terça-feira, 18 de julho de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Carlos de Dios Murias e Pe. Gabriel Longueville

PE. CARLOS DE DIOS MURIAS e GABRIEL LONGUEVILLE
Mártires da Justiça em La Rioja
ARGENTINA * 18/07/1976


Carlos de Dios Murias nasceu a 10 de Outubro de 1945 em Córdoba (Argentina), no seio de uma família apegada aos valores religiosos e morais. É por essa altura que sobe ao poder Juan Peron, apoiado pela popularidade da sua esposa, a célebre Evita Peron.

Em 1955, Peron é afastado do poder por uma Junta Militar e Carlos, ao longo de quase toda a sua existência acaba por não conhecer outra coisa senão a instabilidade e a crise na qual a ditadura militar mergulha o país até 1973.

A sua irmã Maria Cristina descreve-o como um adolescente idealista, piedoso e sensível à condição dos oprimidos. Opta pela vida religiosa. É admitido entre os franciscanos conventuais. Deixou-se cativar pelo carisma de São Francisco de Assis, pela pobreza e pelo empenho apostólico dos frades.

Foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro de 1972. Após a sua ordenação sacerdotal, se encarrega da paróquia de El Salvador de La Rioja e colabora com o Enrique Angelelli, bispo que Carlos admira muito particularmente.

Angelelli revela-se entusiasta no apostolado e comprometido na evangelização e defesa dos direitos dos oprimidos. Posteriormente, Carlos torna-se colaborador da paróquia de Chamical juntamente com Gabriel Longueville, padre francês, delegado do episcopado de França para a América Latina.

Carlos é apreciado pela sua abnegação, o seu bom humor e a sua coragem. Próximo dos humildes, não hesita nunca em ajudá-los, até materialmente. Todos os que o conheceram diziam que ele era um homem de Deus, profundamente espiritual e cuja vida está em concordância com o Evangelho de Jesus.



Gabriel José Rogelio Longeville, nasceu na França, em 18 de março de 1931. Em uma família de camponeses simples, com um coração verdadeiramente cristão.

Ingressou no Seminário Saint Charles. Logo depois foi para o Seminário de Viviers, onde estudou Filosofia e Teologia, terminado os estudos  Viviers, onde estudou Filosofia e Teologia, terminando os estudos foi ordenado sacerdote em 23 de julho de 1957.

Em 1969, ele viajou para o México, onde aperfeiçoou seu castelhano e exerceu o seu ministério sacerdotal junto a uma comunidade indígena.

Chega na Argentina no final de 1970, enviado pela Comissão Episcopal francesa para a América Latina (CEPAL). Ele se estabeleceu em Chamical juntamente com Pe. Carlos em 23 de fevereiro de 1972.

Homem de paz, sensível, muito falante, de alma profunda que exerceu um grande trabalho em favor dos mais pobres. Profundamente piedoso e devoto, viveu o evangelho e a pobreza real, com a facilidade de um nascido para isto.

Um artista nato, fazia escultoras e pintura, era autodidata.

Foram suficiente cinco anos para aprender a amar esta terra argentina e entregar sua vida, numa dedicação total aos princípios do Evangelho e ao serviço ao povo.

O compromisso e o martírio

Os dois homens entendem-se perfeitamente e entregam-se comprometidamente em favor da população empobrecida da sua comunidade, explorada em condições humilhantes pelos ricos proprietários.

Longe de qualquer atividade política, exercem o seu ministério em plena comunhão com o seu bispo, cuja linha de conduta eles seguem: fidelidade às orientações do Concílio Vaticano II e diretrizes da Conferência de Medelin para a América Latina.

Porém, na noite de 17 de Julho de 1976, os dois sacerdotes foram sequestrados logo após terminar o jantar na casa das Irmãs de São José. Eles foram levados por dois homens à paisana que afirmam ser da Polícia Federal. Três dias depois, são encontrados por um grupo de 20 trabalhadores ferroviários à beira da estrada de ferro, perto de Chamical. Tinham sido brutalmente torturados e os cadáveres estavam crivados de balas. Pe. Carlos tinha 30 anos e Pe. Gabriel tinha 43 anos.

A Igreja Católica Argentina começou o processo de canonização de dois padres, mortos durante a última ditadura (1976-1983). O bispo Roberto Rodriguez fez o anúncio durante uma homenagem aos padres Carlos Murias Deus e Gabriel Longueville, no cemitério de El Chamical, a 150 km da capital de La Rioja, onde estão enterrados os dois sacerdotes.

Encerrada a investigação diocesana sobre o martírio dos padres Carlos e Gabriel bem como do leigo Wenceslao Pedernera, vítimas da ditadura militar, o Bispo Marcelo Colombo levou em Maio de 2015 os documentos de mais de 7.500 páginas para serem analisadas pela Congregação para as Causas dos Santos, e assim sejam reconhecidos como “Mártires de Chamical”, pelo serviço prestado por eles pelas causas dos pobres em La Rioja.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Galeria dos Mártires - Bartolomeu de las Casas

BARTOLOMEU DE LAS CASAS
Profeta, Defensor da causa dos Índios e Negros
MADRI * 17/07/1566

Bartolomeu de Las Casas nasceu em Sevilha, na Espanha, no ano de 1474. Seu pai era um mercador da esquadra de Colombo, na segunda viagem ao novo continente. Estudou na Universidade de Salamanca, onde se graduou em direito. 

Depois viajou para Roma, onde terminou os estudos e ordenou-se sacerdote em 1507. A rainha Isabel, chamada "a católica", da Espanha, considerava a evangelização dos índios a justificativa mais importante para a expansão colonial. Insistia para que os sacerdotes e frades estivessem entre os primeiros a fixarem-se na América. Em 1510, Bartolomeu de Las Casas retornou à ilha Espanhola, agora como missionário, para combater o tratamento cruel e desumano dado as índios pelos colonizadores.

Para defender os índios no novo continente, Bartolomeu viajou várias vezes à Espanha, apelando aos oficiais do governo e a todos que o quisessem ouvir. Desde que ingressou na vida religiosa dominicana, ele se dedicou à causa indígena em defesa da vida, da liberdade e da dignidade. Dedicou vários anos à meditação e ao estudo, depois dos quais começou a escrever e a viajar incansavelmente. Lutou, também, para que tivessem direitos políticos, de povos livres e capazes de realizar uma nova sociedade, mas próxima do Evangelho. 

Para Frei Bartolomeu, o índio é o pobre de que fala a Bíblia, não apenas assassinado, mas espoliado e explorado até o suicídio. Portanto, o culto a Deus e a exploração do pobre são incompatíveis. O ponto central de sua teologia está precisamente na identificação de Cristo com o índio martirizado, com o pobre real.

A prioridade, para Bartolomeu, era a evangelização. Com tal propósito, viajou pela América Central fazendo um trabalho pioneiro, registrando tudo em seus diários. Foi perseguido pelos colonizadores espanhóis de São Domingos, Peru, Nicarágua, Guatemala e do México. Neste último país, foi nomeado bispo aos setenta anos de idade, em 1544. Mas ficou apenas três anos em Chiapas, sempre perseguido pelos espanhóis.

Em 1547, partiu da América para não mais voltar. Regressou à Espanha, continuando lá a defesa dos índios, à permanente denúncia da exploração de que foi vítima por parte dos conquistadores, quando corrigiu e publicou seus escritos, todos se contrapondo à política colonial. Porém suas idéias foram contestadas na América e também na Espanha. Tanto que, em 1552, suas obras foram censuradas e proibidas para leitura.

Morreu aos noventa e dois anos de idade no Convento Dominicano de Atocha, no dia 17 de julho de 1566, em Madri, Espanha. Muito querido do povo mexicano, seu nome, hoje, é lembrado como um dos maiores humanistas e missionários da história do cristianismo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Ivo Abani

IVO ABANI
Mártir da Terra Livre
PALMA SOLA-SC * 16/07/1989


Ivo Abani, trabalhador sem terra, assassinado no dia 16 de julho de 1989, durante violenta desocupação da Fazenda Caldatto, município de Palma Sola-SC, onde outras 40 pessoas foram feridas e 11 presas.

Ficou assim, antes de morrer, silencioso.
E pensou um poema de olhos fechados:

"Canário aderindo ao sol
Faz que esmorece
O músculo do dia.

Detrás do traje oleoso
A sombra cuida do esquecimento.

Eu pego para mim um relâmpago
Desnudo, para envelhecer.

Quero dormir no meio da tempestade".


Poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Galeria dos Mártires - José Raimundo Mota de Souza Júnior

José Raimundo Mota de Souza Júnior
Antônio Gonçalves-BA * 13/07/2017

Mais um companheiro que tomba na luta pelos direitos dos trabalhadores. Na tarde desta quinta-feira, 13 de julho, o líder camponês e quilombola, José Raimundo Mota de Souza Júnior é assassinado.

Educador popular, grande defensor da Agroecologia, das cisternas de placa, um companheiro de luta e vivência. Júnior é militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e morador da Comunidade Quilombola de Jiboia, município de Antônio Gonçalves-Bahia.

Júnior do MPA, como era conhecido, foi assassinado a tiros enquanto trabalhada no campo com um irmão e um sobrinho, ambos conseguiram escapar com vida. Vizinhos relataram que minutos antes de seu assassinato, “os caras” foram até a casa de Junior perguntando por ele, sem saberem da intensão, informaram que estava trabalhando na roça.

Por hora, o corpo foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) em Juazeiro para exames de balística e amanhã, pela parte da tarde será velado. Lideranças locais e do MPA descrevem que foi uma repressão a luta e a organização que o companheiro assumiu no seu dia a dia.

Há pouco mais de um ano, um outro camponês militante do MPA e liderança da região foi assassinado a balas, conhecido como João Bigode era morador da Fazenda Santana. Depois do assassinato de João Bigode, Júnior temia que acontecesse o mesmo com ele.

Só neste primeiro semestre de 2017 já são 47 assassinatos no campo, um dos índices mais altos desses 32 anos que a Comissão Pastoral da Terra tem registrado os Conflitos no Campo.

Que Júnior permaneça presente em cada sopro de ousadia, em cada canto de esperança. Para que sua luta não sejam em vão, luta e resistência nestes tempos sombrios.

Por Comunicação MPA
http://mpabrasil.org.br/lider-campones-e-assassinado-na-bahia/

Galeria dos Mártires - Pe. Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo

Pe. RODOLFO LUNKENBEIN e SIMÃO BORORO
Mártires da Terra Indígena
MERURI – MT * 15/07/1976

Missionário salesiano entre os índios Bororo, na aldeia de Meruri, Pe. Rodolfo pôs nessa missão toda sua “jovialidade e amizade, sua serenidade e exatidão na prática religiosa e nos estudos; seu espírito de trabalho e sacrifício”. Sabia muito bem do risco que corria: “Também hoje o missionário, afirmou, deve estar disposto a sacrificar sua vida”. “Não há nada mais bonito do que morrer pela causa de Deus. Este seria meu sonho”. 

Mártir glorioso da nova pastoral indigenista do CIMI, ele deu a vida pelas terras bororo e o índio bororo Simão, no mesmo martírio, deu a vida pelo missionário Rodolfo.

Prece da Esperança no Compromisso

Deus, nosso Pai, celebramos, com a morte gloriosa do Cristo, a morte gloriosa de Rodolfo e de Simão, o sangue de Teresa, de Lourenço de Zezinho e de Gabriel; a angústia e a solidariedade de Ochoa, dos bororós, dos missionários ... perfeitos no amor, segundo a Palavra de Cristo: o índio deu a vida pelo missionário; o missionário deu a vida pelo índio. Para todos nós, índios e missionários, este sangue de Meruri é um compromisso e uma esperança. O índio terá terra! O índio será livre! A Igreja será índia! 
(Pedro Casaldáliga, apud José Marins et alii, op. cit., p. 151.)

https://www.youtube.com/watch?v=VqpL3TwLjj0

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Héctor Jurado

HÉCTOR JURADO
Mártir do Povo Uruguaio
URUGUAI * 15/07/1972


Memória dos 45 anos de Martírio. 

Héctor Jurado, pastor metodista uruguaio. 

Detido pela polícia, morreu em consequência das torturas no Hospital Militar, poucos dias depois de sua prisão.

Embora não tenham sido fornecidos os resultados da autópsia, sabe-se que o corpo de Héctor apresentava sinais de maus tratos, além de uma ferida provocada por bala e outra provocada por corte.

O comunicado oficial disse que ele havia se suicidado com arma branca no momento da detenção.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de leitura dos livros: Sangue pelo Povo - Martirológio Latino-Americano - Ed. Vozes 

Galeria dos Mártires - José Amâncio Dias

JOSÉ AMÂNCIO DIAS
Mártir da Justiça e do Direito
BÉLEM DE MARIA-PE * 14/07/1993

José Amâncio Dias, líder sindical de Belém de Maria, Pernambuco, pai de 11 filhos, assassinado no dia 14 de julho de 1993 por ter apoiado a luta pelos direitos dos pobres assalariados do nordeste brasileiro.

A interrogação pousou no abismo
Nos princípios gerais que o pássaro
Trouxe das candeias do lugar.

As árvores se tocaram nas idades do medo
Perto do cansaço. Do deserto.
Agarradas entre as veias que de si
Penetram o coração iluminado da terra.

Debaixo do seu fardo a água
- insubmissa à lei e à música - 
Originou a circulação
Pondo o sol na erva do outono
E o dia na raiz dos grilos
Pendendo a roupa branca lavada.

A água não tem tinta para o mundo
Por isso acumula insetos sem compromisso
E verifica o peso das sementes sobre o leito dos pássaros.
Tem uma vocação para a eloquência, a água.
Um dizer sertanejo nas axilas.
Um odor poderoso frequentando a tarde.

Por isso, disseram tua notícia fundada na chuva.
Até no meio das farinhas
E nos lábios roliços da madeira
Que erguia o cume das casas, em louvação.

Texto do livro: Raízes, Memória dos Mártires da Terra, Jelson Oliveira - Ed. Loyola