quinta-feira, 23 de março de 2017

Galeria dos Mártires - Antônio Tiningo

ANTÔNIO TININGO
Mártir da Terra Livre
JATAÚBA-PE * 23/03/2012

Dois tiros numa emboscada.

“O líder do MST Antônio Tiningo foi assassinado com dois tiros no município de Jataúba (223 km de Recife). A Polícia Civil disse que ele foi morto em uma emboscada, numa estrada que liga dois assentamentos. Ainda de acordo com a polícia, dois homens alvejaram o sem-terra. O MST afirmou que um empresário conhecido como Brecha Maia é o mandante do crime”.

Tiningo era um dos coordenadores do acampamento da fazenda Ramada, ocupada há mais de três anos. No final de 2011, apesar de ocupada pelos sem terra, a fazenda foi comprada pelo empresário do ramo de confecção e especulação imobiliária Brecha Maia. “Logo que comprou a área, o fazendeiro – que possui outras fazendas na região – expulsou ilegalmente as famílias, sem nenhuma ordem judicial ou presença policial”, relata uma nota oficial do MST.
  
Violência e impunidade do latifúndio.

As famílias reocuparam a área em fevereiro de 2012, desde então, o fazendeiro ameaça retirá-las à força, “intimidando pessoalmente algumas lideranças da região, dentre elas, Antônio Tiningo. Uma semana antes do assassinato de Tiningo, Brecha Maia havia declarado que faria o despejo das famílias por bem ou por mal, e que não passaria de sexta-feira, dia em que Tiningo foi assassinado”.

A nota do MST destaca que “o assassinato de Antônio Tiningo é mais uma consequência da omissão do Estado em relação à violência e impunidade do latifúndio na região do agreste de Pernambuco. Por ser uma região em que os poderes públicos locais possuem uma relação estreita com os proprietários de terra, o MST está exigindo que seja indicado um delegado especial para apurar o caso”.




Galeria dos Mártires - María del Carmen Maggi

MARÍA DEL CARMEN MAGGI
Mártir da Educação Libertadora
ARGENTINA * 23/03/1976

María del Carmen Maggi, decana da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Mar del Plata.

Testemunha do sequestro de estudantes e professores de sua faculdade sofreu a mesma experiência. Foi sequestrada de sua casa, na madrugada de 09 de maio de 1975 por um grupo armado de doze pessoas, um dia antes do golpe.

Sua família recebeu uma coroa de flores no dia seguinte.

O clero da diocese e o próprio bispo, Monsenhor Pironio, fizeram declarações, solicitando aos sequestradores que a devolvessem com vida. “Peço-lhes que reflitam sobre o que isto significa como violação dos direitos elementares e sagrados da pessoa humana. Por este mesmo motivo, peço-lhes que a devolva, o quanto antes ao seu lar. Mas minha voz se estende além dos limites deste acontecimento e quer compartilhar da dor de outras pessoas, familiares e instituições, que estão sofrendo também profundamente as consequências de um sequestro, de uma ameaça, de um atentado”.

Apesar de todos os protestos, María del Carmen apareceu assassinada dez meses depois, perto do lagoa Mar Chiquita, na província de Buenos Aires no dia 23 de março de 1976.

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura do Livro:
Martírio, Memória perigosa na América Latina hoje, e da página: http://martiresargentinos.blogspot.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2017

Galeria dos Mártires - Massacre de Guiúa

MASSACRE DE GUIÚA
Catequistas Mártires
MOÇAMBIQUE * 22/03/1992

Memória dos 25 anos do MAssacre de Guiúa

Já nos últimos meses da guerra em Moçambique, África, confiante de que a paz poria fim à guerra, a Diocese de Inhambane, no sul do país, decidira reabrir o Centro Catequético do Guiúa, localizado a 500 km da capital, Maputo, para a formação de famílias de catequistas.

Foram escolhidos em diferentes paróquias duas dezenas de famílias que se disporiam a passar um período de três anos em formação neste centro catequético.

Após se instalarem, as famílias estavam vivendo um ambiente de alegria e expectativa que se iniciava no conjunto de 32 casas destinadas a abriga-las. Arrumadas as bagagens e organizada a acomodação, o dia foi findando entre preparos vários e os ajustes à nova moradia. As crianças e todos os adultos se aquietaram vencidos pelo cansaço e pelo sono, e ansiosos por serem apresentados no dia seguinte à comunidade cristã do Guiúa após a celebração eucarística na Igreja matriz Santa Isabel.

A noite de 22 de março de 1992 se fazia calma e, quando tudo estava já silenciosa e só a luz da lua pairava sobre as casa, um som se ouvia nos caminhos ao redor das casas. Pareciam passos de muita gente, em ritmo apressado.

Na calada da noite um grupo de homens armados invade o centro catequético. Os catequistas acordam com fortes pancadas nas portas e logo os que não abriram, as viram arrombadas com violência. Os obrigaram a sair para a rua sob a ameaça de armas.

Suas casas foram saqueadas e os malfeitores os obrigaram a levar os pertences que lhes haviam roubado.

Sob mira de espingardas, foram obrigados a seguir uma penosa marcha, sob o peso da carga e do medo, num calvário cujo fim desconheciam.

Devido o grande número de raptados, a caminhada se tornou lenta demais, o que causou nervosismo dos assaltantes, que queriam o quanto antes chegar à base dos guerrilheiros da RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique), sem serem surpreendidos no caminho.

Depois de 3 km de marcha, num lugar ermo, fizeram a escolha implacável, matar homens, mulheres e crianças, onde seria difícil chamar a atenção. Alguns catequistas ajoelham e rezam, outros afirmam que vieram em paz, estudar para anunciar o Evangelho, semear a paz naquele país de famílias destruídas, dilaceradas pela guerra civil. Porém de nada valeu o apelo dos catequistas por paz.

Foram brutalmente assassinados 23 pessoas, homens, mulheres e crianças. Dos raptados, poucos conseguiram fugir ou sobreviver.

O sangue dos mortos ensopou para sempre o chão de areia do Guiúa, e ergueu bem alto, um silencioso testemunho de fé.

Entre os sobreviventes, um conseguiu escapar e ao chegar à missão do Guiúa, avisou os padres e as irmãs o horror vivido por ele e seus companheiros catequistas. De imediato, os religiosos foram com o sobrevivente até o local do massacre, o horror refletiu-se no rosto deles ao presenciar os corpos amontoados e o pesado cheiro de sangue e de morte.

Os corpos mutilados foram levados para a sede da Missão, que ficou para sempre marcada por esta ferida profunda. Depois foram suputados no Centro Catequético, no alto de uma colina onde ainda hoje jazem e a sua memória é profundamente reverenciada.

Desde o então massacre, o cemitério onde estão sepultados, se tornou um local sagrado, onde acontecem romarias de centenas de cristãos, e na data do massacre se realiza uma solene celebração litúrgica, lembrando estes mártires da fé.
  
O bispo Dom Adriano Langa, ofm, evocando a data de 22/03, proclamou um decreto que cria um Santuário Diocesano dedicando a Nossa Senhora Rainha dos Mártires, com sede no Guiúa. No dia 22 de março de 2012, foi então lido o decreto episcopal, diante de toda a comunidade e celebrada a eucaristia em memória dos catequistas mártires.

Os nomes dos Mártires Catequistas

1.       Ivone Faustino, 9 anos – Inhambane
2.       Cecilia Jamisse, 38 anos – Inhambane
3.       Faustino Cuamba, 45 anos – Inhambane
4.       Albino Thepo, 40 anos – Zavala
5.       Catarina Sambula, 25 anos – Mapinhane
6.       Isabel Foloco, 45 anos – Morrumbene
7.       Benedito Penicela, 50 anos – Morrumbene
8.       Joaquim Marrumula, 55 anos – Jangamo
9.       Verónica Sumbula, 32 anos – Mavamba
10.     Madalena Beme, 50 anos – Guiúa
11.     Deolinda Fernando, 50 anos – Mocodoene
12.     Gina Fernando, 11 anos – Mocodoene
13.     Maria Titose, 32 anos – Guiúa
14.     Rita Leonardo, 8 anos – Guiúa
15.     Arlindo Leonardo, 1 ano – Guiúa
16.     Leonardo Joel, 47 anos – Guiúa
17.     Arnaldo Adolfo, 12 anos – Massinga
18.     Zito Adolfo, 10 anos – Massinga
19.     Luísa Mafo, 40 anos – Massinga
20.     Juvêncio Carlos, 6 meses – Funhalouro
21.     Fatima Valente, 24 anos – Funhalouro
22.     Carlos Mucuanane, 35 anos – Funhalouro
23.     Sussana Carlos, 10 anos – Funhalouro

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura do artigo:
Uma página de martírio, de Diamantino Guapo Antunes, Revista Missões, Julho 2012 e consulta na internet.

Galeria dos Mártires - Rafael Hermández

RAFAEL HERMÁNDEZ
Mártir da luta pela terra
MÉXICO * 22/03/1988

Rafael Hernández, líder camponês, mártir da luta pela terra entre seus irmãos no México.

Trabalhador camponês de 46 anos, pai de dois filhos, cristão militante da comunidade de Guadalupe, Amatán, Chiapas.

Sua pobreza o impediu de ir à escola. Não era dono de um pedaço de terra ou uma moita de café. Mas um lutador ativo do Comitê de Defesa dos Camponeses.

Morto por pistoleiros pagos pelo Fazendeiro. Os camponeses lutam para derrubar o Comitê à Ernesto Ocaña, ex-presidente municipal, confiante fazendeiro Erwin Tessman, cacique, déspota para os agricultores. Rafael marcha a frente de seus irmãos para pedir impeachment e auditoria para Ocaña.

O objetivo é alcançado, porém é a sentença de morte para Rafael. Não lhe perdoam sua liderança e seu compromisso com a causa dos camponeses. O ameaçam de morte.

Naquela tarde de 22 de março de 1988, caminha sozinho pela aldeia, onde se escondem mercenários Tessman para assassiná-lo. Para preencher as formalidades, acusaram ​​de assassinato a Benito Hernandez, da comunidade de Guadalupe, torturado para que confessasse culpado. Perseguiam os catequistas Juan e Luis Castellanos, acusando-os de suspeitos. 

A Comunidade Amatán reflete, esperançada, ante ao acontecido: “A morte de Rafael Hernández se parece muito com a de Jesus, porque Jesus vinha anunciando e denunciando, por isso os poderoso o perseguiram até a morte. Rafael dedicado seu tempo a ver o bem do nosso povo, e pelo povo derramou seu sangue. Hoje sua memória e seu compromisso nos anima a continuar unidos e organizados, defendendo o que é nosso por direito.

 Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir da página: 
http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Pe. Luis Espinal

Pe. LUIS ESPINAL “LUCHO”
Mártir das lutas do povo
BOLÍVIA * 22/03/1980

Luis Espinal, “Lucho”, sacerdote jesuíta e jornalista, espanhol, missionário, 48 anos, mártir na luta do povo boliviano.

Nasceu em Manresa, Barselona, Espanha, no dia 4 de fevereiro de 1932. Ordenou-se sacerdote em 1962. Em 68 foi para Bolívia, onde trabalhou como professor na Universidade Maior de Santo André.

Fundou e dirigiu o semanário “AQUI”. Crítico de cinema, jornalista e especialista em televisão, ganhou na Espanha o premio EUROVISÃO, pela originalidade e qualidade de seus trabalhos.

Identificou-se com o povo boliviano, especialmente com aqueles cujos direitos estavam sendo espezinhados. 

Presidiu a Comissão de Direitos Humanos.

Assassinado depois de brutais torturas por um grupo paramilitar que pretendia silenciar o testemunho de sua vida e de sua voz.

No dia 21 de março de 1980, foi visto, cerca das 20 horas, caminhando pelo centro da cidade. Ao voltar à sua residência o sequestraram. Um jipe verde o esperava na porta de sua casa e vários homens o empurraram violentamente para o interior do veículo, segundo pessoas que de longe presenciaram a captura.

Seu cadáver, com numerosos impactos de bala e claras mostras de haver sido torturado antes, foi encontrado abandonado na região de Chacaltaya, no quilômetro 8. Estava amordaçado e com as mãos amarradas atrás do corpo.

Segundo o informe dos médicos que fizeram a autópsia, Pe. Luis faleceu cerca das 4 ou 5 da madrugada, por causa da perda de sangue. Tinha fratura externa, hematomas em varias partes do corpo. Doze orifícios de bala. Sabe-se que foi torturado em um matadouro velho e depois, seu cadáver, deixado em outra parte da cidade.

Lucho deixou uma série de pensamentos e orações reunidos por seus amigos em um livro,(Oraciones a quemarropa – Asamblea Permanente de Derecho Humanos, Sucre, 1981).

Abaixo um destes textos escrito por Luis Espinal.

Cristo Total

Existem cristãos mudos, que enquanto não se mexe com eles, ficam tranquilos, por mais que o mundo se arrebente.

Não protestam contra as injustiças, porque estão escravizados ao Estado pela perseguição ou pelo compromisso, comprados pelo medo ou pelo oportunismo.

Outros, talvez, porque nada têm como contribuição. Para eles a fé é uma coisa etérea, que nada tem a ver com a vida; vale só das nuvens para cima...

Nós te pedimos Senhor, pelos cristãos do silêncio; que tua Palavra lhes queime as entranhas e os faça superar a coerção. Que não se calem como se nada tivessem a dizer.

Sabes o que convém à tua Igreja, se um fervor de catacumbas ou a rotina de uma “proteção” oficial. Dá-lhes o que seja melhor, ainda que seja a cadeia ou a pobreza.

Livra-nos do silencio daquele que se enfastiou diante da injustiça social; livra-nos do silencio “prudente” para não nos comprometer.

Receamos ter limitado teu Evangelho; agora já não tem arestas, nem espanta a ninguém; temos pretendido convencer-nos de que é possível servir a ti e ao dinheiro.

Senhor livra a tua Igreja de todo ranço do mundo; que não pareça uma sociedade a mais, com seus caciques, acionistas, privilégios, funcionários e burocracia.

Que tua Igreja nunca seja Igreja do silêncio, uma vez que é a depositária de tua Palavra; que apregoa livremente, sem reticencias nem covardias. Que jamais se cale, nem diante dos que usam de brandura, nem diante dos que tomam em armas.
  
Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura dos Livros:
Martírio, Memória perigosa na América Latina hoje, e Salmos Latino-Americanos, Edições Paulinas.



terça-feira, 21 de março de 2017

Galeria dos Mártires - Ir. Luz Marina Valencia

Irmã LUZ MARINA VALENCIA 
Mártir da Justiça entre os Camponeses do México
MÉXICO * 21/03/1987

Luz Marina Valencia, colombiana de 35 anos, religiosa da Imaculada Conceição, morta em um povoado de Cuajinicuilpa, Guerrero, México.

Mártir da justiça entre os camponeses no México.

Chega ao México no final de 1986 com duas irmãs de sua congregação e se integraram a uma equipe Pastoral com os Padres Oblatos de Maria Imaculada.

Com Padre Roberto Hickl fazem missão em Gloria Escondida. Luz Marina fica na cabana de uma família de camponeses.

Para entender o que aconteceu naquela noite, devemos conhecer a realidade "escondida" no que é chamado de "Gloria". Um dos lugares mais pobres do município, onde os agricultores servem a família Flores, proprietários de terras que partilham o poder com outros proprietários de terras no estado e ainda possui o povoado.

Seus habitantes são seus peões, mal pagos e alguns não recebiam por mais de três meses. Ali, o padrão é o proprietário da terra, do trabalho e da vida do trabalhador. As pessoas têm memórias de muitos assassinatos. Sua autoridade chega a ultrajar e dispor das mulheres do povoado.

Luz Marina conhece a situação e denuncia.

Como Jesus veio para "anunciar o Evangelho aos pobres, para libertar os oprimidos". Só sua presença de mulher, junto com o povo, a partir de sua fé, já é sua sentença de morte.

Na noite de 21 de março de 1987, enquanto dormia na cabana, quatro homens armados entram violentamente e a sequestra. Ela luta, grita, se esforça.

Eles não puderam levá-la porque havia uma cerca ao redor da casa. Disparam-lhe um tiro no estômago. Depois de sete horas, morre de tanto sangrar. "Meu Deus, perdoa-lhes", ela sussurra.

Na cruz de seu túmulo se lê: "Sua morte é a semente de liberação para o povo".

Texto organizado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura de texto na internet e revistas.

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Aguilar

Pe. RODOLFO AGUILAR
Mártir da Libertação
MÉXICO *  21/03/1977
 
Rodolfo nasceu na Cidade do México, no domingo 28 de novembro de 1948. Entrou no Seminário de Chihuahua em 28 de setembro de 1961. Ciente do chamado de Deus para o sacerdócio expressa: "Eu quero fazer da minha vida uma resposta profético e sacerdotal ao chamado de Deus meu Pai e aos homens e mulheres, meus irmãos... Eu sei que o Senhor me ama".

Foi ordenado sacerdote em 16 de setembro 1974 na Catedral de Chihuahua. Logo após ser ordenado foi enviado em missão para o trabalho pastoral em uma aldeia de camponeses e trabalhadores.

Afim de conhecer o povo da comunidade, imediatamente começou a fazer visitas, andar pelas ruas, ter um maior contato com os moradores, escutando a todos e conhecendo a realidade em que viviam para assim ter mais elementos que lhe permitiu ter uma base para o Plano de Pastoral. Com este contato direto com os habitantes, pode descobrir que mesmo diante da pobreza, eles tinham muitas coisas belas a oferecer, e assim começou a formar grupos de jovens, crianças e adultos.

Seu maior compromisso era com os pobres, os sem casa, os analfabetos, os doentes. 

Ao consolidar a formação de grupos de acordo com o interesse de cada um, e organizar a comunidade, teve como atividade especial a solidariedade com os trabalhadores, especialmente os eletricistas e os colonos, e a partir desta organização nasceu o movimento Nombre de Dios.

Por sua opção preferencial pelos pobres, causou imediatamente a ira e a repressão dos poderosos que queimaram a sua casa paroquial, e em várias ocasiões ameaçaram Pe. Rodolfo de morte. 

Diante destes acontecidos, Rodolfo foi repreendido pelo seu bispo, que lhe pediu para deixar o sacerdócio.

Este fato fez com que os operários e camponeses se manifestassem a favor do Pe. Rodolfo na diocese. Por conta desta situação, foi realizada uma reunião em uma das capelas da paróquia onde o bispo e as pessoas puderam discutir os problemas de injustiça social vividos pelo povo.

Em 08 de março de 1977 o Bispo de Rodolfo pediu para que ele abandonasse o sacerdócio e que fosse embora daquela comunidade.

No dia 21 de março, Rodolfo foi encontrado morto em uma casa a poucos metros do local onde foi morto em Padre Miguel Hidalgo, considerado Pai da Pátria, lutador pela independência do México. 

A exemplo de Miguel Hidalgo, Rodolfo escolheu ser ordenado sacerdote no dia 16 de setembro, para viver seu compromisso sacerdotal ao lado das pessoas mais pobres, como ele diz em sua carta: "Eu tenho um compromisso com meus irmãos oprimidos e quero dar a minha vida pela libertação deles e minha". 

Foi desta maneira que selou com o próprio sangue, seu compromisso de vida com seus irmãos para a libertação do povo.

Texto elaborado por Tonny da Irmandade dos Mártires da Caminhada.