quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Galeria dos Mártires - Pe. Jaime León Restrepo López

Pe. JAIME LEÓN RESTREPO LÓPEZ
Mártir da Causa dos Pobres
COLÔMBIA * 17/01/1988

Memória dos 30 anos de seu martírio.

Jaime León Restrepo López nasceu em Unión, Antioquia, Colômbia em 7 de setembro de 1943. Após terminar do ensino médio no Liceo Salazar e Herreda de Medellín, ingressou no Seminário Arquidiocesano. Ai demostra uma grande visão social acentuada do Evangelho.

No ano de 1969 recebeu a ordem diaconal e foi enviado a exercer seu ministério em La Susana, município de Maceo, Antioquia.

Ordenado em 1971, ele foi nomeado pároco em Cristales. Ali fundou o Liceu, a Casa da Juventude Camponesa que atende todas as aldeias da paróquia. E o que era uma aldeia abandonada se transforma em uma comunidade de fé e solidariedade.

Depois de oito anos, ele foi transferido para La Loma, onde é ameaçado de morte. Em 1980, seu bispo o envia a Roma para estudar filosofia. Após seu retorno, foi nomeado professor na Universidade Pontifícia, e a exercer trabalho pastoral em um bairro de Medellín. Depois de obter permissão para conduzir um experimento em El Jardim: seis meses trabalhando como agricultor, rezando e estudando. Uma vivência profunda, que o confirma em sua vocação de ser pobre entre os pobres. Jaime não volta para a faculdade, onde deixou um legado imensurável por seu rigor científico, o seu testemunho pessoal e fé nos valores do Reino.

Destinado a San José de Nus, Jaime expõe ao bispo o perigo que corre sua vida ali. “Vai, e se a coisa fica realmente ruim, você me chama”, diz o bispo. Mas dar-lhe tempo. Seu martírio ai foi consumado.

Os seus amigos lembram de James: “Foi um profeta encarnado na vida de seu povo pobre ... Um profeta educador que ensinava e aprendia com os camponeses, com a juventude ... Foi um testemunho de Jesus, dos que vão mudando a história pela sua dedicação, sua generosidade, seu companheirismo ...”.

Enlutados pelo martírio de Jaime, o povo de San José de Nus, de Maceo, de Cristales vão para as ruas, não dormem a noite toda. Querem celebrar a Eucaristia em cada uma das suas igrejas, diante do corpo de Jaime. Depois o acompanha até Medellín. Ali o cardeal junto com todo o povo fazem uma procissão-romaria.

Em Jaime se cumpriu o que tinha dito tantas vezes: “Se queremos viver para sempre, devemos entregar nossas vidas para sempre”.

Abaixo alguns escritos encontrados em seu diário:

Sobre mudar as estruturas:
“Pretender mudar o mundo pode significar que se queira mudar as estruturas; estruturas políticas e sociais, para obtermos um processo humanístico”.
“Qual será a estrutura que se deva buscar para que haja ‘um mundo de paz’? São utopias que, todavia se chegue a formar a grande humanidade”.
“Comprometer-me na busca e realizações de possibilidade humanas, com tanto que tenha validez histórica. De fato, renunciar ao Eu. Tratar de viver como testemunha da Fé na vida eterna em Jesus, para mim é o fundamental”. (Setembro de 1987).

Sobre a fé:
“A fé é o espaço de consagração da Esperança dos homens, da história, do que fazem os cristãos, que devem ser testemunhas por seu compromisso, promotores do bem”.
“A fé é uma opção livre, não de necessidades; não há prova lógica, nem cientificamente contundente que poderão comprovar que é necessária seguir uma fé, em campo algum. Porém, essa fé é opção não intelectual, mas livre”.
“A fé se resulta em uma vida testemunhal, em dar sentido à existência humana”.
“A fé se entende aqui como atitude, como intento, como compromisso de vida, para que possa ser verdadeira”.
“Se compreender a fé, mas como atividade, como tarefa, como práxis, (as doutrinas são próprias para os tempos acadêmicos)”.
“O Evangelho não é doutrina, nem lógica. Se centra em Jesus, em sua história, (não em sua inteligência, ou seu sistema), em sua presença... e que presença!”.
“... a fé como compromisso, porém, aberta ao mundo e a história’”.

Sobre o Testemunho: 
“Alguém disse que a novidade está no espaço da história; portanto, é necessário viver com sentido de liberdade, ou seja, lançando-se no espaço da novidade; isto seria fidelidade ou responsabilidade história”.
“Por outro lado, também se diz que a grandeza está no que é simples, não no que é notório, nas pequenas coisas; neste sentido, se trata de viver o básico como fundamental, ser testemunha”.

Sobre Profetismo: 
“Eu creio que sempre quis ser Profeta; e me interessa muito ser, porém, entendo que Profeta tem relação com o Todo; se trata de crer no mundo, na vida, nos homens e mulheres; buscar manter a possibilidade de ser para o mundo presença de uma essência transformadora; de viver dimensões de aventura, ali onde a ‘proposição’ não diz nada aos homens, mas o Testemunho sim é linguagem inevitável”.
“O assunto do profetismo tem relação com todo o projeto positivo de ser testemunha; de encontrar sentido em uma vida de serviço e doação aos irmãos e irmãs”.
“O profeta faz aparecer a dimensão do infinito e de esperança em meio as estruturas desumana”.

Sobre o sacerdócio: 
O sacerdócio me da muita força e convicção de que minha vocação é tratar de ser instrumento através do qual se pode consagrar a esperança, porque creio que a gente, neste momento histórico, sirva para despertar a consciência sobre o sentido da fé e de uma vivencia cristã, que seja uma presença testemunhal do próprio Jesus; presença desinteressada, que compreende o valor da pessoa”.
  
Sobre o Compromisso Político: 

"Não é ficar a margem da luta partidarista ou revolucionária por medo ou por impotência. É colocar-se mais além dessas lutas, como um serviço histórico; é conscientizar-se frente a toda pretensão absolutista (é como se fôssemos inimigos de todos). É a maneira de ser fiel ao povo”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/ e pesquisa na internet.

Galeria dos Mártires - Ana María Castillo

ANA MARÍA CASTILLO
Mártir da Justiça
EL SALVADOR * 17/01/1981

Ana María Castillo Rivas "Eugenia", 31 anos, casada e mãe de uma filha, militante cristão, guerrilheira, mártir da justiça em El Salvador.

Militante da Juventude Estudante Católica (JEC) e Ação Católica Universitária Salvadorenha (ACUS), membro da direção das Forças Popular de Libertação (FPL), assassinada em uma emboscada do exército.

Desde sua adolescência vivia um cristianismo de profunda sensibilidade social. Estudante de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Salvador, militou em organizações de jovens que a ajudou a esclarecer suas ideias, sentindo a necessidade de estar ligada mais aos pobres. Em 1974, colabora diretamente com os camponeses em Aguilares e Suchitoto. Sua clara visão política, sua capacidade organizativa e seu caráter fraternal contribuem para a consolidação da Federação dos Trabalhadores do Campo (FTC). Com os camponeses participa de greves e manifestações e com eles sofre repressão de todas as suas formas.

Em 1975, vendo esgotadas todas as soluções pacíficas para que os pobres tenham justiça, ela se juntou à luta armada na FPL, integradas ao FMLN – Frete Farabundo Martí de Libertação Nacional. Em l976 ela se casou com Javier, também um militante cristão e revolucionário, e em l979 tem uma filha, que enchem de carinho.

Ana Maria, "Eugenia" quanto passa a clandestinidade, cai em combate desigual ao cumprir uma missão difícil. Sua dedicação aos pobres, sua solidariedade e ternura marcam seus companheiros e arrancam belíssimos poemas de seu esposo.

"Eugenia" continua viva nos corações de seu povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/.

Galeria dos Mártires - Irmã Silvia Maribel Arriola

Irmã SILVIA MARIBEL ARRIOLA
Enfermeira e Mártir
EL SALVADOR * 17/01/1981

Silvia, “a mulher do sorriso”, religiosa salvadorenha de 30 anos, era pequena, de aparência frágil, mas forte quando se tratava de encontrar uma solução ainda que arriscada, em situações-limite, ao decidir acompanhar, como enfermeira, o Exército Popular da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, na Frente Ocidental “Feliciano Ama”, ao doar a própria vida pela libertação de seu povo.

No dia 17 de Janeiro de 1981 foi assassinada por soldados do exército juntamente com outros companheiros, no acampamento em que se encontravam.

A comunidade religiosa a que ela pertencia, surgiu das Comunidades Eclesiais de Base de San Salvador, tendo sido aprovada canonicamente por Monsenhor Romero com o nome de “Religiosas para o Povo”.

Silvia foi durante muitos anos secretária de Monsenhor Romero, e foi diante dele e do povo que ela fez seus votos religiosos. Amiga de todos, animadora de comunidade, enfermeira de acampamento de guerrilheiros, cumpriu até o fim sua promessa de fidelidade ao povo, dando testemunho da Boa-Nova aos pobres.

Morreu com o povo e ressuscitará com ele.

No dia de seus votos religiosos fez as seguintes promessas:

PROMESSA DE FIDELIDADE

Senhor,
diante de uma sociedade que vive os ideais
do poder, do ter e do prazer,
quero ser sinal do que significa realmente AMAR;
de que Cristo é o único Senhor da história,
e que está presente no meio de nós
e é capaz de gerar um amor mais forte
que os instintos e a morte,
mas forte que todos os poderes econômicos.

Quero levar uma vida de procura e seguimento
de Cristo pobre, casto e obediente à vontade do Pai,
a fim de viver só para Ele e sua obra salvífica.

Prometo ser fiel ao Senhor:
na saúde e na enfermidade,
na juventude e na velhice,
na tranquilidade e na perseguição,
nas alegrias e nas tristezas,
na sua encarnação junto aos mais pobres,
sendo pobre e, com eles, solidária
em sua luta pela libertação.
Participando, entre os homens, da sua missão evangelizadora,
concentrando toda minha capacidade afetiva
n’Ele e em todos os irmãos.
Vivendo numa contínua procura da vontade do Pai
pela sua Palavra, em sua Igreja,
e dos sinais dos tempos entre os pobres.

Texto do livro “Sangue Pelo Povo, martirológico Latino-Americano”, Ed. Vozes. 1984)

Galeria dos Mártires - Manuel Fiel Filho

MANUEL FIEL FILHO
Morto sob tortura
SÃO PAULO * 17/01/1976

Manuel Fiel Filho é assassinado sob tortura por agentes do DOI-CODI três meses após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

O operário havia sido preso no dia anterior, acusado de ter recebido exemplares de um jornal de orientação comunista.

Foi nomeado para o Inquérito Policial-Militar o coronel Murilo Alexander, responsável por dissimular mortes sob tortura e autor de diversos atentados terroristas em 1968.

Concluiu-se, contra todas as evidências, que o operário cometeu suicídio, enforcando-se com suas meias. A farsa, porém, era tão evidente que o ditador Ernesto Geisel foi levado a demitir o comandante do II Exército, abrindo uma crise interna no regime.

A esposa nunca teve dúvidas do assassinato, desde a noite de 17 de janeiro, quando um desconhecido foi à sua casa, jogou um saco de lixo azul em sua direção e falou secamente “O Manuel suicidou-se, aqui estão suas roupas”.

Tereza respondeu aos gritos: “Vocês o mataram! Vocês o mataram!” Os médicos legistas responsáveis pelo laudo de auto-enforcamento, foram José Antonio de Mello e José Henrique da Fonseca. Seu corpo apresentava claros sinais de tortura e só foi entregue aos familiares mediante compromisso de realizar rapidamente seu enterro.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Galeria dos Mártires - Edméia da Silva Eusébio

EDMÉIA DA SILVA EUSÉBIO
Mães da Chacina de Acari
RIO DE JANEIRO * 15/01/1993

Edméia da Silva Eusébio, e Sheila da Conceição foram emboscadas e mortas a tiros, no estacionamento do metrô da Praça Onze, em 15 de janeiro de 1993. 

O crime, segundo a denúncia, teria sido ordenado pelo coronel reformado da PM e ex-deputado estadual Emir Campos Larangeira. Além dele, também são réus os Policiais Militares Eduardo José Rocha Creazola, o "Rambo", Arlindo Maginário Filho, Adilson Saraiva Hora, o "Tula" e Irapuã Ferreira; o ex-PM Pedro Flávio Costa e o servidor municipal Luiz Cláudio de Souza, o "Mamãe" ou "Badi".

Sete acusados de participar do assassinato da diarista Edméia da Silva Euzébio, que liderava o grupo conhecido como “Mães de Acari”, que nunca encontrou os corpos de 11 jovens sequestrados em 1990, serão submetidos a julgamento Tribunal do Júri. A decisão foi tomada pelo juiz Fábio Uchôa, titular da 1ª Vara Criminal do Rio, no dia 22/10/2014.

A denúncia aponta ainda a participação de uma oitava pessoa, o agente penitenciário Washington Luiz Ferreira dos Santos, cujo processo foi desmembrado do principal e está na fase de produção de provas. 

Edméia teria sido morta por ter conseguido novas informações que localizariam os adolescentes de Acari, entre eles o seu filho, sequestrados em sítio de Magé, na Baixada Fluminense. Segundo a denúncia do Ministério Público, os acusados integravam o grupo conhecido como “Cavalos Corredores”, que agia sob as ordens do coronel Emir Larangeira, principalmente na década de 90, quando o oficial comandou o 9º BPM (Rocha Miranda).

O caso, que chegou a ser arquivado, sofreu uma reviravolta em 2011, após o depoimento de uma nova testemunha. Ela contou que a reunião para matar Edméia teria ocorrido no gabinete do então deputado estadual Emir Larangeira, na Assembleia Legislativa (Alerj).

A data de julgamento dos acusados somente será definida após o julgamento de possíveis recursos, sendo que todos poderão recorrer da decisão em liberdade.
 
Entenda o caso

A Chacina de Acari, como ficou conhecida, ocorreu no dia 26 de julho de 1990, quando 11 jovens, entre eles sete menores, moradores da favela do Acari no Rio de Janeiro, foram retirados de um sítio em Suruí, bairro do município de Magé, onde passavam o dia, por um grupo que se identificava como sendo policiais.

Os sequestradores queriam joias e dinheiro, e após supostamente negociarem a sua libertação por meio de um pagamento, os sequestradores levaram as vítimas para um local abandonado. Nem eles nem seus corpos até hoje foram encontrados.

As mães dos desaparecidos começaram uma busca por seus filhos e por justiça, e ficaram conhecidas como as “Mães de Acari”, local onde a maioria dos sequestrados morava.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do http://g1.globo.com e outros sites.

Galeria dos Mártires - Estela Pajuelo Grimani

ESTRELA PAJUELO GRIMANI
Mártir da Solidariedade
PERU * 15/01/1981

Estela Pajuelo Grimani, camponesa de Huacho, Huaral, de 55 anos e mãe de 11 filhos. Mártir da solidariedade.

No dia do “lockaut” nacional, os camponeses de Huacho participavam de uma marcha pacifica. Homens, mulheres e crianças tentavam bloquear a estrada com troncos de salgueiro.

Não ocorreram incidentes até que chegaram forças da polícia, vindas de Cruz Blanca. Lançaram bombas lacrimogêneas contra os camponeses. Depois começaram a atirar.

Uma bala atravessou o coração e pulmão esquerdo de Estela que morreu instantaneamente. Outros camponeses caíram feridos. Entre eles, um menino de 11 anos.

Um grupo de dirigentes decidiu ir até o necrotério do hospital de Huacho e exigiu o corpo da companheira assassinada. Mas a polícia impediu-lhes a passagem exigindo que assinassem um documento no qual os acontecimentos eram distorcidos e responsabilizava os camponeses pelo assassinato.

Os agentes da pastoral do vale do Huaral afirmaram que Estela era “mãe dedicada, excelente trabalhadora e melhor companheira”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Leonel Rugama

LEONEL RUGAMA
Mártir, poeta e revolucionário
NICARÁGUA * 15/01/1970

Leonel Rugama nasceu em 27 de março de 1949, em Vale de Matapalo, cidade de Estelí em meio a condições proletárias que irá selar sua trajetória até o fim de sua vida. Seu pai um carpinteiro e sua mãe, professora. Essa condição de pobreza e de sua maneira de lidar com as dificuldades diárias formam a sua personalidade revolucionária e sua atitude poética se manifesta através de seus poemas com conteúdo social e revolucionário.
                                                                                   
Em 1950, ele se mudou com sua família para a cidade de Esteli, e aí faz seus primários estudos, em 1962 viaja para Leon onde curso o último ano do primário, obtendo o segundo lugar na classe. Estudou o ensino médio no Seminário Nacional de Manágua, e o ultimo ano do secundário no Instituto Nacional de Esteli, ao receber a graduação, ganhou o primeiro lugar no desempenho acadêmico.

Em 1967, inicia sua militância no FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), se destacando por seu empenho, dedicação e entrega revolucionário.

Nas montanhas, começar a escrever poesia.

Recebe ordens para mudar-se para Leon. Se matriculou no ano-base, da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNA). Trabalhou como professor de matemática.

Revela seus primeiros poemas em La Prensa Suplemento Literário.

Em 15 de janeiro de 1970, juntamente com outros dois jovens adolescentes, Roger Núñez Dávila, Mauricio Hernández Baldizón, enfrentam um batalhão inteiro da guarda nacional, batalhão armado de tanques e canhões os cercavam.

Um grande número de pessoas se aglomeram para testemunhar o desigual combate. Estando os jovens cercados um guarda gritou para que eles se renderem; Leonel Rugama respondeu: “Que se renda sua mãe! Ele continuou lutando ...”.

Esta expressão resumia a essência revolucionaria de Leonel, porque ele veio do seio das classes populares e havia vivenciado com grande profundidade, não apenas o sotaque das pessoas, mas a maneira como eles respondem a situações difíceis.

Leonel deixou um legado de vida revolucionária, seus poemas impregnados pela enorme convicção mística e revolucionária, e a sua justiça que o caracterizava. Com a sua morte, a FSLN perdeu um Santo revolucionário.

"O estudante tem a obrigação de despertar a massa oprimida e mostrar o caminho de sua própria redenção."  Leonel Rugama.

LA TIERRA ES UN SATÉLITE DE LA LUNA

El Apolo 2 costó más que el Apolo 1
el Apolo 1 costó bastante.

El Apolo 3 costó más que el Apolo 2
el Apolo 2 costó más que el Apolo 1
el Apolo 1 costó bastante.

El Apolo 4 costó más que el Apolo 3
el Apolo 3 costó más que el Apolo 2
el Apolo 2 costó más que el Apolo 1
el Apolo 1 costó bastante.

El Apolo costó un montón, pero no se sintió
porque los astronautas eran protestantes
y desde la luna leyeron la Biblia,
maravillando y alegrando a todos los cristianos
y a la venida el papa Paulo VI les dio la bendición.

El Apolo 9 costó más que todos juntos
junto con el Apolo 1 que costó bastante.
Los bisabuelos de la gente de Acahualinca tenían menos
hambre que los abuelos.

Los bisabuelos se murieron de hambre.
Los abuelos de la gente de Acahualinca tenían menos
hambre que los padres.
Los abuelos murieron de hambre.
Los padres de la gente de Acahualinca tenían menos
hambre que los hijos de la gente de allí.
Los padres se murieron de hambre.
La gente de Acahualinca tiene menos hambre que
los hijos de la gente de allí.
Los hijos de la gente de Acahualinca no nacen por
hambre,
y tienen hambre de nacer, para morirse de hambre.
Bienaventurados los pobres porque de ellos será la luna.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.