quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Dorcelina de Oliveira Folador

DORCELINA DE OLIVEIRA FOLADOR
Prefeita do Povo
MUNDO NOVO – MS * 30/10/1999

Hoje fazemos memória de 15 anos de seu martírio.

Dorcelina nasceu no Paraná, em 1963 e foi assassinada em Mundo Novo, MS, com apenas 36 anos de idade, na varanda de sua casa, no dia 30 de outubro de 1999.

Dorcelina iniciou sua luta social na pastoral da juventude, nas comunidades eclesiais de base, na pastoral da terra e na pastoral familiar, foi líder do movimento sem terra, militante do PT, e prefeita do povo no mais autêntico sentido da palavra. Símbolo da resistência contra a corrupção, amante da natureza, lutadora pela reforma agrária.  Irradiava coragem e esperança.  Eleita prefeita numa vitória popular que enfrentou as ameaças do latifúndio e do narcotráfico, mereceu mais de 80% de aprovação popular.

Tem sido definida como eficientíssima “deficiente (pela poliomielite), mãe militante da vida e da ética, alegre e intensa, autodidata, artista plástica, educadora, verdadeira, solidária, cristã”. Recebeu o prêmio Marçal de Souza de 1999.

O Evangelho esteve sempre presente em sua vida.  A Bíblia ficava sempre aberta, em sua sala da prefeitura, precisamente no Salmo 27: “Javé é minha luz e salvação; de quem terei medo?”

Galeria dos Mártires - Santo Dias da Silva

SANTO DIAS DA SILVA
Militante da Pastoral Operária
SÃO PAULO – SP * 30/10/1979

Hoje fazemos memória dos 35 anos no martírio de Santo Dias. 

Santo Dias da Silva, de origem camponesa, migrante na periferia da grande cidade, operário metalúrgico, sindicalista, membro da Pastoral Operária de São Paulo e ministro da Eucaristia, Santo soube juntar uma crescente consciência de classe na luta operária, com uma fé cristã vivida coerentemente e publicamente. 

A polícia o assassinou à queima roupa enquanto integrava um piquete de greve diante de Fábrica Silvania e impedia que um colega fosse detido. 

Seu corpo, envolto na bandeira do Sindicato dos Metalúrgicos, percorreu as ruas de São Paulo, acompanhado por mais de cem mil pessoas, que agitavam ramos de palmeira e gritavam unânimes: “Companheiro Santo, você está presente!”.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Dom Christophe Munzihirwa

Dom CHRISTOPHE MUNZIHIRWA
Mártir da Esperança
CONGO * 29/10/1996

Em 29 de outubro de 1996, Christophe Munzihirwa, Arcebispo de Bukavu, Congo, foi morto por um grupo militar de Ruanda. Ele pagou com o próprio sangue seu compromisso corajoso com a paz e a liberdade. Pague com sua vida seu impulso determinado para a verdade e a justiça. 

Lembrando monsenhor Christophe Munzihirwa hoje não é só lembrar a figura de um autêntico testemunho da Igreja de Congo, mártir por defender os pobres, mas também para sublinhar se compromisso cristão de ser testemunha da Testemunha fiel, o Mártir Jesus. Assumindo suas causas e consequências.

Em sua defesa apaixonada dos direitos dos refugiados ruandeses, Mons. Munzihirwa também denunciou a mídia ocidental que influenciaram habilmente pelo poder em Kigali, sempre mostrou o seu apoio ao novo regime, não percebendo que eles estavam apoiando o genocídio contra hutus. 

Em certa ocasião ele disse: "Em Burundi e Ruanda guerras fratricidas estão em curso, mas em ambientes internacionais parecem estar esperando para ver o que acontece. Gostaríamos de saber se este não é o resultado de algo planejado, escondido ... Quem irá revelar os planos secretos das pessoas bem protegidas que estão determinados a eliminar os pobres? ...". 

Ele também denunciou como cada um também foi culpado de atos violentos e cruéis de vingança pessoas. Para eles, era necessário não só o perdão e a misericórdia, mas uma conversão sincera. Um futuro de reconciliação deve, necessariamente, vir dessa maneira.

Galeria dos Mártires - Massacre de El Amparo

MASSACRE DE EL AMPARO
14 Pescadores
VENEZUELA * 29/10/1989

El Amparo é um povoado à beira do rio Arauca, no estado de Apure. Esses pescadores viviam do trabalho diário da pesca e foram atacados com armas de guerra, numa emboscada montada por policiais e militares. 

Os executores do massacre pertenciam ao comando especial ‘José Antonio Páes’, corpo de elite do exército venezuelano. 

Ficaram as viúvas e os cinqüenta órfãos dos pescadores assassinados. 

Os nomes desses mártires, defensores da pesca popular, são: Júlio Pastor Caballos, Mariano Torrealba e seu filho José Gregório, Luís Alberto Berrios, José Ramón Puerta, Carlos Antonio Bregua, Justo Mercado, Pedro Indalecio Mosqueda, José Indalecio Guerrero, Arín Maldonado, Marino Vivas, Rigoberto Araújo, Carlos Antonio Eregua e Moisés Blanco.

sábado, 25 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Herbert Anaya


HERBERT ANAYA
Mártires dos Direitos Humanos
EL SALVADOR * 26/10/1987

Herbert Anaya, ativista cristão, advogado de 33 anos e pai de cinco filhos. Coordenador da Comissão de Direitos Humanos de El Salvador, CDHES, assassinado na frente de seus filhos, na saída de sua casa em San Salvador.

Desde jovem sempre foi um lutador pelos direitos humanos. Em 1980 assume a assistência jurídica às vítimas de repressão. No cumprimento da sua missão visita as zonas de guerra para averiguar os danos causados ​​pelos bombardeios e, o assassinato em massa, que cotidianamente sofria seus povos.

Em maio de 1986, ele foi preso pela Polícia do Tesouro, no centro da cidade. Durante 15 dias permaneceu desaparecido, durante este tempo foi submetido a tortura física e psicológica horrível. Os métodos mais sofisticados utilizados por seus torturadores não conseguem quebrar a sua coragem e firmeza de suas convicções. Quando lhe pediram para "cooperar" para obterem "informação" que lhes permite acusá-lo de cumplicidade com os guerrilheiros, Herbert responde a eles. "Há um aspecto moral que não me permite fazer e eu fico com as consequências. O máximo que podem  fazer é me matar, porém, o que mataria será o meu corpo, porque minha alma vai continuar a trabalhar pela a justiça".

Depois de passar pelo carcere de Mariona, compartilhado com outros presos políticos. De lá continua a dirigir CDHES. Após 10 meses foi libertado, porém, diariamente os arredores de sua casa era monitorado e as ameaças eram constante. Mas seu desempenho público continua. 

Na Universidade Central condena as consequências da situação em que se encontrava, em um programa de televisão, faz o mesmo com relação ao uso de armas ilegais no conflito. 

Sua sentença de morte estava assinado. Os esquadrões da morte faz o resto: no dia 26 de outubro de 1987 dois homens civis, com armas de 9 milímetros e silenciador, tentam calar a voz que ainda segue clamando por justiça.

O Assassinato de Herbert é o culminar de todas as acusações e ameaças feitas pelo COPREFA (Comitê de Imprensa das Forças Armadas, e vários porta-vozes do governo).

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Vladimir Herzog

VLADIMIR HERZOG
Jornalista, Mártir da Verdade
SÃO PAULO – SP * 25/10/1975


“Vlado” era um homem alegre e cheio de iniciativa, casado, pai de família, jornalista e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo e diretor de telejornalismo na TV Cultura. Muito querido por seus alunos e seus colegas de trabalho. 

Em outubro de 1975 a ditadura militar empreendeu uma série de prisões de jornalistas de esquerda e Vladimir foi preso no DOI-Codi (centro de repressão do II Exército em São Paulo) e selvagemente torturado até morrer. 

Sua morte e a do operário Manoel Fiel Filho (janeiro de 1976), também ocorrida pela tortura no DOI-Codi, provocaram uma crise interna entre os altos chefes do Exército. E o assassinato de Vladimir, que inutilmente a repressão tentou apresentar como suicídio, convocou a primeira grande manifestação de massa contra a ditadura desde a AI-5. 

Milhares de pessoas se deslocaram até a catedral da Sé, patrulhada por centenas de policiais para um culto ecumênica presidido pelo Cardeal D. Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel (Vladimir era de família judia). A celebração se transformou num grito coletivo de denúncia e de afirmação da esperança.

Galeria dos Mártires - Pe. Antonio Llido Mengual


Pe. ANTONIO LLIDO MENGUAL
Desaparecido pela ditadura de Pinochet

CHILE * 25/10/1974

Antonio nasceu em 29 de abril de 1936 em Xavia, Valência. Depois de uma vida tempestuosa, pobre, mas feliz, decidiu entrar para o seminário em Valência. Após ser ordenado, serviu por um tempo como capelão das forças armadas espanhola.

Decidiu assim seguir em missão, em julho de 1969 chegou ao Chile, na chuva de inverno, vivenciando assim na própria pele como os pobres viviam.

Seu destino era Quillota, na Diocese de Valparaíso, foi trabalhar com o Bispo Don Emilio Tagle. Rapidamente com uma bicicleta caindo aos pedaços começa a conhecer o povo, tornou-se conhecido entre os mais pobres, e causa irritação aos ricos.

Antonio estava vivendo uma vida plena, cheia de sonhos e ideais, os acontecimentos pareciam fortalecer aquilo que era proposto pelo Concílio Vaticano II.

Se junta ao grupo "80", um grupo de padres chilenos e estrangeiros posteriormente incorporado no grupo "cristãos para o socialismo" que apoiaria a candidatura de Salvador Allende, que queria alcançar objetivos sociais da Unidade Popular. A pobreza no Chile era grande.

Seu caminho para a eternidade começou com o conflito que teve com os setores mais tradicionais da Igreja de Valparaiso, e em particular, com o seu bispo Emilio Tagle, que o suspendeu das suas funções eclesiásticas como vigário da paróquia de Quillota.

Uma vez que a suspensão foi apenas nessa paróquia, rezava missas em outras capelas, que eram mais escondido e nas casas dos necessitados. 

O grupo de Juventude formado pelo Pe. Antonio, em seguida, se vincula ao MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), foi assumindo a sua luta sem violência, mas com o compromisso social enraizada no que era conhecido como Teologia da Libertação.

O golpe militar de 11 setembro de 1973 foi sentido em Quillota, e Padre Antonio Llido era um daqueles que foram alvo por parte dos militares, estava imerso na clandestinidade, queria ficar no Chile, para defender os que não podia defender-se, os seus amigos, companheiros. Outros padres tentaram convencê-lo de que teria asilo, mas não conseguiu, seu destino estava traçado, estava a um passo para encontrar a sua cruz.

Depois de passar algum tempo escondido pela região de Valparaíso, foi detido no DINA localizado no José Domingo Cañas com a República de Israel (Santiago). Celebrou a missa para os outros prisioneiros. Foi cruelmente torturado e depois levado em péssimo estado para a prisão Quatro Alamos, localidade incomunicável de Três Alamos, que também estava no comando da DINA.


Toda a sua vida foi dedicada ao povo pobre. Companheiros de prisão, logo libertados são unânimes em afirmar que seu estado era grave: pancadas, descargas elétricas, insultos, etc. Apesar de tudo conservou com grande fortaleza e excelente estado de ânimo, sua característica solidária e seu compromisso com a pessoa humana, sua preocupação com os outros, onde mesmo estando em tal situação, repartia o resto de pão ou cascas de frutas com os outros prisioneiro.

Galeria dos Mártires - Victor Gálvez

VICTOR GÁLVEZ
Promotor dos Direitos Humanos e Mártir
GUATEMALA * 24/10/2009

Victor Gálvez, catequista, promotor dos Direitos Humanos, assassinado por sua resistência às mineradoras multinacionais e de eletricidade. Era um homem humilde, catequista em sua comunidade, co-fundador da pastoral da juventude em Malacatán com seus irmãos Emilio e Noelia, incansáveis apoiadores das atividades da juventude católica.

Ele também foi líder da frente de resistência em defesa dos recursos naturais. Como muitos de seu país, lutou pela nacionalização da eletricidade no departamento de San Marcos, lutou pela criação de uma empresa municipal sólido e pela expulsão da União FENOSA desta pátria amada para acabar com uma era de abuso e encargos excessivos contra um povo que sofria com a fome e a justiça.

Victor era uma pessoa amiga, dinâmica e muito consciente de sua realidade e a de seu povo. O seu "pecado" foi utilizar seu tempo e esforço para causas legítimas de seu povo. Sua firme convicção católica o levou a viver a radicalidade do Evangelho em que ele acreditava firmemente, ele tinha em seu coração a vida de Jesus, em seu peito uma cruz e em sua mente que o convite que Jesus lhe fazia: "O compromisso, em favor da equidade social, da paz, da soberania e da dignidade de seu povo", legado este que Victor deixou para os guatemalteco continuarem na busca justa pela dignidade humana".

Embora os assassinos e criminosos, pessoas de colarinho branco e forças obscuras que realizaram este assassinato covarde pensam que silenciou Victor e o povo, na verdade fizeram renascer mais forte o desejo por justiça do povo guatemalteco. O martírio de Victor contribuiu para reafirmar a convicção de que lutar pelas as causas povo espoliado e massacrado é sim Causas do Reino, Causas de Jesus.

Victor, seu sangue derramado, se torna para nós semente de libertação!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Nativo da Natividade

NATIVO DA NATIVIDADE DE OLIVEIRA
Mártir da Reforma Agrária
CARMO DO RIO VERDE, GO * 23/10/1985

Nativo da Natividade de Oliveira, nascido em Perobas (MG), em 20 de novembro de 1953, lavrador, líder sindical no município de Carmo do Rio Verde, Goiás. 

Sua militância teve início na década de 70, quando realizou trabalhos de conscientização política junto aos camponeses. Foi demitido de vários empregos por fazendeiros que não compartilhavam de suas ideias, e era constantemente vigiado pelos órgãos de repressão (Delegacia de Ordem Política e Social, Polícia Federal e Exército).


A partir de 1972, aproximou-se das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), consideradas como uma nova forma de "ser Igreja" - a Igreja na base, no bairro e vilas, comprometida com as causas do povo, criada pela Igreja Católica e liderada no estado de Goiás por Dom Tomás Balduíno. 

Em 1979, candidatou-se ao cargo de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Carmo do Rio Verde, mas não foi eleito. Somente em 1982 passou a presidir essa instituição, o que fez até 1985.

Foi morto na porta do Sindicato dos Trabalhadores de Carmo do Rio Verde, em 23 de outubro de 1985.

O crime, praticado por pistoleiros e motivado pelos conflitos agrários constantes naquela região, fora encomendado pelo então prefeito de Carmo do Rio Verde, Roberto Pascoal Liégio, pelo presidente do Sindicato Rural (patronal), Geraldo dos Reis de Oliveira - pertencente à temível UDR - União Democrática Ruralista - e pelo fazendeiro e ex-prefeito de Uruana, Genésio Pereira.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Vilmar José de Castro

VILMAR  JOSÉ DE CASTRO 
CATEQUESE E CPT
CAÇU – GO * 23/10/1986
                
Agente de pastoral, animador das CEB’s, professor rural, membro da Coordenação Ampliada da CPT – Regional Centro Sul de Goiás, integrante da Escola Bíblica do CEBI, Vilmar, em plena juventude generosa, era um exemplo de alegria, de coerência e de doação. 

Vida doada no compromisso com os pobres, na luta pela terra para todos/as, na vida em comunidade, na atuação pastoral, no serviço da catequese, no estudo popular da Bíblia e vida vivida no seguimento coerente a Jesus.

Com a organização pública da UDR em Caçu, sobretudo, sentiu-se fortemente ameaçado de morte; mas não desistiu; continuou sua luta em favor dos mais pobres, sempre denunciando as injustiça e proclamando a liberdade do povo.

Foi assassinado aos seus 27 anos, de manhã cedo, quando ia para a escola onde lecionava. A causa do assassinato foi por testemunhar o Evangelho do Reino de Deus e a pessoa de Jesus Cristo militando na causa da terra e na defesa dos pobres. 

O martírio de Vilmar, nos convoca a manter viva as Causas da Vida, que são as Causas do Reino, sempre no seguimento do Mártir Jesus.

Galeria dos Mártires - Nevardo Fernandez Obregon, Luz Stella Vargas, Salvador Ninco Martínez e Carlos Paez Lizcano

NEVARDO FERNANDEZ OBREGON
LUZ STELLA VARGAS
Militantes do Teatro e da Música
SALVADOR NINCO MARTÍNEZ
CARLOS PAEZ LIZCANO
Líderes Indígenas
COLÔMBIA * 22/10/1987


Nevardo e Luz Stella eram jovens militantes cristãos, artistas do teatro e do canto popular. Carlos era “governador” e Salvador membro da Comunidade Indígena Caguán Dujos, em Huila. Os dois participaram ativamente na recuperação da memória e da autonomia do Povo Indígena. Nevardo viveu como um místico franciscano apaixonado, na procura de Deus e no serviço aos pobres. Luz Stella, mesmo ciente do risco de vida que corria, entregou-se totalmente à causa da justiça e da solidariedade. Dirigindo-se os quatro para uma ação conjunta em defesa das terras da comunidade indígena, agredida pelo latifúndio, foram sequestrados e vitimados brutalmente, perto de um quartel da polícia.


Nevardo Fernandez Obregon
Luz Stella Vargas
       
Carlos Paez
Salvador Ninco
  
                                                                                                          

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Gerardo Poblete Fernández

Pe. GERARDO POBLETE FERNÁNDEZ
Mártir da Paz e da Justiça
CHILE * 21/10/1973

Sacerdote salesiano chileno de 31 anos. Assassinado por espancamento em Iquique. Vítima de violação dos direitos humanos por parte de agentes do governo. Detido porque estava “espionando” um regimento do exército, quando na realidade o sacerdote e um seminarista olhavam um campo de esporte, com um binóculo.

Seu superior foi imediatamente à cadeia e admitido à presença de Gerardo, que jazia no chão de uma cela, quase inconsciente, com uma ferida na cabeça. Atendeu-o espiritualmente e tratou de procurar um médico. Mas tudo inútil, Gerardo morreu logo depois. 

Após os funerais o exército emitiu um documento em que o acusou de espionagem e de ter armas ilegais, declarando que sua morte foi causada pela ferida sofrida ao cair do veículo em que era transportado com as mãos atadas.

Um de seus carrascos confessaria mais tarde: “Espancávamos o pobre sacerdote que dia: ‘Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem’”.

Na realidade, as verdadeiras acusações contra Gerardo eram de “marxista” e de “envenenador da mente dos jovens”.

Os que o conheceram de perto, ao contrário, afirmam que era um apaixonado pela justiça, parecendo às vezes até “irreverente”. Doutrinalmente seguro, estudioso, professor dedicado, amigo, um sacerdote autentico.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Mariano Ferreyra

MARIANO FERREYRA
Mártir da Solidariedade
ARGENTINA * 20/10/2010

Mariano Ferreyra, 23 anos, jovem militante da solidariedade aos trabalhadores, assassinado em uma manifestação com uma bala no peito, por um bando da União Federativa (UF) com cumplicidade da Polícia Federal.

Mariano Ferreyra foi membro do PO (Partido Trabalhista) que lutava pelo socialismo, era um líder do Partido Trabalhista, havia sido líder do FUBA (Federação Universitária de Buenos Aires), que foi morto por uma repressão terceirizada (repressão feita por uma gangue).

Militou no Partido Trabalhista desde que eu tinha 14 anos. Tornou-se um símbolo da luta dos trabalhadores e dos direitos humanos através de mobilizações de massa.

Mariano Ferreyra foi morto pela burocracia sindical dos trens comandada por Pedraza, pelos empresários que terceirizam trabalhadores e Estado, que organiza as gangues de rua.

A morte de um militante revolucionário é a morte de um dos melhores filhos dos trabalhadores e do povo. O militante revolucionário é aquele que continua quando os demais já se cansaram, é aquele que ao invés de conformar-se com o que existe, diz que há que aproveitar para conseguir mais conquistas, aquele que sempre desconfia da versão oficial e quer estudar criticamente as interpretações da realidade. O militante revolucionário é aquele que nunca falta porque tem que estudar, ao contrário dorme menos e chega antes ou junto aos demais. O militante revolucionário é aquele que dá o sangue quando os demais duvidam ou preferem ficar esperando. É aquele que faz seu trabalho obcecadamente e ganha o respeito de seus companheiros. É aquele que depois de uma longa jornada de trabalho utiliza o último alento que lhe resta para organizar os companheiros, para estudar a história do movimento operário ou as idéias revolucionárias.

O militante revolucionário é aquele que elegeu que sua vida é importante, mas que é ainda mais importante se estiver orientada por grandes objetivos: a emancipação da classe trabalhadora e de todos os oprimidos. O militante revolucionário é aquele que sabe que a vida tem sentido se estiver a serviço de algo infinito, que não é a divindade das religiões, mas a humanidade, com sua incansável história de opressão, miséria e sublevação. O militante revolucionário é aquele que sabe que não é o primeiro a erguer os punhos. Que há inúmeras gerações de escravos insurretos que se lançaram antes e desde a história reclamam que completemos a tarefa que eles não puderam terminar. O militante revolucionário é aquele que sabe que não se alcança nada sendo esquerdista. Que para acabar com o capitalismo faz falta não apenas denunciar suas atrocidades, mas construir uma organização revolucionária que se proponha a terminar com a exploração do homem pelo homem de maneira consciente e metódica.

O militante revolucionário é, sobretudo, o contrário de uma figura mítica. É uma pessoa comum, trabalhador, estudante, mãe, irmã, que por motivos que nem sempre se pode racionalizar, simplesmente não pode suportar a barbárie da sociedade atual. Não quer ser um herói, porque isso implica demasiado realce individual, mas sabe que a luta de classes pode colocá-lo no difícil lugar dos comportamentos heróicos. A única coisa que deseja não é o reconhecimento dos demais, mas passar na prova, não falhar com seus companheiros. Estar à altura dos que deram tudo de si, dos que esperam que combatamos. Parece tão modesto e tão difícil num país onde a geração dos 70 passou por um dos sistemas de terror e aniquilação mais impiedosos do século XX!

E, sobretudo, é algo tão desconhecido pelos individualistas, os que vivem suas vidas sem se importar com o que acontece ao seu lado, os que preferem subir na vida em detrimento do bem comum. Os que se esquivam dos que lutam, porque é preferível ser um escravo satisfeito, ingenuamente satisfeito com a própria condição de escravo.

Lenin dizia que este mundo é duríssimo e muito cruel e que muitas coisas devem ser destruídas pelo ferro e pelo fogo. Nessa categoria entram, sem dúvida, a burocracia assassina que ceifou a vida de Mariano Ferreyra, o governo que a sustenta e o sistema que defende ambos. Os militantes trotskistas do PTS, estamos orgulhosos de ter compartilhado a trincheira de luta com Mariano Ferreyra, militante do Partido Obrero. Seu nome ficou inscrito para sempre nas bandeiras de luta pela revolução socialista e pela libertação da classe trabalhadora.

Texto elabotrado por Juan Dal Maso, PTS

Galeria dos Mártires - Oliverio Castañeda de León

OLIVERIO CASTAÑEDA DE LEÓN
Mártir da Liberdade
GUATEMALA * 20/10/1978

Oliverio Castañeda de León, líder da Associação de Estudantes Universitários (AEU), da Universidade de San Carlos da Guatemala.

Foi brutalmente assassinado no centro da Cidade da Guatemala, na frente de pelo menos 15 mil testemunhas. 

Pelo menos 30 homens fortemente armados participaram do crime. Oliverio tem ao longo dos anos se tornou um símbolo da luta pela liberdade. 

Em sua homenagem a Associação de Estudantes Universitário agora leva seu nome.


Galeria dos Mártires - Pe. Raimundo Hermann

Pe. RAIMUNDO HERMANN
Máritr dos Camponeses
BOLÍVIA * 20/10/1975

Raimundo Hermann, sacerdote norte-americano de 45 anos, pároco de Marochata, em Cochabamba. Mártir da justiça entre os indígenas, com quem trabalhou desde 1962.

Foi encontrado morto em sua própria paróquia, enquanto trabalhava na construção de uma cooperativa de comercialização de batata, com que se desmantelaria uma rede de poderosos intermediários aliados às autoridades locais.

O bispo de Cochabamba emitiu uma declaração destacando a dedicação pastoral de Raimundo, condenando seu assassinato e exigindo a imediata investigação do fato.

O autor da morte do sacerdote foi preso, mas conseguiu escapar da cadeia e não foi mais encontrado. 

Raimundo era sumamente querido entre os camponeses indígenas e sua fotografia com frase: "Padre Rainmundo Hermann. Assassinado. Queremos que se faça justiça", se encontra na entrada de todas as igrejas de Cochabamba. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Fulgêncio Manoel da Silva

FULGÊNCIO MANOEL DA SILVA
Um líder inesquecível!
SANTA MARIA DA BOA VISTA - PE * 16/10/1997

Fulgêncio Manoel da Silva, 61 anos, era um homem do povo, da luta e de Deus. Dedicou 27 anos de sua vida ao movimento sindical na região de Itaparica, Submédio São Francisco e construiu um legado inestimável de amizades e de conquistas sociais junto com trabalhadores/as e suas organizações sindicais.

A principal delas foi o Reassentamento de Itaparica, através do “Acordo de 86”, como ficou conhecido, garantindo aos trabalhadores/as o direito à permanência na terra com casas, lotes irrigados, área coletiva para agricultura de sequeiro, indenizações, linhas de crédito, assistência técnica e o acompanhamento direto das entidades representativas no processo de relocação das famílias. Sonhava e acredita com um reassentamento livre, forte, produtivo, com viabilidade econômica e social e pregava a autogestão dos projetos. Combativo, não se cansou de dizer não às privatizações do governo, ao desrespeito com trabalhadores/as, à ganância dos latifundiários e à violência.

Sua luta em defesa dos direitos dos atingidos pela barragem de Itaparica e pela cidadania dos trabalhadores/as rurais foi lembrada com a premiação “Medalha Chico Mendes de Resistência 2000”, criada em 1989 e que é entregue todos os anos a 10 personalidades ou instituições latino-americanas que se destacam na luta pelos direitos humanos.

Durante toda a sua trajetória como líder sindical, sempre agiu com simplicidade, humildade e dignidade, buscando conquistar através do diálogo os direitos do povo. Quando este cessava (o diálogo), a pressão e ocupação eram as únicas saídas encontradas; mas, sem perder a ternura. Esse jeito de lidar com as pessoas e as questões sociais era próprio de Fulgêncio que cultivava cada vez mais admiração e respeito de quem o conhecia. Sentimentos, estes, explícitos no texto de Creusa Lopes (2007): “Conheci “seu Fulgêncio” em 1991 quando vim trabalhar no Sindical, desde o inicio senti por ele uma grande admiração e respeito. A agrovila 43 passou a ser “meu quartel general”, ficava semanas inteiras na casa de dona Zefinha (sua irmã) e seu José Lima; juntos trabalhávamos nas agrovilas incentivando os/as reassentados/as a lutarem por suas terras e seus direitos. E com ele fui aprendendo muitas coisas e vendo meu respeito e admiração aumentar”.

É a este companheiro de todas as horas, homem sonhador, líder exemplar que doou a sua vida em favor de muitos, participando diretamente dos Sindicatos de Floresta (1970-1988) e Santa Maria da Boa Vista (1988), Coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragem - MAB (1990-1993), integrante da direção do Polo Sindical (1998), dentre outras atuações importantes, que o Polo Sindical dos/as Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco – PE/BA, quer homenagear a cada 16/10, em que se faz memória do seu brutal assassinato; querendo, sobretudo, externar o sentimento de gratidão por tudo aquilo que Fulgêncio construiu junto com os trabalhadores/as da nossa região, deixando um legado material, social, educacional e cultural imensurável.

Esse legado eternizou-se em seus versos, prosas e poesias por meio do Cordel, dos quais se aproveitava também para denunciar e conscientizar os trabalhadores. Dentre suas principais obras estão: “A cesta do governo Collor”; “Idéias para acabar com a seca”; “O acampamento na Hidroelétrica de Itaparica” e “Autogestão”.

“A todos reassentados
Preste bem atenção
A tudo que eu vou falar
Nessa minha narração
No meus versos vou falar
Pra juntos nos preparar
Pra futura autogestão.

Pra quem não sabe o que é isso
Eu quero aqui explicar
Auto quer dizer dono
 Com direito de mandar
E nessa outra questão
Que se chama de gestão
Quer dizer administrar”.
 (Trecho do verso de Fulgêncio “Autogestão”)

Os versos do passado nos remetem a uma profunda reflexão no presente da capacidade, sensibilidade e sabedoria deste líder em fazer a leitura da vida e dos acontecimentos a partir da caminha e da luta dos trabalhadores/as, das suas aspirações por políticas públicas que contemplem os menos favorecidos e pelo envolvimento da sociedade como um todo nos momentos decisivos para o rumo do País. A autogestão dos projetos de reassentamentos defendida, propalada e alertada por Fulgêncio ontem é realidade hoje, e nos chama a atenção para o posicionamento vigilante e combativo na defesa dos trabalhadores/as, mesmo diante de um governo popular. Para isso, é preciso a manutenção do foco, o surgimento de novos líderes, do resgate das bandeiras de luta através da reorganização dos movimentos, pois, a caminhada ainda é longa, os percalços ainda existem e no jogo de interesses os trabalhadores só ganharão se estiverem unidos e organizados.

Fulgêncio sempre foi referenciado e homenageado em várias obras populares pelos poetas do povo como ele, de companheiros de luta, grupos, movimentos sociais e amigos, como no poema: Fulgêncio, toda hora, todo dia! de Tenório da Silva.

Fulgêncio só deixou exemplo
a ser seguido
sua vida foi um poema
de rimas e versos bonitos
só cantou a liberdade
deve está mais Castro Alves
fazendo versos pra Cristo

Vamos todos fazer
o que Fulgêncio queria
conscientes e unidos
viver a cidadania
mostrar que sua luta
não foi em vão
e que Ele vive em nosso coração
toda hora, todo dia!

“Sempre lembramos com pesar do companheiro que nos deixou, mas também devemos aproveitar para avaliarmos melhor as nossas ações e os nossos compromissos com reassentamento de Itaparica à luz dos ensinamentos, da dedicação e dos sonhos de Fulgêncio que também são nossos. A ele a nossa gratidão e a certeza de que a semente que ele plantou continua germinando em nossos corações, em nossas almas e em nossas lutas por justiça, igualdade, fraternidade, viabilidade econômica nos projetos, pois, o sonho não acabou!”, enfatizou Nunis, atual Coordenador do Polo Sindical-PE/BA.

Assim como a amiga Lopes, queremos pedir ao Inesquecível Líder Fulgêncio Manoel da Silva que de onde estiver estenda o seu inseparável chapéu para cobrir e marcar com o sinal da esperança, da justiça e da paz todos os reassentados de Itaparica que continuam a lutar, sem cessar, acreditando em melhores dias.

Por Josiel Araújo Santos - Comunicador Popular/Polo Sindical-PE/BA
Fontes: Creusa Lopes, Texto: A Gente se Acostuma, mas não devia. 10/10/2007. 
Arquivos: Boletim Informativo do Polo Sindical dos Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco-PE/BA.

sábado, 11 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. João Bosco Penido Burnier

PE. JOÃO BOSCO PENIDO BURNIER
Jesuíta Missionário, Mártir
RIBEIRÃO CASCALHEIRA – MT * 11-12/10/1976

Era a tarde do dia 11 de outubro de 1976. Duas mulheres sertanejas, Margarida e Santana, estavam sendo torturadas na cadeia-delegacia de Ribeirão Bonito, Mato Grosso, lugar e hora de latifúndio prepotente, de peonagem semi-escrava e de brutalidade policial.

A comunidade celebrava a novena da padroeira, Nossa Senhora Aparecida. E nesse dia haviam chegado ao povoado o Bispo Pedro e o Padre João Bosco Penido Burnier, mineiro de Juiz de Fora, jesuíta, missionário entre os índios Bakairi. Os dois foram interceder pelas mulheres torturadas. Quatro policiais os esperavam no terreiro da delegacia e apenas foi passível um diálogo de minutos. Um soldado desfechou no rosto do Padre João Bosco um soco, uma coronhada e o tiro fatal.

Em sua agonia, Padre João Bosco ofereceu a vida pelo CIMI e pelo Brasil, invocou ardentemente o nome de Jesus e recebeu a unção. Foi morrer, gloriosamente mártir, no dia seguinte, festa da Mãe Aparecida, em Goiânia, coroando assim uma vida santa. Suas últimas palavras foram as do próprio mestre: “Ofereço minha vida pelo CIMI..., pelo povo do Brasil... Acabamos nossa tarefa!”

Frases do Pe. João Bosco:

- “Temos que nos inculturar (no povo indígena) para poder transmitir o Evangelho e descobrir na vida dos índios os valores evangélicos; não nos desvencilhamos do nosso contexto cultural...”.

- “O essencial da vida cristã é que haja vida. Não é um “resultado”, também não é uma “semente” – é a vida daquele povo concreto informado pelo Espírito do Evangelho...”.

- “Levamos sobre nós um pecado histórico que só com o testemunho da vida poderemos superar”.

- “Não é a partir de um povo destruído que se vai a estabelecer uma missão”.

- “A encarnação já é evangelização”.

- “...Contra esses abusos da autoridade e da falsa justiça, temos que opor nossos protestos e a nossa ação pública; mesmo com o risco de ficar-nos expostos a represálias e à incompreensão das “autoridades”.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Marta Juana González de Baronetto

MARTA JUANA GONZALEZ DE BARONETTO e Companheiros
Mártires do Serviço
ARGENTINA * 11/10/1976

Marta Juana González de Baronetto, nasceu em 05 de maio de 1950 em Guasapampa, Departamento de Minas, província de Córdoba. 

Professora e Catequista, muito comprometida com o povo.

Ela tinha dois filhos e estava grávida de quatro meses. Ela foi sequestrada e presa em agosto de 1975, levada ao D2 onde ficou vários dias e, em seguida, mudou-se da prisão de San Martin. O filho Lucas Ariel nasceu na UP1 em julho de 1976.

No dia 11 outubro de 1976, aos 26 anos foi morta com os companheiros Oscar Jorge Garcia, Pablo Balustra, Florencio Esteban Diaz, Miguel Ceballos e Oscar Hubert.

A vida de Marta é toda marcada pelo compromisso cristão, que a leva a um compromisso político, numa época em que se vislumbra o triunfo de um movimento que defende a justiça social e participação popular. Ela era dinâmica, alegre e ativa. 

Atuou como professora na escola de seu bairro, "São José Operário". Ela também trabalhou em tarefas de alfabetização impulsionada pela paróquia onde ela era catequista. 

Tanto na escola como na paróquia participa de todas as atividades que significasse a conscientização e organização dos vizinhos, por melhores condições de vida. Via a educação como uma tarefa participativa e libertadora das crianças, seus pais, da paróquia e do bairro. Além disso, a paróquia está preocupada com a alfabetização de adultos desde o final dos anos 60. Marta também participou do sindicato dos professores, para que a escola fosse reconhecida oficialmente e seus professores recebessem seu justo salário.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Nestor Paz Zamora

NESTOR PAZ ZAMORA
Mártir das lutas de libertação de seu povo
BOLÍVIA * 08/10/1970

Filho de um general boliviano, Nestor fez estudos teológicos, vinculou-se desde cedo ás Fraternidades de Foucauld e era estudante de medicina quando se incorporou á guerrilha de Teoponte, onde morreu de fome. Toda sua vivência de cristão místico e militante está admiravelmente contida nas páginas do Diário que dedicou à sua esposa, Cecy. Um verdadeiro testamento de espiritualidade libertadora. Irradiava o sentido transcendente que ele encontrou em sua luta pela “terra nova”, onde o amor fosse à lei fundamental.

Em 12 de agosto escreveu: “Sou um fermento que vai trabalhando muito por igual. Esta é pelo menos a sensação que tenho. Uma grande paz e tranquilidade me invadem. Estou ‘vitalmente’ passando da ideia da ‘morte’ como diminuição para a ideia da ‘morte’ como plenitude e passo a uma nova dimensão. Não a procuro, mas se vier a esperarei com a serenidade e a tranquilidade que merece tal momento, e mesmo lhe pedirei que avise a eles que passei ao Pai, que o ‘Vem, Senhor Jesus’, tornou-se realidade em mim”.


De seu diário de guerrilha:

Sábado, 12 de setembro
Meu querido Senhor:
Estou escrevendo depois de muito tempo. Hoje de fato me sinto necessitado de ti e de tua presença, talvez seja a proximidade da morte ou o fracasso relativo da luta. Sabes que tenho procurado por todos os meios ser fiel a ti.

Consequente com meu ser em plenitude. Por isso aqui estou. Entendo o amor como uma urgência em solucionar o problema do outro onde tu estás. Deixei o que tive e vim. Hoje talvez seja a minha Quinta-feira e esta noite a minha Sexta-feira.

Em tuas mãos entrego-me inteiramente; o que me dói é talvez deixar o que mais quero neste mundo, a Cecy e minha família, e talvez não poder sentir concretamente o triunfo do povo, sua Libertação.

Somos um grupo cheio de plenitude humana, “cristão”, e isso, creio, é bastante para impulsionar a História. Isto me conforta. Amo-te e te entrego o que sou e o que somos, sem medida porque és meu Pai. Morte alguma será inútil se sua vida estiver plena de sentido e isso, penso, é valido aqui entre nós. Tchau, Senhor, talvez até o teu céu, essa terra nova por que tanto ansiamos.


Sexta-feira, 2 de outubro
Minha querida rainha:
Faz muitos dias que não escrevo porque me faltava ânimo. Ontem recordei muito tudo o que é NOSSO. Estamos passando momentos extremamente difíceis e duros. Meu corpo está desmoronado, mas meu espirito permanece intacto. Quero entrega-lo a ti em primeiro lugar e aos outros. Amar-te com a plenitude de minhas forças, com tudo que posso, pois tu encarnas minha vida, minha luta e minhas aspirações. Dia 9 dificilmente poderemos estar juntos, talvez dia 29 ou pelo Natal.

Mas tenho confiança que assim será. Somos um grupinho pequeno. Tenho a sorte de estar ao lado de companheiros que também são amigos ou parentes e isso me dá mais tranquilidade. É difícil a esta altura não desesperar e é a confiança no Senhor Jesus que me dá ânimo para seguir até o fim. Perdemos a batalha, ao menos esta, irremediavelmente. Devemos recobrar ânimo e ver com critério claro e realista o que faremos no futuro. Vamos ver o que será.

Oxalá não seja para além da morte nosso encontro, embora este seria superabundante de felicidades. Creio nesta verdade e também me consola porque é real. Espero estar em breve junto de ti. Conversar longamente, olhar-nos nos olhos, trazer ao mundo um Pazuelopis ou uma Pazuelopita, que nos alegre os dias e tocar para frente. Tenho medo que te aconteça alguma coisa, espero, porém, que estarás bem. Enfim, me despeço.

Como sempre o papel é um limite sério, não sirvo para escrever, apenas posso expressar-me. Penso nos velhos. Em meus irmãos e irmãs. Logo os abraçaremos. Quero, e isso é o principal, comer, comer, comer nos primeiros dias, pois já faz um mês que não comemos, a não ser comidinhas esporádicas do que encontramos. Eu te amo muito. Que isso fique bem claro. És o que mais amo e o que amo em plenitude... 
Nestor Paz Zamora