sexta-feira, 7 de junho de 2013

Galeria dos Mártires - Irmã Filomena Lopes Filha

“VOCAÇÃO É VIVER, TORNANDO A VIDA MAIS BELA”
07/06/1990 – Irmã Filomena Lopes Filha, apóstola das favelas, Nova Iguaçu, RJ, Brasil, assassinada.

Irmã Maria Filomena Lopes Filha, que no final da década de oitenta, integrou a missão em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, na congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria, de Bonlanden, que estava presente ali desde 1935. Nessa cidade da Baixada Fluminense, a “Irmã Filó”, como era carinhosamente chamada por suas colegas na Congregação, atuou com dedicado esmero no apoio às famílias carentes e na educação da juventude. Irmã Filomena nasceu no dia 26 de maio de 1946, em São Miguel do Anta, Mina Geral. Filha do Senhor José Teixeira Lopes e Dona Filomena Lopes, de família numerosa e ardente fervor religioso. Seu terceiro irmão, José Lopes, tornou-se, também, religioso consagrado e padre, na Congregação dos Sacramentinos.
Desde cedo “Filó” alimentava o desejo de se tornar Religiosa Consagrada Franciscana. Não demorou muito e encontrou o seu ninho nas Franciscanas de Bonlanden. Após passar pelas etapas iniciais da formação, a Irmã passou a integrar a comunidade educativa do Instituto de Educação Santo Antonio – IESA.
Em 1986, devido às inúmeras intempéries por que passavam as famílias ribeirinhas, sofridas por constantes chuvas, enchentes e falta de saneamento básico, a Irmã Filomena decidiu colocar a mão na massa ou seria no arado?
Com o objetivo de remover o povo sofrido daquela área de risco, o projeto resistiu por frutuosos cinco anos. Pela inquietação que origina no batismo, pela consciência e fé cristã, o sofrimento daquele povo deveria ser visto e seu grito aflito, ouvido. Motivada pela Campanha da Fraternidade que teve como tema: Terra de Deus, Terra de irmãos, a equipe educativa do IESA, sob sua coordenação, iniciou o projeto de construção de casas populares, em regime de mutirão. Em consonância com nossa missão, as Irmãs e a equipe educativa apostaram no intercâmbio pedagógico entre um grupo de educadores, pais e alunos do Curso Técnico em Eletromecânica e os moradores.
No dizer de São Francisco de Assis, “guiada pelo espírito do Senhor e seu santo modo de operar”, de corpo e alma, a Irmã Filó coordenou o projeto, organizou os grupos de trabalho, supriu com material e supervisionou as obras concretizadas em número e qualidade de vida: famílias mais felizes, habitadas em cento e quarenta e quatro casas, assistidas por uma creche e um posto de saúde. Mas nesse meio, não poderia faltar o templo de Deus e de seu povo. Por isso, um salão e uma Igreja.
Em carta escrita para seus familiares, com data de 07/06/90, Ir. Filomena, afirmou - “vocação é viver, tornando a vida mais bela”. Estas foram suas últimas palavras escritas e que não chegaram a ser enviadas. À tarde desse mesmo dia, Irmã Filó foi ao mutirão levar cimento e havia dito às Irmãs de sua fraternidade: “voltarei as 17horas e 30min. para missa”. Mas não voltou. Junto ao sacrifício de Cristo, deu-se o seu sacrifício. Foi sequestrada, assassinada e deixada em abandono, até que no dia seguinte seu corpo foi encontrado.
Pelo crime impune, pela perda da “Apóstola da Baixada”[1], o povo da favela ficara novamente órfão.



sábado, 1 de junho de 2013

Martirológio Latino-americano - mês de junho

Junho

01/06/1989 – Sergio Restrepo, padre jesuíta, mártir da promoção humana e da libertação dos camponeses de Tierralta, Colômbia.
01/06/1991 – João de Aquino, presidente do Sindicato de Trabalhadores de Nova Iguaçu, Brasil, assassinado.
02/06/1987 – Sebastián Morales, diácono da Igreja Evangélica, mártir da fé e da justiça na Guatemala.
03/06/1548 – Juan de Zumárraga, bispo do México, protetor dos índios.
03/06/1964 – São Carlos Lwanga, declarado padroeiro dos jovens africanos e outros 21 companheiros mártires da fé em  Uganda: jovens queimados vivos por Mwanga, rei ugandês dos baganda por sua adesão à fé cristã. Juntos a estes 22 católicos foram mortos por razões religiosas, 11 protestantes, 8 ‘pagãos’ e um muçulmano: semente do ecumenismo na África.
04/06/1876 – Raúl Rodriguez  e Carlos Antonio Di Pietro, religiosos assuncionistas, seqüestrados de sua comunidade do Bairro Manuelita, San Miguel, Buenos Aires, Argentina.
04/06/1980 – José Maria Gran, padre missionário, e Domingo Batz, sacristão, mártires em El Quiche, Guatemala.
05/06/1573 – Execução cruel do cacique Tanamaco. Venezuela.
05/06/1988 – Augustín Ramírez e Javier Sotelo, operários mártires da luta dos marginalizados da Grande Buenos Aires. Baleados, os corpos foram atirados numa vala.
06/06/1980 – José Ribeiro, líder da nação indígena apurinã, assassinado, Brasil.
06/06/1989 – Pedro Hernández e companheiros, líderes indígenas, mártires da reivindicação da própria terra no México.
07/06/1990 – Irmã Filomena Lopes Filha, apóstola das favelas, Nova Iguaçu, RJ, Brasil, assassinada.
07/06/1998 – Centenas de soldados atacam representantes indígenas reunidos na escola de El Charco, Guerrero, México, confundidos com guerrilheiros. Morrem 10 camponeses e um estudante.
08/06/1982 – Luis Dalle, bispo de Ayaviri, Peru, ameaçado de morte por sua opção pelos pobres, morre em “acidente” provocado nunca esclarecido.
09/06/1597 – José de Anchieta, nascido nas Canárias, evangelizador do Brasil, “Grande Pai” dos guaranis.
09/06/1971 – Héctor Gallego, padre colombiano, 34 anos, mártir dos camponeses panamenhos, em Santa Fé de Veraguas.
09/06/1979 – Juan Morán, padre mexicano, mártir em defesa dos índios mazahuas.
09/06/1980 – Ismael Enrique Pineda e companheiros, promotor da Caritas em San Salvador, desaparecidos em El Salvador.
09/06/1981 – Toribia Flores de Cutipa, dirigente rural vítima da repressão da Guarda Civil no Peru.
10/06/1993 – Norman Pérez Bello, militante, mártir da fé e da opção pelos pobres, Colômbia.
11/06/1980 – Ismael Enrique  Pineda, promotor da Cáritas em San Salvador, e companheiros, desaparecidos em El Salvador.
12/06/1981 – Joaquim Neves Norte, advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Naviraí, Paraná, Brasil, assassinado.
12/06/1982 – Outro massacre em Sumpul, El Salvador; mais de 300 lavradores quase todos crianças, mulheres e velhos, são assassinados ao tentar chegar à fronteira com Honduras.
14/06/1977 – Mauricio Silva, padre uruguaio, irmão do Evangelho, varredor em Buenos Aires, mártir dos pobres, seqüestrado e desaparecido.
14/06/1980 – Cosme Spessoto, padre italiano, pároco, mártir em El Salvador.
14/06/1983 – Vicente Hordanza, padre missionário a serviço dos camponeses, Peru.
15/06/1962 – Víctor Sanabria, arcebispo de São José da Costa Rica, fundador da Ação Católica, defensor da justiça social, símbolo de uma Igreja aberta aos problemas sociais.
15/06/1987 – Doze pessoas são assassinadas em Santiago pelos serviços de segurança, no que ficou conhecido como “Operação Albânia” ou “Matança de Corpus Christi”.
15/06/1989 – Teodoro Santos Mejía, padre, Peru.
16/06/1645 – Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares, enquanto participavam da missa dominical na capela Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, agreste do Rio Grande do Norte.
16/06/1976 – Massacre de Soweto, África do Sul: 700 crianças assassinadas por se recusarem a aprender o africâner.
16/06/1976 – Aurora Vivar Vásquez, militante cristã, sindicalista, mártir das lutas operárias do Peru.
17/06/1983 – Felipa Pucha e Pedro Cuji, camponeses indígenas, mártires do direito à terra em Culluctuz, Equador.
19/06/1986 – Massacre nas penitenciárias de Lima, Peru.
20/06/1923 – É assassinado Doroteo Arango, “Pancho Villa”, general revolucionário mexicano.
20/06/1979 – Rafael Palácios, padre, mártir das comunidades de base salvadorenhas.
20/06/1998 – Leo Commissari, sacerdote italiano, assassinado pela sua luta em favor dos pobres e excluídos do ABC paulista, Brasil, mártir da justiça e da paz.
21/06/1984 – Sergio Alejandro Ortiz, seminarista, mártir da perseguição à Igreja na Guatemala.
22/06/1965 – Artuno Mackinnon, canadense de origem, membro da Sociedade Missionária de Scarbono, assassinado aos 33 anos em Monte Plata, ao protestar contra as injustiça da polícia contra os pobres, mártir na República Dominicana.
22/06/1966 – Manuel Larraín, bispo de Talca, presidente do CELAM, pastor do povo chileno, profeta da libertação.
23/06/1967 – Massacre de San Juan, no centro mineiro “Século XX”,  Bolívia, em que morrem mineiros e suas famílias.
25/06/1975 – Os mártires de Olancho: Iván Betancourt, colombiano, Miguel “Casimiro”, padres, e sete companheiros camponeses hondurenhos, mártires.
26/06/1541 – Morte violenta de Pizarro.
26/06/ - Dia internacional de apoio às vítimas da tortura.
27/06/1552 – Domingo de Santo Tomás e Tomás de San Martín, dominicanos, primeiros bispos da Bolívia, defensores dos índios.
27/06/1982 – Juan Pablo Rodrigues Ran, padre indígena, mártir da justiça na Guatemala.
29/06/1995 – Conflitos de terras em São Félix do Xingu, Brasil, morrem 6 agricultores e um policial.
30/06/1975 – Dionisio Frías, líder rural, mártir das lutas pela terra na República Dominicana.
30/06/1978 – Hermógenes López, pároco, fundador da Ação Católica Rural, mártir dos camponeses guatemaltecos.

30/06/ – Dia dos mártires da Guatemala. Era o dia do Exército, e foi transformado para denunciar os torturadores e assassinos dos povos da nação guatemalteca.