segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Gabriel Maire

PE. GABRIEL MAIRE
Pastoral Urbana - Mártir pelas causas do povo
VITÓRIA – ES * 23/12/1989

Francês, sacerdote, já em sua pátria foi um batalhador como secretário geral do Movimento Popular do Cidadão do Mundo, contra o racismo, em favor dos países pobres, pelo desarmamento e a paz mundial. 

No Brasil engajou-se ativamente na Pastoral Operária, na CEB’s, na Pastoral da Juventude. Incentivou sempre a participação dos cristãos e cristãs na política, no sindicato e no movimento popular. 

“Precisa é lutar no dia a dia, de casa em casa: a vitória depende de nós”, dizia o “Gaby”. E já numa atitude de doação total confessou, sabendo-se ameaçado: “Prefiro morrer pela vida a viver pela morte”. 

E foi assassinado pelos poderosos, num falso assalto.


Galeria dos Mártires - Massacre de Acteal

MASSACRE DE ACTEAL
CHENALHÓ -  CHIAPAS,
MÉXICO *  22/12/1997

No dia 22 de dezembro de 1997, grupos do partido oficialista mexicano PRI massacraram 45 indígenas Tzoziles, deslocados de Las Abejas e refugiados na comunidade de Acteal. 

Quando começaram os disparos encontravam-se eles na igreja fazendo oração. A Cruz Vermelha Mexicana identificou 45 cadáveres, dos quais 9 homens, 21 mulheres,  14 crianças e um bebê.

O grupo de Las Abejas faz praticamente as mesmas reivindicações dos Zapatistas, mesmo que não pela via armada.

O Massacre de Acteal, então, situa-se no contexto da tomada de consciência e de presença pública dos povos indígenas do México e particularmente de Chiapas.  Mais um ponto alto da Caminhada indígena, de sangue e de libertação, de toda a nossa Ameríndia.




Galeria dos Mártires - Chico Mendes

CHICO MENDES
Mártir da Floresta
XAPURI - AC * 22/12/1988

“A história de Chico Mendes já é parte da história da Floresta Amazônica e seus povos. Ele tornou-se um marco de mobilização em favor da justiça social e da preservação da natureza. Como a porunga que ilumina as estradas de seringa na mata, Chico apontou novos caminhos para os movimentos populares”.

Os seringueiros chegaram na Amazônia no final do século passado como mão de obra para produção da borracha. A partir dos anos 70, com a entrada de fazendeiros no Acre, os patrões antigos abandonaram os seringais após vende-los às empresas do sul, e surgiram nessas áreas os “Seringueiros libertos” que continuaram em suas florestas, vendendo agora livremente e organizadamente seu produto. Esses seringueiros foram a base dos sindicatos de Xapuri e de Brasiléia, e posteriormente do Conselho Nacional dos Seringueiros. 

Francisco Alves Mendes Filho, ou Chico Mendes, tinha completado 44 anos no dia 15 de dezembro de 1988, uma semana antes de ser assassinado, na porta de sua casa. Casado com Ilzamar, deixou dois filhos: Sandino de 2 anos e Elenira de 4 anos. Acreano, nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, se tornou seringueiro ainda criança, acompanhando seu pai. Lutador e líder seringueiro foi toda a sua vida, no sindicato, na política, pelos meios de comunicação social. Em outubro de 1985 lidera o primeiro encontro nacional dos seringueiros quando foi criado o Conselho Nacional dos mesmos. E Chico passa a ser uma referência nacional e internacional, de admiração por parte de todos os militantes da justiça social e da ecologia, e de ódio por parte de todos os destruidores da vida do povo e da floresta. Entre muitos prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, recebeu o prêmio “Global 500” , oferecido pela própria ONU.


Recolhemos aqui palavras de Chico Mendes:

“Eu não posso fugir. Me sentiria um covarde se fizesse isso. Meu sangue é o mesmo destas pessoas que sofrem aqui.

Os seringueiros precisam ficar unidos, de forma que a morte de uma pessoa não mate a força viva de sua luta. Depois da morte, nós somos inúteis. As pessoas vivas realizam coisas, os cadáveres, não.

Somos contra a devastação causada pelo mau planejamento que tem tomado conta da Amazônia sem a participação das pessoas que vivem lá. A pecuária, economicamente, nada trouxe à região. Ela só serve para concentrar a terra na mão de poucos. Minha esperança é que os governos dos povos que dão dinheiro ao BID ouçam as reclamações dos seringueiros. Senão, a floresta certamente será destruída”.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Claudio "Poncho" Lepratti

CLAUDIO "Pocho" LEPRATTI
Mártir da liberdade
ARGENTINA * 19/12/2001

Claudio Lepratti nasceu em 27 de fevereiro de 1966 em Concepción del Uruguay, Entre Ríos. Filho de Orlando Lepratti e Dalis Bel, era o mais velhos dos seis irmãos. Sua família vive em Colônia Ceibos que fica a poucos quilômetros de Concepción del Uruguay.

Fez os estudos primários na Escola No. 30 "Alejandro Aguado" e do ensino médio no "Santa Teresita" Concepcion del Uruguay, colégio pertencente à ordem salesiana.

Entre 1983 e 1985, ele estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidad Nacional del Litoral como aluno livre. Durante esses mesmos anos Claudio serviu como Cooperador Salesiano.

Em 1986 ele ingressou como seminarista no Instituto Salesiano "Ceferino Namuncurá" da cidade de Funes (Santa Fé) e escolhe a carreira religiosa de "irmão coadjutor".

Cinco anos mais tarde, ele deixou o seminário e se estalou definitivamente na cidade de Rosario. Sua primeira casa fica no bairro Empalme Graneros, e um ano depois se muda para Barrio Ludueña onde ele começa a participar ativamente nas organizações de base que a mais de trinta anos era promovido pelo Padre Edgardo Montaldo. Essa estrutura religiosa, social e ético encontrada por Pocho Lepratti, era o que ele buscava para trazer as realidades terrestres sua opção pelos pobres.

Pocho entre muitas outras atividades, participou e promoveu a formação de uma dúzia de grupos de crianças e jovens nos municípios de Rosario.

Entre os grupos que criou e coordenou no bairro Ludueña inclui Coordenador da Juventude do Sagrado Coração, La Vagancia (este foi o primeiro grupo formado), Los Gatos, Cabelos Duro, Grupo São Caietano, entre outros.

Ele também participou de mecanismos de coordenação com outros grupos, tais como a revista The Tin Angel, Movimentos Los Chicos del Pueblo e todas as comunidades eclesiais de base, entre as quais a partir do Pé e Poryajhú ("pobre" em Guarani).

No mesmo bairro Ludueña Claudio promoveu a realização de cursos de formação e oficinas. Um incentivador para a criação de galinhas através da sua participação nos pomares ProHuerta.

Ele contribuiu para a multiplicação de oficinas nos bairros dentro do qual foram formados grupos de mulheres e jovens em diversas áreas, tarefas de prevenção de saúde, produção de sabão, fabricação de fornos e desenvolvimento de cozinhas comunitárias, etc.

Ele concebeu pelo povo dos jornais noticias do bairro Ludueña e pequena nota, que foram feitas pelas próprias crianças, através da participação em uma oficina de comunicação popular.

Ele participou de projetos de HIV / AIDS, em particularmente em HIV / AIDS e Projeto de Trabalho e ações coordenadas por mais de um ano com o apoio de PROMUSIDA da Prefeitura de Rosário, um projeto de articular os esforços de organizações como a CTC, AMMAR, ATE, CTA, CEDIS, EISEA, SERPAJ, PMSIDA e mais tarde a Biblioteca Popular "O anjo da bicicleta".

Ele entrou para a pastoral da juventude, e em seus esforços para treinar e compartilhar as experiências de organização e luta popular, participou de uma centena de eventos nacionais e internacionais, tais como seminários de Educação Teológica, que comumente era realizado a cada ano, as reuniões e conferências culturais, etc. Ele também participou de encontros e convenções culturais do Partido Socialista Popular.
  
Em 2001, ele viajou para o Brasil onde participou do CURSO DE VERÃO organizado pelo CESEP, onde se encontrou com algumas das experiências mais importantes da organização e luta popular na América Latina, por exemplo, experiencias desenvolvidas pelas comunidades eclesiais de base no Brasil, o Movimento Sem Terra, os zapatistas de Chiapas, no sul do México, o Centro Memorial  Martin L King e centenas de ativistas de base de outros países.
  
Claudio fez ativamente campanha para a organização da luta em solidariedade com os trabalhadores em conflito por meio de manifestações, a instalação de tendas de protesto, greves, etc.

Ele trabalhou na escola do bairro Ludueña conhecida como "a escola de Padre Edgardo Montaldo", onde o Padre Edgardo juntamente com os primeiros jovens e moradores de bairros trabalhou por mais de trinta anos para construir um bairro mais digno para todos. 

Ele também trabalhou na Central Cocina Rosario a partir do final de 1992 até Dezembro de 1996, quando, após um duro conflito envolvendo trabalhadores não docentes das cantinas escolares - entre os que Poncho julgava um papel central na organização - o conflito terminou quando foi conseguido que o Governo Provincial levaria um grupo de trabalhadores, incluindo Pocho foi, e desde então foi que trabalhadores não docente pode continuar trabalhando na Escola 756 do bairro Las Flores, até o dia em que ele foi assassinado.

Em 19 de dezembro de 2001, em meio à crise iria acabar com a queda do presidente Fernando De la Rua, vários polícia que chegaram da cidade de Arroyo Seco, a 30 km ao sul de Rosario começou a disparar na parte de trás da escola. Lepratti subiu para ao telhado para defender os menores que estavam comendo no lado de dentro do colégio. Ele gritava: "seu filhos da puta, não atirem, pois tem crianças comendo!"

O policial Esteban Velasquez disparou sua espingarda Itaka com balas de chumbo acertando uma bala no pescoço de Poncho. Posteriomente Esteban foi condenado a 14 anos de prisão pelo juiz Ernesto Genesio, por homicídio qualificado pelo uso de armas. Além disso, tanto Velasquez como a província de Santa Fé foram condenados a recompensar financeiramente os familiares da vítima por danos. A Direção de Assuntos Internos da polícia provincial tinha reconhecido em um relatório que "o assassinato de ativista social Lepratti ocorreu fora da zona de saque e nos fundos da escola "e que" não se justifica ter efetuado os disparos, mesmo que de caráter intimidatório.

Hoje, existem mais de cinqüenta canções dedicadas ao seu trabalho de formiga e centenas de expressões escritas e artísticas para honrar a sua memória. Ele também tem um monumento em sua homenagem na cidade de Concepción del Uruguay.

El ángel de la bicicleta - Música: Luis Gurevich / Letra: León Gieco

Cambiamos ojos por cielo Sus palabras tan dulces, tan claras Cambiamos por truenos Sacamos cuerpo, pusimos alas Y ahora vemos una bicicleta alada, que viaja Por las esquinas del barrio, por calles Por las paredes de baño y cárceles Bajen las armas!!

Cambiamos fe por lágrimas Con qué libro se educó esta bestia Con saña y sin alma Dejamos ir a un ángel Y nos queda esta mierda Que nos mata sin importarle de donde venimos Que hacemos, qué pensamos Si somos obreros, curas o médicos Bajen las armas!!

Cambiamos buenas por malas Y al ángel de la bicicleta lo hicimos de lata Felicidad por llanto Ni la vida ni la muerte se rinden Con cunas y cruces Voy a cubrir tu lucha más que con flores Voy a cuidar tu bondad más que con plegarias Bajen las armas!


Cambiamos ojos por cielo Sus palabras tan dulces, tan claras Cambiamos por truenos Sacamos cuerpo, pusimos alas Y ahora vemos una bicicleta alada, que viaja Por las esquinas del barrio, por calles Por las paredes de baño, y cárceles Bajen las armas!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Irmão Manuel Campo Ruiz

Ir. MANUEL CAMPO RUIZ
Religioso e mártir
RIO DE JANEIRO * 18/12/1992

Irmão Manolo, como era chamado por todos, religioso marianista, nascido em 1923 na Espanha, chegou ao Brasil em janeiro de 1975. Trabalhou em Tupã em diversas obras sociais ligadas à Igreja São Judas Tadeu. 
Logo após a visita a um detento espanhol em um dos presídios do Rio de Janeiro, foi assassinado na prisão por guardas prisionais e policiais militares, para roubá-lo, vítima da violência e corrupção da polícia do Rio de Janeiro. Seu corpo foi jogado em um rio e jamais foi encontrado.

Galeria dos Mártires - João Canuto

JOÃO CANUTO DE OLIVEIRA
Líder Sindical Rural
RIO MARIA-PA * 18/12/1985

Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula.

O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de João Canuto, três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram sequestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de João Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.

Texto copiado da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Eloy Ferreira da Silva

ELOY FERREIRA DA SILVA
Líder Sindical Rural
SÃO FRANCISCO – MG * 16/12/1984

Pai de dez filhos, homem de fé, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Eloy era tão destemido como coerente: “Trabalhador rural não é covarde”, dizia, “nossa arma é união, organização e a verdade”. Diante das ameaças, testemunha um companheiro seu, abria as Sagradas Escrituras e ganhava forças para continuar. “O Evangelho é nosso guia”, afirmava o próprio Eloy e confessou, generosamente disposto ao martírio: “Se morrer defendendo meus irmãos, é uma honra para mim”.

Como dirigente sindical, viveu intensamente o apoio à luta de organização e resistência dos posseiros de seu município e da região. Eleito Delegado Sindical do Distrito de Serra das Araras, em 1978, ele liderou a resistência dos posseiros contra todos os invasores. Presidente do Sindicato de São Francisco desde 1981 ele era uma das lideranças mais combativas no Norte de Minas, conhecido em todo o Estado.

As ameaças não foram esparsas. Foram constantes por parte dos grileiros e até do Juiz de Direito da cidade que várias vezes ameaçou psicologicamente.

Denunciava as pressões, despejos e queima de casas a todas as entidades que podiam dar algum apoio. Combatia toda violência que caia sobre os trabalhadores: "Nossa arma é união, organização e a verdade".

Este assassinato atingiu não só o Eloy, mas também a organização do povo. Atingiu um líder que doou sua vida para que os pobres deixem de ser objetos dos poderosos.

Eloy era um homem de fé profunda. A todo o momento ligava sua luta à libertação dos Hebreus no êxodo. "Deus está do nosso lado" era a fé que animava sua luta.

Morreu aos 54 anos, deixando a esposa e 10 filhos, também ameaçados pelos mesmos grileiros.

Galeria dos Mártires - Daniel Bombara

Daniel Bombara e a filha Paula
DANIEL BOMBARA
Mártir dos universitários comprometidos com os pobres.
ARGENTINA * 15/12/1975


Daniel Bombara era um militante da Juventude Peronista surgido da Juventude Universitária Católica (JUC) da Bahía Blanca, província de Buenos Aires. Muito engajado nos movimentos apostólicos da diocese, seu compromisso nas lutas de libertação dos marginalizados foi motivo bastante para que as forças repressivas da região decidissem sua morte.

Ele foi preso no final de dezembro de 1975, duas semanas após Montoneros emboscaram uma van do exército para roubar armas. O chefe da Unidade Regional 5, Major Ricardo Bartola registra na ata que a prisão foi "sem resistência", que "o processo foi feito pelo brigadeiro-general Jorge Olivera Rovere sob o controle operacional das Forças Armadas"

Daniel Bombara foi torturado até a morte e é o primeiro desaparecido da Bahia Blanca. Para não devolver seu corpo com sinais de tortura, Suárez Mason montou uma bruta operação psicológica, que um mês após o juiz Maduro arquivou sem investigação e sem hesitação. 

Primeiro informou que, em 01 de janeiro noite, algemado e escoltado por três policiais, Bombara tinha conseguido abrir a porta do carro da polícia e se jogado para a calçada. "Tão rápido evento não foi possível obter testemunhas, apesar que no local circulava vários veículos em diferentes direções", escreveu o funcionário José Alberto Rodríguez, enviado de La Plata pela Direção de Investigação a polícia de Buenos Aires. 

A fraude não terminou aí. Na manhã do dia 03 de janeiro de 1976 foi simulado o roubo do cadáver, que um grupo de desconhecidos teria interceptado a ambulância da Unidade Regional 5 que o levava da prisão para o necrotério Villa Floresta Hospital Municipal. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Pe. Gaspar García Laviana

Pe. GASPAR GARCÍA LAVIANA
Mártir das lutas pela libertação do povo
NICARÁGUA * 11/12/1978


Gaspar García Laviana, sacerdote espanhol de Oviedo. Missionário na Nicarágua desde 1970 e membro da Frente Sandinista de Libertação. Morreu em combate com a Guarda Nacional.

Durante seu trabalho pastoral em San Juan del Sur e Tola denunciou constantemente a exploração em que vivia seu povo de adoção. 

Foi expulso várias vezes do país. A última vez, em julho de 1978, e a sua residência na Espanha serviu para amadurecer sua decisão de se incorporar na Frente Sandinista como combatente.

Ingressou clandestinamente na Nicarágua, escreveu uma carta a seus paroquianos e outra aos religiosos e sacerdotes, explicando as causas de sua opção. Desde então é o "Comandante Martín". Apreciadíssimo no acampamento por sua alegria e por ser o primeiro no combate e o último na retirada. 

Sacerdote até o fim, seus superiores (Missionários do Sagrado Coração) nunca o cobrou para que escolhesse entre seu sacerdote e a luta armada pela libertação de seu povo. 

"Em minha vida encontrei duas comunidades bem diferentes, ambas porém apaixonantes: a religiosa, onde sinto que me querem bem e me respeitam; e a sandinista, onde tenho grandes amigos do peito, onde repartimos tudo, onde diariamente colocamos a vida em jogo.

Texto retirado do livro: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Ir. Alicia Domont e Ir. Leonie Duquet

Ir. Alicia Domont
Ir. ALICIA DOMONT e Ir. LEONIE DUQUET
Mártires da solidariedade com os desaparecidos
ARGENTIANA * 08/12/1977


Religiosa Francesa das Missões Estrangeiras, trabalhou na Argentina desde 1967. Sequestrada com outra religiosa da mesma congregação, Leonie Duquet e 12 familiares de desaparecidos, depois de uma reunião na paróquia de Santa Cruz, em Buenos Aires.

Alicia foi a primeira freira a morar em um bairro pobre de Buenos Aires, para trabalhar e viver lá com e como os pobres. Sua vida foi dedicada ao serviço dos pobres, primeiro no campo e, em seguida, nas favelas de Buenos Aires. 

Ela acompanhou as mães dos desaparecidos em manifestações e marchas de protesto. De maneira especial, ela se importava com as famílias dos desaparecidos e presos políticos. Em uma ocasião ela foi detida por 24 horas por policiais, sem qualquer razão. 

No dia 8 de dezembro de 1977, ao sair da Igreja de Santa Cruz em Buenos Aires, foi levada pela polícia junto com a religiosa, sua companheira e, desde então, não existe qualquer informação oficial sobre ela ou sobre Ir. Leonie Duquet. 
Ir. Leonie Duquet

Porém, se sabe que ela foi torturada e morreu durante a tortura. Seu corpo está desaparecido. Leonie foi preso e morto no dia 10 de Dezembro.

Em sua última carta Ir. Alicia escreveu: "Sinto-me verdadeiramente em comum com tantas famílias que sofrem o mesmo drama. Tratamos de encontrar a resposta do Senhor à luz do Evangelho... Nossa oração deve estender-se a todos e expressar-se de formas diversas: uma greve de fome, uma concentração, uma carta aberta aos bispos, etc. Estou convencida de que esta situação de paixão está profundamente unida à de Cristo e que ela precede à da Ressurreição".

Galeria dos Mártires - Alba Garófalo

ALBA GARÓFALO
Mártir da Causa dos Pobres
Buenos Aires * 08/12/1976


Alba nasceu em Remédios de Escalada, Buenos Aires, em 22 de janeiro de 1954. Militante metodista. Eduardo, seu esposo nasceu a 21 de maio de 1955, em Venado Tuerto, Santa Fé. Em 1976 nasceu seu primeiro filho, Nicholas. Ela tocou no JUP. Ele militou no JTP e foi delegado da agremiação Smata. Ambos lutaram no JP e, em seguida na organização Montoneros. 

Foram sequestrados em 08 de dezembro de 1976 em sua casa em San Martin, subúrbios da zona norte de Buenos Aires.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Galeria dos Mártires - Ita Catherine Ford, Maura Clark, Dorothy Kasel e Jean Donovan.

Maura, Jean, Ita, Dorothy
Ita Catherine Ford, Maura Clark, Dorothy Kasel, religiosas, e Jean Donovan, leiga.
Mártires da Solidariedade
El SALVADOR * 02/12/1980

Ita Ford, 41 anos, Maura Clark, 50 anos, são missionárias de Marykoll; Dorothy, também de 41 anos, é religiosa ursulina e Jean, de 27 anos é missionária leiga. Todas de nacionalidade americana.


Sequestradas enquanto viajavam entre o aeroporto e a cidade de San Salvador, logo foram assassinadas com um tira na cabeça cada uma.

Jean foi violentada antes e se presume que as outras igualmente. Antes haviam sido ameaçadas de morte. As quatros viveram sempre em bairros e populações marginalizadas, assumindo a sorte dos pobres até a entrega de suas vidas.

Maura trabalhou intensamente na Nicarágua, onde é recordada com carinho. Ita Ford chegou a El Salvador, procedente do Chile, em 1979, e se ofereceu a Monsenhor Romero, que lhe confiou um trabalho pastoral assistencial em Chalatenango, entre os que fugiam por causa da violência desencadeada no país. Mais tarde juntaram-se a elas Dorothy e Jean, da equipe missionária de Cleveland (EUA), que trabalhavam na paróquia de La Liberdad.

A morte as surpreendeu num momento em que se faziam os preparativos para um programa de assistência a todo o vicariato.

O sangue destas novas mártires foi fecundo, despertando a consciência de seus irmãos norte-americanos, em favor da solidariedade com o povo salvadorenho, enquanto seus corpos descansam em Chalatenango, onde trabalharam até a morte.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Martirológio Latino-americano - mês de dezembro

Dezembro

01/12/1964 – Anuarite Nengapeta, religiosa congolana (zairense), morreu mártir por se manter fiel a seu voto de castidade quando o coronel dos simbas, Pierre Olombe, queria violentá-la. África.
01/12/1975 – José Serapio Palácios, dirigente da JOC de El Palomar, Buenos Aires, sequestrado, continua desaparecido.
01/12/1981 – Diego Uribe, padre, mártir da luta de libertação de seu povo, Colômbia.
02/12/1980 – Ita Catherine Ford, Maura Clark, Dorothy Kasel, religiosas, e Jean Donovan, leiga, sequestradas, violentadas e assassinadas em El Salvador.
02/12/1990 – Camponeses mártires de Atitlán, Guatemala.
03/12/1987 – Victor Raúl Acuña, padre, Peru.
06/12/1969 – Morre João Cândido, herói da Revolta da Chibata, Brasil.
07/12/1975 – O governo militar da Indonésia invade Timor Leste, matando 60 mil pessoas em dois meses. Em 20 anos de ocupação, mais de 200 mil pessoas foram mortas, ou seja, um terço da população timorense.
07/12/1981 – Lucio Aguirre e Elpidio Cruz, hondurenhos, celebrantes da Palavra e mártires da solidariedade com os salvadorenhos refugiados.
07/12/2002 – Pe. Michel D’Annucci, missionário italiano Estigmatino, foi morto na África do Sul. Autentico amigo da África do Sul e de sua gente.
08/12/1976 – Ana Garófalo, militante da Igreja Metodista, mártir da Causa dos Pobres. Buenos Aires, Argentina.
09/12/1983 – Joilson de Jesus, menor de rua brutalmente assassinado, pisoteado até a morte por um procurador da justiça. São Paulo.
10/12/1977 – Alicia Dumont, primeira religiosa que foi viver em um bairro pobre de Buenos Aires, detida no dia 8, e Leonie Duquet, religiosas francesas, são lançadas vivas e drogadas em um rio. São dadas como desaparecidas.
10/12/1997 – Samuel Hérnán Calderón, padre que trabalhava com os camponeses em Oriente, Colômbia, é assassinado por paramilitares.
11/12/1978 – Gaspar Garcia Laviana, padre, mártir das lutas de libertação do povo da Nicarágua.
12/12/1531 – Maria aparece para o índio Juan Diego em Tepeyac, onde se cultuava Tonantzin, a “venerável Mãe”.
12/12/1981 – Massacre “El Mozote”. Durante vários dias, mais de mil camponeses salvadorenhos são torturados e assassinados pelo batalhão Atlacatí em Morazán, El Salvador.
12/12/1983 – Prudencio Mendonza, “Tencho”, seminarista, mártir da fé, em Huehuetenango, Guatemala.
15/12/1975 – Daniel Bombara, membro da JUC, mártir dos universitários comprometidos com os pobres na Argentina. Assassinado, com sinais de tortura.
16/12/1984 – Eloy Ferreira da Silva, líder sindical, em São Francisco, Minas Gerais, Brasil.
16/12/1991 – Indígenas mártires de Cauca, Colômbia.
18/12/1979 – Massacre de camponeses em Ondores, Peru.
18/12/1985 – João Canuto, líder sindical em Rio Maria, Pará, Brasil, assassinado a mando de fazendeiros. Seus filhos Paulo e José Canuto, foram assassinados em 22/04/1990, o irmão Orlando Canuto que havia sido sequestrado com eles, por 4 homens armados, foi baleado na barriga e braço direito, mas conseguiu fugir e sobreviveu.
18/12/1992 – Manuel Campo Ruiz, religioso mariano, vítima da violência e da corrupção da policia do Rio de Janeiro, assassinado na cadeia por guardas da prisão e policiais-militares que queriam roubá-lo, quando visitava um preso. Seu corpo foi lançado a um rio e nunca encontrado.
19/12/1994 – Alfonso Stessel, 65 anos, padre de origem belga, é assassinado a facadas e tiros por um grupo ao voltar da celebração de uma capital guatemalteca.
20/12/1818 – Luis Beltrán, franciscano, “primeiro arquiteto do exercito libertador” dos Andes, Argentina. Foi um de muitos religiosos, como a maioria dos congressistas do Tucumã, que participaram das lutas de independência.
21/12/1907 – Massacre em Santa María de Iquique, Chile: 3.600 vítimas – mineiros em greve por melhores condições de vida.
21/12/1964 – Guilhermo Sardiña, padre, solidário com seu povo na luta contra a ditadura, Cuba.
22/12/1815 – José Maria Morelos, padre e herói da Independência mexicana.
22/12/1988 – Francisco “Chico Mendes”, 44 anos, líder ecologista em Xapuri, Brasil. Assassinado pelos latifundiários.
22/12/1997 – Massacre de Acteal, município de Chenalhó, Chiapas, México: grupos paramilitares ligados aos latifundiários e ao PRI massacram “As Abelhas”, grupo indígena tzotzil pacifista, reunidos em oração, em seu terceiro dia de jejum; 45 mortos e feridos, dentre eles 9 homens, 21 mulheres, 14 crianças e um bebê.
23/12/1989 – Gabriel Félix R. Maire, padre francês, assassinado em Vitória, Brasil, por causa de sua pastoral em favor dos pobres.
25/12/1652 – Alonso de Sandoval, testemunha da escravidão em Cartagena das Índias, profeta e defensor dos negros.
 27/12/1979 – Ângelo Pereira Xavier, cacique da nação pancararé, no Brasil, morto na luta de seu povo pela terra.
28/12/1977 – Massacre dos camponeses de Huacataz, Peru.
28/12/1987 – Mais de cem garimpeiros – homens, mulheres e crianças – de Serra Pelada, Marabá, Brasil, que bloqueavam a ponte do rio Tocantins, morrem atacados a tiros pela Policia Militar. Eles reivindicavam seus direitos e segurança no trabalho.

31/12/1972 – Morre em São Paulo, no 4º dia de tortura, Carlos Daniel, do PC do Brasil, sem revelar nada.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Dorcelina de Oliveira Folador

DORCELINA DE OLIVEIRA FOLADOR
Prefeita do Povo
MUNDO NOVO – MS * 30/10/1999

Hoje fazemos memória de 15 anos de seu martírio.

Dorcelina nasceu no Paraná, em 1963 e foi assassinada em Mundo Novo, MS, com apenas 36 anos de idade, na varanda de sua casa, no dia 30 de outubro de 1999.

Dorcelina iniciou sua luta social na pastoral da juventude, nas comunidades eclesiais de base, na pastoral da terra e na pastoral familiar, foi líder do movimento sem terra, militante do PT, e prefeita do povo no mais autêntico sentido da palavra. Símbolo da resistência contra a corrupção, amante da natureza, lutadora pela reforma agrária.  Irradiava coragem e esperança.  Eleita prefeita numa vitória popular que enfrentou as ameaças do latifúndio e do narcotráfico, mereceu mais de 80% de aprovação popular.

Tem sido definida como eficientíssima “deficiente (pela poliomielite), mãe militante da vida e da ética, alegre e intensa, autodidata, artista plástica, educadora, verdadeira, solidária, cristã”. Recebeu o prêmio Marçal de Souza de 1999.

O Evangelho esteve sempre presente em sua vida.  A Bíblia ficava sempre aberta, em sua sala da prefeitura, precisamente no Salmo 27: “Javé é minha luz e salvação; de quem terei medo?”

Galeria dos Mártires - Santo Dias da Silva

SANTO DIAS DA SILVA
Militante da Pastoral Operária
SÃO PAULO – SP * 30/10/1979

Hoje fazemos memória dos 35 anos no martírio de Santo Dias. 

Santo Dias da Silva, de origem camponesa, migrante na periferia da grande cidade, operário metalúrgico, sindicalista, membro da Pastoral Operária de São Paulo e ministro da Eucaristia, Santo soube juntar uma crescente consciência de classe na luta operária, com uma fé cristã vivida coerentemente e publicamente. 

A polícia o assassinou à queima roupa enquanto integrava um piquete de greve diante de Fábrica Silvania e impedia que um colega fosse detido. 

Seu corpo, envolto na bandeira do Sindicato dos Metalúrgicos, percorreu as ruas de São Paulo, acompanhado por mais de cem mil pessoas, que agitavam ramos de palmeira e gritavam unânimes: “Companheiro Santo, você está presente!”.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Dom Christophe Munzihirwa

Dom CHRISTOPHE MUNZIHIRWA
Mártir da Esperança
CONGO * 29/10/1996

Em 29 de outubro de 1996, Christophe Munzihirwa, Arcebispo de Bukavu, Congo, foi morto por um grupo militar de Ruanda. Ele pagou com o próprio sangue seu compromisso corajoso com a paz e a liberdade. Pague com sua vida seu impulso determinado para a verdade e a justiça. 

Lembrando monsenhor Christophe Munzihirwa hoje não é só lembrar a figura de um autêntico testemunho da Igreja de Congo, mártir por defender os pobres, mas também para sublinhar se compromisso cristão de ser testemunha da Testemunha fiel, o Mártir Jesus. Assumindo suas causas e consequências.

Em sua defesa apaixonada dos direitos dos refugiados ruandeses, Mons. Munzihirwa também denunciou a mídia ocidental que influenciaram habilmente pelo poder em Kigali, sempre mostrou o seu apoio ao novo regime, não percebendo que eles estavam apoiando o genocídio contra hutus. 

Em certa ocasião ele disse: "Em Burundi e Ruanda guerras fratricidas estão em curso, mas em ambientes internacionais parecem estar esperando para ver o que acontece. Gostaríamos de saber se este não é o resultado de algo planejado, escondido ... Quem irá revelar os planos secretos das pessoas bem protegidas que estão determinados a eliminar os pobres? ...". 

Ele também denunciou como cada um também foi culpado de atos violentos e cruéis de vingança pessoas. Para eles, era necessário não só o perdão e a misericórdia, mas uma conversão sincera. Um futuro de reconciliação deve, necessariamente, vir dessa maneira.

Galeria dos Mártires - Massacre de El Amparo

MASSACRE DE EL AMPARO
14 Pescadores
VENEZUELA * 29/10/1989

El Amparo é um povoado à beira do rio Arauca, no estado de Apure. Esses pescadores viviam do trabalho diário da pesca e foram atacados com armas de guerra, numa emboscada montada por policiais e militares. 

Os executores do massacre pertenciam ao comando especial ‘José Antonio Páes’, corpo de elite do exército venezuelano. 

Ficaram as viúvas e os cinqüenta órfãos dos pescadores assassinados. 

Os nomes desses mártires, defensores da pesca popular, são: Júlio Pastor Caballos, Mariano Torrealba e seu filho José Gregório, Luís Alberto Berrios, José Ramón Puerta, Carlos Antonio Bregua, Justo Mercado, Pedro Indalecio Mosqueda, José Indalecio Guerrero, Arín Maldonado, Marino Vivas, Rigoberto Araújo, Carlos Antonio Eregua e Moisés Blanco.

sábado, 25 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Herbert Anaya


HERBERT ANAYA
Mártires dos Direitos Humanos
EL SALVADOR * 26/10/1987

Herbert Anaya, ativista cristão, advogado de 33 anos e pai de cinco filhos. Coordenador da Comissão de Direitos Humanos de El Salvador, CDHES, assassinado na frente de seus filhos, na saída de sua casa em San Salvador.

Desde jovem sempre foi um lutador pelos direitos humanos. Em 1980 assume a assistência jurídica às vítimas de repressão. No cumprimento da sua missão visita as zonas de guerra para averiguar os danos causados ​​pelos bombardeios e, o assassinato em massa, que cotidianamente sofria seus povos.

Em maio de 1986, ele foi preso pela Polícia do Tesouro, no centro da cidade. Durante 15 dias permaneceu desaparecido, durante este tempo foi submetido a tortura física e psicológica horrível. Os métodos mais sofisticados utilizados por seus torturadores não conseguem quebrar a sua coragem e firmeza de suas convicções. Quando lhe pediram para "cooperar" para obterem "informação" que lhes permite acusá-lo de cumplicidade com os guerrilheiros, Herbert responde a eles. "Há um aspecto moral que não me permite fazer e eu fico com as consequências. O máximo que podem  fazer é me matar, porém, o que mataria será o meu corpo, porque minha alma vai continuar a trabalhar pela a justiça".

Depois de passar pelo carcere de Mariona, compartilhado com outros presos políticos. De lá continua a dirigir CDHES. Após 10 meses foi libertado, porém, diariamente os arredores de sua casa era monitorado e as ameaças eram constante. Mas seu desempenho público continua. 

Na Universidade Central condena as consequências da situação em que se encontrava, em um programa de televisão, faz o mesmo com relação ao uso de armas ilegais no conflito. 

Sua sentença de morte estava assinado. Os esquadrões da morte faz o resto: no dia 26 de outubro de 1987 dois homens civis, com armas de 9 milímetros e silenciador, tentam calar a voz que ainda segue clamando por justiça.

O Assassinato de Herbert é o culminar de todas as acusações e ameaças feitas pelo COPREFA (Comitê de Imprensa das Forças Armadas, e vários porta-vozes do governo).

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Galeria dos Mártires - Vladimir Herzog

VLADIMIR HERZOG
Jornalista, Mártir da Verdade
SÃO PAULO – SP * 25/10/1975


“Vlado” era um homem alegre e cheio de iniciativa, casado, pai de família, jornalista e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo e diretor de telejornalismo na TV Cultura. Muito querido por seus alunos e seus colegas de trabalho. 

Em outubro de 1975 a ditadura militar empreendeu uma série de prisões de jornalistas de esquerda e Vladimir foi preso no DOI-Codi (centro de repressão do II Exército em São Paulo) e selvagemente torturado até morrer. 

Sua morte e a do operário Manoel Fiel Filho (janeiro de 1976), também ocorrida pela tortura no DOI-Codi, provocaram uma crise interna entre os altos chefes do Exército. E o assassinato de Vladimir, que inutilmente a repressão tentou apresentar como suicídio, convocou a primeira grande manifestação de massa contra a ditadura desde a AI-5. 

Milhares de pessoas se deslocaram até a catedral da Sé, patrulhada por centenas de policiais para um culto ecumênica presidido pelo Cardeal D. Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel (Vladimir era de família judia). A celebração se transformou num grito coletivo de denúncia e de afirmação da esperança.