terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Franz de Castro Holzwarth

FRANZ DE CASTRO HOLZWARTH
Advogado,  Mártir da Pastoral Carcerária
JACAREÍ – SP * 14/02/1981
               
Advogado e teólogo, iniciou seu trabalho junto aos presos da APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – em 1973, na cidade de São José dos Campos, SP. 

Nas galerias e celas do presídio, ficava em média dezesseis horas, convivendo com os presos. “A minha vida eu daria, afirmava, em garantia e em alívio a muitos sofrimentos”. 

Durante uma rebelião, ofereceu-se como refém, para que um policial militante fosse liberado e, quando o carro onde Franz se encontrava saiu, a polícia iniciou o tiroteio perfurando com mais de trinta e oito projéteis o corpo do“apóstolo do amor”.

Em 6 de março de 2009, a Diocese de São José dos Campos realizou a abertura do Processo da Causa de Canonização de Franz de Castro Holzwarth e instalou o Tribunal Diocesano do Processo da Causa e a Comissão Histórica. 

O Tribunal Diocesano realizou diversas sessões para investigar a fama de martírio e a vida do candidato à mártir. Mais de 30 pessoas foram ouvidas, o que resultou em centenas de páginas de documentos que foram encaminhados para a Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano, no dia 22 de dezembro de 2010.

Oração

Senhor, nosso Deus, que inspirastes o vosso servo Franz de Castro Holzwarth a uma total dedicação de amor aos encarcerados, ao ponto de derramar o próprio sangue em favor da causa dos mesmos, nós vos pedimos que, se for de vossa vontade, Franz de Castro seja um dia glorificado pela vossa Igreja e, por sua intercessão, possamos receber a graça de que tanto precisamos e que vos pedimos com fé… (pedir a graça). Fortalecei-nos, ó Senhor, na vivência do amor ao próximo e abençoai a todos que se dedicam à Pastoral Carcerária. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na Internet e da Galeria dos Mártires da Caminhada, Prelazia de São Félix do Araguaia.

Galeria dos Mártires - Santiago Miller

SANTIAGO MILLER
Mártir da Educação Libertadora
GUATEMALA * 13/02/1982

Irmão Santiago Miller nasceu em uma família de agricultores perto de Stevens Point, EUA, em 21 de Setembro de 1944. Em setembro 1959 entrou para o noviciado júnior de Missouri. Depois de três anos, ele foi admitido como postulante no Noviciado em agosto de 1962.

Em agosto de 1969, depois de emitir os votos perpétuos, foi enviado para a escola da missão dos Irmãos em Bluefields, na Nicarágua. Ensinou lá até que ele mudou-se para Puerto Cabezas, na Nicarágua, em 1974, onde foi diretor. Sob sua liderança, a escola cresceu de 300 para 800 alunos. 

Ele também aceitou a tarefa de dirigir e supervisionar a construção de dez novas escolas rurais. Superiores religiosos de seu congregação o tiraram Nicarágua em julho de 1979, no momento da revolução sandinista. 

Foi enviado para os Estados Unidos e ensinou em Cretin em outubro de 1979.

Ele foi enviado para um novo campo missionário na Guatemala, em Janeiro de 1981. Deu aula no ensino médio em Huehuetenango e também trabalhou no Centro Índico, onde estudavam as meninas maias indígenas em áreas rurais e na agricultura.

Um dos seus professores o retrata com entusiasmo: "personalidade atraente, aberto e sociável, simpático, nada falso, cativava as pessoas pela sua simplicidade, era muito inteligente e também muito simples". Outra observação foi feita por pessoas da comunidade depois dos seus votos perpétuo disseram sobre sua generosidade, a influência positiva e o forte desejo de trabalhar nas missões. Se lembra dele como "inteligente, mas não intelectual, jovial, de fácil relacionamento, e com profunda fé e amor por sua vocação religiosa".

Seus próprios escritos e declarações mostra-nos o seu caráter e personalidade. 

Em uma de suas últimas cartas antes de sua morte mostra que ele estava ciente da situação na Guatemala e as possíveis consequências que adviriam para ele. Assim, em janeiro de 1982, escreveu:
"Pessoalmente, estou cansado da violência, mas estou me sentindo profundamente comprometido com o sofrimento pobres na América Central ... Cristo é perseguido por causa da nossa opção pelos pobres. Ciente dos muitos perigos e dificuldades, continuar a trabalhar com a fé, a esperança e confiança na providência de Deus." E disse mais tarde: "Eu sou um Irmão das Escolas Cristãs por quase vinte anos, e meu compromisso com a vocação cresce mais e mais com o meu trabalho na América Central. Peço a graça e o poder de Deus para fielmente servir os pobres e oprimidos da Guatemala. Deixo minha vida em Sua Providência e colocar nele a minha confiança".

Morreu um mês depois de escrever essas palavras. 
Na tarde de 13 de Fevereiro de 1982, enquanto consertava o muro da escola, recebeu vários tiros disparados por quatro homens com os rostos cobertos que invadiram a escola onde trabalhava. Ele morreu na hora, com apenas 37 anos.

Em Roma, a Congregação para Causas dos Santos está a rever a causa do Irmão Santiago Miller. Até o presente momento, a ele foi dado o título de "Servo de Deus".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Francisco Soares

Pe. FRANCISCO SOARES
Mártir da Justiça entre os pobres
ARGENTINA * 13/02/1976

Francisco Soares, 54 anos, conhecido com "Pancho", Sacerdote do Movimento dos Sacerdotes do Terceiro Mundo, mártir da justiça entre os pobres de El Tigre, Argentina. 

Pe. Francisco Soares nasceu em 1921, em São Paulo, Brasil, e três anos mais tarde mudou-se para Buenos Aires, recebeu sua educação primária em Santos Lugares. Ele viveu no Chile, França e Espanha. Em 1945, ele foi ordenado sacerdote, em 63 foi nacionalizado Argentina. Era Religioso Assuncionista e passou para a Diocese de San Isidro (Bueno Aires) e neste mesmo ano se instala definitivamente em Carupa.

Trabalhava manualmente e vivia em uma casa humilde com um irmão, deficiente mental.

Muitos se lembram dele por uma bela e profunda homilia sobre o "grão de trigo que morre e dá fruto" em 11 de maio de 1975, ao completar um ano do martírio de Carlos Mugica. 

Sua maneira clara e forte de pregação foi acentuada nas orações fúnebres pelos mortos do Estaleiro Astarsa. Ele era frequentemente ameaçado e sabia que o seu fim estava chegando. Na noite de 13 fevereiro 1976, o chamaram na porta e um grupo armado de ultra-direita o assassinaram impiedosamente. Também atiraram em seu irmão deficiente mental que veio a falecer alguns dias depois. 

Pouco antes de sua morte, ele tinha participado do funeral de um Dirigente Sindicais do Estaleiro Astarsa, que havia sido sequestrado e morto por exigir melhores condições  para os trabalhadores. 

Era um homem humilde que ganhou o respeito e carinho das pessoas, pois ele trabalhou para os necessitados como um um deles. 

Pe. "Pancho" gerou empreendimentos produtivos, montou uma oficina e criou uma cooperativa. Era muito comprometido com as lutas e as causas do povo.

Por ocasião da celebração de 25 anos de seu martírio foi lido o poema abaixo, escrito por Olga Luccioni em 1998.

13 DE FEBRERO, DE ALLÍ A LA ETERNIDAD

"Pancho Soares, sacerdote, mártir, cirineo..
quisiste llevar en tus frágiles hombros, la cruz
de tus hermanos, pobres y sufrientes,
heridos por la injusticia de una sociedad cobarde.

El Señor te llamó, y acudiste y aceptaste
dejar los cómodos salones y las amplias aulas;
tus puras manos cambiaron la tersura de los libros
y se llagaron en el trabajo duro y solidario.

Carupá te vio recorrer sus calles polvorientas
Y tus pasos imprimieron en el barro
las  huellas evangélicas de quien
sembraba eternidades en esa historia diaria.

Apóstol de la paz, guerrero  ante la lucha
contra el oprobio de hermanos oprimidos,
permaneciendo al lado de quienes no tenían
"otro pan que sus lagrimas" ... y con ellos llorabas.

Pero aún tenía que llegar el tiempo feroz
de las muertes sin sentido,  para quienes
sólo reclamaban sus derechos de hijos de Dios
y el sustento de sus hijos,  y allí estabas de pie.

Y no tuviste miedo, proclamando los Bienaventuranzas,
Que los insensatos soberbios tomaron como proclamas subversivas;
Pobres necios, valientes sólo con armas en las manos,
Temblaron de pavor ante tu humildad y tus verdades.

Entonces buscaron las sombras, cómplices de los tenebrosos,
Y te hallaron en tu humilde casilla, orando al Señor
con un Cristo en la cruz sobre tu pecho enfermo,
Y creyeron acallarte con la vileza de las balas.

Fiel hasta las últimas consecuencias,
Pancho,   hijo del hombre, cirineo y mártir, consagrado;
Tu sangre inocente fertilizó la tierra que abrazaste;
Estás en nuestras almas, alentándonos a continuar tu ejemplo.

Grano de trigo triturado,  cáliz amargo, pan sagrado,
entrega feliz en cada Eucaristía, a imitación de Cristo,
testimonio valioso de aquel aceptado sacrificio,
cantando desde el cielo..."no hay mayor amor que dar la vida".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Irmã Dorothy Stang

IRMÃ DOROTHY MAE STANG
Mártir da Ecologia
ANAPU – PA * 12/02/2005

Irmã Dorothy Mae Stang, religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.

Ingressou na vida religiosa 1948, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Illinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona).

Em 1966 iniciou seu ministério pastoral e social aqui no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão. Irmã Dorothy estava presente na Amazônia de a década de 70 junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica.

Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região. Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. Participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade à vida e a luta dos trabalhadores do campo. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica. 

A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

Em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: "Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar".

Foi assassinada com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará.

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou: "eis a minha arma!", e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

O corpo da Missionária está enterrado em Anapu, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heroicas da fé cristã.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Irmã Dorothy

Dos longínquos campos do Senhor,
De lá ela chegou
Pra mãe terra fértil,
Que é das mulheres
Que é dos homens
Que é de todos.
Aqui ela aportou.
Pregou, falou, aconselhou.
Andou terra adentro.
Fez nascer a árvore,
Que cobrou a floresta,
Germinou os frutos
De uma Amazônia de Paz.
Falou de Paz antes de tombar.
Quem assistiu irmã Dorathy tombar?
As árvores tão caladas?
Os frutos tão assustados?
Os rios tão parados?
Os peixes encurralados?
As terras vermelhas?
Tão vermelhas...
Tão vermelhas!
Do teu sangue.
Mas, tua voz não se calará!
Jamais, Jamais, Jamais!
Tua voz se multiplicará
Nos que já se foram,
Que hoje estão contigo.
Nós que ficamos
Fortalecidos estamos,
A rimar amor com dor.
Amor pela terra, amor pelo direito a ter direito.
Na dor pela perda, na dor pela luta,
Que enluta tão bruta!
Dorothy vive, viverá em cada uma/um de nós!
Em cada um que gritar:
Terra é de quem precisa!
Vida é a terra!
Terra é a vida!
Salve irmã Dorothy!

Poema escrito por Fátima Matos - Fórum de Mulheres - 16/02/2005




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Monsenhor Alberto Koenigsknecht

ALBERTO KOENIGSKNECHT

Bispo, Mártir por sua Opção Pelos Pobres
PERU * 10/02/1986
  
Alberto Koenigsknecht, Bispo de Juli em Puno, Peru, morreu em um acidente suspeito, depois de ter sido ameaçado de morte por sua opção pelos pobres. Missionário norte-americano de Maryknoll. O apelido carinhoso "K-13" é devido ao número de letras de seu nome alemão, que significa "servo do rei". 

Mas ele viveu ao serviço do povo, filhos e filhas de Deus, os camponês indígenas, a quem Alberto muito amava e se dedicou nos seus últimos 38 anos de serviço pastoral e social em Puno. Ele morreu em um acidente aos 69 anos, como os dois outros pastores do Sul Andino: os bispos Vallejos e Dalle.

Alberto estava em Lima, em uma reunião do Episcopado que apoiava um projeto para os agricultores camponeses. Semana árdua de reuniões, que termina dia 08. Parti em seguida para Juli. Lá ele soube de um incidente em Pomata, envolvendo religiosas. Dirigindo sua caminhonete viaja até lá, preocupado. O encontro é tenso. Nas religiosas, pela atuação a serviço do povo, se acusa toda a Igreja de Juli. 

Parte novamente sem almoçar, para chegar cedo em Puno, onde se reunirá com o presidente Alan García, que naquele dia estava a visitar a cidade, por causa de problemas de terra dos agricultores. 

À 37 km de Puno, no Caritamaya, que em aymara significa "lugar de descanso para o espírito", Alberto, exausto, atingiu um caminhão estacionado e morreu instantaneamente. Seu rosto está intacta, mas o impacto que ele sofreu destrói os órgãos vitais. 

Ele, que viveu na dedicação simples e fraterna para com os pobres, o Senhor dá a ele o descanso no Caritamaya.

Milhares de camponeses marcham beijando as mãos de seu pai e amigo. Na Eucaristia, realizada sob o céu azul, o bispo Albano Quinn lembra o salmo 23, favorito para Alberto: "Sua casa é a casa do Senhor."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Felipe Balam Tomás

FELIPE BALAM TOMÁS
Mártir, Servidor dos Pobres 
GUATEMALA * 09/02/1985

Hoje, fazemos memória dos 32 anos do martírio de Felipe Balam Tomás, Missionário religioso, servidor dos pobres na Guatemala. 

Religioso da Congregação Missionários da Caridade, tinha 18 anos quando foi assassinado. Foi sequestrado nas aldeia Las Escobas, no município de San Martin Jilotepeque, departamento de Chimaltenango. 

Felipe estava presidindo a celebração da Palavra de Deus, quando três homens armados invadiram a igreja e o levam a força. As testemunhas não poderão fazer nada por ele. 

Na ocasião do desaparecimento disse o Núncio Apostólico, ao pedir para Ministro dos Negócios Estrangeiros de intervir junto das autoridades nacionais e acelerar a liberação de Felipe. "É um servo generoso de seus irmãos e da Igreja. Sua Congregação é dedicada aos mais pobres".

Por sua vez, o Arcebispo de Guatemala, Prospero Condenado del Barrio, faz saber que Felipe foi sequestrado por forças de segurança do governo, ao presidir uma celebração. 

Felipe entregou sua jovem vida pelas causas de seus irmãos na fé, para que eles juntos lutassem pela libertação do povo guatemalteco.

Galeria dos Mártires - Agustín Goiburú

AGUSTÍN GOIBURÚ
Médico, Mártir do povo
PARAGUAI * 09/02/1977

Em 09 de fevereiro de 1977, Agustín Goiburú foi sequestrado por militares argentinos, na cidade de Paraná, Entre Ríos, por ser um dos homens mais procurado pelo regime de Alfredo Stroessner. Foi morto pela Operação Condor.

Agustín foi um destacado líder do (MOPOCO) Movimento Popular Colorado que, desde o início se opôs fortemente à ditadura de Alfredo Stroessner, que havia tomado o poder arbitrariamente após o golpe de 1954 que derrubou o então presidente Federico Chaves.

Médico que realizou sua especialização em cirurgia ortopédica no Brasil. Ao retornar ao seu país, trabalhou no Instituto de Assistência Social e da Polícia Policlínica "Rigoberto Caballero". Em 1958 denunciou abusos do regime de Stroessner, no exercício da profissão no Hospital da Polícia.

Exilado na cidade fronteiriça de Posadas, começou a ativar politicamente e organizar insurreição do exterior com o principal objetivo de derrubar a ditadura que havia sido instalado.

Em 1969, depois de uma perseguição implacável liderada pelo chefe do Departamento de Investigações, Miltiades Coronel, foi preso enquanto estava pescando nas águas do rio Paraná com seu filho Roland, como dito no livro: "En los sótanos de los generales",  escrito por Alfredo Boccia, Antonio V. Pecci, Miguel H. Lopez e Gloria Giménez Guanes.

Depois de passar um ano na prisão da 7ª Delegacia de Assunção, escapou com sucesso por  um túnel feito com suas próprias mãos, deixando em ridículo o aparato policial, temido e influente naquele tempo. 

Ele se refugiou na embaixada do Chile, depois de receber asilo do governo socialista de Salvador Allende.

Retornar para Posadas, onde é o principal ideólogo do frustrado ataque contra Stroesnner, que consistia na explosão de um carro-bomba estacionado perto da Praça do Uruguai, no momento em que passava o então presidente.

O plano de Goiburú não funcionou, uma vez que os explosivos não foram detonados para a felicidade do ditador.

Segundo disse o historiador e analista político Alfredo Boccia para ULTIMAHORA.COM, esse fato irritou Stroessner, que pediu a cabeça de quem pudesse fazer qualquer agitação contra o regime, que por sua vez estava sendo fortalecido através da ajuda econômica dos Estados Unidos em seu combate ao comunismo em plena Guerra Fria.

A perseguição contra os opositores ao regime subiu o tom, forçando o médico e sua família a fugir para a cidade de Paraná, Entre Ríos, em 1975.

No ano seguinte, instala um golpe militar que leva ao poder na Argentina Jorge Rafael Videla,  aliado ideológico de Stroessner,  dificultando ainda mais a situação dos oposição do regime no exílio. 

Foi no dia 09 de fevereiro de 1977, quando Goiburú foi sequestrado por militares argentinos e visto pela última vez. 

No dia 19 de março de 2013, foram encontrados dois corpos enterrados nas instalações do Grupo Especial e os familiares afirmam que um deles e Agustín Goiburú.

A este respeito, o seu filho Rogelio, que faz parte da Comissão Verdade e Justiça, disse que de acordo com o testemunho de um anônimo, há 20 anos, no local onde encontramos este corpo foi enterrado seu pai.

"Há 20 anos, quando estávamos escavando, uma pessoa veio até meu irmão e apontou a direção em que meu pai foi enterrado. O mesmo lugar onde encontramos esse corpo hoje", disse ele.

"Eu sei que ele está aqui, que foi executado pelo Stroessner e seu alto comando. O meu pai era um homem que realmente amava o Paraguai e vai descansar em seu país", disse ele.

Como Alfredo Boccia, opinou que se confirmasse que o corpo foi achado, isto teria repercussões internacionais e seria de um valor inestimável para a memória histórica do nosso país.

Ao mesmo tempo, ele lamentou que o Estado paraguaio havia cortado o dinheiro que seria destinado para o teste de DNA e, assim, desvendar as identidades dos restos mortais.

Finalmente, Rogelio Goiburú acusou o atual ministro das Finanças, Manuel Ferreira Brusquetti, de ser um cúmplice da ditadura Stronista, por cortar o orçamento que seria destinado para o teste de DNA e finalizar a investigação.

"Esta ação do ministro demonstra a insensibilidade e irresponsabilidade em apurar os assassinatos que cometeu Stroessner", disse ele.