos direitos estavam sendo espezinhados. Presidiu a Comissão de Direitos Humanos.

Assassinado depois de brutais torturas por um grupo paramilitar que pretendia silenciar o testemunho de sua vida e de sua voz.

No dia 21 de março de 1980, foi visto, cerca das 20 horas, caminhando pelo centro da cidade. Ao voltar à sua residência o sequestraram. Um jipe verde o esperava na porta de sua casa e vários homens o empurraram violentamente para o interior do veículo, segundo pessoas que de longe presenciaram a captura.

Seu cadáver, com numerosos impactos de bala e claras monstras de haver sido torturado antes, foi encontrado abandonado na região de Chacaltaya, no quilômetro 8. Estava amordaçado e com as mãos amarradas atrás do corpo.

Segundo o informe dos médicos que fizeram a autópsia, Pe. Luis faleceu cerca das 4 ou 5 da madrugada, por causa da perda de sangue. Tinha fratura externa, hematomas em varias partes do corpo. Doze orifícios de bala. Sabe-se que foi torturado em um matadouro velho e depois, seu cadáver, deixado em outra parte da cidade.

Lucho deixou uma série de pensamentos e orações reunidos por seus amigos em um livro, (Oraciones a quemarropa – Asamblea Permanente de Derecho Humanos, Sucre, 1981).

Abaixo um destes textos escrito por Luis Espinal.

Cristo Total

Existem cristãos mudos, que enquanto não se mexe com eles, ficam tranquilos, por mais que o mundo se arrebente.

Não protestam contra as injustiças, porque estão escravizados ao Estado pela perseguição ou pelo compromisso, comprados pelo medo ou pelo oportunismo.

Outros, talvez, porque nada têm como contribuição. Para eles a fé é uma coisa etérea, que nada tem a ver com a vida; vale só das nuvens para cima...

Nós te pedimos Senhor, pelos cristãos do silêncio; que tua Palavra lhes queime as entranhas e os faça superar a coerção. Que não se calem como se nada tivessem a dizer.

Sabes o que convém à tua Igreja, se um fervor de catacumbas ou a rotina de uma “proteção” oficial. Dá-lhes o que seja melhor, ainda que seja a cadeia ou a pobreza.

Livra-nos do silencio daquele que se enfastiou diante da injustiça social; livra-nos do silencio “prudente” para não nos comprometer.

Receamos ter limitado teu Evangelho; agora já não tem arestas, nem espanta a ninguém; temos pretendido convencer-nos de que é possível servir a ti e ao dinheiro.

Senhor livra a tua Igreja de todo ranço do mundo; que não pareça uma sociedade a mais, com seus caciques, acionistas, privilégios, funcionários e burocracia.

Que tua Igreja nunca seja Igreja do silêncio, uma vez que é a depositária de tua Palavra; que apregoa livremente, sem reticencias nem covardias. Que jamais se cale, nem diante dos que usam de brandura, nem diante dos que tomam em armas.
  
Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura dos Livros:
Martírio, Memória perigosa na América Latina hoje, e Salmos Latino-Americanos, Edições Paulinas.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Ir. Luz Marina Valencia

Irmã LUZ MARINA VALENCIA 
Mártir da Justiça entre os Camponeses do México
MÉXICO * 21/03/1987

Luz Marina Valencia, colombiana de 35 anos, religiosa da Imaculada Conceição, morta em um povoado de Cuajinicuilpa, Guerrero.

Mártir da justiça entre os camponeses no México.

Chega ao México no final de 1986 com duas irmãs de sua congregação e se integraram a uma equipe Pastoral com os Padres Oblatos de Maria Imaculada.

Com Padre Roberto Hickl fazem missão em Gloria Escondida. Luz Marina ficar na cabana de uma família de camponeses.

Para entender o que acontece naquela noite, devemos conhecer a realidade "escondida" no que é chamado de "Gloria". Um dos lugares mais pobres do município, onde os agricultores servir a família Flores, proprietários de terras que partilham o poder com outros proprietários de terras no estado e ainda possui o povoado.

Seus habitantes são seus peões, mal pagos e alguns não recebem por mais de três meses. Ali, o padrão é o proprietário da terra, do trabalho e da vida do trabalhador. As pessoas têm memórias de muitos assassinatos. Sua autoridade chega a ultrajar e dispor das mulheres do povoado.

Luz Marina conhece a situação e denuncia.

Como Jesus veio para "anunciar o Evangelho aos pobres, para libertar os oprimidos". Só sua presença de mulheres, junto com o povo, a partir de sua fé, é sua sentença de morte.

Na noite de 21 de março de 1987, enquanto dormia na cabana, quatro homens armados entrar violentamente e a sequestra. Ela luta, grita, se esforça.

Eles não podem levá-la porque havia uma cerca ao redor da casa. Disparam-lhe um tiro no estômago. Depois de sete horas, morre de tanto sangrar. "Meu Deus, perdoa-lhes", ela sussurra.

Na cruz de seu túmulo se lê: "Sua morte é a semente de liberação para o povo".

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura de texto na internet e revistas

Galeria dos Mártires - Rodolfo Aguilar

RODOLFO AGUILAR
Mártir da Libertação
MÉXICO *  21/03/1977
 
Rodolfo nasceu na Cidade do México, no domingo 28 de novembro de 1948. Entrou no Seminário de Chihuahua em 28 de setembro de 1961. Ciente do chamado de Deus para o sacerdócio expressa: "Eu quero fazer da minha vida uma resposta profético e sacerdotal ao chamado de Deus meu Pai e aos homens e mulheres, meus irmãos... Eu sei que o Senhor me ama".

Foi ordenado sacerdote em 16 de setembro 1974 na Catedral de Chihuahua. Logo após ser ordenado foi enviado em missão para o trabalho pastoral em uma aldeia de camponeses e trabalhadores.

A fim de conhecer o povo da comunidade, imediatamente começou a fazer visitas, andar pelas ruas, ter um maior contato com os moradores, escutando a todos e conhecendo a realidade em que viviam para assim ter mais elementos que lhe permitiu ter uma base para o Plano de Pastoral. Com este contato direto com os habitantes, pode descobrir que mesmo diante da pobreza, eles tinham muitas coisas belas a oferecer, e assim começou a formar grupos de jovens, crianças e adultos.

Seu maior compromisso era com os pobres, os sem casa, os analfabetos, os doentes. 

Ao consolidar a formação de grupos de acordo com o interesse de cada um, e organizado a comunidade, teve como atividade especial a solidariedade com os trabalhadores, especialmente os eletricistas e os colonos, e a partir desta organização nasceu o movimento Nombre de Dios.

Por sua opção preferencial pelos pobres, causou imediatamente a ira e a repressão dos poderosos que queimaram a sua casa paroquial, e em várias ocasiões ameaçarão Pe. Rodolfo de morte. 

Diante destes acontecidos, Rodolfo foi repreendido pelo seu bispo, que lhe pediu para deixar o sacerdócio.

Este fato fez com que os operários e camponeses se manifestassem a favor do Pe. Rodolfo na diocese. Por conta desta situação, foi realizada uma reunião em uma das capelas da paróquia onde o bispo e as pessoas puderam discutir os problemas de injustiça social vividos pelo povo.

Em 08 de março de 1977 o Bispo de Rodolfo pediu para que ele abandonasse o sacerdócio e que fosse embora daquela comunidade.

No dia 21 de março, Rodolfo foi encontrado morto em uma casa a poucos metros do local onde foi morto em Padre Miguel Hidalgo, considerado Pai da Pátria, lutador pela independência do México. 

A exemplo de Miguel Hidalgo, Rodolfo escolheu ser ordenado sacerdote no dia 16 de setembro, para viver seu compromisso sacerdotal ao lado das pessoas mais pobres, como ele diz em sua carta: "Eu tenho um compromisso com meus irmãos oprimidos e quero dar a minha vida pela libertação deles e minha". 

Foi desta maneira que selou com o próprio sangue, seu compromisso de vida com seus irmãos para a libertação do povo.

Galeria dos Mártires - Carlos Dorniak

Pe. CARLOS DORNIAK
Mártir da Educação Libertadora
ARGENTINA * 21/03/1975

Carlos Dorniak, sacerdote salesiano argentino. Vice-reitor do Instituto do Professorado João XXIII, da cidade de Bahía Blanca. Assassinado com disparos de metralhadora na cabeça. 

A linha que caracterizava o Instituto era a de uma educação libertadora, de acordo com a pastoral da arquidiocese, que entrava em conflito com as autoridades da área, sede de importantes guarnições militares das três armas.

Os padres salesianos, assim como outros sacerdotes, religiosos e leigos da área, eram ameaçados muitas vezes. Até que, na noite de 21 de março de 1975, um grupo de civis armados entrou por uma janela, assassinou Carlos e incendiou a sede da comunidade. Os demais sacerdotes conseguiram escapar pelos fundos da casa e salvar suas vidas.

No dia seguinte, as paredes do Instituto apareceram pintadas com a legenda: "As A.A.A. (Aliança Anticomunista Argentina) são nossos companheiros... Que continuem eliminando 'zurdos'. São apoiados pelo povo inteiro".

* zurdos: de esquerda.

Texto reproduzido do livro: Sangue pelo Povo, Martirológico Latino-Americano, Ed. Vozes

terça-feira, 17 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Jacobus Andreas Koster, "KOSS" e Companheiros

JACOBUS ANDRES KOSTER, "KOOS" E COMPANHEIROS
Mártires Pela Verdade
EL SALVADOR * 17/03/1982

Jacobus Andries Koster, jornalista holandês, de 46 anos, profeta da denúncia e mártir da justiça.

"Koos", cristão militante, com sua câmara às costas, expressou sua solidariedade aos oprimidos da América Latina, registrando suas lutas. Quis mostrar ao mundo, e especialmente à Europa, o sentido dessas lutas e as causas da opressão. 

Assim, em 1973, filmou no Chile, o bombardeio do Palácio de la Moneda. Como consequência foi preso e conduzido para o Estádio Nacional.

Radicado durante dois anos no Peru, realizou documentários e filmou a greve dos mineiros. No mesmo ano, realizou uma extensa reportagem, na Argentina, sobre a repressão militar e o problema dos presos desaparecidos. Em 1980, na Bolívia, registrou o brutal tratamento a que eram submetidos os mineiros.

Em 1982, juntamente com Johannes Jan Willemsen de 42 anos, Hans Ter Laag de 20 anos e Jan Cornelius Kuiper de 40 anos, todos pertencentes ao Serviço de informações Ecumênicas - IKON - da Holanda, estava em El Salvador. E aí foram assassinados, em Santa Rita, Chalatenango.

O governo informou que morreram num confronto, enquanto ordenava que seus cadáveres, com tiros na cabeça, fossem enterrados imediatamente.

Os camponeses do lugar confirmaram que não houve luta.

"Koos", da mesma forma que seus companheiros, uniu-se, assim, aos "milhares de mártires que doaram suas vidas pelo surgimento de uma sociedade latino-americana onde seja respeitada a dignidade de todos. Não há amor maior que este...",  comentou um jornalista, amigo de "Koos".




segunda-feira, 16 de março de 2015

Galeria dos Mártires - Alexandre Vannucchi Leme

ALEXANDRE VANNUCCHI LEME
Mártir do Movimento Estudantil
SÃO PAULO – SP * 17/03/1973

Estudante, de apenas 22 anos de idade, militante cristão, com crescente consciência revolucionária, era um dos melhores alunos da Escola de Geologia da Universidade de São Paulo. Um daqueles jovens, que tão generosamente souberam responder à hora – Kairós da Nossa América.

Participava do movimento estudantil e militava no grupo clandestino Ação Libertadora Nacional (ALN). 

Na manhã de 16 de março por volta das 11h, foi preso por agentes do II Exército, pertencentes ao Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).

Levado ao DOI-CODI, Alexandre é torturado diversas vezes por varias equipes de torturadores até não resistir e morrer. 

Somente dia 23 de março os órgão de segurança divulgam sua morte. Preocupados com a repercussão do assassinato sob tortura, a polícia política declara inicialmente aos jornais que se tratou de um suicídio, alegando que ele teria se matado com uma lâmina de barbear. Frente à pressão pública e à inconsistência da alegação inicial, forjaram um acidente por atropelamento. Em nota pública, o governo afirma que ele teria sido atropelado por caminhão ao tentar fugir. 

Após sua morte ter se tornado pública, é revelado aos seus pais que seu corpo foi sepultado como indigente no Cemitério de Perus, na capital paulista, em cova rasa e comum. Seu corpo estava coberto com cal para que as marcas das torturas não fossem percebidas.

Sua morte teve repercussão imediata. Outros estudantes também haviam sido presos e era preciso tomar alguma atitude. Alunos da USP declara luto e pressionam o reitor Miguel Reale para que intervenha, solicitando à Secretaria de Segurança Pública do Estado, informações sobre a morte de Alexandre. Porém, foram as mesmas informações já divulgadas pelos jornais: morte causada por atropelamento.

Inutilmente a repressão oficial tentou falsear a causa da sua morte: foi morto sob a tortura mesmo, nos porões da repressão.

Na “Celebração da Esperança” – a Missa por Alexandre, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns fez uma histórica denúncia da violação dos Direitos Humanos no Brasil da ditadura militar.


Entidades da sociedade civil, que até então preferiam fechar os olhos, começam a se levantar contra a tortura. Reunindo milhares de pessoas, o ato após a missa transforma-se na primeira grande manifestação pública de oposição à Ditadura desde as manifestações de 1968.

Dom José Melhado Gomes, bispo de Sorocaba, diocese à qual pertencia a família de Alexandre, foi mais explicito ainda: "...declaro que Alexandre Vannucchi foi barbaramente eliminado"

Galeria dos Mártires - Rachel Corrie

RACHEL CORRIE
Mártir da Solidariedade e da Paz
GAZA * 16/03/2003 

Rachel Corey, estadunidense, ativista da paz, 23 anos de idade, foi assassinada enquanto tentava impedir que escavadeiras do exército israelense destruísse uma casa palestina, em Rafah, Gaza.. 

Como voluntária do Movimento de Solidariedade Internacional, Rachel estava em Gaza para se opor à demolição de casas de palestinos pelo exército israelense.

Outros estrangeiros que estavam com ela, disse o motorista da escavadeira estava ciente de que Rachel estava lá, e continuou a destruir a casa. 

Inicialmente ele deixou cair areia e outros detritos pesados ​​sobre ela, em seguida, ela foi derrubada ao chão, e a escavadeira começou a passar em cima dela, fraturando os dois braços, pernas e cabeça. 

Ela foi levada para o hospital, onde morreu mais tarde. Outro estrangeiro também foi ferido no ataque e hospitalizado.

Em uma nota para a imprensa, o Movimento de Solidariedade Internacional afirmou que: "Rachel foi se hospedar em casas de palestinos ameaçadas de demolição pelo exército israelense. No domingo 16 de março de 2003, ela estava de pé com outros ativistas em frente a uma casa marcada para a demolição. De acordo com testemunhas, Rachel foi atropelada duas vezes pela escavadeira militar israelense. E que Rachel era claramente visível para o motorista, como se pode perceber na foto tirada minutos antes do seu assassinato.