quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Galeria dos Mártires - Domingo Laín

DOMINGO LAÍN SANZ
Mártir das lutas de libertação
COLÔMBIA – * 20/02/1974

Padre Domingo Laín Sanz, nascido em Aragão, no nordeste da Espanha, fez de sua vida uma dedicação aos irmãos, vivendo com uma visão intensa do presente. "Eu tirei conclusão de que para viver em paz consigo mesmo não há nada melhor do que dar-se aos outros, viver cada momento como único, sem a angústia de um futuro que só Deus sabe". Aos poucos, a ideia de estar a serviço da igreja e da comunidade começaram a se diferenciar do que aprendeu no seminário, com base em rituais e não questões terrenas. Ir para as missões nos países do Terceiro Mundo, era a ilusão de muitos seminaristas. No seminário de Zaragoza onde estudou havia dois grupo de seminaristas: Grupo Africano e do Grupo da América, Domingo juntou-se ao primeiro. Deveria ser ordenado padre em 1963, mas seu desejo de ir em missão para África, teve de adiar a ordenação para dois anos depois. 

Recém concluído seus 25 anos, foi ordenado sacerdote em 28 de março de 1965. Em sua cidade natal, celebrou sua primeira missa no dia 17 de abril daquele ano, uma vez que, em maio, tomou posse como pároco aragonês Taussig, onde passou mais de um ano, trabalhando especialmente com jovens Taussig. Em certa ocasião disse estas palavras: "Estou ansioso para poder ir em missão para a América ... Você pode imaginar que haverá muito trabalho e a situação possa ser difícil. Irei com toda a generosidade: o importante é sabermos ser sempre fiel a Deus e aos homens que vamos servir. Amar e entendê-los como são, estar com eles na fome, na injustiça ... Servir os outros é uma das mais elevadas formas de amor. 

Em 26 de agosto 1965, Torres Camilo disse aos cristãos: "a revolução não só é permitido, mas obrigatório para os cristãos", estas palavras teve uma grande influência no mundo e fez Domingo se a propor ir para a Colômbia, para seguir os passos de Jesus e os compromissos de Camilo. 

Após a morte de Camilo Torres, em 15 de fevereiro de 1966, Domingo apressou sua partida de Taussig, viajou para Madrid para preparar a sua viagem para a Colômbia, onde ele finalmente chegou no final do ano 67. Fez um trabalho pastoral em um dos bairros pobres do sul de Bogotá em Meissen, e também conseguiu emprego para trabalhar em uma fábrica de tijolos. 

A partir desta experiencia, disse mais tarde: "Eu experimentei em primeira mão a situação de exploração e miséria da maioria da população." Esta experiência permitiu-lhe conhecer e compreender a dura realidade dos trabalhadores colombianos. E por sua opção pelos pobres e sua identificação com eles, reforçou a sua convicção sobre o papel destes para alcançar uma nova sociedade e da necessidade de pessoas revolucionárias. "Não te deixes vencer, Cristo está conosco. Ele é um de nós. E a história é a história da salvação. Permanecer na história é o que nos faz ser Profetas"

A ousadia de sua obra profética não leva muito tempo para criar problema com a Cúria de Bogotá, que o obrigou a deixar a comunidade. Ele então se mudou para Cartagena, onde viveu em uma paróquia rancho muito pobre. Com a decisão do prefeito de Cartagena de expropriação sem compensação justa das terras de seus vizinhos, Domingo Lain liderou uma manifestação de protesto e, portanto, foi forçado a voltar para Bogotá.

Junto com outros sacerdotes revolucionários, em meados de 68, fundou o grupo de Golconda. Participou em diversas reuniões relacionadas com os sindicatos e dirigentes sindicais de todo o país. Domingo foi personagem alegre, que o ajudou a criar empatia com outros lutadores. Foi preso por vários dias e acabou expulso da Colômbia, 19 de abril de 1969, pela divisão de imigração do DAS e forçado a viajar para a Espanha viajar para a Espanha, sem documentos de identidade ou dinheiro e sem seus pertences. 

Na Espanha Domingo Lain teve um diálogo com o bispo, Dom Pedro Pedreiros, a quem explicou a decisão de aderir à guerrilha colombiana. O bispo cedeu aos seus argumentos e deu-lhe a sua bênção. 
Em Outono de 1969 Domingo voltou secretamente para a Colômbia, com seus companheiros Manuel Pérez e José Antonio Jiménez, para se juntar à guerrilha do Exército de Libertação Nacional. Desde a sua chegada ao ELN, Domingo atuou como assessor do prefeito e, especialmente, Fabio Vásquez seu primeiro comandante. 

Na ocasião do quarto aniversário da morte de Camilo, Domingo em uma proclamação pública explicou a sua expulsão da Colômbia, devido à sua luta contra o regime político colombiano, e sobre sua decisão de aderir ao ELN, considerando-se o direito da luta armada na defesa do povo e elogiou o socialismo como a única solução possível para os problemas do continente. 

Em 1974, dia 20 de Fevereiro morreu em combate contra as forças do governo na Quebrada de la Llana por seu compromisso com a luta pela libertação do povo.

Um mês depois de sua morte, o grupo de padres na América Latina (SAL), Bogotá, falou: "Três anos que passou como um trabalhador e quatro passamos nas montanhas colombianas, seguiu denunciando a injustiça com a sua vida. O único motivo maior deste homem era o amor ao povo. 'Não há maior amor do que dar a vida por seus irmãos'. O caminho escolhido por Padre Domingo Lain foi o cristianismo, e em nome da honestidade é que ele viveu,. Não é um bandido que mataram, mas um cristão, um padre e um político".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Galeria dos Mártires - Camilo Torres

CAMILO TORRES
Mártir das lutas de libertação
COLÔMBIA – * 15/02/1966

Jorge Camilo Torres Restrepo, nasceu em Bogotá, Colômbia, em 03 de fevereiro de 1929. De uma família da alta burguesia. Em inícios de 1948 resolve entrar no Seminário Conciliar de Bogotá e preparar-se para o sacerdócio. Ali permaneceu durante sete anos, sendo ordenado padre em 1954. Logo em seguida é enviado à Bélgica para estudar sociologia na Universidade Católica de Lovaina. Em 1958 se graduou como sociólogo, apresentando um trabalho que analisava a proletarização de Bogotá.

Retornando para Bogotá em 1959, foi nomeado capelão da Universidade Nacional. Ali, juntamente com outros participantes, fundou a Faculdade de Sociologia, onde, durante algum tempo foi professor e técnico do programa de Reforma Agrária.

A maior parte de sua missão desenvolveu-se na universidade. Camilo Torres foi líder de estudantes e jovens professores, de todos aqueles que intuitivamente buscavam uma transformação das estrutura de opressão. 

Viajava por todo seu país e ai descobrindo a miséria de seu povo. Mas, além do cientista e do político que Camilo Torres era, tinha uma profunda fé, cujas opções eram feitas a partir do Evangelho. Também na opção última e decisiva, quando interrompia temporariamente seu ministério sacerdotal, era consequente com o radicalismo que o Evangelho exigia de sua consciência.

Em sua última missa em 1965, depois de pressionado pelo alto clero para renunciar ao mistério sacerdotal, declara: “Deixei os privilégios e deveres do clero, porém não deixei de ser sacerdote. Creio que me entreguei à revolução por amor ao próximo. Deixei de rezar missa para realizar este amor ao próximo, no terreno temporal, econômico e social. Quando meu próximo não tiver mais nada contra mim, quando tenha  realizado a revolução, voltarei a oferecer missa, se Deus me permitir. Creio que assim sigo o mandamento de Cristo: ‘quando levares tua oferenda ao altar, e ali te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda sobre o altar, e vai reconciliar-te com teu irmão, e então volte e apresente tua oferenda’ (Mt 5, 23-24). Depois da revolução, os cristãos teremos  a consciência de que estabelecemos um sistema que estará orientado para o amor ao próximo”.

Camilo Torres, pela sua opção cristã, politica e revolucionária, e seu engajamento social, tornou-se membro do Exército de Libertação Nacional. E em 7 de Janeiro de 1966, quase um mês antes de sua morte, proclama a todos os Colombianos: "Pela unidade da classe popula, até a morte! Pela organização da classe popular, até a morte! Até a morte porque estamos decididos a ir até o final. Até a vitória porque um povo que se entrega até a morte sempre conquista a vitória. Até à vitória final com palavras de ordem do Exército de Libertação Nacional! Nem um passo atrás; libertação ou morte".

Questionado por sua atitude revolucionária, já que era cristão e padre, ele explicava: “Sou revolucionário como colombiano, como sociólogo, como cristão e como padre. Como colombiano, porque não quero ficar distante da luta de meu povo. Como sociólogo, porque minhas intuições científicas, em relação à realidade, me convenceram que é impossível chegar a soluções efetivas e adequadas sem uma revolução. Como cristão, porque o amor ao próximo é a essência do ser cristão, e o bem estar da maioria não se consegue sem a revolução. Como sacerdote, porque a entrega ao próximo, que exige a revolução, é um requisito da caridade fraterna, indispensável para celebrar a missa, que não é uma oferenda individual, mas de todo o povo de Deus por intermédio de Cristo”

Aos 37 anos foi morto num confronto com o exército ao empunhar sua primeira arma, como membro do Exército de Libertação Nacional enquanto tentava auxiliar um companheiro ferido. Sua morte o transformou em simbolo de esperança, acima do "padre guerrilheiro", porque ele inaugurou um novo modo de ser cristão na América Latina, antes de Medellín: comprometeu-se com o irmão oprimido "até doar a vida por ele". Por isto é mártir e profeta da Igreja.
Quando o sacerdócio se faz verdade plena pela doação do corpo e da vida, só há espaço para o silêncio contemplativo reverencial ou para o esforço balbucio da poesia:

"E a Palavra se encarnou e se tornou plena de Amor
e se chamou Jesus ou Camilo,
foi pão para todos os pobres
e se fez todo povo
foi sangue gota a gota derramada
e se fez todo povo.

Já não mais fome nem mais sede proletários,
mas alimento na doação e comunhão,
todos pensar e sentir uma mesma causa
e para a mesma causa.

Todos na luta até a vitória
sem que ninguém chame de meu direito aquilo que tem;
não mais esquecimento do irmão proletário
nem de Deus-Jesus nem de Camilo-carne mas esquecimento
mas sim o Amor
feito rito cotidiano, recordação viva
o Amor
feito sacerdócio-Eucaristia".

O amor que Camilo pregava devia ser um amor eficaz, pois “a fé sem obras é morta” (Tg 2,17).

Obs: texto construído a partir de leitura de:
Camilo Torres: O Cristianismo rebelde na América Latina - Prof. Inácio Strieder - Adital - 27/06/2006
Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes
Um Cristão Revolucionário: Camilo Torres - CEPIS - centro de educação popular do instituto sedes sapientiae


Galeria dos Mártires - Franz de Castro Holzwarth


FRANZ DE CASTRO HOLZWARTH
Advogado,  Mártir da Pastoral Carcerária
JACAREÍ – SP * 14/02/1981
               
Advogado e teólogo, iniciou seu trabalho junto aos presos da APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – em 1973, na cidade de São José dos Campos, SP. Nas galerias e celas do presídio, ficava em média dezesseis horas, convivendo com os presos. “A minha vida eu daria, afirmava, em garantia e em alívio a muitos sofrimentos”. Durante uma rebelião, ofereceu-se como refém, para que um policial militante fosse liberado e, quando o carro onde Franz se encontrava saiu, a polícia iniciou o tiroteio perfurando com mais de trinta e oito projéteis o corpo do “apóstolo do amor”.
Em 6 de março de 2009, a Diocese de São José dos Campos realizou a abertura do Processo da Causa de Canonização de Franz de Castro Holzwarth e instalou o Tribunal Diocesano do Processo da Causa e a Comissão Histórica. O Tribunal Diocesano realizou diversas sessões para investigar a fama de martírio e a vida do candidato à mártir. Mais de 30 pessoas foram ouvidas, o que resultou em centenas de páginas de documentos que foram encaminhados para a Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano, no dia 22 de dezembro de 2010.

Oração

Senhor, nosso Deus, que inspirastes o vosso servo Franz de Castro Holzwarth a uma total dedicação de amor aos encarcerados, ao ponto de derramar o próprio sangue em favor da causa dos mesmos, nós vos pedimos que, se for de vossa vontade, Franz de Castro seja um dia glorificado pela vossa Igreja e, por sua intercessão, possamos receber a graça de que tanto precisamos e que vos pedimos com fé… (pedir a graça). Fortalecei-nos, ó Senhor, na vivência do amor ao próximo e abençoai a todos que se dedicam à Pastoral Carcerária. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Galeria dos Mártires - Santiago Miller


SANTIAGO MILLER
Mártir da educação libertadora
GUATEMALA –  * 13/02/1982

Irmão Santiago Miller nasceu em uma família de agricultores perto de Stevens Point, EUA, em 21 de Setembro de 1944. Em setembro 1959 entrou para o noviciado júnior de Missouri. Depois de três anos, ele foi admitido como postulante no Noviciado em agosto de 1962.
Em agosto de 1969, depois de emitir os votos perpétuos, foi enviado para a escola da missão dos Irmãos em Bluefields, na Nicarágua. Ensinou lá até que ele mudou-se para Puerto Cabezas, na Nicarágua, em 1974, onde foi diretor. Sob sua liderança, a escola cresceu de 300 a 800 alunos. Ele também aceitou a tarefa de dirigir e supervisionar a construção de dez novas escolas rurais. Superiores religiosos de seu congregação o tiraram Nicarágua em julho de 1979, no momento da revolução sandinista. 
Foi enviado para os Estados Unidos e ensinou em Cretin novamente no outono de 1979 e participou da Renovação sessão em Sangue de Cristo (Novo México), em 1980.
Ele foi enviado para um novo campo missionário na Guatemala, em Janeiro de 1981. Deu aula no ensino médio em Huehuetenango e também trabalhou no Centro Índico, onde foram estudadas as meninas maias indígenas em áreas rurais e na agricultura.
Um dos seus professores o retrata com entusiasmo: "personalidade atraente, aberto e sociável, simpático, nada falso, cativava as pessoas pela sua simplicidade, era muito inteligente e também muito simples". Outra observação foi feita por pessoas da comunidade depois dos seus votos perpétuo disseram sobre sua generosidade, a influência positiva e o forte desejo de trabalhar nas missões. Se lembra dele como "inteligente, mas não intelectual, jovial, de fácil relacionamento, e com profunda fé e amor por sua vocação religiosa."
Seus próprios escritos e declarações mostra-nos o seu caráter e personalidade. 
Em uma de suas últimas cartas antes de sua morte mostra o que ele estava ciente da situação na Guatemala e as possíveis consequências que adviriam para ele. Assim, em janeiro de 1982, escreveu:
"Pessoalmente, estou cansado da violência, mas estou me sentindo profundamente comprometido com o sofrimento pobres na América Central ... Cristo é perseguido por causa da nossa opção pelos pobres. Ciente dos muitos perigos e dificuldades, continuar a trabalhar com a fé e a esperança e confiança na providência de Deus." E disse mais tarde: "Eu sou um Irmão das Escolas Cristãs por quase vinte anos, e meu compromisso com a vocação cresce mais e mais com o meu trabalho na América Central. Peço a graça e o poder de Deus para fielmente servir os pobres e oprimidos da Guatemala. Deixo minha vida em Sua Providência e colocar nele a minha confiança."
Morreu um mês depois de escrever essas palavras. 
Na tarde de 13 de Fevereiro de 1982 recebeu vários tiros disparados quatro homens com os rostos cobertos que invadiram a escola onde trabalhava. Ele morreu na hora, com apenas 37 anos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Galeria dos Mártires - Dorothy Mae Stang

IRMÃ DOROTHY MAE STANG
Mártir da ecologia
ANAPU – PA * 12/02/2005

Irmã Dorothy Mae Stang era uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804. Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil.
Irmã Dorothy estava presente na Amazônia de a década de 70 junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.
A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.
Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: "Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar".
Foi assassinada com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará.
Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou: "eis a minha arma!", e mostrou a bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.
No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.
O corpo da Missionária está enterrado em Anapu, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heroicas da fé cristã.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Galeria dos Mártires - Sepé Tiaraju

SEPÉ TIARAJU
Patriarca da Causa Indígena
SÃO GABRIEL - RS 7/ 2/ 1756

Sepé Tiaraju, indígena Guarani, era corregedor da Missão de São Miguel e tornou-se o cacique-geral da guerra Guarani, que se desencadeou com a assinatura do Tratado de Madri em 1750, que dividia as terras Guaranis entre Portugal e Espanha. Em decorrência disso, os índios receberam ordens de abandonar cidades e terras, levando apenas os bens móveis e o gado, e transferindo-se para o outro lado do Rio Uruguai.  Conscientes do seu direito, os índios não aceitaram a ordem absurda e, liderados por Sepé, declararam guerra aos dominadores.
Diante do comando espanhol declarou Sepé, com altiva dignidade: “Esta terra tem dono! Ela nos foi dada por Deus e São Miguel! Só eles têm o direito de nos deserdar!” Este grito de resistência Guarani se espalhou por todas as reduções, que se levantaram para a luta contra os exércitos espanhóis e portugueses.  A guerra durou quatro anos, de 1752 a 1756.  Até que no dia 7 de fevereiro de 1756, nos campos de São Gabriel, RS, na batalha de Caiboaté, Sepé Tiaraju é atingido e morto.  Três dias depois os invasores dominaram tudo, matando mais de 1500 índios e destruindo as sete cidades que formavam as sete Reduções. 
O povo viu na testa de Tiaraju uma estrela de predestinado e o canonizou invocando-o como São Sepé, símbolo de confiança em Deus, de dignidade e de resistência.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Martirológio Latino-americano - mês de fevereiro

Fevereiro

01/02/1832 – Augustín Farabundo Martí é fuzilado no cemitério geral de San Salvador, junto com Alonso Luna e Mario Zapata, nas vésperas da grande revolta camponesa.
01/02/1977 – Daniel Esquivel, operário paraguaio, membro da Equipe de Pastoral de Imigrantes Paraguaios na Argentina, mártir.
02/02/1976 – José Tedeschi, padre e operário, mártir dos imigrantes e favelados da Argentina, sequestrado e morto.
02/02/1991 – Expedito Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, Pará, é assassinado.
04/02/1979 – Benjamín Didincué, líder indígena, mártir pela defesa da terra na Colômbia.
04/02/1979 – Massacre de Cromotex, Lima, Peru: seis operários mortos e dezenas de feridos.
04/02/1981 – Massacre de Chimaltenango, Guatemala: 68 lavradores mortos.
05/02/1976 – Julio San Cristóbal, dos irmãos de La Salle, detido e desaparecido.
05/02/1988 – Francisco Domingos Ramos, líder sindical em Pancas, Brasil, assassinado a mando dos fazendeiros.
06/02/1992 – Morre Sérgio Méndez Arceo, bispo de Cuernavaca, México, Patriarca da Solidariedade.
06/02/1993 – Pedro Medina – padre da diocese de Quilmes, Argentina, profeta da justiça entre os pobres.
07/02/1756 – Massacre de Sepé Tiaraju (São Sepé) e 1500 índios da República Cristã dos Guaranis, Caiobaté, São Guabriel, Rio Grande do Sul, levado a cabo pelos exércitos da Espanha e de Portugual.
07/02/1990 – Raynal Sáenz, padre, Peru.
09/02/1977 – Augustín Goiburú, médico, Paraguai.
09/02/1985 – Felipe Balam Tomás, religioso missionário, servidor dos pobres, mártir na Guatemala.
09/02/1995 – Diamantino Garcia Acosta, padre operário no campo andaluz, identificado sempre com os pobres, fundador do Sindicato de Operários do Campo.
10/02/1986 – Alberto Koenigsknecht, bispo de Juli, Peru, morto em acidente suspeito, devido à sua opção pelos pobres.
11/02/1990 – Massacre de Guancorita, El Salvador, aldeia de repatriados, hoje comunidade de Ignácio Ellacuría. Sofreu ataque do exército, que resultou em cinco mortos - quatro crianças e um adulto – e dezessete feridos.
12/02/2005 – Dorothy Stang, mártir da terra e da luta ecológica, é assassinada em Anapu, PA.
13/02/1976 – Francisco Soares, padre, mártir da justiça entre os pobres da Argentina.
13/02/1982 – Santiago Miller, irmão de La Salle, norte-americano, mártir da educação libertadora na Igreja indígena guatemalteca.
13/02/1989 – Alejandra Bravo, médica mexicana, quatro enfermeiras e cinco feridos salvadorenhos, assassinados em um hospital de campanha em Chalatenango, El Salvador.
14/02/1982 – Rick Julio Medrano, religioso e companheiro, mártires da Igreja perseguida da Guatemala.
15/02/1600 – José de Acosta, missionário, historiador e defensor da cultura indígena, Peru.
15/02/1966 – Camilo Torres, padre, mártir das lutas de libertação do povo, Colômbia.
15/02/1981 – Juan Alonso Hernández, padre, mártir do povo da Guatemala.
            15/02/1992 – María Elena Moyano, líder popular, mártir da paz e da justiça em Villa El Salvador, Peru.
16/02/1981 – Albino Amarilla, líder lavrador e catequista, morto pelo exército, mártir do povo paraguaio.
16/02/1985 – Alí Primera, poeta e cantor da justiça para o povo latino-americano, Venezuela.
16/02/1986 – Maurício Demierre, colaborador suíço, e companheiras camponesas, assassinados pela contra-revolução quando voltavam de uma via-sacra, na Nicarágua.
16/02/1992 – Mais de 10 cristãos, mártires da democracia, foram assassinados pelas tropas de Mobutu quando estavam numa manifestação pacifica pela reabertura da Conferência Nacional Soberana, símbolo do caminho para a democracia no país. Kinshasa, África.
17/02/1997 – Morre Darcy Ribeiro, escritor militante, antropólogo brasileiro, senador.
18/02/1853 – Félix Varela, lutador pela causa da independência cubana.
19/02/1590 – Bernardinho de Sahagún, missionário no México, protetor da cultura dos nossos povos.
20/02/1974 – Domingo Laín, padre mártir das lutas de libertação, Colômbia.
21/02/1934 – Augusto C. Sandino, líder popular nicaragüense é assassinado à traição por Somoza.
21/02/1965 – Malcom X, líder liberacionista afroamericano, é morto nos EUA.
21/02/1985 – Camponeses são crucificados em Xeatzan, no meio da Paixão sofrida pelo povo guatemalteco.
22/02/1990 – Lavradores mártires de Iquicha, Peru.
25/02/1982 – Tucapel Jiménez, 60 anos, mártir das lutas dos sindicalitas chilenos.
25/02/1985 – Guillermo Céspedes Siabato, militante cristão e revolucionário, mártir da luta do povo colombiano.
25/02/1987 – Morre assassinado o índio toba Caincoñen, por defender sua terra, em Formosa, Argentina.
26/02/1550 – Antonio de Valdivieso, bispo da Nicarágua, mártir na defesa dos índios.
26/02/1965 – Jimmie Lee Jackson, ativista negro dos direitos civis, é morto a pancadas pela polícia.
26/02/1992 – Morre José Alberto Llaguno, bispo, apóstolo inculturado dos Tarahumara, México.
27/02/1989 – O “caracazo”, revolta social com 400 mortos e 2000 feridos. Em 15 de junho de 1999, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos decidiu processar a Venezuela perante a Corte Regional.
27/02/1998 – Jesús María Valle Jaramillo, 4º presidente assassinado da Comissão dos Direitos Humanos de Antioquia, Colômbia.
28/02/1985 – Guilermo Céspedes Siabato, leigo dos Cristãos pela Socialismo e das CEBs, inicialmente operário e em seguida professor e poeta. Assassinado pelo exército enquanto jogava futebol.
28/02/1989 – Teresita Ramírez, religiosa da Companhia de Maria, assassinada em Criatales, Colômbia.
28/02/1989 – Miguel Angel Benítez, padre, Colômbia.