sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Guillermo Cespedes Siabato

GUILLERMO CESPEDES SIABATO
Mártir da Justiça e da Esperança
COLÔMBIA * 28/02/1985

Guillermo Cespedes Siabato nasceu em Toche (Tolima), em 28 de janeiro de 1954. Desde criança viveu em sua própria carne as carências de todos os pobres e, desde muito cedo descobriu a força do chamado de Jesus de Nazaré. Por sua vez, a sua resposta foi se fazendo efetiva em seu compromisso com o irmão, nos grupos cristãos em Cali.

Militantes vários anos do Cristãos pelo Socialismo, descobiu nesta comunidade de irmão a exigência de construir uma sociedade igualitária e fraternal, o que resultou em seu trabalho nos bairros pobres de Cali e em alguns sindicatos, onde realizava tarefas educativas, de consciencização e organização.

Sua profunda experiência do Evangelho foi como um testemunho em sua defesa mesmo quando ele foi preso em maio de 1979; "Eu sou um cristão fundamentalmente do amor, do amor que alimenta nossa fé e nossa esperança, do primeiro mandamento e o principal, do amor ao homem, do amor pela humanidade, do amor sem interesse nem paternalismo, deste amor que se transforma em compromisso, que se transforma em luta pela causa dos oprimidos (...). Estou convencido de que ser cristão é amar de forma intensa, é amar com esperança, é amor com todo o coração, com toda a sua força, e converter este amor em entrega, em ir até as últimas consequência pelo homem, pelo povo ".

Guillermo foi preso no dia 10 de maio de 1979, quando saia de uma assembléia do sindicato dos trabalhadores do município, onde trabalhava a mais de três anos. Ele foi levado para o Batalhão Pichincha, onde foi torturado física e psicologicamente por 10 dias, ficando em um estado de muita fragilidade. 25 dias mais tarde, quando foi anunciada uma visita da Cruz Vermelha Internacional, foi encaminhado para a cadeia local para dar o processo que se seguiu de uma aparência legalidade. 

Esteve preso por quatro anos no carcere de La Picota, em Bogotá, tempo este que lhe permitiu reafirmar seu compromisso cristão e seu amor para com os mais pobres de seu povo.

Durante a "Trégua" ou "Processo de Paz" acordado pelo presidente Betancur, e enquanto Guillermo trabalhava como professor na aldeia de Rionegro (município Corinto, Cauca), foi morto com outros jovens, por um comando Exército Nacional. 

Em 28 de fevereiro, 1985, no período da tarde, enquanto jogava uma partida de futebol com crianças do bairro na escola, foi cercado por soldados, que, em seguida, atirou e matou cinco jovens, incluindo Guillermo. Os autores tentaram colocar nas vítimas uniformes militar, mas a mãe de um deles impediu.

No período de sua prisão em Cali (maio de 1979), escrevia poemas, e nos deixou um bonito e impressionante poema, onde quis colocar a sua experiência vivencial da tortura: Quiseram matar a esperança.

Ele morreu, mas vive para sempre presente nas lutas do povo.

Quisieron matarnos la Esperanza

Quisieron matarnos la esperanza
robarnos la necesidad de luchar
y junto a los indefensos cuerpos
torturar y eliminar nuestros cimientos de libertad.

Los brazos inmóviles;
ciegos por las vendas:
insomnes.

Los pies aprisionados
la cabeza sumergida
bebimos el agua del pantano
sentimos el bloqueo del ahogado.

(A cambio de sentido éramos presa de alucinaciones y delirios)
Los estómagos fueron saciados
a golpe de manos empuñadas
a golpe de botas militares
a relamidos de res.

(El olor, la boñiga que pisamos, el mugido de rumiantes,
nos decían que habitábamos un establo)
Sonidos metálicos
apretar de gatillos al oído
círculos de hierro, bocas de cañón
en la nuca, el cuello, el abdomen
el temor de los pasos, el terror de las voces.

Afuera la lluvia y los truenos
testigos cómplices de la deshumanización.
Los lamentos, los ayes, los gritos,
el dolor de los huesos, los músculos, el alma,
 el golpeteo en el pecho, espalda, coyunturas, nalgas y el cerebro.
Corto circuitos causados por la tempestad
choques aplicados en bocas y ojos
vaginas y testículos.

Voces ahogadas de mujeres y hombres
voces de sadismo de agentes especiales de profesión: tortura.
Colgadas y plantones
interrogatorios eternos
las amenazas, la eterna oscuridad.
Así no paran la lucha
crece;
el frente avanza, ya llega
en Nicaragua,
La roja bandera, la de los pobres de América Latina
ondeará en esta sacrificada tierra;
la bandera de justicia
la de los campos floridos
la del pan para todos.

Nuestro continente (ahora oprimido)
será la patria soñada
de Galán y Bolívar
de Camilo y el Che.
La tortura es una piedra
en el largo camino hacia la nueva Humanidad.

Galeria dos Mártires - Massacre de Caracazo

MASSACRE DE CARACAZO
Mártires pelos Direitos
VENEZUELA * 27/02/1989

“El Caracazo”, uma revolta que aconteceu nos municípios de Caracas e Guarenas, no Estado de Miranda, durante o segundo mandato do Ex-presidente Carlos Andes Pérez. 

A população se revoltou contra o pacote de medidas econômicas arquitetadas pelo governo Pérez e solicitadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), que levou ao aumento dos preços dos alimentos e combustíveis.

Grupos de pessoas começaram uma série de protestos contra o aumento das taxas de transporte urbano e a falta de reconhecimento de passagem preferencial para estudantes por parte do Estado.

Tal inquietação se espalhou para outras partes do país, e consistiu, principalmente na queima de veículos de transporte urbano, saques e destruição de lojas.

Naquele dia, um setor da Polícia Metropolitana estava em greve, de modo que o controle da situação foi confiada às forças militares do  país. As tropas que foram destinadas a controlar a situação eram de jovens inexperientes de 17 e 18 anos, equipados com armamentos de grosso calibre.

A repressão militar e policial contra os protestos deixou centenas de mortos.

Os restos mortais de 71 venezuelanos assassinados foram sepultados no cemitério de Caracas. O restante dos cadáveres estão em uma vala comum por falta de identificação.

Mais de 2000 pessoas feridas e uma grande destruição.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Jesús Maria Valle Jaramillo



JESÚS ​​MARÍA VALLE JARAMILLO
Mártir dos Direitos Humanos
COLÔMBIA * 27/02/1988

Jesús María Valle Jaramillo, de origem camponesa e sangue índio, nascido em uma aldeia no município de Ituango, foi um respeitado líder estudantil na Universidade de Antioquia na década dos anos sessenta, feita para muitos inexplicável, porque ele se confessava de filiação conservadora e do movimento estudantil, porém prevaleceu a ideologia da esquerda. Disse ele em certa ocasião: "É que eu sou conservador nas idéias, mas comunista nos fatos".

Advogado graduado foi eleito membro da Assembleia de Antioquia pelo Partido Conservador, mas alguns meses para exercer a seu mandato, em atitude única ou pelo menos excepcional no país, renunciou o mandato e a seu partido, denunciar publicamente a corrupção e o clientelismo vigente.
Ao longo dos anos, ele passou a ser o Professor Exemplar nas quatro faculdades de direito mais importante nesta cidade; Líder Comunitário (Promotor e Presidente da Liga dos membros da Empresa Pública de Medellin); Dirigente Gremial (Presidente do Colégio Antioquiano de Advogados e do Colégio de Advogados Criminalistas de Antioquia); Apóstolo dos Direitos Humanos e prestigiado Advogado de Defesa Criminal, que fez de seu exercício profissional a expressão comprometida e consistente de um projeto de vida, de uma opção pelos pobres, pelos injustamente detidos, pelos torturados, desaparecidos, perseguidos, desprezados, que ele os chamava de "desterrados" e, por fim, pelas vítimas da injustiça social.

Foi membro da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos de Antioquia, desde a sua criação, em 1978; após o assassinato de vários dos seus membros e presidentes, especialmente em 1967, ele permaneceu, enquanto os outros se afastaram.

Na noite de 27 de fevereiro de 1998, homens armados do tenebroso grupo La Terraza, o assassinaram em seu escritório, tombando morto um ferrenho defensor dos direitos humanos de Antioquia que deu a sua vida para defender os camponeses pobres de sua terra natal, Ituango, e denunciando a barbárie cometida contra seu povo as forças criminosas de Carlos Castaño Gil em conluio com autoridades civis e militares.

Após o assassinato de Jesús Maria Valle, o advogado Luis Fernando Vélez Vélez, tornou-se presidente e porta-voz da comissão, e também foi assassinado 17 de dezembro de 1987, em Medellín (Antioquia).

Galeria dos Mártires - Jimmie Lee Jackson

JIMMIE LEE JACKSON
Mártir dos Direitos Civis
ALABAMA, EUA * 26/02/1965

Jimmie Lee Jackson, nasceu em Marion, Alabama, uma pequena cidade perto de Selma, em 16 de dezembro de 1938, ainda jovem tornou-se parte do movimento dos direitos civis. Depois de participar de um protesto pacífico no Alabama em fevereiro de 1965, ele foi baleado por um policial estadual. Ele morreu poucos dias depois. 

Em 18 de fevereiro de 1965, Jackson participou a noite de uma marcha pacífica em Marion, realizada para protestar contra a prisão de James Orange, secretário de campo para a Southern Christian Leadership Conference. No entanto, mesmo sendo uma manifestação não-violenta, foram rejeitados pelos segregacionistas que detinham o poder no Alabama. Naquela noite, postes de luz da cidade foram desligados; sob a escuridão, policiais e soldados atacaram os manifestantes com cassetetes,  fazendo com que se dispersassem e fugissem em diferentes direções.

Perseguidos por policiais, Jackson e outros manifestantes entrou em um restaurante chamado Café de Mack. Lá, Jackson foi baleado no estômago por James Bonard Fowler, um policial estadual. Testemunhas contaram que Jackson tinha sido proteger do ataque do soldado por sua mãe e seu avô de 82 anos de idade. James Fowler afirmou ter agido em legítima defesa, justificando que atirou pois Jackson estava com arma, o que não foi confirmado.

Ferido, Jackson foi levado para um hospital local, em seguida, enviado para um hospital em Selma. Ele permaneceu internado no hospital por uma semana. No dia 26 de fevereiro de 1965 morrer devido uma infecção causada pelos tiros. Ele tinha apenas 26 anos de idade. 

Embora ferido, o chefe dos soldados do estado, tinha enviado um mandado de prisão para Jackson enquanto ele estava no hospital, Por outro lado, James Fowler não havia sofrido nenhuma punição ou medidas disciplinares, e foi autorizado a continuar em seu emprego.

A morte de Jackson foi condenado pelos líderes dos movimentos dos direitos civis, como Martin Luther King Jr., que tinha visitado Jackson no hospital-John Lewis e James Bevel. Em 3 de março, Luther King Jr., falou no funeral de Jackson, onde disse que Jackson tinha sido "assassinada pela brutalidade de cada xerife que pratica a ilegalidade em nome da lei."

Sua morte inspirou uma marcha pelos direitos de voto. 

Em 7 de março de 1965, liderança dos movimentos dos direitos civis, seguiram em marcha. Houve resposta violenta aguardando esses manifestantes. Quando chegaram na Ponte Edmund Pettus em Selma, a polícia usou gás lacrimogêneo e cassetetes contra eles. Imagens da violência com o protesto veio a ser conhecido em todo o país como "Domingo Sangrento".

Duas semanas depois de "Domingo Sangrento", outra marcha partiu de Selma. No momento em que os manifestantes chegaram em Montgomery, havia uma multidão de 25.000 pessoas. 

A Lei dos Direitos de Voto foi promulgada em agosto de 1965, garantindo assim aos afro-americanos como Jackson, até então discriminados de votar, os seus direitos garantidos ao voto.

Galeria dos Mártires - Dom Antonio de Valdivieso

DOM ANTONIO DE VALDIVIESE
Mártir da defesa do índio
NICARÁGUA * 26/02/1550

Antonio de Valdivieso, bispo da Nicarágua, onde chegou vindo da Espanha em 1544. Lutou em favor dos índios em sua própria terra, e através de inumeráveis cartas para denunciar ao rei as injustiças que se cometiam contra eles.

"Minhas Cartas, diz o bispo, nestes terras donde as escrevo, são tão suspeitas que não só se receia que ficarão perdidas por aqui, segundo o costume que souberam impor, mas que, ainda que cheguem a esses reiunos, deve-se temer perseguições: por isso escrevo estas às pressas para que Vossa Majestade tenha notícias da grande necessidade que há por estas paragens de uma boa justiça... No que toca aos índios, estão cada vez mais oprimidos".

É tal a força de sua denúncia  que o próprio presidente da Audiência afirma em relação ao bispo: "Teme-se, cada dia, que venham a matá-lo". Como efetivamente ocorreu.

Sua morte foi assim relatada nas crônicas: "Sucedeu que estando ele a pregar em favor da liberdade para os índios, repreendeu conquistadores e governadores pelos maus tratamentos a eles dispensados. Indignaram-se tanto conta ele que o ameaçaram com obras e palavras... (Serviram-se de um soldado o qual) saiu, acompanhando por alguns outros... foram à casa do bispo... e perdendo o repeito por tudo o que é sagrado, deram-lhe punhaladas".

Assim morreu, mártir da caridade e na luta pela liberdade dos índios, o bispo Antonio de Valdivieso, em Léon, na Nicarágua.
Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Tucapel Jiménez


TUCAPEL FRANCISCO JIMÉNEZ ALFARO
Mártir das lutas dos trabalhadores chileno
CHILE * 25/02/1982


Tucapel Jiménez, dirigente sindical de 60 anos. Mártir das lutas dos trabalhadores chilenos.
Apareceu assassinado dentro de seu carro, numa rua de Santiago, precisamente quando estava realizando um importante trabalho de conscientização e unidade entre os vários sindicatos.

Fundador e secretário geral da Associação Nacional de Empregados Fiscais (ANEF), Tucapel foi amplamente conhecido através de seus 30 anos de militância sindical.

Pobre, honesto, moderado, disposto sempre a solidarizar-se com todos os atos que visassem à defesa dos direitos humanos e, especialmente, dos direitos dos trabalhadores, Tucapel relacionou-se e colaborou com o Vicariato da Solidariedade.

Durante seu funeral, celebrado na Catedral de Santiago, o bispo auxiliar, Jorge Hourton, declarou na homilia: “A Igreja de Santiago, ao celebrar as homenagens fúnebres de um predestinado e antigo dirigente sindical nacional, quer ressaltar o valor moral e a eminente dignidade da causa dos trabalhadores, das organizações sindicais autenticamente representativas e de seus dirigentes que, com sacrifício, lutam, sofrem e morrem por seus companheiros aqui representados... Não seríamos cristãos se não reconhecêssemos, no ato de morrer como vítima de compromisso e a serviço de uma casa justa, a prova de um grande amor que, de modo misterioso, repete e prolonga a agonia de Cristo”.


Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Mártires de Xeatzán


MÁRTIRES DE XEATZÁN
Camponeses Crucificados
GUATEMALA * 21/02/1985

A paixão do povo da Guatemala é uma história de séculos. Mas desta vez, a crueldade do Kaibils (corpo de elite, preparado especialmente para contra-insurgência) vai tão longe a ponto de repetir a crucificação de Jesus.

Oito camponeses indígenas da aldeia Xeatzán, no município de Patzún, são mortos de uma maneira cruel e nova, cujo horror não é conhecido até então. Eles são verdadeiramente crucificados.

Atravessando seus corpos com ferros e estacas, são pregados nas paredes da escola da aldeia. Não usaram balas ou facões. E o tiro de misericórdia que geralmente terminam o prolongado horror da tortura, desta vez, é substituído por um ferro cravado na parte da frente, que será embutido na parede. 

Ali agonizam. Ali morrem. Ali cai o sangue mártir escorrendo lentamente pelas paredes da escola que eles mesmos construíram para seus filhos. Não é necessário nem para os pobres da Guatemala e do mundo, imaginar a paixão e crucificação de Jesus. Ali estão seus seguidores. Um Calvário real, perfeito, reeditado na aldeia Xeatzán.

O que dizem os professores para as crianças que frequentam a escola? Podem falar sobre a paz? Podem dizer o que é a vida? Podem descobrir algum dia o que se rompeu dentro deles quando viram seus pais crucificados? 

Só a partir de uma grande fé na Ressurreição do primeiro crucificado é que eles puderam gritar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem", e pode ajudar-los a seguir vivendo e esperando a ressurreição para todo o seu povo.

http://servicioskoinonia.org/martirologio/


Galeria dos Mártires - Malcolm X

MALCOLM X
Ativista dos Direitos Humanos
NEW YORK, EUA, * 21/02/1965

Malcolm X, um nacionalista Afro-americano e líder religioso, é assassinado por rivais muçulmanos negros.

Nascido em Omaha, Nebraska , em 1925, Malcolm era o filho de James Earl Little, um pastor batista que defendia os ideais nacionalistas negros de Marcus Garvey. Ameaças da Ku Klux Klan forçou a família a se mudar para Lansing, Michigan , onde seu pai continuou a pregar seus sermões polêmicos, apesar das ameaças contínuas. 

Em 1931, o pai de Malcolm foi brutalmente assassinado pela supremacia branca Legião Negra, e as autoridades de Michigan se recusou a processar os responsáveis. Em 1937, Malcolm foi levado de sua família por assistentes sociais de bem-estar. Aos 15 anos ele abandona a escola e se mudou para Boston, onde ele se tornou cada vez mais envolvido em atividades criminosas.

Em 1946, com a idade de 21, Malcolm foi enviado à prisão. Foi lá que ele encontrou os ensinamentos de Elijah Muhammad, o líder da Nação do Islã, cujos membros são conhecidos popularmente como muçulmanos negros. A Nação do Islã defendia o nacionalismo negro e separatismo racial. Ensinamentos de Maomé teve um forte efeito sobre Malcolm, que entrou em um intenso programa de auto-educação e tomou o sobrenome "X" para simbolizar sua identidade Africano roubado.

Depois de seis anos, Malcolm foi libertado da prisão e se tornou um ministro fiel e eficaz da Nação do Islã em Harlem, Nova York . Em contraste com líderes dos direitos civis, como Martin Luther King Jr. , Malcolm X defendia a auto-defesa e a libertação dos afro-americanos "por qualquer meio necessário." Um grande orador, Malcolm era admirado pela comunidade Afro-americano em Nova York e em todo o país.

No início dos anos 1960, começou a desenvolver uma filosofia mais franco do que a de Elijah Muhammad, a quem ele se sentia não suficientemente apoiar o movimento dos direitos civis. Poucos meses depois, Malcolm deixou formalmente a organização e fez uma peregrinação muçulmana a Meca, onde foi profundamente afetado pela falta de discórdia racial entre os muçulmanos ortodoxos. Ele voltou para a América como El-Hajj Malik El Shabazz-e em junho 1964 fundou a Organização dos Afro-American Unity, que defendia a identidade de todas as raças, e o respeito a pessoa humana independente da cor.

Nesta nova etapa da vida de Malcolm, muitos outros seguidores se juntou a ele, e sua filosofia mais moderado tornou-se cada vez mais influente no movimento dos direitos civis, especialmente entre os líderes do Comitê dos Estudantes.

Em 21 de fevereiro de 1965, uma semana após a sua casa ser atacada com bombas incendiárias, Malcolm X foi assassinado com mais de 15 tiros por três homens armados.

Aos 39 anos foi declarado morto no Hospital Columbia Presbyterian, em Nova York.

Mil e quinhentas pessoas compareceram ao funeral de Malcolm em Harlen em 27 de Fevereiro de 1965, no Templo da Igreja Fé de Deus em Cristo (Agora Memorial dos Filhos de Deus em Cristo).

Após a cerimônia, amigos pegaram as pás e enterraram Malcolm no Cemitério Ferncliff em Hartsdale, Nova York.

Os assassinos de Malcolm, Talmadge Hayer, Norman Butler e Thomas Johnson, foram condenados por assassinato em primeiro grau. Os três eram membros da Nação do Islã.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Domingo Laín

DOMINGO LAÍN SANZ
Mártir das lutas de libertação
COLÔMBIA * 20/02/1974

Padre Domingo Laín Sanz, nascido em Aragão, no nordeste da Espanha, fez de sua vida uma dedicação aos irmãos, vivendo com uma visão intensa do presente. "Eu tirei conclusão de que para viver em paz consigo mesmo não há nada melhor do que dar-se aos outros, viver cada momento como único, sem a angústia de um futuro que só Deus sabe". Aos poucos, a ideia de estar a serviço da igreja e da comunidade começaram a se diferenciar do que aprendeu no seminário, com base em rituais e não questões terrenas. Ir para as missões nos países do Terceiro Mundo, era a ilusão de muitos seminaristas. No seminário de Zaragoza onde estudou havia dois grupo de seminaristas: Grupo Africano e do Grupo da América, Domingo juntou-se ao primeiro. Deveria ser ordenado padre em 1963, mas seu desejo de ir em missão para África, teve de adiar a ordenação para dois anos depois. 

Recém concluído seus 25 anos, foi ordenado sacerdote em 28 de março de 1965. Em sua cidade natal, celebrou sua primeira missa no dia 17 de abril daquele ano, uma vez que, em maio, tomou posse como pároco aragonês Taussig, onde passou mais de um ano, trabalhando especialmente com jovens Taussig. Em certa ocasião disse estas palavras: "Estou ansioso para poder ir em missão para a América ... Você pode imaginar que haverá muito trabalho e a situação possa ser difícil. Irei com toda a generosidade: o importante é sabermos ser sempre fiel a Deus e aos homens que vamos servir. Amar e entendê-los como são, estar com eles na fome, na injustiça ... Servir os outros é uma das mais elevadas formas de amor" 

Em 26 de agosto 1965, Camilo Torres disse aos cristãos: "a revolução não só é permitido, mas obrigatório para os cristãos", estas palavras teve uma grande influência no mundo e fez com que Domingo se colocasse a disposição de seguir em missão e fosse para a Colômbia, para seguir os passos de Jesus e os compromissos de Camilo. 

Após a morte de Camilo Torres, em 15 de fevereiro de 1966, Domingo apressou sua partida de Taussig, viajou para Madrid para preparar a sua viagem para a Colômbia, onde ele finalmente chegou no final do ano 67. Fez um trabalho pastoral em um dos bairros pobres do sul de Bogotá em Meissen, e também conseguiu emprego para trabalhar em uma fábrica de tijolos. 

A partir desta experiência, disse mais tarde: "Eu experimentei em primeira mão a situação de exploração e miséria da maioria da população". Esta experiência permitiu-lhe conhecer e compreender a dura realidade dos trabalhadores colombianos. E por sua opção pelos pobres e sua identificação com eles, reforçou a sua convicção sobre o papel destes para alcançar uma nova sociedade e da necessidade de pessoas revolucionárias. "Não te deixes vencer, Cristo está conosco. Ele é um de nós. E a história é a história da salvação. Permanecer na história é o que nos faz ser Profetas"

A ousadia de sua obra profética não leva muito tempo para criar problema com a Cúria de Bogotá, que o obrigou a deixar a comunidade. Ele então se mudou para Cartagena, onde viveu em uma paróquia rancho muito pobre. Com a decisão do prefeito de Cartagena de expropriação sem compensação justa das terras de seus vizinhos, Domingo Laín liderou uma manifestação de protesto e, portanto, foi forçado a voltar para Bogotá.

Junto com outros sacerdotes revolucionários, em meados de 68, fundou o grupo de Golconda. Participou em diversas reuniões relacionadas com os sindicatos e dirigentes sindicais de todo o país. Domingo era uma pessoa alegre, que o ajudou a criar empatia com outros lutadores. Foi preso por vários dias e acabou expulso da Colômbia em 19 de abril de 1969, pela divisão de imigração do DAS e forçado a viajar para a Espanha, sem documentos de identidade, dinheiro e sem seus pertences. 

Na Espanha ele teve um diálogo com o bispo, Dom Pedro Pedreiros, a quem explicou a decisão de aderir à guerrilha colombiana. O bispo cedeu aos seus argumentos e deu-lhe a sua bênção.

Em Outono de 1969 Domingo voltou secretamente para a Colômbia, com seus companheiros Manuel Pérez e José Antonio Jiménez, para se juntar à guerrilha do Exército de Libertação Nacional. Desde a sua chegada ao ELN, Domingo atuou como assessor. 

Na ocasião do quarto aniversário da morte de Camilo, Domingo em uma proclamação pública explicou a sua expulsão da Colômbia, devido à sua luta contra o regime político colombiano, e sobre sua decisão de aderir ao ELN, considerando-se o direito da luta armada na defesa do povo e elogiou o socialismo como a única solução possível para os problemas do continente. 

Em 1974, dia 20 de Fevereiro morreu em combate contra as forças do governo na Quebrada de La Llana por seu compromisso com a luta pela libertação do povo.

Um mês depois de sua morte, o grupo de Sacerdotes na América Latina (SAL), Bogotá, falou: "Três anos que passou como um trabalhador e quatro passamos nas montanhas colombianas, seguiu denunciando a injustiça com a sua vida. O único motivo maior deste homem era o amor ao povo. 'Não há maior amor do que dar a vida por seus irmãos'. O caminho escolhido por Padre Domingo Laín foi o cristianismo, e em nome da honestidade é que ele viveu,. Não é um bandido que mataram, mas um cristão, um padre e um político".

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Edgar Fernando García

EDGAR FERNANDO GARCÍA
Ativista Social, Desaparecido
GUATEMALA * 18/02/1984

Edgar Fernando García tinha 27 anos, um estudante da Faculdade de Engenharia da USAC e trabalhador administrativo na Centroamericana de Vidro, S.A. (CAVISA), de onde se integrou ao sindicato como secretário de atos e acordos. Ele também estava ligado a Juventude Patriótica do Trabalho do Partido Guatemalteco do Trabalho (PGT).

No sábado, 18 de fevereiro, 1984, Edgar Fernando García sair a pé de sua casa na zona 7 da Cidade da Guatemala, em direção ao seu trabalho na estrada Aguilar Batres, zona 12. Neste mesmo dia tinha almoçado com sua esposa e filha na casa de sua irmã.

Ao longo do caminho, Fernando se encontrou com Danilo Chinchilla. Na altura do mercado El Guarda, próximo do trevo, estava formada uma barreira montada pela Brigada de Operações Especiais (BROE) da Polícia Nacional (PN). 

Os policiais os obrigaram a parar, mas eles tentaram fugir. Os agentes responderam atirando, e dois ficaram feridos: Fernando García foi transferido para o Quinto Cuerpo da Polícia Nacional localizado na entrada San Juan; Danilo Chinchilla foi conduzido por uma forte escolta, ao Hospital Roosevelt. A vigilância não foi interrompida em nenhum dos dois estabelecimento.

Naquele mesmo sábado, homens à paisana que dirigiam veículos sem placas, procurou a casa de Fernando García, carregando seus pertences. Os homens relataram para a mãe e a esposa da vítima, que Fernando regressaria na terça-feira.

Ele nunca mais voltou.

O caso de Edgar chegou aos tribunais guatemalteco, mas os juízes rejeitaram o pedido do Ministério Público para caracterizar como crime de desaparecimento forçado. Os ex-agentes da Policia Nacional, Abraham Lancerio Gómez e Héctor Roderico foram vinculados ao caso após a revisão completa dos arquivos da antiga Polícia Nacional.

Seu caso foi apresentado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em 22 de agosto de 2000, a Comissão declarou admissível em 21 de Outubro de 2006. A Comissão procurou uma solução amigável entre a família e o GAM e o Governo da Guatemala, mas o Estado da Guatemala não mostrou sinais de chegar a um acordo, pelo contrário, colocou uma série de obstáculos, o que causou um atraso injustificável no processo. 

A família pediu que o caso fosse transferido para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que esta alta Instância soubessem do desaparecimento forçado de Edgar Fernando García e aplicassem a condenação contra o Estado da Guatemala.

Em 18 de outubro de 2010, o julgamento de Hector Ramirez Rios e Abrahan Lancero Gomez, dois ex-oficiais da Polícia Nacional, começou. Eles foram acusados ​​de desaparecimento forçado e homicídio de Edgar Fernando García em 18 fevereiro de 1984. Condenados a uma pena máxima de 62 anos. 

Nineth Montenegro, esposa de Edgar Fernando Garcia, falou do sofrimento em que ela e sua filha foram submetidas, e sua luta por justiça. 

Alejandra García, filha de Fernando García, assim como o Ministério Público, têm afirmado que eles têm mais de 550 documentos dos arquivos da Polícia Nacional. Este é o primeiro caso na Guatemala a ser baseado no Arquivo Histórico da Policia Nacional, nos 14 anos desde a assinatura de Paz.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Albino Amarilla

ALBINO AMARILLA
Mártir do Povo Paraguaio
PARAGUAI * 16/02/1981

Albino Amarilla deu testemunho de sua fé em 1981, sendo assassinado pelo Exército paraguaio por não querer denunciar os seus companheiros de luta e de fé.

Líder camponês, catequista paraguaio de San Juan Nepomuceno, em, Caazapá, tinha 41 anos e era pai de nove filhos.

foi assassinado por um tenente do exército e um grupo de soldados que, à meia noite, o chamaram à porta de seu rancho. Quando albino saiu, dispararam vários tiros à queima-roupa, deixando-o ferido no chão.

Exigiram que a esposa lhes entregasse os documentos dele. Ela trouxe a carteira de identidade e as conclusões de Puebla. Albino foi arrastado até um veículo. Ela seguiu-lhes a trilha com um filho de 12 anos de idade. De madrugada chegou ao povoado vizinho. As autoridades negaram-lhe qualquer informação.

Mais tarde, o comissário do distrito entregou-lhe um caixão com o cadáver do esposo e a ordem de não abri-lo. Ela abri e viu que o marido foi torturado e tinha no corpo várias feridas.

Sem antecedentes criminais, seu delito tinha sido o de denunciar à policia a violação de uma de suas filhas, uma adolescente anormal de 17 anos, por parte de um funcionário policial. A denuncia não foi registrada e acusaram Albino de ser um comunista atuante.

Seus companheiros lavradores declararam, no entanto, que ele trabalhava com os outros lavradores diariamente na chácara, e era catequista e evangelizador.

Sua morte teve grande repercussão, sendo o seu funeral celebrado pelo próprio bispo. E o bispo denuncio o Estado Maior do Exército pelo o assassinato de Albino, e o proclama mártir dos camponeses.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ali Primera

ALI PRIMERA
Poeta e Cantor da Justiça 
VENEZUELA * 16/02/1985

Ali Primera, poeta e cantor do povo. Pai de sete filhos. Lutador do amor para com os pobres. Morreu aos 44 anos. "Como é triste ouvir a chuva / nas casas de papelão, / crianças cor da minha terra, / com suas próprios cicatrizes / milionários de verme ...", sua voz ressoa, torrente de verdades e poesia nos estádios e praças. Nunca em estúdios de televisão ou rádio. 

Seu gigantesco microfone é o coro e as palmas das pessoas que o acompanhavam. Pobre desde o berço, em Paraguaná, órfão de pai aos três anos, engraxate aos seis, menino de cabelos crespos e espírito desafiador, chega em Caracas, Venezuela, com seu violão de quatro cordas e canta na Universidade. 

Desde aquele dia brotavam canções de amor, de denuncia e dor. Se proclamado cristão da mesma Igreja de Monsenhor Romero, comprometida com o povo e durante um dia de oração para El Salvador, na catedral, diz: "Eu costumo cantar: 'Não, não basta rezar / para conquistar a paz ...", mas eu digo que devemos rezar, como estamos fazendo ...".

Naquela manhã, de volta para casa, morreu na hora em um acidente de carro.

A morte, que tantas vezes o espreitava em ataques, ameaças, se apresentada de vez. Uma multidão acompanhou os seus restos mortais à sua terra natal. Sol Musset, sua esposa, explica a seus filhos disse em gesto: "Vamos plantar o papai". E Ali, florescido, segue cantando: "Eu já disse que o povo / se encontra indefeso / qual ninho de gaivota / Eu juro que eu vi / como um ancião ferido / como uma criança / o grão de trigo /. em frente ao moinho. / Mas eu acredito na sua força / que se você está indefeso / não será para sempre ... ".

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Galeria dos Mártires - Maria Elena Moyano Delgado


MARIA ELENA MOYANO DELGADO
Líder Popular de Favela
PERU * 15/02/1992

Maria Elena Moyano Delgado nasceu no dia 29 de novembro de 1958, no distrito da província de Barranco, Lima. Seus pais eram Eugenia Delgado Cabrera e Hermogenes Moyano Lescano. Ele tinha seis irmãos, Rodolfo, Raul, Carlos, Narda, Eduardo e Marta. 

Sua vida durou um período de intensa mudança e revolta no Peru. E a sua morte, em 1992, pelas mãos de Sendero Luminoso simbolicamente coincidiu com o fim desse período.

Mulher de consciência e de fé extraordinárias, que assumiu a liderança popular e foi sub-prefeita no bairro de Lima, Villa El Salvador, em circunstância sumamente desafiadoras, quando o terror paralisava. 

Merecidamente chamada de “Mãe Coragem” e “Militante da Vida”. Promotora da organização popular e alternativa, diante da miséria crescente, ante o descaso oficial e frente às ameaças do Sendero Luminoso, Maria Elena foi de fato assassinada por este, que dinamitou o corpo da mártir, como para fazê-la desaparecer, inutilmente,  a sua memória e suas causas continua nas luta do povo. 

Galeria dos Mártires - Camilo Torres

CAMILO TORRES
Mártir das lutas de libertação
COLÔMBIA * 15/02/1966

Jorge Camilo Torres Restrepo, nasceu em Bogotá, Colômbia, em 03 de fevereiro de 1929. De uma família da alta burguesia. Em inícios de 1948 resolve entrar no Seminário Conciliar de Bogotá e preparar-se para o sacerdócio. Ali permaneceu durante sete anos, sendo ordenado padre em 1954. Logo em seguida é enviado à Bélgica para estudar sociologia na Universidade Católica de Lovaina. Em 1958 se graduou como sociólogo, apresentando um trabalho que analisava a proletarização de Bogotá.

Retornando para Bogotá em 1959, foi nomeado capelão da Universidade Nacional. Ali, juntamente com outros participantes, fundou a Faculdade de Sociologia, onde, durante algum tempo foi professor e técnico do programa de Reforma Agrária.

A maior parte de sua missão desenvolveu-se na universidade. Camilo Torres foi líder de estudantes e jovens professores, de todos aqueles que intuitivamente buscavam uma transformação das estrutura de opressão. 

Viajava por todo seu país e ai descobrindo a miséria de seu povo. Mas, além do cientista e do político que Camilo Torres era, tinha uma profunda fé, cujas opções eram feitas a partir do Evangelho. Também na opção última e decisiva, quando interrompia temporariamente seu ministério sacerdotal, era consequente com o radicalismo que o Evangelho exigia de sua consciência.

Em sua última missa em 1965, depois de pressionado pelo alto clero para renunciar ao mistério sacerdotal, declara: “Deixei os privilégios e deveres do clero, porém não deixei de ser sacerdote. Creio que me entreguei à revolução por amor ao próximo. Deixei de rezar missa para realizar este amor ao próximo, no terreno temporal, econômico e social. Quando meu próximo não tiver mais nada contra mim, quando tenha  realizado a revolução, voltarei a oferecer missa, se Deus me permitir. Creio que assim sigo o mandamento de Cristo: ‘Portanto, se você for até o altar para levar a sua oferta, e aí se lembrar de que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe a oferta aí diante do altar, e vá primeiro fazer as pazes com seu irmão; depois, volte para apresentar a oferta’ (Mt 5, 23-24). Depois da revolução, nós cristãos teremos a consciência de que estabelecemos um sistema que estará orientado para o amor ao próximo”.

Camilo Torres, pela sua opção cristã, politica e revolucionária, e seu engajamento social, tornou-se membro do Exército de Libertação Nacional. E em 7 de Janeiro de 1966, quase um mês antes de sua morte, proclama a todos os Colombianos: "Pela unidade da classe popular, até a morte! Pela organização da classe popular, até a morte! Até a morte porque estamos decididos a ir até o final. Até a vitória porque um povo que se entrega até a morte sempre conquista a vitória. Até à vitória final com palavras de ordem do Exército de Libertação Nacional! Nem um passo atrás; libertação ou morte".

Questionado por sua atitude revolucionária, já que era cristão e padre, ele explicava: “Sou revolucionário como colombiano, como sociólogo, como cristão e como padre. Como colombiano, porque não quero ficar distante da luta de meu povo. Como sociólogo, porque minhas intuições científicas, em relação à realidade, me convenceram que é impossível chegar a soluções efetivas e adequadas sem uma revolução. Como cristão, porque o amor ao próximo é a essência do ser cristão, e o bem estar da maioria não se consegue sem a revolução. Como sacerdote, porque a entrega ao próximo, que exige a revolução, é um requisito da caridade fraterna, indispensável para celebrar a missa, que não é uma oferenda individual, mas de todo o povo de Deus por intermédio de Cristo”

Aos 37 anos foi morto num confronto com o exército ao empunhar sua primeira arma, como membro do Exército de Libertação Nacional enquanto tentava auxiliar um companheiro ferido. Sua morte o transformou em simbolo de esperança, acima do "padre guerrilheiro", porque ele inaugurou um novo modo de ser cristão na América Latina, antes de Medellín: comprometeu-se com o irmão oprimido "até doar a vida por ele". Por isto é mártir e profeta da Igreja.

Quando o sacerdócio se faz verdade plena pela doação do corpo e da vida, só há espaço para o silêncio contemplativo reverencial ou para o esforço balbucio da poesia:

"E a Palavra se encarnou e se tornou plena de Amor
e se chamou Jesus ou Camilo,
foi pão para todos os pobres
e se fez todo povo
foi sangue gota a gota derramada
e se fez todo povo.

Já não mais fome nem mais sede proletários,
mas alimento na doação e comunhão,
todos pensar e sentir uma mesma causa
e para a mesma causa.

Todos na luta até a vitória
sem que ninguém chame de meu direito aquilo que tem;
não mais esquecimento do irmão proletário
nem de Deus-Jesus nem de Camilo-carne
mas sim o Amor
feito rito cotidiano, recordação viva
o Amor
feito sacerdócio-Eucaristia".

O amor que Camilo pregava devia ser um amor eficaz, pois “a fé sem obras é morta” (Tg 2,17).

Obs: texto construído a partir de leitura de:
Camilo Torres: O Cristianismo rebelde na América Latina - Prof. Inácio Strieder - Adital - 27/06/2006
Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes
Um Cristão Revolucionário: Camilo Torres - CEPIS - centro de educação popular do instituto sedes sapientiae