quarta-feira, 21 de junho de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Arturo Mackinnon

Pe. ARTURO MACKINNON
Mártir da Justiça
REPUBLICA DOMINICANA * 22/06/1965

Pe. Arturo Mackinnon pertencia à Sociedade Missionária dos Padres da Missão Estrangeira Scarboro, Canadá. Seu trabalho sacerdotal na República Dominicana começou em 06 de outubro de 1960, em Azua (1960-1961) em San José de Ocoa (1962-1964) e janeiro 1965 foi enviado para o Município de Monte Plata, onde ele foi violentamente assassinado aos 33 anos em 22 de junho de 1965, depois de protestar contra a detenção arbitrária de 37 pessoas.

Dispararam contra ele uma rajada de metralhadora à queima-roupa e em seguida vários tiros de pistola.

O exercito deu uma versão de que o sacerdote morrera junto a dois membros do exército. Vizinhos do lugar, que viram os movimentos e escutaram os disparos, bem como o superior religioso de Arturo, puderam reconstruir a execução sumária no meio do caminho, deste sacerdote muito querido, de espírito generoso e enorme senso de justiça.

Pe. Arturo era grande amigo da juventude e dos pobres. Tinha profundo anseio de justiça social e de respeito à pessoa humana. Mais de uma vez protestou energicamente, tanto em particular, como em público, contra as injustificadas arbitrariedades de certos militares contra o povo indefeso. Era um homem corajoso que sabia tomar posições em favor do povo. Foi acusado de ‘comunista’ e de ‘defensor de rebeldes’.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. Leo Commissari

Pe. LEO COMMISSARI
Mártir das Lideranças de São Bernardo do Campo-SP
S. BERNARDO DO CAMPO-SP * 21/06/1998

Padre Leo Commissari nasceu em Bubano - Itália, em 19 de abril de 1942. Descendente de família religiosa viveu a infância numa situação de pobreza devido a Guerra e o Pós-Guerra. Ordenou-se sacerdote em 1976. Tendo como exemplo o irmão missionário na China Filippo Commissari, chegou ao Brasil em 1970 em Itapetinga - Bahia, onde viveu 7 anos. Voltando à Itália quis envolver o Bispo num projeto de missão diocesana para padres, irmãs e leigos. O sonho se realizou em 1980 quando os Bispos de Ímola e Santo André decidiram um intercâmbio de padres e irmãs "Projeto Igrejas Irmãs". Desde o começo o grupo então formado de 3 padres e 5 irmãs de diferentes congregações da Diocese de Ìmola, escolheram trabalhar na periferia de São Bernardo do Campo.

Enfrentou a resistência da ditadura militar para entrar no País, por causa da forte presença da igreja católica em movimentos grevista no ABCD. Em São Bernardo, se alojou na favela do Oleoduto, na Vila São Pedro, para sentir na pele o sofrimento do povo. Foi ali onde iniciou um trabalho junto à comunidade carente, lutando a vida toda para resgatar os pobres do esquecimento em que a sociedade os deixa.

Construiu uma creche comunitária, orientou ocupações de terra e idealizou um centro de formação profissional que, depois de sua morte, foi a ele dedicado, passando a se chamar Centro de Formação Profissional Padre Leo Commissari.

Era fim de quermesse, 21 de junho de 1998, quando o padre Leo Commissari pegou seu carro e partiu em direção a rua do Oleoduto, em São Bernardo. Na direção contrária da estreita via, um outro veículo o obrigou a parar. Dele saíram um homem e uma mulher armados.

Padre Leo teve tempo de reconhecer o rosto que se aproximava de seu carro e perguntar “Por que irá me matar, Joãozinho?”. O primeiro dos três disparos contra o missionário acabaria com sua trajetória de luta social na periferia de São Bernardo que já durava dez anos.

A descrição da cena do crime foi dada por seu parceiro, também missionário italiano, padre Sante Collina, 69 anos. Quatro anos depois da morte do amigo, padre Sante foi à penitenciária em que o assassino cumpria a pena de 21 anos e repetiu a pergunta“Joãzinho, por que matou padre Léo?”. A resposta foi um silêncio amargo e de cabeça baixa.

“Sabíamos que incomodávamos muita gente grande com nosso trabalho. Éramos muito queridos até por pessoas que tinham envolvimento com tráfico”, contou padre Sante. O missionário lembra que o assassino era vizinho da creche comunitária, onde tinha um ponto de venda drogas.“Atrapalhávamos o negócio dele. Padre Leo não chegou nem a reagir.”

A morte do missionário foi um grande choque para a população que acompanhava seu trabalho, e para a alta cúpula de bispos católicos da Itália.

Abaixo algumas frase do Pe. Leo Commissari:

“O amor a Cristo nos irmão é um amor capaz de ir até as últimas consequências, é um amor capaz de ir até a morte.”

“… estou convencido de que o Senhor nos chama, ainda antes do nascimento e, aos poucos, Ele nos manifesta e nos diz aquilo que quer de nós. Quando nos damos conta de que Ele nos chama a uma consagração plena definitiva, isto constitui apenas o começo de um caminho que devemos perceber dentro da normalidade da vida, vivida na Igreja”.

“… a essência da vida religiosa não está no fato de viver aqui ou em outro lugar, em casa ou no convento, fazer umas coisas ou outras, mas viver tudo por causa de Cristo, como resposta ao Seu amor por nós. E realmente faz-se necessário que haja pessoas que pensem e vivam desta maneira”.
           
“Encontrar Cristo e dedicar a vida a Ele é maravilhoso e extremamente fecundo e fonte de uma alegria que o mundo não conhece; e isto é necessário, no mundo há um desejo enorme disto! Faz-se necessário que o nosso amor a Cristo seja autêntico, no seguimento fiel e disponível a Ele, a fim de que Sua Presença seja visível a todos, como salvação e libertação”.

“A questão do amor e a questão da vocação estão estreitamente ligadas, e esta ligação é misteriosa. Esta ligação é o amor de Deus e o amor de Deus pelo homem. Este amor certamente iluminará o significado da sua vocação, dentro do tempo. É preciso ter paciência, basta esperar um pouco. Alguém ou alguma coisa o iluminará”.     
        
“Todavia sempre permanecerá o mistério e a decisão será sempre sua. Porém, com o tempo, chegará a você esta luz, que o fará compreender o suficiente e escolher com consciência e serenidade… O importante é não perder tempo, viver amando”.

“… sinto-me como uma pessoa que busca uma definição de si mesmo, uma verdadeira expressão, ou talvez mais verdadeira do que vocação fundamental que me atraiu, desde quando era adolescente”.  
   
“Jesus não disse que se deve estudar um código de leis ou de sabedoria, não pediu um aprofundamento da cultura teológica das pessoas, mas orientou para a fé. Um ato muito simples, “Eu confio em você, leve-me para onde quiser”.              

“A nós é pedido que sejamos fiéis até o fim, ao Evangelho, para que estejamos, ao mesmo tempo, ligados a Deus e ao seu povo. Estamos contentes. Não nos faltam a saúde e a alegria. Moramos na favela, mas a nossa barraca é limpa e até confortável na sua essencial pobreza. O trabalho é muito, mas não nos deixamos dominar pelas coisas a fazer. Sempre nos reunimos de manhã cedo para rezar e meditar a palavra de Deus”.

https://www.youtube.com/watch?v=F8vsg4EaH10

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Sergio Ortiz

SERGIO ORTIZ
Mártir da perseguição à Igreja na Guatemala
GUATEMALA * 21/06/1984

Sergio Ortiz, seminarista, foi sequestrado nos arredores da Universidade Nacional de San Carlos na Cidade da Guatemala. Foi encontrado morto dois dias depois. Seu corpo tinha sinais de torturas e um tiro de misericórdia.

O assassinato de Sergio é considerado como uma repressão oficial feita contra a Igreja Católica, por causa da atitude de denúncia que esta assume diante da situação econômica, social e política da Guatemala. 

“Há grupos poderosos interessados ​​em que os pobres não se despertem e nem que exijam seus direitos ... O fato de que algum padre se coloca a promover o camponês, a despertá-lo, a dizer de sua condição humana e sua dignidade, pode ser mal interpretado por aqueles que não querem que os guatemaltecos despertem para os seus  direitos, e que exijam seus direitos como pessoa. A pregação da Igreja não é uma mensagem abstrata para seres abstratos, mas sim uma mensagem eficaz para seres muito concreto, que têm problemas com que a marginalização, desemprego e violência”, disse o Arcebispo de Guatemala, Prospero Penados del Barrio, em 14 de julho de 1984.

Sergio representa esta Igreja particular, que desperta os irmãos oprimidos e que diz com firmeza sobre os direitos que lhes é de direito.

É mais um mártir da justiça na Guatemala.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet no servicios koinonia.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Rafael Palacios

Pe. RAFAEL PALACIOS
Mártir das CEB’s
EL SALVADOR * 20/06/1979

Rafael Palacios nasceu em San Luis Taipa, em 16 de outubro de 1938, sendo ordenado sacerdote diocesano no dia 26 de maio de 1963.

Após o assassinato do Pe. Octavio Ortiz e quatros leigos em 20 de janeiro de 1979, Pe. Rafael foi substituí-lo na Paróquia San Francisco Mexicanos, de San Salvador. Nesta comunidade esteve totalmente dedicado ao trabalho dos setores operários, especialmente dos bairros de Santa Tecla e de Santa Luiza. Seu principal serviço pastoral era a formação de Comunidades Eclesiais de Base. Nisso reside também à causa de sua morte.

No dia 20 de junho de 1979, se dirigia a uma reunião das Comunidades Eclesiais de Base, (CEB’s), na Igreja El Calvario, foi assassinado em plena rua, crivado de balas pela ultra-direita, aos 41 anos.

Assim relatou um amigo seu: “Desde que o conheci, o escutei dizer que um sacerdote não tem razão de ser, senão no seio de uma comunidade. Que o essencial da mensagem de Jesus foi convidar a humanidade dividida a lutar contra o que mantém as pessoas dispersas e desorientadas, isto é, o pecado. Jesus nos propõe seu plano e nos convida a segui-lo, não de qualquer modo, ...”.

“Todo o ideal do Pe. Rafael, sua vocação sacerdotal, sua inteligência, suas forças, colocou-as a serviço dos demais. Podíamos vê-lo sempre pelas ruas dos lugares onde havia trabalhado, tratando de convidar a todos para formar uma CEB’s. Este foi seu ideal e o conseguiu. Dizia que nessa comunhão íamos descobrindo o Reino. Sofreu muitas incompreensões e foi considerado uma pessoas perigosa, pelo simples fato de oferecer formação ao povo”.

Dom Romero, na homilia assim se referiu ao Pe. Rafael: “Posso dizer com as comunidades de base que tão bem o conhecera que ele estava longe de provocar qualquer violência, ou de semear ódio... Ele pregava o amor, era um homem de profunda meditação, que sempre acreditou mais na força do amor do que na violência, cujo ideal era o de criar comunidades de base inspiradas no amor de Jesus Cristo... Seria triste em um país onde o assassinato é cometido tão horrivelmente contra o povo, não encontrássemos também sacerdotes entre as vítimas. Eles são testemunhas de uma Igreja encarnada nos problemas de seu povo”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Galeria dos Mártires - Frei Cosme Spessoto

Frei COSME SPESSOTO
Mártir da Caridade
EL SALVADOR * 14/06/1980

Frei Cosme Spessoto, italiano, sacerdote franciscano de 57 anos. “O vinhateiro de San Juan Nonualco”, como era chamado por sua obstinação em tratar de cultivar a vinha do Senhor e de conseguir esse intento.

Pároco durante 27 anos e vigário episcopal da diocese de San Vicente, foi assassinado por quatro indivíduos bem armados que entraram na igreja e dispararam contra ele enquanto rezava.

Mártir da caridade, desenvolveu durante sua vida uma incansável atividade missionária. Sua intenção foi ser “instrumento de paz” entre seus paroquianos por fim a violência.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Pe. Mauricio Silva

Pe. MAURICIO SILVA
Mártir dos Pobres
ARGENTINA * 14/06/1977

Mauricio Silva, Membro da Fraternidade de Irmãozinhos do Evangelho e gari das ruas de Buenos Aires. Sequestrado quando se apresentava para trabalhar como todos os dias.

Depois, a casa da comunidade foi invadida pelo exército à procura de “provas subversivas” e sua ficha de empregado municipal, retirada.

Mauricio nasceu em Montevidéu e foi ordenado sacerdote salesiano em 1951. A partir daí trabalhou como missionário na Patagônia argentina. De volta a Montevidéu desempenhou intensa atividade pastoral.

Aos 45 anos sentiu-se fortemente atraído pela espiritualidade de Foucauld e ingressou na Fraternidade de Buenos Aires. Depois do noviciado trabalhou entre os “cirujas”* nas lixeiras de Rosário. Volta a Buenos Aires para prestar testemunho entre os varredores de ruas. Quando um de seus antigos amigos o descobre, Maurício saúda, sorri e continua silencioso, atrás de sua vassoura, tornando realidade o que escrevera em um de seus poemas: “Quando amar é um sulco humilde e obscuro que reclama o grão para ser fecundo e morrer na solidão, eu sei que tu estás, Senhor”.

Onde está agora Mauricio carregando o seu Senhor? “Esta pessoa não existe na Argentina”, respondem as autoridades invariavelmente, apesar dos pedidos internacionais e até do próprio Papa Paulo VI.

* Cirujas: pessoas miseráveis que procuram entre o lixo alimentos, roupas e objetos diversos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Galeria dos Mártires - Novo Massacre de Sumpul

NOVO MASSACRE DE SUMPUL
Mártires da Resistência
EL SALVADOR * 12/06/1982

Novo massacre de Sumpul, mais de 300 agricultores, a maioria mulheres, crianças e idosos, foram assassinados ao tentar chegar à fronteira de Honduras. Depois dos combates com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, FMLN, tropas especializadas de El Salvador e Honduras, com assessores norte-americanos, ataque durante 15 dias a população civil de Cabañas e Chalatenango.

Em 29 de maio, mais de 700 camponeses indefesos de Los Amates e Santa Anita começou um desesperado êxodo em massa, em direção à fronteira. Eles tentam se esconder nas colinas e vales, comendo ervas e raízes. Soldados os perseguiam, metralhando, matando de qualquer maneira aqueles que conseguem alcançar a fronteira. Chegaram no Rio Sumpul, exaustos, alguns feridos, aterrorizados, os agricultores tentaram atravessa-lo. As crianças e os idosos não puderam resistir à força da água e se afogar. Como em 1980, o Rio Sumpul novamente é manchado de sangue inocente.

Hondurenho que atinjam ao outro lado são resgatados por observadores internacionais, que enfrentam duramente aos oficiais e soldados. Eles conseguem levá-los para o campo de refugiados em Mesa Grande. 163 agricultores se encontravam exaustos, dilacerados pela dor. Como um casal que, depois de perder um filho, corre para se refugiar em uma casa; quando se aproximam da casa, ouvem gritos de mulheres e crianças que estão sendo queimados vivos dento dela. Ou a mãe que chega a Mesa Grande totalmente muda, pois perdeu seis filhos pequenos. Todos testemunharam cenas sangrentas, horríveis. Alguns morrem logo ao chegar ao outro lado do rio. Só tiveram tempo de pedir que resgatassem aos companheiros espalhados nas montanhas. Eles viveram e deram a vida por lutar pela paz.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página http://servicioskoinonia.org/martirologio/