terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Eloy Ferreira da Silva

ELOY FERREIRA DA SILVA
Líder Sindical Rural
SÃO FRANCISCO – MG * 16/12/1984

Pai de dez filhos, homem de fé, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Eloy era tão destemido como coerente:“Trabalhador rural não é covarde”, dizia, “nossa arma é união, organização e a verdade”. Diante das ameaças, testemunha um companheiro seu, abria as Sagradas Escrituras e ganhava forças para continuar. “O Evangelho é nosso guia”, afirmava o próprio Eloy e confessou, generosamente disposto ao martírio: “Se morrer defendendo meus irmãos, é uma honra para mim”.

Como dirigente sindical, viveu intensamente o apoio à luta de organização e resistência dos posseiros de seu município e da região. Eleito Delegado Sindical do Distrito de Serra das Araras, em 1978, ele liderou a resistência dos posseiros contra todos os invasores. Presidente do Sindicato de São Francisco desde 1981 ele era uma das lideranças mais combativas no Norte de Minas, conhecido em todo o Estado.

As ameaças não foram esparsas. Foram constantes por parte dos grileiros e até do Juiz de Direito da cidade que várias vezes ameaçou psicologicamente.

Denunciava as pressões, despejos e queima de casas a todas as entidades que podiam dar algum apoio. Combatia toda violência que caia sobre os trabalhadores: "Nossa arma é união, organização e a verdade".

Este assassinato atingiu não só o Eloy, mas também a organização do povo. Atingiu um líder que doou sua vida para que os pobres deixem de ser objetos dos poderosos.

Eloy era um homem de fé profunda. A todo o momento ligava sua luta à libertação dos Hebreus no êxodo. "Deus está do nosso lado" era a fé que animava sua luta.

Morreu aos 54 anos, deixando a esposa e 10 filhos, também ameaçados pelos mesmos grileiros.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Eloy Ferreira da Silva - Poema do livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira

Ali, onde o sol cultuou a semente
E a suavidade atingiu o ápice da solidão
Deixamos o teu corpo para o silêncio.

Tua boca, refúgio noturno dos colibris,
Ainda murmurava uma triste melodia,
- essa cantiga uníssona dos ressuscitados.
Tuas mãos colhiam os sinais do azul
Como um eremita que beija as franjas da eternidade.

Antiquíssimo como a sombra, teu sorriso
Atravessava o horizonte passageiro,
Diligente, amoroso, no vôo raso dos bem-te-vis.
Ali, Eloy, deixamos um amigo para dormir.
Ali, eloy, voltamos para colher
As vistosas flores da madrugada...

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