sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Alberto Hurtado

Pe. ALBERTO HURTADO
Apóstolo dos Pobres
CHILE * 18/08/1952

No dia 18 de agosto, lembramos a morte de um dos jesuítas mais notáveis ​​do século XX, o padre Alberto Hurtado. Foi beatificado por João Paulo II e canonizado pelo Papa Bento XVI.
A nota foi publicada por Jesuit Restoration 1814, 18-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.
Nascido no Chile, na virada do século XX, em 1901, Hurtado estudou direito e trabalhou em um jornal católico conservador, até entrar para os jesuítas em 1923. Depois de uma longa formação e trabalho como professor, aos 40 anos, ele tornou-se capelão universitário no Chile. Esse apostolado teve um grande impacto em sua vida, sob sua orientação, as capelanias cresceram rapidamente - de 1500 alunos em 50 centros em 1941 para 12 mil alunos em 500 centros em 1944. Esse trabalho levou-o naturalmente a fundar uma organização, conhecida como "Servicio de Cristo Rey" [Serviço de Cristo Rei], para a qual convidava um grupo menor de jovens comprometidos a fazer parte. Seus membros se comprometiam a dedicar um ano de suas vidas para viver os ideais da Ação Católica.
Em 1944, ele teve um encontro decisivo com um mendigo doente e faminto que lhe pediu ajuda. Ele escreveu: "Cada uma dessas pessoas é Cristo. O que temos feito por esses jovens que andam pelas ruas na chuva, dormem as noites de inverno nas portas das igrejas e acordam congelados?". Estimulado a agir, ele criou uma série de abrigos, chamados de "Hogar de Cristo" [Lar de Cristo], que acolhem crianças que precisam de comida e abrigo. Seu carisma atraiu muitos colaboradores e benfeitores; o movimento foi um enorme sucesso. Os abrigos multiplicaram-se em todo o país. Estima-se que, entre 1945 e 1951, mais de 850 mil crianças receberam alguma ajuda do movimento. O "Hogar de Cristo" que ele fundou ainda existe, e através de sua luta pela justiça social, tornou-se um dos maiores grupos de caridade no Chile.
Pe. Hurtado continua a ser muito popular no Chile, sua página de fãs no Facebook tem mais de 50 mil seguidores!
Em uma carta escrita para marcar sua canonização, Pe. Kolvenbach, então superior geral dos jesuítas disse:
"Aqueles que o conheciam, bem como aqueles que fizeram um estudo aprofundado de sua vida, não hesitaram em dizer que ele era verdadeiramente "apaixonado por Cristo". Isso constituiu, sem dúvida, o centro de sua vida como estudante, como jesuíta e como sacerdote. É desse amor de Cristo que nasce o modo característico de seu comportamento e o seu modo de lidar com as pessoas. O que predomina, portanto, é a sua capacidade de amar: um dom dado a ele por Deus, que ele soube desenvolver, assim, estabelecendo, à luz do Evangelho, uma intensa e crescente amizade pessoal com o Senhor. Sua familiaridade crescente com o Senhor que, na mente de Santo InácioHurtado adquirira pela contemplação dos mistérios da vida de Jesus Cristo, está na raiz das suas características atitudes. Precisamente porque ele estava realmente apaixonado por Cristo, fixou seu olhar no Senhor Jesus e no Seu modo de vida, enquanto ele ainda estava na terra. Ele passou longas horas contemplando a maneira como Jesus agiu em várias situações em que se encontrava. Com os olhos do coração, Padre Hurtado admirava especialmente a maneira pela qual Jesus dava atenção às pessoas, como ele fazia seu o sofrimento dos que estavam com dor".

https://youtu.be/WROBDh20xlg
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/534508-18-de-agosto-de-1952-morte-do-pe-alberto-hurtado-sj

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Josias Paulino de Castro e sua esposa, Ireni da Silva Castro

JOSIAS PAULINO DE CASTRO e IRENI DA SILVA CASTRO
Mártires da Terra Livre
COLNIZA-MT * 16/08/2014

Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, líderes rurais, foram assassinados em Colniza, MT, no dia 16 de Agosto de 2014.

Josias era Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.

A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal foi até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva. 

Josias já havia afirmado por várias vezes a existência de "pistoleiros" na região e que nunca foram tomadas providências. E segue dizendo: "Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.

Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.

O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Irmão Roger de Taizé

Ir. ROGER SCHUTZ
Mártir do Ecumenismo
FRANÇA * 16/08/2005

Memória de 12 anos de seu Martírio.

Roger Schutz, religioso Fundador da Comunidade Ecumênica de Taizé nasceu em 12 de maio de 1915 em Jura (Suíça). Filho de um pastor protestante. Muito pequeno, foi morar com sua avó, de confissão evangélica e atormentado pela Primeira Guerra Mundial. 

Recém ordenado pastor, fez uma viagem de moto para a França de 1940 pensando em como ajudar as vítimas da guerra. Uma noite, ele chegou a uma aldeia em Borgoña ao lado da linha que divide a França de Vichy, ocupada por Hitler.  A aldeia se chamava Taizé.

Ali fundou uma comunidade aberta aos membros de todas as Igrejas Cristãs. Ele nunca fez distinção entre os jovens de diferentes religiões. Luteranos, calvinistas, evangélicos, ortodoxos ou católicos se reuniam com ele.

Roger foi morar com sua irmã em uma casa abandonada até que a guerra foi chegando aos judeus, refugiados políticos e desertores nazistas. Todos eram bem-vindos naquela casa em ruínas e sem água corrente, independente do seu credo ou nacionalidade.

Ele costumava ir a um bosque para orar para os refugiados judeus e agnósticos. Nos anos 50, Roger começou a enviar irmãos da comunidade para viver em áreas particularmente afetadas pela pobreza e violência, a fim de estar ao lado das pessoas que sofrem e ser testemunhas da paz. 

Taizé acolhe todos os anos milhares de pessoas de todas as religiões que procuram uma experiência mística e uma espiritualidade sem fronteiras. Quando perguntado sobre as origens de Taizé, Roger sempre se lembrava de sua avó, uma mulher protestante que nos dias mais sombrios da Primeira Guerra Mundial, ia todas as noites rezar em uma Igreja Católica como um símbolo da unidade em uma Europa dividida pela guerra. 

Conhecido como Irmão Roger de Taizé, morreu aos 90 anos em 16 de Agosto de 2005, esfaqueado durante a celebração do ofício onde se encontravam mais de 2.500 jovens de vários lugares e países. A mulher que matou, um romeno chamado Luminita, tentou em vão conseguir uma entrevista com ele por meses, deu três facadas no pescoço e o religioso morreu poucos minutos depois.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Mártires Indígenas Ianomâmis

MÁRTIRES INDÍGENAS IANOMÂMIS
RORAIMA - RR * 16/08/1993

Os Ianomâmis são índios que habitam o Brasil e a Venezuela. No Brasil somam 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima estão situadas 197 aldeias que somam 9.506 pessoas e a norte do Amazonas estão situadas 58 aldeias que somam 6.510 pessoas

A palavra ianomâmi significa ser humano, enquanto que napë é a designação geral para o estrangeiro, o não ianomâmi.

Uma intensa onda de invasão das terras ianomâmis por garimpeiros ocorreu de 1987 a 1992. O sangue deste povo manchou para sempre o sagrado território destes índios, atingido por um verdadeiro massacre, no qual se consumiu a vida de pelo menos 1500 integrantes desta nação. Em agosto de 1993 houve um ato de desagravo na Catedral da Sé, a qual ficou repleta de membros da sociedade civil e de representantes indígenas, reunidos em um apelo incisivo contra essas mortes; mais que isso, contra esta situação de falta de assistência e abandono das aldeias indígenas no geral por parte dos Governos.


 Texto copiado de: http://www.ihu.unisinos.br/martires-latino-americanos/512422-18-de-agosto

Galeria dos Mártires - Victorio "Coco" Erbetta

VICTORIO "COCO" ERBETTA
Mártir das lutas do Povo Argentino
ARGENTINA * 16/08/1976

Victorio José Ramon Erbetta Portillo, conhecido como "Coco" Erbetta nascido em 10 de agosto de 1949, em Goya, província de Corrientes, Argentina e viveu desde muito pequeno no Paraná, Entre Rios. 

"Coco" era um estudante na Universidade Católica Argentina (UCA). Participou na Ação Católica, foi catequista e membro do Movimento da Juventude Católica. Foi também jogador de futebol pela Universidade Juventude Peronista (JUP).

No ano de 1976 se inicia a ditadura mais sangrenta cívico-militar da história Argentina, "Coco" Erbetta cursava o 5º ano de Engenharia da Universidade e era Presidente do Centro de Estudante. 

Devido ao seu profundo compromisso em torno da luta por uma sociedade mais justa e igualitária, ele foi sequestrado por policiais civis à paisana em 16 de agosto do mesmo ano na universidade e levado para o Centro Clandestino de Detenção "Esquadrão de Comunicações", Regimento de Comunicações Paraná, Argentina.

Na época, os militares emitiram um relatório falso, onde seu caso era desconhecido e alegou um suposta fuga. Atualmente foi preso o ex-oficial da Polícia Federal e ex-funcionários de inteligência civil Cosme Ignacio Demonte, um elemento-chave na implementação de terrorismo de estado em Entre Rios pelo o sequestro de "Coco" Erbetta.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura na página dos Mártires Argentino.

Galeria dos Mártires - José Francisco dos Santos

JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS
Mártir da Causa da Terra
CORRENTES-PE * 15/08/1980

José Francisco dos Santos, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Correntes, Pernambuco, foi assassinado no dia 15 de agosto de 1980, por defender os direitos dos trabalhadores de ter suas terras para plantar e morar. 

São 37 anos de seu Martírio.

Abaixo um poema do livro: Raízes, Memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS

Havia uma revoada de abelhas
Esmorecendo a germinação do tempo
E um poema feito ao rouxinol
Antes que o dia esculpisse o mundo.

Havia um fóssil solto de abandono
Carregando a tristeza para longe.
Formigas inertes tomavam a feição da noite
Nos interditos locais da carne.

Havia uma palavra baldia num caixote
Um sossego azul beirando as borboletas.
Havia uma água perfumosa
Transbordando para o outono.

Havia o teu nome e a santidade
Que a terra assinala em muitas faces.
E havia também a maldade peneirando
As digitais nos fuzis. E houve o tiro.
E houve a morte por um instante.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Galeria dos Mártires - Margarida Maria Alves

MARGARIDA MARIA ALVES
Mártir da Luta pela Terra
ALAGOA GRANDE – PB * 12/08/1983

Margarida Maria Alves nasceu em Alagoa Grande em 05 de agosto de 1933. Mulher forte, camponesa de cerne, de fé profunda, líder no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, PB.

Margarida entrou de cheio no compromisso social na defesa das terras e da dignidade do povo, mesmo frente a todas as ameaças e consciente do alto risco. “Até na hora que se acordava, na cama, relata seu marido Severino, era conversando sobre sindicato, os direitos dos trabalhadores, dos pobres”. “Da luta não fujo”, repetia ela.

- “Não sei quando irão me matar, não sei onde, sei que vão me matar, mas enquanto eu estiver viva, eu lutarei pelos direitos dos trabalhadores”.         

- “Os poderosos estão nos perseguindo. Nós não tememos, e vamos à luta até o fim. Porque é melhor morrer na luta, do que morrer de fome. Fiquem certos, os trabalhadores, de que não fugimos da luta. É mais fácil vocês saberem que nós tombamos, do que saberem que corremos. Os poderosos estão dizendo que estamos invadindo as suas propriedades; invadindo estão eles, invadindo os nossos direitos, invadindo o salário justo. Eles estão negando água e pão, estão fazendo opressão à diretoria e aos trabalhadores. A prepotência nos massacra demais: mas uma certeza eu tenho: que isso não faz a gente esmorecer. Nós não queremos o que é de ninguém: nós queremos o que é nosso. Precisamos nos unir cada vez mais. Sabemos que somente com nossa união e a nossa organização a gente vai conseguir os nossos direitos”.

- “Companheiros, eu quero pedir a vocês, quando voltarem para casa, que se lembrem e rezem por aqueles que estão lutando, enfrentando ameaças, por aqueles que estão lutando, enfrentando o revolver. Nós não podemos calar diante desta multidão”.

Foi assassinada por um matador de aluguel com uma escopeta calibre 12, no dia 12 de agosto de 1983, aos 50 anos; o tiro atingiu o rosto, deformando sua face. No momento do disparo ela estava em frente a sua casa, na presença do marido e dos filhos. O crime foi considerado politico e comoveu não só a opinião pública local e estadual, mas a nacional e internacional, com ampla repercussão em organismos políticos de defesa dos direitos humanos.

Seu testemunho tem feito florescer muitas “margaridas” de consciência e de coragem, sobretudo entre as mulheres lavradoras.

Sua memória e suas Causas continuam vivas nas lutas das mulheres de todo o Brasil.

Companheiras, mulheres de todo Brasil, trabalhadoras do campo, da floresta, das águas, mulheres trabalhadoras das cidades, SEGUEM EM MARCHA!

Se trata da MARCHA DAS MARGARIDAS, que acontece em vários lugares do país.

Mulheres dos diversos cantos deste Brasil; indígenas, quilombolas, extrativistas se põem a caminho por um desenvolvimento sustentável e democrático. Se põem a caminho para a capital federal para dialogar com o governo sobre suas reivindicações.

“Seguimos lutando para fazer o Brasil avançar no combate à pobreza, no enfrentamento à violência contra as mulheres, na defesa da soberania alimentar e nutricional e na construção de uma sociedade sem preconceitos de gênero, de cor, de raça e de etnia, sem homofobia e sem intolerância religiosa. Seguimos denunciando, reivindicando, propondo e negociando ações e politicas públicas que contribuam na construção de um Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.

“É MELHOR MORRER NA LUTA QUE MORRER DE FOME”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.