quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Galeria dos Mártires - Pedro Martinez e Jorge Euceda

PEDRO MARTÍNEZ e JORGE EUCEDA
Mártires da Verdade
EL SALVADOR * 28/09/1990

Pedro Martinez e Jorge Euceda, Jornalistas. Mortos em um “suspeito” acidente de carro no departamento de San Vicente. Pedro, 28 anos, era é diretor da revista SEMANA e Jorge colaborador do DIÁRIO LATINO.

Pedro estudou jornalismo na Cidade do México e exerceu sua profissão nesta cidade, onde viveu entre 1982 e 1988. Ano de voltar para El Salvador para contribuir para a libertação do seu povo a partir do jornalismo. No México, ele tinha trabalhado no Centro Nacional para a Comunicação Social - CENCOS - como chefe da seção latino-americana da revista IGLESIAS.

E em El Salvador, ele continua como correspondente da mesma revista e também do jornal mexicano, o PROCESSO.

O bispo auxiliar de San Salvador, Gregorio Rosa, denuncia que, de acordo com a autópsia nos corpos dos jornalistas, são encontrados vestígios de chumbo no olho direito de Pedro, assim como um ferimento no crânio e uma costela quebrada. Sinais difícil de justificar dada a forma como o acidente aconteceu. CENCOS lamenta profundamente a morte de Pedro e Jorge, “dois lutadores da verdade no serviço do povo salvadorenho”.

A Igreja exige que as autoridades investiguem o acidente. 

Pedro e Jorge, dois rapazes entregues a seu povo através da palavra escrita, são um símbolo de tantos servidores anônimos, mártires de El Salvador.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Galeria dos Mártires - Ir. Agustina Rivas

Ir. AGUSTINA RIVAS
Mártir da Misericórdia
PERU * 27/09/1990

Agustina Rivas, Religiosa da Congregação do Bom Pastor, 70 anos. Durante três anos, esteve a serviço dos camponeses indígenas em Florida, província de Chanchamayo, departamento de Junín, Prelazia de San Ramón. Região que se tornou um foco da violência armada.

Assassinada com outras seis pessoas na praça da cidade. “Aguchita”, como era carinhosamente chamada, era simples, acolhedora, alegre e incansável na sua dedicação à evangelização e promoção das mulheres nas oficinas de tecelagem e cozinha. Ela ensinou-as a fazer pão, cuidar de plantas e animais.

No meio da tarde as pessoas são chamadas a reunir-se por um grupo de jovens armados. Eles tinha uma lista. Os nomeados deveriam vir para a frente. Os irmãos Juan e Luis Pérez; Pedro Pizarro; Ifigenia, Jesus e Herber Marin, da mesma família.

A religiosa perguntou pela irmã Maria Luisa Jugo, que estava ausente. Eles disseram: “Você vai pagar por ela”. Lêem publicamente as “taxas” de penas de morte: os acusam de “falar de paz e não fazer nada, de estar trabalhando com os índios Ashaninka contra o Sendero Luminoso, que está sendo organizado, para distribuir alimentos...”. “Aguchita” intercede: “Eles são pessoas que não prejudicou a ninguém”, implora. Ao que ele responde: “Que a ti agora te salva o seu Deus, e a teu Deus também vamos cortar a garganta”. E eles os assassinaram um por um. Irmã Agustina queria se ajoelhar para rezar, mas se desvanece e recebe três tiros.

É a primeira religiosa morta pelo Sendero Luminoso. Mas já ressuscitada, feliz e jovial, para estar no meio do seu povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Galeria dos Mártires - Lázaro Condo

LÁZARO CONDO
Liderança Indígena
EQUADOR * 26/09/1974

Memória dos 42 anos de seu martírio.

Lázado Condo, indígena camponês, cristão fiel e líder de sua comunidade, viveu as lutas e as esperanças de uma possível reforma agrária, concretamente em sua região de Riobamba. Os grandes proprietários de terra, apoiados pelo exército e polícia, impedem essa reforma. 

Atacam os dirigentes camponeses indígenas e a Igreja do grande bispo da Causa Indígena, Leônidas Proaño, tão solidária com seu povo. 

São assaltados, os templos e as casas paroquiais, mulheres e anciãos são golpeados e Lázaro, que tenta defendê-los, é fuzilado. 

No domingo seguinte recebe a homenagem da multidão indígena descida da montanha e, na homilia, seu bispo Dom Proaño lança o grito profético do Evangelho: “Lázaro, levanta-te e anda!”.

Texto retirado da Galeria dos Mártires, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, MT

sábado, 24 de setembro de 2016

Galeria dos Mártires - Marlene Katherine Kegler Krug

MARLENEKATHERINE KEGLER KRUNG
Mártir da Fé e do Serviço entre os Universitários de La Plata
ARGENTINA * 24/09/1976

Marlene Katherine Krug Kegler, estudante e operária, mártir da fé e do serviço entre os universitários de La Plata, Argentina. Cristã e política, universitária de 23 anos, sequestrada e desaparecida em La Plata. 

Marlene pertencia a uma grande família do Paraguai, de onde ela aprendeu sua fé e solidariedade. Morava na Argentina, enquanto estudava obstetrícia. Era uma moça espontânea, estava sempre pronta ao serviço, e tinha uma alegria contagiante de viver. Simples e humilde, apesar de sua vasta cultura. Carinhoso com sua família, ela não aceitava que eles pagassem todas as suas despesas e foi trabalhar como empregada doméstica. 

Sensível às injustiças sofridas pelos estudantes antes do encerramento da universidade e, fundamentalmente sensível ao sofrimento dos pobres, decide militar em um grupo ligado à Frente Anti-imperialista pelo Socialismo, FAS.

Sua paixão pela justiça e solidariedade é alimentada pelo Evangelho. Porém neste período acontecia a atuação impuni da Aliança Anti-comunista Argentina, AAA, caçadora feroz daqueles que buscavam uma sociedade mais justa. Tal como aconteceu com os secretários acadêmicos Achem e Miguel, resultando em um protesto gigante, violentamente reprimidas pela polícia e no qual participou Marlene. 

Um dia, enquanto espera o ônibus na frente da faculdade, parou um carro com quatro homens, três dos quatros homens aproximaram-se de Marlene tentando a força colocá-la no carro, ela resistiu, agarrando-se a uma coluna de iluminação pública e proferindo gritos de socorro, mas não conseguiu evitar ser arrastado para o carro. Tudo isso em meio a espancamentos, insultos e tiros para o ar, para evitar que aqueles que testemunharam o sequestro, não pudessem ajudar a vítima.

Por fim, o carro fugiu a toda velocidade. Testemunhas disseram mais tarde que um dos sequestradores deixou cair um emblema da polícia, que foi dado aos soldados do Exército que chegaram ao local quase imediatamente, para inspecionar a área em busca dos sequestradores. E disseram que a operação não foi bem sucedida.

Além disso, o decano de Medicina, Manuel García Mutto, aproximou-se da cena e disse, sem mais, que Marlene não era estudante da faculdade.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Galeria dos Mártires - Sergio Rodríguez

SERGIO RODRÍGUEZ
Mártir da Justiça
VENEZUELA* 23/09/1993

Sergio Rodriguez, trabalhador e estudante universitário, 27 anos, casado e pai de uma criança, mártir da luta pela justiça na Venezuela. 

Leigo cristão, militante na paróquia do Bairro “23 de Enero” em Caracas.

Trabalhador e estudante da Universidade Central da Venezuela. Foi assassinado pela polícia durante uma manifestação. Ativo participante das Comunidades Eclesiais de Base, onde exercia sua fé e solidariedade.

Carinhosamente chamado de “Flaco” todos se lembram dele sempre alegre, fraternal, dialogante, entusiasta, sempre sonhando com o “homem novo”. Ideais que com sua esposa, ensinavam a seu filho, seus amigos e colegas.

No dia 23 de setembro de 1993, Sergio marchava na frente da bandeira venezuelana, organizando e contendo uma manifestação de dez mil trabalhadores, que reivindicava melhorias sociais ante o perigo de ser cancelada pela privatização. A polícia jogou gás lacrimogêneo e, depois um tiro de espingarda, e Sergio cai no chão. Seus companheiros o socorre, apesar da perseguição policial, leva-o ao hospital. Ali constataram que o seu grande coração, generoso, explodiu perfurado por uma bala. Dos quais não deixaram rastro da arma que disparou.


O reitor da Universidade autoriza que Sergio fosse velado em seu gabinete. Enquanto um desfile incessante passava diante dele com flores, bandeiras, slogans, seus companheiros de equipe fizeram um comunicado publico negando as declarações do ministro da Defesa que qualificou Sergio como subversivo. Porque todo mundo sabia e sabe que Sergio na Venezuela continua a ser um militante da vida, que foi capaz de se entregar, como Jesus, por seus irmãos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

Galeria dos Mártires - Henry Bello Ovalle

HENRY BELLO OVALLE
Mártir da Solidariedade
COLÔMBIA * 23/09/1989

Henry Bello Ovalle, militante cristão de 32 anos, do Bairro Azecena, Setor Bosa, Bogotá, Colômbia, mártir da solidariedade com os jovens do seu bairro. Foi assassinada no Pátio da Delegacia.

Pertencia a uma família muito religiosa que e frequentava a paróquia do bairro. Henry estava envolvido com o trabalhar entre os jovens: organizando esportes e se dedicando à recuperação de viciados em drogas. Era um líder natural: amado por jovens e respeitado pela comunidade.

Naquela tarde de 23 de setembro de 89, enquanto a polícia realizou uma batida no distrito, Henry não carregava o documento de identificação na ocasião, e trazia consigo, como o outro companheiro, jornais considerados de esquerda, mas à livre circulação. Ambos foram levados para a delegacia de Bosa. O companheiro sugere buscar o documento, mas não foi ouvido. Eles foram presos numa cela, onde havia outros jovens. À noite, Henry foi levado para ao pátio central. O policial Polidoro Miranda o obriga a se ajoelhar e o intima perguntando sobre se ele fazia parte da guerrilha. Henry disse que não. Não contente com a resposta o policial dispara três tiros em seu corpo e mais dois tiros na parte superior da cabeça. Henry cai morto. Testemunhas juram que ele não ofereceu resistência. Ao amanhecer, o juiz criminal ordenou que levasse o cadáver.

Henry foi mais uma vítima da violência institucionalizada na Colômbia. Um exemplo a mais da impunidade com que as forças de segurança violam o direito sagrado à vida. Alfonso Reyes, reitor do Seminário dos Missionários Claretianos, responsável pastoral do bairro, denuncia o fato.

Os amigos de Henry choraram e cantaram diante do seu corpo martirizado que se juntou à uma legião de mártires do seu povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Miguel Woodwar Iribarry


Pe. MIGUEL WOODWARD IRIBARRY
Mártir do Povo Chileno
CHILE * 22/09/1973

Miguel Woodward Iribarry nasceu em Valparaiso, Chile dia 15 de dezembro de 1930, filho de pai Inglês e mãe chilena. Fez estudos secundários na Inglaterra em um colégio interno dirigido por monges beneditinos. Aos 18 anos começou a estudar engenharia, graduando-se em Engenharia Civil em 1950 no King College Universidade de Londres, e logo depois voltou para o Chile e entrou para o seminário. 

Foi ordenado padre diocesano na Catedral de Valparaiso em 1961 pelo  Bispo Raúl Silva Henríquez.

Como muitos sacerdotes daquela época, imbuído pelo vento transformador do Concílio Vaticano II, quis ser um padre operário, e passou a trabalhar como torneiro em um estaleiro do porto de Valparaíso e foi também professor de CESCLA (Centro de Estudos e Capacitação para o Trabalho) da Universidade Católica de Valparaíso. Suas opções evangélicas se tornaram cada vez mais radicais em sua caminhada ao lado do povo explorado.

Em 1969, ele renunciou a Paróquia Penablanca e juntou-se ao exercício religioso público. Ele construiu uma casa no vilarejo de Progreso, em Cerro Pleasures de Valparaíso, onde liderou uma comunidade religiosa. Fazia parte do Movimento Cristão para o Socialismo e simpatizava com o governo de Salvador Allende. Entrou para o partido MAPU (Movimento de Ação Popular Unitária) e era um líder local dos Conselhos de Abastecimento e Preços (JAP) lideradas pelo general Alberto Bachelet. Em seguida, ele entrou em conflito com as autoridades eclesiásticas de Valparaiso, por isso foi destituídos das práticas sacerdotais pelo Bispo Tagle Emilio Covarrubias.

Pe. Miguel Woodward foi preso por membros da Inteligência Naval em 16 setembro de 1973, em sua casa em Cerro Placeres, Poblacion Heróis del Mar, no rescaldo do golpe militar. Ele foi levado para um quartel e, em seguida, para o navio Lebu, onde começaram as torturas, após a tortura quase fatal, Woodward foi transferido para o Esmeralda - um navio utilizado ​​pela Marinha do Chile como centro de detenção e tortura dos prisioneiros políticos após o golpe militar de 11 de setembro de 1973.

Conforme o testemunho do segundo no comando do Esmeralda, Eduardo Barison, Pe. Miguel Woodward morreu a bordo do navio por excessiva tortura  infligida. O certificado oficial de mortos indica a parada cardíaca como a causa da morte, enquanto a promotoria argumenta que Woodward morreu em consequência de hemorragia interna causada pela tortura.

Depois de sua morte, foi enviado para a família na Inglaterra, uma certidão de óbito, em que dava como causa da morte parada cardíaca. No entanto, a Marinha escondeu o corpo e falsificou a sua certidão de óbito, enterrando-o presumivelmente, no Cemitério de Playa Ancha, 25 de setembro, em uma vala comum.

O Tribunal de Apelações de Valparaíso, investigando o desaparecimento do sacerdote chileno-britânico e ativista MAPU Miguel Woodward Iriberry, determinou que os agentes envolvidos não vai servir a qualquer pena de prisão. José Manuel García Reyes e Héctor Fernando Palomino López foram condenados a três anos e um dia na prisão, mas concedeu o benefício da liberdade condicional. Atilio Manuel Leiva Valdivieso foi absolvido em razão da demência. Os agentes restantes, Carlos Alberto Miño Muñoz, Marcos Cristián Silva Bravo, Guillermo Carlos Inostroza Opazo, Luis Fernando Pinda Figueroa e Bertalino Segundo Castillo Soto foram absolvidos por falta de provas da participação.

O caso de Miguel Woodward faz parte das relações complexas e confusas, que viveu no Chile, a Igreja e o Estado, nos anos de 1970 e 1980.

A Universidade King College, para demonstrar que sua memória é mantida viva, estabeleceu um premio chamado “Miguel Woodward”, para o estudante que se destacasse não só pelo estudo, mas especialmente por suas qualidades humanas.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.