sexta-feira, 21 de março de 2014

Galeria dos Mártires - Rodolfo Aguilar


RODOLFO AGUILAR
Mártir da Libertação
MÉXICO *  21/03/1977

Rodolfo nasceu na Cidade do México, no domingo 28 de novembro de 1948. Entrou no Seminário de Chihuahua em 28 de setembro de 1961. Ciente do chamado de Deus para o sacerdócio expressa: "Eu quero fazer da minha vida uma resposta profético e sacerdotal ao chamado de Deus meu Pai e aos homens e mulheres, meus irmãos... Eu sei que o Senhor me ama". 

Foi ordenado sacerdote em 16 de setembro 1974 na Catedral de Chihuahua. Logo após ser ordenado foi enviado em missão para o trabalho pastoral em uma aldeia de camponeses e trabalhadores. 

A fim de conhecer o povo da comunidade, imediatamente começou a fazer entrevistas, andar pelas ruas, ter um maior contato com os moradores, escutando a todos e conhecendo a realidade em que viviam para assim ter mais elementos que lhe permitiu ter uma base para o Plano de Pastoral . Com este contato direto com os habitantes, pode descobrir que mesmo diante da pobreza, eles tinham muitas coisas belas a oferecer, e assim começou a formar grupos de jovens, crianças e adultos. 

Seu maior compromisso era com os pobres, os sem casa, os analfabetos, os doentes. Ao consolidar a formação de grupos de acordo com o interesse de cada um, e organizado a comunidade, teve como atividade especial a solidariedade com os trabalhadores, especialmente os eletricistas e os colonos, e a partir desta organização nasceu o movimento Nombre de Dios. 

Por sua opção preferencial pelos pobres, causou imediatamente a ira e a repressão dos poderosos que queimaram a sua casa paroquial, e em várias ocasiões ameaçarão Pe. Rodolfo de morte. Diante destes acontecidos, Rodolfo foi repreendido pelo seu bispo, que lhe pediu para deixar o sacerdócio. 
Este fato fez com que os operários e camponeses se manifestassem a favor do padre Rodolfo na diocese. Por conta desta situação, foi realizada uma reunião em uma das capelas da paróquia onde o bispo e as pessoas puderam discutir os problemas de injustiça social vividos pelo povo.

Em 08 de março de 1977 o Bispo de Rodolfo pediu para ele abandonasse o sacerdócio e que fosse embora daquela comunidade. 

No dia 21 de março, Rodolfo foi encontrado morto em uma casa a poucos metros do local onde foi morto em Padre Miguel Hidalgo, considerado Pai da Pátria, lutador pela independência do México. A exemplo de Miguel Hidalgo, Rodolfo escolheu ser ordenado sacerdote no dia 16 de setembro, para viver seu compromisso sacerdotal ao lado das pessoas mais pobres, como ele diz em sua carta: "Eu tenho um compromisso com meus irmãos oprimidos e quero dar a minha vida pela libertação dele e minha". Foi desta maneira que selou com o próprio sangue, seu compromisso de vida com seus irmãos para a libertação do povo .

segunda-feira, 17 de março de 2014

Galeria dos Mártires - Alexandre Vannucchi Leme

ALEXANDRE VANNUCCHI LEME
Movimento Estudantil
SÃO PAULO – SP * 17/03/1973

Estudante, de apenas 22 anos de idade, militante cristão, com crescente consciência revolucionária, era um dos melhores alunos da Escola de Geologia da Universidade de São Paulo. Um daqueles jovens, que tão generosamente souberam responder à hora – Kairós da Nossa América. 
Participava do movimento estudantil e militava no grupo clandestino Ação Libertadora Nacional (ALN). Na manhã de 16 de março por volta das 11h, é preso por agentes do II Exército, pertencentes ao Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).

Levado ao DOI-CODI, Alexandre é torturado diversas vezes por varias equipes de torturadores até não resistir e morrer. Somente dia 23 de março os órgão de segurança divulgam sua morte. Preocupados com a repercussão do assassinato sob tortura, a polícia política declara inicialmente aos jornais que se tratou de um suicídio, alegando que ele teria se matado com uma lâmina de barbear. Frente à pressão pública e à inconsistência da alegação inicial, forjaram um acidente por atropelamento. Em nota pública, o governo afirma que ele teria sido atropelado por caminhão ao tentar fugir. Após sua morte ter se tornado pública, é revelado aos seus pais que seu corpo foi sepultado como indigente no Cemitério de Perus, na capital paulista, em cova rasa e comum. Seu corpo estava coberto com cal para que as marcas das torturas não fossem percebidas.

Sua morte teve repercussão imediata. Outros estudantes também haviam sido presos e era preciso tomar alguma atitude. Alunos da USP declara luto e pressionam o reitor Miguel Reale para que intervenha, solicitando à Secretaria de Segurança Pública do Estado, informações sobre a morte de Alexandre. Porém, foram as mesmas informações já divulgadas pelos jornais: morte causada por atropelamento.
Inutilmente a repressão oficial tentou falsear a causa da sua morte: foi morto sob a tortura mesmo, nos porões da repressão.

Na “Celebração da Esperança” – a Missa por Alexandre, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns fez uma histórica denúncia da violação dos Direitos Humanos no Brasil da ditadura militar.
Entidades da sociedade civil, que até então preferiam fechar os olhos, começam a se levantar contra a tortura. Reunindo milhares de pessoas, o ato após a missa transforma-se na primeira grande manifestação pública de oposição à Ditadura desde as manifestações de 1968.





terça-feira, 11 de março de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Rutilio Grande e Camponeses


RUTÍLIO GRANDE
Mártir da Libertação dos Oprimidos
EL SALVADOR * 12/3/1977

Em 12 de março de 1977, o padre Rutilio Grande, jesuita - acompanhado por Manuel Solorzano, 72, e Nelson Rutilio Lemus, 16 - dirigia o Jeep concedido pelo Arcebispo Dom Oscar Romero na estrada entre a cidade de Aguilares com o Município de O Paisnal, para celebrar a missa da novena de São José, quando os três foram emboscados e assassinados por esquadrões da morte.

Ao saber dos assassinatos, o arcebispo Oscar Romero que era amigo do Pe. Rutilio foi ao local onde os três corpos estavam e celebrou a missa. Em seguida, Romero passou várias horas a ouvir os agricultores locais, conhecendo suas histórias pessoais de sofrimento e horas em oração também. Na manhã seguinte, depois de se encontrar com os sacerdotes e conselheiros, Romero disse que não iria participar de qualquer ocasião em atividades em conjunto com o governo e o presidente - sendo ambas as atividades tradicionais - até que a morte dos três fosse investigada. Como nenhuma investigação foi feita, Dom Oscar Romero não mais participou de qualquer cerimônia do estado, durante os seus três anos como arcebispo.  

No domingo seguinte, para protestar contra os assassinatos de Rutilio Grande e seus companheiros, o recém-instalado Arcebispo Romero cancela as missas em toda a Arquidiocese, e convoca a todas as comunidades para celebrarem uma missa na Catedral de San Salvador. 

Bispos de outras igrejas salvadorenhos criticou a sua decisão, porém, mais de 150 sacerdotes concelebraram a Missa e mais de 100.000 pessoas se reuniram na catedral para participar da celebração e ouvir o Arcebispo Romero, que pediu o fim da violência.

Na homilia, Romero afirmou:

“Queridos irmãos; o Padre Rutilio Grande era como um irmão para mim. Em momentos culminantes da minha vida, ele estava muito perto de mim e nunca esquecerei tais gestos, mas o momento não é de pensar pessoalmente, mas para recolher deste corpo uma mensagem para todos nós que seguimos peregrinando.

A mensagem que eu quero tirar das palavras do Papa, quando fala da evangelização, nos dá as diretrizes para entender Rutilio Grande: "qual o compromisso da Igreja universal com a luta para a libertação de tanta miséria?" E o Papa recorda que, no Sínodo de 1974 as vozes dos Bispos de todo o mundo, representadas principalmente naqueles bispos do Terceiro Mundo, diziam sobre: "A angústia desse povo com a pobreza, a fome, a marginalização”. E a Igreja não pode estar ausente na luta de libertação, mas sim presença na luta para levantar, para dignificar o homem. Tem que ser uma mensagem, uma presença muito original, uma presença que o mundo não pode entender, mas leva a esperança da vitória, do êxito.

O verdadeiro amor pela igreja e o povo é que fez com que Rutilio Grande, e os dois camponeses fossem martirizados. Assim, amou a Igreja, morre com eles e os apresentou para a transcendência do céu. 

Ele os ama, e é significativo que, enquanto o Padre Rutilio Grande caminhou para o seu povoado, para levar a mensagem da missa e da salvação, é que foi assassinado, que caiu crivado. Um sacerdote com seus camponeses caminham para seu povoado para se identificar com eles, para viver com eles, não uma inspiração revolucionária, mas sim uma inspiração de amor e precisamente porque é o amor que nos inspira a sermos irmãos. 

Quem sabe se os criminosos não estão escutando essas palavras em seu rádio, enquanto vão para seu esconderijo? Queremos dizer, aos irmãos criminosos, nós te amamos e pedimos a Deus para o arrependimento de seus corações, porque a Igreja não pode odiar os inimigos. Somente são inimigos, os que se declaram: "Perdoai-os, Pai, porque eles não sabem o que fazem".

Na Eucaristia de 13 de Fevereiro de 1977 Rutilio Grande denunciava: “A Eucaristia que estamos a celebrar alimenta este nosso ideal de uma mesa comum para todos, com um lugar para cada um e Cristo no meio”.

Dom Oscar Romero diria que foi o exemplo do Padre Rutílio e a sua morte que o convenceram a pôr-se decididamente ao lado dos pobres de El Salvador.

Os Objetivos de Rutílio Grande:

“Pequenas comunidades vivas de mulheres e homens novos, conscientes da própria vocação humana, capazes de se tornarem protagonistas do seu próprio destino individual e social; alavancas de transformação.”

Frases de Rutilio Grande:

"Nós temos um Pai comum, então somos todos filhos do mesmo Pai, mas nós nascemos do ventre de mães diferentes. Portanto somos todos irmãos".

"Queremos ser a voz dos que não têm voz para denunciar todos os abusos contra os direitos humanos. Que a justiça seja feita, que não ficam impunes os criminosos, que se reconheça quem são os criminosos e dar uma indenização justa para as famílias que ficaram desamparadas."

Igreja preparará a beatificação de padre Rutilio Grande

Segundo o padre jesuíta, José María Tojeira, o arcebispo de San Salvador, dom José Luis Escobar, anunciou na reunião do clero, do dia 4 de março de 2014, que daria início à investigação sobre a vida do Padre Rutilio Grande e, dessa forma, iniciaria sua causa de beatificação.

“É preciso abrir um processo diocesano, este ainda não está aberto, mas disse (o Arcebispo) que já havia encarregado um sacerdote para que fosse buscando material para poder abrir o processo diocesano para o caso de beatificação de Rutilio Grande como mártir”, disse Tojeira.

Rutilio Grande, em suas homilias e trabalho sempre apresentou a denúncia das desigualdades da época, e seu assassinato foi para calar suas denúncias. Foi precisamente esse fato o que inspirou o então arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Arnulfo Romero, a denunciar a injustiça social. Romero foi assassinado pela mesma causa no dia 24 de março de 1980.

“Nós temos que oferecer muita informação sobre ele, estamos muitos dispostos a oferecê-la. É para nós uma honra que o Arcebispo tenha fixado seus olhos em Rutilio Grande e queira iniciar o processo de beatificação. Nós estávamos convencidos de que é um mártir, e estávamos esperando a beatificação de dom Romero para introduzir a causa de beatificação de Rutilio, mas o Arcebispo se adiantou”, disse Tojeira.

Na atualidade, o gesto e a vida do Padre Rutilio vem sendo recordados de diferentes maneiras em seu município e fora do mesmo. É sempre lembrado e celebrado sua memória e sua opção pelos pobres, nas comunidades comprometidas com as mesmas causas pela qual ele caiu mártir.