sexta-feira, 17 de abril de 2015

Galeria dos Mártires - Pe. Tíbério Fernández e Companheiros


Pe. TIBÉRIO FERNÁNDEZ e COMPANHEIROS
Mártires da Promoção Humana
TRUJILLO, COLÔMBIA *17/04/1990

Padre Tibério Fernández, dois amigos e a sobrinha Ana Isabel Giraldo, foram sequestrados, torturados e assassinados quando voltavam para Trujillo, dirigindo seu jipe.

No dia 15 de abril de 1990, o Sr. Abundio Espinosa foi morto em Tuluá, Valle del Cauca, cidade vizinha de Trujillo. No dia seguinte Pe. Tibério foi até Tuluá juntos com amigos e a sobrinha para celebrar as exéquias e acompanhar a família do amigo neste momento de dor.

Na homilia, o Padre Tibério pronunciou a frase que hoje, 25 anos depois, ainda é presente entre trujillenses: "Se o meu sangue contribuir para que cesse a violência em Trujillo, com gosto o derramarei".

Em 17 de abril de 1990, foram sequestrados por paramilitares, liderado pelo apelidado "El Alacrán", que os interceptaram e os levaram para a fazenda Villa Paola.

De acordo com o relatório de Trujillo, uma tragédia que continua, publicado pelo Centro de Memória Histórica em 2008, na fazenda Villa Paola, o padre e seus companheiros foram torturados: "Neste episódio se registra violência sexual tanto contra o sacerdote (castração) como contra sua sobrinha Ana Isabel Giraldo, a quem torturaram, estupraram e cortaram os seios diante dos olhos impotentes de seu tio. O corpo esquartejado do Padre foi resgatado das águas do rio Cauca na Inspeção da Polícia em Hobo no município de Roldanillo. Seus restos foram identificados por causa de uma platina que ele tinha em uma de suas pernas. Os corpos de seus companheiros nunca foram recuperados".

A tortura e assassinato de Padre Tibério tornou-se o símbolo do massacre de Trujillo. Ele foi vítima reconhecida por toda a comunidade, cujo martírio impactou, não só os corações e os sentimentos religiosos do povo, mas também fomentou a esperança comunitária, na condução das causas e lutas que o Padre Tibério foi assumindo durante sua vida e que agora cabia a todos levarem em frete estas mesmas causas, estas mesmas lutas pela vida, pela justiça e pela paz.

Durante os cinco anos em que esteve à frente da paróquia de Trujillo, se dedicou na criação de 45 empresas comunitárias, grupos de idosos, associações de bairros e microempresas familiares: padarias, confecções de roupas, produção de frutas e legumes, etc.

"Padre Tibério administrou cerca de 20 milhões para este município. Era uma pessoa socializante, generosa, também muito espiritual, conjugava a parte antropológica e espiritual; envolvia homens e mulheres em todos os processos, formando-os intelectualmente", diz o relatório.

Em seu funeral, cerca de sessenta padres e dois bispos de todo o país compareceram para celebrar junto com o povo de sua paróquia as exéquias, após a celebração sancionaram canonicamente a excomunhão dos assassinos.

A crueldade excessiva de seu assassinato ultrapassou todos os símbolos culturais de violência, que até então tinha sido perpetuado contra a espiritualidade das comunidades camponesas colombianas.

A memória do Padre Tibério e de milhares de colombianos continua viva nas lutas do povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

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