quinta-feira, 31 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Arlen Siu

ARLEN SIU
Mártir da revolução nicaraguense
NICARÁGUA * 01/08/1975

Estudante universitária nicaraguense de 18 anos e militante do Movimento Cristão, incorporou-se à Frente Santinista, sendo assassinada pela Guarda Nacional nas imediações de El Sauce, com dois companheiros universitários: Mário Estrada de 21 anos e Jorge Matos de 19 anos. 

Como cristã e revolucionária, Arlen participou ativamente das lutas de seu povo, que a conhecia com seu inseparável violão que tocava para acompanhar as canções que compunha.

alegre, sincera, fraterna e meiga, Arlen era muito querida de todos os que a conheceram, especialmente os mais pobres.

Sendo uma das primeiras mulheres que se incorporaram à Frente Sandinista, quando a repressão da ditadura ameaçava e perseguia os camponeses, Arlen foi um símbolo da mulher que luta pela libertação de seu povo.

María Rural
(Arlen Siu)

Por los senderos del campo
Llevas cargando tu pena
Tú pena de amor y de llanto 
En tu vientre de arcilla y tierra

Tu tinajita redonda 
Que llenas año con año
De la semilla que siembra
El campesino en su pobreza

Hoy quiero cantarte maría rural
Oh  madre del campo
Madre sin igual 
Hoy quiero cantar
Tus vástagos pobres
Tu  despojos triste
Dolor maternal

Desnutrición y pobreza
Es lo que a vos te rodea
Choza de paja en silencio
Solo el rumor de la selva

Tus manos son de cedro
Tus ojos crepúsculos tristes
Tus lágrimas son barro
Que derramas en las sierras

Por esa razón en esta ocasión
Hoy  quiero cantar
A tu corazón
Hoy quiero decirte lo que siento
Por tanta pobreza y desolación 
 
Por la praderas y ríos
Va la madre campesina
Sintiendo frío el invierno
Y terrible su destino

Por los senderos del campo
Llevas cargando tu pena
Tú pena de amor y de llanto 
En tu vientre de arcilla y tierra

Hoy quiero cantarte maría rural
¡Oh!  madre del campo
Madre sin igual 
Hoy quiero cantar
Tus vástagos pobres
Tu despojos triste
Dolor maternal

Martirológio Latino-americano - mês de agosto

Agosto

01/08/1975 – Arlen Siu, estudante, 18 anos, mártir da revolução nicaraguense.
01/08/1979 – Massacre de Chota, Peru.
02/08/1981 – Carlos Pérez Alonso, padre, apóstolo dos enfermos e dos presos, defensor da justiça, desaparecido na Guatemala.
03/08/1980 – Massacre de mineiros bolivianos em Caracoles, Bolívia, após golpe de Estado: 500 mortos.
03/08/1999 – Ti Jan, padre comprometido com a causa dos pobres, assassinado em Porto Príncipe, Haiti.
04/08/1849 – Anita Garibaldi, heroína brasileira, lutadora pela liberdade no Brasil, Uruguai e Itália.
04/08/1976 – Enrique Angelelli, bispo de La Rioja, mártir. Comprometido com a causa dos pobres, implacavelmente perseguido pela oliguarquia da província, assassinado em um “acidente”.
04/08/1979 – Alirio Napoleón Macías, padre mártir em El Salvador, metralhado no altar de sua paróquia.
07/08/1985 – Christopher Williams, pastor evangélico, mártir da fé e da solidariedade em El Salvador.
09/08/1989 – Daniel Espitia Madera, camponês militante do povo colombiano, assassinado.
09/08/1991 – Miguel Tomaszek e Zbigniew Strzalkowski, franciscanos, missionários no Peru, assassinados, devotos da paz e da justiça.
09/08/1995 – Num conflito com os trabalhadores sem-terra, na fazenda Santa Helena, a policia militar mata 10 trabalhadores e prende 192 pessoas, com crueldade, em Corumbiara, RO, Brasil.
09/08/2000 – Morre Orlando Yorio, desaparecido, testemunha, profeta da vida, referencia na Igreja comprometida, Argentina.
10/08/1974 – Tito de Alencar, dominicano, levado ao suicídio pela tortura, Brasil.
10/08/1977 – Jesús Alberto Páez Vargas, líder do movimento comunitário, pai de quatro filhos, sequestrado e desaparecido, Peru.
12/08/1983 – Margarida Maria Alves, presidenta do Sindicato Rural de Alagoa Grande, Paraíba, Brasil, assassinada, mártir da luta pela terra.
12/08/200 – Morre Pe. Alfredinho, missionário francês, da congregação “filhos da caridade”, fundador da ‘Irmandade do Servo Sofredor’, morou por 20 anos no sertão do Ceará, depois mudou-se para uma favela de Santo André, onde viveu, a partilha, o compromisso com os pobres que era ‘os seus mestre’ até os últimos dias de sua vida.
13/08/1521 – No dia 1-Serpente do ano 3-Casa, depois de 80 dias de cerco, cai México-Tenochtitlán, uauhtémoc é feito prisioneiro e morrem cerca de 240.000 guerrilheiros.
14/08/1984 – Mártires camponeses de Pucayacu, Peru.
14/08/1985 – Mártires camponeses de Accomarca, estado de Ayacucho, Peru.
15/08/1980 – José Francisco dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Correntes (PE), Brasil. Assassinado.
15/08/1984 – Luis Rosales, líder sindical, e companheiros, mártires da luta pela justiça entre os trabalhadores de bananais da Costa Rica.
15/08/1999 – Isidoro Bakanja, jovem catequista congolano (zairense) açoitado a mando de seu patrão belga, hostil às práticas religiosas, morreu mártir perdoando seus algoz e mandante. África.
16/08/1976 – Coco Erbetta, catequista, universitário, mártir das lutas do povo argentino.
16/08/1993 – Mártires indígenas ianomâmis, de Roraima, Brasil.
18/08/1527 – O cacique Lempira é morto durante uma Conferência de Paz, em Honduras.
18/08/1952 – Alberto Hurtado, padre chileno, apóstolo dos pobres, beatificado em 1994.
18/08/1993 – Mártires indígenas achanincas, de Tziriari, Peru.
20/08/1982 – América Fernanda Perdomo, membro da Comissão de Direitos Humanos de El Salvador, sequestrada com outras cinco pessoas, entre elas uma menor de idade.
21/08/1971 – Mauricio Lefèvre, missionário oblato canadense, assassinado durante golpe de Estado na Bolívia.
22/08/1988 – Jürg Weis, teólogo evangélico, coordenador da secretaria nacional suíça dos Comitês de Solidariedade com a América Central, mártir da solidariedade com El Salvador.
24/08/1617 – Rosa de Lima, primeira santa e padroeira da América, canonizada por Clemente X em 1671.
25/08/1991 – Alessandro Dordi Negroni, missionário, mártir da fé e da promoção humana, Peru.
26/08/1977 – Felipe de Jesús Chacón, camponês, catequista, assassinado pelas forças de segurança em El Salvador.
27/08/1987 – Héctor Abad Gómez, médico, mártir da defesa dos direitos humanos em Medellín, Colômbia.
27/08/1999 – Morre Dom Hélder Câmara, irmão dos pobres, profeta da paz e da esperança, Brasil.
28/08/1994 – Jean-Marie Vincent, monfortiano, opositor da ditadura de Duvalier, comprometido com os direitos humanos, depois de escapar de vários atentados dos Tonton-macoutes, assassinado em Porto Príncipe.
30/08/1993 – Um esquadrão da morte e policiais executam 21 pessoas na favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro, Brasil.

31/08/1988 – Morre Leónidas Proaña, “Bispo dos Índios”, em Riobamba, Equador.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Frank País

FRANK PAÍS
Líder da Insurreição Cubana
CUBA * 30/07/1958

Evangélico batista, inteligente e disciplinado, artista e organizador, presidente da Associação de Alunos, professor gratuito na Escola para Operários, participou ativamente, com escritos e em manifestações públicas, na luta clandestina contra a ditadura.

Foi um dos fundadores da “Ação Nacional Revolucionária” que se chamou mais tarde “Movimento Revolucionário 26 de Julho”.

Cem mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre desse rapaz de 22 anos, que sonhava com a “construção da Pátria Nova”.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Stanley Francis Rother

Pe. STANLEY FRANCIS ROTHER
Mártir defensor dos pobres
GUATEMALA * 28/07/1981

Stanley Rother, missionário americano na Guatemala, sacerdote de 46 anos. Nasceu em Oklahoma, USA, trabalhou por 13 anos com os indígenas Cakchiquel na Guatemala. Durante todo esse tempo ele só queria cuidar do seu rebanho, na paz e harmonia. Outros sacerdotes americanos da área o consideravam o mais conservador de seu grupo. Era pacífico, dedicava seu tempo a ajudar o povo, a melhorar a agricultura e a saúde das pessoas.

Vários paroquianos seus, inocentes camponeses, foram assassinados pelo Exército. Pe. Stanley escreve uma carta denunciando essas atrocidades. Seu escrito circulou nos Estados Unidos (publicado em vários jornais e revistas), provavelmente foi esse o motivo que o levaria a ser assassinado.

Sua atitude tranquila, pacifica se transformava quando o povo estava sofrendo injustiça. Em certa ocasião, o Exército convocou uma reunião com o povo, no parque central. O tenente do Exército e comandante do destacamento de 300 soldados em Atitlan, convidou o Pe. Stanley para ocupar as cadeiras da Presidência da Assembléia Popular, ao que ele se recusou e ficou entre o povo.

O comandante, tomando o microfone, repetiu insistentemente que a presença do Exército naquele lugar obedecia a uma missão de paz e tranquilidade; que não era necessário que a população buscasse as igrejas para dormir, nem que durante o dia se trancassem em suas casas, pois o Exército não reprimia, o Exército defendia o povo... Então o Pe. Stanley pediu a palavra e do microfone falou: "Paz e tranquilidade nos anuncia o senhor tenente para Atitlan. Muito bem! Quero manifestar ao senhor tenente e a toda a opinião pública da Guatemala que o viver em paz e buscar a harmonia social são virtudes próprias de Santiago Atitlan, assim como são as roupas típicas que identificam a população deste lugar. Já há treze anos vivo neste paraíso de paz e fraternidade. Posso testemunhar que jamais um problema importante perturbou este remanso de paz... até que o Exército se fez presente. Esta paz e tranquilidade que nos oferece, talvez nela houvêssemos acreditado, faz um mês, este povo perdeu 28 de seus filhos humildes e trabalhadores; as famílias procuram igrejas para dormir, não querem sair de suas casas por temor à repressão; começou a circular uma lista de morte... diante de tais fatos, é difícil crer na paz que nos oferecem..."

Ameaçado de morte, Pe. Stanley deixou por três meses sua paróquia e voltou aos Estados Unidos. Algum tempo depois tomou a decisão importante de voltar. Seu desejo de estar em Santiago Atitlán era mais forte que as mesmas ameaças. Ao lado dele, as pessoas também se fortaleceu em meio a muito sofrimento com gesto heróico, estava ao lado de quem ele amava, como um apóstolo de Jesus Cristo. Aos seus familiares que não podia compreender sua radical decisão, ele disse: "Se tenho que morrer, quero morrer lá. Quero estar lá com meu povo". 

A um amigo, disse uma frase que teve sentido de profecia: "Vou celebrar a semana Santa em Atitlan...".

No dia 28 de Julho de 1981, Pe. Stanley foi assassinado. A única testemunha conta: "Eu dormia no quarto do segundo andar, onde antes vivia o Pe. Stanley. Cerca de uma hora da madrugada chegaram três homens altos e fortes que perguntaram pelo Pe. Stanley. Ameaçaram-me e tive que indicar-lhes o quarto onde dormia. Ele já havia ouvido a conversa, porque quando os homens chegaram a sua porta, ele já estava vestido. Quiseram levá-lo, mas ele não se entregou. Logo atiraram nele... Avisei as religiosas, que viviam na casa mais próxima".

Regou com seu sangue a terra abençoada de tzutuhiles maya, simples camponeses e pobres.

A versão publicada nos meios de comunicação de opinião pública de Santiago Atitlan, era que quiseram roubar a igreja e o sacerdote tinha sido morto pelos ladrões...

Pe. Stanley disse que jamais se deixaria sequestrar, em sua longa carta de denuncia havia descrito como se fazia a tortura na Guatemala...

E ainda dizia: "Minha vida é para o meu povo. Eu não tenho medo." 
"O povo precisa de mim e eu quero estar aqui. E as pessoas me amam." 

Ninguém que assistiu à missa fúnebre vai esquecer a despedida que o povo de Santiago Atitlán deram o seu pastor como um sinal de amor, reverência e gratidão. Homens vestidos com suas melhores roupas, o levaram em procissão. Na capela-mor da igreja paroquial em dois vasos de barro e uma caixa de metal foram enterrados o seu sangue e coração. 

Com razão Pe. David Monahan na apresentação de suas cartas ele escreve: "As cartas do Padre Stanley Rother nos dá a conhecer um humilde seguidor de Jesus Cristo, que alcançou grandeza espiritual em meio a terrível opressão. Como o pastor de Santiago Atitlán tornou-se, no sentido mais amplo, o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas". 

Em 21 de Julho de 2010, a Arquidiocese de Oklahoma City, realizou uma cerimônia de encerramento da fase diocesana da canonização de Padre Stanley Rother.

Em uma solene celebração eucarística, o arcebispo, Dom Eusébio J. Beltran, ordenou o fechamento de todos os documentos que testemunha os acontecimentos de 28 de julho de 1981 na cidade de Santiago Atitlán, Guatemala, para embarque imediato da Congregação para as Causas dos Santos no Vaticano.

"Pe. Rother foi um bom e feliz padre. Ele era muito leal ao Evangelho e seu serviço aos pobres", disse Arcebispo, e anunciou que tem a esperança de que amanhã este servo de Deus pode ser declarado santo e mártir.





segunda-feira, 21 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Jorge Oscar Adur


 Pe. JORGE OSCAR ADUR
Cristão pela Libertação
ARGENTINA * 22/07/1980

Sacerdote assuncionista argentino, de 48 anos. Exilado em Paris, viajou para a Argentina, onde foi sequestrado quando se dirigia ao Brasil, por motivo da viagem do Papa. 

Em sua juventude, Jorge foi presidente da JEC (Juventude Estudantil Católica), em sua terra natal. Aos vinte anos ingressou na Congregação dos Padres Assuncionistas, onde foi ordenado sacerdote.

Como tal, desenvolveu um intenso trabalho pastoral tanto na "villa miseria" de Belgramo como em vários colégios de Buenos Aires. Posteriormente foi nomeado superior do Escolsticado Assuncionista Latino-Americano em Santiago do Chile, regional de sua Congregação na Argentina, assessor nacional de Ação Missionária Argentina, fundador da Equipe de Pastoral Vocacional da Conferência dos Religiosos da Argentina, assessor de vários grupos de Ação Católica.

Com o golpe militar de 1976, sua casa foi invadida e, como não o encontraram, foram sequestrados os religiosos Raúl Rodríguez e Carlos Antonio Di Pietro.

Em consequência desses fatos os superiores de Jorge o transferiram para a Europa, onde ele denunciou a violação dos direitos humanos em sua pátria e decidiu continuar a luta vinculado aos Montoneros.

Em sua mensagem de Natal de 1978, assim se expressou: "Como homens e mulheres da Igreja estamos diante de uma situação de exceção, ninguém pode ficar indiferente, não hesitamos então um segundo, em aderir a uma luta que já nos parece longa, mas que devemos concluir com a vitória".

O padre Adur pertence hoje à extensa lista de desaparecidos da Argentina, juntamente com seus companheiros religiosos Raúl e Carlos, por sua clara opção pelos marginalizados.


Galeria dos Mártires - Wilson de Souza Pinheiro


WILSON DE SOUZA PINHEIRO
Sindicalista, Líder dos Seringueiros
BRASILÉIA – AC * 21/07/1980

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Wilson assume decididamente a defesa de seus companheiros, os seringueiros pobres, até ser assassinado, por este motivo, na própria sede do Sindicato dos Trabalhadores de Brasileia. 

O clima era sumamente tenso naquelas regiões acreanas, quando inclusive os fazendeiros seringalistas chegavam a convidar “a matar padres e freiras” e anunciavam que haveria “muitas viúvas no Acre”. O bispo Dom Moacyr Grechi, organismos sindicais e eclesiais, lideranças políticas e a Anistia Internacional defenderam historicamente a causa dos seringueiros, que mais tarde seria adubada pelo sangue de Chico Mendes.



quinta-feira, 17 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Carlos de Dios Murias e Pe. Gabriel Longueville

PE. CARLOS DE DIOS MURIAS e GABRIEL LONGUEVILLE
Mártires da Justiça e La Rioja
ARGENTINA * 18/07/1976


Carlos de Dios Murias nasceu a 10 de Outubro de 1945 em Córdoba (Argentina), no seio de uma família apegada aos valores religiosos e morais. É por essa altura que sobe ao poder Juan Peron, apoiado pela popularidade da sua esposa, a célebre Evita Peron.

Em 1955, Peron é afastado do poder por uma Junta Militar e Carlos, ao longo de quase toda a sua existência acaba por não conhecer outra coisa senão a instabilidade e a crise na qual a ditadura militar mergulha o país até 1973.

A sua irmã Maria Cristina descreve-o como um adolescente idealista, piedoso e sensível à condição dos oprimidos. Opta pela vida religiosa. É admitido entre os franciscanos conventuais. Deixou-se cativar pelo carisma de São Francisco de Assis, pela pobreza e pelo empenhamento apostólico dos frades.

Foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro de 1972. Após a sua ordenação sacerdotal, se encarrega da paróquia de El Salavdor de La Rioja e colabora com o Enrique Angelelli, bispo que Carlos admira muito particularmente.

Angelelli revela-se entusiasta no apostolado e comprometido na evangelização e defesa dos direitos dos oprimidos. Posteriormente, Carlos torna-se colaborador da paróquia de Chamical juntamente com Gabriel Longueville, padre francês, delegado do episcopado de França para a América Latina.

Carlos é apreciado pela sua abnegação, o seu bom humor e a sua coragem. Próximo dos humildes, não hesita nunca em ajudá-los, até materialmente. Todos os que o conheceram diziam que ele era um homem de Deus, profundamente espiritual e cuja vida está em concordância com o Evangelho de Jesus.

Gabriel José Rogelio Longeville, nasceu na França, em 18 de março de 1931. Em uma família de camponeses simples, com um coração verdadeiramente cristão.

Ingressou no Seminário Saint Charles. Logo depois foi para o Seminário de Viviers, onde estudou Filosofia e Teologia, terminado os estudos  Viviers, onde estudou Filosofia e Teologia, terminando os estudos foi ordenado sacerdote em 23 de julho de 1957.

Em 1969, ele viajou para o México, onde aperfeiçoou seu castelhano e exerceu o seu ministério sacerdotal unto a uma comunidade indígena.

Chega na Argentina no final de 1970, enviado pela Comissão Episcopal francesa para a América Latina (CEPAL). Ele se estabeleceu em Chamical juntamente com Pe. Carlos em 23 de fevereiro de 1972.

Homem de paz, sensível, muito falante, de alma profunda que exerceu um grande trabalho em favor dos mais pobres. Profundamente piedoso e devoto, viveu o evangelho e a pobreza real, com a facilidade de um nascido para isto.

Um artista nato, fazia escultoras e pintura, era autodidata.

Foram suficiente cinco anos para aprender a amar esta terra argentina e entrega sua vida, numa dedicação total aos princípios do Evangelho e ao serviço ao povo.

O compromisso e o martírio

Os dois homens entendem-se perfeitamente e entregam-se comprometidamente em favor da população empobrecida da sua comunidade, explorada em condições humilhantes pelos ricos proprietários.

Longe de qualquer atividade política, exercem o seu ministério em plena comunhão com o seu bispo, cuja linha de conduta eles seguem: fidelidade às orientações do Concílio Vaticano II e diretrizes da Conferência de Medelin para a América Latina.

Porém, na noite de 17 de Julho de 1976, os dois sacerdotes foram sequestrados logo após terminar o jantar na casa das Irmãs de São José. Eles foram levados por dois homens à paisana que afirmam ser da Polícia Federal. Três dias depois, são encontrados por um grupo de 20 trabalhadores ferroviários à beira da estrada de ferro, perto de Chamical. Tinham sido brutalmente torturados e os cadáveres estavam crivados de balas. Pe. Carlos tinha 30 anos e Pe. Gabriel tinha 43 anos.

A Igreja Católica Argentina começou o processo de canonização de dois padres, mortos durante a última ditadura (1976-1983). O bispo Roberto Rodriguez fez o anúncio durante uma homenagem aos padres Carlos Murias Deus e Gabriel Longueville, no cemitério de El Chamical, a 150 km da capital de La Rioja, onde estão enterrados os dois sacerdotes.





quarta-feira, 16 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Bartolomeu de las Casas

BARTOLOMEU DE LAS CASAS
Profeta, Defensor da causa dos Índios e Negros
MADRI * 17/07/1566

Bartolomeu de Las Casas nasceu em Sevilha, na Espanha, no ano de 1474. Seu pai era um mercador da esquadra de Colombo, na segunda viagem ao novo continente. Estudou na Universidade de Salamanca, onde se graduou em direito. 

Depois viajou para Roma, onde terminou os estudos e ordenou-se sacerdote em 1507. A rainha Isabel, chamada "a católica", da Espanha, considerava a evangelização dos índios a justificativa mais importante para a expansão colonial. Insistia para que os sacerdotes e frades estivessem entre os primeiros a fixarem-se na América. Em 1510, Bartolomeu de Las Casas retornou à ilha Espanhola, agora como missionário, para combater o tratamento cruel e desumano dado as índios pelos colonizadores.

Para defender os índios no novo continente, Bartolomeu viajou várias vezes à Espanha, apelando aos oficiais do governo e a todos que o quisessem ouvir. Desde que ingressou na vida religiosa dominicana, ele se dedicou à causa indígena em defesa da vida, da liberdade e da dignidade. Lutou, também, para que tivessem direitos políticos, de povos livres e capazes de realizar uma nova sociedade, mas próxima do Evangelho.

A prioridade, para Bartolomeu, era a evangelização. Com tal propósito, viajou pela América Central fazendo um trabalho pioneiro, registrando tudo em seus diários. Foi perseguido pelos colonizadores espanhóis de São Domingos, Peru, Nicarágua, Guatemala e do México. Neste último país, foi nomeado bispo aos setenta anos de idade, em 1544. Mas ficou apenas três anos em Chiapas, sempre perseguido pelos espanhóis.

Em 1547, partiu da América para não mais voltar. Regressou à Espanha, continuando lá a defesa dos índios, quando corrigiu e publicou seus escritos, todos se contrapondo à política colonial. Porém suas idéias foram contestadas na América e também na Espanha. Tanto que, em 1552, suas obras foram censuradas e proibidas para leitura.

Morreu aos noventa e dois anos de idade no Convento Dominicano de Atocha, no dia 17 de julho de 1566, em Madri, Espanha. Muito querido do povo mexicano, seu nome, hoje, é lembrado como um dos maiores humanistas e missionários da história do cristianismo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - José Gumilla

JOSÉ GUMILLA
Defensor da cultura Indígena
VENEZUELA * 16/07/1750

José Gumilla SJ, nasceu em Cárcer (Valencia) em 3 de maio de 1686, entrou na Companhia de Jesus e em 1702 entrou para o noviciado. Ele fez seus estudos de filosofia e teologia na Universidade Javeriana, em Bogotá. Após ser ordenado, esteve por um ano em Tunja, depois segue como missionário para Llanos del Orinoco em 1716.

Foi um grande defensor dos índios contra os comerciantes de escravos, que aprisionavam e levavam de 600 à 700 índios cada ano, caindo sobre eles de surpresa, numa verdadeira caçada humana.

Assíduo navegante do rio, conhecia as tribos radicadas em suas margens e dialogava com seus membros. Desenvolveu várias atividades, carpinteiro, pedreiro, pintor, ilustrador, médico e mesmo cirurgião. Conhecia geografia, os costume e mais especialmente a língua dos índia.

Podemos dizer que era um grande cultivador da cultura e dos costumes indígenas. 

Gumila foi autor de várias obras sobre a vida e os costumes na zona do Orinoco, entre elas El Orinoco ilustrado, publicada em 1741.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo

PE. RODOLFO LUNKENBEIN
Mártir, com SIMÃO BORORO, da Terra Indígena
MERURI – MT * 15/07/1976

Missionário salesiano entre os índios Bororo, na aldeia de Meruri, Pe. Rodolfo pôs nessa missão toda sua “jovialidade e amizade, sua serenidade e exatidão na prática religiosa e nos estudos; seu espírito de trabalho e sacrifício”. Sabia muito bem do risco que corria: “Também hoje o missionário, afirmou, deve estar disposto a sacrificar sua vida”. “Não há nada mais bonito do que morrer pela causa de Deus. Este seria meu sonho”. Mártir glorioso da nova pastoral indigenista do CIMI, ele deu a vida pelas terras bororo e o índio bororo Simão,  no mesmo martírio, deu a vida pelo missionário Rodolfo. 

Prece da Esperança no Compromisso
Deus, nosso Pai, celebramos, com a morte gloriosa do Cristo, a morte gloriosa de Rodolfo e de Simão, o sangue de Teresa, de Lourenço de Zezinho e de Gabriel; a angústia e a solidariedade de Ochoa, dos bororós, dos missionários ... perfeitos no amor, segundo a Palavra de Cristo: o índio deu a vida pelo missionário; o missionário deu a vida pelo índio. Para todos nós, índios e missionários, este sangue de Meruri é um compromisso e uma esperança. O índio terá terra! O índio será livre! A Igreja será índia! (Pedro Casaldáliga, apud José Marins et alii, op. cit., p. 151.)


https://www.youtube.com/watch?v=VqpL3TwLjj0



sábado, 12 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Fernando Hoyos e "Chepito"

Pe. FERNANDO HOYOS e "CHEPITO IXIL"
Mártires entre os Povo Indígena
GUATEMALA * 13/07/1982

Sacerdote jesuíta espanhol, Fernando foi missionário na Guatemala. Membro da Direção Nacional do Exército Guerrilheiro dos Pobres. Morreu combatendo na cordilheira dos Cuchumatanes, às margens do rio San Juan.

Simples, fraterno, sincero, pobre como os pobres da Guatemala, Fernando era um sacerdote sempre disposto a ensinar, a iluminar com a reflexão teológica oportuna, a ouvir, a servir aos indígenas do altiplano, aos camponeses da costa sul, aos professores, catequistas, universitários na tarefa comum de ir gerando uma Guatemala nova. 

Para isso trabalhou incansavelmente, deu cursos, caminhou horas a fio pela montanha, fiel lema que o levara ao sacerdócio: "Lançar a sorte com os pobres desta terra". Até que um dia compreendeu que a voz dos pobres clamando justiça era abafada com a mentira, cadeia, tortura e massacre. 

E com eles decidiu seguir o único caminho possível: a luta armada. "O exemplo de Fernando não desaparecerá jamais daqueles que como nós compartilhamos nos últimos anos da mesma luta. Suas idéias, ensinamentos, capacidade de trabalho, seus sentimentos profundamente humanos, sua entrega à libertação de nosso querido povo, todos os ensinamentos que forjou em seu lar, na Companhia de Jesus e no exército guerrilheiro dos pobres, não se apagarão do povo da Guatemala", escreveu um companheiro guerrilheiro aos pais de Fernando, ao lhes anunciar sua morte.

Junto de Fernando caiu igualmente ferido de morte o guerrilheiro menino "Chepito Ixil" de treze anos. "Sabemos que vamos cair em combate, que vamos morrer, mas sabemos por que estamos lutando", dizia "Chepito".

Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Faustino Villanueva

Pe. FAUSTINO VILLANUEVA
Mártir do Povo Indígena de El Quiché
GUATEMALA * 10/07/1980

Pe. Faustino Villanueva, missionário espanhol do Sagrado Coração, de 50 anos. Durante vinte anos trabalhou no serviço pastoral na Guatemala, especificamente entre os indígenas de El Quiché; sendo pároco de Joyabaj. Foi assassinado no dia 10 de Julho de 1980 por dois homens armados que o procuraram após a missa.

Foi crivado de balas no seu próprio escritório paroquial. Não foi permitido aos fiéis recolher o cadáver que foi entregue em Chichicastenango. Faustino morreu por sua entrega aos indígenas, que são de fato os marginalizados da sociedade guatemalteca.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Alfredo Kelly, Pedro Duffau, Alfredo Leaden, padres; Salvador Barbeito e José Barletti, seminaristas

ALFREDO KELLY, PEDRO DUFFAU, ALFREDO LEADEN, SALVADOR BARBEITO e JOSÉ BARTELLI
Mártir da Justiça
ARGENTINA * 04/07/1976

Integrantes da comunidade religiosa dos palotinos, da paróquia de São Patrício, de Buenos Aires. Alfredo Kelly, Pedro Duffau e Alfredo Leaden, padres; Salvador Barbeito e José Bartelli, seminaristas. Ambos entusiastas animadores de comunidades juvenis.

Todos foram assassinados na casa paroquial na madrugadas, com descargas de metralhadoras, depois de serem barbaramente torturados.

Na manhã seguinte um paroquiano, não vendo os padres, subiu até a casa paroquial. Como bateu na porta e ninguém respondeu, entrou por uma janela e encontrou os religiosos fuzilados.

O Padre Alfredo Kelly, em sua homilia do domingo anterior, condenara a pena de morte como violação dos direitos humanos.

Salvador recebeu ameaças pelo enfoque que dava à catequese do colégio. É desconhecida qualquer atuação politica de qualquer membro da comunidade.

Segundo testemunhas que declararam diante das autoridades eclesiásticas, os integrantes do comando assassino pertenciam aos serviço de inteligência. Na casa estava escrito com sprey: "Pelos companheiros mortos da Segurança Federal", e ainda: "Por corromperem as mentes virginais dos jovens".

Os assassinos entraram sem forçar portas ou janelas. Reuniram a todos na sala da comunidade. Não houve resistência. Alguns dos mortos tinham os rostos desfigurados. Um deles era irmão do bispo Leaden.

A conferência Episcopal perguntou em nota de 7 de julho de 1976: "...que forças tão poderosas são as que com toda impunidade e com completo anonimato podem agir a seu arbítrio, em meio a nossa sociedade?".


Pe. Alfredo Kelly
Pe. Pedro Duffau


Pe. Alfredo Leaden
Salvador Barbeito
                                                                                                                                                                                                           
José Barletti



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           






terça-feira, 1 de julho de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Túlio Maruzzo

TÚLIO MARUZZO
Mártir do Povo Guatelmateco
GUATEMALA * 01/07/1981

Túlio Maruzzo, sacerdote franciscano, missionário italiano de Vicenza, com poucos anos de ordenado foi em missão para a Guatemala e trabalhou mais de 20 anos a serviço do povo pobre da diocese de Izabal, onde era pároco de Quirigua e Los Amates.

Sem radicalismo, sem alarde, mas de forma pacifica, humilde e serviçal, soube realizar na sua vida e sobretudo na sua morte a figura do bom Pastor. 

Amigo de todos, percorria a pé ou a cavalo, a região sul de Izabal, para cumprir sua missão de coordenador das comunidades eclesiais de base.

Procurou encarnar-se da realidade da Guatemala e manter-se atualizado no processo teológico pastoral da América Latina. 

No dia 1º de julho de 1981, foi assassinado juntamente com o catequista Luiz Navarro que sempre o acompanhava.

Os bispo da Guatemala disseram dias antes do assassinato do Pe. Túlio: "Como ao próprio Cristo, também à Igreja o cumprimento de sua missão acarreta conflitos, críticas injustificadas, calúnias e perseguição. Já são numerosos os sacerdotes, religiosos e catequista que pagaram com sua vida a fidelidade a Cristo e ao povo".