segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Galeria dos Mártires - Enilson Ribeiro dos Santos e Valdiro Chagas de Moura

ENILSON RIBEIRO DOS SANTOS e VALDIRO CHAGAS DE MOURA
Mártires da Terra
JARU - RO * 23/01/2016

No dia 23 de janeiro de 2016, às 5 e 40 da tarde, os camponeses Enilson Ribeiro dos Santos e Valdiro Chagas de Moura foram perseguidos em Jaru por uma moto por um longo trecho dentro da cidade, do trevo da avenida dom Pedro I ate o km 1,5 da linha 605, quando os pistoleiros os executaram de forma covarde.

Os companheiros eram lideranças do acampamento Paulo Justino, enilson tinha 27 anos de idade e deixou uma filha e a esposa grávida de sete meses, Valdiro também deixou esposa e uma filha. O mandante do crime é um latifundiário.

Enilson vinha sofrendo ameaças indiretas já havia algum tempo, vejamos o histórico do latifundiário:

- 4 de novembro de 2015: camponeses do Acampamento Paulo Justino foram covardemente agredidos e despejados por 8 pistoleiros fortemente armados.

- Novembro de 2015: pistoleiros invadiram e roubaram casas no Assentamento Terra Prometida, abordaram pessoas que passavam nas estradas, ameaçaram quem não informasse onde os camponeses estavam acampados. Roubaram R$200 de um morador que vende picolé nas casas.

- Novembro de 2015: um morador do Assentamento Terra Prometida esteve na delegacia de Ariquemes para denunciar estes crimes e ouviu do delegado que a polícia estava atuando na área. Mas até agora, nenhum pistoleiro foi preso.

- 23 de novembro de 2015: dois pistoleiros atiraram contra dois acampados quando passavam de moto na estrada C 60, indo para o Acampamento.

- Novembro de 2015: pistoleiros agrediram brutalmente um funcionário de um fazendeiro vizinho da fazenda Santo Antônio, quando ele trabalhava na divisa. Ele foi socorrido de carro e transportado para Porto Velho, em estado grave.
Os camponeses suspeitam que os pistoleiros cometeram este crime porque pensaram tratar-se de um acampado.

- Novembro de 2015: camponeses denunciaram que este latifúndio, pretenso proprietário da fazenda Santo Antônio disse várias vezes, para diversas pessoas que não vai perder a fazenda porque tem 36 homens trabalhando para ele lá, e que buscaria mais se algo acontecesse com eles. Camponeses denunciam ainda que o latifundiário manda
recados aos líderes, que na verdade são ameaças: “eles são novos, é melhor desistirem.”

Esse crime clama por justiça e as mortes dos camponeses Enilson e Valdiro não podem ficar impunes.

Os camponeses só podem contar com suas próprias forças, pois dentro da polícia militar existe suspeitos de comandarem um grupo de extermínio de camponeses fornecendo armas e munições e todo tipo de suporte pros bandos de pistoleiros dos latifundiários da região do Vale do Jamari, e ao mesmo tempo que persegue os camponeses que trazem uma galinha pra vender na cidade, persegue o camponês que tem uma espingarda de caça em casa persegue o camponês que não deu conta de pagar imposto de uma
moto velha e faz vista grossa pros bandos armados do latifúndio os mesmos latifundiários que grilam terras dos camponeses.

COMPANHEIRO ENILSON, PRESENTE NA LUTA!
CONPANHEIRO VALDIRO, PRESENTE NA LUTA!

LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental



sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Galeria dos Mártires - Gerardo Valencia Cano

GERARDO VALENCIA CANO
Profeta e mártir da libertação dos pobres.
COLOMBIA * 21/01/1972

"Irmãos, aqui vos fala um irmão, um irmão latino-americano nascido nas montanhas da Cordilheira dos Andes, queimado de sol de nossos vales, ferido nos espinhos da selva, que conhece a Amazônia e Plata. Eu falo a partir da minha experiência da terra, da angústia da liberdade, da sede insuportável para que todos nós tenhamos uma só Pátria".

Bispo Gerardo Valencia Cano nasceu em Santo Domingo - Antioquia, em agosto de 1917, em uma família humilde e profundamente religiosa, onde ele herdou seu grande senso de sacrifício e de serviço para o bem-estar das pessoas vulneráveis ​​e desprezados. Ele assumiu desde o início o serviço diaconal de evangelização dos pobres, não evangelização ligada a grandes estandes de igreja conservador colombiano, mas a favor dos despossuídos, dos explorados, uma evangelização que também é denúncia das injustiças e atrocidades pelas quais o país enfrentava, e que são ainda motivo de grande lutas e resistências.

Homens como Bispo marcou a vida de muitas comunidades em tempos muito difíceis, então nós temos que levantar as bandeiras e gritando, porque o pensamento de "Moncho" ainda é vivo e atual. Mesmo porque, ainda hoje, após sua trágica morte em um avião que caiu nas montanhas vizinhas de Antioquia e Chocó, ainda restam dúvidas sobre as causas do "acidente" em 21 de Janeiro de 1972. A versão oficial é que foi apenas um acidente de avião, mas um padre e um grupo de agricultores que contestaram a versão oficial e subiram a pé até a montanha para resgatar o corpo do bispo, forçando o governo a socorrer os outros corpos. Não foi um acidente, como tudo parece indicar, mas, o resultado de um "ataque", como assegura Padre Javier Giraldo "Essas mortes fazem resplandecer a vida", diz. Em todo o caso, as causas reais de morte nunca poderemos saber, porque o governo, em seguida, fez de tudo para apagar as provas, mas as causas de sua vida ainda estão vivos em nossas lutas.

Dizia o bispo Gerardo aos padres: "O sacerdote deve ser por vocação o fermento para a mudança que esperamos, sua palavra e ação corajosamente evangélica tem que ser luz para os marginalizados e grito de esperança para os seus líderes".

Como era conhecido, tornou-se eficaz em promover o amor ao próximo, organizando as comunidades em torno da construção do Reino de Deus na terra. Como qualquer bom companheiro da Teologia da Libertação, seguiu denunciado e muitas vezes enfrentou o Estado e os militares, que subjugou o que é chamado de comunidades de base. Junto com essas comunidades executou protestos contra os despejos, assassinatos, desaparecimentos e outras injustiças cometidas contra as comunidades. Foi nessas ações onde sua qualidade de Revolucionário se fez eficaz, considerando ainda a revolução como uma necessidade, como nos tempos antigos, quando Jesus também tivera a coragem de se tornar uma revolucionária para o bem-estar de seu povo.

Monsenhor Valencia não só criou as paróquias dos pobres, foi um dos principais impulsionadores da educação, que ele entendeu como um pilar fundamental no processo de resistência pacífica e como uma ferramenta para um grande trabalho social tão necessária para as comunidades.  Inclusive reivindicou a partir de uma visão de um socialismo latino-americano, “que se juntar o negro, o índio, o branco, que são uma só raça de cor Latinoamericana, compreenderá que os nossos rios e montanhas não são linhas de separação, mas os laços estreitos de ligação".

Até então Buenaventura estava emergindo como o principal porto do país, mobilizando um grande número de mercadorias que entravam em nosso território, os quais, como hoje, não se traduziram em progresso para a cidade, mas para o de lucro de poucos. O resultado foi uma expansão desigual da cidade que, apesar de toda a riqueza recebia, ainda carecia de serviços públicos. Esta situação de exploração estava muito clara para Bispo, que com sua convicção ajudou a semear as sementes da liberdade ao redor do porto; e por esta razão veio a ser chamado pelas elites de "bispo vermelho""padre rebelde" e outros adjetivos relacionados, pelo simples fato de ter escolhido uma vida ao lado dos pobres, e ainda reconhecido que os pensadores/as como: Martí, Marx, Zalamea, Bolívar, Policarpa, entre outros/as, não estavam errados quando eles convidaram os proletários, pobre, esfarrapado a libertar-se da opressão.

As graves condições desumanas e indignas conhecidas por Monsenhor Gerardo em todo o seu ministério apostólico fez de sua convicção transformara a principal fonte de motivação para a mudança nas comunidades pobres, suas missas e reuniões com as comunidades eram ligadas por uma vida de serviço e dedicação outros, como orgulhosamente inscrito em seu brasão: "embaixo de nossos trapos, de nossas fragilidades, há um poder libertador invencível que vai derrubar por terra os sonhos dos gananciosos".

Com uma visão teológica do ideal de libertação, Monsenhor dedicou sua vida aos necessitados, especialmente a comunidade afro-colombiana de Buenaventura, dali, e como todo bom profeta, sua vida e suas mensagens tornaram-se desconfortável para toda a oligarquia colombiana. Como um dos principais defensores dos signatários do documento de Golconda, (documento construído e assinado em 1968 e recolheu o sentimento e compromisso de 50 sacerdotes de todo o país sobre os problemas sociais do nosso país e do papel da ação pastoral) foi muitas vezes perseguido pelas comunidades eclesiásticas e militares, que, como cães de caça, perseguindo e aprisionando os padres e missionários/as simpáticos a um movimento diferente, um movimento que não dependem das instituições da Igreja conservadora, mas que é infundido diretamente nas comunidades de base, na vida do povo. Estes religiosos colombianos, identificados ideologicamente com um movimento similar na América Latina, que enfatizou a necessidade de uma "igreja dos pobres" e um mundo mais justo para todos/as, livre da miséria e opressão. Este é o movimento chamado Teologia da Libertação.

Señor, yo no quiero creer
Como creyeron mis abuelos
Mezcla de temor,
De superstición,
De desconfianza.
Yo creo que soy tu imagen,
Y creo que Jesucristo
Fue un hombre como yo
-sin pecado-
Yo creo que tú me diste
Luz para conocerte,
Amor para amarte,
Valor para seguirte
E imitarte.
Yo no creo en la suerte
De los pobres
Ni en el destino de los desheredados.
Yo no creo que unos hombres
Nacieron para grandes
Y otros para enanos.
Yo creo que hay injusticias
Para reparar,
Vicios para corregir,
Virtudes para cultivar
Y que todo hombre y toda mujer
Estamos llamados a ser
Más perfectos cada día.
Yo creo que si Cristo murió joven
Y tan mal
No fue solamente por culpa de los
Fariseos
Sino por algo más…por mucho
Más.
Por un mundo que había que restaurar.
+Gerardo Valencia Cano

Vicario Apostólico de Buenaventura

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.


Galeria dos Mártires - Celso Daniel


CELSO AUGUSTO DANIEL
Prefeito do Povo
SANTO ANDRÉ-SP * 20/01/2002

Celso Daniel, nascido em 16 de abril de 1951, na cidade de Santo André, estava divorciado e tinha no basquetebol um de seus hobbies. Nas horas vagas, era jogador da equipe de veteranos da Pirelli.

Prefeito de Santo André por oito anos, foi reeleito com 70,13% em 1999. Celso havia cumprido mandato na prefeitura de 1989 a 1992, de 1997 a 2000 e de janeiro de 2001 até a fatídica noite em que foi sequestrado na cidade de São Paulo.

Sua competência administrativa e política era evidente em sua carreira acadêmica: mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e doutorando em Ciências Políticas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Celso Daniel era professor de Economia na PUC e no departamento de Ciências Sociais da FGV. O prefeito se formou engenheiro civil pela Escola de Engenharia Mauá, em 1973.

Um dos fundadores do PT em Santo André, Celso Daniel lançou-se na política em 1982, concorrendo à Prefeitura da cidade, quando foi derrotado por Newton Brandão. Foi o próprio Newton Brandão que Celso derrotou em 1989, conseguindo sua primeira eleição para o Executivo andreense com 173 mil votos.

Em 1994 foi à Câmara dos Deputados, eleito com 97 mil votos. Durante seu mandato, atuou na Comissão de Reforma Tributária e Fiscal da Câmara. Mas ele deixou o Legislativo dois anos depois, para voltar à Prefeitura de Santo André, aclamado por 205 mil eleitores.

Celso Daniel representou Santo André e o Brasil em junho de 2001 na Conferência Mundial Istambul+5, promovido pelo Programa Habitat das Nações Unidas. O prefeito do ABC foi o único a expor uma experiência brasileira no congresso e um dos quatro escolhidos entre experiências da América Latina. Ele também era diretor-geral da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e fundador do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, composto pelos sete prefeitos da região. Celso Daniel presidiu o Consórcio nos anos de 1991, 1992 e 1997.

Recebeu, como prefeito de Santo André, as seguintes premiações: "Projeto Criança" da Fundação Abrinq pelo trabalho Andrezinho Cidadão em 1999 (finalista); pela Fundação Getúlio Vargas/Fundação Ford os prêmios: Gestão Pública e Cidadania, em 1999 pelo Programa de Modernização Administrativa e em 2000 pelo Programa Integrado de Inclusão Social (destaque) e pelo trabalho de Coleta Seletiva (finalista).

O corpo do prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi encontrado no dia 20 de janeiro de 2002 na Estrada das Cachoeiras, no Bairro do Carmo, em Juquitiba, na grande São Paulo. Celso Daniel foi assassinado com oito tiros — três na cabeça e cinco nas costas. Segundo a perícia, o prefeito foi morto por volta das 22h de sábado (19).

O prefeito foi sequestrado na sexta-feira (18), por volta das 23h, quando saía, na companhia de um amigo, de uma churrascaria na alameda Santos, na Zona Sul de São Paulo. Celso estava no banco do passageiro quando a Pajero blindada do empresário Sérgio Gomes da Silva foi abordada por uma Blazer preta e um Tempra branco, próximo à rodovia Anchieta. O carro foi fechado por várias vezes, inclusive batendo na lateral, e foi alvo de tiros, que atingiram o pneu traseiro do lado direito e três vidros do carro.

Celso Augusto Daniel foi assassinado aos 50 anos, tendo sua trajetória política e pessoal encerrada no auge, quando poderia vir a compor o governo do presidente Lula. Celso era coordenador da elaboração do programa de governo de Lula.

http://amigoscelsodaniel.blogspot.com.br/2007/09/biografia.html

Galeria dos Mártires - Frei Carlos Ramiro Morales Lopes


Frei CARLOS RAMIRO MORALES LOPEZ - O.P
Mártir entre os Lavradores da Guatemala
GUATEMALA * 20/01/1982

Carlos Ramiro Morales Lopes, primeiro sacerdote dominicano guatemalteco desde a expulsão da Ordem no século XIX.

Em toda sua vida – desde o tempo de universitário até seu martírio, aos 35 anos – Carlos teve uma única obsessão: a libertação integral de seu povo.

Fez o noviciado e cursou filosofia no México, e teologia, na Costa Rica. 

Na Costa Rica e no Panamá, trabalhou entre os indígenas e camponeses.

Em 1977 foi ordenado sacerdote, em meio ao seu povo de Salama, em Baja Varapaz. “Minha tribo que se achava na Guatemala veio toda... Um de meus irmãos até chorou e eu fiquei muito emocionado”, escreveu sobre aquele dia.

Na Guatemala este sempre integrado na pastoral de sua diocese. Organizou o primeiro seminário dominicano entre os camponeses indígenas, que alternavam trabalho e estudo. Assim, Carlos foi plasmando os dois ideais de sua vida religiosa: o serviço aos camponeses e a inserção de sua Ordem na realidade centro-americana, na linha de Las Casas.

Mas a repressão foi crescendo, especialmente contra os indígenas. “Trabalhar religiosamente na Guatemala hoje em dia é muito perigoso... com todo esse temor de um golpe certeiro e mortal que sempre se deve ter em conta”, escreveu Carlos.

Ameaçado de morte, repetidamente, aconselharam-no a mudar-se para a capital, já que considerava uma covardia afastar-se do país. 

Foi assassinado no dia 20 de Janeiro de 1982 com vários tiros disparados de um carro, numa rua da Guatemala.

superior de sua Ordem na América Central, disse estas palavras sobre Carlos: “Sua sensibilidade cristão diante da injustiça que sofriam os mais deserdados de seu povo, levou-o a trabalhar por ele, num autentico compromisso evangélico, desde antes de sua ordenação sacerdotal até o próprio dia em que os assassinos decidiram ceifar aquela vida cheia de esperança e de desejo de um mundo fraternal para seu povo guatemalteco”

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo.






Galeria dos Mártires - Pe. Octavio Ortiz Luna e catequistas

Padre Octavio Ortiz Luna, e catequistas Angel Morales, David Caballero, Jorge Gómez, Roberto Orellana
Mártires de “El Despertar”
EL SALVADOR * 20/01/1979

Padre Octavio Ortiz foi morto em 20 de Janeiro de 1979, na casa de formação em San Antonio Abad, juntamente com os jovens Angel Morales, David Caballero, Jorge A. Gomez e Roberto A. Orellana, onde orientava um retiro espiritual.

Este assassinato foi denunciado por Monsenhor Romero em Homilia lembrado que "Este martírio nos fala da Ressurreição". Na celebração havia bispos, padres e comunidades cristãs.

Pe. Octavio dedicava especialmente sua missão no trabalho com a juventude. E costumava dar-lhes momentos especiais de formação cristã em casas de retiro. Neste retiro havia um grupo de 35 jovens que refletiam sobre a Iniciação Cristã para jovens.

Na madrugada do dia 20, o exército e um grupo de paramilitares invadiram as instalações onde acontecia o retiro e com um tanque dispararam tiros para todos os lados. Pe. Octavio saiu para ver o que estava acontecendo e foi baleado, depois de caído o tanque ainda passou sobre a sua cabeça, o deixando desfigurado. Os jovens se revoltaram e quatro deles também foram assassinados e os outros levados para interrogação. Segundo versão oficial, houve um confronto armando. Montaram uma falsa reportagem para a TV, colocando armas de fogo nas mãos de Octavio e dos jovens.

No dia seguinte, um domingo, Monsenhor Romero denunciou o assassinato de Octavio durante a homilia na Catedral de San Salvador. Ele retransmitiu relatos de testemunhas oculares do assassinato que tinha ocorrido um dia antes, falou sobre a formação de Octavio e seu trabalho pastoral, e convocou toda a Igreja para seguir o exemplo de Octavio, de conversão ao verdadeiro Deus.

Pe. Octavio foi o primeiro sacerdote ordenado por D. Oscar Romero.

Abaixo estão os trechos do testemunho e da homilia de Dom Oscar Romero, em 21 de Janeiro de 1979:

“Quero compartilhar com vocês o primeiro testemunho que recebemos... “hoje, às 6:00 da manhã, quando eu estava dormindo” ... Dormindo, tenha em mente todos esses detalhes. Este foi um encontro de jovens que se reuniram para a formação cristã. Estes não eram os homens que estavam armados para se defender, eles estavam dormindo. ... “eu estava dormindo na casa de retiro, um centro de formação chamado El Despertar pela Comunidade Cristã que é propriedade do arcebispado de San Salvador e localizado em San Antonio Abad”. ... eu convido aqueles que não estão familiarizados com esta casa para ir lá para que vejam que esta casa não é uma espécie de quartel ou um lugar que tem a intenção de treinar guerrilheiros, mas sim um espaço onde por muitos anos tem se dedicado à formação de grupos cristãos e incutir nestes grupos os valores cristãos e, naturalmente, estes valores são perigosos neste momento da nossa história”. 

A testemunha ocular continua a falar: ... “de forma violenta muitos membros uniformizados da Guarda Nacional e da Polícia Nacional entrou no prédio e disparou suas armas. Ao mesmo tempo, um grande veículo verde, um daqueles veículos que se chama tanque militar, bem como um jipe militar entrou violentamente no centro de retiro cristão e estacionou no pátio central”.

"Neste Centro, juntamente com o Padre Octavio Ortiz Luna, os jovens com idades entre treze e vinte e um anos, estavam reunidos para refletir sobre a Iniciação Cristã. Este lugar é dedicado exclusivamente à formação cristã. Nenhum outro tipo de reunião tem ocorrido ali - nenhuma reunião de pessoas que conspiram contra o Estado, não houve reuniões que ensinam doutrina anarquista para ser usado contra a ordem pública".

“Durante este Cursilho que começou na sexta-feira, dia 19 de janeiro às 7:00 horas, hinários e instrumentos musicais, como guitarras, foram utilizados. Nenhum dos participantes na referida reunião cristã possuíam armas. Antes de ser detido por membros uniformizados da Polícia Nacional era possível ver no chão e em frente aos escritórios o corpo do sacerdote, Octavio Ortiz, que estava deitado em uma poça de sangue que escorria de sua cabeça”.

"A polícia me levou juntos com outro líder da equipa de formação cristã em um veículo de patrulha para a sede central da Guarda Nacional, onde fomos interrogados e onde eu disse todas as coisas que estão estabelecidas neste documento”.

"Durante o interrogatório me perguntaram sobre o Arcebispo e se era verdade que ele veio para semear subversão no Centro”.

"Padre Ortiz nasceu em 23 de março de 1944, na aldeia de Cacaopera no Departamento de Morazán. Ele preservava sua campesina simplicidade e entendia que a grandeza de uma pessoa humana não tem nada a ver com as aparências, mas tem tudo a ver com a busca da verdade. Seus pais, Alejandro Ortiz e Exaltación Luna, eram orgulhosos de seu estilo de vida campesina. Para eles e para os pais dos outros quatro jovens, mais uma vez estendo minhas condolências. Padre Ortiz veio estudar em El Seminário San José de la Montaña e eu tive o prazer de ser o bispo que o ordenou - este foi o início do meu ministério episcopal. Octavio Ortiz exerceu seu ministério sacerdotal na comunidade de Zacimil, uma comunidade que ele sempre amou. No momento do seu assassinato ele estava totalmente envolvido no ministério".

"Se alguém me perguntar como ele passou seu último dia, eu poderia descrevê-lo perfeitamente. De manhã, ele estava trabalhando com aqueles que haviam organizado a semana de reflexão sobre o tema da identidade sacerdotal e estava a escrever uma síntese da uma belíssima mensagem que tinha sido produzido durante a semana. Na parte da tarde, ele estava em uma reunião do pró-seminário que eu presidia. Octavio coordenou esta reunião, pois ele tinha um dom especial de organizar esses encontros, de tal forma que eles eram sempre produtivos. De lá ele foi para San Antonio Abad, onde ele celebrou a missa e, em seguida, à noite, ele começou a compartilhar suas reflexões com um grupo de jovens. Deu ao grupo duas perguntas para refletirem durante a noite em El Despertar. Mas o despertar foi horrível e trágico – foi o despertar para a morte que hoje nos dá essa mensagem poderosa”.

“Como é bom ser capaz de apresentar-se como um sacerdote pobre, aquele que renunciou a tudo com a simplicidade de um camponês, isto é uma glória. Que lindo ter disponibilizado tudo o que pode ser encontrado no evangelho sobre os pobres e necessitados - a grande mensagem que Deus se comunica, a fim de salvar o mundo: o uso dos bens da terra. Isso é o que significa arrepender-se e isso é o que São Paulo nos ensinou na leitura de hoje”.

“A razão para essa conversão é que ninguém é capaz de servir a dois senhores. Há somente um Deus e Ele quer ser o verdadeiro Deus. Ele nos pede para dar as costas a tudo que é pecaminoso, não adorar o deus do dinheiro que nos faz virar as costas ao Deus do cristianismo. Há muitas pessoas que prefere o deus dinheiro e não o verdadeiro Deus e, portanto, eles criticam a Igreja e mataram o Padre Octavio que apresentava o verdadeiro Deus”.

“Por isso, meus irmãos e irmãs, Jesus diz: "O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc 1:15). O evangelho em seguida, narra o chamado dos primeiros quatro membros eclesiásticos da hierarquia: Pedro e seu irmão André, Tiago e seu irmão, João. Estes homens deixaram tudo quando o Senhor os convidou para entrar neste estado de conversão. Eles não simplesmente deixar de lado o pecado, mas também cumpriu a vontade de Deus”.

“Eu quero dizer a vocês, meus queridos irmãos sacerdotes, (e obrigado também por estar atento às minhas palavras), que centenas de vocês que estão aqui, investido de estolas e reunidos em torno do altar, vocês são os sucessores de Pedro, André, Tiago e João. Deus pede a mesma coisa de nós como fez com os primeiros apóstolos e também com o Pe. Octavio, pois na verdade Octavio deu a todos nós o exemplo com seu sangue, sua casula de dor e seu rosto desfigurado”.

Seu assassinato foi caracterizado por Romero como parte de uma perseguição sistemática da Igreja Católica e de opressão contra os esforços para acabar com a ditadura militar e garantia de direitos humanos para as massas pobres.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Amílcar Cabral

AMÍLCAR CABRAL
Libertador do Povo Caboverdiano
CABO VERDE * 20/01/1973

Amílcar Cabral nasceu na Guiné Bissau (Bafatá) em 1924, e mudou-se para Cabo Verde ainda muito jovem. Estudou no Mindelo, S. Vicente. Viajou para Portugal nos anos 40 para fazer um curso, regressou para Bissau e com outros companheiros fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde - PAIGC. 

Cabral viria a ser brutalmente assassinado em Conacri por dois membros do seu partido a 20 de Janeiro de 1973.

Cabral já dizia: “Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios”.

Cabral amava Cabo Verde e África. Orgulhava-se em ser “Homem Africano” e dizia: “Alguns esquecendo ou ignorando como os Caboverdianos foram formados, pensam que Cabo Verde não é África por causa dos seus muitos mestiços. Não sabem que, por exemplo, na África do Sul, existem mais mestiço do que Cabo Verde, Angola, e Moçambique juntos… mesmo que Cabo Verde possuísse uma maioria da população branca não deixaria de ser Africanos.”

Amílcar Cabral é sem dúvida a figura maior na luta pela liberdade do povo caboverdiano.

20 de Janeiro de 1973, um dia histórico para Cabo Verde, um dia para recordar a luta de Cabral, pela liberdade do nosso País.

No dia do aniversário da morte de Cabral, é também comemorado a memória de todos aqueles que lutaram, e deram as suas vidas pela independência de Cabo Verde.

Dois anos depois a sua morte, Cabo Verde viria a ser independente, graças a luta e o esforço de Cabral.

“Eu jurei a mim mesmo que tenho que dar toda minha vida, toda minha energia, toda minha coragem, toda a capacidade que posso ter como homem, até ao dia em que morrer, ao serviço do meu Povo na Guiné e Cabo Verde. Dar minha contribuição da medida do possível ao serviço da causa da humanidade para a vida do povo se tornar melhor no mundo. Este é o meu trabalho”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.




quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Galeria dos Mártires - Sergio Bertén

SERGIO BERTÉN e Companheiros
Mártires da Solidariedade
GUATEMALA * 18/01/1982

Sergio Bertén, religioso Belga, e companheiros, mártires da solidariedade com os camponeses da Guatemala.

Seminarista da Congregação do Coração Imaculado de Maria, 29 anos. Após obter seu diploma em Serviço Social, decide se tornar um missionário na Guatemala, onde chegou em 1975. 

Foi sequestrado e desaparecido com outros camponeses no dia 18 de janeiro de 1982.

Sergio trabalhou na Costa Sul, animando as comunidades de Puerto San Jose, Santa Lucia Cotzumalguapa e Tiquisate.

Sua opção pelos pobres é clara desde a sua chegada. Em meio à realidade de miséria e de injustiça em que viviam os camponeses, descobriu mais claramente em cada um deles o rosto do Cristo sofredor. A Palavra de Deus na Bíblia se faz transparente, iluminadora, e dela é que ele encontra força para a cada dia mais radicalmente seguir os passos de Jesus.

Compartilha sua vida com os pobres, dialogo e cresce com eles em conscientização. Percebe que é necessário uma organização e ações específicas para promover uma mudança mais profunda. 

Ele adia seus estudos teológicos para acompanhar seu povo adotivo. Está ciente do perigo de morte que corre por causa de seu compromisso, sobretudo em um momento em que só em ser cristão já era sinônimo de subversão.

Ele compartilhou a sorte dos pobres até as ultimas consequências. Para proteger e salvar seu companheiro de congregação religiosa e os camponeses mais comprometidos, Sergio decide viver clandestinamente. Esconde-se e continuar trabalhando. Até que foi sequestrado com outros jovens em uma Rua na Cidade da Guatemala.

Sergio, um jovem rapaz, estrangeiro, torna-se pobre, camponês, Guatemalteco, mártir da justiça e da solidariedade.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/